Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

“Gratidão” é a palavra ouvida no encerramento do Postulantado

10/12/2020

Moacir Beggo

 Guaratinguetá (SP) – A etapa do Postulantado na Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil é feita durante um ano no Seminário Frei Galvão, em Guaratinguetá. Nesta segunda-feira (07/12), véspera da solenidade da Imaculada Conceição de Maria, com a Celebração Eucarística, às 11 horas, presidida pelo Vigário Provincial, Frei Gustavo Medella, chegou ao fim esta etapa formativa franciscana.

De forma simples e carregada de gratidão, a Santa Missa reuniu os frades, os sete postulantes e os colaboradores do Seminário e depois na confraternização do almoço festivo. Segundo o postulante Felipe Luiz Mendonça, que fez a acolhida de todos, foi o encerramento de um ano atípico, não só pela questão da pandemia, mas por uma prática esquecida por nós: a cultura do encontro. “Desse ano, o que fica para nós e aquilo que deve ser o sinal de todos os cristãos no mundo é o amor”, disse.

Frei Medella lembrou que a celebração era um encontro de ação de graças. “De agradecimento pelo ano de 2020 que transcorremos nesta caminhada aqui nesta casa, Seminário Frei Galvão e Fraternidade São José, da qual todos nós somos parte integrante”, observou. O mestre Frei Walter de Carvalho Júnior também reforçou: “Estamos celebrando ação de graças pelo ano de Postulantado que concluímos hoje”.

Frei Medella, a partir das leituras bíblicas, incentivou e animou os postulantes que agora terão as férias com os familiares e depois, no dia 5 de janeiro, iniciarão uma outra etapa na vida religiosa franciscana: o Noviciado.

Comentando a primeira leitura, do livro do Profeta Isaías, cap. 35, versículos de 1 a 10, Frei Medella sugeriu que busquem esse texto na internet, imprimam e andem com ele no bolso. “E quando estiverem chateados, tristes, quando o cenário ao redor parecer um cenário de desesperança, olhem as belas promessas que o profeta nos faz da ação de Deus em nossa vida, pedindo-nos alegria, pedindo-nos a exultação, dizendo que germinam flores, dizendo que o que é difícil se torna fácil, que os caminhos tortos se tornam retos, e pede que criemos ânimo e não tenhamos medo que Deus está conosco, que Deus caminha conosco. Essa injeção de ânimo nós precisamos quando estamos amedrontados, tristes, desanimados, decepcionados e podemos perceber também de que maneira podemos dar a nossa contribuição para que um cenário de dificuldades se transforme num cenário de solidariedade”, chamou a atenção.

Segundo o frade, a indicação vem da leitura quando diz que as mãos fracas vão ser fortalecidas e os joelhos debilitados vão ser firmados, mas também podemos nos ajudar. “Alguém ou você já deve ter feito a experiência de ajudar alguém, uma pessoa com dificuldades de andar e se colocar em movimento. Por que o joelho dela se firma, um joelho que já passou por cirurgia, que está com a cartilagem gasta, que dói bastante? Por que a pessoa fica em pé? Porque o corpo que dá força para aquele joelho é você que está emprestando com o seu esforço e assim um vai ajudando o outro nesse caminho bonito para o qual o Senhor nos chama. Então, sempre que estivermos de baixo astral, meio contrariados, lembremos dessas palavras e dessas promessas que o Senhor nos faz”, acrescentou.

Já no Evangelho há uma cena bem interessante, segundo o frade. “Imagine a mão de obra daquele pessoal para conseguir fazer um doente com seu leito, com sua cama, subir até o telhado, passar entre as telhas para chegar até Jesus. Não foi, certamente, o caminho mais fácil, que seria pela porta, mas era o caminho possível naquela hora, em que a multidão não deixava passar os homens, o leito e o doente que eles carregavam. E aí fizeram daquele jeito. Tiveram que tirar telhas, bagunçar um pouco o esquema para poderem chegar a Jesus, chegarem a Deus. Ou seja, nem sempre chegamos a Deus pelos meios convencionais. Ou aqueles meios que nós esperamos. Mas a presença de Deus nos surpreende, até nos cenários de pecado, de profunda dor é ocasião de fazermos o nosso encontro com o Senhor”, ensinou.

Frei Medella, então, ilustrou com uma história real que viralizou na internet nesta semana. “É a história da ‘Deise do tombo’. Uma jovem lá do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, que passou a noite num show, em meio à pandemia, onde ‘tomou todas que podia’. Voltando para casa, com um copo de cerveja na mão, sendo filmada pela amiga, tentou se firmar numa parede, mas o que pensou ser a parede era um portão, que se abriu, e ela rolou escada abaixo, parando na casa de Da. Paula. Imagine o susto de Da. Paula com a Deise capotando na sala dela! Graças a Deus, a Deise não se machucou. E quem era Da. Paula? Uma vizinha que ela não conhecia ainda e uma senhora que estava passando uma dificuldade muito grande no tratamento de um câncer, além das dificuldades financeiras. E o que aconteceu com o tombo da Deise no sábado? Ela alcançou mais de 200 mil seguidores. No dia seguinte, quando ela estava sóbria, a mãe dela a fez ir à casa de Da. Paula e lá ficou sabendo que esta senhora estava com câncer. Para aproveitar a sua fama, ela fez uma vaquinha pela internet em favor de Da. Paula. Até ontem, ela tinha arrecadado 50 mil reais. E aí postaram a história no Instagram. A pessoa que postou disse: ‘Deise, eu não te conhecia até Deus usar de você para fazer o bem’. Então, num cenário onde a gente não imaginaria a ação de Deus, de repente acontece um gesto de comunhão, de bondade, de encontro, surpreendendo a todos nós. Que nós deixemos também nos surpreender por esta ação generosa de Deus a cada dia de nossa vida e jamais deixemos de agradecer a Deus por tanto bem que ele faz na nossa vida”, completou Frei Medella.

“VOCÊS DERAM O PRIMEIRO PASSO”

Frei Walter, no seu primeiro ano como mestre, falou com emoção do ano que terminou. “Logo nos primeiros meses, o ano tomou rumos inesperados pela questão sanitária. Nas sociedades, muitos morreram, muitos perderam seu sustento ordinário, muitos experimentaram a solidão do isolamento, muitos desesperaram. O Postulantado se adaptou à situação que se lhe impôs. Viu-se privado do contato com as pessoas da ‘comunidade e com os romeiros, não pode cultivar momentos evangelizadores, como os círculos bíblicos ou o estágio junto ao Sefras, mas, não podemos reclamar, fizemos várias outras coisas e conseguimos percorrer o caminho que nos era proposto, não sem tropeços, certamente, mas sempre com o norte maior a nos guiar. Obrigado a cada um de vocês: Raphael, Sandro, Ruan, Thiago, Caio, Felipe, Samuel”, disse, dirigindo-se a cada um dos postulantes.

“Hoje vocês não concluem nada, na realidade. Vocês deram, porém, um primeiro passo, e o fizeram com coragem, com disposição e alegria. Deram o primeiro passo na formação inicial da Ordem dos Frades Menores. O primeiro passo é importante. Os primeiros passos são importantes. Não dá para esperar um amanhã para começar a viver. No início se decide muito do que virá depois. Repito o que lhes disse no início do ano: o frade é um postulante permanente, é um noviço perseverante. Infeliz do frade que não recomeça sempre e não conserva a atitude de aprendiz e discípulo durante toda a vida. Ela poderá tornar-se pesada pela presunção de saber e de conhecer”, frisou.

Frei Walter não economizou nos agradecimentos à Fraternidade: “Obrigado, mais uma vez, a vocês, pela entrega diária e pela busca renovada de iniciar bem o caminho da vida franciscana que desejam abraçar. E me desculpem, pelas minhas falhas como formador. Obrigado aos confrades que compõem esta fraternidade formadora: Frei João Francisco, Frei Walter Hugo, Frei Claudino, Frei Virgílio, Frei Xandão, Frei Roberto, Frei Diego. Vocês são esteio, são apoio, são sustento.

Obrigado por tanta doação abnegada. Obrigado pela oblação de vida. Para alguns de vocês, inclusive, oblação de quase uma vida toda dedicada à formação dos que iniciam o caminho”, frisou.

“Não sei se todos vocês já ouviram dizer, mas a palavra postulante vem do verbo latino postulare, que significa pedir com insistência. O ano do Postulantado é assim o ano de um grande pedido. De um pedido insistente. Os postulantes pedem sim a esta fraternidade para serem recebidos na Ordem, mas pedem sobretudo a Deus, que os chamou, que os confirme nesse propósito e lhes conceda a graça da perseverança. E pedem também a si próprios, no sentido de um autoconhecimento, para verem as condições naturais e humanas que possam ter para empreender tal jornada”, destacou ainda, voltando a enumerar os agradecimentos aos colaboradores:

“Porém, este grande pedido que os postulantes fazem aqui nesta casa, não conta apenas com a ajuda dos frades aqui presentes. Conta também com a ajuda de vocês, colaboradores e professores. Vocês, ao desempenhar suas funções e trabalhos, contribuem para que esta casa cumpra com seu principal intento, que é justamente o da formação dos que nos procuram e pedem para juntarem-se a nós na mesma estrada do Evangelho.

Obrigado, Raquel, por ajudar com alegria os postulantes no autoconhecimento e pela caridade em conversar com eles individualmente várias vezes. E a você Marcelo, obrigado por os ajudar a gostarem da música e a apreciarem.

Obrigado, Beth e Elora, pelo delicioso alimento preparado a nós todos diariamente, chova ou faça sol.

Obrigado, Isabel e Isa, pela casa sempre limpa e arejada e pelas nossas roupas tão bem cuidadas.

Obrigado, João Bento e Vanderlei, pelos muitos reparos que vocês fazem e que deixam nossa casa mais em dia e pelo cuidado de nossos animais e plantações.

Obrigado, Giovanni e Nícolas, pelo competente e criativo trabalho na secretaria, na Comunicação e junto aos romeiros.

Obrigado, Fiinha, por sua presença carinhosa aqui nesta casa durante tantos anos, e pelas suas preces na intenção dos frades e postulantes.

Obrigado, enfim, a todos. Que Deus recompense a cada um pela generosidade e pelo bem realizado neste ano”, completou.

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