Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

A sabedoria dos idosos orienta as energias dos jovens

23/10/2018

Notícias

Cidade do Vaticano – Durante o briefing na Sala de Imprensa da Santa Sé, foi recordado que não se pode separar o caminho dos jovens daquele dos idosos. Também através de metáforas ligadas ao mar e ao universo, pode-se apreender o sentido do Sínodo e o caminho da Igreja.

Cultura de corresponsabilidade

Joseph Sapati Moeono-Kolio jovem auditor e membro da Cáritas Internationalis para a Oceania (Samoa), recordou que seu povo navegou por milhares de anos pelos mares, graças à sabedoria dos idosos, capazes de se orientarem pelas estrelas. Os idosos – afirmou o jovem – sentavam-se no fundo das canoas e os jovens remavam seguindo suas preciosas indicações. Esta sinergia se repete na Igreja: os idosos – afirmou Joseph Sapati Moeono-Kolio – têm a sabedoria para interpretar e orientar. Mas são os jovens que têm a energia para ir às periferias.

Um caminho em convivência

Para Dom Bienvenu Manamika Bafouakouahou, bispo de Dolisie (República do Congo), o Sínodo é “uma espécie de lançamento em órbita”. Os bispos, disse ele, são como satélites que enviam sinais aos jovens da terra. O Sínodo tem sido um caminho no convívio. O Papa Francisco, explicou o prelado, com sua presença, “nos encorajou a trazer o que estava borbulhando em nossos corações”. E os jovens, acrescentou Dom Bafouakouahou, “nos rejuvenescem através de seus pronunciamentos”.

Sonhos e visões

Padre Antonio Spadaro, diretor da revista “La Civiltà Cattolica”, destacou que os sonhos dos idosos abrem aos jovens as portas do futuro: “Para o Papa – afirmou – entrou na alma um versículo do Profeta Joel e percebeu que se os idosos não sonham, os jovens não podem ver o futuro”. O Sínodo “é um modo de ser e de agir da Igreja”. A participação do povo de Deus na vida da Igreja, explicou ele, é um elemento essencial.

A sabedoria do tempo

O sacerdote jesuíta também recordou que, à tarde, o Papa Francisco encontrou jovens e idosos de diferentes países no Salão Nobre do Augustinianum, em Roma. A ocasião é a apresentação do livro “Francisco. A sabedoria do tempo. Em diálogo com o Papa Francisco sobre as grandes questões da vida”.
O livro, organizado pelo diretor da Civiltà Cattolica, contém 250 entrevistas realizadas em mais de trinta países. Os anciãos relatam suas experiências aos jovens. O livro, disse o padre Spadaro, nasceu de uma intuição do Papa: como observado por Francisco no prefácio, “precisamos de avós sonhadores e memoriosos”.

Que a Igreja seja uma comunidade acolhedora

O cardeal Luis Antonio G. Tagle, arcebispo de Manila, declarou então que “a Igreja deve ser sempre acolhedora”. Uma comunidade “que considera sempre a humanidade de todos e está sempre presente ao lado de todos”.

“O olhar humano da Igreja para as pessoas, independentemente de sua orientação sexual – acrescentou ele – estava muito presente nas discussões”. “A minha sensação – disse o purpurado – é que os temas do mundo LGBT estarão presentes no documento final”.
Este Sínodo, acrescentou, foi uma escola. “Os jovens – também sublinhou o arcebispo de Manila – ensinaram muito”. “Devemos partir dos jovens e de suas experiências concretas, depois se vai à pesquisa”.

Ouvir as vozes das mulheres

Respondendo a uma pergunta sobre o quanto a voz das mulheres era ouvida pelos padres sinodais, o cardeal Tagle disse: “Em meu Círculo Menor, percebemos que a força da sabedoria que vem das mulheres deve ser ouvida.” “Houve propostas muito concretas que se referiam também à necessidade de ter mais em conta as figuras das mulheres presentes nas Sagradas Escrituras, para usá-las como figuras interpretativas das experiências dos jovens e lançar uma nova luz sobre elas.”

Uma fonte de inspiração

O cardeal Charles Maung Bo, Arcebispo de Yangon (Myanmar), disse que o Sínodo “tem sido uma fonte de inspiração” que impele os pastores da Igreja a se perguntarem: o que devo fazer pelos jovens de hoje? Concentrando-se nos jovens, disse o cardeal Bo, toda a Igreja “evolui no caminho certo”. “Espero – sublinhou o purpurado – que cada diocese siga as recomendações do Papa; espero uma infinidade de frutos do Sínodo”.

Apresentado o esboço do documento final

Por fim, o Prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, recordou que hoje foi entregue aos Padres Sinodais o projeto do documento final. O texto também foi brevemente ilustrado na Sala do Sínodo.

Amanhã de manhã e à tarde, anunciou por fim Ruffini, os Padres Sinodais poderão propor acréscimos ou modificações. O documento será então entregue ao Papa.

papa_231018

Ódio entre culturas preparam a 3ª Guerra Mundial, alerta o Papa

Na tarde desta terça-feira, 23 de outubro, na última semana da Assembléia geral do Sínodo dos Bispos, o Papa Francisco encontrou jovens e idosos de diferentes países no Salão principal do Instituto Augustinianum, ao lado do Vaticano. A ocasião foi oferecida pela apresentação do livro “Francisco, a Sabedoria do tempo, em diálogo com o Papa Francisco sobre as grandes questões da vida”.

O encontro teve início com a projeção do vídeo “Faces of Wisdom” (“Rostos da Sabedoria”) e a apresentação dos cantos do Coral da Diocese de Roma, dirigido pelo Maestro Marco Frisina.

Tomaram a palavra a seguir Dom Ulloa Mendieta, arcebispo do Panamá e Presidente da Comissão organizadora da JMJ 2019, e o Padre Antônio Spadaro, diretor da revista dos Jesuítas “La Civiltà Cattolica”.

Com a chegada do Papa Francisco, começaram a ser feita a ele perguntas de um grupo de jovens e idosos provenientes da Colômbia, Itália, Malta e Estados Unidos. Entre os interlocutores do Papa também o cineasta Martin Scorsese.

“O que eu faço quando vejo que o Mediterrâneo é um cemitério? Eu digo a verdade, sofro, rezo e falo. Não devemos aceitar este sofrimento. Não, isto não está certo”, disse Francisco ao responder à pergunta de uma idosa.

“Hoje existe a Terceira Guerra Mundial em pedaços. Olhem para os locais dos conflitos: falta de humanidade, agressão, ódio entre culturas e tribos, também uma deformação da religião, este é o caminho do suicídio, semear ódio. É um preparar a Terceira Guerra Mundial que está em andamento aos pedaços e acredito não exagerar nisto. Dizer isto aos jovens!”.

O Pontífice disse ainda: “Me vem em mente a profecia de Einstein: a quarta guerra mundial será feita com pedras e bastões, porque a terceira destruirá tudo. Semear ódio, violência e divisões é um caminho de destruição, suicídio. Pode-se fazer isto por muitos motivos. Aquele jovem do século passado, fez uma limpeza com a pureza da raça, com os migrantes. Acolher os migrantes é um mandamento bíblico, porque você foi migrante no Egito. Depois a Europa foi feita de migrantes. As culturas se misturaram. Devemos retomar, antes de um julgamento, a nossa história européia. Eu sou filho de um migrante que foi à Argentina. Migrantes, recebidos com o coração e porta aberta. Mas o fechamento é o início do suicídio”.

O Pontífice também alertou para os populismos: É importante que os jovens saibam como nasce um populismo. Penso em Hitler no século passado, que havia prometido o desenvolvimento da Alemanha. Sabemos como começam os populismos: semeando o ódio. Não se pode viver semeando ódio.