{"id":65131,"date":"2014-08-06T07:39:40","date_gmt":"2014-08-06T10:39:40","guid":{"rendered":"http:\/\/franciscanos.org.br\/?p=65131"},"modified":"2021-01-21T10:15:04","modified_gmt":"2021-01-21T13:15:04","slug":"as-ameacas-da-grande-transformacao-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/as-ameacas-da-grande-transformacao-ii\/","title":{"rendered":"As amea\u00e7as da Grande Transforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_187110\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-187110\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-187110 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/ecologia_2807.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/ecologia_2807.jpg 840w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/ecologia_2807-450x241.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/ecologia_2807-768x411.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/ecologia_2807-150x80.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><p id=\"caption-attachment-187110\" class=\"wp-caption-text\"><em>\u00a0 Imagem ilustrativa (fonte: Acervo Prov\u00edncia da Imaculada)<\/em><\/p><\/div>\n<p><strong>Leonardo Boff<\/strong> (*)<\/p>\n<p>A Grande Transforma\u00e7\u00e3o consiste na passagem de uma <em>economia<\/em> de mercado para uma <em>sociedade<\/em> de mercado. Ou em outra formula\u00e7\u00e3o: de uma sociedade <em>com <\/em>\u00a0mercado para uma sociedade s\u00f3 <em>de <\/em>mercado. Mercado sempre existiu na hist\u00f3ria da humanidade, mas nunca uma sociedade s\u00f3 de mercado. Quer dizer, uma sociedade que coloca a economia como o eixo estruturador \u00fanico de toda a vida social, submetendo a ela a pol\u00edtica e anulando a \u00e9tica. Tudo \u00e9 vend\u00e1vel, at\u00e9 o sagrado.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de qualquer tipo de mercado. \u00c9 o mercado que se rege pela competi\u00e7\u00e3o e n\u00e3o pela coopera\u00e7\u00e3o. O que conta \u00e9 o benef\u00edcio econ\u00f4mico individual ou corporativo e n\u00e3o o bem comum de toda umasociedade. Geralmente este benef\u00edcio \u00e9 alca\u00e7ado \u00e0s custas da devasta\u00e7\u00e3o da natureza e da gesta\u00e7\u00e3o perversa de desigualdades sociais. Nesse sentido, a tese de\u00a0 Thomas Piketty em <em>O capital no s\u00e9culo XXI<\/em> \u00e9 irrefut\u00e1vel.<\/p>\n<p>O mercado deve ser livre, portanto,\u00a0 recusa\u00a0 controles e v\u00ea o Estado como seu grande empecilho, cuja miss\u00e3o, sabemos, \u00e9 ordenar com leis e normas a sociedade,\u00a0 tamb\u00e9m o campo econ\u00f4mico e coordenar a busca comum do bem comum. A Grande Transforma\u00e7\u00e3o postula um Estado m\u00ednimo, limitado praticamente \u00e0s quest\u00f5es ligadas \u00e0 infra-estrutura da sociedade, ao fisco, mantido o mais baixo poss\u00edvel e \u00e0 seguran\u00e7a.Tudo o mais deve ser buscado no mercado, pagando.<\/p>\n<p>O g\u00eanio da mercantiliza\u00e7\u00e3o de tudo penetrou em todos os setores da sociedade: a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o, o esporte, o mundo das artes e\u00a0 do entretenimeno e at\u00e9 grupos importantes das religi\u00f5es e das igrejas.\u00a0 Estas incorporaram a l\u00f3gica do mercado: a cria\u00e7\u00e3o de uma massa enorme de consumidores de bens simb\u00f3licos, igrejas pobres em esp\u00edrito, mas ricas em meios de fazer dinheiro. N\u00e3o raro no mesmo complexo funciona um templo e junto a ele um shopping. Enfim, se trata sempre da mesma coisa: auferir rendas seja combens materiais seja com bens \u201cespirituais\u201d.<\/p>\n<p>Quem estudou em detalhe este processo avassalador foi\u00a0 um historiador da economia, o h\u00fangaro-norte-americano Karl Polanyi (1886-1964). Ele cunhou a express\u00e3o <em>A Grande Transforma\u00e7\u00e3o<\/em>,t\u00edtulo do livro escrito antes do final da Segunda Guerra Mundia em 1944. No seu tempo a obra n\u00e3o mereceu especial aten\u00e7\u00e3o. Hoje, quando suas teses se veem mais e mais confirmadas, tornou-se leitura obrigat\u00f3ria para todos os que se prop\u00f5em entender o que est\u00e1 ocorrendo no campo da economia com repercus\u00e3o em todos os \u00e2mbitos da atividade humana, n\u00e3o exclu\u00edda a religiosa. Desconfia-se que o pr\u00f3prio Papa Francisco tenha se inspirado en Polaniy para criticar a atual mercantiliza\u00e7\u00e3o de tudo, at\u00e9 do ser humano e \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>Essa forma de organizar a sociedade ao redor dos interesses econ\u00f4micos do mercado cindiu a humanidade de cima a baixo: um fosso enorme se criou entre os poucos ricos e os muitos pobres. Gestou-se uma espantosa <em>injusti\u00e7a social<\/em> com multid\u00f5es feitas descart\u00e1veis, consideradas \u00f3leo gasto, n\u00e3o mais interessante para o mercado: produzem irrisoriamente e consomem quase nada.<\/p>\n<p>Simultaneamente \u00e0 Grande Transforma\u00e7\u00e3o dasociedade em mercado criou tamb\u00e9m uma in\u00edqua <em>injusti\u00e7a ecol\u00f3gica<\/em>. No af\u00e3 de acumular, foram explorados de forma predat\u00f3ria bens e servi\u00e7os da natureza, devastando inteiros ecossistemas, contaminando os solos, as \u00e1guas, os ares e os alimentos, sem\u00a0 qualquer outra considera\u00e7\u00e3o \u00e9tica, social ou sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Um projeto desta natureza, de acumula\u00e7\u00e3o ilimitada, n\u00e3o \u00e9 suportado por um planeta limitado, pequeno, velho e doente. Eis que surgiu um problema sist\u00eamico, do qual os economistas deste tipo de economia, raramente se referem: foram atingidos os limites f\u00edsico-qu\u00edmicos-ecol\u00f3gicos do planeta Terra. Tal fato dificulta sen\u00e3o impede a reprodu\u00e7\u00e3o do sistema que precisa de uma Terra, repleta de \u201crecursos\u201d (bens e servi\u00e7os ou \u2018bondades\u2019 na lingugem dos ind\u00edgenas).<\/p>\n<p>A continuar por esse rumo, poderemos experimentar, como j\u00e1 o estamos experimentando, rea\u00e7\u00f5es violentas da Terra.Como\u00a0 \u00e9 um Ente vivo que se autoregula, reage para manter seu equil\u00edbrio afetado atrav\u00e9s de eventos extremos, terremotos, tsunamis, tuf\u00f5es e uma completa desregula\u00e7\u00e3o dos climas.<\/p>\n<p>Essa Transforma\u00e7\u00e3o, por\u00a0 sua l\u00f3gica interna, est\u00e1 se tornando biocida, ecocida e geocida. Destr\u00f3i sistematicamente as bases que sustentam a vida. A vida corre risco e a esp\u00e9cie humana pode, seja pelas armas de destrui\u00e7\u00e3o emmassa existentes seja pelo caos ecol\u00f3gico, desaparecer da face da Terra. Seria a consequ\u00eancia de nossa irresponsabilidade e da total falta de cuidado por tudo o que existe e vive.<\/p>\n<p>Analisamos no artigo anterior, as amea\u00e7as que nos traz a transforma\u00e7\u00e3o\u00a0\u00a0da economia de mercado em sociedade de mercado com a dupla injusti\u00e7a que acarreta: a social e a ecol\u00f3gica. Agora queremos nos deter em sua incid\u00eancia no \u00e2mbito da ecologia tomada em sua mais vasta acep\u00e7\u00e3o, no ambiental, social, mental e integral.<\/p>\n<p>Constatamos um fato singular: na medida em que crescem os danos \u00e0 natureza que afetam mais e mais as sociedades e a qualidade de vida, cresce simultaneamente a consci\u00eancia de que, na ordem de 90%, tais danos se tributam \u00e0 atividade irrespons\u00e1vel e irracional dos seres humanos,mais especificamente,\u00a0\u00a0\u00e0quelas elites de poder econ\u00f4mico, pol\u00edtico, cultural e medi\u00e1tico que se constituem em grandes corpora\u00e7\u00f5es multilaterais e que assumiram por sua conta os rumos do mundo. Temos, com urg\u00eancia, fazer alguma coisa que interrompa este percurso para o precip\u00edcio. Como adverte a Carta da Terra: \u201cOu fazemos uma alian\u00e7a global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscamos a nossa destrui\u00e7\u00e3o e a da diversidade da vida\u201d(Pre\u00e2mbulo).<\/p>\n<p>A quest\u00e3o ecol\u00f3gica, especialmente ap\u00f3s o Relat\u00f3rio do Clube de Roma em 1972, sob o t\u00edtulo \u201cOs Limites do Crescimento\u201d, tornou-se tema central da pol\u00edtica, das preocupa\u00e7\u00f5es da comunidade cient\u00edfica mundial e dos grupos mais despertos e preocupados pelo nosso futuro comum.<\/p>\n<p>O foco das quest\u00f5es se deslocou: do crescimento\/desenvolvimento sustent\u00e1vel (imposs\u00edvel dentro da economia de mercado livre) para a sustenta\u00e7\u00e3o de toda a vida. Primeiro h\u00e1 que se garantir a sustentabilidade do planeta Terra, de seus ecossistemas, das\u00a0\u00a0condi\u00e7\u00f5es naturais que possibilitam a continuidade da vida. Somente garantidas estas pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es, se pode falar em sociedades sustent\u00e1veis e em desenvolvimento sustent\u00e1vel ou de qualquer outra atividade que queira se apresentar com este qualificativo.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o dos astronautas refor\u00e7ou a nova consci\u00eancia. De suas naves espaciais ou da Lua se deram conta de que Terra e a Humanidade formam uma \u00fanica entidade. Elas n\u00e3o est\u00e3o separadas nem justapostas. A Humanidade \u00e9 uma express\u00e3o da Terra, a sua por\u00e7\u00e3o consciente, inteligente e respons\u00e1vel pela preserva\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es da continuidade da vida. Em nome desta consci\u00eancia e desta urg\u00eancia, surgiu o princ\u00edpio\u00a0\u00a0responsabilidade (Hans Jonas), o princ\u00edpio cuidado (Boff e outros), o princ\u00edpio sustentabilidade (Relat\u00f3rio Brundland), o princ\u00edpio interdepend\u00eancia, o princ\u00edpio coopera\u00e7\u00e3o (Heisenberg\/Wilson\/Swimme\/Morin\/Capra)e o princ\u00edpio preven\u00e7\u00e3o\/precau\u00e7\u00e3o (Carta do Rio de Janeiro de 1992 da ONU), o princ\u00edpio compaix\u00e3o (Schoppenhauer\/Dalai Lama) e o princ\u00edpio Terra (Lovelock e Evo Morales).<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o ecol\u00f3gica se complexificou. N\u00e3o se pode reduzi-la apenas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. A totalidade do sistema mundo est\u00e1 em\u00a0\u00a0jogo. Assim surgiu uma ecologia\u00a0<em>ambiental<\/em>\u00a0que tem como meta a qualidade\u00a0\u00a0de vida; uma ecologia\u00a0<em>social<\/em>\u00a0que visa um modo sustent\u00e1vel de vida e uma sobriedade compartida (produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o, consumo e tratamento dos dejetos); uma ecologia\u00a0<em>mental<\/em>\u00a0que se prop\u00f5e erradicar preconceitos e vis\u00f5es de mundo, hostis \u00e0 vida e\u00a0\u00a0formular un novo\u00a0<em>design\u00a0<\/em>civilizat\u00f3rio, \u00e0 base\u00a0\u00a0de princ\u00edpios e de valores para uma nova forma de habitar a Casa Comum; e por fim uma ecologia\u00a0<em>integral<\/em>\u00a0que se d\u00e1 conta que a Terra \u00e9 parte de um universo em evolu\u00e7\u00e3o e que devemos viver em harmonia com o Todo, uno, complexo e perpassado de energias que sustentam a vitalidade da Terra e carregado de prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>Criou-se destarte uma grelha te\u00f3rica, capaz de orientar o pensamento e as pr\u00e1ticas amig\u00e1veis \u00e0 vida. Ent\u00e3o, torna-se evidente\u00a0\u00a0que a ecologia mais que uma t\u00e9cnica de gerenciamento de bens e servi\u00e7os escassos representa uma arte, uma nova forma de relacionamento com a vida, a natureza e a Terra e a descoberta da miss\u00e3o do ser humano no\u00a0\u00a0processo cosmog\u00eanico e no conjunto dos seres: cuidar e preservar.<\/p>\n<p>Por todas as partes do mundo, surgiram movimentos, institui\u00e7\u00f5es, organismos,\u00a0\u00a0ONGs, centro de pesquisa, cada qual com sua singularidade: quem se preocupa com as florestas, quem com os oceanos, quem com a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, quem com as esp\u00e9cies em extin\u00e7\u00e3o, quem com os ecossistemas t\u00e3o diversos,\u00a0\u00a0quem\u00a0\u00a0com as \u00e1guas e os solos, quem com as sementes e a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica. Dentre todos estes movimentos cabe enfatizar o\u00a0<em>Greenpeace<\/em>\u00a0pela persist\u00eancia e coragem de enfrentar, sob riscos, aqueles que amea\u00e7am a vida e o equil\u00edbrio da M\u00e3e Terra.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria ONU criou uma s\u00e9rie de institui\u00e7\u00f5es que visam acompanhar o estado da Terra. As principais s\u00e3o o PNUMA (Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente), a FAO (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a alimenta\u00e7\u00e3o e a agricultura), a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial para a Sa\u00fade), a Conven\u00e7\u00e3o sobre a Biodiversidade e especialmente o IPPC (Painel Intergovernamental para as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas) entre outras tantas.<\/p>\n<p>Esta Grande Transforma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia opera uma complicada travessia, necess\u00e1ria para fundar um novo paradigma, capaz de transformar a eventual trag\u00e9dia ecol\u00f3gico-social numa crise de passagem que nos permitir\u00e1 um salto de qualidade rumo a um patamar mais alto de rela\u00e7\u00e3o amistosa, harmoniosa e cooperativa entre Terra e Humanidade. Se n\u00e3o assumirmos esta tarefa, o futuro comum estar\u00e1 amea\u00e7ado.<\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/strong>Para pormos em curso outro tipo de Grande Transforma\u00e7\u00e3o que nos devolva a sociedade com mercado e elimine a delet\u00e9ria sociedade unicamente de mercado, precisamos fazer algumas travessias improsterg\u00e1veis. A maioria delas est\u00e1\u00a0\u00a0em curso mas elas precisam ser refor\u00e7adas. Importa passar:<\/p>\n<p>&#8211; do paradigma Imp\u00e9rio, vigente h\u00e1 seculos\u00a0\u00a0para o paradigma Comunidade da Terra;<\/p>\n<p>&#8211; de uma sociedade industrialista que depreda os bens naturais e tensiona as rela\u00e7\u00f5es sociais para uma uma sociedade de sustenta\u00e7\u00e3o de toda a vida;<\/p>\n<p>&#8211; da Terra tida como meio de produ\u00e7\u00e3o e balc\u00e3o de recursos sujeitos \u00e0 venda e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o para a Terra como um Ente vivo, chamado Gaia, Pacha Mama ou M\u00e3e Terra;<\/p>\n<p>&#8211; da era tecnozoica que devastou grande parte da biosfera para a era ecozoica pela qual todos os saberes e atividades se\u00a0\u00a0ecologizam e juntas cooperam na salvaguarda da vida.<\/p>\n<p>&#8211; da l\u00f3gica da competi\u00e7\u00e3o de se reger pelo ganha-perde e que op\u00f5em as pessoas para a l\u00f3gica da coopera\u00e7\u00e3o do ganha-ganha que congrega e fortalece a solidariedade entre todos.<\/p>\n<p>&#8211; do capital material sempre limitado e exaur\u00edvel, para o capital espiritual e humano ilimitado, feito de amor, solidariedade, respeito, compaix\u00e3o e de uma confraterniza\u00e7\u00e3o como todos os seres da comunidade de vida;<\/p>\n<p>&#8211; de uma sociedade antropoc\u00eantrica, separada da natureza, para uma sociedade biocentrada que se sente parte da natureza e busca ajustar seu comportamento \u00e0 logica do processo cosmog\u00eanico que se caracteriza pela sinergia, pela interdepend\u00eancia\u00a0\u00a0de todos com todos e pela coopera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se \u00e9 perigosa a Grande Transforma\u00e7\u00e3o da sociedade de mercado, mais promissora ainda \u00e9 a Grande\u00a0\u00a0Transforma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia. Triunfa aquele conjunto de vis\u00f5es, valores e princ\u00edpios que mais congregam pessoas e melhor projetam um horizonte de esperan\u00e7a para todos. Essa seguramente \u00e9 a Grande Transforma\u00e7\u00e3o das mentes e dos cora\u00e7\u00f5es a que se refere a Carta da Terra. Esperamos que se consolide, ganhe mais e mais espa\u00e7os de consci\u00eancia com\u00a0\u00a0pr\u00e1ticas alternativas at\u00e9 assumir a hegemonia da\u00a0\u00a0nossa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>H\u00e1 um documento acima\u00a0\u00a0citado a\u00a0\u00a0<em>Carta da Terra<\/em>\u00a0por seu alto valor de inspira\u00e7\u00e3o e\u00a0\u00a0gerador de esperan\u00e7a<em>.<\/em>\u00a0Ela \u00e9 fruto de uma vasta consulta dos mais distintos setores das sociedades mundiais, desde os povos origin\u00e1rios, das tradi\u00e7\u00f5es religiosas e espirituais at\u00e9 not\u00e1veis centros de pesquisa. Foi animada especialmente por Michail Gorbachev, Steven Rockfeller, o ex-primeiro ministro da Holanda Lubbers, Maurice Strong, sub-secret\u00e1rio da ONU e Mirian Vilela, brasileira que, desde o in\u00edcio coordena os trabalhos e dirige o Centro na Costa Rica. Eu memo fa\u00e7o parte do grupo e tenho colaborado na reda\u00e7\u00e3o do documento final e de sua difus\u00e3o por onde posso.<\/p>\n<p>Depois de 8 anos de intensos trabalhos e de encontros frequentes nos v\u00e1rios continentes, surgiu um documento pequeno mas denso que incorpora o melhor da nova vis\u00e3o nascida das ci\u00eancias da Terra e da vida, especialmente\u00a0\u00a0da\u00a0\u00a0cosmologia contempor\u00e2nea. Ai se tra\u00e7am princ\u00edpios e se elaboram valores no arco de uma vis\u00e3o hol\u00edstica da ecologia, que podem efetivamente apontar um caminho promissor para a humanidade presente e futura. Aprovado em 2001 foi assumido oficialmente em 2003 pela UNESCO como um dos materiais educativos mais inspiradores\u00a0\u00a0do novo mil\u00eanio.<\/p>\n<p>A Hidrel\u00e9trica Itaipu-Binacional<strong> (foto)<\/strong>, a maior do g\u00eanero no mundo, tomou a s\u00e9rio as propostas da Carta da Terra e seus dois diretores Jorge Samek e Nelton Friedrich conseguiram envolver 29 munic\u00edpios que bordeiam o grande lago onde vive cerca de um milh\u00e3o de pessoas. Deram in\u00edcio de fato a uma Grande Transforma\u00e7\u00e3o. L\u00e1 se realiza efetivamente a sustentabilidade e se aplica o cuidado e a responsabilidade coletiva em todos os munic\u00edpios e em todos os \u00e2mbitos, mostrando que, mesmo dentro da velha ordem, se pode gestar o novo porque as pessoas mesmas vivem j\u00e1 agora o que querem para os outros.<\/p>\n<p>Se concretizarmos o sonho da Terra, esta n\u00e3o ser\u00e1 mais condenada a ser para a maioria da humanidade um vale de l\u00e1grimas e uma via-sacra de padecimentos. Ela pode ser transformada numa montanha de bem-aventuran\u00e7as, poss\u00edveis \u00e0 nossa sofrida exist\u00eancia e uma pequena antecipa\u00e7\u00e3o da transfigura\u00e7\u00e3o do Tabor.<\/p>\n<p>Para que isso ocorra, n\u00e3o basta sonhar, mas importa praticar.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>(*) Leonardo Boff<\/strong>, <em>ecote\u00f3logo e escritor, escreveu com J\u00fcrgen Moltmann,\u00a0<strong>H\u00e1 esperan\u00e7a para a cria\u00e7\u00e3o amea\u00e7ada?\u00a0<\/strong>Vozes 2014.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Leonardo Boff<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187111,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>As amea\u00e7as da Grande Transforma\u00e7\u00e3o - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/as-ameacas-da-grande-transformacao-ii\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"As amea\u00e7as da Grande Transforma\u00e7\u00e3o - 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