Carisma - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Capítulo Provincial 2021

Agudos nos espera...

Que o Senhor nos dê a paz!

A nossa Fraternidade Provincial inicia este penúltimo mês de 2021 orando ao altíssimo e glorioso Deus e aprendendo a “esperançar” pelo evento maior que estamos por celebrar no Seminário Santo Antônio, Agudos, SP, entre os dias 22 a 30 de novembro: o nosso Capítulo Provincial.

O nosso Capítulo Provincial, inicialmente previsto e planejado para ser um Capítulo intermediário, necessariamente transformou-se em Capítulo eletivo segundo as leis da Igreja e da Ordem. Isso por força maior, depois que o Ministro Provincial, Frei César Külkamp, foi eleito Definidor Geral da Ordem. Sem dúvida, tudo isso nos inquietou e obrigou-nos a colocar mais “coração” nos preparativos finais, particularmente no processo das indicações eletivas.

Contudo, mesmo com essa surpresa no processo da condução do Capítulo, a Comissão Preparatória não alterou e nem perdeu de vista o foco maior quanto ao tema e lema, inspirados na Encíclica Fratelli Tutti n.8 e nos Documentos da Ordem: “Juntos que se constroem os sonhos” e “Fraternidade contemplativa em Missão: nossa regra é o Evangelho, nosso claustro é o mundo”, presentes na arte de Frei Gabriel Dellandrea, ilustrando a capa desta edição das Comunicações, e por ele elucidado na página ao lado (577).

Agudos nos espera! Espera a presença da Fraternidade Provincial para este “Pentecostes” que congrega irmãos na sua mais rica diversidade, assim como Francisco de Assis, segundo a linguagem de São Boaventura, aguardava ansiosamente os irmãos “no eremitério de Santa Maria da Porciúncula, a fim de distribuir a cada um deles a porção da obediência, segundo a medida da distribuição divina na terra da pobreza” (LM 5,10.1).

Agudos nos espera! Espera com o cuidado que se faz necessário no que diz respeito aos protocolos sanitários básicos para um encontro desta natureza, ainda em tempo de cuidados por conta da Covid-19. Por essa razão, a Comissão Preparatória do Capítulo orientou o procedimento a cada frade capitular e, em parceria com o SEFRAS, gerou um protocolo sanitário preventivo, feito com base na Fiocruz, que serve como prevenção e cuidados recíprocos a serem observados no desenvolver do Capítulo.

Agudos nos espera! Espera para rever irmãos que há tempos não se viam e nem se encontravam por conta das necessárias precauções exigidas em tempos de pandemia. Que o Capítulo seja expressão da minoridade, da fraternidade e da mútua pertença, assim descrita por Frei Tomás de Celano: “Quando se reuniam em algum lugar, ou quando se encontravam em viagem, reacendia-se o fogo do amor espiritual, espargindo suas sementes de amizade verdadeira sobre todo o amor […] Reuniam-se com prazer e gostavam de estar juntos: para eles era pesado estarem separados, o afastamento era amargo e doloroso estarem desunidos” (1Cel 38-39).

Agudos nos espera! Espera por uma fraternidade de irmãos que, juntos, desejam construir os sonhos de novos castelos e brasões assinalados pelo mistério da cruz, isto é, de “irmãos que procuram orientar sua vontade pela vontade de Deus” (cf. 1Cel 5-6). Espera por irmãos que sonham juntos! Espera por irmãos que fogem das ilusões e das miragens” do grande senhor da Apúlia” (LM 1,3) para “reinterpretar os divinos mistérios” no retorno à originalidade de Assis, mesmo se este retorno, como o de Francisco, exige o “vencer-se a si mesmo” para ser, na realidade de hoje, novos cavaleiros de Cristo (cf. LM 1,5), dispostos a descer do cavalo da comodidade, despidos da armadura do individualismo e da autorreferencialidade, para abraçar com alegria e audácia os novos leprosos excluídos pela “globalização da indiferença”.

Agudos nos espera! Espera a chegada de irmãos dispostos a “tratar da maneira como melhor observar a Regra” (LTC 57,2). Irmãos dispostos a acolher o diagnóstico da nossa realidade Provincial que será apresentado pelo Visitador Geral, Frei César Külkamp, com suas forças e oportunidades, fraquezas e ameaças, e juntos traçarmos um caminho “de acordo com o conselho de Deus” (LTC 57,3), no sonho de sermos uma “Fraternidade contemplativa em missão”.

Que a partir de Agudos o Senhor nos abençoe pela intercessão de São Francisco e de Santo Antônio de Sant’Anna Galvão: “Terminado o Capítulo, abençoava todos os irmãos…” (LTC 59,9). E “concedia a licença e a obediência de pregar àqueles que dentre eles tinham o espírito de Deus e eloquência para pregar, tanto clérigos quanto leigos. Eles, de sua parte, recebiam a sua bênção com grande alegria no Senhor Jesus Cristo” (LP 40). Abençoados e enviados como “fraternidade contemplativa em missão”, neste “claustro que tem as dimensões do mundo” (JV), tendo como regra o Evangelho.

Bem-vindos a Agudos… bem-vindos ao Capítulo Provincial!


Frei Fidêncio Vanboemmel, OFM
Ministro Provincial

Capítulo Provincial começa no dia 22

Com a Celebração Eucarística em honra do Divino Espírito Santo, “verdadeiro fundador e ministro da Ordem, porque somente Ele é fonte de todo o bem”, tem início no dia 22 de novembro, e se estende até o dia 30, o Capítulo Provincial Eletivo da Província Franciscana da Imaculada Conceição no Seminário Santo Antônio de Agudos (SP). Como tem acontecido em todos os capítulos, um pouco mais de 100 frades estarão reunidos em assembleia para celebrar e definir os rumos da vida e missão da Fraternidade Provincial no próximo triênio. Mas mais do que isso, os capitulares estarão em sintonia com a Fratelli tutti, conforme o tema tirado dela: “Junto que se constroem os sonhos”.

Para o Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, “o Capítulo Provincial nos provoca a sermos construtores de sonhos. Sonhos não de individualidades que se fecham nos seus universos, mas sonhos grandiosos, comuns e fraternos: ‘Juntos que se constroem os sonhos!” Sonho de uma ‘Fraternidade (Provincial) Contemplativa em Missão’, que tem como Regra o Evangelho e o mundo como seu claustro” – (“Claustro que tem as dimensões do mundo”, na linguagem de Jacques de Vitry, em Historia Occidentalis).

Frei César, nomeado Visitador pelo Ministro Geral, Frei Massimo Fusarelli, no começo de agosto depois que foi eleito Definidor Geral, vai presidir o Capítulo. Como Ministro Provincial, ele já vinha dando encaminhamentos através da visita canônica para o Capítulo. Para dar prosseguimento ao seu trabalho iniciado, ele continuou neste serviço.

Frei César apresentará o seu Relatório tendo como base os serviços da Província e as cinco as Frentes de Evangelização. O seu relatório vai ser elaborado, sobretudo, a partir das visitas e dos seus contatos, conversas, com cada irmão nas fraternidades. Segundo o presidente do Capítulo, os capitulares poderão aprofundar os temas abordados em grupos e dar os encaminhamentos necessários.

Na abertura do Capítulo, os frades estarão em retiro tendo como pregador Frei Luiz Carlos Susin, e como assessores da formação Nevio Fiorin, Frei James Girardi, Frei João Reinert e Frei Sandro Roberto da Costa.

O Capítulo é um acontecimento fraterno e que, pelos Estatutos Gerais, é uma assembleia que indica a direção da vida e da missão dos irmãos na Província, ou como dizem as Constituições Gerais, uma assembleia que tem o dever de analisar o estado atual da vida e da atividade dos irmãos da Província.

Embora compete a Frei César presidir o Capítulo, é humanamente impossível para ele cuidar de tudo. Para isso, há a Comissão Preparatória, que pensou no tema, em todos os detalhes, na programação, na logística e na agenda que foi aprovada pelo Definitório Provincial, mas ainda será apresentada para o aval dos capitulares no início do Capítulo. A preparação para o Capítulo aconteceu em todas as Fraternidades da Província. Os frades estudaram os documentos da Igreja e da Ordem e uma Comissão sintetizou os resultados das discussões (Instrumentum Laboris). A assembleia capitular mesmo vai se iniciar com um retiro. Na sequência serão apresentados os relatórios avaliativos, o estudo do Instrumentum Laboris, a discussão sobre as prioridades da Província e as eleições para o futuro governo da Província.

AS ELEIÇÕES

Um dos momentos mais importantes deste Capítulo será a eleição do Governo Geral e seu Definitório. Para esta eleição do Ministro Provincial, segue-se o seguinte ritual. Primeiro, há uma sondagem e, na sequência, um escrutínio, que aponta dez nomes para serem enviados à Cúria Geral em Roma. Destes, serão homologados, pelo Ministro Geral e seu Definitório, cinco nomes que constarão nas cédulas em Agudos. Para ser eleito, um dos nomes deverá receber maioria absoluta – metade mais um – dos votos de todos os frades com direito a votar. Caso contrário, será feita nova eleição segundo as orientações dos Estatutos da Província. O novo Ministro tomará posse logo em seguida conforme o rito deste serviço fraterno. Seguem, então, as eleições de Vigário Provincial e dos Definidores.

A função de Ministro Provincial e Vigário é eletiva para seis anos (podem ser reeleitos para mais um triênio). Os Definidores, contudo, são eleitos para um triênio e podem ser reeleitos por dois triênios.

Nos Estatutos da Província, todos os frades professos solenes são capitulares. Há aqueles frades que têm responsabilidades ou encargos, como os guardiães, os definidores etc, que, por dever de ofício, devem participar e os outros que se inscrevem livremente. Em si, todos os frades de profissão solene podem participar do Capítulo, mas a previsão é de pouco mais de 100.

A arte que identifica o Capítulo

A arte que identificará o Capítulo Provincial de 2021 nasceu numa reunião da Comissão Preparatória. Enquanto se apresentava o tema e o lema do Capítulo, eu comecei a rabiscar algumas intuições livres. Assim, eu comecei a fazer alguns traços, e diferentes dos traços costumeiros, eles começaram a me fazer mais sentido. Mas, dobrei o papel e deixei de lado.

Numa outra ocasião, com mais tempo, resolvi transformar o desenho agora numa disposição digital, e com isso fui acrescentando os elementos que o completam, mesmo que com bastante simplicidade. Não sou desenhista como outros confrades que possuem anos de técnica. Eu me utilizo de traços simples pois não sei ser mais técnico e rebuscado.

Mas, os elementos que procurei representar foram os seguintes:

Num primeiro plano, uma fraternidade se abraça, plastificando o lema do capítulo: “Juntos que se constroem os sonhos”. A imagem do abraço, do caminhar juntos, de todos unidos, simboliza o evangelizar como fraternidade. Além disso, a ideia de representar um abraço surge da ausência deste gesto de afeto por conta da pandemia. Entretanto, apesar de distantes, estamos abraçados no ideal. Por fim, o abraço também foi inspirado na interpretação teológica de que o Espírito Santo é o que une as diferenças na Igreja, por isso ele é um “abraço” entre a Trindade e a humanidade. É esse mesmo Espírito que abraça, que une a vida fraterna.

Os personagens representados são coloridos para representar que somos todos diferentes, mas abraçados; estamos unidos em nossa diversidade. Na ponta, o Cristo que abraça a fraternidade, na cor vermelha, lembra o martírio, o amor ao Reino. Seus traços são inspirados no Cristo da Cruz de São Damião, símbolo forte de nossa espiritualidade, que também aparece dando base à fraternidade no desenho. Ao lado de Jesus está Francisco, chagado, que une a fraternidade ao Cristo, sendo modelo para o frade evangelizador. Por fim, os dois frades que completam os personagens representam cada um de nós, com nossos anseios e perspectivas.

A fraternidade está abraçada, mas no seu abraço “sempre cabe mais um”. É um abraço aberto, identificando que temos espaço para mais irmãos que quiserem se inserir em nossa família.

Como base de tudo está o mundo, na intuição de que o “nosso claustro é o mundo”. Assim, o ideal fraterno cabe nas mais diversas realidades. Contemplamos, desse modo, as nossas presenças espalhadas por todo o globo terrestre, como no Brasil, em Angola, bem como os frades que desempenham suas atividades e missões em outros países. Mas mais do que isso, estamos abertos ao “mundo”, em contato com ele, para ouvir as suas intuições e interrogações para nós, a fim de que com o nosso carisma lhe ofereçamos uma resposta.


Frei Gabriel Dellandrea

O atual Governo Provincial

Ministro Provincial

Frei Fidêncio Vanboemmel

Vice-ministro Provincial

Frei Gustavo Medella

Definidores

Frei João Mannes
Frei Paulo Pereira
Frei Daniel Dellandrea
Frei Alexandre Magno
Frei João Francisco da Silva

Secretário Provincial:

Frei Gustavo Medella

ENTENDA COMO SE ORGANIZA
A PROVÍNCIA DA IMACULADA

A Província Franciscana da Imaculada Conceição está presente no Brasil e em Angola. No Brasil, tem fraternidades nos Estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, agrupadas em 12 Regionais.

Em âmbito provincial, a animação e coordenação da vida e missão dos frades são feitas pelo Capítulo Provincial, pelo Ministro Provincial com seu Definitório, pelo Conselho de Animação Provincial e pelos Secretariados e Serviços.

Esta tarefa de governo conta com uma Secretaria, os Serviços de Comunicação e Arquivo, a Administração Econômico Financeira e uma Assessoria Jurídica.

As Frentes- Toda a ação evangelizadora está organizada em 5 grandes Frentes de Evangelização, a saber: Solidariedade com os empobrecidos, Comunicação, Educação, Missão e Paróquias e Santuários.

Os serviços – Animação Vocacional (SAV) e Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) – são órgãos de assessoria do Governo Provincial para reforçar e coordenar algumas dimensões relevantes da vida e missão dos frades.

Secretariado da Evangelização
Ele tem como missão congregar, animar e orientar na missão os frades engajados nas diferentes frentes de evangelização da Província, exprimindo e fortalecendo a comunhão, a co-responsabilidade e a organicidade, promovendo capacitação, discernimento e planejamento, para que, imbuídos dos valores inerentes ao nosso carisma, respondam adequadamente aos desafios que o mundo de hoje coloca para a evangelização.

Secretariado da Formação e Estudos
Ele tem a missão de promover, a execução e revisão dos programas da Formação Permanente, do Serviço de Animação Vocacional, da Formação Inicial e dos Estudos da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil (cf. CCGG, art 126 e 127).

A sede do Capítulo: Seminário Santo Antônio

localHoje, o tradicional Seminário Santo Antônio de Agudos é a principal casa de encontros da Província da Imaculada Conceição. As atividades de formação e estudos como Seminário Menor foram encerradas em 2011 e a esta etapa passou a ser feita no Seminário São Francisco de Assis, em Ituporanga (SC).

O Seminário de Agudos iniciou suas atividades no dia 31 de janeiro de 1950, quando quatro frades e 70 alunos começaram a fazer história. Em 1953, o Seminário já tinha 210 alunos. Em 1954 era erguida a terceira ala e, no dia 11 de setembro de 55, os frades abençoavam a igreja, construída com mármores da Itália. Ela foi dedicada à Imaculada Conceição. Neste ano, o Seminário funcionava completo: com 4 séries ginasiais e 3 colegiais.

Com instalações modernas, o grande conjunto arquitetônico é ideal para retiros, congressos, conferências, cursos e encontros. O local, no meio rural, possui áreas de lazer que prezam, principalmente, pela paz e tranquilidade dos hóspedes.

A fraternidade local atualmente é composta de dez frades que se dividem entre os trabalhos de acolhimento das pessoas, na administração da fazenda e no atendimento pastoral das duas Paróquias de Agudos: São Paulo Apóstolo e Santo Antônio.

O que é um Capítulo Provincial

Qual o sentido e o alcance do Capítulo Provincial? As Constituições Gerais dizem que a autoridade suprema da Ordem Franciscana é o Capítulo Geral e, da Província, o Capítulo Provincial ( CCGG – Art. 173). Numa definição simples, o “Capítulo” foi uma forma encontrada pelos institutos de vida religiosa, como assembléia institucionalizada, reunindo os membros convocados em seus diferentes níveis, para abordar questões relacionadas com a forma de vida professada(Dicionário Franciscano, verbete Capítulo).

A Ordem Franciscana, desde seus inícios, consagrou os Capítulos, quer Geral, Provincial ou Local, com particulares características de fraternidade, conscientes do carisma. Os Capítulos sempre tiveram importância na vida da Ordem, para não perderem de vista o espírito primitivo fundacional. Já de início, São Francisco exigia de seus frades encontros fraternos como condição fundamental de vida.

Quando a Fraternidade tinha atingido o número de oito frades, Francisco os reuniu e lhes falou muitas coisas do Reino de Deus, da conversão pessoal, da abnegação de si mesmo, depois os separou dois a dois e os enviou para os quatro cantos do mundo, para que anunciassem a paz e a penitência. A segunda reunião aconteceu no retorno deles, quando prestavam conta de seus atos e se penitenciavam por não terem sido suficientemente fiéis. Desses dois encontros já se depreende com facilidade os elementos constitutivos de um capítulo: vida espiritual, organização da vida em comum e organização da vida apostólica. “Reuniam-se com prazer e gostavam de estar juntos” ( 1CeI 39). Porque eram peregrinos e itinerantes, viam a reunião fraterna como uma forma de consolidação do projeto de comunhão de vida consagrada ao seguimento de Jesus Cristo.

• Em 1212, Francisco determinou dois capítulos anuais: um em Pentecostes e outro em setembro, na festa de São Miguel (em torno de 300 frades);

• Em 1216, Jacques de Vitry afirmava que os frades se reuniam uma vez por ano, em lugar marcado, para se alegrarem no Senhor, comerem juntos, para formular e promulgar leis;

• Em 1217, a Ordem é dividida em Províncias, peloaumento do número dos Frades e para facilitar o governo. Começam os Capítulos Gerais, formados com os Ministros Provinciais (RnB 18), e o Capítulos Provinciais, com a mesma dinâmica dos Capítulo Geral;

• Em 1223, prescreve-se o CG de três em três anos, em Pentecostes;

• Em 1239, ao encerrar o mandato de Frei Elias, foram promulgadas as primeiras Constituições Gerais;

• Para São Francisco, o Capítulo Provincial era esperado com ansiedade, pela importância que tinha na vida da Ordem (LM 4,10).

o-que-e• Após o Concilio Vaticano 2º, as ConstituiçõesGerais preveem a possibilidade de Capítulo Provincial Extraordinário em fidelidade às estruturas de governo da Ordem.

• Os Capítulos Locais tiveram início por volta de 1217, quando os frades começaram processo de sedentarização em Fraternidades e eremitérios. Sentiam também necessidade de organização da vida de oração, da vida comunitária e da vida apostólica própria de cada casa.

• A espiritualidade da Fraternidade é que dá sustento a todo tipo Capítulo na Ordem Franciscana e que anima os que a compõem.

O que dizem os documentos oficiais

O que dizem os Estatutos Gerais e as Constituições Gerais da Ordem

04Segundo os Estatutos da Ordem dos Frades Menores (OFM), o Capítulo é uma instituição da maior importância para a direção da vida e da missão dos irmãos na Província ou na Custódia.

Os Estatutos particulares determinam o modo ou a forma de participação dos irmãos no Capítulo, observando as normas do Direito Canônico, das Constituições Gerais e dos Estatutos Gerais quanto aos requisitos para a validade das eleições e das decisões.

O Capítulo Provincial, que será realizado em Agudos de 6 a 12 de novembro, é chamado de Capítulo Provincial Ordinário e é celebrado de três em três anos. Nele serão eleitos apenas os Definidores para compor o novo governo provincial com o Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, e o Vigário Provincial, Frei Estêvão Ottenbreit.

Abaixo o que dizem as Constituições Gerais da Ordem sobre o Capítulo Provincial:

Art. 215
Parágrafo1º. 
Compete ao Capítulo provincial analisar o estado atual da vida e atividade dos irmãos da Província, procurar e propor meios oportunos para seu crescimento e emenda, deliberar e, de comum acordo, tomar decisões sobre novas iniciativas e assuntos de maior importância, bem como realizar as eleições.

Parágrafo 2º. Compete ao Capítulo provincial elaborar os Estatutos particulares da Província, os quais, no entanto, necessitam da aprovação do Definitório geral; os outros Estatutos peculiares da Província são elaborados pelo Capítulo Provincial com autoridade própria.

Art. 216
Parágrafo 1º.
 O Capítulo provincial rege-se por estas Constituições e também pelos Estatutos gerais, pelos particulares e por um Regimento.

Parágrafo 2º. Determine-se nos Estatutos particulares tudo quanto se refereà composição, convocação e celebração do Capítulo provincial, e também às eleições a fazer no Capítulo, salvo o que se estabelece nestas Constituições e nos Estatutos gerais.

Art. 217
No prazo de três meses após o Capítulo, a não ser que nos Estatutos se preveja outra coisa, no tempo determinado pelo Presidente do Capítulo com o Definitório da Província, realize- se o Congresso capitular para a colação dos cargos vacantes.

Art. 218
Para tratar de assuntos de grande importância pode-se instituir um Conselho plenário da Província, que se rege pelas normas dos Estatutos gerais  e particulares.

O Capítulo nas Fontes Franciscanas

Regra Bulada Cap. 8
Em 1209, Francisco escreve breve Regra e vai a Roma com os onze. Obtém a aprovação do Papa Inocêncio III, só oralmente. No dia 29 de novembro de 1223, Honório III aprova, com bula papal, a Regra definitiva, ainda hoje em vigor.

Da eleição do Ministro Geral desta Fraternidade e do Capítulo de Pentecostes

1. Todos os irmãos devem ter sempre um dos irmãos desta Ordem como ministro e servo desta fraternidade. E estão rigorosamente obrigados a obedecer-lhe. 2. Saindo este, faça-se a eleição de seu sucessor pelos ministros provinciais e custódios, no Capítulo de Pentecostes, ao qual deverão sempre comparecer, onde quer que for determinado pelo ministro geral; 3. e isto, de três em três anos ou em prazo maior ou menor, conforme for ordenado pelo referido ministro. 4. Se, em qualquer tempo, parecer à totalidade dos ministros e custódios, que o dito ministro não seja idôneo para o serviço e comum utilidade dos irmãos, têm os dito irmãos, aos quais cabe o direito de eleição, o dever de, em nome do Senhor, eleger um outro como guardião. 5. Depois do capítulo de Pentecostes, podem os ministros e os custódios, se o quiserem e lhes parecer conveniente, convocar uma vez os irmãos para, durante o mesmo ano, celebrarem capítulo em suas custódias.

Regra Não-Bulada Cap. 18
Em 1221, no Capítulo Geral de Pentecostes, Francisco apresenta a segunda Regra (Não Bulada ou não aprovada por bula papal), que Frei Cesário de Espira, versado em Sagrada Escritura, adornou com muitos textos bíblicos.

Como se devem reunir os ministros

1. Todo ano pode cada ministro reunir-se com os seus irmãos, na festa de São Miguel Arcanjo, onde lhes aprouver, para tratar com eles das coisas que se referem a Deus. 2. Todos os ministros, porém, que residirem nos países ultramarinos e ultramontanos, compareçam uma vez em três anos, e os demais ministros uma vez por ano, na festa de Pentecostes, ao capítulo que se reúne junto à igreja de Santa Maria da Porciúncula, 3. a não ser que o ministro e servo de toda a fraternidade o determine de modo diferente.

Legenda Maior, 4,10
No fim do primeiro triênio do generalato de Frei Boaventura, reuniu-se o capítulo geral da Ordem em 1260 e incumbiu o Ministro Geral de escrever nova biografia de São Francisco. A Legenda “Maior” é a biografia longa e “Menor” é a biografia resumida para uso litúrgico.

05Progresso da Ordem 

10. Com o passar dos anos e crescendo o número dos irmãos, o solícito pastor começou a reuni-los no local chamado Santa Maria da Porciúncula para o capítulo geral, a fim de repartir entre eles, por sorte, a terra ou propriedade de sua pobreza e dar a cada qual a porção que a obediência determinasse. Mais de cinco mil irmãos aí se reuniram e faltava tudo nesse lugar. Mas Deus, em sua bondade, veio-lhes em socorro, concedendo-lhes o suficiente para as forças do corpo e a alegria do espírito. Aos capítulos provinciais Francisco não podia assistir pessoalmente, mas a sua presença era marcada por diretivas solícitas,oração contínua e com sua bênção eficaz. E às vezes mesmo, por virtude do poder de Deus, ele aparecia visivelmente. Um dia, por exemplo, quando o glorioso confessor de Cristo, Antônio, estava pregando aos irmãos no Capítulo de Arles acerca do título da cruz: “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus”, certo religioso de virtude comprovada, de nome Monaldo, movido por instinto interior e divino, dirigiu os olhos para a porta da sala onde se celebrava o capítulo, e cheio de admiração viu ali, com os olhos corporais, o seráfico Pai, que, elevado no ar e de mãos estendidas em forma de cruz, abençoava seus religiosos. Todos experimentaram naquela ocasião tanta e tão extraordinária consolação de espírito, que em seu interior não lhes foi possível duvidar da real presença do seráfico Pai, confirmando-se depois nesta crença não só pelos sinais evidentes que haviam observado, como também pelo testemunho que verbalmente lhes deu o próprio santo. Devemos admitir que a mesma força onipotente de Deus que permitiu outrora ao santo bispo Ambrósio assistir aos funerais do glorioso Martinho, para que venerasse com piedoso afeto aquele santo pontífice, essa mesma providência quis igualmente que seu servo Francisco estivesse presente à pregação de Santo Antônio, grande arauto do Evangelho, para que aprovasse a verdade daquela doutrina, sobretudo no que se refere à cruz de Cristo, cujo ministro e embaixador fora constituído.

Os primeiros Capítulos da Ordem

Os primeiros Capítulos da Ordem: alguns testemunhos

Frei Sandro Roberto da Costa (*)

Desde os inícios da Ordem, os momentos de encontro fraterno mais intensos ocuparam um lugar importante na vida dos irmãos, seja pela necessidade de pensar e organizar juntos os rumos da fraternidade e da missão, seja pelo prazer de se encontrar, conversar, comer, se alegrar juntos. Francisco sempre tomou as decisões mais importantes da fraternidade junto com seus irmãos. Depois de 1209, quando o papa Inocêncio III deu a aprovação oral para a Regra, os irmãos se espalharam por todas as regiões da Itália, e o seu número cresceu rapidamente. Sentiu-se a necessidade de uma reunião mais articulada para avaliar a caminhada e fixar algumas normas mais precisas. Em 1212 Francisco reuniu seus frades nos arredores de Assis, próximo ao mosteiro de São Verecundo. Diz o cronista do mosteiro: “Nos últimos tempos, o bem-aventurado Francisco pobrezinho freqüentes vezes se hospedou no mosteiro de São Verecundo… E nas imediações do mesmo mosteiro, o bem-aventurado Francisco realizou um capítulo dos trezentos primeiros irmãos, e o abade e os monges, generosamente, como puderam, doaram as coisas necessárias. Houve grande abundância de pão de cevada, de sêmola, de trigo, de milho, água potável límpida e vinho de maçã diluído em água para os mais fracos, como atestava o velho senhor André, que esteve presente; e houve grande abundância de favas e legumes” (Legenda da Paixão de São Verecundo, Fontes Franciscanas e Clarianas, 1449).

Entre estes momentos de encontro de todos os frades, destaca-se aquele que aconteceu em Assis, na festa de Pentecostes, no ano de 1217, que passou para a história como o Capítulo das Esteiras. É São Boaventura quem nos dá uma idéia desta grande reunião fraterna: “Também, já multiplicados os irmãos no decorrer do tempo, o solícito pastor começou a convocá-los ao Capítulo geral no eremitério de Santa Maria da Porciúncula, a fim de distribuir a cada um deles a porção da obediência, segundo a medida da distribuição divina na terra da pobreza (cf. Sl 77,54; Gn 41,52). Aí, embora houvesse penúria de todas as coisas necessárias – e uma vez se reunisse uma multidão de mais de cinco mil irmãos -, no entanto, com a ajuda da divina clemência, havia suficiência de alimento, acompanhava uma boa saúde corporal, e fluía a alegria espiritual”. (Legenda Maior IV, 10, 1-2, Fontes Franciscanas e Clarianas 576).

primeirosImaginemos os frades se preparando para a viagem: hábito surrado, numa das mãos uma sacola com o mínimo necessário, na outra um cajado, sandálias aos pés ou descalços, punham-se a caminho. A festa de Pentecostes ocorre geralmente entre o fim do inverno e o início da primavera na Europa. A neve começa a derreter, aparecem os primeiros brotos nas árvores, as beiras das estradas se enfeitam de flores, os pássaros enchem os ares com seus cantos, festejando a vida que renasce. Os frades viajavam a pé, em grupo ou dois a dois, cruzando vales e montanhas, estradas poeirentas, sujeitos a assaltos, às intempéries. Mas viajavam contentes, pois iriam se encontrar com Francisco, aquele que lhes tinha mostrado o caminho do seguimento de Cristo e do seu Evangelho. Muitos frades iriam encontrá-lo pela primeira vez. Ver Francisco, abraça-lo, ouvi-lo, conversar com ele, saciar-se na fonte de sua santidade e sabedoria, poder partilhar com ele as angústias, dúvidas, incertezas e vitórias, valia qualquer sacrifício.

Calos nos pés, faces cansadas, hábitos empoeirados e suados, tudo o que os frades desejavam quando chegavam a Assis para o Capítulo era um leito macio, um banho quente, um prato de sopa. Como acomodar todos esses homens? Onde alojá-los? Como alimenta-los? Os habitantes de Assis não tiveram dúvida. Organizaram-se e, generosamente, ofereceram aos frades o que tinham de melhor. Como abrigo, esteiras. Daí o título de Capítulo das Esteiras. A mesa era frugal, mas farta. O cronista Jordão de Jano, um dos primeiros frades a ser enviado para a missão na Alemanha, nos dá um relato de um desses Capítulos, realizado em 1221: “… no ano do Senhor de 1221, no dia 23 de maio… no santo dia de Pentecostes, o bem-aventurado Francisco celebrou o Capítulo geral em Santa Maria da Porciúncula. A este Capítulo, conforme o costume então existente na Ordem, compareceram tanto os professos quanto os noviços; e os irmãos que compareceram foram calculados em três mil irmãos. A este capítulo esteve presente o senhor Rainério, cardeal diácono, com muitos outros bispos e religiosos. Por ordem dele, um bispo celebrou a missa. E acredita-se que o bem-aventurado Francisco então tenha lido o Evangelho, e outro irmão a epístola.

No entanto, como os irmãos não tivessem casas para tantos irmãos, acomodavam-se sob esteiras em campo espaçoso e cercado, comiam e dormiam em vinte e três mesas dispostas de maneira ordenada… Neste Capítulo, o povo da terra servia com espírito de prontidão, fornecendo pão e vinho, alegres por uma reunião de tantos irmãos e pelo regresso do bem-aventurado Francisco. Neste Capítulo, o bem-aventurado Francisco, tendo tomado o tema “Bendito o Senhor meu Deus que adestra minhas mãos para o combate” (cf. Sl 18,35), pregou aos irmãos, ensinando as virtudes e admoestando à paciência e aos exemplos a dar ao mundo. De modo semelhante era feito o sermão ao povo: e tanto o povo quanto o clero ficavam edificados. Quem poderia explicar quanta caridade, paciência, humildade, obediência e alegria fraterna existiam naquele tempo entre os irmãos? De fato, não vi na Ordem um Capítulo como este, tanto pela multidão dos irmãos quanto pela solenidade dos que serviam.

E embora fosse tão grande a multidão dos irmãos, no entanto, o povo fornecia tudo tão alegremente que, após sete dias de Capítulo, os irmãos foram obrigados a fechar a porta e a nada receber e a permanecer dois dias a mais para consumirem as coisas oferecidas e recebidas” (Crônica de Jordão de Jano, Fontes Franciscanas e Clarianas, 1270-1271).

Uma vez terminado o Capítulo, os irmãos retornavam para suas casas, levando na mente e no coração as palavras e ensinamentos de Francisco, mas também o carinho e o exemplo de generosidade e doação dos habitantes de Assis, que tanto amavam Francisco e seus frades.

(*) Frei Sandro Roberto da Costa, é professor de História da Igreja e de Patrística no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). É doutor em História da Igreja pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

Origem e desenvolvimento dos Capítulos

A primitiva experiência da forma de vida proposta por Francisco aos seus frades reclamava, espontaneamente, a realização do encontro fraterno, como exigência intrínseca. A reunião que concretiza esse encontro está na origem daquilo que mais tarde haveria de ser denominado de Capítulo.

Tomás de Celano atesta o fato com bastante clareza na Primeira Vida de São Francisco ao se referir às fases das duas originais e famosas reuniões da primitiva fraternidade franciscana.

Assim é descrita a primeira reunião: “Quando a Fraternidade tinha atingido o número de oito frades, “São Francisco chamou-os todos a si e, tendo-lhes falado muitas coisas sobre o Reino de Deus, o desprezo do mundo, a abnegação da própria vontade e a mortificação do corpo, separou-os dois a dois pelas quatro partes do mundo, e lhes disse: ‘Ide, caríssimos, dois a dois, por todas as partes do mundo, anunciando aos homens a paz e a penitência para a remissão dos pecados…’.”

A segunda reunião é descrita nestes termos: “Pouco tempo depois, São Francisco desejou revê-los e orou ao Senhor, que congrega os dispersos de Israel, que se dignasse reuni-los outra vez em pouco tempo. Assim aconteceu que, bem depressa, de acordo com sua vontade e sem que ninguém os chamasse, eles se encontraram dando graças a Deus. Reunidos, manifestaram a sua grande alegria por rever o piedoso pastor e se admiraram de terem tido todos o mesmo desejo ao mesmo tempo. Contaram depois as coisas boas que o misericordioso Senhor lhes tinha feito e pediram correção e castigo ao santo Pai pelas negligências e ingratidões que pudessem ter cometido, cumprindo-os diligentemente”.

Comentando o fato, Celano assim se exprime: “…era isso que costumavam fazer todas as vezes que chegavam a ele… então o bem-aventurado Pai, abraçando seus filhos com muita caridade, começou a manifestar-lhes seu pensamento e o que o Senhor lhe havia revelado”(1Cel 29;30).

Fácil detectar nas duas descrições o significado fundamental do encontro fraterno que caracterizava as respectivas reuniões. Vemos facilmente presentes os temas da formação espiritual, da organização da vida em comum e da vida apostólica. Por tais razões, essas reuniões se tornaram modelo de todas  as subsequentes reuniões fraternas e capitulares.

A reunião corigemomunitária torna-se logo expressão normal do desejo de comunhão que animava os frades que “tendo desprezado todas as coisas terrenas e estando livres do amor-próprio, consagravam todo o seu afeto aos irmãos, oferecendo-se a si mesmos para atender às necessidades fraternas. Reuniam-se com prazer e gostavam de estar juntos”(1Cel 39).

O aguçado senso de fraternidade que se respirava na nova forma de vida religiosa tinha criado estrutura expressiva na reunião fraterna. No início, tendo excluído de sua forma de vida a stabilitas loci, característica das ordens monásticas, os frades viviam, na reunião fraterna, válido instrumento de expressão e consolidação de sua comunhão de vida consagrada ao seguimento de Jesus Cristo.

Origem e Desenvolvimento do Capítulo Geral

Logo depois do nascimento de sua Ordem, os Frades Menores sentiram que se tornava impossível a frequência inicial dos encontros fraternos, surgindo a necessidade de normas organizacionais mais precisas e a fixação de assembleias bem determinadas, mais articuladas e com datas precisas. O encontro fraterno se transformou em verdadeiro e próprio Capítulo da fraternidade. Isto aconteceu por volta de 1212, quando “Francisco determinou que se celebrasse o Capítulo duas vezes por ano: em Pentecostes e na festa de São Miguel, em setembro” (LTC, 57).

O primeiro documento histórico que atesta tal instituição com caráter de Capítulo da fraternidade propriamente dito se encontra na Legenda S. Verecundi militis et martyris. O cronista do mosteiro dedicado ao santo mártir e situado nos arredores de Assis afirma: “Nos arredores deste mesmo mosteiro o bem-aventurado Francisco reunira o Capítulo dos primeiros trezentos frades… Assim nos relatou um sacerdote chamado André que esteve presente” (Paixão SV 6).

No decorrer do Capítulo de Pentecostes de 1217, devido ao crescimento numérico e geográfico da Ordem, impôs-se a necessidade de dividi-la em províncias para facilitar o governo. Como consequência, dada a impossibilidade, reconhecida por todos, de reunir todos os frades em Capítulo, impôs-se também a necessidade de transformar o Capítulo da Fraternidade em Capítulo de todos os ministros.

A deliberação capitular aparecerá codificada na Regra não Bulada 18, prescrevendo um Capítulo dos Ministros das Províncias italianas a ser celebrado uma vez por ano e um Capítulo de todos os ministros da Ordem de três em três anos. No ano de 1223, a Regra Bulada 8 prescreve apenas um Capítulo dos Ministros provinciais a ser celebrado em Pentecostes com frequência trienal, podendo ser antecipado ou retardado de acordo com o parecer do Ministro da fraternidade.

A participação é obrigatória para os Ministros, mas não é vedada a mais alguns frades; a participação dos Custódios é prevista somente quando se deve proceder a eleição de um novo Ministro geral. A partir de 1230 participa do Capítulo Geral somente um Custódio de cada Província por determinação de Gregório IX.

No Capítulo Geral de 1239, que encerrou o generalato de Frei Elias, foram promulgadas as primeiras Constituições da Ordem. Baseando-se nelas houve a determinação de que o Capítulo Geral fosse trienal, irrevogavelmente celebrado de três em três anos. Também a syndicatio a respeito do Ministro foi ligada ao Capítulo trienal, porque nesta época o Ministro era eleito sem ter definido o término de seu mandato.

As Constituições de Narbona em 1260 confirmam a frequência trienal obrigatória do Capítulo Geral, determinando também a syndicatio e a participação de outros frades, ministros e custódios, admitindo também a presença de representantes das Províncias, os chamados “discretos” e eleitos nos capítulos provinciais de suas regiões.

As sucessivas Constituições, substancialmente, confirmaram as mesmas normas, até a divisão da Ordem (1517). Depois da divisão, as Constituições das singulares Famílias Franciscanas, em diversos tempos, introduziram a frequência sexenal do Capítulo Geral; e regulamentaram posteriormente a composição.

Origem e desenvolvimento do Capítulo Provincial

Pode-se determinar com certeza a data do surgimento da instituição do Capítulo Provincial: é consequência da divisão da Ordem em Províncias decretada pelo Capítulo Geral de 1217. Nos primeiros tempos de sua existência, o Capítulo Provincial já se apresenta regulamentado através de normas prescritas na Regra não Bulada 18 e na Regra Bulada 8, no que se refere à sua composição, convocação e frequência.

Segundo a Regra não Bulada, sua composição reflete a mesma dinâmica do Capítulo Geral da fraternidade. Com efeito, trata-se de um Capítulo que reúne, em torno do Ministro, todos os frades da área circunscricional da Província e também toda a fraternidade provincial. Sua convocação anual é deixada a critério da autoridade e do discernimento dos Ministros Provinciais que podem convocá-lo se julgarem conveniente e oportuno. São Francisco, segundo o testemunho de São Boaventura na LM (4,10), atribuía uma tal importância para a vida e o desenvolvimento da Ordem ao Capítulo Provincial, que sua realização anual era um acontecimento sempre muito esperado, ligando-o com a celebração anual da festa de São Miguel, data em que bem primitivamente se celebrava o Capítulo Geral.

A Regra Bulada afirma que o Capítulo Provincial pode ser celebrado no mesmo ano em que se realiza o Capítulo Geral, prescrevendo que, em tal caso, o primeiro seja celebrado depois do segundo. São Boaventura comenta esta prescrição dizendo que tem como objetivo facilitar a promulgação dos Atos do Capítulo Geral e que não veta a celebração de Capítulos provinciais nos outros três anos.

Sua frequência anual é pressuposta tendo por base uma prática já vigente e bem consolidada. Não se fala mais de conexão entre o Capítulo Provincial e a festa de São Miguel. Às prescrições e aos critérios práticos foram surgindo exceções e mudanças que aos poucos se tornaram norma estável.

Somente depois da divisão da Ordem, as Constituições de cada família adotaram a frequência trienal do Capítulo Provincial, instituíram outros organismos subsidiários como as assim chamadas Congregações Intermediárias ou os Definitórios Plenários. Atualmente, as Constituições das Ordens Franciscanas, resultado da adaptação aos decretos do Vaticano II, preveem a possibilidade de Capítulos Provinciais extraordinários em fidelidade às estruturas de governo tradicionais.

“Dicionário Franciscano”, Vozes e Cefepal, 1993, Pg. 77 ss

Todos os ministros eleitos na Província

1677 – 1681 – Frei Eusébio da Expectação
1681 – 1684 – Frei Cristóvão da Madre de Deus Luz
1684 – 1687 – Frei Agostinho da Conceição
1687 – 1691 – Frei Eusébio da Expectação ( 2ª vez)
1691 – 1694 – Frei Antônio do Vencimento Sá
1694 – 1697 – Frei Cristóvão da Madre de Deus Luz ( 2ª vez )
1697 – 1699 – Frei João da Conceição Sanches. Faleceu no ano de 1699.
Frei Miguel de São Francisco foi eleito Vigário Provincial até 1701.
1701 – 1704 – Frei Miguel de São Francisco
1704 – 1707 – Frei Boaventura de Jesus
1707 – 1710 – Frei Alberto do Espírito Santo
1710 – 1713 – Frei Serafino de Santa Rosa
1713 – 1716 – Frei Miguel de São Francisco ( 2ª vez )
1716 – 1719 – Frei Boaventura de Santa Catarina
1719 – 1723 – Frei Plácido de Santa Maria
1723 – 1725 – Frei Francisco da Conceição. Faleceu no ano de 1725.
Frei Tomás dos Santos foi eleito Vigário Provincial até 1726.
1726 – 1732 – Frei Fernando de Santo Antônio
1732 – 1735 – Frei Luís de Santa Rosa
1735 – 1738 – Frei José do Nascimento
1738 – Frei José de Jesus Maria. No mesmo ano Dom Frei Antônio de Guadalupe, OFM,
bispo diocesano do Rio de Janeiro e reformador da Província, nomeou novo Provincial, a saber:
1738 – 1742 – Frei Lucas de São Francisco.
1742 – 1745 – Frei Francisco das Chagas
1745 – 1748 – Frei Antônio da Conceição
1748 – 1751 – Frei Agostinho de São José
1751 – 1754 – Frei Manuel de São Roque
1754 – 1757 – Frei Antônio de Sá
1757 – 1761 – Frei Francisco da Purificação
1761 – 1764 – Frei Manuel da Encarnação
1764 – 1767 – Frei Inácio da Graça
1767 – 1770 – Frei José dos Anjos
1770 – 1773 – Frei Inácio de Santa Rita Quintanilha
1773 – 1777 – Frei Cosme de Santo Antônio
1777 – 1780 – Frei José de Jesus Maria Reis. Deposto pelo governo civil. Frei Antônio
de São Vicente Ferrer foi eleito Vigário Provincial para o ano de 1780/81.
1781 – 1784 – Frei José dos Anjos Passes
1784 – 1787 – Frei Fernando de São José Menezes
1787 – 1790 – Frei José do Desterro
1790 – 1793 – Frei Lourenço Justiniano de Santa Teresa
1793 – 1796 – Frei João de Sant’Ana Flores
1796 – 1799 – Frei Joaquim de Jesus Maria Brados. Faleceu no ano de 1799. Frei Inácio
da Anunciação foi eleito Vigário Provincial
1799 – 1802 – Frei Antônio de Bernardo Monção
1802 – 1805 – Frei João do São Francisco Mendonça
1805 – 1808 – Frei Joaquim das Santas Virgens Salazar
1808 – 1811 – Frei Antônio de Santa Úrsula Rodovalho. Eleito bispo de Angola, renunciou.
Frei Antônio Agostinho de Sant’Ana foi eleito Vigário Provincial
1811 – 1814 – Frei Alexandre de São José’ Justiniano
1814 – 1818 – Frei Francisco Solano Benjamim
1818 – 1821 – Frei José Carlos de Jesus Maria Desterro
1821 – 1823 – Frei Angelo de São José Mariano. Faleceu no ano de 1823. Frei Antônio de Santa Mafalda
foi eleito Vigário Provincial até o ano de 1825.
1825 – 1828 – Frei João de Parma
1828 – 1831 – Frei Joaquim de São Daniel
1851 – 1834 – Frei Henrique de Sant’Ana
1834 – 1837 – Frei Antônio de Santa Mafalda. Faleceu no ano de 1837.
Frei Joaquim de São Jerônimo Sá foi eleito Vigário Provincial ate 1838.
1838 – 1841 – Frei Joaquim de São Jerônimo Sá
1841 – 1847 – Frei Prilidiano do Patrocínio
1847 – 1850 – Frei Teotônio de Santa Humiliana
1850 – 1853 – Frei Miguel de Santa Pita
1853 – 1854 – Frei Francisco de São Diogo. Resignou no ano de 1854. Frei Teotônio de Santa Humiliana,
eleito Vigário Provincial, resignou no mesmo ano. Frei Antônio do Coração de Maria
e Almeida, foi eleito Vigário Provincial até 1856.
081856 – 1870 – Frei Antônio do Coração de Maria e Almeida. Faleceu no ano de 1870. Os poucos
frades que restavam da Província elegeram a Frei João do Amor Divino Costa (foto) como
Vigário Provincial, que, a partir do ano de 1886, ficou sozinho. Faleceu em 1909.

A RESTAURAÇÃO

 1891 – 1893 – Frei Amando Bahlmann -Comissário Provincial

1893 – 1895 – Frei Irineu Bierbaum – Comissário Provincial
1895 – Frei Gregório Janknecht – Comissário Provincial
1895 – 1897 – Frei Lulo Muss – Comissário Provincial
1987 – 1899 – Frei Herculano Limpinsel – Comissário Provincial
1899 – Frei Hipólito Zurek – Comissário Provincial
1899 – 1901 – Frei Herculano Limpinsel -Comissário Provincial
1901 – 1904 – Frei Herculano Limpinsel
1904 – 1907 – Frei Lucínio Korte
1907 – 1911 – Frei Celso Dreiling
1911 – 1914 – Frei Crisólogo Kampmann
1914 – 1917 – Frei Crisólogo Kampmann (2ª vez)
1917 – 1920 – Frei Marcelo Baumeister
1920 – 1923 – Frei Crisólogo Kampmann (3ª vez)
1923 – 1926 – Frei Crisólogo Kampmann (4ª vez)
1926 – 1929 – Frei Celso Dreiling ( 2ª vez)
1929 – 1932 – Frei Celso Dreiling ( 3ª vez)
1932 – 1934 – Frei Felipe Niggemeier
1934 – 1937 – Frei Marcelo Baumeister (2ª vez)
1937 – 1941 – Frei Marcelo Baumeister (3ª vez)
1941 – 1945 – Frei Mateus Hoepers
1945 – 1948 – Frei Ludovico Gomes Mourão  de Castro
1948 – 1952 – Frei Ludovico Gomes Mourão de Castro ( 2ª vez )
1952 – 1956 – Frei Heliodoro Mueller
1956 – 1962 – Frei Heliodoro Mueller ( 2ª vez )
1962 – 1968 – Frei Walter W. Kempf
1968 – 1973 – Frei Walter W. Kempf ( 2ª vez )
1973 – 1979 – Frei Antônio Alexandre Nader
1979 – 1985 – Frei Basílio Prim
1985 – 1991 – Frei Estêvão Ottenbreit
1991 – 1994 – Frei Estêvão Ottenbreit (2ª vez)
1994 – 1999 – Frei Caetano Ferrari
2000 – 2002 – Frei Caetano Ferrari (2ª vez)
2002 – 2003 – Frei Augusto Koenig
2003 – 2009 – Frei Augusto Koenig (2ª vez)
2009 – 2012 – Frei Fidêncio Vanboemmel
2012 – 2015 – Frei Fidêncio Vanboemmel (2ª vez)
2016 – 2018 – Frei Fidêncio Vanboemmel (3ª vez)
2019 – 2021 – Frei César Külkamp

A criação e restauro da Província

A primeira Missa celebrada nas “Terras de Santa Cruz” foi presidida por um frade franciscano, Frei Henrique Soares de Coimbra, coadjuvado por mais sete confrades da mesma Ordem. Desde então, vários filhos de São Francisco aportaram esporadicamente nas novas terras, ainda antes da chegada dos jesuítas, em 1549. O ingresso oficial dos franciscanos se deu somente no dia 12 de abril de 1585, quando o Ministro Geral, cedendo aos insistentes apelos das autoridades e dos colonos, enviou a Olinda um grupo de oito religiosos, provenientes da Província de Santo Antônio dos Currais, em Portugal.

A Custódia de Santo Antônio do Brasil, como passou a se chamar a entidade, cresceu rapidamente. Trabalhos não faltavam, seja entre os colonos seja entre os índios e os escravos. A partir da sede, em Olinda, vários conventos foram sendo fundados, a maioria na extensa costa litorânea. Em novembro de 1589 chegavam a Vitória, no Espírito Santo, e em 1592 já faziam visitas ao Rio de Janeiro, onde se instalaram oficialmente em 1608.

As imensas distâncias a serem percorridas exigiam uma reorganização administrativa. Em 1649, os superiores brasileiros conseguiram que a Custódia se tornasse independente da Província de Portugal. O próximo passo foi transformar a Custódia em Província, o que foi conseguido em 1657. Na mesma ocasião, a Província conseguiu que os conventos do Sul formassem uma entidade autônoma, constituindo a Custódia da Imaculada Conceição. O passo seguinte se deu após intensas negociações em Portugal e Roma: no dia 16 de julho de 1675, pelo breve“Pastoralis Officii”, do Papa Clemente X, a Custódia da Imaculada era ereta em Província autônoma, com o título de Província  Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.

A nova entidade tinha sua sede no Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro, cidade que aos poucos se destacava no cenário colonial. Também no Sul do Brasil, os franciscanos tiveram um vasto campo de atuação, trabalhando nas missões com os índios, atuando como capelães das forças do governo, auxiliando os párocos na cura d’almas, ou simplesmente atendendo aqueles que os procuravam nas suas igrejas, para a celebração da eucaristia, sempre com uma palavra amiga nas portarias ou um conselho oportuno no confessionário.

restauroO século XVIII, com as ideias iluministas, eivadas de anticlericalismo, trouxe mudanças importantes na vida da colônia e, consequentemente, também na vida dos religiosos, principalmente após a descoberta do ouro nas minas. O controle exercido pelo Estado absolutista se torna mais severo sob o governo do Marquês de Pombal. A partir de 1764, as recepções de noviços começam a ser controladas pelo governo, que limita o número ou até mesmo proíbe a recepção de novos membros.

Mesmo sob o rígido controle do Estado, a Província da Imaculada teve religiosos de renome entre seus membros. Frei Fabiano de Cristo, o beato Frei Galvão, Frei Veloso, Frei Sampaio, Frei Francisco do Monte Alverne são apenas alguns dos que se destacam na história nacional, religiosa, civil e científica. Além desses representantes famosos, muitos trabalharam no anonimato e deixaram suas marcas não nos anais e arquivos da história, mas no coração e na vida das pessoas que entraram em contato com eles.

Entre fins de 1700 e inícios de 1800, a vida nos conventos já não refletia o brilho do passado. Muitos religiosos se acomodavam, buscavam privilégios ou escolhiam o claustro para fugir das dificuldades da vida civil. O governo, interessado no fim dos religiosos, facilitava a vida daqueles que buscavam meios de se furtar à disciplina interna e à obediência dos superiores. Em meados de 1800, a vida religiosa, não apenas franciscana, estava agonizando. Um “aviso” do Ministério da Justiça, de 19 de maio de 1855, suspendendo, em definitivo, o ingresso de novos membros em todas as ordens religiosas na Brasil, deveria ser o golpe de misericórdia. A Província, que contava então com apenas 25 religiosos para cuidar de treze conventos, estava fadada a desaparecer.

Em março de 1886 restava apenas um religioso, Frei João do Amor Divino Costa. Se este viesse a falecer, todos os bens da entidade passariam às mãos do governo. Mas o tempo tem uma lógica que o ser humano não controla. E, se a Providência tinha permitido à Província que resistisse até então, quem iria desaparecer seria o governo imperial. Com a proclamação da República, a história toma um novo rumo, abrindo novos e esperançosos horizontes para a tricentenária Província da Imaculada.

A Província da Imaculada Conceição, criada em 15 de julho de 1675, teve sua sede no Convento Santo Antônio do Rio de Janeiro, que também abrigava os estudos de filosofia e teologia. Era do Convento Santo Antônio que os frades partiam em missão pelo território hoje abrangido pelos Estados do Rio e Minas, pelo Sul da Bahia e pelo Vale do Paraíba, sem esquecer algumas missões específicas no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso, às vezes acompanhando as tropas como capelães, às vezes integrando delegações oficiais de reconhecimento do território brasileiro.

Missionários alemães encontram solo fértil no Brasil

09-aDepois de florescer em santidade e trabalhos apostólicos (chegou a ter, em 1777, 305 frades) e frutificar abundantemente (teve papel fundamental na independência do Brasil), a Província entrou em decadência forçada por muitas causas, chegando a um único frade sobrevivente no momento em que se proclamou a República, em 1889. Veio a nova Província, não qual fênix renascida das próprias cinzas, mas reconstruída pelo ardor missionário da Província de Santa Cruz da Saxônia, Alemanha. Os primeiros missionários (Frei Amando Bahlmann, Frei Xisto Meiwes, Frei Humberto Themans e Frei Maurício Schmalor, foto ao lado) começaram a obra de restauração no vilarejo de Teresópolis, em Santa Catarina, hoje apenas Capela da paróquia de Santo Amaro da Imperatriz. Começaram com os pés no chão, a esperança em Deus e o mais quente zelo apostólico.

Outras  levas de Frades alemães foram assumindo Lages, Blumenau, Rodeio, Gaspar. Todo o Estado pertencia ainda à Diocese do Rio de Janeiro. Não estranha, então, que, em 1896, tenham aceito Petrópolis, cidade vizinha do Rio, fundada por alemães. Com a criação da diocese de Curitiba, os frades acolheram, em 1905, o convite para fundar um Convento na cidade. Aos poucos, pela necessidade de pouso nas missões itinerantes, pela convocação de bispos, pelo convite promissor de algumas cidades pastoralmente necessitadas, foi-se estendendo a rede da presença franciscana no Sul do Brasil.

Os missionários alemães encontraram aqui a terra boa para o plantio. Os Estados do Sul estavam sendo beneficiados pelos colonos alemães, italianos e poloneses. Os frades se afinaram
muito com eles. Bem, logo chegaram as vocações de dentro daquelas famílias. A Província abriu um seminário em Blumenau, transferido nos anos 20 para Rio Negro, no Paraná. Abriu o noviciado em Rodeio, onde permanece até hoje e, anualmente, com novos noviços. Abriu o curso de filosofia em Curitiba, e o curso de teologia em Petrópolis. Nos anos 40 e 50 se precisaram novos seminários e surgiram os de Guaratinguetá, Luzerna, Rodeio (depois transferido para Ituporanga) e Agudos. Como as colônias eram carentes de escola, os seminaristas tinham a possibilidade de fazer os últimos dois primários, o ginásio e o colegial no seminário, dando-lhes tempo de maturar a vocação, crescer numa fé sadia e fazer livremente a escolha.

Característica dos missionários alemães era a preocupação com a escolaridade.Éramos um país sem escolas. Antes de construir a igreja, os franciscanos tinham o costume de levantar a escola da comunidade. Fundou-se até uma Congregação de Irmãs (as Catequistas) para as escolas rurais.
Algumas escolas cresceram muito, como o Colégio S. Antônio de Blumenau, o Diocesano de Lages, o Bom Jesus de Curitiba. Há um fato curioso: a Escola gratuita São José, de Petrópolis, gerou o Instituto dos Meninos Cantores e a Editora Vozes. Não se pode escrever a história da Igreja no Brasil, sem citar a Editora Vozes, fundada em março de 1901, com uma finalidade específica: fornecer livros escolares, manuais de catequese e de reflexão científico-religiosa.

Neste ano,  a Província conta com 372 membros. E certamente foi e continua sendo protegida por seus muitos filhos que já estão na eternidade, particularmente aqueles que morreram em fama de santidade, como Frei Galvão, Frei Fabiano de Cristo, Frei Rogério Neuhaus, Frei Bruno Linden, Frei Silvério Weber e tantos outros.

Texto de Frei Sandro (1ª parte) e Frei Clarêncio Neotti (2ª parte)

Orações para o Capítulo

Oração I

A: Senhor, nosso Pai, Deus entre nós, / ajudai-nos a ser contemplativos e fraternos, / vivendo o Evangelho como regra, / seguindo em missão neste mundo, / construindo juntos o sonho de uma humanidade irmanada, / justa e pacífica.

B: Senhor Deus, Pai e Filho e Espírito Santo, / iluminai-nos com a vossa comunhão e misericórdia, / para que nossas relações transmitam perdão, alegria e amor, / nossas fraternidades sejam ternas e saudáveis. / E inspirai-nos respostas necessárias aos desafios, / conformes à vossa vontade, e perseverantes ao vosso chamado, / para que, mais do que esperar, aprendamos a esperançar.

Todos: Dissipai, pois, a angústia e o medo, / dando-nos coragem, esperança e fortaleza / para promovermos o respeito à fé e às convicções de cada pessoa, / defendermos a vida, / compadecer-nos nas fragilidades / e sermos solidários no sofrimento, / como filhos da mesma terra que sempre nos acolhe. / Assim seja!


Oração II

Dir.: Altíssimo e glorioso Deus, Pai de amor e criador de todas as coisas, deste-nos o mundo como nossa casa, onde os irmãos e irmãs de todos os tempos pudessem viver na comunhão e na fraternidade.

Todos: Obrigado, Senhor, pelo vosso imenso amor!

Dir.: Reconhecemos, no entanto, que apesar de vosso sonho de amor e comunhão para conosco, dividimo-nos em grupos de interesses, fomos cúmplices dos salteadores da dignidade e da esperança, desviamos o olhar e o coração dos feridos da vida e largamo-nos à mesquinhez e ao ressentimento de particularismos estéreis.

Todos: Perdoai-nos, Senhor, pelo vosso imenso amor!

Dir.: Tornai-nos dóceis ao vosso Espírito e revesti nossa Fraternidade Provincial com a mesma disposição de Francisco de Assis, a fim de que, como irmãos em missão e habitando o claustro-mundo como homens de paz e diálogo, sonhemos juntos o vosso sonho divino, na diversidade de vozes e variedade de carismas, como uma única humanidade, habitantes da mesma Casa e irmãos de toda criatura.

Todos: Ajudai-nos, Senhor, pelo vosso imenso amor!