Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Outubro 2017

OUTUBRO 2017

Desta vez, as preciosidades que tiramos baú, quase todas, têm tudo a ver com  Francisco de Assis. Afinal de contas, em outubro, comemora-se sua festa. Mas há também temas que enfatizam uma vida fraterna mais densa. Fraternismo? Bom, tem tudo a ver com São Francisco.

Frei Almir  Ribeiro Guimarães, OFM

I. PARA COMEÇO DE CONVERSA

Francisco de Assis, o fascinante

 

O mês de outubro, logo no início, dia 4,  nos leva a comemorar as maravilhas operadas pelo  Senhor na figura do italiano  Francisco de Assis. Joseph Lortz, ao escrever uma biografia sobre o santo, deu-lhe o título de Francisco de Assis, santo incomparável (Vozes,  1982).  “Francisco foi tão original e único que dificilmente se pode encontrar um paralelo. E por isso era  incomparável no que tinha de   mais pessoal e próprio. Sua admirável presença nos deixou apenas algumas poucas, porém inestimáveis páginas de louvores, ordenações e bênçãos. Os que conviveram com ele resumiram suas impressões em formas  totalmente insuficientes, se tomarmos em conta a grandeza e a envergadura do santo, ainda que alguns desses escritos sejam magníficos, principalmente os de Tomás de Celano (p. 12).  Demos ao nosso breve texto o título de  Francisco de Assis, o fascinante.

Damos a palavra a Michel Sauquet  que  em 2015 publicou um valioso texto sobre São Francisco:  Le passe-murailles. François d’Assise: un  héritage  pour penser l’interculturel au XXIe siècle. Francisco visto como aquele que derruba, suprime os muros e muralhas. Ele nunca quis fundar uma Ordem. Fê-lo por necessidade.  Suas opões espirituais evidentemente tiveram repercussão na sociedade. Importante sua postura diante do que é diferente.  “São Francisco de Assis por suas palavras e seus atos sugeriu que as diferenças podem ser motivo de alegria e não de sofrimento, motivo de riqueza e não diminuição. Colocou em evidência a vantagem que se pode ter quando se consegue vencer  “o medo dos bárbaros” para retomar o título de um livro do filósofo Tzvetan Torodov”  (p. 11).

Difícil dizer todos os motivos que levaram e levam a tantos a se sentirem próximos de Francisco. Tem-se a impressão que o Poverello é a reencarnação de Jesus Cristo, uma nova presença de Cristo no meio dos homens. Como São Paulo, Francisco podia dizer: “Já não sou eu que vivo. É Cristo que vive em mim”. Conhecida e sempre citada a palavra de Julien Green: “São Francisco de Assis é o cristianismo em todo o seu frescor matinal, é a redescoberta do Evangelho… Por vezes me pergunto se Cristo não nos prodigalizou uma segunda vez o Evangelho na vida de São Francisco”.

Francisco fascina o cardeal Bergoglio que, eleito papa, adota o nome do Poverello Papa Francisco. Em sua Carta Encíclica  Laudato Si’: “Não quero prosseguir esta encíclica  sem invocar um modelo belo e motivador. Tomei o seu nome por guia e inspiração, no momento da minha eleição para Bipo de Roma. Acho que  Francisco é o exemplo por excelência  do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade. É o santo padroeiro de todos os que estudam e trabalham no campo da ecologia, amado também por muitos que não são cristãos. Manifestou uma atenção  particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. Amava e era amado  pela sua alegria,  a sua dedicação generosa, o seu coração universal. Era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade em uma maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo. Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior”  (Laudato Si”  10)

O Poverello se deixa extasiar pelos mistérios de Cristo, pelo “evangelho” que é Cristo. Fica profundamente tocado pela cena do presépio. Parece sentir na carne a pobreza e as carências do Menino das Palhas. Um Deus que se torna misericórdia na cruz.  Vai chorar incontrolavelmente diante do Crucificado.  “O Amor não é amado”.  No final de sua caminhada, tão curta caminhada,  tem mas mãos, nos pés e no lado os sinais das chagas do Redentor.  Refaz em sua carne os mistérios do Salvador. Não seria por isso que ele é incomparável e fascinante?

Todos andam atrás dele porque ele é irmão. Para ele ninguém é superior a ninguém. Os irmãos respeitam, amam, cuidam dos  irmãos. Lavam os pés uns dos outros. Todos somos irmãos: o menininho, o lobo, o doente, a senhora  Jacoba, as estrelas, o fogo, o bandido e até mesmo a morte.  Ele entoa a cantiga da fraternidade. Por isso é encantador.  Por isso, fascinante.

Nunca quis aparecer. Foi despojado. Não queria que os irmãos se preocupassem com nada, nem mesmo com livros.  Francisco é livre, livre de tudo e de si mesmo, despojadamente livre e amorosamente simples.  Por isso todos correm atrás dele.

Encanta-nos o carinho de Francisco pelo irmão “cristão”, pelo irmão leproso. Francisco, nosso Francisco, é aquele que se aproxima das coisas insignificantes aos olhos de todos. Ali vislumbra uma nítida imagem do Deus que se tornou insignificante. Lava as chagas do leproso, come com o leproso, acerca-se com o que é do leproso.  Depois que o tempo foi passando quando muitos o exaltavam ele dizia ter saudade dos tempos passados, tempo em que não era conhecido e lavava as chagas de desconhecidos leprosos.  Por isso tantos andam atrás dele.

Francisco se faz veículo da paz. Fala da paz e promove a paz.  Quer que seus irmãos se saúdem com votos e desejos de paz: “O  Senhor vos dê a paz”.  Pede que o lobo de Gubbio tenha a bondade de respeitar os habitantes do pedaço.  Suplica que o  bispo e o podestà de Assis se entendam e se perdoem.

O austríaco Kurt Waldheim, antigo secretário geral da ONU, declarava em outubro de 1982: “São Francisco de Assis é o símbolo da paz, do respeito pela natureza e do amor pelos pobres que fazem parte  do ideal  perseguido pelas Nações Unidas  cuja  Carta foi assinada na cidade  de San Francisco (EUA)  que leve o nome do Pobre de Assis”.

Façamos espaço para que Francisco possa passar!  Seu espírito não morreu.

II. LEITURA ESPIRITUAL

Um dos mais importantes e fundamentais documentos produzidos pelos  responsáveis pela formação em vista da animação  da vida dos frades menores no mundo  foi  certamente um  subsídio que, levando o título “Todos vós sois irmãos”,  examinava o Capítulo 3º  das Constituições Gerais da OFM que leva exatamente esse título.  Apoiamo-nos aqui em algumas de suas reflexões que abordam elementos que  podem ajudar o crescimento da pessoa e da fraternidade (p. 69-73).  Leitura espiritual ou formação?  O documento base de  nossa reflexão foi publicado em 2004.  Tiramo-lo do baú.

 

 

Crescer em fraternidade

 

Pouco adianta constatar que muitos frades deveriam ser mais maduros. Necessário fazer de sorte que os irmãos, de fato, amadureçam com pessoas e frades.

Chegar a ser homens

Aceitar-se e amar-se na própria humanidade pessoal, no próprio corpo; desenvolver em si mesmo dimensões masculinas e femininas que fazem parte de nosso ser. Em cada pessoa deve ser integrado  o aspecto masculino e feminino: o animus (o espírito e a inteligência) e a anima (aberta ao mistério) devem integrar-se e conviver unidos.

Aprender a ser independentes, capazes de viver e decidir sozinhos, sem necessidade de recorrer continuamente à aprovação e à opinião dos outros. Sobre esta autonomia baseia-se a   capacidade de aceitar os próprios limites e os limites dos outros, de saber suportar em silêncio as eventuais carências e frustrações da vida.

A responsabilidade, a consciência do dever, a fidelidade a si mesmo e, sobretudo a acolhida aos outros e ser abertos a eles, a possibilidade de viver e de programar com eles um humano e evangélico projeto de vida, são outros tantos sinais da verdadeira humanidade que todos devemos buscar.

Abertura ao mundo no qual vivemos e que é o lugar onde se constrói o nosso eu. O mundo do qual não devemos fugir, que não devemos adular nem bendizer, mas ao contrário, conhecer, amar, usar com discernimento em toda a sua complexidade  cultura, científica, social, política, etc. Chegar a ser  homens hoje, significa levar em conta o  nosso mundo, em toda a sua complexidade.

Domínio de relacionamento: chega-se a ser eu, pronunciando o tu. Progredimos na caminhada para a maturidade  quando nos abrimos ao encontro com o outro. O homem maduro é aquele que sabe abrir-se ao outro e sabe aceita-lo na sua diferença. O outro é o próximo, o homem, mas também, sem dúvida e, em primeiro lugar, o Absoluto, Deus.

 

Aceitação do outro

O que é a aceitação do outro?

receber a pessoa na sua singularidade única;
disponibilidade para valorizar positivamente, seu modo de agir, seus sentimentos e intenções;
capacidade de receber o que o outro sente na originalidade de seu mundo interior;
confiar vivamente na capacidade de crescimento da pessoa.

O que não é aceitação do outro?

concordar sempre com o modo de agir do outro;
justificar e apoiar sempre sua conduta;
estudar a pessoa à distância;
ter uma curiosidade excessivamente ávida pela intimidade do outro;
ter uma postura eminentemente crítica;
evitar tudo conflito, ocultando sentimentos negativos.

Como se facilita a aceitação do outro?

esforçando-se para sentir as coisas como sente o outro;
sendo autêntico e franco, mas com critério, certificando-se  que o outro possa acolher tal franqueza;
dando sinais de querer aproximar-se do outro e mostrando interesse por ele;
sendo paciente na escuta;
alimentando esperança;
interessando-se pelas coisas do outro, principalmente por seus sentimentos.

Quando se dificulta a aceitação do outro?

quando o julgamento incide apenas qualidades, eficiência e sua  conduta edificante;
quando existe uma tendência exageradamente valorativa;
pouca confiança no outro;
quando há desconhecimento do outro.

Fatores que estimulam a vida comunitária

encontrar espaços para que as pessoa possa exprimir-se livremente;
ambiente de certo calor afetivo;
indicar a cada pessoa tarefas e encargos significativos e adequados à sua competência, dando espaço à sua criatividade;
alimentar sem cessar um ideal vivo;
ambiente participativo em projetos atualizados e significativos.

Clima comunitário

Um  clima comunitário inclui:

ambiente agradável e de mútua acolhida;
ausência de murmuração e crítica ao grupo fora do grupo;
alegria pelo encontro e presença dos irmãos;
disponibilidade à colaboração;
agilidade em compreender e desculpar o irmão;
suficiente nível de comunicação de sentimentos;
relacionamento de certa intensidade entre os irmãos;
generosidade para o perdão;
cultivo de uma mística grupal;
valorização de cada pessoa.

III. TEXTOS SOBRE O TEMA DO PERDÃO

 

A) COMO RECONCILIAR-SE COM O IRMÃO

Máximo, o Confessor, monge do Oriente ( 580-662)  realizou admiravelmente a síntese  entre as teologias orientais e ocidentais  no tempo dos Padres da Igreja.  Perseguido, morreu  devido às sequelas das torturas.  No presente texto, ele indica atitudes que permitem ao cristão triunfar superando o ódio por meio do amor.

Teu irmão foi para ti ocasião de provação de tal forma que a tristeza te levou ao ódio?  Não te deixes vencer, mas faze com que o amor derrote o ódio. Vê como fazer:  rezando sinceramente a Deus por ele, aceitando que seja desculpado, fazendo-te a ti mesmo seu defensor. Assume a provação que te foi infligida com coragem até que a nuvem venha a se dissipar. Não fere teu irmão com palavras ambíguas de modo que venha a te retorquir fortemente e os dois se excluam do clima da caridade. Com a franqueza da amizade vai e tenta corrigi-lo. Uma vez que forem suprimidas as razões do desentendimento  possam os dois se verem libres da perturbação  e da amargura.  Uma alma que alimenta ódio contra  um homem  não pode estar em paz com  Deus. “Se não perdoardes  aos  homens suas faltas  vosso Pai celeste não vos perdoará as vossas” (Mt 6, 14).  Se o outro não quer a paz, tu ao menos evita de odiar e pede sinceramente por ele, sem falar mal dele a ninguém. A finalidade dos preceitos do Senhor visam arrancar o espírito do caos e do ódio para leva-lo ao seus amor e ao amor do próximo. Daí jorra a luz do santo e verdadeiro conhecimento.

 

B) FAMILIA LUGAR DE PERDÃO

Estas belíssimas considerações do Papa  Francisco sobre o perdão na família  foram tiradas do Site da Unisinos  (RS) em crônica de OsvinoToillia

Não existe família perfeita. Não temos pais perfeitos, não nos casamos com uma pessoa perfeita, nem temos filhos perfeitos. Temos queixas uns dos outros, decepcionamos uns aos outros.  Por isso não há casamento saudável, nem família saudável  sem o exercício do perdão.

O perdão é vital para nossa saúde emocional e sobrevivência espiritual.  Sem perdão a família se torna uma arena de conflitos e um reduto de mágoas.  Sem perdão a família adoece.

Quem não perdoa  não tem paz na alma nem comunhão com Deus. A  mágoa é veneno que intoxica e mata.  Guardar  mágoa no coração é um gesto autodestrutivo. É por isso que a família precisa ser lugar de vida e não de morte: território de cura e não  de adoecimento ; palco de perdão não de culpa.

O perdão  traz alegria  onde a mágoa produziu tristeza;  cura onde a mágoa  causou doença

IV. TEMA DA FAMÍLIA

Convivência conjugal e vigor na vida

 

 

Ninguém duvida: o casal precisa exalar vida, vigor, viço.  É longo e laborioso o tempo da construção da vida a dois. Tão somente cuidadosa convivência será geradora de vida.

 

Há a vida dos rios e dos mares, dos animais e dos lagos, dos parques e das matas. Há o cuidado pela água, pela terra. Há o respeito por si mesmo, pelos outros, pela vida nascente, ainda no embrião e as atenções para a vida que vai terminando, a vida dos idosos. Precisamos difundir a cultura da vida num mundo de tantas mortes. A família, a convivência familiar é um espaço onde se respeita e se cultiva a vida. A convivência do casal necessita ser fonte de vida.

Um homem e uma mulher se encontram, para o melhor e não somente para o melhor, na faina de somar suas histórias, na convergência da busca pela verdade, percorrendo caminhos de vida, de busca de Deus.  Na consecução do seu ser homem e ser  mulher se unem não para serem atrofiados, apequenados, infantilizados. Querem viver a plenitude do masculino e do feminino, na realização profissional, na busca de vivência afetuosa  e amorosa, no dom sempre crescente de um para o outro. Uma convivência sincera e carinhosa provoca o crescimento na união. Alimentados pelo amor as duas existências vivem um esplendor conjugal, longe de toda mediocridade, na convivência de todos os dias, nas noites de revisão e de acerto da rota, no respeito aos abismos de cada um. Há respeito pela vida quando há respeito no seio do casal. O casal haverá de exalar vitalidade, vigor humano e espiritual.

Crescer humanamente nesse cotidiano das coisas de todos os momentos: o trabalho executado com fidelidade, os projetos que vão se realizando com a colaboração de um e de outro. O crescimento humano se nota quando o casal não vive apenas em função de pequenos lazeres e quereres. O casal em processo de maturação decentraliza-se.

O casal entra num processo de revigoramento espiritual quando se empenha em buscar o Deus da vida, quando sabe rezar a dois, quando não desanima por isto ou aquilo.  De tanto estar com o Deus da vida, de tanto unir-se a Jesus que é vida o casal cresce,  fica espiritualmente viçoso. Caminhando juntos na busca do rosto do Altíssimo.

É somente no seio de uma família que as crianças deveriam nascer. Homem e mulher são os guardiães da vida.  As crianças não podem ser geradas irrefletidamente. Precisam ter pais cheios de viço  humano, geradas em boas e mesmo excelentes fases de sua união dos que querem ser seus pais.

Há pessoas que nunca foram levadas em conta na vida em geral e, por vezes, até mesmo dentro do casamento e da família. Há pessoas que chegaram a sentir inveja dos cachorros levados pela rua por crianças ou adultos. Necessitamos trabalhar nossos vínculos com outros. Não basta saber que somos. Importa ver claro a quem pertencemos.  A raiz da identidade é a pertença, os vínculos que foram nos ligando ao longo do tempo da existência,  as pessoas que nos foram fazendo delas. O que nos alimenta é saber-nos entrelaçados com a vida de outros  porque desde que nascemos os outros fazem parte essencial do que somos, esses outros que são terra fértil onde podemos deitar raízes. O que nos alimenta é saber-nos obsequiados pela presença, pela atenção e pelo carinho   dos demais, por essa radical pertença que nos dá   quem nos faz seus, quem cuida de nós, quem entrega a nós.

Fonte de inspiração:
Revista  Vida Nueva, encarte de 1° dezembro  2001
Xavier Quinzá Leo,  SJ (encarte)

V. TEXTO SELETO

Na alegria

 

 

Certamente Francisco de Assis  não foi um homem de gargalhadas  descontroladas e  risos  duvidosos.  Foi, no entanto, uma pessoa alegre.  O texto  que agora apresentamos nos fala da alegria, da alegria a partir do espírito de Francisco, de uma alegria em  nossos tempos.

 

Certa feita, Francisco repreendeu severamente um de seus irmãos que tinha ar sombrio e sofredor. Somente depois que passasse a “doença” da tristeza e da melancolia  é que deveria se juntar aos seus irmãos.  Antes disso, em sua cela, deveria passar em revista seus pecados e pedir perdão a Deus. Voltando ao convívio dos irmãos ali deixaria ressentimentos, dores e soturnidade.

Sentindo Francisco a proximidade da morte um irmão veio ter com  ele dizendo que se preparasse para  o desfecho de sua vida. Ao que ele retorquiu: “Irmão, deixa que eu me alegre no Senhor e cante seus louvores em meio  às minhas enfermidades”.

Hoje, o que vem a ser a alegria?

 

É fazer festa em companhia dos que amamos.
É deixar-se acariciar pelo sol e buscar perscrutar os mistérios da noite.
É  contemplar a pureza da água  num deserto sem fim.
É construir, edificar, refletir.
É alimentar confiança, não exasperar, não inquietar-se com o amanhã.
É  viver em união mesmo com pessoas que estão distantes de  nós.
É saber que irmãos nossos estão cuidado de um de nosso filho, doente, longe de nossa casa.
É saber que nesse momento irmãos nossos cuidam de estrangeiros que, por várias  razões, não pudemos acolher.
É conhecer o grande número de nossas próprias  faltas e acreditar que misericórdia de  Deus  é  maior e mais abundante do que todas elas.
É  louvar o sol quando não se enxerga mais.
É aquecer o coração de um irmão  quando os dois tremem de frio.
É dar, é receber,  continuar sempre nesse jogo sem saber onde ele nos conduzirá.
É  vivenciar o amor, quando temos vontade  de “morder.
É ter irmãos.
É saber-se amado por  Deus.
É ter certeza de que não se é extraordinário.
É viver de maneira ordinária os acontecimentos extraordinários.
É   não levar-se a sério demais.
Alegria é sinal de que  a gente de verdade e que a vida mora em nós.

Fonte:

Fêtes et Saisons
318, out. 1977
Revista de Espiritualidade e Formação Cristã