{"id":4322,"date":"2011-10-25T17:33:09","date_gmt":"2011-10-25T17:33:09","guid":{"rendered":"http:\/\/new.franciscanos.org.br\/?p=4322"},"modified":"2021-09-02T10:46:35","modified_gmt":"2021-09-02T13:46:35","slug":"mensagem-de-sua-santidade-bento-xvi-para-a-celebracao-do-dia-mundial-da-paz-1-de-janeiro-de-2010","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/mensagem-de-sua-santidade-bento-xvi-para-a-celebracao-do-dia-mundial-da-paz-1-de-janeiro-de-2010\/","title":{"rendered":"&#8220;Se quiseres cultivar a paz, preserva a cria\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\">\n<div id=\"attachment_190401\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-190401\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-190401 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/papa_mensagem_paz.png\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/papa_mensagem_paz.png 840w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/papa_mensagem_paz-450x241.png 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/papa_mensagem_paz-768x411.png 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/papa_mensagem_paz-150x80.png 150w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><p id=\"caption-attachment-190401\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<em> \u00a0Imagem ilustrativa: Canva (www.canva.com\/pt_br\/modelos)<\/em><\/p><\/div>\n<div id=\"conteudo\">\n<p><strong>1. POR OCASI\u00c3O DO IN\u00cdCIO DO ANO NOVO<\/strong>, desejo expressar os mais ardentes votos de paz a todas as comunidades crist\u00e3s, aos respons\u00e1veis das na\u00e7\u00f5es, aos homens e mulheres de boa vontade do mundo inteiro. Para este XLIII Dia Mundial da Paz, escolhi o tema: <em>&#8220;Se quiseres cultivar a paz, preserva a cria\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/em> O respeito pela cria\u00e7\u00e3o reveste-se de grande import\u00e2ncia, designadamente porque &#8220;a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 o princ\u00edpio e o fundamento de todas as obras de Deus&#8221; e a sua salvaguarda torna-se hoje essencial para a conviv\u00eancia pac\u00edfica da humanidade. Com efeito, se s\u00e3o numerosos os perigos que amea\u00e7am a paz e o aut\u00eantico desenvolvimento humano integral, devido \u00e0 desumanidade do homem para com o seu semelhante \u2013 guerras, conflitos internacionais e regionais, atos terroristas e viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos \u2013, n\u00e3o s\u00e3o menos preocupantes os perigos que derivam do desleixo, se n\u00e3o mesmo do abuso, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 terra e aos bens naturais que Deus nos concedeu. Por isso, \u00e9 indispens\u00e1vel que a humanidade renove e reforce &#8220;aquela alian\u00e7a entre ser humano e ambiente que deve ser espelho do amor criador de Deus, de Quem provimos e para Quem estamos a caminho&#8221;.<\/p>\n<p><strong>2<\/strong>. Na enc\u00edclica <em>&#8220;Caritas in veritate&#8221;<\/em> pus em realce que o desenvolvimento humano integral est\u00e1 intimamente ligado com os deveres que nascem da rela\u00e7\u00e3o do homem com o ambiente natural, considerado como uma d\u00e1diva de Deus para todos, cuja utiliza\u00e7\u00e3o comporta uma responsabilidade comum para com a humanidade inteira, especialmente os pobres e as gera\u00e7\u00f5es futuras. Assinalei tamb\u00e9m que corre o risco de atenuar-se, nas consci\u00eancias, a no\u00e7\u00e3o da responsabilidade, quando a natureza e, sobretudo, o ser humano s\u00e3o considerados, simplesmente, como fruto do acaso ou do determinismo evolutivo. Pelo contr\u00e1rio, conceber a cria\u00e7\u00e3o como d\u00e1diva de Deus \u00e0 humanidade ajuda-nos a compreender a voca\u00e7\u00e3o e o valor do homem; na realidade, cheios de admira\u00e7\u00e3o, podemos proclamar com o salmista: &#8220;Quando contemplo os c\u00e9us, obra das vossas m\u00e3os, a lua e as estrelas que l\u00e1 colocastes, que \u00e9 o homem para que Vos lembreis dele, o filho do homem para dele Vos ocupardes?&#8221; (Sl 8, 4-5). Contemplar a beleza da cria\u00e7\u00e3o \u00e9 um est\u00edmulo para reconhecer o amor do Criador; aquele Amor que \u201cmove o sol e as outras estrelas&#8221;.<\/p>\n<p><strong>3.<\/strong> H\u00e1 vinte anos, ao dedicar a <em>Mensagem do Dia Mundial da Paz ao tema Paz com Deus criador, paz com toda a cria\u00e7\u00e3o<\/em>, o Papa Jo\u00e3o Paulo II chamava a aten\u00e7\u00e3o para a rela\u00e7\u00e3o que n\u00f3s, enquanto criaturas de Deus, temos com o universo que nos circunda. &#8220;Observa-se nos nossos dias \u2013 escrevia ele \u2013 uma consci\u00eancia crescente de que a paz mundial est\u00e1 amea\u00e7ada (\u2026) tamb\u00e9m pela<br \/>\nfalta do respeito devido \u00e0 natureza&#8221;. E acrescentava que esta consci\u00eancia ecol\u00f3gica &#8220;n\u00e3o deve ser reprimida, mas antes favorecida, de maneira que se desenvolva e v\u00e1 amadurecendo at\u00e9 encontrar express\u00e3o adequada em programas e iniciativas concretas&#8221;. J\u00e1 outros meus predecessores se referiram \u00e0 rela\u00e7\u00e3o existente entre o homem e o ambiente; por exemplo, em 1971, por ocasi\u00e3o do<br \/>\noctog\u00e9simo anivers\u00e1rio da enc\u00edclica <em>&#8220;Rerum novarum&#8221;<\/em> de Le\u00e3o XIII, Paulo VI houve por bem sublinhar que, &#8220;por motivo de uma explora\u00e7\u00e3o inconsiderada da natureza, [o homem] come\u00e7a a correr o risco de destruir e de vir a ser, tamb\u00e9m ele, v\u00edtima dessa degrada\u00e7\u00e3o&#8221;. E acrescentou que, deste modo, &#8220;n\u00e3o s\u00f3 o ambiente material se torna uma amea\u00e7a permanente \u2013 polui\u00e7\u00f5es e lixo, novas doen\u00e7as, poder destruidor absoluto \u2013 mas \u00e9 o pr\u00f3prio contexto humano que o homem n\u00e3o consegue, criando assim para o dia de amanh\u00e3 um ambiente global que se lhe poder\u00e1 tornar insuport\u00e1vel. Problema social de grande envergadura, este, que diz<br \/>\nrespeito \u00e0 inteira fam\u00edlia humana&#8221;.<\/p>\n<p><strong>4.<\/strong> Embora evitando de intervir sobre solu\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas espec\u00edficas, a Igreja, &#8220;perita em humanidade&#8221;, tem chamado vigorosamente a aten\u00e7\u00e3o para a rela\u00e7\u00e3o entre o Criador, o ser humano e a cria\u00e7\u00e3o. Em 1990, Jo\u00e3o Paulo II falava de &#8220;crise ecol\u00f3gica&#8221; e, real\u00e7ando o car\u00e1ter prevalecentemente \u00e9tico de que a mesma se revestia, indicava &#8220;a urgente necessidade moral de uma nova solidariedade&#8221;. Hoje, com o proliferar de manifesta\u00e7\u00f5es duma crise que seria irrespons\u00e1vel n\u00e3o tomar em s\u00e9ria considera\u00e7\u00e3o, tal apelo aparece ainda mais premente. Pode-se, porventura, ficar indiferente perante as problem\u00e1ticas que derivam de fen\u00f4menos como as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, a desertifica\u00e7\u00e3o, o deterioramento e a perda de produtividade de vastas \u00e1reas agr\u00edcolas, a polui\u00e7\u00e3o dos rios e dos len\u00e7\u00f3is de \u00e1gua, a perda da biodiversidade, o aumento de calamidades naturais, o desflorestamento das \u00e1reas equatoriais e tropicais? Como descurar o fen\u00f4meno crescente dos chamados &#8220;pr\u00f3fugos ambientais&#8221;, ou seja, pessoas que, por causa da degrada\u00e7\u00e3o do ambiente onde vivem se v\u00eaem obrigadas a abandon\u00e1-lo \u2013 deixando l\u00e1 muitas vezes tamb\u00e9m os seus bens \u2013 tendo de enfrentar os perigos e as inc\u00f3gnitas de uma desloca\u00e7\u00e3o for\u00e7ada? Com n\u00e3o reagir perante os conflitos, j\u00e1 em ato ou potenciais, relacionados com o acesso aos recursos naturais? Trata-se de um conjunto de quest\u00f5es que t\u00eam um impacto profundo no exerc\u00edcio dos direitos humanos, como, por exemplo, o direito \u00e0 vida, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade, ao desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>5.<\/strong> Entretanto tenha-se na devida conta que n\u00e3o se pode avaliar a crise ecol\u00f3gica prescindindo das quest\u00f5es relacionadas com ela, nomeadamente o pr\u00f3prio conceito de desenvolvimento e a vis\u00e3o do homem e das suas rela\u00e7\u00f5es com os seus semelhantes e com a cria\u00e7\u00e3o. Por isso, \u00e9 decis\u00e3o sensata realizar uma revis\u00e3o profunda e clarividente do modelo de desenvolvimento e tamb\u00e9m refletir sobre o sentido da economia e dos seus objetivos, para corrigir as suas disfun\u00e7\u00f5es e deturpa\u00e7\u00f5es. Exige-o o estado de sa\u00fade ecol\u00f3gica da terra; reclama-o tamb\u00e9m e, sobretudo, a crise cultural e moral do homem, cujos sintomas h\u00e1 muito tempo que se manifestam por toda a parte. A humanidade tem necessidade de uma profunda renova\u00e7\u00e3o cultural; precisa redescobrir aqueles valores que constituem o alicerce firme sobre o qual se pode construir um futuro melhor para todos. As situa\u00e7\u00f5es de crise que est\u00e1 atravessando, de car\u00e1ter econ\u00f4mico, alimentar, ambiental ou social, no fundo s\u00e3o tamb\u00e9m crises morais e est\u00e3o todas interligadas. Elas obrigam a projetar de novo a estrada comum dos homens. Imp\u00f5em, de maneira particular, um modo de viver marcado pela sobriedade e solidariedade, com novas regras e formas de compromisso, apostando com confian\u00e7a e coragem nas experi\u00eancias positivas realizadas e rejeitando decididamente as negativas. \u00c9 o \u00fanico modo de fazer com que a crise atual se torne uma ocasi\u00e3o para discernimento e nova proje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>6.<\/strong> Porventura n\u00e3o \u00e9 verdade que, na origem daquela que em sentido c\u00f3smico chamamos &#8220;natureza&#8221;, h\u00e1 &#8220;um des\u00edgnio de amor e de verdade&#8221;? O mundo &#8220;n\u00e3o \u00e9 fruto duma qualquer necessidade, dum destino cego ou do acaso, (\u2026) procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participantes do seu Ser, da sua sabedoria e da sua bondade&#8221;. Nas suas p\u00e1ginas iniciais, o livro do G\u00eanesis introduz-nos no projeto sapiente do cosmos, fruto do pensamento de Deus, que, no v\u00e9rtice, colocou o homem e a mulher, criados \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a do Criador, para &#8220;encher e dominar a terra&#8221; como &#8220;administradores&#8221; em nome do pr\u00f3prio Deus (cf. Gn 1, 28). A harmonia descrita na Sagrada Escritura entre o Criador, a humanidade e a cria\u00e7\u00e3o foi quebrada pelo pecado de Ad\u00e3o e Eva, do homem e da mulher, que pretenderam ocupar o lugar de Deus, recusando-se reconhecer como suas criaturas. Em consequ\u00eancia, ficou deturpada tamb\u00e9m a tarefa de &#8220;dominar&#8221; a terra, de a &#8220;cultivar e guardar&#8221; e gerou-se um conflito entre eles e o resto da cria\u00e7\u00e3o (cf. Gn 3, 17-19). O ser humano deixou-se dominar pelo ego\u00edsmo, perdendo o sentido do mandato de Deus, e, no relacionamento com a cria\u00e7\u00e3o, comportou-se como explorador pretendendo exercer um dom\u00ednio absoluto sobre ela. Mas o verdadeiro significado do mandamento primordial de Deus, bem evidenciado no livro do G\u00eanesis, n\u00e3o consistia numa simples concess\u00e3o de autoridade, mas antes num apelo \u00e0 responsabilidade. Ali\u00e1s, a sabedoria dos antigos reconhecia que a natureza est\u00e1 \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o como &#8220;um monte de lixo espalhado ao acaso&#8221;, enquanto a Revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica nos fez compreender que a natureza \u00e9 dom do Criador, o Qual lhe tra\u00e7ou os ordenamentos intr\u00ednsecos a fim de que o homem pudesse deduzir deles as devidas orienta\u00e7\u00f5es para a &#8220;cultivar e guardar&#8221; (cf. Gn 2, 15). Tudo o que existe pertence a Deus, que o confiou aos homens, mas n\u00e3o \u00e0 sua arbitr\u00e1ria disposi\u00e7\u00e3o. E quando o homem, em vez de desempenhar a sua fun\u00e7\u00e3o de colaborador de Deus, se coloca no lugar de Deus, acaba por provocar a rebeli\u00e3o da natureza, &#8220;mais tiranizada que governada por ele&#8221;. O homem tem, portanto, o dever de exercer um governo respons\u00e1vel da cria\u00e7\u00e3o, preservando-a e cultivando-a.<\/p>\n<p><strong>7.<\/strong> Infelizmente temos de constatar que um grande n\u00famero de pessoas, em v\u00e1rios pa\u00edses e regi\u00f5es da terra, experimenta dificuldades cada vez maiores, porque muitos se descuidam ou se recusam a exercer sobre o ambiente um governo respons\u00e1vel. O Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II lembrou que &#8220;Deus destinou \u00e0 terra com tudo o que ela cont\u00e9m para uso de todos os homens e povos&#8221;. Por isso, a heran\u00e7a da cria\u00e7\u00e3o pertence \u00e0 humanidade inteira. Entretanto, o ritmo atual de explora\u00e7\u00e3o p\u00f5e seriamente em perigo a disponibilidade de alguns recursos naturais n\u00e3o s\u00f3 para a gera\u00e7\u00e3o atual, mas sobretudo para as gera\u00e7\u00f5es futuras. Ora, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil constatar como a degrada\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 muitas vezes o resultado da falta de projetos pol\u00edticos clarividentes ou da persecu\u00e7\u00e3o de m\u00edopes interesses econ\u00f4micos, que se transformam, infelizmente, numa s\u00e9ria amea\u00e7a para a cria\u00e7\u00e3o. Para contrastar tal fen\u00f4meno, na certeza de que &#8220;cada decis\u00e3o econ\u00f4mica tem consequ\u00eancias de car\u00e1ter moral&#8221;, \u00e9 necess\u00e1rio tamb\u00e9m que a atividade econ\u00f4mica seja mais respeitadora do ambiente. Quando se lan\u00e7a m\u00e3o dos recursos naturais, \u00e9 preciso preocupar-se com a sua preserva\u00e7\u00e3o prevendo tamb\u00e9m os seus custos em termos ambientais e sociais, que se devem contabilizar como uma parcela essencial da atividade econ\u00f4mica. Compete \u00e0 comunidade internacional e aos governos nacionais dar os justos sinais para contrastar de modo eficaz, no uso do ambiente, as modalidades que resultem danosas para o mesmo. Para proteger o ambiente e tutelar os recursos e o clima \u00e9 preciso, por um lado, agir no respeito de normas bem definidas mesmo do ponto de vista jur\u00eddico e econ\u00f4mico e, por outro, ter em conta a solidariedade devida a quantos habitam nas regi\u00f5es mais pobres da terra e \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p><strong>8<\/strong>. Na realidade, \u00e9 urgente a obten\u00e7\u00e3o de uma leal solidariedade entre as gera\u00e7\u00f5es. Os custos resultantes do uso dos recursos ambientais comuns n\u00e3o podem ficar a cargo das gera\u00e7\u00f5es futuras. &#8220;Herdeiros das gera\u00e7\u00f5es passadas e benefici\u00e1rios do trabalho dos nossos contempor\u00e2neos, temos obriga\u00e7\u00f5es para com todos, e n\u00e3o podemos desinteressar-nos dos que vir\u00e3o depois de n\u00f3s aumentar o c\u00edrculo da fam\u00edlia humana. A solidariedade universal \u00e9 para n\u00f3s n\u00e3o s\u00f3 um fato e um benef\u00edcio, mas tamb\u00e9m um dever. Trata-se de uma responsabilidade que as gera\u00e7\u00f5es presentes t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s futuras, uma responsabilidade que pertence tamb\u00e9m a cada um dos Estados e \u00e0 comunidade internacional&#8221;. O uso dos recursos naturais dever\u00e1 verificar-se em condi\u00e7\u00f5es tais que as vantagens imediatas n\u00e3o comportem consequ\u00eancias negativas para os seres vivos, humanos e n\u00e3o humanos, presentes e vindouros; que a tutela da propriedade privada n\u00e3o dificulte o destino universal dos bens; que a interven\u00e7\u00e3o do homem n\u00e3o comprometa a fecundidade da terra para benef\u00edcio do dia de hoje e do amanh\u00e3. Para al\u00e9m de uma leal solidariedade entre as gera\u00e7\u00f5es, h\u00e1 que reafirmar a urgente necessidade moral de uma renovada solidariedade entre os indiv\u00edduos da mesma gera\u00e7\u00e3o, especialmente nas rela\u00e7\u00f5es entre os pa\u00edses em vias de desenvolvimento e os pa\u00edses altamente industrializados: &#8220;A comunidade internacional tem o imperioso dever de encontrar as vias institucionais para regular a explora\u00e7\u00e3o dos recursos n\u00e3o renov\u00e1veis, com a participa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m dos pa\u00edses pobres, de modo a planificar em conjunto o futuro&#8221;. A crise ecol\u00f3gica manifesta a urg\u00eancia de uma solidariedade que se projete no espa\u00e7o e no tempo. Com efeito, \u00e9 importante reconhecer, entre as causas da crise ecol\u00f3gica atual, a responsabilidade hist\u00f3rica dos pa\u00edses industrializados. Contudo, os pa\u00edses menos desenvolvidos e, de modo particular, os pa\u00edses emergentes n\u00e3o est\u00e3o exonerados da sua pr\u00f3pria responsabilidade para com a cria\u00e7\u00e3o, porque o dever de adotar gradualmente medidas e pol\u00edticas ambientais eficazes pertence a todos. Isto poder-se-ia realizar mais facilmente se houvesse c\u00e1lculos menos interesseiros na assist\u00eancia, na transfer\u00eancia dos conhecimentos e tecnologias menos poluidoras.<\/p>\n<p><strong>9<\/strong>. Um dos n\u00f3s principais a enfrentar pela comunidade internacional \u00e9, sem d\u00favida, o dos recursos energ\u00e9ticos, delineando estrat\u00e9gias compartilhadas e sustent\u00e1veis para satisfazer as necessidades de energia da gera\u00e7\u00e3o atual e das gera\u00e7\u00f5es futuras. Para isso, \u00e9 preciso que as sociedades tecnologicamente avan\u00e7adas estejam dispostas a favorecer comportamentos caracterizados pela sobriedade, diminuindo as pr\u00f3prias necessidades de energia e melhorando as condi\u00e7\u00f5es da sua utiliza\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo \u00e9 preciso promover a pesquisa e a aplica\u00e7\u00e3o de energias de menor impacto ambiental e a &#8220;redistribui\u00e7\u00e3o mundial dos recursos energ\u00e9ticos, de modo que os pr\u00f3prios pa\u00edses desprovidos possam ter acesso aos mesmos&#8221;. Deste modo, a crise ecol\u00f3gica oferece uma oportunidade hist\u00f3rica para elaborar uma resposta coletiva tendente a converter o modelo de desenvolvimento global segundo uma dire\u00e7\u00e3o mais respeitadora da cria\u00e7\u00e3o e de um desenvolvimento humano integral, inspirado nos valores pr\u00f3prios da caridade na verdade. Fa\u00e7o votos, portanto, de que se adote um modelo de desenvolvimento fundado na centralidade do ser humano,<br \/>\nna promo\u00e7\u00e3o e partilha do bem comum, na responsabilidade, na consci\u00eancia da necessidade de mudar os estilos de vida e na prud\u00eancia, virtude que indica as a\u00e7\u00f5es que se devem realizar hoje na previs\u00e3o do que poder\u00e1 suceder amanh\u00e3.<\/p>\n<p><strong>10<\/strong>. A fim de guiar a humanidade para uma gest\u00e3o globalmente sustent\u00e1vel do ambiente e dos recursos da terra, o homem \u00e9 chamado a concentrar a sua intelig\u00eancia no campo da pesquisa cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica e na aplica\u00e7\u00e3o das descobertas que da\u00ed derivam. A &#8220;nova solidariedade&#8221;, que Jo\u00e3o Paulo II prop\u00f4s na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 1990, e a &#8220;solidariedade<br \/>\nglobal&#8221;, a que eu mesmo fiz apelo na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2009, apresentam-se como atitudes essenciais para orientar o compromisso de tutela da cria\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um sistema de gest\u00e3o dos recursos da terra melhor coordenado em n\u00edvel internacional, sobretudo no momento em que se v\u00ea aparecer, de forma cada vez mais evidente, a forte rela\u00e7\u00e3o que existe entre a luta contra a degrada\u00e7\u00e3o ambiental e a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento humano integral. Trata-se de uma din\u00e2mica imprescind\u00edvel, j\u00e1 que &#8220;o desenvolvimento integral do homem n\u00e3o pode realizar-se sem o desenvolvimento solid\u00e1rio da humanidade&#8221;. Muitas s\u00e3o hoje as oportunidades cient\u00edficas e os potenciais percursos inovadores, mediante os quais \u00e9 poss\u00edvel fornecer solu\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias e respeitadoras da rela\u00e7\u00e3o entre o homem e o ambiente. Por exemplo, \u00e9 preciso encorajar as pesquisas que visam identificar as modalidades mais eficazes para explorar a grande potencialidade da energia solar. A mesma aten\u00e7\u00e3o se deve prestar \u00e0 quest\u00e3o, hoje mundial, da \u00e1gua e ao sistema hidrogeol\u00f3gico global, cujo ciclo se reveste de prim\u00e1ria import\u00e2ncia para a vida na terra, mas est\u00e1 fortemente amea\u00e7ado na sua estabilidade pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. De igual modo deve-se procurar apropriadas estrat\u00e9gias de desenvolvimento rural centradas nos pequenos cultivadores e nas suas fam\u00edlias, sendo necess\u00e1rio tamb\u00e9m elaborar pol\u00edticas id\u00f4neas para a gest\u00e3o das florestas, o tratamento do lixo, a valoriza\u00e7\u00e3o das sinergias existentes no contraste \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e na luta contra a pobreza. S\u00e3o precisas pol\u00edticas nacionais ambiciosas, completadas pelo necess\u00e1rio empenho internacional que h\u00e1 de trazer importantes benef\u00edcios, sobretudo, a m\u00e9dio e a longo prazos. Enfim, \u00e9 necess\u00e1rio sair da l\u00f3gica de mero consumo para promover formas de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e industrial que respeitem a ordem da cria\u00e7\u00e3o e satisfa\u00e7am as necessidades prim\u00e1rias de todos. A quest\u00e3o ecol\u00f3gica n\u00e3o deve ser enfrentada apenas por causa das pavorosas perspectivas que a degrada\u00e7\u00e3o ambiental esbo\u00e7a no horizonte; o motivo principal h\u00e1 de ser a busca duma aut\u00eantica solidariedade de dimens\u00e3o mundial, inspirada pelos valores da caridade, da justi\u00e7a e do bem comum. Por outro lado, como j\u00e1 tive ocasi\u00e3o de recordar, a t\u00e9cnica &#8220;nunca \u00e9 simplesmente t\u00e9cnica; mas manifesta o homem e as suas aspira\u00e7\u00f5es ao desenvolvimento, exprime a tens\u00e3o do \u00e2nimo humano para uma gradual supera\u00e7\u00e3o de certos condicionamentos materiais. Assim, a t\u00e9cnica insere-se no mandato de &#8216;cultivar e guardar a terra&#8217; (cf. Gn 2, 15) que Deus confiou ao homem, e h\u00e1 de ser orientada para refor\u00e7ar aquela alian\u00e7a entre ser humano e ambiente em que se deve refletir o amor criador de Deus&#8221;.<\/p>\n<p><strong>11<\/strong>. \u00c9 cada vez mais claro que o tema da degrada\u00e7\u00e3o ambiental p\u00f5e em quest\u00e3o os comportamentos de cada um de n\u00f3s, os estilos de vida e os modelos de consumo e de produ\u00e7\u00e3o hoje dominantes, muitas vezes insustent\u00e1veis do ponto de vista social, ambiental e at\u00e9 econ\u00f4mico. Torna-se indispens\u00e1vel uma real mudan\u00e7a de mentalidade que induza a todos a adotarem novos estilos de vida, &#8220;nos quais a busca do verdadeiro, do belo e do bom e a comunh\u00e3o com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as op\u00e7\u00f5es do consumo, da poupan\u00e7a e do investimento&#8221;. Deve-se educar cada vez mais para se construir a paz a partir de op\u00e7\u00f5es clarividentes em n\u00edvel pessoal, familiar, comunit\u00e1rio e pol\u00edtico. Todos somos respons\u00e1veis pela prote\u00e7\u00e3o e cuidado da cria\u00e7\u00e3o. Tal responsabilidade n\u00e3o conhece fronteiras. Segundo, o princ\u00edpio de subsidiariedade, \u00e9 importante que cada um, no n\u00edvel que lhe corresponde, se comprometa a trabalhar para que deixem de prevalecer os interesses particulares.<\/p>\n<p>Um papel de sensibiliza\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o compete de modo particular aos v\u00e1rios sujeitos da sociedade civil e \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, empenhados com determina\u00e7\u00e3o e generosidade na difus\u00e3o de uma responsabilidade ecol\u00f3gica, que deveria aparecer cada vez mais ancorada ao respeito pela &#8220;ecologia humana&#8221;. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso lembrar a responsabilidade dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social neste \u00e2mbito, propondo modelos positivos que sirvam de inspira\u00e7\u00e3o. \u00c9 que ocupar-se do ambiente requer uma vis\u00e3o larga e global do mundo; um esfor\u00e7o comum e respons\u00e1vel a fim de passar de uma l\u00f3gica centrada sobre o interesse ego\u00edsta da na\u00e7\u00e3o para uma vis\u00e3o que sempre abrace as necessidades de todos os povos. N\u00e3o podemos permanecer indiferentes \u00e0quilo que sucede ao nosso redor, porque a deteriora\u00e7\u00e3o de uma parte qualquer do mundo recairia sobre todos. As rela\u00e7\u00f5es entre pessoas, grupos sociais e Estados, bem como as rela\u00e7\u00f5es entre homem e ambiente s\u00e3o chamadas a assumir o estilo do respeito e da &#8220;caridade na verdade&#8221;. Neste contexto alargado, \u00e9 altamente desej\u00e1vel que encontrem eficaz correspond\u00eancia os esfor\u00e7os da comunidade internacional que visam obter um progressivo desarmamento e um mundo sem armas nucleares, cuja mera presen\u00e7a amea\u00e7a a vida da terra e o processo de desenvolvimento integral da humanidade atual e futura.<\/p>\n<p><strong>12.<\/strong> A Igreja tem a sua parte de responsabilidade pela cria\u00e7\u00e3o e sente que a deve exercer tamb\u00e9m em \u00e2mbito p\u00fablico, para defender a terra, a \u00e1gua e o ar, d\u00e1divas feitas por Deus Criador a todos, e antes de tudo para proteger o homem contra o perigo da destrui\u00e7\u00e3o de si mesmo. Com efeito, a degrada\u00e7\u00e3o da natureza est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 cultura que molda a conviv\u00eancia humana, pelo que, &#8220;quando a &#8216;ecologia humana&#8217; \u00e9 respeitada dentro da sociedade, beneficia tamb\u00e9m a ecologia ambiental&#8221;. N\u00e3o se pode pedir aos jovens que respeitem o ambiente, se n\u00e3o s\u00e3o ajudados, em fam\u00edlia e na sociedade, a respeitar-se a si mesmos: o livro da natureza \u00e9 \u00fanico, tanto sobre a vertente do ambiente como sobre a da \u00e9tica pessoal, familiar e social. Os deveres para com o ambiente derivam dos deveres para com a pessoa considerada em si mesma e no seu relacionamento com os outros. Por isso, de bom grado encorajo a educa\u00e7\u00e3o para uma responsabilidade ecol\u00f3gica, que, como indiquei na enc\u00edclica <em>&#8220;Caritas in veritate&#8221;,<\/em> salvaguarde uma aut\u00eantica &#8220;ecologia humana&#8221; e consequentemente afirme, com renovada convic\u00e7\u00e3o, a inviolabilidade da vida humana em todas as suas fases e condi\u00e7\u00f5es, a dignidade da pessoa e a miss\u00e3o insubstitu\u00edvel da fam\u00edlia, onde se educa para o amor ao pr\u00f3ximo e o respeito da<br \/>\nnatureza. \u00c9 preciso preservar o patrim\u00f4nio humano da sociedade. Este patrim\u00f4nio de valores tem a sua origem e est\u00e1 inscrito na lei moral natural, que \u00e9 fundamento do respeito da pessoa humana e da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>13.<\/strong> Por fim, n\u00e3o se deve esquecer o fato, altamente significativo, de que muitos encontram tranquilidade e paz, sentem-se renovados e revigorados quando entram em contato direto com a beleza e a harmonia da natureza. Existe aqui uma esp\u00e9cie de reciprocidade: quando cuidamos da cria\u00e7\u00e3o, constatamos que Deus, atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o, cuida de n\u00f3s. Por outro lado, uma vis\u00e3o correta da rela\u00e7\u00e3o do homem com o ambiente impede de absolutizar a natureza ou de a considerar mais importante do que a pessoa. Se o magist\u00e9rio da Igreja exprime perplexidades acerca de uma concep\u00e7\u00e3o do ambiente inspirada no ecocentrismo e no biocentrismo, o faz\u00a0 porque tal concep\u00e7\u00e3o elimina a diferen\u00e7a ontol\u00f3gica e axiol\u00f3gica entre a pessoa humana e os outros seres<br \/>\nvivos. Deste modo, chega-se realmente a eliminar a identidade e a fun\u00e7\u00e3o superior do homem, favorecendo uma vis\u00e3o igualitarista da &#8220;dignidade&#8221; de todos os seres vivos. Assim se d\u00e1 entrada a um novo pante\u00edsmo com acentos neopag\u00e3os que fazem derivar apenas da natureza, entendida em sentido puramente naturalista, a salva\u00e7\u00e3o para o homem. Ao contr\u00e1rio, a Igreja convida a colocar a<br \/>\nquest\u00e3o de modo equilibrado, no respeito da &#8220;gram\u00e1tica&#8221; que o Criador inscreveu na sua obra, confiando ao homem o papel de guardi\u00e3o e administrador respons\u00e1vel da cria\u00e7\u00e3o, papel de que certamente n\u00e3o deve abusar mas tamb\u00e9m n\u00e3o pode abdicar.<br \/>\nCom efeito, a posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria, que considera a t\u00e9cnica e o poder humano como absolutos, acaba por ser um grave atentado n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 natureza, mas tamb\u00e9m \u00e0 pr\u00f3pria dignidade humana.<\/p>\n<p><strong>14<\/strong>. Se quiseres cultivar a paz, preserva a cria\u00e7\u00e3o. A busca da paz por parte de todos os homens de boa vontade ser\u00e1, sem d\u00favida alguma, facilitada pelo reconhecimento comum da rela\u00e7\u00e3o indivis\u00edvel que existe entre Deus, os seres humanos e a cria\u00e7\u00e3o inteira. Os crist\u00e3os, iluminados pela Revela\u00e7\u00e3o divina e seguindo a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, prestam a sua pr\u00f3pria contribui\u00e7\u00e3o. Consideram o cosmos e as suas maravilhas \u00e0 luz da obra criadora do Pai e redentora de Cristo, que, pela sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, reconciliou com Deus &#8220;todas as criaturas, na terra e nos c\u00e9us&#8221; (Cl 1, 20). Cristo crucificado e ressuscitado concedeu \u00e0 humanidade o dom do seu Esp\u00edrito santificador, que guia o caminho da hist\u00f3ria \u00e0 espera daquele dia em que, com o regresso glorioso do Senhor, ser\u00e3o inaugurados &#8220;novos c\u00e9us e uma nova terra&#8221; (2 Pd 3, 13), onde habitar\u00e3o a justi\u00e7a e a paz para sempre. Assim, proteger o ambiente natural para construir um mundo de paz \u00e9 dever de toda a pessoa. Trata-se de um desafio urgente que se h\u00e1 de enfrentar com renovado e concorde empenho; \u00e9 uma oportunidade providencial para entregar \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es a perspectiva de um futuro melhor para todos. Disto mesmo estejam cientes os respons\u00e1veis das na\u00e7\u00f5es e quantos, nos diversos n\u00edveis, t\u00eam \u00e0 frente a sorte da humanidade: a salvaguarda da cria\u00e7\u00e3o e a realiza\u00e7\u00e3o da paz s\u00e3o realidades intimamente ligadas entre si. Por isso, convido todos os crentes a elevarem a Deus, Criador onipotente e Pai misericordioso, a sua ora\u00e7\u00e3o fervorosa, para que no cora\u00e7\u00e3o de cada homem e de cada mulher ressoe, seja acolhido e vivido o premente apelo: Se quiseres cultivar a paz, preserva a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Vaticano, 8 de Dezembro de 2009<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz &#8211; 2010<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":190401,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>&quot;Se quiseres cultivar a paz, preserva a cria\u00e7\u00e3o&quot; - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/mensagem-de-sua-santidade-bento-xvi-para-a-celebracao-do-dia-mundial-da-paz-1-de-janeiro-de-2010\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"&quot;Se quiseres cultivar a paz, preserva a cria\u00e7\u00e3o&quot; - 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