Vocacional - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Um cristianismo sem Cristo

04/02/2021

                                                                                                        Imagem ilustrativa: Pinterest

Vivemos um cristianismo sem Cristo…

Frei Josielio da Silva Oliveira, OFM

Estacionamos em nossas verdades egocêntricas e, em nome de nosso “bem-estar espiritual”, executamos uma guerra sentados no cômodo sofá de nossas casas. Destilamos ódios, julgamos a Igreja e seus representantes, pregamos conversão para os outros, enquanto tirando Deus de seu trono e de sua glória, usurpamos seu lugar e, como deuses, ditamos as normas para que os outros sejam bons cristãos!

Satanás, em seu orgulho, também quis usurpar o lugar que pertencia exclusivamente a Deus! Pergunto então a cada um de nós e a mim mesmo, em que somos melhores que ele e digo que, ele sendo um Anjo de Luz, se sentiu no direito de ditar os desígnios de seu Criador e ser maior que Ele; e nós, sendo apenas homens, falhos e limitados, já queremos ditar tantas verdades que criamos em nossa autoafirmação, verdades essas que acreditamos ser em nome de um Deus que nada mais é do que um eco de nossas próprias vontades e ações! O Deus de um cristão sem Cristo está morto. Foi assassinado por esses para que deixasse de “ser fraco”, pois pregava o amor e isso era um risco para os “cristãos”.

Oprimimos o nosso semelhante, o matamos, seja espiritual ou existencialmente, tirando-lhe a dignidade de humanos e amados, não nos abrimos à acolhida aqueles que nos cercam e ainda nos dizemos cristãos! Esquecemos que o Deus que servimos (ou que deveríamos servir!) é um Deus-conosco, sofredor e humilde e que querendo caminhar com seu povo, nasceu em uma gruta, tendo por testemunhas os animais que ali se abrigavam, a Virgem Mãe e seu esposo José, homem justo e temente a Deus e que teve como trono de glória uma rude cruz.

O Filho de Deus foi crucificado por caminhar guiado pela misericórdia, o cuidado aos mais sofredores e tendo como alicerce para seus atos, a Lei do Amor, ditada pelo Pai celestial. Deus assim nos mostra que seguir seus passos é deixar-se dominar pelo Amor, porque Ele mesmo é Amor! O resto é apenas nosso desejo de poder, de reconhecimento por alguma obra ou ato meramente humano e para conseguir a glória aqui na terra, para conseguir reconhecimento diante dos homens, mesmo que tenha de guerrear contra Deus, em nome d’Ele… Que contradição macabra estamos vivendo!

Imersos em nosso egocentrismo, nos tornamos rasos e incapazes de absorver a dor do outro em nós ou de servi-lo com a solicitude de Cristo, na opção pelos pobres de nosso tempo. O que está diante de nossos olhos, o externo não mais nos afeta, e isso porque o nosso olhar e nosso foco estão voltados para nosso próprio umbigo. Se exercer um ato de amor dói, não pode ser bom; se exige esforço e luta também não pode ser bom! Uma fé vivida no conforto de nosso egoísmo é uma ofensa ao modo de tantos cristãos e santos que testemunharam Cristo em nossa Igreja! Com o pretexto de que os tempos mudaram e a Igreja tem se se adaptar a essa mudança, vamos colocando o que é do mundo dentro de uma experiência de fé que ultrapassa nossa limitada humanidade, pois nasce do lado aberto de Jesus em uma cruz!

Francisco de Assis, na Regra e Forma de vida dos Frades Menores (e porque não dizer, a forma de vida para todos os cristãos?), exorta e nos explica o caminho a seguir, e começa seu pedido “Em Nome do Senhor”:

“A Regra e vida dos Frades Menores é esta: observar o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem propriedade e em castidade. Frei Francisco promete obediência e reverencia ao Senhor Papa Honório e seus sucessores canonicamente eleitos e à Igreja Romana. E os demais irmãos estejam obrigados a obedecer a Frei Francisco e seus sucessores”. (RB 1, 1-4)

Assim, imbuídos do Espírito do Senhor e seu santo modo de operar, avaliemos nossas posturas, nossas vontades rebeldes e diante de nosso compromisso, busquemos imitar a Cristo nas pegadas de Francisco, vivendo a plenitude do que prometemos a Deus, diante de nossos votos e diante do povo; sejamos testemunhos, sal da terra e luz do mundo. Não erramos quando estamos em obediência à Santa Igreja e ao sucessor legítimo de Pedro, o nosso querido Papa Francisco. Que o Bom Deus nos dê forças para professarmos como nunca antes visto, a nossa fé e a nossa dignidade de cristãos pautados em Cristo e não nas fraquezas e enganos do mundo. Sejamos cristãos em obras, palavras e testemunho e não repetidores de uma religião que vive o cristianismo sem Cristo!

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