Carisma - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Celebrações de São Francisco de Assis na Província

“Uma vida que produz frutos de amor”: Frei Florival destaca mensagem de São Francisco na Festa do Padroeiro

“Uma vida que produz frutos de amor”: Frei Florival destaca mensagem de São Francisco na Festa do Padroeiro

No último sábado (3), a Paróquia São Francisco, na Vila Clementino, celebrou a festa de seu
padroeiro. A programação reuniu a comunidade ao longo de todo o dia, com a bênção dos
animais e criaturas, quermesse e a Missa Solene. A data marcou os 800 anos do Trânsito de
São Francisco de Assis.

Das 9h às 18h, na área externa, foi realizada a bênção dos animais e criaturas. Ao longo do
dia, muitas pessoas participaram da iniciativa e levaram seus animais de estimação para
serem abençoados, num gesto que recorda a relação de São Francisco com toda a criação.

Também houve distribuição de ração abençoada, estandes de parceiros da festa e um espaço
dedicado à adoção responsável de animais, ampliando as ações de cuidado e promoção da
vida que marcam a espiritualidade franciscana.

A programação também contou com quermesse, das 11h às 22h, com barracas, comidas
típicas, brincadeiras e música ao vivo. A festa reuniu paroquianos, famílias, tutores de
animais e visitantes durante todo o dia, proporcionando momentos de convivência e
fraternidade.

Missa Solene recorda os frutos de uma vida de amor

O centro das festividades foi a Missa Solene, às 15h, presidida por Frei Florival Mariano de
Toledo, pároco da Paróquia São Francisco, e concelebrada por Frei Fidêncio Vanboemmel e
Frei Rodrigo da Silva.

Em sua homilia, Frei Florival destacou o desafio de transformar o agradecimento a Deus em
esperança, especialmente diante de um mundo marcado por divisões, enfermidades e
preocupações.

A partir das leituras do dia, o frade refletiu sobre a imagem da vinha e sobre o convite de
Deus para que a vida produza bons frutos. “Como transformar esse agradecimento em
esperança?”, questionou.

Para o religioso, São Francisco de Assis aponta um caminho para essa transformação. Ao
recordar o Cântico das Criaturas, composto pelo santo em um período de enfermidade e
sofrimento, o pároco ressaltou que Francisco conseguiu louvar a Deus mesmo diante das
dificuldades porque havia descoberto que o amor de Deus era maior do que o seu sofrimento.

“Francisco não louva porque não sofria, louvava porque havia descoberto o amor, que o amor
de Deus é maior do que o seu sofrimento”, afirmou.

A reflexão também destacou o convite à paz, ao diálogo e à reconciliação, começando pelas
relações mais próximas. Família, trabalho e demais relacionamentos podem se tornar
espaços concretos para a construção da fraternidade.

“Que o nosso louvor se transforme em gestos”

Ao relacionar a mensagem de São Francisco com os desafios atuais, Frei Florival propôs que
o louvor não permaneça apenas nas palavras, mas se transforme em atitudes concretas.

“Como seria bonito se o nosso louvor se transformasse em gestos de reconciliação,
fraternidade e cuidado uns com os outros”, afirmou.

O pároco também recordou o ensinamento de São Paulo sobre apresentar as preocupações a
Deus por meio da oração e do agradecimento, em vez da murmuração, confiando que a paz
de Deus pode guardar o coração.

Depois de nove dias de preparação e celebrações em torno de São Francisco, Frei Florival
convidou a comunidade a levar para a vida cotidiana a mensagem vivida durante a festa.

“Que nossas famílias encontrem caminhos de reconciliação, que os enfermos que se
encontrem em nossas casas, nos hospitais, onde nós passamos, eles encontrem esperança,
que nossas diferenças se tornem oportunidades para aprendermos a viver como irmãos e
irmãs”, afirmou.

Ao concluir a reflexão, o pároco reforçou que o louvor a Deus não termina com a celebração
litúrgica, mas continua na maneira como cada pessoa escolhe viver.

“Que o nosso louvor não termine aqui nesta Missa, mas continue na maneira como amamos,
como cuidamos, como construímos a paz”, disse.

Para os paroquianos reunidos na celebração, a mensagem sintetiza o sentido da festa:
reconhecer o amor de Deus e responder a esse amor por meio de uma vida capaz de produzir
frutos.

“O maior louvor que podemos oferecer a Deus é uma vida que produz frutos de amor”,
concluiu Frei Florival.

A celebração deste 3 de outubro marcou também um momento especial, recordando os 800
anos do Trânsito (morte) de São Francisco de Assis, ocorrido em 1226. A data marca o Ano
Jubilar Franciscano, proclamado pelo Papa Leão XIV, dedicado à memória e à atualidade do
testemunho de Francisco de Assis.

No domingo, 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis, as festividades tiveram
continuidade com quatro celebrações eucarísticas. Ao final de cada Missa, houve a bênção
dos animais e criaturas. Assim, após os nove dias de preparação, a comunidade encerrou as
celebrações em honra ao padroeiro com um apelo: transformar o louvor em gestos concretos
de amor, fraternidade e cuidado com a criação.


Érika Augusto (texto) | Sergio Antônio Colangelo (fotos) – Pascom.

A Família Franciscana em Luanda Celebra o trânsito de São Francisco de Assis

O anoitecer do dia 3 de Outubro de 2026 não assemelhou-se aos outros dias ordinários, pois neste dia recuamos até ao ano de 1226, quando os irmãos reuniram-se pela primeira vez em volta do Jovem Francisco de Assis, não para lhe chamar de louco, mas sim para lamentar e lacrimejar por uma vida que se via balançar entre o partir para o Pai celestial e ficar para a vida na fraternidade. Isto é, a Páscoa do nosso Pai Seráfico. Ou seja, era o momento em que o fim daquele projeto e chamado divino, iniciado na Igreja de São Damião, estava iminente, ou já não dependeria da força física de Francisco de Assis.

Passados 800 anos, a capela do Mosteiro do Sagrado Coração de Jesus das Damas Pobres assemelhou-se àquele lugar onde Francisco deu o último suspiro: o ambiente ficou frio, a claridade tornou-se tenebrosa, as vozes ficaram embargadas e trêmulas, e os corações se abalaram diante da recordação de tão grande episódio.

O Trânsito de São Francisco não foi e não é o reviver de um cortejo fúnebre, não foi e não é uma simples encenação artística ou teatral, nem uma forma de trazer ao presente um óbito passado. É, antes, o reacender da chama de amor a tudo e a todos, manifestado por São Francisco, o irmão universal. É uma grande e verdadeira expressão de gratidão por uma vida inteiramente doada ao serviço dos pobres, dos marginalizados e dos mais necessitados; uma memorável marca de reconhecimento por uma vida entregue por inteiro ao serviço de Deus e da Igreja, com o espírito de minoridade, simplicidade e fraternidade, vivendo e abraçando o Evangelho de forma radical.

Celebrar o Trânsito de São Francisco de Assis hoje é reconhecer os feitos de um grande homem, cujo exemplo de vida permanece atual e atuante, atravessando gerações e comovendo corações.

Até na morte, São Francisco nos oferece uma verdadeira lição: aquela que rompe o medo diante de uma realidade que, por longos tempos, atemorizou o ser humano, isto é, a morte. Com São Francisco, a morte deixa de ser assustadora e inimiga do homem e ganha a dimensão de “irmã” e companheira, presente na realidade humana, da qual ninguém pode escapar. A exemplo de Cristo, para Francisco, a morte já não é um fim, mas uma abertura para a vida eterna. Por isso, ele a chama de “morte corporal”.

O Trânsito é, portanto, o ponto em que o projeto de Deus na vida de Francisco de Assis, iniciado no contato com o pobre, alcança o seu apogeu. Agora, Francisco já não doa os bens do pai, nem oferece algo aos homens, mas entrega a própria vida a Deus, pois sempre acreditou que nada neste mundo lhe pertencia: tudo era de Deus e para Deus. Assim, com a morte, manifesta a última expressão de sua pobreza.

Entretanto, lá onde termina o itinerário terreno de Francisco, começa o verdadeiro caminho daqueles que abraçam o seu modo de vida. O Francisco que partiu há 800 anos permanece vivo em cada frade, em cada irmão e irmã e em cada pessoa que se propõe a viver sob a inspiração do carisma franciscano.


Frei José Tchissende Tchiwale, Ofm (texto) | Frei Joaquim Torres de Assunção, Ofm (imagens)

Mais de 850 animais são abençoados durante o Tríduo de São Francisco em Concórdia

Mais de 850 animais são abençoados durante o Tríduo de São Francisco em Concórdia

A Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Concórdia, viveu um fim de semana marcado pela fé, pela alegria, pela convivência em comunidade e pelo forte espírito franciscano. Dentro da programação do Tríduo de São Francisco de Assis, uma das celebrações que mais chamou a atenção foi a Benção das Criaturas, realizada no último sábado, dia 3, no Pavilhão Cinquentenário.

Ao longo da manhã e da tarde, mais de 850 animais passaram pelo local para receber a bênção. Cães e gatos foram maioria, mas a diversidade das criaturas presentes revelou justamente a beleza da proposta: aves, tartarugas, sapos, peixes, hamster, porquinho-da-índia e até um cavalo participaram do momento de fé e devoção.

Responsável pela bênção das criaturas, Frei Alexandre Rohling conduziu o momento ao longo do dia, acolhendo as famílias que chegaram ao Pavilhão Cinquentenário acompanhadas de seus animais de estimação. A movimentação foi intensa e transformou o espaço em um grande encontro comunitário, reunindo pessoas de diferentes idades em torno da espiritualidade de São Francisco.

A iniciativa também recordou uma das características mais marcantes da vida do santo de Assis: seu profundo amor por toda a criação. Para Francisco, a natureza e os animais eram criaturas de Deus e, por isso, irmãos que deveriam ser respeitados e cuidados.

Café com Francisco une famílias e catequizandos

Além da bênção, o sábado contou com o Café com Francisco, preparado pela Catequese da Paróquia Nossa Senhora do Rosário. O café da manhã proporcionou um momento de confraternização entre as famílias, catequistas, crianças e demais membros da comunidade.

A programação ganhou ainda mais significado com uma apresentação teatral preparada pelos catequizandos sobre a vida de São Francisco de Assis. As crianças assumiram o protagonismo e apresentaram, de maneira lúdica e envolvente, momentos da trajetória daquele que abandonou uma vida de riquezas para abraçar radicalmente o Evangelho.

A apresentação mostrou que a evangelização também pode acontecer por meio da arte, da criatividade e da participação das crianças. Os catequizandos ajudaram a comunidade a recordar que o exemplo de Francisco continua atual, especialmente quando se fala de fraternidade, cuidado com a criação, simplicidade e amor ao próximo.

Jovens recordam o trânsito de São Francisco

A programação do Tríduo também contou com a participação do Grupo de Jovens Chamados por Cristo, que preparou uma apresentação sobre o Trânsito de São Francisco de Assis. O momento foi apresentado em duas Missas celebradas na Igreja Matriz.

A encenação recordou os últimos momentos da vida terrena de Francisco e sua passagem desta vida para a eternidade. A apresentação também ganhou um significado especial neste ano em que a Igreja recorda os 800 anos da morte do santo, ocorrida em 1226.

Com a participação dos jovens, a comunidade foi convidada a olhar novamente para a vida de São Francisco não apenas como uma memória do passado, mas como um testemunho de fé capaz de inspirar as novas gerações.

Uma Igreja viva, com crianças, jovens e famílias

O Tríduo de São Francisco mostrou, mais uma vez, a força do envolvimento comunitário da Paróquia Nossa Senhora do Rosário. Crianças, adolescentes, jovens, famílias, catequistas, religiosos e agentes de pastoral participaram de diferentes formas da programação.

O resultado foi um fim de semana com um carisma franciscano pujante, em que a oração encontrou espaço ao lado da alegria, da convivência e do cuidado com a criação.

A imagem de centenas de famílias chegando ao Pavilhão Cinquentenário com seus animais, crianças participando de uma apresentação teatral, jovens encenando o trânsito de São Francisco e a comunidade reunida para celebrar a fé traduz exatamente aquilo que a espiritualidade franciscana propõe: uma Igreja próxima das pessoas, alegre, acolhedora e profundamente comprometida com a criação.

Ao viver o Tríduo, a Paróquia Nossa Senhora do Rosário colocou em prática uma das mensagens que atravessam a espiritualidade cristã e que vai de encontro ao exemplo de São Francisco: “Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz.”

E foi justamente isso que se viu em Concórdia neste fim de semana. Entre orações, bênçãos, animais, café, teatro, juventude e famílias, a comunidade paroquial celebrou a fé de maneira concreta e participativa.

Um encontro que mostrou que, quando crianças, jovens e famílias encontram espaço para servir, rezar e anunciar o Evangelho, a Igreja se torna cada vez mais viva. E, no espírito de São Francisco, viva, alegre e aberta a toda a criação.


Lucas Villiger