Vocacional - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

O estudo na orientação espiritual

22/04/2021

 

O estudo em latim studium significa empenho, esforço, o trabalho para alcançar um fim. No entanto, quando falamos da orientação espiritual, diferenciando-a da terapia, acentuamos o seu caráter receptivo. A atitude de empenho, esforço e trabalho conota atividade. A atitude de recepção conota passividade. Como, pois, entender a ação da orientação espiritual, como viemos refletindo até agora, dentro desse binômio ativo-passivo?

O espiritual não é nem ativo nem passivo. Ele é antes um movimento sui generis, próprio da dinâmica anterior a essa divisão bipartida. Digamos, é uma ação própria. A sua dinâmica é expressa na língua grega na forma medial do verbo. Em português, o verbo, a palavra que indica a ação, tem a sua forma ativa, passiva, mas não tem a forma medial. Em certas situações, em português, esse modo de ser do medial é expresso ou no intransitivo ou na forma reflexiva ou mesmo na forma passiva. Como já foi dito, o modo de ser da ação do verbo medial não é nem ativo nem passivo. Não seria, porém, um meio termo, uma mistura meio a meio, neutra. Seria antes uma dinâmica toda própria, um médium atuante, anterior à divisão em disjunção ativo e/ou passivo. Usualmente, quando falamos de ação e atuação, representamos alguém ou algo causando uma força sobre um alguém ou um algo. Assim, quem causa uma ação e a própria força atuante são ativas; quem ou o que recebe, padece ou sofre a ação é passivo. Quando quem age (o ativo) atua sobre si mesmo (o passivo), se dá o reflexivo: o agente é ao mesmo tempo o paciente, mas, aqui, o agente enquanto ativo e o paciente enquanto passivo não coincidem. Aqui o ser da iteração entre ativo e passivo e reflexivo é de tal feitio que é sempre unidirecional, uma linha reta a modo de flecha. O modo de ser da ação do verbo medial não pode ser captado, reduzindo-o à unidirecionalidade de flecha na iteração ativo-passivo-reflexivo, mas captando-o, vendo-o a ele mesmo, de imediato. O que ali aparece de imediato é o que está dito no verbo ser. Tudo que é se diz em português: o ente. Ente, no latim, ens, -tis é o particípio ativo indicativo do verbo esse (ser) e diz a ação de ser, a dinâmica de ser. Por isso, para que, ao usarmos os termos ente, ser, seres, essa dinâmica do medial não seja esquecida, podemos dizer em vez de o ente, o em sendo, em gerundivo. O abuso do gerúndio, na forma em <…>ndo é um recurso de linguagem que tenta insistir na consideração de que é necessário captar esse modo de ser da ação medial sui generis nele mesmo. Esse captar imediato de ser da ação medial seria muito simples, por ser imediato e, imediato, por ser simples. Só que o imediato e o simples não podem ser percebidos no seu ser, a não ser que a percepção, ou melhor, a recepção seja imediata e simples, a saber, pele a pele, de todo em todo, cada vez de uma vez. O modo medial de ser ação pede a captação imediata dessa “realidade”, antes da sua divisão e classificação em sujeito, objeto, ato, em ativo, passivo e reflexivo, de tal sorte que a ação ou ato é “anterior” a sujeito e objeto, é a dinâmica do todo, em sendo. Esse modo de ser imediato e simples deve se tornar centro de nossa atenção, quando falamos do espiritual.

A maneira de o ente, o em sendo, se nos tornar presente se chama fenômeno.

 

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