Notícias - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Uma das figuras mais importantes na vida de uma pessoa

10/05/2000

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Uma das figuras mais importantes na vida de uma pessoa é, sem dúvida, a de nossa mãe. Costuma-se fazer muito enfeite literário e sonoro em torno do tema das mães no segundo domingo de maio. Cuidado com os exageros!

Recentemente, as grandes telas de cinema exibiram um instigante filme sobre o relacionamento de um filho com sua mãe. O título do filme era Je suis heureux que ma mère soit vivante (Feliz que minha mãe esteja viva). Não vou contar todos os pormenores do filme, sobretudo seu surpreendente desfecho.

Trata-se da historia de um menino adotado chamado Thomas. Sim, um casal adota dois garotos seguindo todos os procedimentos legais. Desde a adolescência, o mais velho, Thomas, quer encontrar a verdadeira mãe. O mais novo vive sua vida. É indiferente ao fato. Sente-se filho do casal que o adotara. Thomas agride violentamente os pais e idealiza sua mãe biológica. Chega mesmo a se tornar violento em casa e seus pais adotivos precisam colocá-lo num internato. Thomas, tenaz e persistente, procura a mãe… Dirige-se a cartórios de registros e coisa parecida. Conta com a simpatia de uma funcionária que facilita as coisas. Ele encontra a mãe. Quando chega à casa dela esta não o reconhece. Thomas sofre e sofrerá até o fim da película. Depois toma coragem e há o reencontro com a verdadeira mãe, encontro e encontros marcados com traços de incesto. Thomas não admite que sua mãe o tenha deixado. Esse pouco afeto da mãe marcará sua vida para sempre. Tem ciúmes da mãe que teve um filho com outro homem. Sente-se mais pai do que irmão do menininho que a mãe teve com outro homem… e assim. Quem puder veja o filme.

A figura da mãe é importantíssima na vida de uma criança. Não podemos defender uma espécie de “moda” de se ter filho fora do casamento porque a criança crescerá na insegurança. Não se pode simplesmente entregar o filho à avó da criança. Uma criança que se dá conta que ela ocupa um lugar muito pequeno na vida da mãe cresce com insegurança. Mesmo com o trabalho fora de casa, a mãe será forte presença na vida do filhos.

Na medida do possível ( e do impossível), as mães precisam ficar com seus filhos. Claro, que o pai também. Quero dizer: não entregar seus filhos à assistência pública.

Compreende-se que uma criança tenha a curiosidade, e mesmo o direito, de conhecer seus pais biológicos. O tema da adoção é extremamente complexo. Temos um mundo de crianças soltas por ai, sem família, sem pai, sem mãe, sem lençóis passados e cheirosos, sem brinquedo, sem natal. A generosidade de um casal que adota uma criança será inscrita no coração de Deus. Mas, para que tal se dê com todo acerto será preciso prudência, cautela e adultos capazes de desculpar agressões e investidas violentas.

O filme em questão mostra este aspecto de forma cruel. Mostra também, com o evoluir psicológico de Thomas, como ele aprendeu a ser adulto, sobretudo com a mãe adotiva. Encanta-nos ver os dois comendo à mesa. O pai adotivo é internando numa clínica de repouso. Esse homem que havia comido o pão que o diabo amassou na adolescência do menino é tratado por Thomas com carinho e todo respeito. Os pais adotivos conquistaram o coração do filho que veio um outro ventre. Assim, é a vida.

A mãe é presença importante em todas as existências. Ela se faz proteção, olha no fundo dos olhos do filho, adivinha seus sentimentos, pressente violência e dor em seu interior, é capaz de amar até o fim. Sem querer que as mães sejam figuras acabadas de dedicação, espera-se que o coração da mãe seja mais generoso do que outros corações.

A arte é saber amar, sem prender. É acolher, para enviar. É saber que o filho tem que voar com asas próprias. É facilitar todos os ensaios do ir pelo mundo, do deixar pai e mãe… Amar até o fim e respeitar até o fim a autonomia do outro. A mãe é mãe até o fim… sobretudo quanto sabe que está morrendo e aperta pela última vez a mão do filho…

Parece-me importante que os filhos possam ver em sua mãe uma amiga de Deus. A mãe não será carola, piegas. O filho gosta de ver que sua mãe saboreia os salmos, que ela se coloca em oração serena desfiando as contas do rosário ou passando instantes diante do Santíssimo. As mães, com a habilidade de mãe, convidam os filhos a estarem junto dela num momento de oração singela, breve, densa e verdadeira. Os filhos não querem mães embonecadas e empetecadas, mas mulheres fortes capazes de abrir as portas de sua vida aos que mais precisam. Quem ver nas mães traços da Mãe de Jesus.

O filho espera que a mãe seja muito companheira do pai. Gosta de vê-los juntos, de vê-los conversando, planejando, sendo profundamente unidos. Gostam também quando os dois são de Deus. Repito, não com carolice e devocionalismo não sadio.

Muitos mais se poderia dizer sobre o tema. Há mães que hoje carregam a pesada cruz de filhos nas drogas, no narcotráfico, nas penitenciárias.

O tema das mães é sempre um belo tema. Mas não basta apenas festejá-lo com musiquinhas e palavras gastas. Somos profundamente gratos a nossas mães, rezamos por aquelas que partiram. Os que ainda têm a ventura de terem perto deles sua mãe que a tratem com fineza, cortesia, gratidão.

Frei Almir Ribeiro Guimarães