Fraternidade do Convento Santo Antônio se despede de Francisco de Assis com gratidão

31/08/2023

A Celebração Eucarística desta quarta-feira, às 12 horas, marcou a despedida do colaborador Francisco de Assis Felizardo, depois de 45 anos e 10 meses de serviços prestados ao Convento Santo Antônio do Largo da Carioca (RJ). Seu Chico, como é conhecido e querido por todos, recebeu sinceras homenagens dos frades pela bela missão que exerceu com total fidelidade. Na Celebração, presidida pela Fraternidade – Frei Walter Ferreira Junior, o guardião; Frei Gustavo Wayand Medella, o Vigário Provincial; Frei Anselmo Fracasso, Frei Cláudio César Broca da Siqueira, Frei Guido Scottini, Frei Neylor José Tonin e Frei José Pereira – estavam presentes a mulher Deise e o filho Décio, além de seus amigos e colaboradores do Convento.

Em nome da Província Franciscana da Imaculada Conceição, Frei Gustavo agradeceu primeiro a esposa e filho. “Que Deus os ilumine e os conduza. Muito obrigado por terem emprestado o pai e o esposo por tanto tempo”, disse.  “Tenho certeza que, o Chico sendo para vocês o que foi para nós aqui, também são felizardos. Parabéns, em nome da nossa Província e da Ordem Franciscana. O Chico até recebeu uma bênção assinada pelo Ministro Geral quando completou 45 anos de casa. E essa é a nossa gratidão que permanece. Mais do que o reconhecimento de um documento ou de um dia bonito, fica essa gratidão, a qual nós renovamos e lembramos de você e do quanto importante, bonita, foi sua presença entre nós”, completou o Vigário Provincial.

“Hoje, a sua presença, a história, a dedicação, o serviço, ficam para nós como mensagem eloquente da simplicidade, da entrega, da fidelidade do Francisco, porque felizardo somos nós todos”, disse Frei José Pereira, que foi guardião do Convento por dez anos. “Nós não elogiamos a pessoa, nós agradecemos a Deus o privilégio desse presente que você sempre significou pelo seu silêncio, pela sensibilidade, pela fé. Por tudo aquilo que inspirou também a vida desta fraternidade. Por isso, Francisco, diante de Deus, queremos dizer obrigado”, enfatizou, destacando a dedicação, sempre “muito expressiva e eloquente na sua vida e na vida de nossos confrades neste Convento de Santo Antônio”.

Frei Anselmo lembrou que já estava há 16 anos no Convento quando Francisco chegou em 1977. “Nunca ele teve problemas com uma pessoa, e ninguém teve esse problema com ele. Ele foi fiel funcionário, prestativo, dedicado, generoso, disponível, pronto para tudo fazer. Nós temos muito que agradecer sua presença, o seu trabalho, o seu bom exemplo. Você vai partir, mas a distância separa os corpos, mas não separa o espírito, o carinho, a amizade e a gratidão. Onde você estiver, estaremos espiritualmente sempre com você, Francisco. Você vai partir e vai deixar saudade. Saudade é o amor que permanece para sempre. Portanto, nosso carinho, nossa amizade. Que Deus lhe recompense por tudo que nos fez, juntamente com sua esposa Deise e seus quatro filhos”, homenageou Frei Anselmo.

Frei Neylor destacou o serviço de Francisco, que marcou a história da fraternidade deste convento no centro da cidade do Rio de Janeiro: “E você marcou com amor, sorrisos e alma. E nessa alma de todos nós, estão escritas duas palavras: muito obrigado!”.

“Quando você nasceu, recebeu um nome bonito: Francisco de Assis. E você tem um espírito franciscano”, constatou Frei Guido. “São Francisco de Assis, entre as múltiplas virtudes, tinha três que me encantam: simplicidade, serviço e desprendimento. E você encarna essas virtudes. Você sempre foi uma pessoa disponível, sempre pronto para atender, por isso você sempre me encantou como pessoa. Que Deus lhe conceda a graça de continuar nesta simplicidade e disponibilidade, porque você é um homem de bem e um homem de bem só semeia coisas boas”, completou Frei Guido.

Aos 62 anos, seu Chico é o funcionário mais antigo do Convento, ou como ele mesmo diz, a sua segunda casa. Faltavam quatro dias para completar 18 anos quando o guardião Frei Hugo Baggio o convidou para trabalhar no convento. Ele aceitou prontamente. “Meu irmão trabalhava aqui e, durante as festas eu vinha ajudar a encher as garrafinhas de água benta. Foi, então, que ele me perguntou se queria trabalhar aqui. Disse que sim e ele respondeu: ‘Pode ficar’. Desde então, estou aqui”, contou Seu Chico, que faz os serviços gerais do Convento.

Ele lembra de todos os seus superiores, enumerando um por um os guardiães que conheceu nestes 41 anos: além de Frei Hugo, Frei Gabriel da Veiga, Frei Edgard Weiss (que ficou 12 anos), Frei José Pereira (nove anos), Frei Ivo Theiss, Frei Clarêncio Neotti, Frei Ivo Müller e Frei Walter Ferreira Junior, o atual guardião. “Gostei de trabalhar com todos. Entrei aqui muito jovem, mas com o tempo comecei a gostar e a valorizar tudo o que faço. Aprendi, aqui, que o trabalho de faxineiro é tão importante como o de um doutor”, revela Francisco. Essa convivência o fez terminar o Ensino Médio e cursar Teologia e fazer dois anos de educação religiosa num colégio de freiras. “É muito bom trabalhar com os frades. Estou sempre aprendendo. Até o curso de alemão eu fiz com Frei Cláudio Guski”, contou.

“Com o tempo conheci mais a história e o significado desse patrimônio no Rio de Janeiro. Antes não tinha noção do que era um patrimônio. Com o tempo aprendi a amar esta casa. Considero aqui uma segunda casa e os frades como minha família. Tenho amor à casa, aos frades e ao trabalho”, acrescenta.

Casado há 34 anos e pai de 4 filhos, Seu Chico mora em São João de Meriti e afirma com todas as letras: “Eu sou franciscano”. “Quando tinha 18 anos, coloquei um hábito e participei de um coral dos frades para o ‘Fantástico’ da Rede Globo. Cantei em latim. As pessoas pensavam que eu era frade. Outros achavam que eu não iria casar e me tornaria frade”, recorda. Para ele, embora trabalhe na “casa” de Santo Antônio, seu predileto é São Francisco. “Ele é o fundador da Ordem Franciscana. Antônio é o seu discípulo. Tenho mais proximidade com São Francisco”, revela. Dos frades, tem proximidade com Frei Anselmo Fracasso, que é deficiente visual e vive no Convento muito antes de ele começar a trabalhar. “Sempre acompanhava Frei Anselmo, principalmente quando viajava muito. Agora, devido à idade, ele não viaja mais”, disse. Para ele, gerações de frades da Província passaram pelo Convento e de todos guarda boas recordações, como cita Frei Olavo Seifert, o frade centenário da Província.

Bastante emocionado, ele contou que nos últimos dias esteve com o coração apertado. Ele agradeceu aos fiéis que vêm ao Convento e aos companheiros de trabalho, que “não os chamo de colegas, mas de amigos”, disse. “Eu agradeço a todos os frades que me receberam desde 1977. Frei Hugo me deu a chave desta casa para eu trabalhar e agora estou entregando a mesma chave para o superior desta casa, Frei Walter. Agradeço muito ao Frei Walter: entrei com alegria e sairei com alegria pela mesma porta. Eu vou para casa, mas levarei todos vocês no meu coração”, completou, frisando toda sua gratidão aos frades.


Moacir Beggo e Frei Gustavo Medella (fotos)

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