{"id":46502,"date":"2012-10-07T08:08:40","date_gmt":"2012-10-07T11:08:40","guid":{"rendered":"http:\/\/new.franciscanos.org.br\/?p=46502"},"modified":"2020-07-09T11:49:38","modified_gmt":"2020-07-09T14:49:38","slug":"lumen-fidei-de-patricia-mendes-de-sousa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/lumen-fidei-de-patricia-mendes-de-sousa\/","title":{"rendered":"&#8220;Lumen Fidei&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/10\/artigo.jpg\" alt=\"artigo\" width=\"830\" height=\"336\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><strong>Patr\u00edcia Mendes de Sousa (*)<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\">O Papa Francisco, em sua primeira Enc\u00edclica, inicia falando sobre como o homem, desde sempre, busca a luz. Sendo assim, ao cultuar o deus Sol, o mundo pag\u00e3o j\u00e1 demonstrava essa inquieta\u00e7\u00e3o. Embora renascesse a cada dia, o Sol n\u00e3o era capaz de irradiar sua luz sobre toda a exist\u00eancia do homem uma vez que seus raios eram incapazes de chegar at\u00e9 as sombras da morte. Cristo, atrav\u00e9s de sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, \u00e9 capaz de romper as barreiras da morte, iluminando este momento, atrav\u00e9s da f\u00e9. Dessa forma, conscientes do amplo horizonte que a f\u00e9 lhes abria, os crist\u00e3os chamaram a Cristo o verdadeiro Sol, \u201ccujos raios d\u00e3o vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Hoje, no entanto, muitos se questionam se essa luz n\u00e3o \u00e9 ilus\u00f3ria e impediria a pessoa humana de colocar em pr\u00e1tica todo o saber conquistado ao longo dos s\u00e9culos. A f\u00e9 estaria em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 raz\u00e3o. Sendo assim, o espa\u00e7o para a f\u00e9 se abre somente onde a raz\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o pode iluminar, onde o homem j\u00e1 n\u00e3o pode ter certezas. Entretanto, pouco a pouco, foi-se vendo que a luz da raz\u00e3o n\u00e3o consegue iluminar suficientemente o futuro, permanecendo este na obscuridade e deixando o homem no temor do desconhecido. Por isso, faz-se necess\u00e1rio recuperar o car\u00e1ter de luz que \u00e9 pr\u00f3prio da f\u00e9, pois esta \u00e9 capaz de iluminar toda a exist\u00eancia humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A f\u00e9 nasce do encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela o seu amor. Transformados por este amor, recebemos olhos novos e experimentamos que h\u00e1 nele uma grande promessa de plenitude que nos abre uma vis\u00e3o para o futuro. A f\u00e9 que recebemos como dom sobrenatural de Deus, \u00e9 a luz de vida, proveniente da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus e se expande para o futuro, para a plena comunh\u00e3o com Ele. Portanto, a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 ilus\u00f3ria, mas \u00e9 luz para as nossas trevas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Bento XVI, ao proclamar o Ano da F\u00e9, reaviva em n\u00f3s a percep\u00e7\u00e3o da amplitude de horizontes que a f\u00e9 descerra e a convic\u00e7\u00e3o duma f\u00e9 que faz grande e plena a vida, centrada em Cristo e em Sua gra\u00e7a. Para os primeiros crist\u00e3os, entre eles os m\u00e1rtires, a f\u00e9 era uma \u201cm\u00e3e\u201d porque fazia vir \u00e0 luz, gerava neles a vida divina, pela qual estavam prontos a dar testemunho p\u00fablico at\u00e9 o fim. Como \u00e9 este caminho que a f\u00e9 desvenda diante de n\u00f3s?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><b>CAP\u00cdTULO I &#8211; \u00a0<\/b><b>ACREDITAMOS NO AMOR\u00a0<\/b><b>(cf. 1 Jo 4,16)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">No Antigo Testamento, temos o testemunho de Abra\u00e3o, nosso pai na f\u00e9. Deus dirige-lhe a Palavra, revela-Se como um Deus que fala e o chama pelo nome. A f\u00e9 est\u00e1 ligada \u00e0 escuta e assume, neste momento, um car\u00e1ter pessoal. A f\u00e9 \u00e9 uma resposta e uma Palavra que interpela pessoalmente. Abra\u00e3o \u00e9 chamado a sair da pr\u00f3pria terra e sua f\u00e9 o leva a ver na medida em que caminha, em que entra no espa\u00e7o aberto pela Palavra de Deus, que cont\u00e9m tamb\u00e9m uma promessa: tua descend\u00eancia ser\u00e1 numerosa, ser\u00e1 Pai de um grande povo (cf. Gn 13,16; 15,5; 22,17). A f\u00e9, enquanto horizonte de futuro, est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 esperan\u00e7a. A f\u00e9 compreende que a palavra, uma realidade aparentemente ef\u00eamera e passageira, quando \u00e9 pronunciada pelo Deus fiel, torna-se no que de mais seguro e inabal\u00e1vel possa haver, possibilitando a continuidade do nosso caminho no tempo. Em hebraico f\u00e9 \u00e9 indicada pela palavra <i>\u2018em\u00fbah<\/i>, que deriva do verbo <i>\u2018am\u00e0n<\/i>, cuja raiz significa sustentar. O termo <i>\u2018em\u00fbah<\/i> tanto pode significar a fidelidade de Deus como a f\u00e9 do homem. Deus promete a Abra\u00e3o um filho, dirigindo-se, portanto, \u00e0 experi\u00eancia do patriarca e revelando-se como a fonte donde prov\u00e9m toda a vida. A f\u00e9 une-se com a Paternidade de Deus, da qual brota a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A hist\u00f3ria do povo de Israel, no livro do \u00caxodo, nasce tamb\u00e9m de um dom originador: Israel abre-se \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus, que quer libert\u00e1-lo da sua mis\u00e9ria. Essa liberta\u00e7\u00e3o \u00e9 transmitida no culto de pai para filho significando que Deus se revela na hist\u00f3ria e seus benef\u00edcios s\u00e3o recordados atrav\u00e9s dos tempos e delineiam o cumprimento de suas promessas. A hist\u00f3ria de Israel mostra que quando o povo perde a f\u00e9, ele cai na idolatria. Em vez da f\u00e9 em Deus, prefere-se adorar o \u00eddolo, cujo rosto se pode fixar e cuja origem \u00e9 conhecida, porque foi feito por n\u00f3s. O \u00eddolo \u00e9 um pretexto para se colocar a si mesmo no centro da realidade. A idolatria n\u00e3o oferece um caminho mas uma multiplicidade pois o homem perde a orienta\u00e7\u00e3o fundamental que d\u00e1 unidade \u00e0 sua exist\u00eancia. A f\u00e9 consiste na disponibilidade a deixar-se incessantemente transformar pelo chamado de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Na f\u00e9 de Israel sobressai tamb\u00e9m a figura de Mois\u00e9s, o mediador. Com esta presen\u00e7a do mediador, Israel aprendeu a andar unido e isso provoca uma abertura: no encontro com os outros, o olhar abre para uma verdade maior que n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Todas as promessas do Pai no Antigo Testamento t\u00eam o seu sim definitivo em Cristo, centro da f\u00e9 crist\u00e3, aquele que Deus Pai ressuscitou dos mortos e manifesta\u00e7\u00e3o plena da fiabilidade de Deus. A f\u00e9 identifica, no amor de Deus, manifestado em Jesus, o fundamento sobre o qual assenta a realidade e seu destino \u00faltimo. A maior prova de fiabilidade do amor de Cristo encontra-se na sua morte pelo homem. \u00c9 por isso que os evangelistas situam na hora da cruz o momento culminante do olhar da f\u00e9: naquela hora resplandece o amor divino em toda a sua sublimidade e amplitude. Cristo ressuscitado \u00e9 testemunha digna de f\u00e9, apoio firme para a nossa f\u00e9. \u00c9 o amor do Pai capaz de iluminar tamb\u00e9m as trevas da morte. Precisamente porque \u00e9 Filho, porque est\u00e1 radicado no modo absoluto do Pai, Jesus p\u00f4de vencer a morte e fazer resplandecer a plenitude da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A nossa cultura perdeu essa no\u00e7\u00e3o desta presen\u00e7a concreta de Deus, da Sua a\u00e7\u00e3o no mundo; pensamos que Deus Se encontra s\u00f3 no al\u00e9m, noutro n\u00edvel de realidade, separado das nossas rela\u00e7\u00f5es concretas. Se Deus fosse incapaz de agir no mundo, o seu amor n\u00e3o seria verdadeiramente real, capaz de cumprir a felicidade que promete. Sendo assim, seria completamente indiferente crer nEle ou n\u00e3o. Ao contr\u00e1rio deste pensamento, os crist\u00e3os confessam o amor concreto e poderoso de Deus, que atua verdadeiramente na hist\u00f3ria e determina o seu destino final, um amor que se fez pass\u00edvel de encontro, que se revelou em plenitude na paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Na f\u00e9, a vida de Cristo, a sua maneira de conhecer o Pai, de viver totalmente em rela\u00e7\u00e3o com Ele, abre um espa\u00e7o novo \u00e0 experi\u00eancia humana, e n\u00f3s podemos entrar nele.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 f\u00e9 na encarna\u00e7\u00e3o do Verbo e na sua ressurrei\u00e7\u00e3o na carne, \u00e9 f\u00e9 num Deus que se fez t\u00e3o pr\u00f3ximo que entrou na nossa hist\u00f3ria. A f\u00e9 em Jesus nos permite descobrir quanto Deus ama esse mundo e o orienta sem cessar para Si. E isto leva os crist\u00e3os a comprometer-se, a viver de modo ainda mais intenso o seu caminho sobre a terra. Aquele que aceita o dom da f\u00e9, \u00e9 transformado numa nova criatura, torna-se filho no Filho. A vida na f\u00e9 \u00e9 reconhecer que somos justificados pelos m\u00e9ritos de Cristo e se fazemos boas obras \u00e9 pela a\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a de Deus em n\u00f3s. A salva\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 consiste em reconhecer o primado do dom de Deus, como nos coloca S\u00e3o Paulo em Ef 2,8: \u201cPorque \u00e9 pela gra\u00e7a que estais salvos, por meio da f\u00e9. E isto n\u00e3o vem de v\u00f3s, \u00e9 dom de Deus\u201d. Na f\u00e9, o eu do crente dilata-se para ser habitado por um Outro, para viver num Outro, e assim a sua vida amplia-se no Amor. Fora desta conforma\u00e7\u00e3o no Amor, fora da presen\u00e7a do Esp\u00edrito que infunde em nossos cora\u00e7\u00f5es \u00e9 imposs\u00edvel confessar Jesus como Senhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Confessando Cristo como Senhor, todos os crentes se conformam ao corpo de Cristo, que est\u00e1 em uni\u00e3o vital com o pr\u00f3prio Cristo e entre si mesmo, tornando a vida do fiel uma exist\u00eancia eclesial. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 uma opini\u00e3o subjetiva, um fato privado, mas nasce de uma escuta, que se torna operativa no crist\u00e3o a partir do Amor que o atrai para Cristo. Destina-se a tornar-se an\u00fancio e ir \u201ccontagiando\u201d a todos, que se tornam participantes, ent\u00e3o, do caminho da Igreja, peregrina na hist\u00f3ria rumo \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><b>CAP\u00cdTULO II &#8211;\u00a0<\/b><b>SE N\u00c3O ACREDITARDES, N\u00c3O COMPREENDEREIS &#8211;\u00a0<\/b><b>(cf. Is 7,9)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Mas a f\u00e9 precisa de conhecimento, de verdade. Sem verdade a f\u00e9 n\u00e3o salva. A compreens\u00e3o da f\u00e9 \u00e9 aquela que nasce quando recebemos o grande amor de Deus, que nos transforma interiormente e nos d\u00e1 olhos novos para ver a realidade. O amor tem necessidade da verdade porque somente fundado nela \u00e9 que pode perdurar no tempo, superar o instante ef\u00eamero e permanecer firme para sustentar um caminho comum. Sem a verdade, o amor n\u00e3o pode oferecer um v\u00ednculo s\u00f3lido, n\u00e3o consegue arrancar o eu para fora do seu isolamento, nem libert\u00e1-lo do instante fugidio para edificar a vida e produzir fruto. A verdade tamb\u00e9m precisa do amor pois a verdade que buscamos nos ilumina quando somos tocados pelo amor. \u00c9 um modo relacional de olhar o mundo, que se torna conhecimento partilhado, vis\u00e3o na vis\u00e3o do outro e vis\u00e3o comum sobre todas as coisas.\u00a0 No entanto, essa vis\u00e3o \u00e9 precedida pela escuta. O conhecimento associado \u00e0 palavra \u00e9 sempre conhecimento pessoal, que reconhece a voz, se lhe abre livremente e a segue obedientemente. Ao escutar, a pessoa humana estabelece uma conex\u00e3o com a vis\u00e3o, vis\u00e3o plena de todo o percurso. Essa s\u00edntese entre o ouvir e o ver se d\u00e1 a partir da pessoa concreta de Jesus, que Se v\u00ea e escuta. Ele \u00e9 a Palavra que se faz carne e um Rosto no qual se v\u00ea o Pai. Configurados a Jesus \u00e9 que recebemos o olhar adequado para v\u00ea-lo, e seguindo o chamado, trilhamos o caminho do seguimento. A luz do Amor nasce quando somos tocados no cora\u00e7\u00e3o, recebendo assim em n\u00f3s a presen\u00e7a interior do amado, que nos permite reconhecer o seu mist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A luz da f\u00e9 ilumina tamb\u00e9m o caminho de todos aqueles que procuram a Deus e oferece a contribui\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do cristianismo para o di\u00e1logo com os seguidores das diversas religi\u00f5es. O homem religioso procura reconhecer os sinais de Deus nas experi\u00eancias di\u00e1rias da sua vida, no ciclo das esta\u00e7\u00f5es, na fecundidade da terra e em todo movimento do universo. Deus \u00e9 luminoso, podendo ser encontrado tamb\u00e9m por aqueles que O buscam de cora\u00e7\u00e3o sincero. Configurando-se como caminho, a f\u00e9 tem a ver com a vida dos homens que, apesar de n\u00e3o acreditar, desejam-no fazer e n\u00e3o cessam de procurar. Na medida em que se abrem de cora\u00e7\u00e3o sincero ao amor, j\u00e1 vivem, sem saber, no caminho para a f\u00e9: procuram agir como se Deus existisse.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><b>CAP\u00cdTULO III &#8211;\u00a0<\/b><b>TRANSMITO-VOS AQUILO QUE RECEBI &#8211;\u00a0<\/b><b>(cf. 1Cor 15,3)<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A palavra recebida faz-se resposta, confiss\u00e3o, e assim ecoa para os outros, convidando-os a crer. \u00c9 atrav\u00e9s de uma cadeia ininterrupta de testemunhos que nos chega o Rosto de Jesus. Esse tesouro est\u00e1 guardado vivo na mem\u00f3ria da Igreja. O Amor, que \u00e9 o Esp\u00edrito, e que habita na Igreja, mant\u00e9m unido entre si todos os tempos e nos faz contempor\u00e2neos de Jesus e Ele se torna, assim, o guia do nosso caminho na f\u00e9. Esse encontro tem um meio especial de ocorrer na Igreja: os sacramentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A natureza sacramental da f\u00e9 encontra a sua m\u00e1xima express\u00e3o na Eucaristia. A Eucaristia \u00e9 atualiza\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio, em que o passado, como um evento de morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, mostra a sua capacidade de se abrir ao futuro, de antecipar a plenitude final. H\u00e1 tamb\u00e9m o encontro do mundo vis\u00edvel ao invis\u00edvel. O p\u00e3o e vinho transformam-se no Corpo e Sangue de Cristo. Na profiss\u00e3o de f\u00e9, o Credo, fazemos a vida toda entrar em comunh\u00e3o plena com o Deus vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Ainda como elemento essencial na transmiss\u00e3o fiel da mem\u00f3ria da Igreja est\u00e1 a Ora\u00e7\u00e3o do Senhor, o Pai Nosso; nela, o crist\u00e3o aprende a partilhar a pr\u00f3pria experi\u00eancia espiritual de Cristo e come\u00e7a a ver com Seus olhos. O Dec\u00e1logo, da mesma forma, apresenta as indica\u00e7\u00f5es concretas para sair do \u201ceu\u201d, fechado em si mesmo, e entrar em di\u00e1logo com Deus, deixando-se abra\u00e7ar pela sua miseric\u00f3rdia, a fim de a irradiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Essa unidade da f\u00e9 \u00e9 precisamente o que d\u00e1 a unidade da Igreja no tempo e no espa\u00e7o, ou seja, a unidade de Deus conhecido e professado; direcionada ao \u00fanico Senhor Jesus; partilhada por toda a Igreja, que \u00e9 um s\u00f3 corpo e um s\u00f3 Esp\u00edrito. Negar um artigo da f\u00e9 equivale, portanto, a danificar o todo. Como servi\u00e7o \u00e0 unidade da f\u00e9 e a sua transmiss\u00e3o \u00edntegra, o Senhor deu \u00e0 Igreja o dom da sucess\u00e3o apost\u00f3lica. Por seu interm\u00e9dio, fica garantida a continuidade da mem\u00f3ria da Igreja e \u00e9 poss\u00edvel beber na fonte de onde surge a f\u00e9, assim a garantia da liga\u00e7\u00e3o com a origem nos \u00e9 dada por pessoas vivas, o que equivale \u00e0 f\u00e9 viva que a Igreja transmite.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">E essa f\u00e9 viva tem uma liga\u00e7\u00e3o direta com o amor e, sendo assim, coloca-se ao servi\u00e7o concreto da justi\u00e7a, do direito e da paz. Sem esse amor divino, nada poderia manter verdadeiramente unidos os homens: a unidade entre eles seria conceb\u00edvel apenas enquanto fundada sobre a utilidade, a conjuga\u00e7\u00e3o de interesses, o medo, mas n\u00e3o sobre a beleza de viverem juntos, nem sobre a alegria que a simples presen\u00e7a do outro pode gerar. Portanto, a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um ref\u00fagio para gente sem coragem, mas a dilata\u00e7\u00e3o da vida: faz descobrir um grande chamado, a voca\u00e7\u00e3o do amor, e assegura que este amor \u00e9 fi\u00e1vel, que vale a pena entregar-se a ele, porque o seu fundamento se encontra na fidelidade de Deus, que \u00e9 mais forte do que toda a nossa fragilidade. Sendo assim, a f\u00e9 nos ensina a ver que em cada homem h\u00e1 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para mim, que a luz do rosto de Deus me ilumina atrav\u00e9s do rosto do irm\u00e3o e, assim, compreendemos a dignidade \u00fanica de cada pessoa, enquanto imagem e semelhan\u00e7a de Deus. Da mesma forma, ao nos revelar o amor de Deus criador na exuber\u00e2ncia da natureza, nos faz olhar com mais respeito esta natureza. A f\u00e9 tamb\u00e9m afirma a possibilidade do perd\u00e3o, uma vez que o bem \u00e9 mais forte que o mal e que a unidade \u00e9 sempre superior ao conflito. Quando a f\u00e9 esmorece, esmorecem tamb\u00e9m os fundamentos do viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Falar da f\u00e9 comporta falar tamb\u00e9m das provas dolorosas, mas \u00e9 justamente na fraqueza e no sofrimento que sobressai e se descobre o poder de Deus, que supera a nossa fraqueza e o nosso sofrimento. O crist\u00e3o sabe que o sofrimento n\u00e3o pode ser eliminado, mas pode adquirir um sentido: pode tornar-se ato de amor, entrega nas m\u00e3os de Deus que n\u00e3o nos abandona e, deste modo, ser uma etapa de crescimento na f\u00e9 e no amor. Os que sofrem foram mediadores de luz para tantos homens e mulheres de f\u00e9, tal foi o leproso para S\u00e3o Francisco de Assis, ou os pobres para a beata Teresa de Calcut\u00e1. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 luz que dissipa todas as nossas trevas, mas l\u00e2mpada que guia os nossos passos na noite, e isto basta para o caminho. Ao homem que sofre, Deus n\u00e3o d\u00e1 um racioc\u00ednio que explique tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma de uma presen\u00e7a que o acompanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Concluindo o percurso da f\u00e9, apresentamos o \u00edcone perfeito da f\u00e9: Maria. Na M\u00e3e de Jesus a f\u00e9 mostrou-se cheia de fruto e, quando nossa vida espiritual d\u00e1 fruto, nos enchemos de alegria, que \u00e9 o sinal mais claro da grandeza da f\u00e9. Na sua vida, Maria realizou a peregrina\u00e7\u00e3o da f\u00e9 seguindo o seu Filho. No centro de nossa f\u00e9 encontra-se a confiss\u00e3o de Jesus, filho de Deus, nascido de mulher, que nos salva e nos introduz, pelo dom do Esp\u00edrito Santo, na filia\u00e7\u00e3o adotiva. Por isso, rezamos: Ave-Maria&#8230;<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: left;\"><b><i>(*) Patr\u00edcia de Moraes Mendes de Sousa, da Ordem Franciscana Secular, \u00e9 te\u00f3loga.<\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Patr\u00edcia Mendes de Sousa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":185218,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[310,311],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>&quot;Lumen Fidei&quot; - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/lumen-fidei-de-patricia-mendes-de-sousa\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"&quot;Lumen Fidei&quot; - 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