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Papa encerra viagem apostólica nas Ilhas Maurício

09/09/2019

Papa Francisco

O encontro com as autoridades encerrou a breve visita do Papa a Porto Luís, capital de Maurício. Depois da visita de cortesia ao presidente interino, Barlen Vyapoory, no palácio presidencial, o Pontífice se dirigiu à sociedade civil e ao corpo diplomático.

Em seu discurso, ressaltou a multiculturalidade que caracteriza os habitantes do país, que se formou ao longo dos séculos com a chegada de migrantes de diferentes continentes. A partir da experiência que acumularam na miscigenação e na convivência pacífica, o Papa fez um apelo: “O DNA do vosso povo guarda a memória destes movimentos migratórios que trouxeram os vossos antepassados até esta ilha e que os levaram também a abrir-se às diferenças para as integrar e promover tendo em vista o bem de todos. Por isso mesmo, na fidelidade às vossas raízes, vos animo a assumir o desafio de acolher e proteger os migrantes que hoje chegam aqui à procura de trabalho e, para muitos deles, à procura de melhores condições de vida para as suas famílias”.

A independência do país é recente, tem apenas 51 anos, e a política é regida por um sistema democrático, que – segundo o Papa – contribui para fazer de Maurício “um oásis de paz”. O país, também chamado de Maurícia, mas oficialmente República de Maurício ou República de Maurícia, tem uma população de 1.311.000 habitantes distribuídos em uma superfície de 2.040 km². O país inclui as Ilhas Maurícia e Rodrigues (a 560 km da Ilha Maurícia), e as Ilhas exteriores de Agalega e Cargados Carajos, esta última conhecida oficialmente como Saint-Brandon.

“Faço votos de que este estilo de vida democrática possa ser cultivado e desenvolvido, contrastando nomeadamente todas as formas de discriminação”, afirmou Francisco, encorajando os políticos a serem um exemplo, principalmente aos jovens, e que possam ser sempre dignos da confiança dos compatriotas.O Pontífice destacou também o “intenso desenvolvimento econômico” do país, advertindo, porém, para não ceder à tentação de um modelo econômico idolátrico, “que precisa de sacrificar vidas humanas no altar da especulação e da mera rentabilidade, que tem em conta apenas o benefício imediato em detrimento da proteção dos mais pobres, do meio ambiente e seus recursos”.

Para tal, auspiciou uma “conversão ecológica integral” para evitar catástrofes ecológicas e graves crises sociais.

Por fim, Francisco manifestou seu apreço pelo modo como trabalham juntas no país as várias religiões com as suas respetivas identidades, “contribuindo para a paz social e recordando o valor transcendente da vida contra todo o tipo de reducionismo”. E confirmou a disponibilidade dos católicos a continuar participando deste frutuoso diálogo. “Mais uma vez, obrigado pela vossa calorosa recepção”.

As Ilhas Maurícia e Rodrigues fazem parte das Ilhas Mascarenhas, junto com a vizinha Reunião, um departamento ultramarino francês. O país é membro da Commonwealth, da Francofonia e da União Africana. O francês, o inglês e o criolo são as principais línguas faladas. A capital e maior cidade é Port Louis.

A Diocese de Port Louis, criada em 7 de dezembro de 1847, tem uma superfície de 1.882 km², 1.268.315 habitantes, 329.760 católicos, 39 paróquias, 44 sacerdotes diocesanos, 48 sacerdotes religiosos, 3 seminaristas dos cursos de Filosofia e Teologia, 67 membros de institutos religiosos masculinos, 174 membros de institutos religiosos femininos, 67 instituições de ensino; 80 instituições de beneficência, 4.128 batizados em 2018.


A oração do Papa diante do túmulo do Beato Jacques Laval

Localizado dentro da Igreja da Santa Cruz, nos arredores de Port Louis, o atual santuário do Beato Laval é de recente construção. De fato, remonta a 2014, ano em que a Igreja em Maurício celebrou o 150º aniversário da morte de Beato Padre Jacques Laval, conhecido como “o Apóstolo dos negros”, pois dedicou-se à evangelização dos nativos de Maurício.

A nova estrutura tornou-se necessária pelo constante aumento do número de peregrinos que se reúnem em oração diante do túmulo de Laval, em particular no dia 9 de setembro, memória de sua morte. Atualmente o prédio pode acomodar 250 pessoas, mais que o dobro da estrutura anterior – que remonta a 1870. Além de ter sido restaurado várias vezes, agora está ligado à nova construção por meio de uma colunata.

Uma teca de vidro protege uma representação em cera do Beato, colocada sobre seu túmulo. Há também um grande crucifixo no interior do Santuário. Trata-se, de fato, da reprodução da cruz ao lado da qual o padre Laval concordou, pela primeira e única vez, ser fotografado.

Nas paredes circundantes, estão dispostas inúmeras prateleiras onde é possível colocar flores e velas oferecidas pelos peregrinos.

Uma fonte foi colocada no local onde, até há poucos anos, estava o túmulo do Beato que pesa 4,5 tonelada. A reforma do local teve a colaboração financeira também do governo e de outras religiões. Para o projeto da reforma, a Associação dos Arquitetos de Maurício lançou um concurso, vencido pela Sra. Sylvie de Leusse.

O Beato Père Laval
O Beato Jacques-Désiré Laval nasceu na França em 1803 em uma família muito rica que o incentivou a estudar Medicina. Mas logo decide abandonar a profissão médica para tornar-se missionário.

Chega em 1841 na Ilha Maurícia, dedicando-se com entusiasmo à evangelização dos negros que foram, por lei, libertados da escravidão. Durante a epidemia de cólera que atingiu o país em 1854, 1857 e 1862, ele construiu vários hospitais. Abriu escolas primárias, construiu várias capelas para a formação espiritual e promove a integração social da população. Leva uma vida austera: usa o cilício, dorme no chão, pratica o jejum e passa noites inteiras em oração.

Aos 59 anos, fisicamente debilitado, padre Jacques Laval é atingido pela apoplexia. Vem a falecer em 9 de setembro de 1864. 40 mil mauricianos participam de seu funeral. É beatificado por São João Paulo II em 29 de abril de 1979, sendo o primeiro Beato proclamado pelo Pontífice polonês.


Papa despede-se de Maurício

O Papa Francisco – Peregrino de paz – encerrou no início da noite desta segunda-feira (19h, hora local) a sua 31ª Viagem Apostólica que o levou no dia de hoje à capital de Maurício, Porto Luís, terceira etapa da viagem. Pouco antes das 9h30 (horário local) o Papa Francisco chegou a Porto Luís, para uma visita de um dia. Tendo partido do Aeroporto de Antananarivo, foram pouco mais de 2 horas de voo e 1.055 quilômetros percorridos, os mesmos quilômetros que faz retornando à capital malgaxe.