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Papa tem agenda cheia no Panamá

24/01/2019

Notícias


A espera terminou. O Panamá está em festa com a chegada do Papa Francisco. Momento esperado pelos panamenhos e por milhares de jovens provenientes de todas as partes do mundo, reunidos para participar da Jornada Mundial da Juventude. O sorriso é o primeiro presente do Papa Francisco ao Panamá. Depois de quase 13 horas de voo, o Papa desceu do avião acolhido pelo calor de dois mil jovens – a juventude do papa, como gostam de cantar em coro – e um vento quente que acariciou o seu rosto. O abraço do país está nas cores das bandeiras, em numa faixa que sublinha como o Panamá está pronto para receber Francisco com alegria.

O Papa Francisco chegou ao Panamá para a sua 26ª viagem internacional. O avião papal pousou no aeroporto internacional de Tocumen, onde o Pontífice foi acolhido pelo Presidente da República Juan Carlos Varela, por todos os bispos do Panamá. Duas crianças, em hábitos tradicionais, ofereceram flores a Francisco. Um momento de festa sem discursos oficiais, somente os hinos oficiais do Vaticano e do Panamá.

Deixando o aeroporto, o Papa se dirigiu para a Nunciatura Apostólica do Panamá, percorrendo cerca de 28 Km. Nestes dias de permanência em terras panamenhas o Papa será hóspede da Nunciatura. Milhares de pessoas ao longo das avenidas para saudar o Santo Padre. O primeiro compromisso de Francisco nesta quinta-feira será no palácio presidencial, por ocasião da visita de cortesia ao presidente da República, onde fará o seu primeiro discurso. Ainda o encontro com os bispos e a cerimônia oficial de abertura da Jornada Mundial da Juventude.

PROGRAMA HOJE
Quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

9:45 Cerimônia de boas-vindas no Palácio das Garças
Visita de cortesia ao Presidente da República no Palácio das Garças
10:40 Encontro com as Autoridades, com o Corpo diplomático e com os Representantes da Sociedade no Palácio Bolivar – Ministério das Relações Exteriores
11:15 Encontro com os Bispos centro-americanos na igreja de São Francisco de Assis
17:30 Cerimônia de acolhimento e abertura da JMJ no Campo Santa Maria la Antigua – Cinta Costera

REALIDADE LATINO-AMERICANA

Esta JMJ que se realiza logo após o Sínodo dos bispos – que teve por lema o discernimento vocacional – recorda a Virgem Maria como aquela que compreendeu o segredo da vocação: “sair de si mesmo e colocar-se a serviço dos outros”. “A nossa vida só encontra sentido no serviço a Deus e ao próximo” disse o Papa em uma mensagem aos jovens, ressaltando que o desejo que eles tem de ajudar os outros, “de fazer algo pelos que sofrem”, é sua força e esta é a “revolução do serviço”.

“Não existe vocação ao egoísmo” frisou o Papa, que quer cada vez mais despertar não somente nos jovens, mas em todo o mundo, o sentido da solidariedade. E na intenção de oração para este mês de janeiro, o pedido de rezar especialmente pelos jovens da América Latina, para que tenham “forças para sonhar e trabalhar pela paz”.

Bergoglio bem conhece a realidade da América Latina. Apesar das diferenças mesmo culturais entre os países, há problemas crônicos que são comuns a todos. E não por acaso escolheu um país da América Central para sediar a JMJ depois de Cracóvia. O Papa sabe da força da juventude, mas bem conhece seus problemas e desafios, e vem de encontro a eles.

A visita que fará à realidade dos jovens apenados, uma realidade de “periferia existencial”, é plena de significado. O Papa vai de encontro à dura realidade de quem não encontrou um caminho em um continente marcado por contradições, que se refletem também no aumento da delinquência juvenil, do narcotráfico, da violência desenfreada, da falta de esperança que leva os jovens, e não só, a buscar alternativas mais dignas em outros países. Estes temas, junto à questão dos indígenas, deverão estar presentes nos pronunciamentos do Pontífice.

O arcebispo do Panamá, Dom José Domingo Ulloa, afirmou em recente entrevista que Francisco encontrará no Panamá uma “Igreja jovem e alegre, autêntica, multiétnica e multicultural, com uma fé viva, com o compromisso de anunciar o Evangelho”. E é esta fé presente nos corações latino-americanos que Francisco quer fortalecer e apresentar como resposta capaz de vencer a cultura da indiferença. Servir também é uma vocação. Mas muitos panamenhos esperam que o Papa insista no tema da formação dos sacerdotes e na renovação da Igreja do país.

A Missa de abertura presidida ontem pelo arcebispo Domingo Ulloa foi capa dos principais jornais do país, e alguns destacam que o país tem uma estrutura obsoleta para receber um evento deste porte, o que é perceptível. Até o momento ingressaram no país cerca de 50 mil peregrinos. Mas como dizem, a simpatia dos panamenhos pode ajudar a suprir algumas destas situações. Percebe-se um descontentamento da população em relação à classe política, e muitos esperam que a presença do Pontífice inspire uma renovação moral em todos os âmbitos da sociedade.

“Do relacionamento com Deus no silêncio do coração descobrimos a nossa identidade e a vocação a que nos chama o Senhor (…). Todas elas são caminhos para seguir Jesus. O importante é descobrir aquilo que o Senhor espera de nós e ter a audácia de dizer ‘sim’”.

Fonte: Rádio Vaticano e site oficial da JMJ