{"id":4248,"date":"2011-10-25T13:12:40","date_gmt":"2011-10-25T13:12:40","guid":{"rendered":"http:\/\/new.franciscanos.org.br\/?p=4248"},"modified":"2019-09-05T12:22:25","modified_gmt":"2019-09-05T15:22:25","slug":"sacramentum-caritatis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/","title":{"rendered":"Sacramentum Caritatis"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>EXORTA\u00c7\u00c3O APOST\u00d3LICA<\/strong><br \/>\n<strong>P\u00d3S-SINODAL<\/strong><br \/>\n<strong>SACRAMENTUM CARITATIS<\/strong><br \/>\n<strong>DE SUA SANTIDADE<\/strong><br \/>\n<strong>BENTO XVI<\/strong><br \/>\n<strong>AO EPISCOPADO, AO CLERO<\/strong><br \/>\n<strong>\u00c0S PESSOAS CONSAGRADAS<\/strong><br \/>\n<strong>E AOS FI\u00c9IS LEIGOS<\/strong><br \/>\n<strong>SOBRE A EUCARISTIA<\/strong><br \/>\n<strong>FONTE E \u00c1PICE DA VIDA<\/strong><br \/>\n<strong>E DA MISS\u00c3O DA IGREJA<\/strong><\/p>\n<p>Introdu\u00e7\u00e3o [1]<br \/>\nO alimento da verdade [2]<br \/>\nO desenvolvimento do rito eucar\u00edstico [3]<br \/>\nO S\u00ednodo dos Bispos e o Ano da Eucaristia [4]<br \/>\nFinalidade do documento [5]<\/p>\n<p>I PARTE<br \/>\nEUCARISTIA, MIST\u00c9RIO ACREDITADO<br \/>\nA f\u00e9 eucar\u00edstica da Igreja [6]<br \/>\nSant\u00edssima Trindade e Eucaristia<br \/>\nO p\u00e3o descido do c\u00e9u [7]<br \/>\nDom gratuito da Sant\u00edssima Trindade [8]<br \/>\nEucaristia: Jesus verdadeiro Cordeiro imolado<br \/>\nA nova e eterna alian\u00e7a no sangue do Cordeiro [9]<br \/>\nA institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia [10]<br \/>\nA figura deu lugar \u00e0 Verdade [11]<br \/>\nO Esp\u00edrito Santo e a Eucaristia<br \/>\nJesus e o Esp\u00edrito Santo [12]<br \/>\nEsp\u00edrito Santo e celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica [13]<br \/>\nEucaristia e Igreja<br \/>\nEucaristia, princ\u00edpio causal da Igreja [14]<br \/>\nEucaristia e comunh\u00e3o eclesial [15]<br \/>\nEucaristia e Sacramentos<br \/>\nSacramentalidade da Igreja [16]<br \/>\nI. Eucaristia e inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<br \/>\nEucaristia, plenitude da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 [17]<br \/>\nA ordem dos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o [18]<br \/>\nInicia\u00e7\u00e3o, comunidade eclesial e fam\u00edlia [19]<br \/>\nII. Eucaristia e sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o<br \/>\nSua liga\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca [20]<br \/>\nAlguns cuidados pastorais [21]<br \/>\nIII. Eucaristia e Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos [22]<br \/>\nIV. Eucaristia e sacramento da Ordem<br \/>\nNa pessoa de Cristo cabe\u00e7a [23]<br \/>\nEucaristia e celibato sacerdotal [24]<br \/>\nEscassez de clero e pastoral vocacional [25]<br \/>\nGratid\u00e3o e esperan\u00e7a [26]<br \/>\nV. Eucaristia e Matrim\u00f3nio<br \/>\nEucaristia, sacramento esponsal [27]<br \/>\nEucaristia e unidade do Matrim\u00f3nio [28]<br \/>\nEucaristia e indissolubilidade do Matrim\u00f3nio [29]<br \/>\nEucaristia e escatologia<br \/>\nEucaristia, dom para o homem a caminho [30]<br \/>\nO banquete escatol\u00f3gico [31]<br \/>\nOra\u00e7\u00e3o pelos defuntos [32]<br \/>\nA Eucaristia e a Virgem Maria [33]<\/p>\n<p>II PARTE<br \/>\nEUCARISTIA, MIST\u00c9RIO CELEBRADO<br \/>\nNorma da ora\u00e7\u00e3o e norma de f\u00e9 [34]<br \/>\nBeleza e liturgia [35]<br \/>\nA celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, obra de Cristo inteiro<br \/>\nCristo inteiro: cabe\u00e7a e corpo [36]<br \/>\nEucaristia e Cristo ressuscitado [37]<br \/>\nArte da celebra\u00e7\u00e3o [38]<br \/>\nO bispo, liturgista por excel\u00eancia [39]<br \/>\nO respeito pelos livros lit\u00fargicos e pela riqueza dos sinais [40]<br \/>\nArte ao servi\u00e7o da celebra\u00e7\u00e3o [41]<br \/>\nO canto lit\u00fargico [42]<br \/>\nA estrutura da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica [43]<br \/>\nUnidade intr\u00ednseca da ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica [44]<br \/>\nA liturgia da palavra [45]<br \/>\nA homilia [46]<br \/>\nApresenta\u00e7\u00e3o das oferendas [47]<br \/>\nA Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica [48]<br \/>\nSauda\u00e7\u00e3o da paz [49]<br \/>\nDistribui\u00e7\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o da Eucaristia [50]<br \/>\nA despedida: \u00ab Ite, missa est \u00bb [51]<br \/>\nParticipa\u00e7\u00e3o activa<br \/>\nAut\u00eantica participa\u00e7\u00e3o [52]<br \/>\nParticipa\u00e7\u00e3o e minist\u00e9rio sacerdotal [53]<br \/>\nCelebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e incultura\u00e7\u00e3o [54]<br \/>\nCondi\u00e7\u00f5es pessoais para uma participa\u00e7\u00e3o activa [55]<br \/>\nParticipa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os n\u00e3o cat\u00f3licos [56]<br \/>\nParticipa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o [57]<br \/>\nParticipa\u00e7\u00e3o activa dos doentes [58]<br \/>\nA solicitude pelos presos [59]<br \/>\nOs migrantes e a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia [60]<br \/>\nAs grandes concelebra\u00e7\u00f5es [61]<br \/>\nA l\u00edngua latina [62]<br \/>\nCelebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas em pequenos grupos [63]<br \/>\nCelebra\u00e7\u00e3o interiormente participada<br \/>\nCatequese mistag\u00f3gica [64]<br \/>\nA rever\u00eancia \u00e0 Eucaristia [65]<br \/>\nAdora\u00e7\u00e3o e piedade eucar\u00edstica<br \/>\nA rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre celebra\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o [66]<br \/>\nA pr\u00e1tica da adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica [67]<br \/>\nFormas de devo\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica [68]<br \/>\nO lugar do sacr\u00e1rio na igreja [69]<\/p>\n<p>III PARTE<br \/>\nEUCARISTIA, MIST\u00c9RIO VIVIDO<br \/>\nForma eucar\u00edstica da vida crist\u00e3<br \/>\nO culto espiritual [70]<br \/>\nEfic\u00e1cia omnicompreensiva do culto eucar\u00edstico [71]<br \/>\nViver segundo o domingo [72]<br \/>\nViver o preceito dominical [73]<br \/>\nO sentido do repouso e do trabalho [74]<br \/>\nAssembleias dominicais na aus\u00eancia de sacerdote [75]<br \/>\nUma forma eucar\u00edstica da exist\u00eancia crist\u00e3, a perten\u00e7a eclesial [76]<br \/>\nEspiritualidade e cultura eucar\u00edstica [77]<br \/>\nEucaristia e evangeliza\u00e7\u00e3o das culturas [78]<br \/>\nEucaristia e fi\u00e9is leigos [79]<br \/>\nEucaristia e espiritualidade sacerdotal [80]<br \/>\nEucaristia e vida consagrada [81]<br \/>\nEucaristia e transforma\u00e7\u00e3o moral [82]<br \/>\nCoer\u00eancia eucar\u00edstica [83]<br \/>\nEucaristia, mist\u00e9rio anunciado<br \/>\nEucaristia e miss\u00e3o [84]<br \/>\nEucaristia e testemunho [85]<br \/>\nJesus Cristo, \u00fanico Salvador [86]<br \/>\nLiberdade de culto [87]<br \/>\nEucaristia, mist\u00e9rio oferecido ao mundo<br \/>\nEucaristia, p\u00e3o repartido para a vida do mundo [88]<br \/>\nAs implica\u00e7\u00f5es sociais do mist\u00e9rio eucar\u00edstico [89]<br \/>\nO alimento da verdade e a indig\u00eancia do homem [90]<br \/>\nA doutrina social da Igreja [91]<br \/>\nSantifica\u00e7\u00e3o do mundo e defesa da cria\u00e7\u00e3o [92]<br \/>\nUtilidade dum Comp\u00eandio Eucar\u00edstico [93]<br \/>\nConclus\u00e3o [94-97]<br \/>\n________________________________________<br \/>\nINTRODU\u00c7\u00c3O<br \/>\n1. Sacramento da Caridade, (1) a sant\u00edssima Eucaristia \u00e9 a doa\u00e7\u00e3o que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Neste sacramento admir\u00e1vel, manifesta-se o amor \u00ab maior \u00bb: o amor que leva a \u00ab dar a vida pelos amigos \u00bb (Jo 15, 13). De facto, Jesus \u00ab amou-os at\u00e9 ao fim \u00bb (Jo 13, 1). Com estas palavras, o evangelista introduz o gesto de infinita humildade que Ele realizou: na vig\u00edlia da sua morte por n\u00f3s na cruz, p\u00f4s uma toalha \u00e0 cintura e lavou os p\u00e9s aos seus disc\u00edpulos. Do mesmo modo, no sacramento eucar\u00edstico, Jesus continua a amar-nos \u00ab at\u00e9 ao fim \u00bb, at\u00e9 ao dom do seu corpo e do seu sangue. Que enlevo se deve ter apoderado do cora\u00e7\u00e3o dos disc\u00edpulos \u00e0 vista dos gestos e palavras do Senhor durante aquela Ceia! Que maravilha deve suscitar, tamb\u00e9m no nosso cora\u00e7\u00e3o, o mist\u00e9rio eucar\u00edstico!<br \/>\nO alimento da verdade<br \/>\n2. No sacramento do altar, o Senhor vem ao encontro do homem, criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus (Gn 1, 27), fazendo-Se seu companheiro de viagem. Com efeito, neste sacramento, Jesus torna-Se alimento para o homem, faminto de verdade e de liberdade. Uma vez que s\u00f3 a verdade nos pode tornar verdadeiramente livres (Jo 8, 36), Cristo faz-Se alimento de Verdade para n\u00f3s. Com agudo conhecimento da realidade humana, Santo Agostinho p\u00f4s em evid\u00eancia como o homem se move espontaneamente, e n\u00e3o constrangido, quando encontra algo que o atrai e nele suscita desejo. Perguntando-se ele, uma vez, sobre o que poderia em \u00faltima an\u00e1lise mover o homem no seu \u00edntimo, o santo bispo exclama: \u00ab Que pode a alma desejar mais ardentemente do que a verdade? \u00bb (2) De facto, todo o homem traz dentro de si o desejo insuprim\u00edvel da verdade \u00faltima e definitiva. Por isso, o Senhor Jesus, \u00ab caminho, verdade e vida \u00bb (Jo 14, 6), dirige-Se ao cora\u00e7\u00e3o anelante do homem que se sente peregrino e sedento, ao cora\u00e7\u00e3o que suspira pela fonte da vida, ao cora\u00e7\u00e3o mendigo da Verdade. Com efeito, Jesus Cristo \u00e9 a Verdade feita Pessoa, que atrai a Si o mundo. \u00ab Jesus \u00e9 a estrela polar da liberdade humana: esta, sem Ele, perde a sua orienta\u00e7\u00e3o, porque, sem o conhecimento da verdade, a liberdade desvirtua-se, isola-se e reduz-se a est\u00e9ril arb\u00edtrio. Com Ele, a liberdade volta a encontrar-se a si mesma \u00bb.(3) No sacramento da Eucaristia, Jesus mostra-nos de modo particular a verdade do amor, que \u00e9 a pr\u00f3pria ess\u00eancia de Deus. Esta \u00e9 a verdade evang\u00e9lica que interessa a todo o homem e ao homem todo. Por isso a Igreja, que encontra na Eucaristia o seu centro vital, esfor\u00e7a-se constantemente por anunciar a todos, em tempo prop\u00edcio e fora dele (opportune, importune: cf. 2 Tm 4, 2), que Deus \u00e9 amor.(4) Exactamente porque Cristo Se fez alimento de Verdade para n\u00f3s, a Igreja dirige-se ao homem convidando-o a acolher livremente o dom de Deus.<br \/>\nO desenvolvimento do rito eucar\u00edstico<br \/>\n3. Contemplando a hist\u00f3ria bimilen\u00e1ria da Igreja de Deus, sapientemente guiada pela ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, admiramos cheios de gratid\u00e3o o desenvolvimento ordenado no tempo das formas rituais em que fazemos mem\u00f3ria do acontecimento da nossa salva\u00e7\u00e3o. Desde as m\u00faltiplas formas dos primeiros s\u00e9culos, que resplandecem ainda nos ritos das Antigas Igrejas do Oriente, at\u00e9 \u00e0 difus\u00e3o do rito romano; desde as indica\u00e7\u00f5es claras do Conc\u00edlio de Trento e do Missal de S\u00e3o Pio V at\u00e9 \u00e0 renova\u00e7\u00e3o lit\u00fargica querida pelo Conc\u00edlio Vaticano II: em cada etapa da hist\u00f3ria da Igreja, a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, enquanto fonte e \u00e1pice da sua vida e miss\u00e3o, resplandece no rito lit\u00fargico em toda a sua multiforme riqueza. A XI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos, que decorreu de 2 a 23 de Outubro de 2005 no Vaticano, elevou um profundo agradecimento a Deus por esta hist\u00f3ria, reconhecendo nela a guia activa do Esp\u00edrito Santo. De modo particular, os padres sinodais reconheceram e reafirmaram o ben\u00e9fico influxo que teve, na vida da Igreja, a reforma lit\u00fargica actuada a partir do Conc\u00edlio Ecum\u00e9nico Vaticano II.(5) O S\u00ednodo dos Bispos p\u00f4de avaliar o acolhimento que a mesma teve depois da assembleia conciliar; in\u00fameros foram os elogios; como l\u00e1 se disse, as dificuldades e alguns abusos assinalados n\u00e3o podem ofuscar a excel\u00eancia e a validade da referida renova\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, que cont\u00e9m riquezas ainda n\u00e3o plenamente exploradas. Trata-se, em concreto, de ler as mudan\u00e7as queridas pelo Conc\u00edlio dentro da unidade que caracteriza o desenvolvimento hist\u00f3rico do pr\u00f3prio rito, sem introduzir artificiosas rupturas.(6)<br \/>\nO S\u00ednodo dos Bispos e o Ano da Eucaristia<br \/>\n4. Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio sublinhar a rela\u00e7\u00e3o do recente S\u00ednodo dos Bispos sobre a Eucaristia com o que sucedeu durante os \u00faltimos anos na vida da Igreja. Antes de mais, devemos pensar no Grande Jubileu do ano 2000, com o qual meu amado predecessor, o servo de Deus Jo\u00e3o Paulo II, introduziu a Igreja no terceiro mil\u00e9nio crist\u00e3o; o Ano Jubilar teve, sem d\u00favida, uma caracteriza\u00e7\u00e3o intensamente eucar\u00edstica. Depois, n\u00e3o se pode esquecer que o S\u00ednodo dos Bispos foi precedido e, em certo sentido, preparado tamb\u00e9m pelo Ano da Eucaristia, estabelecido com grande clarivid\u00eancia por Jo\u00e3o Paulo II para toda a Igreja; teve in\u00edcio com o Congresso Eucar\u00edstico Internacional em Guadalajara no m\u00eas de Outubro de 2004 e terminou a 23 de Outubro de 2005, no final da XI Assembleia Sinodal, com a canoniza\u00e7\u00e3o de cinco beatos que se distinguiram, de forma particular, pela sua piedade eucar\u00edstica: o bispo Jos\u00e9 Bilczewski, os sacerdotes Caetano Catanoso, Sigismundo Gorazdowski e Alberto Hurtado Cruchaga, e o religioso capuchinho F\u00e9lix de Nic\u00f3sia. Gra\u00e7as aos ensinamentos propostos por Jo\u00e3o Paulo II na Carta Apost\u00f3lica Mane nobiscum Domine (7) e \u00e0s preciosas sugest\u00f5es da Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos,(8) numerosas foram as iniciativas que as dioceses e as diversas realidades eclesiais empreenderam para despertar e aumentar nos crentes a f\u00e9 eucar\u00edstica, para melhorar o cuidado das celebra\u00e7\u00f5es e promover a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, para encorajar uma real solidariedade que, partindo da Eucaristia, atingisse os necessitados. Por \u00faltimo, \u00e9 preciso mencionar a import\u00e2ncia da \u00faltima Enc\u00edclica do meu venerado predecessor, a Ecclesia de Eucharistia,(9) deixando-nos atrav\u00e9s dela uma segura refer\u00eancia do Magist\u00e9rio quanto \u00e0 doutrina eucar\u00edstica e um derradeiro testemunho do lugar central que este sacramento divino ocupava na sua vida.<br \/>\nFinalidade do documento<br \/>\n5. Esta Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal tem por objectivo recolher a multiforme riqueza de reflex\u00f5es e propostas surgidas na recente Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos \u2014 a come\u00e7ar dos Lineamenta at\u00e9 \u00e0s Propositiones, passando pelo Instrumentum laboris, as Relationes ante et post disceptationem, as interven\u00e7\u00f5es dos padres sinodais, auditores e delegados fraternos \u2014, com a inten\u00e7\u00e3o de explicitar algumas linhas fundamentais de empenho tendentes a despertar na Igreja novo impulso e fervor eucar\u00edstico. Consciente do vasto patrim\u00f3nio doutrinal e disciplinar acumulado no decurso dos s\u00e9culos \u00e0 volta da Eucaristia,(10) neste documento desejo sobretudo recomendar, acolhendo o voto dos padres sinodais,(11) que o povo crist\u00e3o aprofunde a rela\u00e7\u00e3o entre o mist\u00e9rio eucar\u00edstico, a ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica e o novo culto espiritual que deriva da Eucaristia enquanto sacramento da caridade. Com esta perspectiva, pretendo colocar esta Exorta\u00e7\u00e3o na linha da minha primeira Carta Enc\u00edclica \u2014 a Deus caritas est \u2014, na qual v\u00e1rias vezes falei do sacramento da Eucaristia pondo em evid\u00eancia a sua rela\u00e7\u00e3o com o amor crist\u00e3o, tanto para com Deus como para com o pr\u00f3ximo: \u00ab O Deus encarnado atrai-nos todos a Si. Assim se compreende por que motivo o termo agape se tenha tornado tamb\u00e9m um nome da Eucaristia; nesta, a agape de Deus vem corporalmente a n\u00f3s, para continuar a sua ac\u00e7\u00e3o em n\u00f3s e atrav\u00e9s de n\u00f3s \u00bb.(12)<\/p>\n<p>I PARTE<br \/>\nEUCARISTIA, MIST\u00c9RIO ACREDITADO<br \/>\n\u00ab A obra de Deus consiste<br \/>\nem acreditar n&#8217;Aquele que Ele enviou \u00bb<br \/>\n(Jo 6, 29)<br \/>\nA f\u00e9 eucar\u00edstica da Igreja<br \/>\nA f\u00e9 eucar\u00edstica da Igreja<br \/>\n6. \u00ab Mist\u00e9rio da f\u00e9! \u00bb: com esta exclama\u00e7\u00e3o pronunciada logo a seguir \u00e0s palavras da consagra\u00e7\u00e3o, o sacerdote proclama o mist\u00e9rio celebrado e manifesta o seu enlevo diante da convers\u00e3o substancial do p\u00e3o e do vinho no corpo e no sangue do Senhor Jesus, realidade esta que ultrapassa toda a compreens\u00e3o humana. Com efeito, a Eucaristia \u00e9 por excel\u00eancia \u00ab mist\u00e9rio da f\u00e9 \u00bb: \u00ab \u00c9 o resumo e a s\u00famula da nossa f\u00e9 \u00bb.(13) A f\u00e9 da Igreja \u00e9 essencialmente f\u00e9 eucar\u00edstica e alimenta-se, de modo particular, \u00e0 mesa da Eucaristia. A f\u00e9 e os sacramentos s\u00e3o dois aspectos complementares da vida eclesial. Suscitada pelo an\u00fancio da palavra de Deus, a f\u00e9 \u00e9 alimentada e cresce no encontro com a gra\u00e7a do Senhor ressuscitado que se realiza nos sacramentos: \u00ab A f\u00e9 exprime-se no rito e este revigora e fortifica a f\u00e9 \u00bb.(14) Por isso, o sacramento do altar est\u00e1 sempre no centro da vida eclesial; \u00ab gra\u00e7as \u00e0 Eucaristia, a Igreja renasce sempre de novo! \u00bb (15) Quanto mais viva for a f\u00e9 eucar\u00edstica no povo de Deus, tanto mais profunda ser\u00e1 a sua participa\u00e7\u00e3o na vida eclesial por meio duma ades\u00e3o convicta \u00e0 miss\u00e3o que Cristo confiou aos seus disc\u00edpulos. Testemunha-o a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da Igreja: toda a grande reforma est\u00e1, de algum modo, ligada \u00e0 redescoberta da f\u00e9 na presen\u00e7a eucar\u00edstica do Senhor no meio do seu povo.<\/p>\n<p>Sant\u00edssima Trindade e Eucaristia<br \/>\nO p\u00e3o descido do c\u00e9u<br \/>\n7. O primeiro conte\u00fado da f\u00e9 eucar\u00edstica \u00e9 o pr\u00f3prio mist\u00e9rio de Deus, amor trinit\u00e1rio. No di\u00e1logo de Jesus com Nicodemos, encontramos uma afirma\u00e7\u00e3o esclarecedora a tal respeito: \u00ab Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unig\u00e9nito, para que todo o homem que acredita n&#8217;Ele n\u00e3o pere\u00e7a, mas tenha a vida eterna. Porque Deus n\u00e3o enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele \u00bb (Jo 3, 16-17). Estas palavras revelam a raiz \u00faltima do dom de Deus. Na Eucaristia, Jesus n\u00e3o d\u00e1 \u00ab alguma coisa \u00bb, mas d\u00e1-Se a Si mesmo; entrega o seu corpo e derrama o seu sangue. Deste modo d\u00e1 a totalidade da sua pr\u00f3pria vida, manifestando a fonte origin\u00e1ria deste amor: Ele \u00e9 o Filho eterno que o Pai entregou por n\u00f3s. Noutro passo do evangelho, depois de Jesus ter saciado a multid\u00e3o pela multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e dos peixes, ouvimo-Lo dizer aos interlocutores que vieram atr\u00e1s d&#8217;Ele at\u00e9 \u00e0 sinagoga de Cafarnaum: \u00ab Meu Pai \u00e9 que vos d\u00e1 o verdadeiro p\u00e3o que vem do c\u00e9u. O p\u00e3o de Deus \u00e9 o que desce do c\u00e9u para dar a vida ao mundo \u00bb (Jo 6, 32-33), acabando por identificar-Se Ele mesmo \u2014 a sua pr\u00f3pria carne e o seu pr\u00f3prio sangue \u2014 com aquele p\u00e3o: \u00ab Eu sou o p\u00e3o vivo que desceu do c\u00e9u. Quem comer deste p\u00e3o viver\u00e1 eternamente. E o p\u00e3o que Eu hei-de dar \u00e9 a minha carne que Eu darei pela vida do mundo \u00bb (Jo 6, 51). Assim Jesus manifesta-Se como o p\u00e3o da vida que o Pai eterno d\u00e1 aos homens.<br \/>\nDom gratuito da Sant\u00edssima Trindade<br \/>\n8. Na Eucaristia, revela-se o des\u00edgnio de amor que guia toda a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o (Ef 1, 9-10; 3, 8-11). Nela, o Deus-Trindade (Deus Trinitas), que em Si mesmo \u00e9 amor (1 Jo 4, 7-8), envolve-Se plenamente com a nossa condi\u00e7\u00e3o humana. No p\u00e3o e no vinho, sob cujas apar\u00eancias Cristo Se nos d\u00e1 na ceia pascal (Lc 22, 14-20; 1 Cor 11, 23-26), \u00e9 toda a vida divina que nos alcan\u00e7a e se comunica a n\u00f3s na forma do sacramento: Deus \u00e9 comunh\u00e3o perfeita de amor entre o Pai, o Filho e o Esp\u00edrito Santo. J\u00e1 na cria\u00e7\u00e3o, o homem fora chamado a partilhar, em certa medida, o sopro vital de Deus (Gn 2, 7). Mas, \u00e9 em Cristo morto e ressuscitado e na efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, dado sem medida (Jo 3, 34), que nos tornamos participantes da intimidade divina.(16) Assim Jesus Cristo, que \u00ab pelo Esp\u00edrito eterno Se ofereceu a Deus como v\u00edtima sem mancha \u00bb (Heb 9, 14), no dom eucar\u00edstico comunica-nos a pr\u00f3pria vida divina. Trata-se de um dom absolutamente gratuito, devido apenas \u00e0s promessas de Deus cumpridas para al\u00e9m de toda e qualquer medida. A Igreja acolhe, celebra e adora este dom, com fiel obedi\u00eancia. O \u00ab mist\u00e9rio da f\u00e9 \u00bb \u00e9 mist\u00e9rio de amor trinit\u00e1rio, no qual, por gra\u00e7a, somos chamados a participar. Por isso, tamb\u00e9m n\u00f3s devemos exclamar com Santo Agostinho: \u00ab Se v\u00eas a caridade, v\u00eas a Trindade \u00bb.(17)<br \/>\nEucaristia:<br \/>\nJesus verdadeiro Cordeiro imolado<br \/>\nA nova e eterna alian\u00e7a no sangue do Cordeiro<br \/>\n9. A miss\u00e3o, que trouxe Jesus entre n\u00f3s, atinge o seu cumprimento no mist\u00e9rio pascal. Do alto da cruz, donde atrai todos a Si (Jo 12, 32), antes de \u00ab entregar o Esp\u00edrito \u00bb Jesus diz: \u00ab Tudo est\u00e1 consumado \u00bb (Jo 19, 30). No mist\u00e9rio da sua obedi\u00eancia at\u00e9 \u00e0 morte, e morte de cruz (Fil 2, 8), cumpriu-se a nova e eterna alian\u00e7a. Na sua carne crucificada, a liberdade de Deus e a liberdade do homem juntaram-se definitivamente num pacto indissol\u00favel, v\u00e1lido para sempre. Tamb\u00e9m o pecado do homem ficou expiado, uma vez por todas, pelo Filho de Deus (Heb 7, 27; 1 Jo 2, 2; 4, 10). Como j\u00e1 tive ocasi\u00e3o de afirmar, \u00ab na sua morte de cruz, cumpre-se aquele virar-se de Deus contra Si pr\u00f3prio, com o qual Ele Se entrega para levantar o homem e salv\u00e1-lo \u2014 o amor na sua forma mais radical \u00bb.(18) No mist\u00e9rio pascal, realizou-se verdadeiramente a nossa liberta\u00e7\u00e3o do mal e da morte. Na institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, o pr\u00f3prio Jesus falara da \u00ab nova e eterna alian\u00e7a \u00bb, estipulada no seu sangue derramado (Mt 26, 28; Mc 14, 24; Lc 22, 20). Esta finalidade \u00faltima da sua miss\u00e3o era bem evidente j\u00e1 no in\u00edcio da sua vida p\u00fablica; de facto, nas margens do Jord\u00e3o, quando Jo\u00e3o Baptista v\u00ea Jesus vir ter com ele, exclama: \u00ab Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo \u00bb (Jo 1, 29). \u00c9 significativo que a mesma express\u00e3o apare\u00e7a, sempre que celebramos a Santa Missa, no convite do sacerdote para nos abeirarmos do altar: \u00ab Felizes os convidados para a ceia do Senhor. Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo \u00bb. Jesus \u00e9 o verdadeiro cordeiro pascal, que Se ofereceu espontaneamente a Si mesmo em sacrif\u00edcio por n\u00f3s, realizando assim a nova e eterna alian\u00e7a. A Eucaristia cont\u00e9m nela esta novidade radical, que nos \u00e9 oferecida em cada celebra\u00e7\u00e3o.(19)<br \/>\nA institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia<br \/>\n10. Deste modo, a nossa reflex\u00e3o foi deter-se na institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia durante a \u00daltima Ceia. O facto teve lugar no \u00e2mbito duma ceia ritual, que constitu\u00eda o memorial do acontecimento fundador do povo de Israel: a liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o do Egipto. Esta ceia ritual, associada com a imola\u00e7\u00e3o dos cordeiros (Ex 12, 1-28. 43-51), era mem\u00f3ria do passado, mas ao mesmo tempo tamb\u00e9m mem\u00f3ria prof\u00e9tica, ou seja, an\u00fancio duma liberta\u00e7\u00e3o futura; de facto, o povo experimentara que aquela liberta\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha sido definitiva, pois a sua hist\u00f3ria ainda estava demasiadamente marcada pela escravid\u00e3o e pelo pecado. O memorial da antiga liberta\u00e7\u00e3o abria-se, assim, \u00e0 s\u00faplica e ao anseio por uma salva\u00e7\u00e3o mais profunda, radical, universal e definitiva. \u00c9 neste contexto que Jesus introduz a novidade do seu dom; na ora\u00e7\u00e3o de louvor \u2014 a Berakah \u2014, Ele d\u00e1 gra\u00e7as ao Pai n\u00e3o s\u00f3 pelos grandes acontecimentos da hist\u00f3ria passada, mas tamb\u00e9m pela sua pr\u00f3pria \u00ab exalta\u00e7\u00e3o \u00bb. Ao instituir o sacramento da Eucaristia, Jesus antecipa e implica o sacrif\u00edcio da cruz e a vit\u00f3ria da ressurrei\u00e7\u00e3o; ao mesmo tempo, revela-Se como o verdadeiro cordeiro imolado, previsto no des\u00edgnio do Pai desde a funda\u00e7\u00e3o do mundo, como se l\u00ea na I Carta de Pedro (1, 18-20). Ao colocar o dom de Si mesmo neste contexto, Jesus manifesta o sentido salv\u00edfico da sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, mist\u00e9rio este que se torna uma realidade renovadora da hist\u00f3ria e do mundo inteiro. Com efeito, a institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia mostra como aquela morte, de per si violenta e absurda, se tenha tornado, em Jesus, acto supremo de amor e liberta\u00e7\u00e3o definitiva da humanidade do mal.<br \/>\nA figura deu lugar \u00e0 Verdade<br \/>\n11. Como vimos, Jesus insere a sua novidade (novum) radical no \u00e2mbito da antiga ceia sacrificial hebraica. Uma tal ceia, n\u00f3s, crist\u00e3os, j\u00e1 n\u00e3o temos necessidade de a repetir. Como justamente dizem os Padres, figura transit in veritatem: aquilo que anunciava as realidades futuras cedeu agora o lugar \u00e0 pr\u00f3pria Verdade. O antigo rito consumou-se e ficou definitivamente superado mediante o dom de amor do Filho de Deus encarnado. O alimento da verdade, Cristo imolado por n\u00f3s, p\u00f4s termo \u00e0s figuras (dat figuris terminum).(20) Com a sua ordem \u00ab Fazei isto em mem\u00f3ria de Mim \u00bb (Lc 22, 19; 1 Cor 11, 25), pede-nos para corresponder ao seu dom e represent\u00e1-Lo sacramentalmente; com tais palavras, o Senhor manifesta, por assim dizer, a esperan\u00e7a de que a Igreja, nascida do seu sacrif\u00edcio, acolha este dom desenvolvendo, sob a guia do Esp\u00edrito Santo, a forma lit\u00fargica do sacramento. De facto, o memorial do seu dom perfeito n\u00e3o consiste na simples repeti\u00e7\u00e3o da \u00daltima Ceia, mas propriamente na Eucaristia, ou seja, na novidade radical do culto crist\u00e3o. Assim Jesus deixou-nos a miss\u00e3o de entrar na sua \u00ab hora \u00bb: \u00ab A Eucaristia arrasta-nos no acto oblativo de Jesus. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 de modo est\u00e1tico que recebemos o Logos encarnado, mas ficamos envolvidos na din\u00e2mica da sua doa\u00e7\u00e3o \u00bb.(21) Ele \u00ab arrasta-nos para dentro de Si \u00bb.(22) A convers\u00e3o substancial do p\u00e3o e do vinho no seu corpo e no seu sangue insere dentro da cria\u00e7\u00e3o o princ\u00edpio duma mudan\u00e7a radical, como uma esp\u00e9cie de \u00ab fiss\u00e3o nuclear \u00bb (para utilizar uma imagem hoje bem conhecida de todos n\u00f3s), verificada no mais \u00edntimo do ser; uma mudan\u00e7a destinada a suscitar um processo de transforma\u00e7\u00e3o da realidade, cujo termo \u00faltimo \u00e9 a transfigura\u00e7\u00e3o do mundo inteiro, at\u00e9 chegar \u00e0quela condi\u00e7\u00e3o em que Deus seja tudo em todos (1 Cor 15, 28).<br \/>\nO Esp\u00edrito Santo e a Eucaristia<br \/>\nJesus e o Esp\u00edrito Santo<br \/>\n12. Com a sua palavra e com o p\u00e3o e o vinho, o pr\u00f3prio Senhor nos ofereceu os elementos essenciais do culto novo. A Igreja, sua Esposa, \u00e9 chamada a celebrar o banquete eucar\u00edstico dia ap\u00f3s dia em mem\u00f3ria d&#8217;Ele. Deste modo, ela insere o sacrif\u00edcio redentor do seu Esposo na hist\u00f3ria dos homens e torna-o sacramentalmente presente em todas as culturas. Este grande mist\u00e9rio \u00e9 celebrado nas formas lit\u00fargicas que a Igreja, guiada pelo Esp\u00edrito Santo, desenvolve no tempo e no espa\u00e7o.(23) A prop\u00f3sito, \u00e9 necess\u00e1rio despertar em n\u00f3s a consci\u00eancia da fun\u00e7\u00e3o decisiva que exerce o Esp\u00edrito Santo no desenvolvimento da forma lit\u00fargica e no aprofundamento dos mist\u00e9rios divinos. O Par\u00e1clito, primeiro dom concedido aos crentes,(24) activo j\u00e1 na cria\u00e7\u00e3o (Gn 1, 2), est\u00e1 presente em plenitude na vida inteira do Verbo encarnado: com efeito, Jesus Cristo \u00e9 concebido no seio da Virgem Maria por obra do Esp\u00edrito Santo (Mt 1, 18; Lc 1, 35); no in\u00edcio da sua miss\u00e3o p\u00fablica, nas margens do Jord\u00e3o, v\u00ea-O descer sobre Si em forma de pomba (Mt 3, 16 e par.); neste mesmo Esp\u00edrito, age, fala e exulta (Lc 10, 21); e \u00e9 n&#8217;Ele que Jesus pode oferecer-Se a Si mesmo (Heb 9, 14). No chamado \u00ab discurso de despedida \u00bb referido por Jo\u00e3o, Jesus p\u00f5e claramente em rela\u00e7\u00e3o o dom da sua vida no mist\u00e9rio pascal com o dom do Esp\u00edrito aos Seus (Jo 16, 7). Depois de ressuscitado, trazendo na sua carne os sinais da paix\u00e3o, pode derramar o Esp\u00edrito (Jo 20, 22), tornando os seus disc\u00edpulos participantes da mesma miss\u00e3o d&#8217;Ele (Jo 20, 21). Em seguida, ser\u00e1 o Esp\u00edrito que ensina aos disc\u00edpulos todas as coisas, recordando-lhes tudo o que Cristo tinha dito (Jo 14, 26), porque compete a Ele, enquanto Esp\u00edrito da verdade (Jo 15, 26), introduzir os disc\u00edpulos na verdade total (Jo 16, 13). Segundo narram os Actos, o Esp\u00edrito desce sobre os Ap\u00f3stolos reunidos em ora\u00e7\u00e3o com Maria no dia de Pentecostes (2, 1-4), e impele-os para a miss\u00e3o de anunciar a boa nova a todos os povos. Portanto, \u00e9 em virtude da ac\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito que o pr\u00f3prio Cristo continua presente e activo na sua Igreja, a partir do seu centro vital que \u00e9 a Eucaristia.<br \/>\nEsp\u00edrito Santo e celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica<br \/>\n13. Neste horizonte, compreende-se a fun\u00e7\u00e3o decisiva que tem o Esp\u00edrito Santo na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e, de modo particular, no que se refere \u00e0 transubstancia\u00e7\u00e3o. \u00c9 f\u00e1cil de comprovar a consci\u00eancia disto mesmo nos Padres da Igreja; nas suas Catequeses, S\u00e3o Cirilo de Jerusal\u00e9m recorda que \u00ab invocamos Deus misericordioso para que envie o seu Santo Esp\u00edrito sobre as obla\u00e7\u00f5es que apresentamos a fim de Ele transformar o p\u00e3o em corpo de Cristo e o vinho em sangue de Cristo. O que o Esp\u00edrito Santo toca, \u00e9 santificado e transformado totalmente \u00bb.(25) Tamb\u00e9m S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo assinala que o sacerdote invoca o Esp\u00edrito Santo quando celebra o Sacrif\u00edcio: (26) \u00e0 semelhan\u00e7a de Elias, o ministro atrai o Esp\u00edrito Santo para que, \u00ab descendo a gra\u00e7a sobre a v\u00edtima, se incendeiem por meio dela as almas de todos \u00bb.(27) \u00c9 extremamente necess\u00e1ria, para a vida espiritual dos fi\u00e9is, uma consci\u00eancia mais clara da riqueza da an\u00e1fora: esta, juntamente com as palavras pronunciadas por Cristo na \u00daltima Ceia, cont\u00e9m a epiclese, que \u00e9 invoca\u00e7\u00e3o ao Pai para que fa\u00e7a descer o dom do Esp\u00edrito a fim de o p\u00e3o e o vinho se tornarem o corpo e o sangue de Jesus Cristo, e para que \u00ab a comunidade inteira se torne cada vez mais corpo de Cristo \u00bb.(28) O Esp\u00edrito, invocado pelo celebrante sobre os dons do p\u00e3o e do vinho colocados sobre o altar, \u00e9 o mesmo que re\u00fane os fi\u00e9is \u00ab num s\u00f3 corpo \u00bb, tornando-os uma oferta espiritual agrad\u00e1vel ao Pai.(29)<br \/>\nEucaristia e Igreja<br \/>\nEucaristia, princ\u00edpio causal da Igreja<br \/>\n14. Atrav\u00e9s do sacramento eucar\u00edstico, Jesus compromete os fi\u00e9is na sua pr\u00f3pria \u00ab hora \u00bb; mostra-nos assim a liga\u00e7\u00e3o que quis entre Ele mesmo e n\u00f3s, entre a sua pessoa e a Igreja. De facto, o pr\u00f3prio Cristo, no sacrif\u00edcio da cruz, gerou a Igreja como sua esposa e seu corpo. Os Padres da Igreja meditaram longamente sobre a semelhan\u00e7a que h\u00e1 entre a origem de Eva do lado de Ad\u00e3o adormecido (Gn 2, 21-23) e a da nova Eva, a Igreja, do lado aberto de Cristo mergulhado no sono da morte: do seu lado trespassado \u2014 narra Jo\u00e3o \u2014 saiu sangue e \u00e1gua (Jo 19, 34), s\u00edmbolo dos sacramentos.(30) Um olhar contemplativo para \u00ab Aquele que trespassaram \u00bb (Jo 19, 37) leva-nos a considerar a liga\u00e7\u00e3o causal entre o sacrif\u00edcio de Cristo, a Eucaristia e a Igreja. Com efeito, esta \u00ab vive da Eucaristia \u00bb.(31) Uma vez que nela se torna presente o sacrif\u00edcio redentor de Cristo, temos de reconhecer antes de mais que \u00ab existe um influxo causal da Eucaristia nas pr\u00f3prias origens da Igreja \u00bb.(32) A Eucaristia \u00e9 Cristo que Se d\u00e1 a n\u00f3s, edificando-nos continuamente como seu corpo. Portanto, na sugestiva circularidade entre a Eucaristia que edifica a Igreja e a pr\u00f3pria Igreja que faz a Eucaristia,(33) a causalidade prim\u00e1ria est\u00e1 expressa na primeira f\u00f3rmula: a Igreja pode celebrar e adorar o mist\u00e9rio de Cristo presente na Eucaristia, precisamente porque o pr\u00f3prio Cristo Se deu primeiro a ela no sacrif\u00edcio da Cruz. A possibilidade que a Igreja tem de \u00ab fazer \u00bb a Eucaristia est\u00e1 radicada totalmente na doa\u00e7\u00e3o que Jesus lhe fez de Si mesmo. Tamb\u00e9m este aspecto nos persuade de qu\u00e3o verdadeira seja a frase de S\u00e3o Jo\u00e3o: \u00ab Ele amou-nos primeiro \u00bb (1 Jo 4, 19). Deste modo, tamb\u00e9m n\u00f3s confessamos, em cada celebra\u00e7\u00e3o, o primado do dom de Cristo; o influxo causal da Eucaristia, que est\u00e1 na origem da Igreja, revela em \u00faltima an\u00e1lise a preced\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 cronol\u00f3gica mas tamb\u00e9m ontol\u00f3gica do amor de Jesus relativamente ao nosso: ser\u00e1, por toda a eternidade, Aquele que nos ama primeiro.<br \/>\nEucaristia e comunh\u00e3o eclesial<br \/>\n15. A Eucaristia \u00e9, pois, constitutiva do ser e do agir da Igreja. Por isso, a antiguidade crist\u00e3 designava com as mesmas palavras \u2014 corpus Christi \u2014 o corpo nascido da Virgem Maria, o corpo eucar\u00edstico e o corpo eclesial de Cristo.(34) Bem atestado na tradi\u00e7\u00e3o, este dado faz crescer em n\u00f3s a consci\u00eancia da indissolubilidade entre Cristo e a Igreja. Oferecendo-Se a Si mesmo em sacrif\u00edcio por n\u00f3s, o Senhor Jesus preanunciou de modo eficaz no seu dom o mist\u00e9rio da Igreja. \u00c9 significativo o modo como a Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica II, ao invocar o Par\u00e1clito, formula a prece pela unidade da Igreja: \u00ab &#8230; participando no corpo e sangue de Cristo, sejamos reunidos, pelo Esp\u00edrito Santo, num s\u00f3 corpo \u00bb. Esta passagem ajuda a compreender como a efic\u00e1cia (res) do sacramento eucar\u00edstico seja a unidade dos fi\u00e9is na comunh\u00e3o eclesial. Assim, a Eucaristia aparece na raiz da Igreja como mist\u00e9rio de comunh\u00e3o.(35)<br \/>\nO servo de Deus Jo\u00e3o Paulo II, na sua Enc\u00edclica Ecclesia de Eucharistia, tinha j\u00e1 chamado a aten\u00e7\u00e3o para a rela\u00e7\u00e3o entre Eucaristia e communio: falou do memorial de Cristo como sendo a \u00ab suprema manifesta\u00e7\u00e3o sacramental da comunh\u00e3o na Igreja \u00bb.(36) A unidade da comunh\u00e3o eclesial revela-se, concretamente, nas comunidades crist\u00e3s e renova-se no acto eucar\u00edstico que as une e diferencia em Igrejas particulares, \u00ab in quibus et ex quibus una et unica Ecclesia catholica exsistit \u2013 nas quais e pelas quais existe a Igreja Cat\u00f3lica, una e \u00fanica \u00bb.(37) \u00c9 precisamente a realidade da \u00fanica Eucaristia celebrada em cada diocese ao redor do respectivo Bispo que nos faz compreender como as pr\u00f3prias Igrejas particulares subsistam in e ex Ecclesia. De facto, \u00ab a unicidade e indivisibilidade do corpo eucar\u00edstico do Senhor implicam a unicidade do seu corpo m\u00edstico, que \u00e9 a Igreja una e indivis\u00edvel. Do centro eucar\u00edstico surge a necess\u00e1ria abertura de cada comunidade celebrante, de cada Igreja particular: ao deixar-se atrair pelos bra\u00e7os abertos do Senhor, consegue-se a inser\u00e7\u00e3o no seu corpo, \u00fanico e indiviso \u00bb.(38) Por este motivo, na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, cada fiel encontra-se na sua Igreja, isto \u00e9, na Igreja de Cristo. Nesta perspectiva eucar\u00edstica, adequadamente entendida, a comunh\u00e3o eclesial revela-se realidade cat\u00f3lica por sua natureza.(39) O facto de sublinhar esta raiz eucar\u00edstica da comunh\u00e3o eclesial pode contribuir eficazmente tamb\u00e9m para o di\u00e1logo ecum\u00e9nico com as Igrejas e com as Comunidades eclesiais que n\u00e3o est\u00e3o em plena comunh\u00e3o com a S\u00e9 de Pedro. Na realidade, a Eucaristia estabelece objectivamente um forte v\u00ednculo de unidade entre a Igreja Cat\u00f3lica e as Igrejas Ortodoxas, que conservaram genu\u00edna e integralmente a natureza do mist\u00e9rio da Eucaristia. Ao mesmo tempo, a relev\u00e2ncia dada ao car\u00e1cter eclesial da Eucaristia pode tornar-se elemento privilegiado tamb\u00e9m no di\u00e1logo com as Comunidades nascidas da Reforma.(40)<br \/>\nEucaristia e Sacramentos<br \/>\nSacramentalidade da Igreja<br \/>\n16. O Conc\u00edlio Vaticano II lembrou que \u00ab os restantes sacramentos, assim como todos os minist\u00e9rios eclesi\u00e1sticos e obras de apostolado, est\u00e3o vinculados com a sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Com efeito, na sant\u00edssima Eucaristia est\u00e1 contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto \u00e9, o pr\u00f3prio Cristo, a nossa P\u00e1scoa e o p\u00e3o vivo que d\u00e1 aos homens a vida mediante a sua carne vivificada e vivificadora pelo Esp\u00edrito Santo: assim s\u00e3o eles convidados e levados a oferecer, juntamente com Ele, a si mesmos, os seus trabalhos e todas as coisas criadas \u00bb.(41) Esta rela\u00e7\u00e3o \u00edntima da Eucaristia com os demais sacramentos e com a exist\u00eancia crist\u00e3 compreende-se, na sua raiz, quando se contempla o mist\u00e9rio da pr\u00f3pria Igreja como sacramento.(42) A este respeito, o referido Conc\u00edlio afirmou que \u00ab a Igreja, em Cristo, \u00e9 como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da \u00edntima uni\u00e3o com Deus e da unidade de todo o g\u00e9nero humano \u00bb.(43) Ela, enquanto \u00ab povo \u2014 como diz S\u00e3o Cipriano \u2014 reunido na unidade do Pai e do Filho e do Esp\u00edrito Santo \u00bb,(44) \u00e9 sacramento da comunh\u00e3o trinit\u00e1ria.<br \/>\nO facto de a Igreja ser \u00ab universal sacramento da salva\u00e7\u00e3o \u00bb(45) mostra que a \u00ab economia \u00bb sacramental determina, em \u00faltima an\u00e1lise, o modo como Jesus Cristo \u00fanico Salvador, por meio do Esp\u00edrito, alcan\u00e7a a nossa vida na especificidade das suas circunst\u00e2ncias. A Igreja recebe-se e simultaneamente exprime-se nos sete sacramentos, pelos quais a gra\u00e7a de Deus influencia concretamente a exist\u00eancia dos fi\u00e9is para que toda a sua vida, redimida por Cristo, se torne culto agrad\u00e1vel a Deus. Nesta perspectiva, desejo sublinhar aqui alguns elementos, assinalados pelos padres sinodais, que podem ajudar a identificar a rela\u00e7\u00e3o dos diversos sacramentos com o mist\u00e9rio eucar\u00edstico.<br \/>\nI. Eucaristia e inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<br \/>\nEucaristia, plenitude da inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3<br \/>\n17. Se verdadeiramente a Eucaristia \u00e9 fonte e \u00e1pice da vida e da miss\u00e3o da Igreja, temos de concluir antes de mais que o caminho de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 tem como ponto de refer\u00eancia tornar poss\u00edvel o acesso a tal sacramento. A prop\u00f3sito, devemos interrogar-nos \u2014 como sugeriram os padres sinodais \u2014 se as nossas comunidades crist\u00e3s t\u00eam suficiente no\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo estreito que h\u00e1 entre Baptismo, Confirma\u00e7\u00e3o e Eucaristia; (46) de facto, \u00e9 preciso n\u00e3o esquecer jamais que somos baptizados e crismados em ordem \u00e0 Eucaristia. Este dado implica o compromisso de favorecer na ac\u00e7\u00e3o pastoral uma compreens\u00e3o mais unit\u00e1ria do percurso de inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3. O sacramento do Baptismo, pelo qual somos configurados a Cristo,(47) incorporados na Igreja e feitos filhos de Deus, constitui a porta de acesso a todos os sacramentos; atrav\u00e9s dele, somos inseridos no \u00fanico corpo de Cristo (1 Cor 12, 13), povo sacerdotal. Mas \u00e9 a participa\u00e7\u00e3o no sacrif\u00edcio eucar\u00edstico que aperfei\u00e7oa, em n\u00f3s, o que recebemos no Baptismo. Tamb\u00e9m os dons do Esp\u00edrito s\u00e3o concedidos para a edifica\u00e7\u00e3o do corpo de Cristo (1 Cor 12) e o crescimento do testemunho evang\u00e9lico no mundo.(48) Portanto, a sant\u00edssima Eucaristia leva \u00e0 plenitude a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e coloca-se como centro e termo de toda a vida sacramental.(49)<br \/>\nA ordem dos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o<br \/>\n18. A este respeito, \u00e9 necess\u00e1rio prestar aten\u00e7\u00e3o ao tema da ordem dos sacramentos da inicia\u00e7\u00e3o. Na Igreja, h\u00e1 tradi\u00e7\u00f5es diferentes; esta diversidade \u00e9 patente nos costumes eclesiais do Oriente (50) e na pr\u00e1tica ocidental para a inicia\u00e7\u00e3o dos adultos,(51) se comparada com a das crian\u00e7as.(52) Contudo, tais diferen\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o propriamente de ordem dogm\u00e1tica, mas de car\u00e1cter pastoral. Em concreto, \u00e9 necess\u00e1rio verificar qual seja a pr\u00e1tica que melhor pode, efectivamente, ajudar os fi\u00e9is a colocarem no centro o sacramento da Eucaristia, como realidade para qual tende toda a inicia\u00e7\u00e3o; em estreita colabora\u00e7\u00e3o com os Dicast\u00e9rios competentes da C\u00faria Romana, as Confer\u00eancias Episcopais verifiquem a efic\u00e1cia dos percursos de inicia\u00e7\u00e3o actuais, para que o crist\u00e3o seja ajudado, pela ac\u00e7\u00e3o educativa das nossas comunidades, a maturar cada vez mais at\u00e9 chegar a assumir na sua vida uma orienta\u00e7\u00e3o autenticamente eucar\u00edstica, de tal modo que seja capaz de dar raz\u00e3o da pr\u00f3pria esperan\u00e7a de maneira adequada ao nosso tempo (1 Pd 3, 15).<br \/>\nInicia\u00e7\u00e3o, comunidade eclesial e fam\u00edlia<br \/>\n19. \u00c9 preciso ter sempre presente que toda a inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 caminho de convers\u00e3o que h\u00e1de ser realizada com a ajuda de Deus e em constante referimento \u00e0 comunidade eclesial, quer quando \u00e9 o adulto que pede para entrar na Igreja, como acontece nos lugares de primeira evangeliza\u00e7\u00e3o e em muitas zonas secularizadas, quer quando s\u00e3o os pais a pedir os sacramentos para seus filhos. A este respeito, desejo chamar a aten\u00e7\u00e3o sobretudo para a rela\u00e7\u00e3o entre inicia\u00e7\u00e3o crist\u00e3 e fam\u00edlia; na ac\u00e7\u00e3o pastoral, sempre se deve associar a fam\u00edlia crist\u00e3 ao itiner\u00e1rio de inicia\u00e7\u00e3o. Receber o Baptismo, a Confirma\u00e7\u00e3o e abeirar-se pela primeira vez da Eucaristia s\u00e3o momentos decisivos n\u00e3o s\u00f3 para a pessoa que os recebe mas tamb\u00e9m para toda a sua fam\u00edlia; esta deve ser sustentada, na sua tarefa educativa, pela comunidade eclesial em suas diversas componentes.(53) Quero sublinhar aqui a relev\u00e2ncia da Primeira Comunh\u00e3o; para in\u00fameros fi\u00e9is, este dia permanece, justamente, gravado na mem\u00f3ria como o primeiro momento em que se percebeu, embora de forma ainda inicial, a import\u00e2ncia do encontro pessoal com Jesus. A pastoral paroquial deve valorizar adequadamente esta ocasi\u00e3o t\u00e3o significativa.<br \/>\nII. Eucaristia e sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o<br \/>\nSua liga\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca<br \/>\n20. Os padres sinodais afirmaram, justamente, que o amor \u00e0 Eucaristia leva a apreciar cada vez mais tamb\u00e9m o sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o.(54) Por causa da liga\u00e7\u00e3o entre ambos os sacramentos, uma catequese aut\u00eantica acerca do sentido da Eucaristia n\u00e3o pode ser separada da proposta dum caminho penitencial (1 Cor 11, 27-29). Constatamos \u2014 \u00e9 certo \u2014 que, no nosso tempo, os fi\u00e9is se encontram imersos numa cultura que tende a cancelar o sentido do pecado,(55) favorecendo um estado de esp\u00edrito superficial que leva a esquecer a necessidade de estar na gra\u00e7a de Deus para se aproximar dignamente da comunh\u00e3o sacramental.(56) Na realidade, a perda da consci\u00eancia do pecado engloba sempre tamb\u00e9m uma certa superficialidade na compreens\u00e3o do pr\u00f3prio amor de Deus. \u00c9 muito \u00fatil para os fi\u00e9is recordar-lhes os elementos que, no rito da Santa Missa, explicitam a consci\u00eancia do pr\u00f3prio pecado e, simultaneamente, da miseric\u00f3rdia de Deus.(57) Al\u00e9m disso, a rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e a Reconcilia\u00e7\u00e3o recorda-nos que o pecado nunca \u00e9 uma realidade exclusivamente individual, mas inclui sempre tamb\u00e9m uma ferida no seio da comunh\u00e3o eclesial, na qual nos encontramos inseridos pelo Baptismo. Por isso, como diziam os Padres da Igreja, a Reconcilia\u00e7\u00e3o \u00e9 um baptismo laborioso (laboriosus quidam baptismus),(58) sublinhando assim que o resultado do caminho de convers\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m o restabelecimento da plena comunh\u00e3o eclesial, que se exprime no abeirar-se novamente da Eucaristia.(59)<br \/>\nAlguns cuidados pastorais<br \/>\n21. O S\u00ednodo lembrou que \u00e9 dever pastoral do bispo promover na sua diocese uma decisiva recupera\u00e7\u00e3o da pedagogia da convers\u00e3o que nasce da Eucaristia e favorecer entre os fi\u00e9is a confiss\u00e3o frequente. Todos os sacerdotes se dediquem com generosidade, empenho e compet\u00eancia \u00e0 administra\u00e7\u00e3o do sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o.(60) A prop\u00f3sito, procure-se que, nas nossas igrejas, os confession\u00e1rios sejam bem vis\u00edveis e expressivos do significado deste sacramento. Pe\u00e7o aos pastores que vigiem atentamente sobre a celebra\u00e7\u00e3o do sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, limitando a pr\u00e1tica da absolvi\u00e7\u00e3o geral exclusivamente aos casos previstos,(61) permanecendo como forma ordin\u00e1ria de absolvi\u00e7\u00e3o apenas a pessoal.(62) Vista a necessidade de descobrir novamente o perd\u00e3o sacramental, haja em todas as dioceses o Penitenci\u00e1rio.(63) Por \u00faltimo, pode servir de v\u00e1lida ajuda para a nova tomada de consci\u00eancia desta rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e a Reconcilia\u00e7\u00e3o uma pr\u00e1tica equilibrada e conscienciosa da indulg\u00eancia, lucrada a favor de si mesmo ou dos defuntos. Com ela, obt\u00e9m-se \u00ab a remiss\u00e3o, perante Deus, da pena temporal devida aos pecados, cuja culpa j\u00e1 foi apagada \u00bb.(64) O uso das indulg\u00eancias ajuda-nos a compreender que n\u00e3o somos capazes, s\u00f3 com as nossas for\u00e7as, de reparar o mal cometido e que os pecados de cada um causam dano a toda a comunidade; al\u00e9m disso, a pr\u00e1tica da indulg\u00eancia, implicando a doutrina dos m\u00e9ritos infinitos de Cristo bem como a da comunh\u00e3o dos santos, mostra-nos \u00ab quanto estejamos, em Cristo, intimamente unidos uns aos outros e quanto a vida sobrenatural de cada um possa aproveitar aos outros \u00bb.(65) Dado que a forma pr\u00f3pria da indulg\u00eancia prev\u00ea, entre as condi\u00e7\u00f5es requeridas, o abeirar-se da confiss\u00e3o e da comunh\u00e3o sacramental, a sua pr\u00e1tica pode sustentar eficazmente os fi\u00e9is no caminho da convers\u00e3o e na descoberta da centralidade da Eucaristia na vida crist\u00e3.<br \/>\nIII. Eucaristia e Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos<br \/>\n22. Jesus n\u00e3o Se limitou a enviar os seus disc\u00edpulos a curar os doentes (Mt 10, 8; Lc 9, 2; 10, 9), mas instituiu para eles tamb\u00e9m um sacramento espec\u00edfico: a Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos.(66) A Carta de Tiago testemunha a presen\u00e7a deste gesto sacramental j\u00e1 na primitiva comunidade crist\u00e3 (5, 14-16). Se a Eucaristia mostra como os sofrimentos e a morte de Cristo foram transformados em amor, a Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos, por seu lado, associa o doente \u00e0 oferta que Cristo fez de Si mesmo pela salva\u00e7\u00e3o de todos, de tal modo que possa tamb\u00e9m ele, no mist\u00e9rio da comunh\u00e3o dos santos, participar na reden\u00e7\u00e3o do mundo. A rela\u00e7\u00e3o entre ambos os sacramentos aparece ainda mais clara quando se agrava a doen\u00e7a: \u00ab \u00c0queles que v\u00e3o deixar esta vida, a Igreja oferece-lhes, al\u00e9m da Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos, a Eucaristia como vi\u00e1tico \u00bb.(67) Nesta passagem para o Pai, a comunh\u00e3o no corpo e sangue de Cristo aparece como semente de vida eterna e for\u00e7a de ressurrei\u00e7\u00e3o: \u00ab Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no \u00faltimo dia \u00bb (Jo 6, 54). Uma vez que o sagrado Vi\u00e1tico desvenda ao doente a plenitude do mist\u00e9rio pascal, \u00e9 preciso assegurar a sua administra\u00e7\u00e3o.(68) A aten\u00e7\u00e3o e o cuidado pastoral por aqueles que se encontram doentes redunda, seguramente, em benef\u00edcio espiritual de toda a comunidade, sabendo que tudo o que fizermos ao mais pequenino, ao pr\u00f3prio Jesus o faremos (Mt 25, 40).<br \/>\nIV. Eucaristia e sacramento da Ordem<br \/>\nNa pessoa de Cristo cabe\u00e7a<br \/>\n23. O v\u00ednculo intr\u00ednseco entre a Eucaristia e o sacramento da Ordem deduz-se das pr\u00f3prias palavras de Jesus no Cen\u00e1culo: \u00ab Fazei isto em mem\u00f3ria de Mim \u00bb (Lc 22, 19). De facto, na vig\u00edlia da sua morte, Ele instituiu a Eucaristia e ao mesmo tempo fundou o sacerd\u00f3cio da Nova Alian\u00e7a. Jesus \u00e9 sacerdote, v\u00edtima e altar: mediador entre Deus Pai e o povo (Heb 5, 5-10), v\u00edtima de expia\u00e7\u00e3o (1 Jo 2, 2; 4, 10) que Se oferece a Si mesma no altar da cruz. Ningu\u00e9m pode dizer \u00ab isto \u00e9 o meu corpo \u00bb e \u00ab este \u00e9 o c\u00e1lice do meu sangue \u00bb sen\u00e3o em nome e na pessoa de Cristo, \u00fanico sumo sacerdote da nova e eterna Alian\u00e7a (Heb 8-9). O S\u00ednodo dos Bispos j\u00e1 se ocupara, noutras assembleias, do sacerd\u00f3cio ordenado tanto no que diz respeito \u00e0 identidade do minist\u00e9rio,(69) como \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos candidatos.(70) Na presente circunst\u00e2ncia importa-me, \u00e0 luz do di\u00e1logo realizado no \u00e2mbito da \u00faltima assembleia sinodal, sublinhar alguns valores que t\u00eam a ver com a rela\u00e7\u00e3o entre o sacramento eucar\u00edstico e a Ordem. Antes de mais nada, \u00e9 necess\u00e1rio reafirmar que a liga\u00e7\u00e3o entre a Ordem sacra e a Eucaristia \u00e9 vis\u00edvel precisamente na Missa que o bispo ou o presb\u00edtero preside na pessoa de Cristo cabe\u00e7a (in persona Christi capitis).<br \/>\nA doutrina da Igreja considera a ordena\u00e7\u00e3o sacerdotal condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para a celebra\u00e7\u00e3o v\u00e1lida da Eucaristia.(71) De facto, \u00ab no servi\u00e7o eclesial do ministro ordenado, \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo que est\u00e1 presente \u00e0 sua Igreja, como cabe\u00e7a do seu corpo, pastor do seu rebanho, sumo sacerdote do sacrif\u00edcio redentor \u00bb.(72) Certamente o ministro ordenado \u00ab age tamb\u00e9m em nome de toda a Igreja, quando apresenta a Deus a ora\u00e7\u00e3o da mesma Igreja e, sobretudo, quando oferece o sacrif\u00edcio eucar\u00edstico \u00bb.(73) Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio que os sacerdotes tenham consci\u00eancia de que, em todo o seu minist\u00e9rio, nunca devem colocar em primeiro plano a sua pessoa nem as suas opini\u00f5es, mas Jesus Cristo. Contradiz a identidade sacerdotal toda a tentativa de se colocarem a si mesmos como protagonistas da ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Aqui, mais do que nunca, o sacerdote \u00e9 servo e deve continuamente empenhar-se por ser sinal que, como d\u00f3cil instrumento nas m\u00e3os de Cristo, aponta para Ele. Isto exprime-se de modo particular na humildade com que o sacerdote conduz a ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, obedecendo ao rito, aderindo ao mesmo com o cora\u00e7\u00e3o e a mente, evitando tudo o que possa dar a sensa\u00e7\u00e3o de um seu inoportuno protagonismo. Recomendo, pois, ao clero que n\u00e3o cesse de aprofundar a consci\u00eancia do seu minist\u00e9rio eucar\u00edstico como um servi\u00e7o humilde a Cristo e \u00e0 sua Igreja. O sacerd\u00f3cio, como dizia Santo Agostinho, \u00e9 um servi\u00e7o de amor (amoris officium),(74) \u00e9 o servi\u00e7o do bom pastor, que oferece a vida pelas ovelhas (Jo 10, 14-15).<br \/>\nEucaristia e celibato sacerdotal<br \/>\n24. Os padres sinodais quiseram sublinhar como o sacerd\u00f3cio ministerial requer, atrav\u00e9s da ordena\u00e7\u00e3o, a plena configura\u00e7\u00e3o a Cristo. Embora respeitando a pr\u00e1tica e tradi\u00e7\u00e3o oriental diferente, \u00e9 necess\u00e1rio reiterar o sentido profundo do celibato sacerdotal, justamente considerado uma riqueza inestim\u00e1vel e confirmado tamb\u00e9m pela pr\u00e1tica oriental de escolher os bispos apenas de entre aqueles que vivem no celibato, ind\u00edcio da grande honra em que ela tem a op\u00e7\u00e3o do celibato feita por numerosos presb\u00edteros. Com efeito, nesta op\u00e7\u00e3o do sacerdote encontram express\u00e3o peculiar a dedica\u00e7\u00e3o que o conforma a Cristo e a oferta exclusiva de si mesmo pelo Reino de Deus.(75) O facto de o pr\u00f3prio Cristo, eterno sacerdote, ter vivido a sua miss\u00e3o at\u00e9 ao sacrif\u00edcio da cruz no estado de virgindade constitui o ponto seguro de refer\u00eancia para perceber o sentido da tradi\u00e7\u00e3o da Igreja Latina a tal respeito. Assim, n\u00e3o \u00e9 suficiente compreender o celibato sacerdotal em termos meramente funcionais; na realidade, constitui uma especial conforma\u00e7\u00e3o ao estilo de vida do pr\u00f3prio Cristo. Antes de mais, semelhante op\u00e7\u00e3o \u00e9 esponsal: a identifica\u00e7\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o de Cristo Esposo que d\u00e1 a vida pela sua Esposa. Em sintonia com a grande tradi\u00e7\u00e3o eclesial, com o Conc\u00edlio Vaticano II (76) e com os Sumos Pont\u00edfices (77) meus predecessores, corroboro a beleza e a import\u00e2ncia duma vida sacerdotal vivida no celibato como sinal expressivo de dedica\u00e7\u00e3o total e exclusiva a Cristo, \u00e0 Igreja e ao Reino de Deus, e, consequentemente, confirmo a sua obrigatoriedade para a tradi\u00e7\u00e3o latina. O celibato sacerdotal, vivido com maturidade, alegria e dedica\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o enorme para a Igreja e para a pr\u00f3pria sociedade.<br \/>\nEscassez de clero e pastoral vocacional<br \/>\n25. A prop\u00f3sito da liga\u00e7\u00e3o entre o sacramento da Ordem e a Eucaristia, o S\u00ednodo deteve-se sobre a dolorosa situa\u00e7\u00e3o que se tem vindo a criar em diversas dioceses a bra\u00e7os com a escassez de sacerdotes. Isto acontece n\u00e3o s\u00f3 em algumas zonas de primeira evangeliza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m em muitos pa\u00edses de longa tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Para a solu\u00e7\u00e3o do problema contribui certamente uma distribui\u00e7\u00e3o mais equitativa do clero; mas, para isso, \u00e9 preciso um trabalho de sensibiliza\u00e7\u00e3o capilar. Os bispos empenhem nas necessidades pastorais os institutos de vida consagrada e as novas realidades eclesiais, no respeito do respectivo carisma, e solicitem todos os membros do clero a uma disponibilidade maior para irem servir a Igreja nos lugares onde houver necessidade, sem olhar a sacrif\u00edcios.(78) Al\u00e9m disso, o S\u00ednodo debru\u00e7ou-se tamb\u00e9m sobre os cuidados pastorais a ter principalmente com os jovens para favorecer a sua abertura interior \u00e0 voca\u00e7\u00e3o sacerdotal. A solu\u00e7\u00e3o para tal carestia n\u00e3o se pode encontrar em meros estratagemas pragm\u00e1ticos; deve-se evitar que os bispos, levados por compreens\u00edveis preocupa\u00e7\u00f5es funcionais devido \u00e0 falta de clero, acabem por n\u00e3o realizar um adequado discernimento vocacional, admitindo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o candidatos que n\u00e3o possuam as caracter\u00edsticas necess\u00e1rias para o servi\u00e7o sacerdotal.(79) Um clero insuficientemente formado e admitido \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o sem o necess\u00e1rio discernimento dificilmente poder\u00e1 oferecer um testemunho capaz de suscitar noutros o desejo de generosa correspond\u00eancia \u00e0 voca\u00e7\u00e3o de Cristo. Na realidade, a pastoral vocacional deve empenhar a comunidade crist\u00e3 em todos os seus \u00e2mbitos.(80) Obviamente, no referido trabalho pastoral capilar, est\u00e1 inclu\u00edda tamb\u00e9m a obra de sensibiliza\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias, muitas vezes indiferentes se n\u00e3o mesmo contr\u00e1rias \u00e0 hip\u00f3tese da voca\u00e7\u00e3o sacerdotal. Que elas se abram com generosidade ao dom da vida e eduquem os filhos para serem dispon\u00edveis \u00e0 vontade de Deus! Em resumo, \u00e9 preciso sobretudo ter a coragem de propor aos jovens o seguimento radical de Cristo, mostrando-lhes o seu encanto.<br \/>\nGratid\u00e3o e esperan\u00e7a<br \/>\n26. Enfim, \u00e9 necess\u00e1rio ter maior f\u00e9 e esperan\u00e7a na iniciativa divina. Apesar da escassez de clero que se verifica em algumas regi\u00f5es, n\u00e3o deve esmorecer jamais a confian\u00e7a de que Cristo continua a suscitar homens que n\u00e3o hesitam em abandonar qualquer outra ocupa\u00e7\u00e3o para dedicar-se totalmente \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios sagrados, \u00e0 prega\u00e7\u00e3o do Evangelho e ao minist\u00e9rio pastoral. Nesta ocasi\u00e3o, desejo dar voz \u00e0 gratid\u00e3o da Igreja inteira por todos os bispos e presb\u00edteros que cumprem, com fiel dedica\u00e7\u00e3o e empenho, a pr\u00f3pria miss\u00e3o. Naturalmente, este agradecimento da Igreja estende-se tamb\u00e9m aos di\u00e1conos, a quem s\u00e3o impostas as m\u00e3os \u00ab n\u00e3o em ordem ao sacerd\u00f3cio mas ao minist\u00e9rio \u00bb.(81) Como recomendou a assembleia do S\u00ednodo, dirijo um obrigado especial aos presb\u00edteros fidei donum que edificam a comunidade, com compet\u00eancia e generosa dedica\u00e7\u00e3o, anunciando-lhe a palavra de Deus e repartindo o p\u00e3o da vida, sem pouparem as suas energias ao servi\u00e7o da miss\u00e3o da Igreja.(82) Por fim, \u00e9 preciso agradecer a Deus pelos numerosos sacerdotes que tiveram de sofrer at\u00e9 ao sacrif\u00edcio da vida por servir a Cristo. Neles se manifesta, com a eloqu\u00eancia dos factos, o que significa ser sacerdote a fundo; trata-se de comoventes testemunhos que poder\u00e3o inspirar muitos jovens a seguirem por sua vez a Cristo e gastarem a sua vida pelos outros, encontrando precisamente assim a vida verdadeira.<br \/>\nV. Eucaristia e Matrim\u00f3nio<br \/>\nEucaristia, sacramento esponsal<br \/>\n27. A Eucaristia, sacramento da caridade, apresenta uma rela\u00e7\u00e3o particular com o amor do homem e da mulher unidos em matrim\u00f3nio. Aprofundar tal rela\u00e7\u00e3o \u00e9 uma necessidade do nosso tempo.(83) V\u00e1rias vezes o Papa Jo\u00e3o Paulo II teve ocasi\u00e3o de afirmar o car\u00e1cter esponsal da Eucaristia e a sua rela\u00e7\u00e3o peculiar com o sacramento do matrim\u00f3nio: \u00ab A Eucaristia \u00e9 o sacramento da nossa reden\u00e7\u00e3o. \u00c9 o sacramento do Esposo, da Esposa \u00bb.(84) Ali\u00e1s, \u00ab toda a vida crist\u00e3 tem a marca do amor esponsal entre Cristo e a Igreja. J\u00e1 o Baptismo, entrada no povo de Deus, \u00e9 um mist\u00e9rio nupcial; \u00e9, por assim dizer, o banho de n\u00fapcias que precede o banquete das bodas, a Eucaristia \u00bb.(85) Esta corrobora de forma inexaur\u00edvel a unidade e o amor indissol\u00faveis de cada matrim\u00f3nio crist\u00e3o. Neste, em virtude do sacramento, o v\u00ednculo conjugal est\u00e1 intrinsecamente ligado com a uni\u00e3o eucar\u00edstica entre Cristo esposo e a Igreja esposa (Ef 5, 31-32). O consentimento rec\u00edproco, que o marido e a esposa trocam entre si em Cristo constituindo-os em comunidade de vida e de amor, tem tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o eucar\u00edstica; com efeito, na teologia paulina, o amor esponsal \u00e9 sinal sacramental do amor de Cristo pela sua Igreja, um amor que tem o seu ponto culminante na cruz, express\u00e3o das suas \u00ab n\u00fapcias \u00bb com a humanidade e, ao mesmo tempo, origem e centro da Eucaristia. Por isso, a Igreja manifesta uma particular solidariedade espiritual a todos aqueles que fundaram a sua fam\u00edlia sobre o sacramento do Matrim\u00f3nio.(86) A fam\u00edlia \u2014 igreja dom\u00e9stica ( 87) \u2014 \u00e9 um \u00e2mbito prim\u00e1rio da vida da Igreja, especialmente pelo papel decisivo que tem na educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 dos filhos.(88) Neste contexto, o S\u00ednodo recomendou tamb\u00e9m o reconhecimento da miss\u00e3o singular que tem a mulher na fam\u00edlia e na sociedade, miss\u00e3o esta que h\u00e1-de ser protegida, salvaguardada e promovida.(89) A sua dimens\u00e3o de esposa e m\u00e3e constitui uma realidade imprescind\u00edvel, que nunca deve ser desprezada.<br \/>\nEucaristia e unidade do Matrim\u00f3nio<br \/>\n28. \u00c9 precisamente \u00e0 luz desta rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre Matrim\u00f3nio, fam\u00edlia e Eucaristia que se podem considerar alguns problemas pastorais. O v\u00ednculo fiel, indissol\u00favel e exclusivo que une Cristo e a Igreja e tem express\u00e3o sacramental na Eucaristia, est\u00e1 de harmonia com o dado antropol\u00f3gico primordial segundo o qual o homem deve unir-se de modo definitivo com uma s\u00f3 mulher, e vice-versa (Gn 2, 24; Mt 19, 5). Nesta linha de pensamento, o S\u00ednodo dos Bispos debru\u00e7ou-se sobre a pr\u00e1tica pastoral que deve ser seguida com as pessoas origin\u00e1rias de culturas onde \u00e9 praticada a poligamia, que recebem o an\u00fancio do Evangelho: quantos vivem em tal situa\u00e7\u00e3o e se abrem \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 devem ser ajudados a integrar o seu projecto humano na novidade radical de Cristo; no percurso do catecumenado, Cristo alcan\u00e7a-os na sua condi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e chama-os \u00e0 verdade plena do amor passando atrav\u00e9s das ren\u00fancias que s\u00e3o necess\u00e1rias para chegarem \u00e0 comunh\u00e3o eclesial perfeita. A Igreja acompanha-os com uma pastoral imbu\u00edda simultaneamente de suavidade e de firmeza,(90) mostrando-lhes sobretudo a luz dos mist\u00e9rios crist\u00e3os que se reflecte sobre a natureza e os afectos humanos.<br \/>\nEucaristia e indissolubilidade do Matrim\u00f3nio<br \/>\n29. Se a Eucaristia exprime a irreversibilidade do amor de Deus em Cristo pela sua Igreja, compreende-se por que motivo a mesma implique, relativamente ao sacramento do Matrim\u00f3nio, aquela indissolubilidade a que todo o amor verdadeiro n\u00e3o pode deixar de anelar.(91) Por isso, \u00e9 mais que justificada a aten\u00e7\u00e3o pastoral que o S\u00ednodo reservou \u00e0s dolorosas situa\u00e7\u00f5es em que se encontram n\u00e3o poucos fi\u00e9is que, depois de ter celebrado o sacramento do Matrim\u00f3nio, se divorciaram e contra\u00edram novas n\u00fapcias. Trata-se dum problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira praga do ambiente social contempor\u00e2neo que vai progressivamente corroendo os pr\u00f3prios ambientes cat\u00f3licos. Os pastores, por amor da verdade, s\u00e3o obrigados a discernir bem as diferentes situa\u00e7\u00f5es, para ajudar espiritualmente e de modo adequado os fi\u00e9is implicados.(92) O S\u00ednodo dos Bispos confirmou a pr\u00e1tica da Igreja, fundada na Sagrada Escritura (Mc 10, 2-12), de n\u00e3o admitir aos sacramentos os divorciados re-casados, porque o seu estado e condi\u00e7\u00e3o de vida contradizem objectivamente aquela uni\u00e3o de amor entre Cristo e a Igreja que \u00e9 significada e realizada na Eucaristia. Todavia os divorciados re-casados, n\u00e3o obstante a sua situa\u00e7\u00e3o, continuam a pertencer \u00e0 Igreja, que os acompanha com especial solicitude na esperan\u00e7a de que cultivem, quanto poss\u00edvel, um estilo crist\u00e3o de vida, atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o na Santa Missa ainda que sem receber a comunh\u00e3o, da escuta da palavra de Deus, da adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, da ora\u00e7\u00e3o, da coopera\u00e7\u00e3o na vida comunit\u00e1ria, do di\u00e1logo franco com um sacerdote ou um mestre de vida espiritual, da dedica\u00e7\u00e3o ao servi\u00e7o da caridade, das obras de penit\u00eancia, do empenho na educa\u00e7\u00e3o dos filhos.<br \/>\nNos casos em que surjam legitimamente d\u00favidas sobre a validade do Matrim\u00f3nio sacramental contra\u00eddo, deve fazer-se tudo o que for necess\u00e1rio para verificar o fundamento das mesmas. H\u00e1 que assegurar, pois, no pleno respeito do direito can\u00f3nico,(93) a presen\u00e7a no territ\u00f3rio dos tribunais eclesi\u00e1sticos, o seu car\u00e1cter pastoral, a sua actividade correcta e pressurosa; (94) \u00e9 necess\u00e1rio haver, em cada diocese, um n\u00famero suficiente de pessoas preparadas para o sol\u00edcito funcionamento dos tribunais eclesi\u00e1sticos. Recordo que \u00ab \u00e9 uma obriga\u00e7\u00e3o grave tornar a actua\u00e7\u00e3o institucional da Igreja nos tribunais cada vez mais acess\u00edvel aos fi\u00e9is \u00bb.(95) No entanto, \u00e9 preciso evitar que a preocupa\u00e7\u00e3o pastoral seja vista como se estivesse em contraposi\u00e7\u00e3o com o direito; ao contr\u00e1rio, deve-se partir do pressuposto que o ponto fundamental de encontro entre direito e pastoral \u00e9 o amor pela verdade: com efeito, esta nunca \u00e9 abstracta, mas \u00ab integra-se no itiner\u00e1rio humano e crist\u00e3o de cada fiel \u00bb.(96) Enfim, caso n\u00e3o seja reconhecida a nulidade do v\u00ednculo matrimonial e se verifiquem condi\u00e7\u00f5es objectivas que tornam realmente irrevers\u00edvel a conviv\u00eancia, a Igreja encoraja estes fi\u00e9is a esfor\u00e7arem-se por viver a sua rela\u00e7\u00e3o segundo as exig\u00eancias da lei de Deus, como amigos, como irm\u00e3o e irm\u00e3; deste modo poder\u00e3o novamente abeirar-se da mesa eucar\u00edstica, com os cuidados previstos por uma comprovada pr\u00e1tica eclesial. Para que tal caminho se torne poss\u00edvel e d\u00ea frutos, deve ser apoiado pela ajuda dos pastores e por adequadas iniciativas eclesiais, evitando, em todo o caso, de aben\u00e7oar estas rela\u00e7\u00f5es para que n\u00e3o surjam entre os fi\u00e9is confus\u00f5es acerca do valor do matrim\u00f3nio.(97)<br \/>\nVista a complexidade do contexto cultural em que vive a Igreja em muitos pa\u00edses, o S\u00ednodo recomendou ainda que se tivesse o m\u00e1ximo cuidado pastoral com a forma\u00e7\u00e3o dos nubentes e a verifica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via das suas convic\u00e7\u00f5es sobre os compromissos irrenunci\u00e1veis para a validade do sacramento do Matrim\u00f3nio. Um s\u00e9rio discernimento a tal respeito poder\u00e1 evitar que impulsos emotivos ou raz\u00f5es superficiais induzam os dois jovens a assumir responsabilidades que depois n\u00e3o poder\u00e3o honrar.(98) Demasiado grande \u00e9 o bem que a Igreja e a sociedade inteira esperam do Matrim\u00f3nio e da fam\u00edlia fundada sobre o mesmo para n\u00e3o nos comprometermos a fundo neste \u00e2mbito pastoral espec\u00edfico; Matrim\u00f3nio e fam\u00edlia s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es cuja verdade deve ser promovida e defendida de qualquer equ\u00edvoco, porque todo o dano a elas causado \u00e9 realmente uma ferida que se inflige \u00e0 conviv\u00eancia humana como tal.<br \/>\nEucaristia e escatologia<br \/>\nEucaristia, dom para o homem a caminho<br \/>\n30. Se \u00e9 certo que os sacramentos s\u00e3o uma realidade que pertence \u00e0 Igreja peregrina no tempo( 99) rumo \u00e0 plena manifesta\u00e7\u00e3o da vit\u00f3ria de Cristo ressuscitado, \u00e9 igualmente verdade que, sobretudo na liturgia eucar\u00edstica, nos \u00e9 dado saborear antecipadamente a consuma\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica para a qual todo o homem e a cria\u00e7\u00e3o inteira est\u00e3o a caminho (Rm 8, 19s). O homem \u00e9 criado para a felicidade verdadeira e eterna, que s\u00f3 o amor de Deus pode dar; mas a nossa liberdade ferida extraviar-se-ia se n\u00e3o lhe fosse poss\u00edvel experimentar, j\u00e1 desde agora, algo da consuma\u00e7\u00e3o futura. Ali\u00e1s, para poder caminhar na direc\u00e7\u00e3o justa, o homem necessita de estar orientado para a meta final; esta, na realidade, \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo Senhor, vencedor do pecado e da morte, que Se torna presente para n\u00f3s de maneira especial na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Deste modo, embora sejamos ainda \u00ab estrangeiros e peregrinos \u00bb (1 Pd 2, 11) neste mundo, pela f\u00e9 participamos j\u00e1 da plenitude da vida ressuscitada. O banquete eucar\u00edstico, ao revelar a sua dimens\u00e3o intensamente escatol\u00f3gica, vem em ajuda da nossa liberdade a caminho.<br \/>\nO banquete escatol\u00f3gico<br \/>\n31. Reflectindo sobre este mist\u00e9rio, podemos dizer que Cristo, com a sua vinda, Se colocou em sintonia com a expectativa presente no povo de Israel, na humanidade inteira e fundamentalmente na pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o. Com o dom de Si mesmo, inaugurou objectivamente o tempo escatol\u00f3gico. Cristo veio chamar \u00e0 unidade o povo de Deus que andava disperso (Jo 11, 52), manifestando claramente a inten\u00e7\u00e3o de congregar a comunidade da alian\u00e7a para dar cumprimento \u00e0s promessas feitas por Deus a nossos pais (Jer 23, 3; 31, 10; Lc 1, 55.70). Com o chamamento dos Doze \u2014 n\u00famero que evoca as doze tribos de Israel \u2014 e o mandato que lhes confiou na \u00daltima Ceia, antes da sua paix\u00e3o redentora, de celebrarem o seu memorial, Jesus manifestou que queria transferir, para a comunidade inteira por Ele fundada, a miss\u00e3o de ser, na hist\u00f3ria, sinal e instrumento da reunifica\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica que n&#8217;Ele teve in\u00edcio. Por isso, em cada celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, realiza-se sacramentalmente a unifica\u00e7\u00e3o escatol\u00f3gica do povo de Deus. Para n\u00f3s, o banquete eucar\u00edstico \u00e9 uma antecipa\u00e7\u00e3o real do banquete final, preanunciado pelos profetas (Is 25, 6-9) e descrito no Novo Testamento como \u00ab as n\u00fapcias do Cordeiro \u00bb (Ap 19, 7-9) que se h\u00e3o-de celebrar na comunh\u00e3o dos santos.(100)<br \/>\nOra\u00e7\u00e3o pelos defuntos<br \/>\n32. A celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, na qual anunciamos a morte do Senhor e proclamamos a sua ressurrei\u00e7\u00e3o enquanto aguardamos a sua vinda gloriosa, \u00e9 penhor da gl\u00f3ria futura, quando mesmo os nossos corpos ser\u00e3o glorificados. Ao celebrarmos o memorial da nossa salva\u00e7\u00e3o, refor\u00e7a-se em n\u00f3s a esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o da carne juntamente com a possibilidade de encontrarmos de novo, face a face, aqueles que nos precederam com o sinal da f\u00e9. Nesta linha, queria, juntamente com os padres sinodais, lembrar a todos os fi\u00e9is a import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o de sufr\u00e1gio, particularmente a celebra\u00e7\u00e3o de Missas, pelos defuntos para que, purificados, possam chegar \u00e0 vis\u00e3o beat\u00edfica de Deus.(101) Sempre que descobrimos de novo a dimens\u00e3o escatol\u00f3gica presente na Eucaristia, celebrada e adorada, somos apoiados no nosso caminho e confortados na esperan\u00e7a da gl\u00f3ria (Rm 5, 2; Tt 2, 13).<br \/>\nA Eucaristia e a Virgem Maria<br \/>\n33. Da rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e os restantes sacramentos juntamente com o significado escatol\u00f3gico dos santos mist\u00e9rios, irrompe o perfil da vida crist\u00e3, chamada a ser em cada instante culto espiritual, oferta de si mesma agrad\u00e1vel a Deus. E, se \u00e9 verdade que nos encontramos todos ainda a caminho rumo \u00e0 plena consuma\u00e7\u00e3o da nossa esperan\u00e7a, isto n\u00e3o impede de podermos j\u00e1 agora reconhecer, com gratid\u00e3o, que tudo aquilo que Deus nos deu, se realizou perfeitamente na Virgem Maria, M\u00e3e de Deus e nossa: a sua assun\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u em corpo e alma \u00e9, para n\u00f3s, sinal de segura esperan\u00e7a, enquanto nos aponta a n\u00f3s, peregrinos no tempo, aquela meta escatol\u00f3gica que o sacramento da Eucaristia desde j\u00e1 nos faz saborear.<br \/>\nEm Maria Sant\u00edssima, vemos perfeitamente realizada tamb\u00e9m a modalidade sacramental com que Deus alcan\u00e7a e envolve na sua iniciativa salv\u00edfica a criatura humana. Desde a anuncia\u00e7\u00e3o ao Pentecostes, Maria de Nazar\u00e9 aparece como uma pessoa cuja liberdade est\u00e1 completamente dispon\u00edvel \u00e0 vontade de Deus; a sua Imaculada Concei\u00e7\u00e3o revela-se propriamente na docilidade incondicional \u00e0 palavra divina. A f\u00e9 obediente \u00e9 a forma que a sua vida assume em cada instante perante a ac\u00e7\u00e3o de Deus: Virgem \u00e0 escuta, Ela vive em plena sintonia com a vontade divina; conserva no seu cora\u00e7\u00e3o as palavras que lhe chegam da parte de Deus e, dispondo-as \u00e0 maneira de um mosaico, aprende a compreend\u00ea-las mais a fundo (Lc 2, 19.51); Maria \u00e9 a grande Crente que, cheia de confian\u00e7a, Se coloca nas m\u00e3os de Deus, abandonando-Se \u00e0 sua vontade.(102) Um tal mist\u00e9rio vai crescendo de intensidade at\u00e9 chegar ao pleno envolvimento d&#8217;Ela na miss\u00e3o redentora de Jesus; como afirmou o Conc\u00edlio Vaticano II, \u00ab assim avan\u00e7ou a Virgem pelo caminho da f\u00e9, mantendo fielmente a uni\u00e3o com seu Filho at\u00e9 \u00e0 cruz. Junto desta esteve, n\u00e3o sem des\u00edgnio de Deus (Jo 19, 25), padecendo acerbamente com o seu Filho \u00fanico, e associando-Se com cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e ao seu sacrif\u00edcio, consentindo com amor na imola\u00e7\u00e3o da v\u00edtima que d&#8217;Ela nascera; finalmente, Jesus Cristo, agonizante na cruz, deu-A por m\u00e3e ao disc\u00edpulo, com estas palavras: mulher, eis a\u00ed o teu filho (Jo 19, 26-27) \u00bb.(103) Desde a anuncia\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 cruz, Maria \u00e9 Aquela que acolhe a Palavra que n&#8217;Ela Se fez carne e foi at\u00e9 emudecer no sil\u00eancio da morte. \u00c9 Ela, enfim, que recebe nos seus bra\u00e7os o corpo imolado, j\u00e1 ex\u00e2nime, d&#8217;Aquele que verdadeiramente amou os Seus \u00ab at\u00e9 ao fim \u00bb (Jo 13, 1).<br \/>\nPor isso, sempre que na liturgia eucar\u00edstica nos abeiramos do corpo e do sangue de Cristo, dirigimo-nos tamb\u00e9m a Ela que, por toda a Igreja, acolheu o sacrif\u00edcio de Cristo, aderindo plenamente ao mesmo. Justamente afirmaram os padres sinodais que \u00ab Maria inaugura a participa\u00e7\u00e3o da Igreja no sacrif\u00edcio do Redentor \u00bb.(104) Ela \u00e9 a Imaculada que acolhe incondicionalmente o dom de Deus, e desta forma fica associada \u00e0 obra da salva\u00e7\u00e3o. Maria de Nazar\u00e9, \u00edcone da Igreja nascente, \u00e9 o modelo para cada um de n\u00f3s saber como \u00e9 chamado a acolher a doa\u00e7\u00e3o que Jesus fez de Si mesmo na Eucaristia.<br \/>\nII PARTE<br \/>\nEUCARISTIA, MIST\u00c9RIO CELEBRADO<br \/>\n\u00ab Em verdade, em verdade vos digo:<br \/>\nN\u00e3o foi Mois\u00e9s que vos deu o p\u00e3o<br \/>\nque vem do c\u00e9u; meu Pai \u00e9 que vos d\u00e1<br \/>\no verdadeiro p\u00e3o que vem do c\u00e9u \u00bb (Jo 6, 32)<br \/>\nNorma da ora\u00e7\u00e3o e norma de f\u00e9<br \/>\n34. O S\u00ednodo dos Bispos reflectiu demoradamente sobre a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre f\u00e9 eucar\u00edstica e celebra\u00e7\u00e3o, pondo em evid\u00eancia a liga\u00e7\u00e3o entre a norma da ora\u00e7\u00e3o (lex orandi) e a norma de f\u00e9 (lex credendi) e sublinhando o primado da ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. \u00c9 necess\u00e1rio viver a Eucaristia como mist\u00e9rio da f\u00e9 autenticamente celebrado, bem cientes de que \u00ab a intelig\u00eancia da f\u00e9 (intellectus fidei) sempre est\u00e1 originariamente em rela\u00e7\u00e3o com a ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica da Igreja \u00bb:(105) neste \u00e2mbito, a reflex\u00e3o teol\u00f3gica n\u00e3o pode prescindir jamais da ordem sacramental institu\u00edda pelo pr\u00f3prio Cristo; por outro lado, a ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica nunca pode ser considerada genericamente, prescindindo do mist\u00e9rio da f\u00e9. Com efeito, a fonte da nossa f\u00e9 e da liturgia eucar\u00edstica \u00e9 o mesmo acontecimento: a doa\u00e7\u00e3o que Cristo fez de Si pr\u00f3prio no mist\u00e9rio pascal.<br \/>\nBeleza e liturgia<br \/>\n35. A rela\u00e7\u00e3o entre mist\u00e9rio acreditado e mist\u00e9rio celebrado manifesta-se, de modo peculiar, no valor teol\u00f3gico e lit\u00fargico da beleza. De facto, a liturgia, como ali\u00e1s a revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3, tem uma liga\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca com a beleza: \u00e9 esplendor da verdade (veritatis splendor). Na liturgia, brilha o mist\u00e9rio pascal, pelo qual o pr\u00f3prio Cristo nos atrai a Si e chama \u00e0 comunh\u00e3o. Em Jesus, como costumava dizer S\u00e3o Boaventura, contemplamos a beleza e o esplendor das origens.(106) Referimo-nos aqui a este atributo da beleza, vista n\u00e3o enquanto mero esteticismo, mas como modalidade com que a verdade do amor de Deus em Cristo nos alcan\u00e7a, fascina e arrebata, fazendo-nos sair de n\u00f3s mesmos e atraindo-nos assim para a nossa verdadeira voca\u00e7\u00e3o: o amor.(107) J\u00e1 na cria\u00e7\u00e3o, Deus Se deixa entrever na beleza e harmonia do universo (Sab 13, 5; Rm 1, 19-20). Depois, no Antigo Testamento, encontramos sinais grandiosos do esplendor da for\u00e7a de Deus, que Se manifesta com a sua gl\u00f3ria atrav\u00e9s dos prod\u00edgios realizados no meio do povo eleito (Ex 14; 16, 10; 24, 12-18; Nm 14, 20-23). No Novo Testamento, realiza-se definitivamente esta epifania de beleza na revela\u00e7\u00e3o de Deus em Jesus Cristo: (108) Ele \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o plena da gl\u00f3ria divina. Na glorifica\u00e7\u00e3o do Filho, resplandece e comunica-se a gl\u00f3ria do Pai (Jo 1, 14; 8, 54; 12, 28; 17, 1). Mas, esta beleza n\u00e3o \u00e9 uma simples harmonia de formas; \u00ab o mais belo dos filhos do homem \u00bb (Sal 45\/44, 3) misteriosamente \u00e9 tamb\u00e9m um indiv\u00edduo \u00ab sem distin\u00e7\u00e3o nem beleza que atraia o nosso olhar \u00bb (Is 53, 2). Jesus Cristo mostra-nos como a verdade do amor sabe transfigurar inclusive o mist\u00e9rio sombrio da morte na luz radiante da ressurrei\u00e7\u00e3o. Aqui o esplendor da gl\u00f3ria de Deus supera toda a beleza do mundo. A verdadeira beleza \u00e9 o amor de Deus que nos foi definitivamente revelado no mist\u00e9rio pascal.<br \/>\nA beleza da liturgia pertence a este mist\u00e9rio; \u00e9 express\u00e3o excelsa da gl\u00f3ria de Deus e, de certa forma, constitui o c\u00e9u que desce \u00e0 terra. O memorial do sacrif\u00edcio redentor traz em si mesmo os tra\u00e7os daquela beleza de Jesus testemunhada por Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, quando o Mestre, a caminho de Jerusal\u00e9m, quis transfigurar-Se diante deles (Mc 9, 2). Concluindo, a beleza n\u00e3o \u00e9 um factor decorativo da ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, mas seu elemento constitutivo, enquanto atributo do pr\u00f3prio Deus e da sua revela\u00e7\u00e3o. Tudo isto nos h\u00e1-de tornar conscientes da aten\u00e7\u00e3o que se deve prestar \u00e0 ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica para que brilhe segundo a sua pr\u00f3pria natureza.<br \/>\nA celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica,<br \/>\nobra de Cristo inteiro<br \/>\nCristo inteiro: cabe\u00e7a e corpo<br \/>\n36. A beleza intr\u00ednseca da liturgia tem, como sujeito pr\u00f3prio, Cristo ressuscitado e glorificado no Esp\u00edrito Santo, que inclui a Igreja na sua ac\u00e7\u00e3o.(109) Nesta perspectiva, \u00e9 muito sugestivo recordar as palavras de Santo Agostinho que descrevem, de modo eficaz, esta din\u00e2mica de f\u00e9 pr\u00f3pria da Eucaristia; referindo-se precisamente ao mist\u00e9rio eucar\u00edstico, o grande santo de Hipona p\u00f5e em evid\u00eancia como o pr\u00f3prio Cristo nos assimila a Si mesmo: \u00ab O p\u00e3o que vedes sobre o altar, santificado com a palavra de Deus, \u00e9 o corpo de Cristo. O c\u00e1lice, ou melhor, aquilo que o c\u00e1lice cont\u00e9m, santificado com as palavras de Deus, \u00e9 sangue de Cristo. Com estes [sinais], Cristo Senhor quis confiar-nos o seu corpo e o seu sangue, que derramou por n\u00f3s para a remiss\u00e3o dos pecados. Se os recebestes bem, v\u00f3s mesmos sois Aquele que recebestes \u00bb.(110) Assim, \u00ab tornamo-nos n\u00e3o apenas crist\u00e3os, mas o pr\u00f3prio Cristo \u00bb.(111) Nisto podemos contemplar a ac\u00e7\u00e3o misteriosa de Deus, que inclui a unidade profunda entre n\u00f3s e o Senhor Jesus: \u00ab De facto, n\u00e3o se pode crer que Cristo esteja na cabe\u00e7a sem estar tamb\u00e9m no corpo, pois Ele est\u00e1 todo inteiro na cabe\u00e7a e no corpo (Christus totus in capite et in corpore) \u00bb.(112)<br \/>\nEucaristia e Cristo ressuscitado<br \/>\n37. Visto que a liturgia eucar\u00edstica \u00e9 essencialmente ac\u00e7\u00e3o de Deus (actio Dei) que nos envolve em Jesus por meio do Esp\u00edrito, o seu fundamento n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 merc\u00ea do nosso arb\u00edtrio e n\u00e3o pode suportar a chantagem das modas passageiras. Vale aqui tamb\u00e9m, sem d\u00favida, a advert\u00eancia de S\u00e3o Paulo: \u00ab Ningu\u00e9m pode p\u00f4r outro fundamento diferente do que foi posto, isto \u00e9, Jesus Cristo \u00bb (1 Cor 3, 11). O Ap\u00f3stolo das Gentes certifica-nos ainda, referindo-se \u00e0 Eucaristia, que n\u00e3o nos comunica uma doutrina pessoal, mas aquilo que, por sua vez, tinha recebido (1 Cor 11, 23); de facto, a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia implica a Tradi\u00e7\u00e3o viva. A Igreja celebra o sacrif\u00edcio eucar\u00edstico obedecendo ao mandato de Cristo, a partir da experi\u00eancia do Ressuscitado e da efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Por este motivo, a comunidade crist\u00e3, desde os seus prim\u00f3rdios, re\u00fane-se para a frac\u00e7\u00e3o do p\u00e3o (fractio panis) no dia do Senhor. O dia em que Cristo ressuscitou dos mortos, o domingo, \u00e9 tamb\u00e9m o primeiro dia da semana, aquele em que a tradi\u00e7\u00e3o do Antigo Testamento contemplava o in\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o. O dia da cria\u00e7\u00e3o tornou-se agora o dia da \u00ab nova cria\u00e7\u00e3o \u00bb, o dia da nossa liberta\u00e7\u00e3o, no qual fazemos mem\u00f3ria de Cristo morto e ressuscitado.(113)<br \/>\nArte da celebra\u00e7\u00e3o<br \/>\n38. Durante os trabalhos sinodais, foi v\u00e1rias vezes recomendada a necessidade de superar toda e qualquer separa\u00e7\u00e3o entre a arte da celebra\u00e7\u00e3o (ars celebrandi, isto \u00e9, a arte de celebrar rectamente) e a participa\u00e7\u00e3o plena, activa e frutuosa de todos os fi\u00e9is: com efeito, o primeiro modo de favorecer a participa\u00e7\u00e3o do povo de Deus no rito sagrado \u00e9 a condigna celebra\u00e7\u00e3o do mesmo; a arte da celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 a melhor condi\u00e7\u00e3o para a participa\u00e7\u00e3o activa (actuosa participatio).(114) Aquela resulta da fiel obedi\u00eancia \u00e0s normas lit\u00fargicas na sua integridade, pois \u00e9 precisamente este modo de celebrar que, h\u00e1 dois mil anos, garante a vida de f\u00e9 de todos os crentes, chamados a viver a celebra\u00e7\u00e3o enquanto povo de Deus, sacerd\u00f3cio real, na\u00e7\u00e3o santa (1 Pd 2, 4-5.9).(115)<br \/>\nO bispo, liturgista por excel\u00eancia<br \/>\n39. Se \u00e9 verdade que todo o povo de Deus participa na liturgia eucar\u00edstica, uma fun\u00e7\u00e3o imprescind\u00edvel, relativamente \u00e0 correcta ars celebrandi, compete todavia \u00e0queles que receberam o sacramento da Ordem. Bispos, sacerdotes e di\u00e1conos, cada qual segundo o pr\u00f3prio grau, devem considerar a celebra\u00e7\u00e3o como o seu dever principal.(116) Antes de mais ningu\u00e9m, o bispo diocesano: de facto, como \u00ab primeiro dispensador dos mist\u00e9rios de Deus na Igreja particular que lhe est\u00e1 confiada, ele \u00e9 o guia, o promotor e o guardi\u00e3o de toda a vida lit\u00fargica \u00bb.(117) Tudo isto \u00e9 decisivo para a vida da Igreja particular, n\u00e3o s\u00f3 porque a comunh\u00e3o com o bispo \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para que seja leg\u00edtima uma celebra\u00e7\u00e3o no respectivo territ\u00f3rio, mas tamb\u00e9m porque ele mesmo \u00e9 o liturgista por excel\u00eancia da sua Igreja.(118) Compete-lhe salvaguardar a concorde unidade das celebra\u00e7\u00f5es na sua diocese; por isso, deve ser \u00ab preocupa\u00e7\u00e3o do bispo fazer com que os presb\u00edteros, os di\u00e1conos e os fi\u00e9is compreendam cada vez melhor o sentido aut\u00eantico dos ritos e dos textos lit\u00fargicos, levando-os deste modo a uma activa e frutuosa celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia \u00bb.(119) De modo particular, exorto a fazer tudo o que for necess\u00e1rio a fim de que as celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas realizadas pelo bispo na catedral se desenrolem no respeito cabal da arte da celebra\u00e7\u00e3o, para que possam ser consideradas como modelo por todas as igrejas espalhadas no territ\u00f3rio.(120)<br \/>\nO respeito pelos livros lit\u00fargicos e pela riqueza dos sinais<br \/>\n40. Ao ressaltar a import\u00e2ncia da arte da celebra\u00e7\u00e3o, consequentemente p\u00f5e-se em evid\u00eancia o valor das normas lit\u00fargicas.(121) Aquela deve favorecer o sentido do sagrado e a utiliza\u00e7\u00e3o das formas exteriores que educam para tal sentido, como, por exemplo, a harmonia do rito, das vestes lit\u00fargicas, da decora\u00e7\u00e3o e do lugar sagrado. A celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 frutuosa quando os sacerdotes e os respons\u00e1veis da pastoral lit\u00fargica se esfor\u00e7am por dar a conhecer os livros lit\u00fargicos em vigor e as respectivas normas, pondo em destaque as riquezas estupendas da Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano e da Instru\u00e7\u00e3o das Leituras da Missa. Talvez se d\u00ea por adquirido, nas comunidades eclesiais, o seu conhecimento e devido apre\u00e7o, mas frequentemente n\u00e3o \u00e9 assim; na realidade, trata-se de textos onde est\u00e3o contidas riquezas que guardam e exprimem a f\u00e9 e o caminho do povo de Deus ao longo dos dois mil\u00e9nios da sua hist\u00f3ria. Igualmente importante para uma correcta arte da celebra\u00e7\u00e3o \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o a todas as formas de linguagem previstas pela liturgia: palavra e canto, gestos e sil\u00eancios, movimento do corpo, cores lit\u00fargicas dos paramentos. Com efeito, a liturgia, por sua natureza, possui uma tal variedade de n\u00edveis de comunica\u00e7\u00e3o que lhe permitem cativar o ser humano na sua totalidade. A simplicidade dos gestos e a sobriedade dos sinais, situados na ordem e nos momentos previstos, comunicam e cativam mais do que o artificialismo de adi\u00e7\u00f5es inoportunas. A aten\u00e7\u00e3o e a obedi\u00eancia \u00e0 estrutura pr\u00f3pria do rito, ao mesmo tempo que exprimem a consci\u00eancia do car\u00e1cter de dom da Eucaristia, manifestam a vontade que o ministro tem de acolher, com d\u00f3cil gratid\u00e3o, esse dom inef\u00e1vel.<br \/>\nArte ao servi\u00e7o da celebra\u00e7\u00e3o<br \/>\n41. A profunda liga\u00e7\u00e3o entre a beleza e a liturgia deve levar-nos a considerar atentamente todas as express\u00f5es art\u00edsticas colocadas ao servi\u00e7o da celebra\u00e7\u00e3o.(122) Uma componente importante da arte sacra \u00e9, sem d\u00favida, a arquitectura das igrejas,(123) nas quais h\u00e1-de sobressair a coer\u00eancia entre os elementos pr\u00f3prios do presbit\u00e9rio: altar, crucifixo, sacr\u00e1rio, amb\u00e3o, cadeira. A este respeito, tenha-se presente que a finalidade da arquitectura sacra \u00e9 oferecer \u00e0 Igreja que celebra os mist\u00e9rios de f\u00e9, especialmente a Eucaristia, o espa\u00e7o mais id\u00f3neo para uma condigna realiza\u00e7\u00e3o da sua ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica; (124) de facto, a natureza do templo crist\u00e3o define-se precisamente pela ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, a qual implica a reuni\u00e3o dos fi\u00e9is (ecclesia), que s\u00e3o as pedras vivas do templo (1 Pd 2, 5).<br \/>\nO mesmo princ\u00edpio vale para toda a arte sacra em geral, especialmente para a pintura e a escultura, devendo a iconografia religiosa ser orientada para a mistagogia sacramental. Um conhecimento profundo das formas que a arte sacra conseguiu produzir, ao longo dos s\u00e9culos, pode ser de grande ajuda para quem tenha a responsabilidade de chamar arquitectos e artistas para comissionar-lhes obras de arte destinadas \u00e0 ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica; por isso, \u00e9 indispens\u00e1vel que, na forma\u00e7\u00e3o dos seminaristas e dos sacerdotes, se inclua, entre as disciplinas importantes, a Hist\u00f3ria da Arte com especial referimento aos edif\u00edcios de culto \u00e0 luz das normas lit\u00fargicas. Enfim, \u00e9 necess\u00e1rio que, em tudo quanto tenha a ver com a Eucaristia, haja gosto pela beleza; dever-se-\u00e1 ter respeito e cuidado tamb\u00e9m pelos paramentos, as alfaias, os vasos sagrados, para que, interligados de forma org\u00e2nica e ordenada, alimentem o enlevo pelo mist\u00e9rio de Deus, manifestem a unidade da f\u00e9 e reforcem a devo\u00e7\u00e3o.(125)<br \/>\nO canto lit\u00fargico<br \/>\n42. Na arte da celebra\u00e7\u00e3o, ocupa lugar de destaque o canto lit\u00fargico.(126) Com raz\u00e3o afirma Santo Agostinho, num famoso serm\u00e3o: \u00ab O homem novo conhece o c\u00e2ntico novo. O c\u00e2ntico \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de alegria e, se considerarmos melhor, um sinal de amor \u00bb.(127) O povo de Deus, reunido para a celebra\u00e7\u00e3o, canta os louvores de Deus. Na sua hist\u00f3ria bimilen\u00e1ria, a Igreja criou, e continua a criar, m\u00fasica e c\u00e2nticos que constituem um patrim\u00f3nio de f\u00e9 e amor que n\u00e3o se deve perder. Verdadeiramente, em liturgia, n\u00e3o podemos dizer que tanto vale um c\u00e2ntico como outro; a prop\u00f3sito, \u00e9 necess\u00e1rio evitar a improvisa\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica ou a introdu\u00e7\u00e3o de g\u00e9neros musicais que n\u00e3o respeitem o sentido da liturgia. Enquanto elemento lit\u00fargico, o canto deve integrar-se na forma pr\u00f3pria da celebra\u00e7\u00e3o; (128) consequentemente, tudo \u2014 no texto, na melodia, na execu\u00e7\u00e3o \u2014 deve corresponder ao sentido do mist\u00e9rio celebrado, \u00e0s v\u00e1rias partes do rito e aos diferentes tempos lit\u00fargicos.(129) Enfim, embora tendo em conta as distintas orienta\u00e7\u00f5es e as diferentes e amplamente louv\u00e1veis tradi\u00e7\u00f5es, desejo \u2014 como foi pedido pelos padres sinodais \u2014 que se valorize adequadamente o canto gregoriano,(130) como canto pr\u00f3prio da liturgia romana.(131)<br \/>\nA estrutura da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica<br \/>\n43. Depois de ter recordado os elementos fundamentais da arte da celebra\u00e7\u00e3o relevados durante os trabalhos sinodais, desejo chamar a aten\u00e7\u00e3o mais especificamente para algumas partes da estrutura da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, que necessitam de um cuidado particular no nosso tempo, a fim de permanecermos fi\u00e9is \u00e0 inten\u00e7\u00e3o profunda da renova\u00e7\u00e3o lit\u00fargica que o Conc\u00edlio Vaticano II quis em continuidade com toda a grande tradi\u00e7\u00e3o eclesial.<br \/>\nUnidade intr\u00ednseca da ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica<br \/>\n44. Antes de mais, \u00e9 necess\u00e1rio reflectir sobre a unidade intr\u00ednseca do rito da Santa Missa, evitando, tanto nas catequeses como na modalidade de celebra\u00e7\u00e3o, que se d\u00ea ensejo a uma vis\u00e3o justaposta das duas partes do rito: a liturgia da palavra e a liturgia eucar\u00edstica \u2014 para al\u00e9m dos ritos iniciais e conclusivo \u2014 \u00ab est\u00e3o entre si t\u00e3o estreitamente ligadas que constituem um \u00fanico acto de culto \u00bb.(132) De facto, existe uma liga\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre a palavra de Deus e a parte eucar\u00edstica: ao ouvirmos a palavra de Deus, nasce ou refor\u00e7a-se a f\u00e9 (Rm 10, 17), enquanto, na parte eucar\u00edstica, o Verbo feito carne d\u00e1-Se a n\u00f3s como alimento espiritual; (133) assim, \u00ab a partir das duas mesas, a da palavra de Deus e a do corpo de Cristo, a Igreja recebe e oferece aos fi\u00e9is o p\u00e3o de vida \u00bb.(134) Por isso, deve ter-se constantemente presente que a palavra de Deus, lida e anunciada na liturgia pela Igreja, conduz \u00e0 Eucaristia como a seu fim conatural.<br \/>\nA liturgia da palavra<br \/>\n45. Juntamente com o S\u00ednodo, pe\u00e7o que a liturgia da palavra seja sempre devidamente preparada e vivida. Recomendo, pois, vivamente que se tenha grande cuidado, nas liturgias, com a proclama\u00e7\u00e3o da palavra de Deus por leitores bem preparados; nunca nos esque\u00e7amos de que, \u00ab quando na igreja se l\u00ea a Sagrada Escritura, \u00e9 o pr\u00f3prio Deus que fala ao seu povo, \u00e9 Cristo presente na sua palavra que anuncia o Evangelho \u00bb.(135) Se as circunst\u00e2ncias o recomendarem, pode-se pensar numas breves palavras de introdu\u00e7\u00e3o, que ajudem os fi\u00e9is a tomar renovada consci\u00eancia do momento. Para ser bem compreendida, a palavra de Deus deve ser escutada e acolhida com esp\u00edrito eclesial e cientes da sua unidade com o sacramento eucar\u00edstico. Com efeito, a palavra que anunciamos e ouvimos \u00e9 o Verbo feito carne (Jo 1, 14) e possui uma refer\u00eancia intr\u00ednseca \u00e0 pessoa de Cristo e \u00e0 modalidade sacramental da sua perman\u00eancia: Cristo n\u00e3o fala no passado mas no nosso presente, tal como Ele est\u00e1 presente na ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Neste horizonte sacramental da revela\u00e7\u00e3o crist\u00e3,(136) o conhecimento e o estudo da palavra de Deus permitem-nos valorizar, celebrar e viver melhor a Eucaristia; tamb\u00e9m aqui se mostra em toda a sua verdade a conhecida asser\u00e7\u00e3o: \u00ab A ignor\u00e2ncia da Escritura \u00e9 ignor\u00e2ncia de Cristo \u00bb.(137)<br \/>\nPara isso, \u00e9 necess\u00e1rio ajudar os fi\u00e9is a valorizarem os tesouros da Sagrada Escritura presentes no Leccion\u00e1rio, por meio de iniciativas pastorais, de celebra\u00e7\u00f5es da palavra e da leitura orante (lectio divina). Al\u00e9m disso, n\u00e3o se esque\u00e7a de promover as formas de ora\u00e7\u00e3o confirmadas pela tradi\u00e7\u00e3o: a Liturgia das Horas, sobretudo Laudes, V\u00e9speras, Completas e ainda as celebra\u00e7\u00f5es das Vig\u00edlias. A ora\u00e7\u00e3o dos salmos, as leituras b\u00edblicas e as da grande tradi\u00e7\u00e3o apresentadas no Of\u00edcio Divino podem levar a uma experi\u00eancia profunda do acontecimento de Cristo e da economia da salva\u00e7\u00e3o, capaz por sua vez de enriquecer a compreens\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica.(138)<br \/>\nA homilia<br \/>\n46. Pensando na import\u00e2ncia da palavra de Deus, surge a necessidade de melhorar a qualidade da homilia; de facto, esta \u00ab constitui parte integrante da ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica \u00bb,(139) cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 favorecer uma compreens\u00e3o e efic\u00e1cia mais ampla da palavra de Deus na vida dos fi\u00e9is. Por isso, os ministros ordenados devem \u00ab preparar cuidadosamente a homilia, baseando-se num adequado conhecimento da Sagrada Escritura \u00bb.(140) Evitem-se homilias gen\u00e9ricas ou abstractas; de modo particular, pe\u00e7o aos ministros para fazerem com que a homilia coloque a palavra de Deus proclamada em estreita rela\u00e7\u00e3o com a celebra\u00e7\u00e3o sacramental (141) e com a vida da comunidade, de tal modo que a palavra de Deus seja realmente apoio e vida da Igreja.(142) Tenha-se presente, portanto, a finalidade catequ\u00e9tica e exortativa da homilia. Considera-se que \u00e9 oportuno oferecer prudentemente, a partir do Leccion\u00e1rio trienal, homilias tem\u00e1ticas aos fi\u00e9is que tratem, ao longo do ano lit\u00fargico, os grandes temas da f\u00e9 crist\u00e3, haurindo de quanto est\u00e1 autorizadamente proposto pelo Magist\u00e9rio nos quatro \u00ab pilares \u00bb do Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica e no recente Comp\u00eandio: a profiss\u00e3o da f\u00e9, a celebra\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio crist\u00e3o, a vida em Cristo, a ora\u00e7\u00e3o crist\u00e3.(143)<br \/>\nApresenta\u00e7\u00e3o das oferendas<br \/>\n47. Os padres sinodais chamaram a aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para a apresenta\u00e7\u00e3o das oferendas. N\u00e3o se trata simplesmente duma esp\u00e9cie de \u00ab intervalo \u00bb entre a liturgia da palavra e a liturgia eucar\u00edstica, o que faria, sem d\u00favida, atenuar o sentido de um \u00fanico rito composto de duas partes interligadas; realmente, neste gesto humilde e simples, encerra-se um significado muito grande: no p\u00e3o e no vinho que levamos ao altar, toda a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 assumida por Cristo Redentor para ser transformada e apresentada ao Pai.(144) Nesta perspectiva, levamos ao altar tamb\u00e9m todo o sofrimento e tribula\u00e7\u00e3o do mundo, na certeza de que tudo \u00e9 precioso aos olhos de Deus. Este gesto n\u00e3o necessita de ser enfatizado com descabidas complica\u00e7\u00f5es para ser vivido no seu significado aut\u00eantico: o mesmo permite valorizar a participa\u00e7\u00e3o primeira que Deus pede ao homem, ou seja, levar em si mesmo a obra divina \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, e dar assim pleno sentido ao trabalho humano que, atrav\u00e9s da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, fica unido ao sacrif\u00edcio redentor de Cristo.<br \/>\nA Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica<br \/>\n48. A Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica \u00e9 \u00ab o ponto central e culminante de toda a celebra\u00e7\u00e3o \u00bb; (145) merece ser convenientemente ressaltada a sua import\u00e2ncia. As diversas Ora\u00e7\u00f5es Eucar\u00edsticas contidas no Missal foram-nos transmitidas pela Tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja e caracterizam-se por uma riqueza teol\u00f3gica e espiritual inesgot\u00e1vel; os fi\u00e9is devem poder ser capazes de apreci\u00e1-la. A isto mesmo nos ajuda a Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, quando lembra os elementos fundamentais de cada Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica: ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, aclama\u00e7\u00e3o, epiclese, narra\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o, consagra\u00e7\u00e3o, anamnese, obla\u00e7\u00e3o, intercess\u00f5es e doxologia final.(146) Em particular, a espiritualidade eucar\u00edstica e a reflex\u00e3o teol\u00f3gica s\u00e3o iluminadas se se contempla a profunda unidade que existe, na an\u00e1fora, entre a invoca\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo e a narra\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o,(147) quando \u00ab se realiza o sacrif\u00edcio que o pr\u00f3prio Cristo instituiu na \u00daltima Ceia \u00bb.(148) De facto, \u00ab por meio de invoca\u00e7\u00f5es especiais, a Igreja implora o poder do Esp\u00edrito Santo, para que os dons oferecidos pelos homens sejam consagrados, isto \u00e9, se convertam no corpo e sangue de Cristo, e para que a v\u00edtima imaculada, que vai ser recebida na comunh\u00e3o, opere a salva\u00e7\u00e3o daqueles que dela v\u00e3o participar \u00bb.(149)<br \/>\nSauda\u00e7\u00e3o da paz<br \/>\n49. A Eucaristia \u00e9, por sua natureza, sacramento da paz. Na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, esta dimens\u00e3o do mist\u00e9rio eucar\u00edstico encontra a sua manifesta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica no rito da sauda\u00e7\u00e3o da paz. Trata-se, sem d\u00favida, dum sinal de grande valor (Jo 14, 27). Neste nosso tempo pavorosamente cheio de conflitos, tal gesto adquire \u2014 mesmo do ponto de vista da sensibilidade comum \u2014 um relevo particular, pois a Igreja sente cada vez mais como sua miss\u00e3o pr\u00f3pria a de implorar ao Senhor o dom da paz e da unidade para si mesma e para a fam\u00edlia humana inteira. A paz \u00e9, sem d\u00favida, uma aspira\u00e7\u00e3o radical que se encontra no cora\u00e7\u00e3o de cada um; a Igreja d\u00e1 voz ao pedido de paz e reconcilia\u00e7\u00e3o que brota do esp\u00edrito de cada pessoa de boa vontade, apresentando-o \u00c0quele que \u00ab \u00e9 a nossa paz \u00bb (Ef 2, 14) e pode pacificar de novo povos e pessoas, mesmo onde tivessem falido os esfor\u00e7os humanos. A partir de tudo isto, \u00e9 poss\u00edvel compreender a intensidade com que frequentemente \u00e9 sentido o rito da paz na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. A este respeito, por\u00e9m, durante o S\u00ednodo dos Bispos foi sublinhada a conveni\u00eancia de moderar este gesto, que pode assumir express\u00f5es excessivas, suscitando um pouco de confus\u00e3o na assembleia precisamente antes da comunh\u00e3o. \u00c9 bom lembrar que nada tira ao alto valor do gesto a sobriedade necess\u00e1ria para se manter um clima apropriado \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o, limitando, por exemplo, a sauda\u00e7\u00e3o da paz a quem est\u00e1 mais pr\u00f3ximo.(150)<br \/>\nDistribui\u00e7\u00e3o e recep\u00e7\u00e3o da Eucaristia<br \/>\n50. Outro momento da celebra\u00e7\u00e3o, que necessita de men\u00e7\u00e3o, \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o e a recep\u00e7\u00e3o da sagrada comunh\u00e3o. Pe\u00e7o a todos, especialmente aos ministros ordenados e \u00e0queles que, devidamente preparados e em caso de real necessidade, estejam autorizados para o minist\u00e9rio da distribui\u00e7\u00e3o da Eucaristia, que fa\u00e7am o poss\u00edvel para que o gesto, na sua simplicidade, corresponda ao seu valor de encontro pessoal com o Senhor Jesus no sacramento. Quanto \u00e0s prescri\u00e7\u00f5es para a correcta pr\u00e1tica do mesmo, vejam-se os documentos recentemente emanados; ( 151) todas as comunidades crist\u00e3s se atenham fielmente \u00e0s normas vigentes, vendo nelas a express\u00e3o da f\u00e9 e do amor que todos devemos ter por este sublime sacramento. Al\u00e9m disso, n\u00e3o seja transcurado o tempo precioso de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as depois da comunh\u00e3o: al\u00e9m da entoa\u00e7\u00e3o dum c\u00e2ntico oportuno, pode ser muito \u00fatil tamb\u00e9m permanecer recolhidos em sil\u00eancio.(152)<br \/>\nA prop\u00f3sito, desejo chamar a aten\u00e7\u00e3o para um problema pastoral com que frequentemente nos deparamos no nosso tempo: em determinadas circunst\u00e2ncias como, por exemplo, nas Missas celebradas por ocasi\u00e3o de matrim\u00f3nios, funerais ou acontecimentos an\u00e1logos, encontram-se presentes na celebra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dos fi\u00e9is praticantes, outros que talvez h\u00e1 anos n\u00e3o se aproximam do altar ou se encontram numa situa\u00e7\u00e3o de vida que n\u00e3o permite o acesso aos sacramentos; outras vezes acontece que est\u00e3o presentes pessoas de outras confiss\u00f5es crist\u00e3s ou at\u00e9 de outras religi\u00f5es. Circunst\u00e2ncias semelhantes verificam-se tamb\u00e9m em igrejas que s\u00e3o meta de turistas, sobretudo nas cidades de grande valor art\u00edstico. Ora, salta aos olhos a necessidade de encontrar formas breves e incisivas para alertar a todos sobre o sentido da comunh\u00e3o sacramental e sobre as condi\u00e7\u00f5es que se requerem para a sua recep\u00e7\u00e3o. Em situa\u00e7\u00f5es onde n\u00e3o se possa garantir a necess\u00e1ria clareza quanto ao significado da Eucaristia, deve-se ponderar a oportunidade de substituir a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica por uma celebra\u00e7\u00e3o da palavra de Deus.(153)<br \/>\nA despedida: \u00ab Ite, missa est \u00bb<br \/>\n51. Por \u00faltimo, quero deter-me naquilo que disseram os padres sinodais acerca da sauda\u00e7\u00e3o de despedida no final da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Depois da b\u00ean\u00e7\u00e3o, o di\u00e1cono ou o sacerdote despede o povo com as palavras \u00ab Ide em paz e o Senhor vos acompanhe \u00bb, tradu\u00e7\u00e3o aproximada da f\u00f3rmula latina: Ite, missa est. Nesta sauda\u00e7\u00e3o, podemos identificar a rela\u00e7\u00e3o entre a Missa celebrada e a miss\u00e3o crist\u00e3 no mundo. Na antiguidade, o termo \u00ab missa \u00bb significava simplesmente \u00ab despedida \u00bb; mas, no uso crist\u00e3o, o mesmo foi ganhando um sentido cada vez mais profundo, tendo o termo \u00ab despedir \u00bb evolu\u00eddo para \u00ab expedir em miss\u00e3o \u00bb. Deste modo, a referida sauda\u00e7\u00e3o exprime sinteticamente a natureza mission\u00e1ria da Igreja; seria bom ajudar o povo de Deus a aprofundar esta dimens\u00e3o constitutiva da vida eclesial, tirando inspira\u00e7\u00e3o da liturgia. Nesta perspectiva, pode ser \u00fatil dispor de textos, devidamente aprovados, para a ora\u00e7\u00e3o sobre o povo e a b\u00ean\u00e7\u00e3o final que explicitem tal liga\u00e7\u00e3o.(154)<br \/>\nParticipa\u00e7\u00e3o activa<br \/>\nAut\u00eantica participa\u00e7\u00e3o<br \/>\n52. O Conc\u00edlio Vaticano II colocara, justamente, uma \u00eanfase particular sobre a participa\u00e7\u00e3o activa, plena e frutuosa de todo o povo de Deus na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica.(155) A renova\u00e7\u00e3o operada nestes anos proporcionou, sem d\u00favida, not\u00e1veis progressos na direc\u00e7\u00e3o desejada pelos padres conciliares; mas n\u00e3o podemos ignorar que houve, \u00e0s vezes, qualquer incompreens\u00e3o precisamente acerca do sentido desta participa\u00e7\u00e3o. Conv\u00e9m, pois, deixar claro que n\u00e3o se pretende, com tal palavra, aludir a mera actividade exterior durante a celebra\u00e7\u00e3o; na realidade, a participa\u00e7\u00e3o activa desejada pelo Conc\u00edlio deve ser entendida, em termos mais substanciais, a partir duma maior consci\u00eancia do mist\u00e9rio que \u00e9 celebrado e da sua rela\u00e7\u00e3o com a vida quotidiana. Permanece plenamente v\u00e1lida ainda a recomenda\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o conciliar Sacrosanctum Concilium feita aos fi\u00e9is quando os exorta a n\u00e3o assistirem \u00e0 liturgia eucar\u00edstica \u00ab como estranhos ou espectadores mudos \u00bb, mas a participarem \u00ab na ac\u00e7\u00e3o sagrada, consciente, activa e piedosamente \u00bb.(156) E o Conc\u00edlio, desenvolvendo seu pensamento, prossegue: Os fi\u00e9is \u00ab sejam instru\u00eddos pela palavra de Deus; alimentem-se \u00e0 mesa do corpo do Senhor; d\u00eaem gra\u00e7as a Deus; aprendam a oferecer-se a si mesmos, ao oferecer juntamente com o sacerdote, que n\u00e3o s\u00f3 pelas m\u00e3os dele, a h\u00f3stia imaculada; que, dia ap\u00f3s dia, por Cristo Mediador, progridam na unidade com Deus e entre si \u00bb.(157)<br \/>\nParticipa\u00e7\u00e3o e minist\u00e9rio sacerdotal<br \/>\n53. A beleza e a harmonia da ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica encontram significativa express\u00e3o na ordem com que cada um \u00e9 chamado a participar activamente nela; isto requer o conhecimento das diversas fun\u00e7\u00f5es hier\u00e1rquicas implicadas na pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o. Pode ser \u00fatil lembrar que a participa\u00e7\u00e3o activa na mesma n\u00e3o coincide, de per si, com o desempenho dum minist\u00e9rio particular; sobretudo, n\u00e3o favorece a causa da participa\u00e7\u00e3o activa dos fi\u00e9is uma confus\u00e3o gerada pela incapacidade de distinguir, na comunh\u00e3o eclesial, as diversas fun\u00e7\u00f5es que cabem a cada um.(158) De modo particular, conv\u00e9m que haja clareza quanto \u00e0s fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do sacerdote: como atesta a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja, \u00e9 ele quem insubstituivelmente preside \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica inteira, desde a sauda\u00e7\u00e3o inicial at\u00e9 \u00e0 b\u00ean\u00e7\u00e3o final. Em virtude da Ordem sacra recebida, representa Jesus Cristo cabe\u00e7a da Igreja e, na forma que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, tamb\u00e9m a Igreja.(159) De facto, cada celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia \u00e9 conduzida pelo Bispo, \u00ab quer pessoalmente, quer pelos presb\u00edteros seus colaboradores \u00bb; (160) e \u00e9 coadjuvado pelo di\u00e1cono, que tem na celebra\u00e7\u00e3o algumas fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas: preparar o altar e assistir ao sacerdote, proclamar o Evangelho e, eventualmente, fazer a homilia, propor aos fi\u00e9is as inten\u00e7\u00f5es da Ora\u00e7\u00e3o Universal, distribuir a Eucaristia aos fi\u00e9is.(161) Em rela\u00e7\u00e3o com estes minist\u00e9rios dependentes do sacramento da Ordem, aparecem depois outros minist\u00e9rios para o servi\u00e7o lit\u00fargico, louvavelmente desempenhados por religiosos e leigos preparados.(162)<br \/>\nCelebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e incultura\u00e7\u00e3o<br \/>\n54. Partindo fundamentalmente de quanto afirmou o Conc\u00edlio Vaticano II, v\u00e1rias vezes foi sublinhada a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o activa dos fi\u00e9is no sacrif\u00edcio eucar\u00edstico. Para a favorecer, podem ter lugar algumas adapta\u00e7\u00f5es apropriadas aos respectivos contextos e \u00e0s diversas culturas;( 163) o facto de ter havido alguns abusos n\u00e3o turba a clareza deste princ\u00edpio, que deve ser mantido segundo as necessidades reais da Igreja, a qual vive e celebra o mesmo mist\u00e9rio de Cristo em situa\u00e7\u00f5es culturais diferentes. De facto, o Senhor Jesus, precisamente no mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o, ao nascer de uma mulher como perfeito homem (Gal 4, 4) colocou-se em rela\u00e7\u00e3o directa n\u00e3o s\u00f3 com as expectativas que se registavam no \u00e2mbito do Antigo Testamento, mas tamb\u00e9m com as cultivadas por todos os povos; manifestou, assim, que Deus pretende alcan\u00e7ar-nos no nosso contexto vital. Por conseguinte \u00e9 \u00fatil, para uma participa\u00e7\u00e3o mais eficaz dos fi\u00e9is nos santos mist\u00e9rios, a continua\u00e7\u00e3o do processo de incultura\u00e7\u00e3o inclusivamente quanto \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, tendo em conta as possibilidades de adapta\u00e7\u00e3o oferecidas pela Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano,(164) interpretadas \u00e0 luz dos crit\u00e9rios estabelecidos pela IV Instru\u00e7\u00e3o da Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, designada Varietates legitim\u00e6, de 25 de Janeiro de 1994,(165) e pelas directrizes expressas pelo Papa Jo\u00e3o Paulo II nas Exorta\u00e7\u00f5es p\u00f3s-sinodais Ecclesia in Africa, Ecclesia in America, Ecclesia in Asia, Ecclesia in Oceania, Ecclesia in Europa.(166) Com esta finalidade, recomendo \u00e0s Confer\u00eancias Episcopais que prossigam com esta obra, favorecendo um justo equil\u00edbrio entre os crit\u00e9rios e directrizes j\u00e1 emanados e as novas adapta\u00e7\u00f5es,(167) sempre de acordo com a S\u00e9 Apost\u00f3lica.<br \/>\nCondi\u00e7\u00f5es pessoais para uma participa\u00e7\u00e3o activa<br \/>\n55. Ao considerarem o tema da participa\u00e7\u00e3o activa (actuosa participatio) dos fi\u00e9is no rito sagrado, os padres sinodais ressaltaram tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es pessoais que se requerem em cada um para uma frutuosa participa\u00e7\u00e3o.(168) Uma delas \u00e9, sem d\u00favida, o esp\u00edrito de constante convers\u00e3o que deve caracterizar a vida de todos os fi\u00e9is: n\u00e3o podemos esperar uma participa\u00e7\u00e3o activa na liturgia eucar\u00edstica, se nos abeiramos dela superficialmente e sem antes nos interrogarmos sobre a pr\u00f3pria vida. Favorecem tal disposi\u00e7\u00e3o interior, por exemplo, o recolhimento e o sil\u00eancio durante alguns momentos pelo menos antes do in\u00edcio da liturgia, o jejum e \u2014 quando for preciso \u2014 a confiss\u00e3o sacramental; um cora\u00e7\u00e3o reconciliado com Deus predisp\u00f5e para a verdadeira participa\u00e7\u00e3o. De modo particular \u00e9 preciso alertar os fi\u00e9is que n\u00e3o se pode verificar uma participa\u00e7\u00e3o activa nos santos mist\u00e9rios, se ao mesmo tempo n\u00e3o se procura tomar parte activa na vida eclesial em toda a sua amplitude, incluindo o compromisso mission\u00e1rio de levar o amor de Cristo para o meio da sociedade.<br \/>\nSem d\u00favida, para a plena participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia \u00e9 preciso tamb\u00e9m aproximar-se pessoalmente do altar para receber a comunh\u00e3o; (169) contudo \u00e9 preciso estar atento para que esta afirma\u00e7\u00e3o, justa em si mesma, n\u00e3o induza os fi\u00e9is a um certo automatismo levando-os a pensar que, pelo simples facto de se encontrar na igreja durante a liturgia, se tenha o direito ou mesmo \u2014 quem sabe \u2014 se sinta no dever de aproximar-se da mesa eucar\u00edstica. Mesmo quando n\u00e3o for poss\u00edvel abeirar-se da comunh\u00e3o sacramental, a participa\u00e7\u00e3o na Santa Missa permanece necess\u00e1ria, v\u00e1lida, significativa e frutuosa; neste caso, \u00e9 bom cultivar o desejo da plena uni\u00e3o com Cristo, por exemplo, atrav\u00e9s da pr\u00e1tica da comunh\u00e3o espiritual, recordada por Jo\u00e3o Paulo II (170) e recomendada por santos mestres de vida espiritual.(171)<br \/>\nParticipa\u00e7\u00e3o dos crist\u00e3os n\u00e3o cat\u00f3licos<br \/>\n56. Ao tratarmos o tema da participa\u00e7\u00e3o, temos inevitavelmente de falar dos crist\u00e3os que pertencem a Igrejas ou Comunidades eclesiais que n\u00e3o est\u00e3o em plena comunh\u00e3o com a Igreja Cat\u00f3lica. A este respeito, temos de dizer, por um lado, que o v\u00ednculo intr\u00ednseco existente entre a Eucaristia e a unidade da Igreja nos faz desejar ardentemente o dia em que poderemos celebrar, juntamente com todos os que cr\u00eaem em Cristo, a divina Eucaristia e exprimir assim visivelmente aquela plena unidade que Cristo quis para os seus disc\u00edpulos (Jo 17, 21); mas, por outro lado, o respeito que devemos ao sacramento do corpo e do sangue de Cristo impede-nos de fazer dele um simples \u00ab meio \u00bb usado indiscriminadamente para alcan\u00e7ar a referida unidade.(172) De facto, a Eucaristia n\u00e3o manifesta somente a nossa comunh\u00e3o pessoal com Jesus Cristo, mas implica tamb\u00e9m a plena comunh\u00e3o (communio) com a Igreja; este \u00e9 o motivo pelo qual, com dor mas n\u00e3o sem esperan\u00e7a, pedimos aos crist\u00e3os n\u00e3o cat\u00f3licos que compreendam e respeitem a nossa convic\u00e7\u00e3o, que assenta na B\u00edblia e na Tradi\u00e7\u00e3o: pensamos que a comunh\u00e3o eucar\u00edstica e a comunh\u00e3o eclesial se interpenetrem t\u00e3o intimamente que se torna geralmente imposs\u00edvel aos crist\u00e3os n\u00e3o cat\u00f3licos terem acesso a uma sem gozar da outra. Ainda mais desprovida de sentido seria uma concelebra\u00e7\u00e3o verdadeira e pr\u00f3pria com ministros de Igrejas ou Comunidades eclesiais que n\u00e3o est\u00e3o em plena comunh\u00e3o com a Igreja Cat\u00f3lica. N\u00e3o deixa, por\u00e9m, de ser verdade que, em ordem \u00e0 salva\u00e7\u00e3o eterna, h\u00e1 a possibilidade de admitir indiv\u00edduos crist\u00e3os n\u00e3o cat\u00f3licos \u00e0 Eucaristia, ao sacramento da Penit\u00eancia e \u00e0 Un\u00e7\u00e3o dos Enfermos; mas isso sup\u00f5e que se verifiquem determinadas e excepcionais situa\u00e7\u00f5es, associadas a precisas condi\u00e7\u00f5es.(173) Estas aparecem claramente indicadas no Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica (174) e no seu Comp\u00eandio.(175) \u00c9 dever de cada um ater-se a elas fielmente.<br \/>\nParticipa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o<br \/>\n57. Devido ao progresso admir\u00e1vel dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, nos \u00faltimos dec\u00e9nios a palavra \u00ab participa\u00e7\u00e3o \u00bb adquiriu um significado mais amplo do que no passado; com satisfa\u00e7\u00e3o, todos reconhecemos que estes instrumentos oferecem novas possibilidades inclusivamente quanto \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica.(176) Isto requer dos agentes pastorais do sector uma prepara\u00e7\u00e3o espec\u00edfica e um vivo sentido de responsabilidade; com efeito, a Santa Missa transmitida na televis\u00e3o ganha inevitavelmente um certo car\u00e1cter de exemplaridade; da\u00ed o dever de prestar particular aten\u00e7\u00e3o a que a celebra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de se realizar em lugares dignos e bem preparados, respeite as normas lit\u00fargicas.<br \/>\nEnfim, quanto ao valor desta participa\u00e7\u00e3o na Santa Missa pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, quem assiste a tais transmiss\u00f5es deve saber que, em condi\u00e7\u00f5es normais, n\u00e3o cumpre o preceito dominical; de facto, a linguagem da imagem representa a realidade, mas n\u00e3o a reproduz em si mesma.(177) Se \u00e9 muito louv\u00e1vel que idosos e doentes participem na Santa Missa festiva atrav\u00e9s das transmiss\u00f5es radiotelevisivas, o mesmo n\u00e3o se pode dizer de quem quisesse, por meio de tais transmiss\u00f5es, dispensar-se de ir \u00e0 igreja tomar parte na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica na assembleia da Igreja viva.<br \/>\nParticipa\u00e7\u00e3o activa dos doentes<br \/>\n58. Considerando a condi\u00e7\u00e3o de quantos por motivos de sa\u00fade ou idade n\u00e3o podem ir aos lugares de culto, quero chamar a aten\u00e7\u00e3o de toda a comunidade eclesial para a necessidade pastoral de garantir a assist\u00eancia espiritual aos doentes, quer estejam nas pr\u00f3prias casas quer se encontrem no hospital. Diversas vezes, no S\u00ednodo dos Bispos, se aludiu \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o; \u00e9 preciso providenciar para que estes nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s possam receber, com frequ\u00eancia, a comunh\u00e3o sacramental; revigorando assim a sua rela\u00e7\u00e3o com Cristo crucificado e ressuscitado, poder\u00e3o sentir a pr\u00f3pria exist\u00eancia inserida plenamente na vida e miss\u00e3o da Igreja, por meio da oferta do seu sofrimento em uni\u00e3o com o sacrif\u00edcio de Nosso Senhor. Uma particular aten\u00e7\u00e3o h\u00e1-de ser reservada aos deficientes: sempre que a sua condi\u00e7\u00e3o o permita, a comunidade crist\u00e3 deve facilitar a sua participa\u00e7\u00e3o na celebra\u00e7\u00e3o no lugar de culto; a prop\u00f3sito, procure-se remover, nos edif\u00edcios sagrados, eventuais obst\u00e1culos arquitect\u00f3nicos que impe\u00e7am o seu acesso aos deficientes. Enfim, seja garantida tamb\u00e9m a comunh\u00e3o eucar\u00edstica, na medida do poss\u00edvel, aos deficientes mentais, baptizados e crismados: eles recebem a Eucaristia na f\u00e9 tamb\u00e9m da fam\u00edlia ou da comunidade que os acompanha.(178)<br \/>\nA solicitude pelos presos<br \/>\n59. A tradi\u00e7\u00e3o espiritual da Igreja, na esteira duma concreta afirma\u00e7\u00e3o de Cristo (Mt 25, 36), individuou na visita aos presos uma das obras de miseric\u00f3rdia corporais. Aqueles que se encontram nesta situa\u00e7\u00e3o t\u00eam particularmente necessidade de ser visitados pelo pr\u00f3prio Senhor no sacramento da Eucaristia; experimentar a solidariedade da comunidade eclesial, participar na Eucaristia e receber a sagrada comunh\u00e3o num per\u00edodo da vida t\u00e3o especial e doloroso pode seguramente contribuir para a qualidade do seu caminho de f\u00e9 e favorecer a plena recupera\u00e7\u00e3o social da pessoa. Interpretando votos formulados na assembleia sinodal, pe\u00e7o \u00e0s dioceses para providenciarem que haja, na medida do poss\u00edvel, um conveniente investimento de for\u00e7as na actividade pastoral dedicada ao cuidado espiritual dos presos.(179)<br \/>\nOs migrantes e a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia<br \/>\n60. Ao abordar o problema das pessoas que, por motivos v\u00e1rios, s\u00e3o obrigadas a deixar a sua terra, o S\u00ednodo manifestou particular gratid\u00e3o a quantos vivem empenhados no cuidado pastoral dos migrantes. Neste contexto, uma aten\u00e7\u00e3o espec\u00edfica deve ser dada aos migrantes membros das Igrejas Cat\u00f3licas Orientais, j\u00e1 que, \u00e0 separa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria casa, vem juntar-se a dificuldade de n\u00e3o poderem participar na liturgia eucar\u00edstica segundo o pr\u00f3prio rito a que pertencem; por isso, onde for poss\u00edvel, seja-lhes concedido usufruir da assist\u00eancia de sacerdotes do seu rito. Em todo o caso, pe\u00e7o aos bispos que acolham estes irm\u00e3os na caridade de Cristo. O encontro entre fi\u00e9is de rito diverso pode tornar-se tamb\u00e9m ocasi\u00e3o de m\u00fatuo enriquecimento: penso de modo particular no benef\u00edcio que pode resultar, sobretudo para o clero, do conhecimento das diversas tradi\u00e7\u00f5es.(180)<br \/>\nAs grandes concelebra\u00e7\u00f5es<br \/>\n61. A assembleia sinodal deteve-se a analisar a qualidade da participa\u00e7\u00e3o nas grandes celebra\u00e7\u00f5es que t\u00eam lugar em circunst\u00e2ncias particulares e nas quais se encontram, para al\u00e9m dum grande n\u00famero de fi\u00e9is, tamb\u00e9m muitos sacerdotes concelebrantes.(181) \u00c9 f\u00e1cil, por um lado, reconhecer o valor destes momentos, especialmente quando preside o bispo rodeado do seu presbit\u00e9rio e dos di\u00e1conos; mas, por outro, em tais ocasi\u00f5es podem verificar-se problemas quanto \u00e0 express\u00e3o sens\u00edvel da unidade do presbit\u00e9rio, especialmente na Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica, e quanto \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o da sagrada comunh\u00e3o. Deve-se evitar que estas grandes concelebra\u00e7\u00f5es criem dispers\u00e3o; providencie-se a isto mesmo por meio de adequados instrumentos de coordena\u00e7\u00e3o, e organizando o lugar de culto de tal modo que permita aos presb\u00edteros e aos fi\u00e9is uma plena e real participa\u00e7\u00e3o. Entretanto, \u00e9 preciso ter presente que se trata de concelebra\u00e7\u00f5es com \u00edndole excepcional e limitadas a situa\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias.<br \/>\nA l\u00edngua latina<br \/>\n62. O que acabo de afirmar n\u00e3o deve, por\u00e9m, ofuscar o valor destas grandes liturgias; penso neste momento, em particular, \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es que t\u00eam lugar durante encontros internacionais, cada vez mais frequentes hoje, e que devem justamente ser valorizadas. A fim de exprimir melhor a unidade e a universalidade da Igreja, quero recomendar o que foi sugerido pelo S\u00ednodo dos Bispos, em sintonia com as directrizes do Conc\u00edlio Vaticano II: (182) exceptuando as leituras, a homilia e a ora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, \u00e9 bom que tais celebra\u00e7\u00f5es sejam em l\u00edngua latina; sejam igualmente recitadas em latim as ora\u00e7\u00f5es mais conhecidas (183) da tradi\u00e7\u00e3o da Igreja e, eventualmente, entoadas algumas partes em canto gregoriano. A n\u00edvel geral, pe\u00e7o que os futuros sacerdotes sejam preparados, desde o tempo do semin\u00e1rio, para compreender e celebrar a Santa Missa em latim, bem como para usar textos latinos e entoar o canto gregoriano; nem se transcure a possibilidade de formar os pr\u00f3prios fi\u00e9is para saberem, em latim, as ora\u00e7\u00f5es mais comuns e cantarem, em gregoriano, determinadas partes da liturgia.(184)<br \/>\nCelebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas em pequenos grupos<br \/>\n63. Bem distinta \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o criada em algumas circunst\u00e2ncias pastorais, onde, precisamente para uma participa\u00e7\u00e3o mais consciente, activa e frutuosa, se favorecem as celebra\u00e7\u00f5es em pequenos grupos. Embora reconhecendo o valor formativo subjacente a estas op\u00e7\u00f5es, \u00e9 necess\u00e1rio especificar que as mesmas devem ser harmonizadas com o conjunto da proposta pastoral da diocese; com efeito, tais experi\u00eancias perderiam o seu car\u00e1cter pedag\u00f3gico, se fossem vistas em antagonismo ou paralelo com a vida da Igreja particular. A este respeito, o S\u00ednodo p\u00f4s em evid\u00eancia alguns crit\u00e9rios a que se devem ater: os pequenos grupos devem servir para unificar a comunidade, e n\u00e3o para a dividir; a prova disto mesmo h\u00e1-de ver-se na pr\u00e1tica concreta; estes grupos devem favorecer a participa\u00e7\u00e3o frutuosa da assembleia inteira e preservar, na medida do poss\u00edvel, a unidade da vida lit\u00fargica de cada uma das fam\u00edlias.(185)<br \/>\nCelebra\u00e7\u00e3o interiormente participada<br \/>\nCatequese mistag\u00f3gica<br \/>\n64. A grande tradi\u00e7\u00e3o lit\u00fargica da Igreja ensina-nos que \u00e9 necess\u00e1rio, para uma frutuosa participa\u00e7\u00e3o, esfor\u00e7ar-se por corresponder pessoalmente ao mist\u00e9rio que \u00e9 celebrado, atrav\u00e9s do oferecimento a Deus da pr\u00f3pria vida em uni\u00e3o com o sacrif\u00edcio de Cristo pela salva\u00e7\u00e3o do mundo inteiro. Por este motivo, o S\u00ednodo dos Bispos recomendou que se fomentasse, nos fi\u00e9is, profunda concord\u00e2ncia das disposi\u00e7\u00f5es interiores com os gestos e palavras; se ela faltasse, as nossas celebra\u00e7\u00f5es, por muito animadas que fossem, arriscar-se-iam a cair no ritualismo. Assim, \u00e9 preciso promover uma educa\u00e7\u00e3o da f\u00e9 eucar\u00edstica que predisponha os fi\u00e9is a viverem pessoalmente o que se celebra. Vista a import\u00e2ncia essencial desta participa\u00e7\u00e3o pessoal e consciente, quais poderiam ser os instrumentos de forma\u00e7\u00e3o mais adequados? Para isso, os padres sinodais indicaram unanimemente a estrada duma catequese de car\u00e1cter mistag\u00f3gico, que leve os fi\u00e9is a penetrarem cada vez mais nos mist\u00e9rios que s\u00e3o celebrados.(186) Em concreto e antes de mais, h\u00e1 que afirmar que, devido \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre a arte da celebra\u00e7\u00e3o e a participa\u00e7\u00e3o activa, \u00ab a melhor catequese sobre a Eucaristia \u00e9 a pr\u00f3pria Eucaristia bem celebrada \u00bb; (187) com efeito, por sua natureza a liturgia possui uma efic\u00e1cia pedag\u00f3gica pr\u00f3pria para introduzir os fi\u00e9is no conhecimento do mist\u00e9rio celebrado. Por isso mesmo, na tradi\u00e7\u00e3o mais antiga da Igreja, o caminho formativo do crist\u00e3o \u2014 embora sem descurar a intelig\u00eancia sistem\u00e1tica dos conte\u00fados da f\u00e9 \u2014 assumia sempre um car\u00e1cter de experi\u00eancia, em que era determinante o encontro vivo e persuasivo com Cristo anunciado por aut\u00eanticas testemunhas. Neste sentido, quem introduz nos mist\u00e9rios \u00e9 primariamente a testemunha; depois, este encontro aprofunda-se, sem d\u00favida, na catequese e encontra a sua fonte e \u00e1pice na celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia. Desta estrutura fundamental da experi\u00eancia crist\u00e3 parte a exig\u00eancia de um itiner\u00e1rio mistag\u00f3gico, no qual se h\u00e3o-de ter sempre presente tr\u00eas elementos:<br \/>\na) Trata-se, primeiramente, da interpreta\u00e7\u00e3o dos ritos \u00e0 luz dos acontecimentos salv\u00edficos, em conformidade com a tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja; de facto, a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia, na sua riqueza infinita, possui cont\u00ednuas refer\u00eancias \u00e0 hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. Em Cristo crucificado e ressuscitado, podemos celebrar verdadeiramente o centro recapitulador de toda a realidade (Ef 1, 10); desde o seu in\u00edcio, a comunidade crist\u00e3 leu os acontecimentos da vida de Jesus, e particularmente o mist\u00e9rio pascal, em rela\u00e7\u00e3o com todo o percurso do Antigo Testamento.<br \/>\nb) Al\u00e9m disso, a catequese mistag\u00f3gica h\u00e1-de preocupar-se por introduzir no sentido dos sinais contidos nos ritos; esta tarefa \u00e9 particularmente urgente numa \u00e9poca acentuadamente tecnol\u00f3gica como a actual, que corre o risco de perder a capacidade de perceber os sinais e os s\u00edmbolos. Mais do que informar, a catequese mistag\u00f3gica dever\u00e1 despertar e educar a sensibilidade dos fi\u00e9is para a linguagem dos sinais e dos gestos que, unidos \u00e0 palavra, constituem o rito.<br \/>\nc) Enfim, a catequese mistag\u00f3gica deve preocupar-se por mostrar o significado dos ritos para a vida crist\u00e3 em todas as suas dimens\u00f5es: trabalho e compromisso, pensamentos e afectos, actividade e repouso. Faz parte do itiner\u00e1rio mistag\u00f3gico p\u00f4r em evid\u00eancia a liga\u00e7\u00e3o dos mist\u00e9rios celebrados no rito com a responsabilidade mission\u00e1ria dos fi\u00e9is; neste sentido, o fruto maduro da mistagogia \u00e9 a consci\u00eancia de que a pr\u00f3pria vida vai sendo progressivamente transformada pelos sagrados mist\u00e9rios celebrados. Ali\u00e1s, a finalidade de toda a educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 \u00e9 formar o fiel enquanto \u00ab homem novo \u00bb para uma f\u00e9 adulta, que o torne capaz de testemunhar no pr\u00f3prio ambiente a esperan\u00e7a crist\u00e3 que o anima.<br \/>\nCondi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para se realizar, no \u00e2mbito das nossas comunidades eclesiais, esta tarefa educativa \u00e9 dispor de formadores adequadamente preparados; mas todo o povo de Deus deve, sem d\u00favida, sentir-se comprometido nesta forma\u00e7\u00e3o. Cada comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a ser lugar de introdu\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica aos mist\u00e9rios que se celebram na f\u00e9; a prop\u00f3sito, durante o S\u00ednodo, os padres sublinharam a conveni\u00eancia de um maior envolvimento das comunidades de vida consagrada, movimentos e agrega\u00e7\u00f5es que, pelo pr\u00f3prio carisma, possam dar novo impulso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3.(188) Temos a certeza de que, tamb\u00e9m no nosso tempo, o Esp\u00edrito Santo n\u00e3o poupa a efus\u00e3o dos seus dons para sustentar a miss\u00e3o apost\u00f3lica da Igreja, a quem compete difundir a f\u00e9 e educ\u00e1-la at\u00e9 \u00e0 sua maturidade.(189)<br \/>\nA rever\u00eancia \u00e0 Eucaristia<br \/>\n65. Um sinal convincente da efic\u00e1cia que a catequese eucar\u00edstica tem sobre os fi\u00e9is \u00e9 seguramente o crescimento neles do sentido do mist\u00e9rio de Deus presente entre n\u00f3s; podemos verific\u00e1-lo atrav\u00e9s de espec\u00edficas manifesta\u00e7\u00f5es de rever\u00eancia \u00e0 Eucaristia, nas quais o percurso mistag\u00f3gico deve introduzir os fi\u00e9is.(190) Penso, em geral, na import\u00e2ncia dos gestos e posi\u00e7\u00f5es, como, por exemplo, ajoelhar-se durante os momentos salientes da Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica. Embora adaptando-se \u00e0 leg\u00edtima variedade de sinais que tem lugar no contexto das diferentes culturas, cada um viva e exprima a consci\u00eancia de encontrar-se, em cada celebra\u00e7\u00e3o, diante da majestade infinita de Deus, que chega at\u00e9 n\u00f3s humildemente nos sinais sacramentais.<br \/>\nAdora\u00e7\u00e3o e piedade eucar\u00edstica<br \/>\nA rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre celebra\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o<br \/>\n66. Um dos momentos mais intensos do S\u00ednodo vivemo-lo quando fomos \u00e0 Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, juntamente com muitos fi\u00e9is, fazer adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Com aquele momento de ora\u00e7\u00e3o, quis a assembleia dos bispos n\u00e3o se limitar \u00e0s palavras na sua chamada de aten\u00e7\u00e3o para a import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e a adora\u00e7\u00e3o. Neste significativo aspecto da f\u00e9 da Igreja, encontra-se um dos elementos decisivos do caminho eclesial que se realizou ap\u00f3s a renova\u00e7\u00e3o lit\u00fargica querida pelo Conc\u00edlio Vaticano II. Quando a reforma dava os primeiros passos, aconteceu \u00e0s vezes n\u00e3o se perceber com suficiente clareza a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre a Santa Missa e a adora\u00e7\u00e3o do Sant\u00edssimo Sacramento; uma objec\u00e7\u00e3o ent\u00e3o em voga, por exemplo, partia da ideia que o p\u00e3o eucar\u00edstico nos fora dado n\u00e3o para ser contemplado, mas comido. Ora, tal contraposi\u00e7\u00e3o, vista \u00e0 luz da experi\u00eancia de ora\u00e7\u00e3o da Igreja, aparece realmente destitu\u00edda de qualquer fundamento; j\u00e1 Santo Agostinho dissera: \u00ab Nemo autem illam carnem manducat, nisi prius adoraverit; (&#8230;) peccemus non adorando \u2013 ningu\u00e9m come esta carne, sem antes a adorar; (&#8230;) pecar\u00edamos se n\u00e3o a ador\u00e1ssemos \u00bb.(191) De facto, na Eucaristia, o Filho de Deus vem ao nosso encontro e deseja unir-Se connosco; a adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica \u00e9 apenas o prolongamento vis\u00edvel da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, a qual, em si mesma, \u00e9 o maior acto de adora\u00e7\u00e3o da Igreja: (192) receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adora\u00e7\u00e3o d&#8217;Aquele que comungamos. Precisamente assim, e apenas assim, \u00e9 que nos tornamos um s\u00f3 com Ele e, de algum modo, saboreamos antecipadamente a beleza da liturgia celeste. O acto de adora\u00e7\u00e3o fora da Santa Missa prolonga e intensifica aquilo que se fez na pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Com efeito, \u00ab somente na adora\u00e7\u00e3o pode maturar um acolhimento profundo e verdadeiro. Precisamente neste acto pessoal de encontro com o Senhor amadurece depois tamb\u00e9m a miss\u00e3o social, que est\u00e1 encerrada na Eucaristia e deseja romper as barreiras n\u00e3o apenas entre o Senhor e n\u00f3s mesmos, mas tamb\u00e9m, e sobretudo, as barreiras que nos separam uns dos outros \u00bb.(193)<br \/>\nA pr\u00e1tica da adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica<br \/>\n67. Juntamente com a assembleia sinodal, recomendo, pois, vivamente aos pastores da Igreja e ao povo de Deus a pr\u00e1tica da adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica tanto pessoal como comunit\u00e1ria.(194) Para isso, ser\u00e1 de grande proveito uma catequese espec\u00edfica na qual se explique aos fi\u00e9is a import\u00e2ncia deste acto de culto que permite viver, mais profundamente e com maior fruto, a pr\u00f3pria celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica. Depois, na medida do poss\u00edvel e sobretudo nos centros mais populosos, ser\u00e1 conveniente individuar igrejas ou capelas que se possam reservar propositadamente para a adora\u00e7\u00e3o perp\u00e9tua. Al\u00e9m disso, recomendo que na forma\u00e7\u00e3o catequ\u00e9tica, particularmente nos itiner\u00e1rios de prepara\u00e7\u00e3o para a Primeira Comunh\u00e3o, se iniciem as crian\u00e7as no sentido e na beleza de demorar-se na companhia de Jesus, cultivando o enlevo pela sua presen\u00e7a na Eucaristia.<br \/>\nQuero exprimir, aqui, apre\u00e7o e apoio a todos os institutos de vida consagrada, cujos membros dedicam uma parte significativa do seu tempo \u00e0 adora\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica; deste modo, oferecem a todos o exemplo de pessoas que se deixam plasmar pela presen\u00e7a real do Senhor. Desejo igualmente encorajar as associa\u00e7\u00f5es de fi\u00e9is, nomeadamente as confrarias, que assumem esta pr\u00e1tica como seu compromisso especial, tornando-se assim fermento de contempla\u00e7\u00e3o para toda a Igreja e apelo \u00e0 centralidade de Cristo na vida dos indiv\u00edduos e da comunidade.<br \/>\nFormas de devo\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica<br \/>\n68. O relacionamento pessoal que cada fiel estabelece com Jesus, presente na Eucaristia, recondu-lo sempre ao conjunto da comunh\u00e3o eclesial, alimentando nele a consci\u00eancia da sua perten\u00e7a ao corpo de Cristo. Por isso, al\u00e9m de convidar cada um dos fi\u00e9is a encontrar pessoalmente tempo para se demorar em ora\u00e7\u00e3o diante do sacramento do altar, sinto o dever de convidar as pr\u00f3prias par\u00f3quias e demais grupos eclesiais a promoverem momentos de adora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. Obviamente, conservam todo o seu valor as formas j\u00e1 existentes de devo\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica. Penso, por exemplo, nas prociss\u00f5es eucar\u00edsticas, sobretudo a tradicional prociss\u00e3o na solenidade do Corpo de Deus, na devo\u00e7\u00e3o das Quarenta Horas, nos congressos eucar\u00edsticos locais, nacionais e internacionais, e noutras iniciativas an\u00e1logas. Devidamente actualizadas e adaptadas \u00e0s diversas circunst\u00e2ncias, tais formas de devo\u00e7\u00e3o merecem ser cultivadas ainda hoje.(195)<br \/>\nO lugar do sacr\u00e1rio na igreja<br \/>\n69. Ainda relacionado com a import\u00e2ncia da reserva eucar\u00edstica e da adora\u00e7\u00e3o e rever\u00eancia diante do sacramento do sacrif\u00edcio de Cristo, o S\u00ednodo dos Bispos interrogou-se sobre a devida coloca\u00e7\u00e3o do sacr\u00e1rio dentro das nossas igrejas.(196) Com efeito, uma correcta localiza\u00e7\u00e3o do mesmo ajuda a reconhecer a presen\u00e7a real de Cristo no Sant\u00edssimo Sacramento; por isso, \u00e9 necess\u00e1rio que o lugar onde s\u00e3o conservadas as esp\u00e9cies eucar\u00edsticas seja f\u00e1cil de individuar por qualquer pessoa que entre na igreja, gra\u00e7as nomeadamente \u00e0 l\u00e2mpada do Sant\u00edssimo perenemente acesa. Tendo em vista tal objectivo, \u00e9 preciso considerar a disposi\u00e7\u00e3o arquitect\u00f3nica do edif\u00edcio sagrado: nas igrejas, onde n\u00e3o existe a capela do Sant\u00edssimo Sacramento mas perdura o altar-mor com o sacr\u00e1rio, conv\u00e9m continuar a valer-se de tal estrutura para a conserva\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o da Eucaristia, evitando por\u00e9m colocar a cadeira do celebrante na sua frente. Nas novas igrejas, bom seria predispor a capela do Sant\u00edssimo nas proximidades do presbit\u00e9rio; onde isso n\u00e3o for poss\u00edvel, \u00e9 prefer\u00edvel colocar o sacr\u00e1rio no presbit\u00e9rio, em lugar suficientemente elevado, no centro do fecho absidal ou ent\u00e3o noutro ponto onde fique de igual modo bem vis\u00edvel. Estas precau\u00e7\u00f5es concorrem para conferir dignidade ao sacr\u00e1rio que deve ser cuidado sempre tamb\u00e9m sob o perfil art\u00edstico. Obviamente, \u00e9 necess\u00e1rio ter em conta tamb\u00e9m o que diz a prop\u00f3sito a Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano.(197) Em todo o caso, o ju\u00edzo \u00faltimo sobre esta mat\u00e9ria compete ao bispo diocesano.<br \/>\nIII PARTE<br \/>\nEUCARISTIA, MIST\u00c9RIO VIVIDO<br \/>\n\u00ab Assim como o Pai, que vive,<br \/>\nMe enviou e Eu vivo pelo Pai,<br \/>\ntamb\u00e9m aquele que Me come<br \/>\nviver\u00e1 por Mim \u00bb (Jo 6, 57)<br \/>\nForma eucar\u00edstica da vida crist\u00e3<br \/>\nO culto espiritual<br \/>\n70. O Senhor Jesus, que para n\u00f3s Se fez alimento de verdade e amor, falando do dom da sua vida assegura-nos: \u00ab Quem comer deste p\u00e3o viver\u00e1 eternamente \u00bb (Jo 6, 51). Mas, esta \u00ab vida eterna \u00bb come\u00e7a em n\u00f3s, j\u00e1 agora, atrav\u00e9s da mudan\u00e7a que o dom eucar\u00edstico gera na nossa vida: \u00ab Aquele que Me come viver\u00e1 por Mim \u00bb (Jo 6, 57). Estas palavras de Jesus permitem-nos compreender que o mist\u00e9rio \u00ab acreditado \u00bb e \u00ab celebrado \u00bb possui em si mesmo um tal dinamismo, que faz dele princ\u00edpio de vida nova em n\u00f3s e forma da exist\u00eancia crist\u00e3. De facto, comungando o corpo e o sangue de Jesus Cristo, vamo-nos tornando participantes da vida divina de modo sempre mais adulto e consciente. Vale aqui o mesmo que Santo Agostinho afirma a prop\u00f3sito do Verbo (Logos) eterno, alimento da alma, quando, pondo em evid\u00eancia o car\u00e1cter paradoxal deste alimento, o santo doutor imagina ouvi-Lo dizer: \u00ab Sou o p\u00e3o dos fortes; cresce e comer-Me-\u00e1s. N\u00e3o Me transformar\u00e1s em ti como ao alimento da tua carne, mas mudar-te-\u00e1s em Mim \u00bb.(198) Com efeito, n\u00e3o \u00e9 o alimento eucar\u00edstico que se transforma em n\u00f3s, mas somos n\u00f3s que acabamos misteriosamente mudados por ele. Cristo alimenta-nos, unindo-nos a Si; \u00ab atrai-nos para dentro de Si \u00bb.(199)<br \/>\nA celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica surge aqui em toda a sua for\u00e7a como fonte e \u00e1pice da exist\u00eancia eclesial, enquanto exprime a origem e simultaneamente a realiza\u00e7\u00e3o do culto novo e definitivo, o culto espiritual (logik\u00e9 latre\u00eda).(200) As palavras que encontramos sobre isto, na Carta de S\u00e3o Paulo aos Romanos, s\u00e3o a formula\u00e7\u00e3o mais sint\u00e9tica do modo como a Eucaristia transforma toda a nossa vida em culto espiritual agrad\u00e1vel a Deus: \u00ab Pe\u00e7o-vos, irm\u00e3os, pela miseric\u00f3rdia de Deus, que ofere\u00e7ais os vossos corpos como sacrif\u00edcio vivo, santo, agrad\u00e1vel a Deus. Tal \u00e9 o culto espiritual que Lhe deveis prestar \u00bb (12, 1). Nesta exorta\u00e7\u00e3o, aparece a imagem do novo culto como oferta total da pr\u00f3pria pessoa em comunh\u00e3o com toda a Igreja. A insist\u00eancia do Ap\u00f3stolo sobre a oferta dos nossos corpos sublinha o concretismo humano dum culto de forma alguma desencarnado. E, a prop\u00f3sito, o santo de Hipona lembra-nos que \u00ab este \u00e9 o sacrif\u00edcio dos crist\u00e3os, ou seja, serem muitos e um s\u00f3 corpo em Cristo. A Igreja celebra este mist\u00e9rio atrav\u00e9s do sacramento do altar, que os fi\u00e9is bem conhecem e no qual se lhes mostra claramente que, naquilo que se oferece, ela mesma \u00e9 oferecida \u00bb.(201) De facto, a doutrina cat\u00f3lica afirma que a Eucaristia, enquanto sacrif\u00edcio de Cristo, \u00e9 tamb\u00e9m sacrif\u00edcio da Igreja e, consequentemente, dos fi\u00e9is.(202) Esta insist\u00eancia sobre o sacrif\u00edcio \u2014 sacrum facere, \u00ab tornar sagrado \u00bb \u2014 exprime aqui toda a densidade existencial que est\u00e1 implicada na transforma\u00e7\u00e3o da nossa realidade humana alcan\u00e7ada por Cristo (Fil 3, 12).<br \/>\nEfic\u00e1cia omnicompreensiva do culto eucar\u00edstico<br \/>\n71. O novo culto crist\u00e3o engloba todos os aspectos da exist\u00eancia, transfigurando-a: \u00ab Quando comeis ou bebeis, ou fazeis qualquer outra coisa, fazei tudo para gl\u00f3ria de Deus \u00bb (1 Cor 10, 31). Em cada acto da sua vida, o crist\u00e3o \u00e9 chamado a manifestar o verdadeiro culto a Deus; daqui toma forma a natureza intrinsecamente eucar\u00edstica da vida crist\u00e3. Uma vez que abra\u00e7a a realidade humana do crente em seu concretismo quotidiano, a Eucaristia torna poss\u00edvel dia ap\u00f3s dia a progressiva transfigura\u00e7\u00e3o do homem, por gra\u00e7a chamado a ser conforme \u00e0 imagem do Filho de Deus (Rm 8, 29s). Nada h\u00e1 de autenticamente humano \u2014 pensamentos e afectos, palavras e obras \u2014 que n\u00e3o encontre no sacramento da Eucaristia a forma adequada para ser vivido em plenitude. Sobressai aqui todo o valor antropol\u00f3gico da novidade radical trazida por Cristo com a Eucaristia: o culto a Deus na exist\u00eancia humana n\u00e3o pode ser relegado para um momento particular e privado, mas tende, por sua natureza, a permear cada aspecto da realidade do indiv\u00edduo. Assim, o culto agrad\u00e1vel a Deus torna-se uma nova maneira de viver todas as circunst\u00e2ncias da exist\u00eancia, na qual cada particular fica exaltado porque vivido dentro do relacionamento com Cristo e como oferta a Deus. A gl\u00f3ria de Deus \u00e9 o homem vivo (1 Cor 10, 31); e a vida do homem \u00e9 a vis\u00e3o de Deus.(203)<br \/>\nViver segundo o domingo<br \/>\n72. Esta novidade radical, que a Eucaristia introduz na vida do homem, revelou-se \u00e0 consci\u00eancia crist\u00e3 desde o princ\u00edpio; prontamente os fi\u00e9is compreenderam a influ\u00eancia profunda que a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica exercia sobre o estilo da sua vida. Santo In\u00e1cio de Antioquia exprimia esta verdade designando os crist\u00e3os como \u00ab aqueles que chegaram \u00e0 nova esperan\u00e7a \u00bb, e apresentava-os como aqueles que vivem \u00ab segundo o domingo \u00bb (iuxta dominicam viventes).(204) Esta express\u00e3o do grande m\u00e1rtir antioqueno p\u00f5e claramente em evid\u00eancia a liga\u00e7\u00e3o entre a realidade eucar\u00edstica e a vida crist\u00e3 no seu dia-a-dia. O costume caracter\u00edstico que t\u00eam os crist\u00e3os de reunir-se no primeiro dia depois do s\u00e1bado para celebrar a ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u2014 conforme a narra\u00e7\u00e3o do m\u00e1rtir S\u00e3o Justino(205) \u2014 \u00e9 tamb\u00e9m o dado que define a forma da vida renovada pelo encontro com Cristo. Mas, a express\u00e3o de Santo In\u00e1cio \u2014 \u00ab viver segundo o domingo \u00bb \u2014 sublinha tamb\u00e9m o valor paradigm\u00e1tico que este dia santo tem para os restantes dias da semana. De facto, o domingo n\u00e3o se distingue com base na simples suspens\u00e3o das actividades habituais, como se fosse uma esp\u00e9cie de par\u00eantesis dentro do ritmo normal dos dias; os crist\u00e3os sempre sentiram este dia como o primeiro da semana, porque nele se faz mem\u00f3ria da novidade radical trazida por Cristo. Por isso, o domingo \u00e9 o dia em que o crist\u00e3o reencontra a forma eucar\u00edstica pr\u00f3pria da sua exist\u00eancia, segundo a qual \u00e9 chamado a viver constantemente: \u00ab viver segundo o domingo \u00bb significa viver consciente da liberta\u00e7\u00e3o trazida por Cristo e realizar a pr\u00f3pria exist\u00eancia como oferta de si mesmo a Deus, para que a sua vit\u00f3ria se manifeste plenamente a todos os homens atrav\u00e9s duma conduta intimamente renovada.<br \/>\nViver o preceito dominical<br \/>\n73. Cientes deste princ\u00edpio novo de vida que a Eucaristia deposita no crist\u00e3o, os padres sinodais reafirmaram a import\u00e2ncia que tem, para todos os fi\u00e9is, o preceito dominical como fonte de liberdade aut\u00eantica, a fim de poderem viver cada um dos outros dias segundo o que celebraram no \u00ab dia do Senhor \u00bb. Com efeito, a vida de f\u00e9 corre perigo quando se deixa de sentir desejo de participar na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica em que se faz mem\u00f3ria da vit\u00f3ria pascal. A participa\u00e7\u00e3o na assembleia lit\u00fargica dominical, ao lado de todos os irm\u00e3os e irm\u00e3s com os quais se forma um s\u00f3 corpo em Cristo Jesus, \u00e9 exigida pela consci\u00eancia crist\u00e3 e simultaneamente educa a consci\u00eancia crist\u00e3. Perder o sentido do domingo como dia do Senhor que deve ser santificado \u00e9 sintoma duma perda do sentido aut\u00eantico da liberdade crist\u00e3, a liberdade dos filhos de Deus.(206) Continuam a ser preciosas as observa\u00e7\u00f5es feitas a este respeito pelo meu venerado predecessor Jo\u00e3o Paulo II, na Carta Apost\u00f3lica Dies Domini,(207) quando trata das diversas dimens\u00f5es que o domingo tem para os crist\u00e3os: \u00e9 dies Domini, em referimento \u00e0 obra da cria\u00e7\u00e3o; dies Christi, enquanto dia da nova cria\u00e7\u00e3o e do dom do Esp\u00edrito Santo que o Senhor Ressuscitado concede; dies Ecclesi\u00e6, como dia em que a comunidade crist\u00e3 se re\u00fane para a celebra\u00e7\u00e3o; dies hominis, porque dia de alegria, repouso e caridade fraterna.<br \/>\nUm tal dia aparece, assim, como festa primordial em que todo o fiel, no pr\u00f3prio ambiente onde vive, se pode fazer arauto e guardi\u00e3o do sentido do tempo. Deste dia, com efeito, brota o sentido crist\u00e3o da exist\u00eancia e uma nova maneira de viver o tempo, as rela\u00e7\u00f5es, o trabalho, a vida e a morte. Por isso, \u00e9 bom que, no dia do Senhor, as realidades eclesiais organizem, a partir da celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica dominical, manifesta\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da comunidade crist\u00e3: encontros de amizade, iniciativas para a forma\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, jovens e adultos na f\u00e9, peregrina\u00e7\u00f5es, obras de caridade e momentos variados de ora\u00e7\u00e3o. Por causa destes valores t\u00e3o importantes \u2014 embora justamente a tarde de s\u00e1bado a partir das primeiras V\u00e9speras j\u00e1 perten\u00e7a ao domingo, sendo permitido cumprir nela o preceito dominical \u2014 \u00e9 necess\u00e1rio recordar que \u00e9 o domingo em si mesmo que merece ser santificado, para que n\u00e3o acabe por ficar um dia \u00ab vazio de Deus \u00bb.(208)<br \/>\nO sentido do repouso e do trabalho<br \/>\n74. \u00c9 particularmente urgente no nosso tempo lembrar que o dia do Senhor \u00e9 tamb\u00e9m o dia de repouso do trabalho. Desejamos vivamente que isto mesmo seja reconhecido tamb\u00e9m pela sociedade civil, de modo que se possa ficar livre das obriga\u00e7\u00f5es laborais sem ser penalizado por isso. De facto, os crist\u00e3os \u2014 n\u00e3o sem rela\u00e7\u00e3o com o significado do s\u00e1bado na tradi\u00e7\u00e3o hebraica \u2014 viram no dia do Senhor tamb\u00e9m o dia de repouso da fadiga quotidiana. Isto possui um significado bem preciso, ou seja, constitui uma relativiza\u00e7\u00e3o do trabalho, que tem por finalidade o homem: o trabalho \u00e9 para o homem e n\u00e3o o homem para o trabalho. \u00c9 f\u00e1cil intuir a tutela que isto oferece ao pr\u00f3prio homem, ficando assim emancipado duma poss\u00edvel forma de escravid\u00e3o. Como j\u00e1 tive ocasi\u00e3o de afirmar, \u00ab o trabalho reveste uma import\u00e2ncia prim\u00e1ria para a realiza\u00e7\u00e3o do homem e o progresso da sociedade; por isso torna-se necess\u00e1rio que aquele seja sempre organizado e realizado no pleno respeito da dignidade humana e ao servi\u00e7o do bem comum. Ao mesmo tempo, \u00e9 indispens\u00e1vel que o homem n\u00e3o se deixe escravizar pelo trabalho, que n\u00e3o o idolatre pretendendo achar nele o sentido \u00faltimo e definitivo da vida \u00bb.(209) \u00c9 no dia consagrado a Deus que o homem compreende o sentido da sua exist\u00eancia e tamb\u00e9m do trabalho.(210)<br \/>\nAssembleias dominicais na aus\u00eancia de sacerdote<br \/>\n75. Uma vez descoberto o significado da celebra\u00e7\u00e3o dominical para a vida do crist\u00e3o, coloca-se espontaneamente o problema das comunidades crist\u00e3s onde falta o sacerdote e, consequentemente, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel celebrar a Santa Missa no dia do Senhor. A tal respeito, conv\u00e9m reconhecer que nos encontramos perante situa\u00e7\u00f5es muito diversificadas entre si. Antes de mais, o S\u00ednodo recomendou aos fi\u00e9is que fossem a uma das igrejas da diocese onde est\u00e1 garantida a presen\u00e7a do sacerdote, mesmo que isso lhes exija um pouco de sacrif\u00edcio.(211) Entretanto, nos casos em que se torne praticamente imposs\u00edvel, devido \u00e0 grande dist\u00e2ncia, a participa\u00e7\u00e3o na Eucaristia dominical, \u00e9 importante que as comunidades crist\u00e3s se re\u00fanam igualmente para louvar o Senhor e fazer mem\u00f3ria do dia a Ele dedicado. Mas, isso dever\u00e1 verificar-se a partir duma conveniente instru\u00e7\u00e3o sobre a diferen\u00e7a entre a Santa Missa e as assembleias dominicais \u00e0 espera de sacerdote. A solicitude pastoral da Igreja h\u00e1-de exprimir-se, neste caso, vigiando que a liturgia da palavra \u2014 organizada sob a guia dum di\u00e1cono ou dum respons\u00e1vel da comunidade a quem foi regularmente confiado este minist\u00e9rio pela autoridade competente \u2014 se realize segundo um ritual espec\u00edfico elaborado pelas Confer\u00eancias Episcopais e para tal fim aprovado por elas.(212) Lembro que compete aos Ordin\u00e1rios conceder a faculdade de distribuir a comunh\u00e3o nessas liturgias, ponderando atentamente a conveni\u00eancia da escolha a fazer. Al\u00e9m disso, tudo deve ser feito de forma que tais assembleias n\u00e3o criem confus\u00e3o quanto ao papel central do sacerdote e \u00e0 dimens\u00e3o sacramental na vida da Igreja. A import\u00e2ncia da fun\u00e7\u00e3o dos leigos, a quem justamente h\u00e1 que agradecer a generosidade ao servi\u00e7o das comunidades crist\u00e3s, jamais deve ofuscar o minist\u00e9rio insubstitu\u00edvel dos sacerdotes na vida da Igreja.(213) Por isso, vigie-se atentamente sobre as assembleias \u00e0 espera de sacerdote para que n\u00e3o d\u00eaem lugar a vis\u00f5es eclesiol\u00f3gicas incompat\u00edveis com a verdade do Evangelho e a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja; devem antes tornar-se ocasi\u00f5es privilegiadas de ora\u00e7\u00e3o a Deus para que mande sacerdotes santos segundo o seu Cora\u00e7\u00e3o. A prop\u00f3sito, vale a pena recordar aquilo que escreveu o Papa Jo\u00e3o Paulo II na Carta aos Sacerdotes por ocasi\u00e3o da Quinta-feira Santa de 1979, recordando o caso comovente que se verificava em certos lugares onde as pessoas, privadas de sacerdote pelo regime ditatorial, se reuniam numa igreja ou num santu\u00e1rio, colocavam sobre o altar a estola que ainda conservavam e recitavam as ora\u00e7\u00f5es da liturgia eucar\u00edstica at\u00e9 ao \u00ab momento que corresponderia \u00e0 transubstancia\u00e7\u00e3o \u00bb e a\u00ed se detinham em sil\u00eancio, dando testemunho de qu\u00e3o \u00ab ardentemente desejavam ouvir aquelas palavras que s\u00f3 os l\u00e1bios dum sacerdote podiam eficazmente pronunciar \u00bb.(214) Precisamente nesta perspectiva, considerando o bem incompar\u00e1vel que deriva da celebra\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio eucar\u00edstico, pe\u00e7o a todos os sacerdotes uma efectiva e concreta disponibilidade para visitarem, com a maior assiduidade poss\u00edvel, as comunidades que est\u00e3o confiadas ao seu cuidado pastoral, a fim de n\u00e3o ficarem demasiado tempo sem o sacramento da caridade.<br \/>\nUma forma eucar\u00edstica da exist\u00eancia crist\u00e3,<br \/>\na perten\u00e7a eclesial<br \/>\n76. A import\u00e2ncia do domingo como dia da Igreja (dies Ecclesi\u00e6) traz-nos \u00e0 mente a rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre a vit\u00f3ria de Jesus sobre o mal e a morte e a nossa perten\u00e7a ao seu corpo eclesial; no dia do Senhor, com efeito, todo o crist\u00e3o reencontra tamb\u00e9m a dimens\u00e3o comunit\u00e1ria da sua exist\u00eancia redimida. Participar na ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, comungar o corpo e o sangue de Cristo significa, ao mesmo tempo, tornar cada vez mais \u00edntima e profunda a pr\u00f3pria perten\u00e7a \u00c0quele que morreu por n\u00f3s (1 Cor 6, 19s; 7, 23). Verdadeiramente quem se nutre de Cristo, vive por Ele. Compreende-se o sentido profundo da comunh\u00e3o dos santos (communio sanctorum), relacionando-a com o mist\u00e9rio eucar\u00edstico. A comunh\u00e3o tem sempre e inseparavelmente uma conota\u00e7\u00e3o vertical e uma horizontal: comunh\u00e3o com Deus e comunh\u00e3o com os irm\u00e3os e irm\u00e3s. Estas duas dimens\u00f5es encontram-se misteriosamente no dom eucar\u00edstico. \u00ab Onde se destr\u00f3i a comunh\u00e3o com Deus, que \u00e9 comunh\u00e3o com o Pai, com o Filho e com o Esp\u00edrito Santo, destr\u00f3i-se tamb\u00e9m a raiz e a fonte da comunh\u00e3o entre n\u00f3s. E onde a comunh\u00e3o entre n\u00f3s n\u00e3o for vivida, tamb\u00e9m a comunh\u00e3o com o Deus-Trindade n\u00e3o \u00e9 viva nem verdadeira \u00bb.(215) Chamados, pois, a ser membros de Cristo e consequentemente membros uns dos outros (1 Cor 12, 27), constitu\u00edmos uma realidade ontologicamente fundada no Baptismo e alimentada pela Eucaristia, realidade essa que exige ter express\u00e3o sens\u00edvel na vida das nossas comunidades.<br \/>\nA forma eucar\u00edstica da vida crist\u00e3 \u00e9, sem d\u00favida, eclesial e comunit\u00e1ria. Atrav\u00e9s da diocese e das par\u00f3quias, enquanto estruturas basilares da Igreja num territ\u00f3rio particular, cada fiel pode fazer experi\u00eancia concreta da sua perten\u00e7a ao corpo de Cristo. As associa\u00e7\u00f5es, os movimentos eclesiais e novas comunidades \u2014 com a vivacidade dos carismas que lhes foram concedidos pelo Esp\u00edrito Santo para o nosso tempo \u2014 bem como os institutos de vida consagrada t\u00eam a miss\u00e3o de oferecer a sua contribui\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para favorecer nos fi\u00e9is a percep\u00e7\u00e3o desta sua perten\u00e7a ao Senhor (Rm 14, 8). O fen\u00f3meno da seculariza\u00e7\u00e3o, que apresenta \u2014 n\u00e3o por acaso \u2014 tra\u00e7os fortemente individualistas, logra seus efeitos delet\u00e9rios sobretudo nas pessoas que se isolam por escasso sentido de perten\u00e7a. Desde os seus in\u00edcios, sempre o cristianismo implica uma companhia, uma trama de rela\u00e7\u00f5es continuamente vivificadas pela escuta da palavra e pela celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e animadas pelo Esp\u00edrito Santo.<br \/>\nEspiritualidade e cultura eucar\u00edstica<br \/>\n77. Os padres sinodais afirmaram, significativamente, que \u00ab os fi\u00e9is crist\u00e3os precisam duma compreens\u00e3o mais profunda das rela\u00e7\u00f5es entre a Eucaristia e a vida quotidiana. A espiritualidade eucar\u00edstica n\u00e3o \u00e9 apenas participa\u00e7\u00e3o na Missa e devo\u00e7\u00e3o ao Sant\u00edssimo Sacramento; mas abra\u00e7a a vida inteira \u00bb.(216) Um tal realce assume actualmente particular significado para todos n\u00f3s; \u00e9 preciso reconhecer que um dos efeitos mais graves da seculariza\u00e7\u00e3o, h\u00e1 pouco mencionada, \u00e9 ter relegado a f\u00e9 crist\u00e3 para a margem da exist\u00eancia, como se fosse in\u00fatil para a realiza\u00e7\u00e3o concreta da vida dos homens; a fal\u00eancia desta maneira de viver \u00ab como se Deus n\u00e3o existisse \u00bb est\u00e1 agora patente a todos. Hoje torna-se necess\u00e1rio redescobrir que Jesus Cristo n\u00e3o \u00e9 uma simples convic\u00e7\u00e3o privada ou uma doutrina abstracta, mas uma pessoa real cuja inser\u00e7\u00e3o na hist\u00f3ria \u00e9 capaz de renovar a vida de todos. Por isso, a Eucaristia, enquanto fonte e \u00e1pice da vida e miss\u00e3o da Igreja, deve traduzir-se em espiritualidade, em vida \u00ab segundo o Esp\u00edrito \u00bb (Rm 8, 4s; cf. Gal 5, 16.25). \u00c9 significativo que S\u00e3o Paulo, na passagem da Carta aos Romanos onde convida a viver o novo culto espiritual, apele ao mesmo tempo para a necessidade de mudar a pr\u00f3pria forma de viver e pensar: \u00ab N\u00e3o vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renova\u00e7\u00e3o da vossa mente, para saberdes discernir, segundo a vontade de Deus, o que \u00e9 bom, o que Lhe \u00e9 agrad\u00e1vel, o que \u00e9 perfeito \u00bb (12, 2). Deste modo, o Ap\u00f3stolo das Gentes p\u00f5e em evid\u00eancia a liga\u00e7\u00e3o entre o verdadeiro culto espiritual e a necessidade duma nova maneira de compreender a exist\u00eancia e orientar a vida. Constitui parte integrante da forma eucar\u00edstica da vida crist\u00e3 a renova\u00e7\u00e3o da mentalidade, pois \u00ab assim j\u00e1 n\u00e3o seremos crian\u00e7as inconstantes, levadas ao sabor de todo o vento de doutrina \u00bb (Ef 4, 14).<br \/>\nEucaristia e evangeliza\u00e7\u00e3o das culturas<br \/>\n78. Daquilo que ficou dito, segue-se que o mist\u00e9rio eucar\u00edstico nos p\u00f5e em di\u00e1logo com as v\u00e1rias culturas, mas de certa forma tamb\u00e9m as desafia.(217) \u00c9 preciso reconhecer o car\u00e1cter intercultural deste novo culto, desta logik\u00e9 latre\u00eda: a presen\u00e7a de Jesus Cristo e a efus\u00e3o do Esp\u00edrito Santo s\u00e3o acontecimentos que podem encontrar-se de forma duradoura com qualquer realidade cultural a fim de a fermentar evangelicamente. Em consequ\u00eancia disto mesmo, temos a obriga\u00e7\u00e3o de promover convictamente a evangeliza\u00e7\u00e3o das culturas, na certeza de que o pr\u00f3prio Cristo \u00e9 a verdade de todo o homem e da hist\u00f3ria humana inteira. A Eucaristia torna-se crit\u00e9rio de valoriza\u00e7\u00e3o de tudo o que o crist\u00e3o encontra nas diversas express\u00f5es culturais; num processo importante como este, podem revelar-se de grande significado as palavras de S\u00e3o Paulo quando, na sua I Carta aos Tessalonicenses, convida a \u00ab avaliar tudo e conservar o que for bom \u00bb (5, 21).<br \/>\nEucaristia e fi\u00e9is leigos<br \/>\n79. Em Cristo, cabe\u00e7a da Igreja seu corpo, todos os crist\u00e3os formam uma \u00ab ra\u00e7a eleita, sacerd\u00f3cio real, na\u00e7\u00e3o santa, povo adquirido por Deus para anunciar os louvores d&#8217;Aquele que os chamou das trevas \u00e0 sua luz admir\u00e1vel \u00bb (1 Pd 2, 9). A Eucaristia, enquanto mist\u00e9rio a ser vivido, oferece-se a cada um de n\u00f3s na condi\u00e7\u00e3o concreta em que nos encontramos, fazendo com que esta mesma situa\u00e7\u00e3o vital se torne um lugar onde viver diariamente a novidade crist\u00e3. Se o sacrif\u00edcio eucar\u00edstico alimenta e faz crescer em n\u00f3s tudo o que j\u00e1 nos foi dado no Baptismo, pelo qual todos somos chamados \u00e0 santidade,(218) ent\u00e3o isso deve transparecer e manifestar-se precisamente nas situa\u00e7\u00f5es ou estados de vida em que cada crist\u00e3o se encontra; tornamo-nos dia ap\u00f3s dia culto agrad\u00e1vel a Deus, vivendo a pr\u00f3pria vida como voca\u00e7\u00e3o. O pr\u00f3prio sacramento da Eucaristia, a partir da convoca\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, compromete-nos na realidade quotidiana a fim de que tudo seja feito para gl\u00f3ria de Deus.<br \/>\nE, dado que o mundo \u00e9 \u00ab o campo \u00bb (Mt 13, 38) onde Deus coloca os seus filhos como boa semente, os crist\u00e3os leigos, em virtude do Baptismo e da Confirma\u00e7\u00e3o e corroborados pela Eucaristia, s\u00e3o chamados a viver a novidade radical trazida por Cristo precisamente no meio das condi\u00e7\u00f5es normais da vida; (219) devem cultivar o desejo de ver a Eucaristia influir cada vez mais profundamente na sua exist\u00eancia quotidiana, levando-os a serem testemunhas reconhecidas como tais no pr\u00f3prio ambiente de trabalho e na sociedade inteira.(220) Dirijo um particular encorajamento \u00e0s fam\u00edlias a haurirem inspira\u00e7\u00e3o e for\u00e7a deste sacramento: o amor entre o homem e a mulher, o acolhimento da vida, a miss\u00e3o educadora aparecem como \u00e2mbitos privilegiados onde a Eucaristia pode mostrar a sua capacidade de transformar e encher de significado a exist\u00eancia.(221) Os pastores nunca deixem de apoiar, educar e encorajar os fi\u00e9is leigos a viverem plenamente a pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o \u00e0 santidade no meio deste mundo que Deus amou at\u00e9 ao ponto de dar o Filho para sua salva\u00e7\u00e3o (Jo 3, 16).<br \/>\nEucaristia e espiritualidade sacerdotal<br \/>\n80. A forma eucar\u00edstica da exist\u00eancia crist\u00e3 manifesta-se, sem d\u00favida, de modo particular no estado de vida sacerdotal. A espiritualidade sacerdotal \u00e9 intrinsecamente eucar\u00edstica; a semente desta espiritualidade encontra-se j\u00e1 nas palavras que o bispo pronuncia na liturgia da ordena\u00e7\u00e3o: \u00ab Recebe a oferenda do povo santo para a apresentares a Deus. Toma consci\u00eancia do que vir\u00e1s a fazer; imita o que vir\u00e1s a realizar, e conforma a tua vida com o mist\u00e9rio da cruz do Senhor \u00bb.(222) Para conferir \u00e0 sua exist\u00eancia uma forma eucar\u00edstica cada vez mais perfeita, o sacerdote deve reservar, j\u00e1 no per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o e depois nos anos sucessivos, amplo espa\u00e7o para a vida espiritual.(223) \u00c9 chamado a ser continuamente um aut\u00eantico perscrutador de Deus, embora ao mesmo tempo permane\u00e7a solid\u00e1rio com as preocupa\u00e7\u00f5es dos homens. Uma vida espiritual intensa permitir-lhe-\u00e1 entrar mais profundamente em comunh\u00e3o com o Senhor e ajud\u00e1-lo-\u00e1 a deixar-se possuir pelo amor de Deus, tornando-se sua testemunha em todas as circunst\u00e2ncias mesmo dif\u00edceis e obscuras. Para isso, juntamente com os padres do S\u00ednodo, recomendo aos sacerdotes \u00ab a celebra\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da Santa Missa, mesmo quando n\u00e3o houver participa\u00e7\u00e3o de fi\u00e9is \u00bb.(224) Tal recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 ditada, ante de mais, pelo valor objectivamente infinito de cada celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica; e \u00e9 motivada ainda pela sua singular efic\u00e1cia espiritual, porque, se vivida com aten\u00e7\u00e3o e f\u00e9, a Santa Missa \u00e9 formadora no sentido mais profundo do termo, enquanto promove a configura\u00e7\u00e3o a Cristo e refor\u00e7a o sacerdote na sua voca\u00e7\u00e3o.<br \/>\nEucaristia e vida consagrada<br \/>\n81. No contexto da rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e as diversas voca\u00e7\u00f5es eclesiais, refulge de modo particular \u00ab o testemunho prof\u00e9tico de mulheres e homens consagrados que encontram, na celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica e na adora\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a para o seguimento radical de Cristo obediente, pobre e casto \u00bb.(225) Embora realizem muitos servi\u00e7os no campo da forma\u00e7\u00e3o humana e do cuidado pelos pobres, no ensino ou na assist\u00eancia aos doentes, os consagrados e consagradas sabem que a finalidade principal da sua vida \u00e9 \u00ab a contempla\u00e7\u00e3o das coisas divinas e a uni\u00e3o ass\u00eddua com Deus \u00bb;( 226 a contribui\u00e7\u00e3o essencial que a Igreja espera da vida consagrada destina-se muito mais ao ser do que ao fazer. Neste contexto, queria evocar a import\u00e2ncia do testemunho virginal precisamente em rela\u00e7\u00e3o ao mist\u00e9rio da Eucaristia; com efeito, al\u00e9m da liga\u00e7\u00e3o com o celibato sacerdotal, o mist\u00e9rio eucar\u00edstico apresenta uma rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca com a virgindade consagrada, enquanto esta \u00e9 express\u00e3o da dedica\u00e7\u00e3o exclusiva da Igreja a Cristo, que ela acolhe como seu Esposo com radical e fecunda fidelidade.227) Na Eucaristia, a virgindade consagrada encontra inspira\u00e7\u00e3o e nutrimento para a sua dedica\u00e7\u00e3o total a Cristo; al\u00e9m disso, aufere da Eucaristia conforto e impulso para ser, no nosso tempo tamb\u00e9m, sinal do amor gratuito e fecundo que Deus tem pela humanidade. Enfim, \u00e9 atrav\u00e9s do seu testemunho espec\u00edfico que a vida consagrada se torna objectivamente apelo e antecipa\u00e7\u00e3o daquelas \u00ab n\u00fapcias do Cordeiro \u00bb (Ap 19, 7-9) que constituem a meta de toda a hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o; neste sentido, aquela constitui uma evoca\u00e7\u00e3o eficaz do horizonte escatol\u00f3gico de que o homem necessita para poder orientar as suas op\u00e7\u00f5es e resolu\u00e7\u00f5es de vida.<br \/>\nEucaristia e transforma\u00e7\u00e3o moral<br \/>\n82. Descoberta a beleza da forma eucar\u00edstica da exist\u00eancia crist\u00e3, somos levados a reflectir tamb\u00e9m sobre as energias morais que, por tal forma, se desencadeiam em apoio da liberdade aut\u00eantica e pr\u00f3pria dos filhos de Deus. Desejo, assim, retomar um assunto que surgiu no S\u00ednodo: a liga\u00e7\u00e3o entre forma eucar\u00edstica da vida e transforma\u00e7\u00e3o moral. O Papa Jo\u00e3o Paulo II afirmara que a vida moral \u00ab possui o valor de um \u2018\u2018culto espiritual&#8221; (Rm 12, 1; cf. Fil 3, 3), que brota e se alimenta daquela fonte inesgot\u00e1vel de santidade e glorifica\u00e7\u00e3o de Deus que s\u00e3o os sacramentos, especialmente a Eucaristia: com efeito, ao participar no sacrif\u00edcio da cruz, o crist\u00e3o comunga do amor de doa\u00e7\u00e3o de Cristo, ficando habilitado e comprometido a viver esta mesma caridade em todas as suas atitudes e comportamentos de vida \u00bb.(228) Em suma, \u00ab no pr\u00f3prio \u2018\u2018culto&#8221;, na comunh\u00e3o eucar\u00edstica, est\u00e1 contido o ser amado e o amar por sua vez os outros. Uma Eucaristia que n\u00e3o se traduza em amor concretamente vivido \u00e9 em si mesma fragment\u00e1ria \u00bb.(229)<br \/>\nEste apelo ao valor moral do culto espiritual n\u00e3o deve ser interpretado em chave moralista; \u00e9, antes de mais, a descoberta feliz do dinamismo do amor no cora\u00e7\u00e3o de quem acolhe o dom do Senhor, abandona-se a Ele e encontra a verdadeira liberdade. A transforma\u00e7\u00e3o moral, que o novo culto institu\u00eddo por Cristo implica, \u00e9 uma tens\u00e3o e um anseio profundo de querer corresponder ao amor do Senhor com todo o pr\u00f3prio ser, embora conscientes da pr\u00f3pria fragilidade. Aquilo de que estamos a falar aparece claramente no relato evang\u00e9lico de Zaqueu (Lc 19, 1-10): depois de ter hospedado Jesus na sua casa, o publicano sente-se completamente transformado; decide dar metade dos seus haveres aos pobres e restituir quatro vezes mais a quem roubou. A tens\u00e3o moral, que nasce do acto de hospedar Jesus na nossa vida, brota da gratid\u00e3o por se ter experimentado a imerecida proximidade do Senhor.<br \/>\nCoer\u00eancia eucar\u00edstica<br \/>\n83. \u00c9 importante salientar aquilo que os padres sinodais designaram por coer\u00eancia eucar\u00edstica, \u00e0 qual est\u00e1 objectivamente chamada a nossa exist\u00eancia. Com efeito, o culto agrad\u00e1vel a Deus nunca \u00e9 um acto meramente privado, sem consequ\u00eancias nas nossas rela\u00e7\u00f5es sociais: requer o testemunho p\u00fablico da pr\u00f3pria f\u00e9. Evidentemente isto vale para todos os baptizados, mas imp\u00f5e-se com particular prem\u00eancia a quantos, pela posi\u00e7\u00e3o social ou pol\u00edtica que ocupam, devem tomar decis\u00f5es sobre valores fundamentais como o respeito e defesa da vida humana desde a concep\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte natural, a fam\u00edlia fundada sobre o matrim\u00f3nio entre um homem e uma mulher, a liberdade de educa\u00e7\u00e3o dos filhos e a promo\u00e7\u00e3o do bem comum em todas as suas formas.(230) Estes s\u00e3o valores n\u00e3o negoci\u00e1veis. Por isso, cientes da sua grave responsabilidade social, os pol\u00edticos e os legisladores cat\u00f3licos devem sentir-se particularmente interpelados pela sua consci\u00eancia rectamente formada a apresentar e apoiar leis inspiradas nos valores impressos na natureza humana.(231) Tudo isto tem, ali\u00e1s, uma liga\u00e7\u00e3o objectiva com a Eucaristia (1 Cor 11, 27-29). Os bispos s\u00e3o obrigados a recordar sem cessar tais valores; faz parte da sua responsabilidade pelo rebanho que lhes foi confiado.(232)<br \/>\nEucaristia, mist\u00e9rio anunciado<br \/>\nEucaristia e miss\u00e3o<br \/>\n84. Na homilia durante a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica com que solenemente dei in\u00edcio ao meu minist\u00e9rio na C\u00e1tedra de Pedro, disse: \u00ab N\u00e3o h\u00e1 nada de mais belo do que ser alcan\u00e7ado, surpreendido pelo Evangelho, por Cristo. N\u00e3o h\u00e1 nada de mais belo do que conhec\u00ea-Lo e comunicar aos outros a amizade com Ele \u00bb.(233) Esta afirma\u00e7\u00e3o cresce de intensidade, quando pensamos no mist\u00e9rio eucar\u00edstico; com efeito, n\u00e3o podemos reservar para n\u00f3s o amor que celebramos neste sacramento: por sua natureza, pede para ser comunicado a todos. Aquilo de que o mundo tem necessidade \u00e9 do amor de Deus, \u00e9 de encontrar Cristo e acreditar n&#8217;Ele. Por isso, a Eucaristia \u00e9 fonte e \u00e1pice n\u00e3o s\u00f3 da vida da Igreja, mas tamb\u00e9m da sua miss\u00e3o: \u00ab Uma Igreja autenticamente eucar\u00edstica \u00e9 uma Igreja mission\u00e1ria \u00bb.(234) Havemos, tamb\u00e9m n\u00f3s, de poder dizer com convic\u00e7\u00e3o aos nossos irm\u00e3os: \u00ab N\u00f3s vos anunciamos o que vimos e ouvimos, para que estejais tamb\u00e9m em comunh\u00e3o connosco \u00bb (1 Jo 1, 2-3). Verdadeiramente n\u00e3o h\u00e1 nada de mais belo do que encontrar e comunicar Cristo a todos! Ali\u00e1s, a pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia antecipa aquilo que constitui o cerne da miss\u00e3o de Jesus: Ele \u00e9 o enviado do Pai para a reden\u00e7\u00e3o do mundo (Jo 3, 16-17; Rm 8, 32). Na \u00daltima Ceia, Jesus entrega aos seus disc\u00edpulos o sacramento que actualiza o sacrif\u00edcio que Ele, em obedi\u00eancia ao Pai, fez de Si mesmo pela salva\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s. N\u00e3o podemos abeirar-nos da mesa eucar\u00edstica sem nos deixarmos arrastar pelo movimento da miss\u00e3o que, partindo do pr\u00f3prio Cora\u00e7\u00e3o de Deus, visa atingir todos os homens; assim, a tens\u00e3o mission\u00e1ria \u00e9 parte constitutiva da forma eucar\u00edstica da exist\u00eancia crist\u00e3.<br \/>\nEucaristia e testemunho<br \/>\n85. A miss\u00e3o primeira e fundamental, que deriva dos santos mist\u00e9rios celebrados, \u00e9 dar testemunho com a nossa vida. O enlevo pelo dom que Deus nos concedeu em Cristo, imprime \u00e0 nossa exist\u00eancia um dinamismo novo que nos compromete a ser testemunhas do seu amor. Tornamonos testemunhas quando, atrav\u00e9s das nossas ac\u00e7\u00f5es, palavras e modo de ser, \u00e9 Outro que aparece e Se comunica. Pode-se afirmar que o testemunho \u00e9 o meio pelo qual a verdade do amor de Deus alcan\u00e7a o homem na hist\u00f3ria, convidando-o a acolher livremente esta novidade radical. No testemunho, Deus exp\u00f5e-Se por assim dizer ao risco da liberdade do homem. O pr\u00f3prio Jesus \u00e9 a testemunha fiel e verdadeira (Ap 1, 5; 3, 14); veio para dar testemunho da verdade (Jo 18, 37). Nesta ordem de ideias, apraz-me retomar um conceito caro aos primeiros crist\u00e3os mas que nos interpela tamb\u00e9m a n\u00f3s, crist\u00e3os de hoje: o testemunho at\u00e9 ao dom de si mesmo, at\u00e9 ao mart\u00edrio, sempre foi considerado, na hist\u00f3ria da Igreja, o apogeu do novo culto espiritual: \u00ab Oferecei os vossos corpos \u00bb (Rm 12, 1). Pense-se, por exemplo, na narra\u00e7\u00e3o do mart\u00edrio de S\u00e3o Policarpo de Esmirna, disc\u00edpulo de S\u00e3o Jo\u00e3o: o seu caso, dram\u00e1tico, \u00e9 todo ele descrito como uma liturgia; mais ainda, como se o pr\u00f3prio m\u00e1rtir se tornasse Eucaristia.(235) Pensemos tamb\u00e9m na consci\u00eancia eucar\u00edstica que In\u00e1cio de Antioquia exprime tendo em mente o seu mart\u00edrio: considera-se \u00ab trigo de Deus \u00bb e, pelo mart\u00edrio, deseja transformar-se em \u00ab p\u00e3o puro de Cristo \u00bb.(236) O crist\u00e3o, quando oferece a sua vida no mart\u00edrio, entra em plena comunh\u00e3o com a p\u00e1scoa de Jesus Cristo e, assim, ele mesmo se torna Eucaristia com Cristo. N\u00e3o faltam, ainda hoje, \u00e0 Igreja os m\u00e1rtires, nos quais se manifesta de modo supremo o amor de Deus. E, mesmo que n\u00e3o nos seja pedida a prova do mart\u00edrio, sabemos, por\u00e9m, que o culto agrad\u00e1vel a Deus postula intimamente esta disponibilidade (237) e encontra a sua realiza\u00e7\u00e3o no feliz e convicto testemunho perante o mundo duma vida crist\u00e3 coerente nos diversos sectores onde o Senhor nos chama a anunci\u00e1-Lo.<br \/>\nJesus Cristo, \u00fanico Salvador<br \/>\n86. Sublinhar a liga\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre Eucaristia e miss\u00e3o faz-nos descobrir tamb\u00e9m o conte\u00fado supremo do nosso an\u00fancio. Quanto mais vivo for o amor pela Eucaristia no cora\u00e7\u00e3o do povo crist\u00e3o, tanto mais clara lhe ser\u00e1 a incumb\u00eancia da miss\u00e3o: levar Cristo; n\u00e3o meramente uma ideia ou uma \u00e9tica n&#8217;Ele inspirada, mas o dom da sua pr\u00f3pria Pessoa. Quem n\u00e3o comunica a verdade do Amor ao irm\u00e3o, ainda n\u00e3o deu bastante. A Eucaristia enquanto sacramento da nossa salva\u00e7\u00e3o chama-nos assim, inevitavelmente, \u00e0 unicidade de Cristo e da salva\u00e7\u00e3o por Ele realizada a pre\u00e7o do seu sangue. Por isso, do mist\u00e9rio eucar\u00edstico acreditado e celebrado nasce a exig\u00eancia de educar constantemente a todos para o trabalho mission\u00e1rio, cujo centro \u00e9 o an\u00fancio de Jesus, \u00fanico Salvador.(238) Isto impedir\u00e1 de confinar, em chave meramente sociol\u00f3gica, a obra decisiva de promo\u00e7\u00e3o humana que todo o processo de evangeliza\u00e7\u00e3o aut\u00eantico sempre implica.<br \/>\nLiberdade de culto<br \/>\n87. Neste contexto, desejo dar voz \u00e0quilo que os padres referiram, durante a assembleia sinodal, a prop\u00f3sito das graves dificuldades criadas \u00e0 miss\u00e3o das comunidades crist\u00e3s que vivem em condi\u00e7\u00f5es de minoria ou mesmo de priva\u00e7\u00e3o da liberdade religiosa.(239) Devemos verdadeiramente dar gra\u00e7as ao Senhor por todos os bispos, sacerdotes, pessoas consagradas e leigos que se prodigalizam a anunciar o Evangelho e vivem a sua f\u00e9 sob risco da pr\u00f3pria vida. N\u00e3o s\u00e3o poucas as regi\u00f5es do mundo onde o simples ir \u00e0 igreja constitui um testemunho her\u00f3ico que exp\u00f5e a vida da pessoa \u00e0 marginaliza\u00e7\u00e3o e \u00e0 viol\u00eancia. Nesta ocasi\u00e3o, quero tamb\u00e9m reiterar a solidariedade da Igreja inteira a quantos sofrem por falta de liberdade de culto. Nos lugares onde n\u00e3o h\u00e1 a liberdade religiosa, sabemos que falta, no fim de contas, a liberdade mais significativa, pois \u00e9 na f\u00e9 que o homem exprime a decis\u00e3o \u00edntima relativa ao sentido \u00faltimo da pr\u00f3pria exist\u00eancia; por isso, rezemos para que se alargue o espa\u00e7o da liberdade religiosa em todos os Estados, a fim de os crist\u00e3os e os membros das outras religi\u00f5es poderem livremente viver as suas convic\u00e7\u00f5es, pessoalmente e em comunidade.<br \/>\nEucaristia,<br \/>\nmist\u00e9rio oferecido ao mundo<br \/>\nEucaristia, p\u00e3o repartido para a vida do mundo<br \/>\n88. \u00ab O p\u00e3o que Eu hei-de dar \u00e9 a minha carne que Eu darei pela vida do mundo \u00bb (Jo 6, 51). Com estas palavras, o Senhor revela o verdadeiro significado do dom da sua vida por todos os homens; as mesmas mostram-nos tamb\u00e9m a compaix\u00e3o \u00edntima que Ele sente por cada pessoa. Na realidade, os Evangelhos transmitem-nos muitas vezes os sentimentos de Jesus para com as pessoas, especialmente doentes e pecadores (Mt 20, 34; Mc 6, 34; Lc 19, 41). Ele exprime, atrav\u00e9s dum sentimento profundamente humano, a inten\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Deus que deseja que todo o homem alcance a verdadeira vida. Cada celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica actualiza sacramentalmente a doa\u00e7\u00e3o que Jesus fez da sua pr\u00f3pria vida na cruz por n\u00f3s e pelo mundo inteiro. Ao mesmo tempo, na Eucaristia, Jesus faz de n\u00f3s testemunhas da compaix\u00e3o de Deus por cada irm\u00e3o e irm\u00e3; nasce assim, \u00e0 volta do mist\u00e9rio eucar\u00edstico, o servi\u00e7o da caridade para com o pr\u00f3ximo, que \u00ab consiste precisamente no facto de eu amar, em Deus e com Deus, a pessoa que n\u00e3o me agrada ou que nem conhe\u00e7o sequer. Isto s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel realizar-se a partir do encontro \u00edntimo com Deus, um encontro que se tornou comunh\u00e3o de vontade, chegando mesmo a tocar o sentimento. Ent\u00e3o aprendo a ver aquela pessoa j\u00e1 n\u00e3o somente com os meus olhos e sentimentos, mas segundo a perspectiva de Jesus Cristo \u00bb.(240) Desta forma, nas pessoas que contacto, reconhe\u00e7o irm\u00e3s e irm\u00e3os, pelos quais o Senhor deu a sua vida amando-os \u00ab at\u00e9 ao fim \u00bb (Jo 13, 1). Por conseguinte, as nossas comunidades, quando celebram a Eucaristia, devem consciencializar-se cada vez mais de que o sacrif\u00edcio de Jesus \u00e9 por todos; e, assim, a Eucaristia impele todo o que acredita n&#8217;Ele a fazer-se \u00ab p\u00e3o repartido \u00bb para os outros e, consequentemente, a empenhar-se por um mundo mais justo e fraterno. Como sucedeu na multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es e dos peixes, temos de reconhecer que Cristo continua, ainda hoje, exortando os seus disc\u00edpulos a empenharem-se pessoalmente: \u00ab Dai-lhes v\u00f3s de comer \u00bb (Mt 14, 16). Na verdade, a voca\u00e7\u00e3o de cada um de n\u00f3s consiste em ser, unido a Jesus, p\u00e3o repartido para a vida do mundo.<br \/>\nAs implica\u00e7\u00f5es sociais do mist\u00e9rio eucar\u00edstico<br \/>\n89. A uni\u00e3o com Cristo, que se realiza no sacramento, habilita-nos tamb\u00e9m a uma novidade de rela\u00e7\u00f5es sociais: \u00ab a \u2018\u2018m\u00edstica&#8221; do sacramento tem um car\u00e1cter social, porque (&#8230;) a uni\u00e3o com Cristo \u00e9, ao mesmo tempo, uni\u00e3o com todos os outros aos quais Ele Se entrega. Eu n\u00e3o posso ter Cristo s\u00f3 para mim; posso pertencer-Lhe somente unido a todos aqueles que se tornaram ou h\u00e3o-de tornar Seus \u00bb.(241) A prop\u00f3sito, \u00e9 necess\u00e1rio explicitar a rela\u00e7\u00e3o entre mist\u00e9rio eucar\u00edstico e compromisso social. A Eucaristia \u00e9 sacramento de comunh\u00e3o entre irm\u00e3os e irm\u00e3s que aceitam reconciliar-se em Cristo, o Qual fez de judeus e gentios um s\u00f3 povo, destruindo o muro de inimizade que os separava (Ef 2, 14). Somente esta tens\u00e3o constante \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o permite comungar dignamente o corpo e o sangue de Cristo (Mt 5, 23-24).(242) Atrav\u00e9s do memorial do seu sacrif\u00edcio, Ele refor\u00e7a a comunh\u00e3o entre os irm\u00e3os e, de modo particular, estimula os que est\u00e3o em conflito a apressar a sua reconcilia\u00e7\u00e3o, abrindo-se ao di\u00e1logo e ao compromisso em prol da justi\u00e7a. A restaura\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, a reconcilia\u00e7\u00e3o e o perd\u00e3o s\u00e3o, sem d\u00favida alguma, condi\u00e7\u00f5es para construir uma verdadeira paz; (243) desta consci\u00eancia nasce a vontade de transformar tamb\u00e9m as estruturas injustas, a fim de se restabelecer o respeito da dignidade do homem, criado \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus; \u00e9 atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o concreta desta responsabilidade que a Eucaristia se torna na vida o que significa na celebra\u00e7\u00e3o. Como j\u00e1 tive ocasi\u00e3o de afirmar, n\u00e3o \u00e9 miss\u00e3o pr\u00f3pria da Igreja tomar nas suas m\u00e3os a batalha pol\u00edtica para se realizar a sociedade mais justa poss\u00edvel; todavia, ela n\u00e3o pode nem deve ficar \u00e0 margem da luta pela justi\u00e7a. A Igreja \u00ab deve inserir-se nela pela via da argumenta\u00e7\u00e3o racional e deve despertar as for\u00e7as espirituais, sem as quais a justi\u00e7a, que sempre requer ren\u00fancias tamb\u00e9m, n\u00e3o poder\u00e1 afirmar-se nem prosperar \u00bb.(244)<br \/>\nNa perspectiva da responsabilidade social de todos os crist\u00e3os, os padres sinodais lembraram que o sacrif\u00edcio de Cristo \u00e9 mist\u00e9rio de liberta\u00e7\u00e3o que nos interpela e provoca continuamente; dirijo, pois, um apelo a todos os fi\u00e9is para que se tornem realmente obreiros de paz e justi\u00e7a: \u00ab Com efeito, quem participa na Eucaristia deve empenhar-se na edifica\u00e7\u00e3o da paz neste nosso mundo marcado por muitas viol\u00eancias e guerras, e, hoje de modo particular, pelo terrorismo, a corrup\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica e a explora\u00e7\u00e3o sexual \u00bb;( 245) problemas, estes, que geram por sua vez outros fen\u00f3menos degradantes que causam viva preocupa\u00e7\u00e3o. Sabemos que estas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser encaradas de modo superficial. Precisamente em virtude do mist\u00e9rio que celebramos, \u00e9 preciso denunciar as circunst\u00e2ncias que est\u00e3o em contraste com a dignidade do homem, pelo qual Cristo derramou o seu sangue, afirmando assim o alto valor de cada pessoa.<br \/>\nO alimento da verdade e a indig\u00eancia do homem<br \/>\n90. N\u00e3o podemos ficar inactivos perante certos processos de globaliza\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o raro fazem crescer desmesuradamente a dist\u00e2ncia entre ricos e pobres a n\u00edvel mundial. Devemos denunciar quem delapida as riquezas da terra, provocando desigualdades que bradam ao c\u00e9u (Tg 5, 4). Por exemplo, \u00e9 imposs\u00edvel calar diante das \u00ab imagens impressionantes dos grandes campos de deslocados ou refugiados \u2014 em v\u00e1rias partes do mundo \u2014 amontoados em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias para escapar a sorte pior, mas carecidos de tudo. Porventura estes seres humanos n\u00e3o s\u00e3o nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s? Os seus filhos n\u00e3o vieram ao mundo com os mesmos leg\u00edtimos anseios de felicidade que os outros? \u00bb.(246) O Senhor Jesus, p\u00e3o de vida eterna, incita a tornarmo-nos atentos \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de indig\u00eancia em que ainda vive grande parte da humanidade: s\u00e3o situa\u00e7\u00f5es cuja causa se fica a dever, frequentemente, a uma clara e preocupante responsabilidade dos homens. De facto, \u00ab com base em dados estat\u00edsticos dispon\u00edveis, pode-se afirmar que bastaria menos de metade das somas imensas globalmente destinadas a armamentos para tirar, de forma est\u00e1vel, da indig\u00eancia o ex\u00e9rcito ilimitado dos pobres. Isto interpela a consci\u00eancia humana. \u00c0s popula\u00e7\u00f5es que vivem sob o limiar da pobreza, mais por causa de situa\u00e7\u00f5es que dependem das rela\u00e7\u00f5es internacionais pol\u00edticas, comerciais e culturais do que por circunst\u00e2ncias incontrol\u00e1veis, o nosso esfor\u00e7o comum verdadeiramente pode e deve oferecer-lhes nova esperan\u00e7a \u00bb.(247)<br \/>\nO alimento da verdade leva-nos a denunciar as situa\u00e7\u00f5es indignas do homem, nas quais se morre \u00e0 m\u00edngua de alimento por causa da injusti\u00e7a e da explora\u00e7\u00e3o, e d\u00e1-nos nova for\u00e7a e coragem para trabalhar sem descanso na edifica\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o do amor. Desde o princ\u00edpio, os crist\u00e3os tiveram a preocupa\u00e7\u00e3o de partilhar os seus bens (Act 4, 32) e de ajudar os pobres (Rm 15, 26). O pedit\u00f3rio que se realiza nas assembleias lit\u00fargicas constitui viva reminisc\u00eancia disso mesmo, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma necessidade muito actual. As institui\u00e7\u00f5es eclesiais de benefic\u00eancia, de modo particular a Caritas nos seus v\u00e1rios n\u00edveis, realizam o valioso servi\u00e7o de auxiliar as pessoas em necessidade, sobretudo os mais pobres. Tirando inspira\u00e7\u00e3o da Eucaristia, que \u00e9 o sacramento da caridade, aquelas tornam-se a sua express\u00e3o concreta; por isso, merecem todo o aplauso e est\u00edmulo pelo seu empenho solid\u00e1rio no mundo.<br \/>\nA doutrina social da Igreja<br \/>\n91. O mist\u00e9rio da Eucaristia habilita-nos e impele-nos a um compromisso corajoso nas estruturas deste mundo para lhes conferir aquela novidade de rela\u00e7\u00f5es que tem a sua fonte inexaur\u00edvel no dom de Deus. O pedido que repetimos em cada Missa: \u00ab O p\u00e3o nosso de cada dia nos dai hoje \u00bb, obriga-nos a fazer tudo o que for poss\u00edvel, em colabora\u00e7\u00e3o com as institui\u00e7\u00f5es internacionais, estatais, privadas, para que cesse ou pelo menos diminua, no mundo, o esc\u00e2ndalo da fome e da subnutri\u00e7\u00e3o que padecem muitos milh\u00f5es de pessoas, sobretudo nos pa\u00edses em vias de desenvolvimento. Particularmente o leigo crist\u00e3o, formado na escola da Eucaristia, \u00e9 chamado a assumir directamente a sua responsabilidade pol\u00edtico-social; a fim de poder desempenhar adequadamente as suas fun\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso prepar\u00e1-lo atrav\u00e9s duma educa\u00e7\u00e3o concreta para a caridade e a justi\u00e7a. Para isso, como foi pedido pelo S\u00ednodo, \u00e9 necess\u00e1rio que, nas dioceses e comunidades crist\u00e3s, se d\u00ea a conhecer e incremente a doutrina social da Igreja.(248) Neste precioso patrim\u00f3nio, nascido da mais antiga tradi\u00e7\u00e3o eclesial, encontramos os elementos que orientam, com profunda sabedoria, o comportamento dos crist\u00e3os nas quest\u00f5es sociais em ebuli\u00e7\u00e3o. Amadurecida durante toda a hist\u00f3ria da Igreja, esta doutrina caracteriza-se pelo seu realismo e equil\u00edbrio, ajudando assim a evitar promessas enganadoras ou v\u00e3s utopias.<br \/>\nSantifica\u00e7\u00e3o do mundo e defesa da cria\u00e7\u00e3o<br \/>\n92. Enfim, para desenvolver uma espiritualidade eucar\u00edstica profunda, capaz de incidir significativamente tamb\u00e9m no tecido social, \u00e9 necess\u00e1rio que o povo crist\u00e3o, ao dar gra\u00e7as por meio da Eucaristia, tenha consci\u00eancia de o fazer em nome da cria\u00e7\u00e3o inteira, aspirando assim \u00e0 santifica\u00e7\u00e3o do mundo e trabalhando intensamente para tal fim.(249) A pr\u00f3pria Eucaristia projecta uma luz intensa sobre a hist\u00f3ria humana e todo o universo. Nesta perspectiva sacramental, aprendemos dia ap\u00f3s dia que cada acontecimento eclesial possui o car\u00e1cter de sinal, pelo qual Deus Se comunica a Si mesmo e nos interpela. Desta maneira, a forma eucar\u00edstica da exist\u00eancia pode verdadeiramente favorecer uma aut\u00eantica mudan\u00e7a de mentalidade no modo como lemos a hist\u00f3ria e o mundo. Para tudo isto nos educa a pr\u00f3pria liturgia quando o sacerdote, durante a apresenta\u00e7\u00e3o dos dons, dirige a Deus uma ora\u00e7\u00e3o de b\u00ean\u00e7\u00e3o e s\u00faplica a respeito do p\u00e3o e do vinho, \u00ab fruto da terra \u00bb, \u00ab da videira \u00bb e do \u00ab trabalho do homem \u00bb. Com estas palavras, o rito, al\u00e9m de envolver na oferta a Deus toda a actividade e canseira humana, impele-nos a considerar a terra como cria\u00e7\u00e3o de Deus, que produz quanto precisamos para o nosso sustento. N\u00e3o se trata duma realidade neutral, nem de mera mat\u00e9ria a ser utilizada indiferentemente segundo o instinto humano; mas coloca-se dentro do des\u00edgnio amoroso de Deus, segundo o qual todos n\u00f3s somos chamados a ser filhos e filhas de Deus no seu \u00fanico Filho, Jesus Cristo (Ef 1, 4-12). As condi\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas em que a cria\u00e7\u00e3o subjaz em muitas partes do mundo suscitam justas preocupa\u00e7\u00f5es, que encontram motivo de conforto na perspectiva da esperan\u00e7a crist\u00e3, pois esta compromete-nos a trabalhar responsavelmente na defesa da cria\u00e7\u00e3o; (250) de facto, na rela\u00e7\u00e3o entre a Eucaristia e o universo, descobrimos a unidade do des\u00edgnio de Deus e somos levados a individuar a rela\u00e7\u00e3o profunda da cria\u00e7\u00e3o com a \u00ab nova cria\u00e7\u00e3o \u00bb que foi inaugurada na ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, novo Ad\u00e3o. Dela participamos j\u00e1 agora em virtude do Baptismo (Col 2, 12s), abrindo-se assim \u00e0 nossa vida crist\u00e3, alimentada pela Eucaristia, a perspectiva do mundo novo, do novo c\u00e9u e da nova terra, onde a nova Jerusal\u00e9m desce do c\u00e9u, de junto de Deus, \u00ab bela como noiva adornada para o seu esposo \u00bb (Ap 21, 2).<br \/>\nUtilidade dum Comp\u00eandio Eucar\u00edstico<br \/>\n93. No termo destas reflex\u00f5es em que de boa vontade me detive sobre as indica\u00e7\u00f5es surgidas no S\u00ednodo, desejo acolher tamb\u00e9m o pedido que os padres apresentaram para ajudar o povo crist\u00e3o a crer, celebrar e viver cada vez melhor o mist\u00e9rio eucar\u00edstico. Cuidado pelos Dicast\u00e9rios competentes, h\u00e1-de ser publicado um Comp\u00eandio, que recolha textos do Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, ora\u00e7\u00f5es, explica\u00e7\u00f5es das Ora\u00e7\u00f5es Eucar\u00edsticas do Missal e tudo o mais que possa demonstrar-se \u00fatil para a correcta compreens\u00e3o, celebra\u00e7\u00e3o e adora\u00e7\u00e3o do sacramento do altar.(251) Espero que este instrumento possa contribuir para que o memorial da p\u00e1scoa do Senhor se torne cada dia sempre mais fonte e \u00e1pice da vida e da miss\u00e3o da Igreja; isto animar\u00e1 cada fiel a fazer da sua pr\u00f3pria vida um verdadeiro culto espiritual.<br \/>\nCONCLUS\u00c3O<br \/>\n94. Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, a Eucaristia est\u00e1 na origem de toda a forma de santidade, sendo cada um de n\u00f3s chamado \u00e0 plenitude de vida no Esp\u00edrito Santo. Quantos santos tornaram aut\u00eantica a pr\u00f3pria vida, gra\u00e7as \u00e0 sua piedade eucar\u00edstica! De Santo In\u00e1cio de Antioquia a Santo Agostinho, de Santo Ant\u00e3o Abade a S\u00e3o Bento, de S\u00e3o Francisco de Assis a S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, de Santa Clara de Assis a Santa Catarina de Sena, de S\u00e3o Pascoal Bail\u00e3o a S\u00e3o Pedro Juli\u00e3o Eymard, de Santo Afonso Maria de Lig\u00f3rio ao Beato Carlos de Foucauld, de S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianey a Santa Teresa de Lisieux, de S\u00e3o Pio de Pietrelcina \u00e0 Beata Teresa de Calcut\u00e1, do Beato Pedro Jorge Frassati ao Beato Ivan Merz, para mencionar apenas alguns de tantos nomes, a santidade sempre encontrou o seu centro no sacramento da Eucaristia.<br \/>\nPor isso, \u00e9 necess\u00e1rio que, na Igreja, este mist\u00e9rio sant\u00edssimo seja verdadeiramente acreditado, devotamente celebrado e intensamente vivido. A doa\u00e7\u00e3o que Jesus faz de Si mesmo no sacramento memorial da sua paix\u00e3o, atesta que o \u00eaxito da nossa vida est\u00e1 na participa\u00e7\u00e3o da vida trinit\u00e1ria, que nos \u00e9 oferecida n&#8217;Ele de forma definitiva e eficaz. A celebra\u00e7\u00e3o e a adora\u00e7\u00e3o da Eucaristia permitem abeirar-nos do amor de Deus e a ele aderir pessoalmente at\u00e9 \u00e0 uni\u00e3o com o bem-amado Senhor. A oferta da nossa vida, a comunh\u00e3o com a comunidade inteira dos crentes e a solidariedade com todo o homem s\u00e3o aspectos imprescind\u00edveis da logik\u00e9 latre\u00eda, ou seja, do culto espiritual, santo e agrad\u00e1vel a Deus (Rm 12, 1), no qual toda a nossa realidade humana concreta \u00e9 transformada para gl\u00f3ria de Deus. Convido, pois, todos os pastores a prestarem a m\u00e1xima aten\u00e7\u00e3o \u00e0 promo\u00e7\u00e3o duma espiritualidade crist\u00e3 autenticamente eucar\u00edstica. Os presb\u00edteros, os di\u00e1conos e todos aqueles que exercem um minist\u00e9rio eucar\u00edstico possam sempre tirar destes mesmos servi\u00e7os, realizados com solicitude e constante prepara\u00e7\u00e3o, for\u00e7a e est\u00edmulo para o seu caminho pessoal e comunit\u00e1rio de santifica\u00e7\u00e3o. Exorto todos os leigos, e as fam\u00edlias em particular, a encontrarem continuamente no sacramento do amor de Cristo a energia de que precisam para transformar a pr\u00f3pria vida num sinal aut\u00eantico da presen\u00e7a do Senhor ressuscitado. Pe\u00e7o a todos os consagrados e consagradas para manifestarem, com a pr\u00f3pria exist\u00eancia eucar\u00edstica, o esplendor e a beleza de pertencer totalmente ao Senhor.<br \/>\n95. No in\u00edcio do s\u00e9culo IV, quando o culto crist\u00e3o era ainda proibido pelas autoridades imperiais, alguns crist\u00e3os do norte de \u00c1frica, que se sentiam obrigados a celebrar o dia do Senhor, desafiaram tal proibi\u00e7\u00e3o. Foram martirizados enquanto declaravam que n\u00e3o lhes era poss\u00edvel viver sem a Eucaristia, alimento do Senhor: \u00ab Sine dominico non possumus \u2013 sem o domingo, n\u00e3o podemos viver \u00bb.(252) Estes m\u00e1rtires de Abitinas, juntamente com muitos outros santos e beatos que fizeram da Eucaristia o centro da sua vida, intercedam por n\u00f3s e nos ensinem a fidelidade ao encontro com Cristo ressuscitado! Tamb\u00e9m n\u00f3s n\u00e3o podemos viver sem participar no sacramento da nossa salva\u00e7\u00e3o e desejamos ser iuxta dominicam viventes, isto \u00e9, traduzir na vida o que celebramos no dia do Senhor. Com efeito, este \u00e9 o dia da nossa liberta\u00e7\u00e3o definitiva. Ent\u00e3o porqu\u00ea maravilhar-se quando desejamos que cada dia seja vivido segundo a novidade introduzida por Cristo com o mist\u00e9rio da Eucaristia?<br \/>\n96. Que Maria Sant\u00edssima, Virgem Imaculada, arca da nova e eterna alian\u00e7a, nos acompanhe neste caminho ao encontro do Senhor que vem! N&#8217;Ela encontramos realizada, na forma mais perfeita, a ess\u00eancia da Igreja. Esta v\u00ea em Maria, \u00ab Mulher eucar\u00edstica \u00bb \u2014 como A designou o servo de Deus Jo\u00e3o Paulo II (253) \u2014, o seu \u00edcone melhor conseguido e contempla-A como modelo insubstitu\u00edvel de vida eucar\u00edstica. Por isso, preparando-se para acolher sobre o altar \u00abverum corpus natum de Maria Virgine \u2013 o verdadeiro corpo nascido da Virgem Maria\u00bb, o sacerdote, em nome da assembleia lit\u00fargica, proclama com as palavras do c\u00e2none: \u00ab Veneramos a mem\u00f3ria da gloriosa sempre Virgem Maria, M\u00e3e do nosso Deus e Senhor, Jesus Cristo \u00bb.(254) O seu nome santo \u00e9 invocado e venerado tamb\u00e9m nos c\u00e2nones das tradi\u00e7\u00f5es orientais crist\u00e3s. Por sua vez, os fi\u00e9is \u00ab recomendam a Maria, M\u00e3e da Igreja, a sua exist\u00eancia e trabalho. Esfor\u00e7ando-se por ter os mesmos sentimentos que Maria, ajudam toda a comunidade a viver em oferta viva, agrad\u00e1vel ao Pai \u00bb.(255) Ela \u00e9 a Tota Pulchra, a Toda Formosa, porque n&#8217;Ela resplandece o fulgor da gl\u00f3ria de Deus. A beleza da liturgia celeste, que deve reflectir-se tamb\u00e9m nas nossas assembleias, encontra n&#8217;Ela um espelho fiel. D&#8217;Ela devemos aprender a tornar-nos pessoas eucar\u00edsticas e eclesiais para podermos tamb\u00e9m n\u00f3s apresentar-nos, segundo a palavra de S\u00e3o Paulo, \u00ab imaculados \u00bb perante o Senhor, tal como Ele nos quis desde o princ\u00edpio (Col 1, 22; Ef 1, 4).(256)<br \/>\n97. Por intercess\u00e3o da bem-aventurada Virgem Maria, o Esp\u00edrito Santo acenda em n\u00f3s o mesmo ardor que experimentaram os disc\u00edpulos de Ema\u00fas (Lc 24, 13-35) e renove na nossa vida o enlevo eucar\u00edstico pelo esplendor e a beleza que refulgem no rito lit\u00fargico, sinal eficaz da pr\u00f3pria beleza infinita do mist\u00e9rio santo de Deus. Os referidos disc\u00edpulos levantaram-se e voltaram a toda a pressa para Jerusal\u00e9m a fim de partilhar a alegria com os irm\u00e3os e irm\u00e3s na f\u00e9. Com efeito, a verdadeira alegria \u00e9 reconhecer que o Senhor permanece no nosso meio, companheiro fiel do nosso caminho; a Eucaristia faz-nos descobrir que Cristo, morto e ressuscitado, Se manifesta como nosso contempor\u00e2neo no mist\u00e9rio da Igreja, seu corpo. Deste mist\u00e9rio de amor fomos feitos testemunhas. Os votos que reciprocamente formulamos sejam os de irmos cheios de alegria e maravilha ao encontro da sant\u00edssima Eucaristia, para experimentar e anunciar aos outros a verdade das palavras com que Jesus Se despediu dos seus disc\u00edpulos: \u00ab Eu estou sempre convosco, at\u00e9 ao fim dos tempos \u00bb (Mt 28, 20).<br \/>\nDado em Roma, junto de S\u00e3o Pedro, no dia 22 de Fevereiro \u2014 festa da C\u00e1tedra de S\u00e3o Pedro \u2014 de 2007, segundo ano de Pontificado.<br \/>\nBENEDICTUS PP. XVI<br \/>\n________________________________________<br \/>\nNotas<br \/>\n1. Cf. S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, Summa Theologi\u00e6, III, q. 73, a. 3.<br \/>\n2. Santo Agostinho, In Iohannis Evangelium Tractatus, 26, 5: PL 35, 1609.<br \/>\n3. Bento XVI, Discurso aos participantes na Assembleia Plen\u00e1ria da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 (10 de Fevereiro de 2006): AAS 98 (2006), 255.<br \/>\n4. Cf. Bento XVI, Discurso aos membros do Conselho Ordin\u00e1rio da Secretaria Geral do S\u00ednodo dos Bispos (1 de Junho de 2006): L&#8217;Osservatore Romano (ed. port. de 8\/VI\/2006), 237.<br \/>\n5. Cf. Propositio 2.<br \/>\n6. Aludo aqui \u00e0 necessidade duma hermen\u00eautica da continuidade mesmo no que diz respeito a uma correcta leitura do desenvolvimento lit\u00fargico depois do Conc\u00edlio Vaticano II: cf. Bento XVI, Discurso \u00e0 C\u00faria Romana (22 de Dezembro de 2005): AAS 98 (2006), 44-45.<br \/>\n7. Tem a data de 7 de Outubro de 2004; veja-se o texto em AAS 97 (2005), 337-352.<br \/>\n8. Cf. Ano da Eucaristia: sugest\u00f5es e propostas (15 de Outubro de 2004): L&#8217;Osservatore Romano (15 de Outubro de 2004), Suplemento.<br \/>\n9. Tem a data de 17 de Abril de 2003; veja-se o texto em AAS 95 (2003), 433-475. H\u00e1 que recordar tamb\u00e9m a Instru\u00e7\u00e3o da Congr. para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Redemptionis sacramentum (25 de Mar\u00e7o de 2004): AAS 96 (2004), 549-601, expressamente desejada por Jo\u00e3o Paulo II.<br \/>\n10. Recordo apenas os principais: Conc. Ecum. de Trento, Doctrina et canones de ss. Miss\u00e6 sacrificio: DS 1738-1759; Le\u00e3o XIII, Carta enc. Mir\u00e6 caritatis (28 de Maio de 1902): ASS (1903), 115-136; Pio XII, Carta enc. Mediator Dei (20 de Novembro de 1947): AAS 39 (1947), 521-595; Paulo VI, Carta enc. Mysterium fidei (3 de Setembro de 1965): AAS 57 (1965), 753-774; Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de Abril de 2003): AAS 95 (2003), 433-475; Congr. para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instr. Eucharisticum mysterium (25 de Maio de 1967): AAS 59 (1967), 539-573; Instr. Liturgiam authenticam (28 de Mar\u00e7o de 2001): AAS 93 (2001), 685-726.<br \/>\n11. Cf. Propositio 1.<br \/>\n12. N. 14: AAS 98 (2006), 229.<br \/>\n13. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, 1327.<br \/>\n14. Propositio 16.<br \/>\n15. Bento XVI, Homilia na tomada de posse da C\u00e1tedra de Roma (7 de Maio de 2005): AAS 97 (2005), 752.<br \/>\n16. Cf. Propositio 4.<br \/>\n17. De Trinitate, VIII, 8, 12: CCL 50, 287.<br \/>\n18. Carta enc. Deus caritas est (25 de Dezembro de 2005), 12: AAS 98 (2006), 228.<br \/>\n19. Cf. Propositio 3.<br \/>\n20. Cf. Brevi\u00e1rio Romano: Hino do Of\u00edcio de Leituras, na solenidade do Corpo de Deus.<br \/>\n21. Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est (25 de Dezembro de 2005), 13: AAS 98 (2006), 228.<br \/>\n22. Cf. Bento XVI, Homilia na Esplanada de Marienfeld (21 de Agosto de 2005): AAS 97 (2005), 891-892.<br \/>\n23. Cf. Propositio 3.<br \/>\n24. Cf. Missal Romano: Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica IV.<br \/>\n25. Catequese 23, 7: PG 33, 1114s.<br \/>\n26. Cf. Sobre o sacerd\u00f3cio, 6, 4: PG 48, 681.<br \/>\n27. Ibid., 3, 4: o.c., 48, 642.<br \/>\n28. Propositio 22.<br \/>\n29. Cf. Propositio 42: \u00ab Este encontro eucar\u00edstico realiza-se no Esp\u00edrito Santo, que nos transforma e santifica. Ele desperta no disc\u00edpulo a vontade decidida de anunciar aos outros, com desassombro, tudo o que ouviu e viveu, para conduzi-los, tamb\u00e9m a eles, ao mesmo encontro com Cristo. Deste modo o disc\u00edpulo, enviado pela Igreja, abre-se a uma miss\u00e3o sem fronteiras \u00bb.<br \/>\n30. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 3. Veja-se, por exemplo, S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, Catequeses 3, 13-19: SC 50, 174-177.<br \/>\n31. Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de Abril de 2003), 1: AAS 95 (2003), 433.<br \/>\n32. Ibid., 21: o.c., 447.<br \/>\n33. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Redemptor hominis (4 de Mar\u00e7o de 1979), 20: AAS 71 (1979), 309-316; Carta enc. Dominic\u00e6 Cen\u00e6 (24 de Fevereiro de 1980), 4: AAS 72 (1980), 119-121.<br \/>\n34. Cf. Propositio 5.<br \/>\n35. Cf. S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, Summa Theologi\u00e6, III, q. 80, a. 4.<br \/>\n36. N. 38: AAS 95 (2003), 458.<br \/>\n37. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 23.<br \/>\n38. Congr. para a Doutrina da F\u00e9, Carta sobre alguns aspectos da Igreja entendida como comunh\u00e3o Communionis notio (28 de Maio de 1992), 11: AAS 85 (1993), 844-845.<br \/>\n39. Propositio 5: \u00ab O termo \u2018\u2018cat\u00f3lico&#8221; exprime a universalidade resultante da unidade que a Eucaristia, celebrada em cada Igreja, fomenta e constr\u00f3i. Assim, as Igrejas particulares na Igreja universal t\u00eam, na Eucaristia, a miss\u00e3o de tornar vis\u00edvel a sua pr\u00f3pria unidade e a sua diversidade. Este la\u00e7o de amor fraterno deixa transparecer a comunh\u00e3o trinit\u00e1ria. Os conc\u00edlios e os s\u00ednodos exprimem na hist\u00f3ria este aspecto fraterno da Igreja \u00bb.<br \/>\n40. Cf. Ibid., 5.<br \/>\n41. Decr. sobre o minist\u00e9rio e a vida dos presb\u00edteros Presbyterorum ordinis, 5.<br \/>\n42. Cf. Propositio 14.<br \/>\n43. Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 1.<br \/>\n44. De oratione dominica, 23: PL 4, 553.<br \/>\n45. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 48; veja-se tamb\u00e9m o n. 9.<br \/>\n46. Cf. Propositio 13.<br \/>\n47. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 7.<br \/>\n48. Cf. Ibid., 11; Decr. sobre a actividade mission\u00e1ria da Igreja Ad gentes, 9.13.<br \/>\n49. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta ap. Dominic\u00e6 Cen\u00e6 (24 de Fevereiro de 1980), 7: AAS 72 (1980), 124-127; Conc. Ecum. Vat. II, Decr. sobre o minist\u00e9rio e a vida dos presb\u00edteros Presbyterorum ordinis, 5.<br \/>\n50. Cf. C\u00f3digo dos C\u00e2nones das Igrejas Orientais, c\u00e2n. 710.<br \/>\n51. Cf. Rito da Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 dos Adultos, Introd. ger., nn. 34-36.<br \/>\n52. Cf. Rito do Baptismo das Crian\u00e7as, Introd., nn. 18-19.<br \/>\n53. Cf. Propositio 15.<br \/>\n54. Cf. Propositio 7; Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de Abril de 2003), 36: AAS 95 (2003), 457-458.<br \/>\n55. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Reconciliatio et p\u00e6nitentia (2 de Dezembro de 1984), 18: AAS 77 (1985), 224-228.<br \/>\n56. Cf. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, 1385.<br \/>\n57. Pense-se na \u00ab Confiss\u00e3o \u00bb (Confiteor) ou nas palavras proferidas pelo sacerdote e a assembleia pouco antes de comungarem: \u00ab Senhor, eu n\u00e3o sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo \u00bb. Significativamente a liturgia prev\u00ea, para o sacerdote, algumas ora\u00e7\u00f5es muito belas, recebidas da tradi\u00e7\u00e3o, que lhe recordam a necessidade de ser perdoado, como, por exemplo, a ora\u00e7\u00e3o feita em sil\u00eancio antes de convidar os fi\u00e9is para a comunh\u00e3o sacramental: \u00ab &#8230;livrai-me de todos os meus pecados e de todo o mal, por este vosso sant\u00edssimo corpo e sangue; conservai-me sempre fiel aos vossos mandamentos e n\u00e3o permitais que eu me separe de V\u00f3s \u00bb.<br \/>\n58. Cf. S\u00e3o Jo\u00e3o Damasceno, Sobre a recta f\u00e9, 4, 9: PG 94, 1124C; S\u00e3o Greg\u00f3rio de Nazianzo, Discurso 39, 17: PG 36, 356A; Conc. Ecum. de Trento, Doctrina de sacramento p\u00e6nitenti\u00e6, cap. 2: DS 1672.<br \/>\n59. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 11; Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Reconciliatio et p\u00e6nitentia (2 de Dezembro de 1984), 30: AAS 77 (1985), 256-257.<br \/>\n60. Cf. Propositio 7.<br \/>\n61. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Motu proprio Misericordia Dei (7 de Abril de 2002): AAS 94 (2002), 452-459.<br \/>\n62. Lembro, juntamente com os padres sinodais, que as celebra\u00e7\u00f5es penitenciais n\u00e3o sacramentais, mencionadas no ritual do sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, podem ser \u00fateis para fomentar o esp\u00edrito de convers\u00e3o e de comunh\u00e3o nas comunidades crist\u00e3s, preparando assim os cora\u00e7\u00f5es para a celebra\u00e7\u00e3o do sacramento: cf. Propositio 7.<br \/>\n63. Cf. C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico, c\u00e2n. 508.<br \/>\n64. Paulo VI, Const. ap. Indulgentiarum doctrina (1 de Janeiro de 1967), Norm\u00e6, 1: AAS 59 (1967), 21.<br \/>\n65. Ibid., 9: o.c., 18-19.<br \/>\n66. Cf. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, 1499-1531.<br \/>\n67. Ibid., 1524.<br \/>\n68. Cf. Propositio 44.<br \/>\n69. Cf. II Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos, Doc. sobre o sacerd\u00f3cio ministerial Ultimis temporibus (30 de Novembro de 1971): AAS 63 (1971), 898-942.<br \/>\n70. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Pastores dabo vobis (25 de Mar\u00e7o de 1992), 42-69: AAS 84 (1992), 729-778.<br \/>\n71. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 10; Congr. para a Doutrina da F\u00e9, Carta acerca de algumas quest\u00f5es relativas ao ministro da Eucaristia Sacerdotium ministeriale (6 de Agosto de 1983): AAS 75 (1983), 1001-1009.<br \/>\n72. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, 1548.<br \/>\n73. Ibid., 1552.<br \/>\n74. Cf. In Iohannis Evangelium Tractatus 123, 5: PL 35, 1967.<br \/>\n75. Cf. Propositio 11.<br \/>\n76. Cf. Decr. sobre o minist\u00e9rio e a vida dos presb\u00edteros Presbyterorum ordinis, 16.<br \/>\n77. Cf. Jo\u00e3o XXIII, Carta enc. Sacerdotii nostri primordia (1 de Agosto de 1959): AAS 51 (1959), 545-579; Paulo VI, Carta enc. Sacerdotalis c\u0153libatus (24 de Junho de 1967): AAS 59 (1967), 657-697; Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Pastores dabo vobis (25 de Mar\u00e7o de 1992), 29: AAS 84 (1992), 703-705; Bento XVI, Discurso \u00e0 C\u00faria Romana durante a apresenta\u00e7\u00e3o dos votos natal\u00edcios (22 de Dezembro de 2006): L&#8217;Osservatore Romano (ed. port. de 30\/XII\/2006), 658.<br \/>\n78. Cf. Propositio 11.<br \/>\n79. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decr. sobre a forma\u00e7\u00e3o sacerdotal Optatam totius, 6; C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico, c\u00e2n. 241-\u00a7 1 e c\u00e2n. 1029; C\u00f3digo dos C\u00e2nones das Igrejas Orientais, c\u00e2n. 342-\u00a7 1 e c\u00e2n. 758; Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Pastores dabo vobis (25 de Mar\u00e7o de 1992), 11.34.50: AAS 84 (1992), 673-675.712714.746-748; Congr. para o Clero, Direct\u00f3rio para o minist\u00e9rio e a vida dos presb\u00edteros (31 de Mar\u00e7o de 1994), n. 58; Congr. para a Educa\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, Instr. sobre os crit\u00e9rios de discernimento vocacional acerca das pessoas com tend\u00eancias homossexuais e da sua admiss\u00e3o ao Semin\u00e1rio e \u00e0s Ordens Sacras (4 de Novembro de 2005): AAS 97 (2005), 1007-1013.<br \/>\n80. Cf. Propositio 12; Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Pastores dabo vobis (25 de Mar\u00e7o de 1992), 41: AAS 84 (1992), 726-729.<br \/>\n81. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 29.<br \/>\n82. Cf. Propositio 38.<br \/>\n83. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Familiaris consortio (22 de Novembro de 1981), 57: AAS 74 (1982), 149-150.<br \/>\n84. Carta ap. Mulieris dignitatem (15 de Agosto de 1988), 26: AAS 80 (1988), 1715-1716.<br \/>\n85. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, 1617.<br \/>\n86. Cf. Propositio 8.<br \/>\n87. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 11.<br \/>\n88. Cf. Propositio 8.<br \/>\n89. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta ap. Mulieris dignitatem (15 de Agosto de 1988): AAS 80 (1988), 1653-1729; Congr. para a Doutrina da F\u00e9, Carta aos bispos da Igreja Cat\u00f3lica sobre a colabora\u00e7\u00e3o do homem e da mulher na Igreja e no mundo (31 de Maio de 2004): AAS 96 (2004), 671-687.<br \/>\n90. Cf. Propositio 9.<br \/>\n91. Cf. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, 1640.<br \/>\n92. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Familiaris consortio (22 de Novembro de 1981), 84: AAS 74 (1982), 184-186; Congr. para a Doutrina da F\u00e9, Carta aos bispos da Igreja Cat\u00f3lica acerca da recep\u00e7\u00e3o da comunh\u00e3o eucar\u00edstica pelos fi\u00e9is divorciados re-casados Annus internationalis famili\u00e6 (14 de Setembro de 1994): AAS 86 (1994), 974-979.<br \/>\n93. Cf. Pont. Cons. para os Textos Legislativos, Instr. sobre as normas a observar pelos tribunais eclesi\u00e1sticos nas causas matrimoniais Dignitatis connubii (25 de Janeiro de 2005), Cidade do Vaticano, 2005.<br \/>\n94. Cf. Propositio 40.<br \/>\n95. Bento XVI, Discurso ao Tribunal da Rota Romana por ocasi\u00e3o da inaugura\u00e7\u00e3o do ano judicial (28 de Janeiro de 2006): AAS 98 (2006), 138.<br \/>\n96. Propositio 40.<br \/>\n97. Cf. Ibid., 40.<br \/>\n98. Cf. Ibid., 40.<br \/>\n99. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 48.<br \/>\n100. Cf. Propositio 3.<br \/>\n101. Apraz-me recordar aqui as palavras cheias de esperan\u00e7a e conforto que encontramos na Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica II: \u00ab Lembrai-Vos dos nossos irm\u00e3os que adormeceram na esperan\u00e7a da ressurrei\u00e7\u00e3o e de todos aqueles que, na vossa miseric\u00f3rdia, partiram deste mundo. Acolhei-os na luz da vossa presen\u00e7a \u00bb.<br \/>\n102. Cf. Bento XVI, Homilia no 40\u00ba anivers\u00e1rio do encerramento do Conc\u00edlio Vaticano II e solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o (8 de Dezembro de 2005): AAS 98 (2006), 15-16.<br \/>\n103. Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 58.<br \/>\n104. Propositio 4.<br \/>\n105. Relatio post disceptationem, 4: L&#8217;Osservatore Romano (ed. port. de 19\/XI\/2005), 660.<br \/>\n106. Cf. Sermones 1, 7; 11, 10; 22, 7; 29, 76: Sermones dominicales ad fidem codicum nunc denuo editi (Grottaferrata 1977), pp. 135.209s.292s.337; Bento XVI, Mensagem aos Movimentos Eclesiais e \u00e0s Novas Comunidades (22 de Maio de 2006): AAS 98 (2006), 463.<br \/>\n107. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. sobre a Igreja no mundo contempor\u00e2neo Gaudium et spes, 22.<br \/>\n108. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a divina revela\u00e7\u00e3o Dei Verbum, 2.4.<br \/>\n109. Propositio 33.<br \/>\n110. Sermo 227, 1: PL 38, 1099.<br \/>\n111. Santo Agostinho, In Iohannis Evangelium Tractatus, 21, 8: PL 35, 1568.<br \/>\n112. Ibid., 28, 1: o.c., 35, 1622.<br \/>\n113. Cf. Propositio 30. Mesmo a Santa Missa que a Igreja celebra durante a semana, na qual os fi\u00e9is s\u00e3o convidados a participar, encontra a sua forma pr\u00f3pria no dia do Senhor, o dia da ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo: cf. Propositio 43.<br \/>\n114. Cf. Propositio 2.<br \/>\n115. Cf. Propositio 25.<br \/>\n116. Cf. Propositio 19. E a Propositio 25 especifica: \u00ab Uma aut\u00eantica ac\u00e7\u00e3o lit\u00fargica exprime a sacralidade do mist\u00e9rio eucar\u00edstico. Esta deveria transparecer nas palavras e ac\u00e7\u00f5es do sacerdote celebrante, quando intercede junto de Deus Pai quer com os fi\u00e9is quer pelos fi\u00e9is \u00bb.<br \/>\n117. Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, 22; cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 41; Congr. para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instr. Redemptionis sacramentum (25 de Mar\u00e7o de 2004), 19-25: AAS 96 (2004), 555-557.<br \/>\n118. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decr. sobre o m\u00fanus pastoral dos bispos na Igreja Christus Dominus, 14; Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 41.<br \/>\n119. Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, 22.<br \/>\n120. Cf. Ibid., 22.<br \/>\n121. Cf. Propositio 25.<br \/>\n122. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 112-130.<br \/>\n123. Cf. Propositio 27.<br \/>\n124. Cf. Ibid., 27.<br \/>\n125. Em tudo o que diz respeito a estes aspectos, \u00e9 preciso ater-se fielmente a quanto est\u00e1 indicado na Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, 319-351.<br \/>\n126. Cf. Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, 39-41; Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 112-118.<br \/>\n127. Sermo 34, 1: PL 38, 210.<br \/>\n128. Cf. Propositio 25: \u00ab Como todas as express\u00f5es art\u00edsticas, tamb\u00e9m o canto deve estar intimamente harmonizado com a liturgia, colaborar eficazmente para o seu fim, ou seja, deve exprimir a f\u00e9, a ora\u00e7\u00e3o, o enlevo, o amor por Jesus presente na Eucaristia \u00bb.<br \/>\n129. Cf. Propositio 29.<br \/>\n130. Cf. Propositio 36.<br \/>\n131. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 116; Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, 41.<br \/>\n132. Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, 28; cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 56; Sagr. Congr. dos Ritos, Instr. Eucharisticum mysterium (25 de Maio de 1967), 3: AAS (1967), 540-543.<br \/>\n133. Cf. Propositio 18.<br \/>\n134. Ibid., 18.<br \/>\n135. Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, 29.<br \/>\n136. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Fides et ratio (14 de Setembro de 1998), 13: AAS 91 (1999), 15-16.<br \/>\n137. S\u00e3o Jer\u00f3nimo, Commentariorum in Isaiam, Prol.: PL 24, 17; cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a divina revela\u00e7\u00e3o Dei Verbum, 25.<br \/>\n138. Cf. Propositio 31.<br \/>\n139. Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, 29; cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 7.33.52.<br \/>\n140. Propositio 19.<br \/>\n141. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 52.<br \/>\n142. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a divina revela\u00e7\u00e3o Dei Verbum, 21.<br \/>\n143. Com esta finalidade, o S\u00ednodo exortou a elaborar subs\u00eddios pastorais, baseados no Leccion\u00e1rio trienal, que ajudem a ligar de maneira intr\u00ednseca a proclama\u00e7\u00e3o das leituras previstas com a doutrina da f\u00e9: cf. Propositio 19.<br \/>\n144. Cf. Propositio 20.<br \/>\n145. Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, 78.<br \/>\n146. Cf. Ibid., 78-79.<br \/>\n147. Cf. Propositio 22.<br \/>\n148. Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, 79d.<br \/>\n149. Ibid., 79c.<br \/>\n150. Tendo em considera\u00e7\u00e3o antigos e vener\u00e1veis costumes e votos expressos pelos padres sinodais, pedi aos Dicast\u00e9rios competentes que estudassem a possibilidade de se colocar a sauda\u00e7\u00e3o da paz noutro momento, por exemplo antes da apresenta\u00e7\u00e3o das oferendas ao altar. Ali\u00e1s, tal escolha n\u00e3o deixaria de suscitar uma significativa evoca\u00e7\u00e3o da advert\u00eancia feita pelo Senhor a prop\u00f3sito da necessidade de reconcilia\u00e7\u00e3o antes de qualquer oferta a Deus (Mt 5, 23s): cf. Propositio 23.<br \/>\n151. Cf. Congr. para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instr. Redemptionis sacramentum (25 de Mar\u00e7o de 2004), 80-96: AAS 96 (2004), 574-577.<br \/>\n152. Cf. Propositio 34.<br \/>\n153. Cf. Propositio 35.<br \/>\n154. Cf. Propositio 24.<br \/>\n155. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 14-20.30s.48s; Congr. para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instr. Redemptionis sacramentum (25 de Mar\u00e7o de 2004), 36-42: AAS 96 (2004), 561-564.<br \/>\n156. N. 48.<br \/>\n157. Ibid., 48.<br \/>\n158. Cf. Congr. para o Clero e outros Dicast\u00e9rios da C\u00faria Romana, Instr. acerca de algumas quest\u00f5es sobre a colabora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is leigos no sagrado minist\u00e9rio dos sacerdotes Ecclesi\u00e6 de mysterio (15 de Agosto de 1997): AAS 89 (1997), 852-877.<br \/>\n159. Cf. Propositio 33.<br \/>\n160. Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, 92.<br \/>\n161. Cf. Ibid., 94.<br \/>\n162. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decr. sobre o apostolado dos leigos Apostolicam actuositatem, 24; Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, nn. 95-111; Congr. para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Instr. Redemptionis sacramentum (25 de Mar\u00e7o 2004), 43-47: AAS 96 (2004), 564-566; Propositio 33: \u00ab Estes minist\u00e9rios devem ser introduzidos segundo um mandato espec\u00edfico e segundo as reais exig\u00eancias da comunidade que celebra. As pessoas encarregadas destes servi\u00e7os lit\u00fargicos laicais devem ser escolhidas cuidadosamente, bem preparadas e acompanhadas por uma forma\u00e7\u00e3o permanente. A sua nomea\u00e7\u00e3o deve ser tempor\u00e1ria. Tais pessoas devem ser conhecidas pela comunidade e desta receberem tamb\u00e9m um grato reconhecimento \u00bb.<br \/>\n163. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 37-42.<br \/>\n164. Cf. nn. 386-399.<br \/>\n165. Veja-se o texto em AAS 87 (1995), 288-314.<br \/>\n166. Cf. Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Ecclesia in Africa (14 de Setembro de 1995), 55-71: AAS 88 (1996), 34-47; Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Ecclesia in America (22 de Janeiro de 1999), 16.40.64.70-72: AAS 91 (1999), 752-753.775-776.799.805-809; Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Ecclesia in Asia (6 de Novembro de 1999), 21s: AAS 92 (2000), 482-487; Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Ecclesia in Oceania (22 de Novembro de 2001), 16: AAS 94 (2002), 382-384; Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Ecclesia in Europa (28 de Junho de 2003), 58-60: AAS 95 (2003), 685-686.<br \/>\n167. Cf. Propositio 26.<br \/>\n168. Cf. Propositio 35; Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 11.<br \/>\n169. Cf. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, 1388; Conc. Ecum. Vat. II, Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium, 55.<br \/>\n170. Cf. Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de Abril de 2003), 34: AAS 95 (2003), 456.<br \/>\n171. Assim, por exemplo, S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, Summa Theologi\u00e6, III, q. 80, a. 1,2; Santa Teresa de Jesus, Caminho de perfei\u00e7\u00e3o, cap. 35. A doutrina foi confirmada autorizadamente pelo Conc\u00edlio de Trento, Sess\u00e3o XIII, c\u00e2n. 8.<br \/>\n172. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Ut unum sint (25 de Maio de 1995), 8: AAS 87 (1995), 925-926.<br \/>\n173. Cf. Propositio 41; Conc. Ecum. Vat. II, Decr. sobre o ecumenismo Unitatis redintegratio, 8.15; Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Ut unum sint (25 de Maio de 1995), 46: AAS 87 (1995), 948; Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de Abril de 2003), 45-46: AAS 95 (2003), 463-464; C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico, c\u00e2n. 844-\u00a7\u00a7 3 e 4; C\u00f3digo dos C\u00e2nones das Igrejas Orientais, c\u00e2n. 671-\u00a7\u00a7 3 e 4; Pont. Cons. para a Promo\u00e7\u00e3o da Unidade dos Crist\u00e3os, Direct\u00f3rio para a aplica\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios e normas sobre o ecumenismo (25 de Mar\u00e7o de 1993), 125.129-131: AAS 85 (1993), 1087.1088-1089.<br \/>\n174. Cf. nn. 1398-1401.<br \/>\n175. Cf. n. 293.<br \/>\n176. Cf. Pont. Cons. das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais, Instr. past. sobre as comunica\u00e7\u00f5es sociais no XX anivers\u00e1rio da \u2018\u2018Communio et progressio&#8221; \u00c6tatis nov\u00e6 (22 de Fevereiro de 1992): AAS 84 (1992), 447-468.<br \/>\n177. Cf. Propositio 29.<br \/>\n178. Cf. Propositio 44.<br \/>\n179. Cf. Propositio 48.<br \/>\n180. Tal conhecimento pode ser adquirido tamb\u00e9m no Semin\u00e1rio, durante os anos de forma\u00e7\u00e3o dos candidatos ao sacerd\u00f3cio, atrav\u00e9s de oportunas iniciativas: cf. Propositio 45.<br \/>\n181. Cf. Propositio 37.<br \/>\n182. Cf. Const. sobre a sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium36.54.<br \/>\n183. Cf. Propositio 36.<br \/>\n184. Cf. Ibid., 36.<br \/>\n185. Cf. Propositio 32.<br \/>\n186. Cf. Propositio 14.<br \/>\n187. Propositio 19.<br \/>\n188. Cf. Propositio 14.<br \/>\n189. Cf. Bento XVI, Homilia nas primeiras V\u00e9speras de Pentecostes (3 de Junho de 2006): AAS 98 (2006), 509.<br \/>\n190. Propositio 34.<br \/>\n191. Enarrationes in Psalmos 98, 9: CCL 39, 1835; cf. Bento XVI, Discurso \u00e0 C\u00faria Romana (22 de Dezembro de 2005): AAS 98 (2006), 44-45.<br \/>\n192. Cf. Propositio 6.<br \/>\n193. Bento XVI, Discurso \u00e0 C\u00faria Romana (22 de Dezembro de 2005): AAS 98 (2006), 45.<br \/>\n194. Cf. Propositio 6; Congr. para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Direct\u00f3rio sobre piedade popular e liturgia (17 de Dezembro de 2001), nn. 164-165; Sagr. Congr. dos Ritos, Instr. Eucharisticum mysterium (25 de Maio de 1967): AAS 57 (1067), 539-573.<br \/>\n195. Cf. Relatio post disceptationem, 11: L&#8217;Osservatore Romano (ed. port. de 19\/XI\/2005), 661.<br \/>\n196. Cf. Propositio 28.<br \/>\n197. Cf. n. 314.<br \/>\n198. Confiss\u00f5es 7, 10, 16: PL 32, 742.<br \/>\n199. Bento XVI, Homilia na Esplanada de Marienfeld (21 de Agosto de 2005): AAS 97 (2005), 892; cf. Homilia nas primeiras V\u00e9speras de Pentecostes (3 de Junho de 2006): AAS 98 (2006), 505.<br \/>\n200. Cf. Relatio post disceptationem, 6.47: L&#8217;Osservatore Romano (ed. port. de 19\/XI\/2005), 660.663; Propositio 43.<br \/>\n201. De civitate Dei 10, 6: PL 41, 284.<br \/>\n202. Cf. Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, 1368.<br \/>\n203. Cf. Santo Ireneu, Contra as heresias 4, 20, 7: PG 7, 1037.<br \/>\n204. Ep\u00edstola aos Magn\u00e9sios 9, 1: PG 5, 670.<br \/>\n205. Cf. I Apologia 67, 1-6; 66: PG 6, 430s; 427.<br \/>\n206. Cf. Propositio 30.<br \/>\n207. Cf. AAS 90 (1998), 713-766.<br \/>\n208. Propositio 30.<br \/>\n209. Homilia na solenidade de S\u00e3o Jos\u00e9 (19 de Mar\u00e7o de 2006): AAS 98 (2006), 324.<br \/>\n210. A este respeito observa, oportunamente, o Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja, 258: \u00ab Para o homem, ligado \u00e0 necessidade do trabalho, o repouso abre a perspectiva de uma liberdade mais plena, a do S\u00e1bado eterno (Heb 4, 9-10). O repouso consente aos homens recordar e reviver as obras de Deus, da cria\u00e7\u00e3o \u00e0 reden\u00e7\u00e3o, e reconhecerem-se a si pr\u00f3prios como obra do mesmo Deus (Ef 2, 10), dar-Lhe gra\u00e7as pela pr\u00f3pria vida e subsist\u00eancia, a Ele, que \u00e9 seu autor \u00bb.<br \/>\n211. Cf. Propositio 10.<br \/>\n212. Cf. Ibid., 10.<br \/>\n213. Cf. Bento XVI, Discurso aos bispos da Confer\u00eancia Episcopal do Canad\u00e1-Quebec em Visita ad limina Apostolorum (11 de Maio de 2006): L&#8217;Osservatore Romano (ed. port. de 20\/V\/2006), 227.<br \/>\n214. N. 10: AAS 71 (1979), 414-415.<br \/>\n215. Bento XVI, Audi\u00eancia Geral de 29 de Mar\u00e7o de 2006: L&#8217;Osservatore Romano (ed. port. de 01\/IV\/2006), 152.<br \/>\n216. Propositio 39.<br \/>\n217. Cf. Relatio post disceptationem, 30: L&#8217;Osservatore Romano (ed. port. de 19\/XI\/2005), 662.<br \/>\n218. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 39-42.<br \/>\n219. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Christifideles laici (30 de Dezembro de 1988), 14.16: AAS 81 (1989), 409-413.416-418.<br \/>\n220. Cf. Propositio 39.<br \/>\n221. Cf. Ibid., 39.<br \/>\n222. Pontifical Romano \u2013 Ordena\u00e7\u00e3o do Bispo, dos Presb\u00edteros e Di\u00e1conos: Rito da Ordena\u00e7\u00e3o do Presb\u00edtero, n. 150.<br \/>\n223. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Pastores dabo vobis (25 de Mar\u00e7o de 1992), 19-33.70-81: AAS 84 (1992), 686-712. 778-800.<br \/>\n224. Propositio 38.<br \/>\n225. Propositio 39; cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Vita consecrata (25 de Mar\u00e7o de 1996), 95: AAS 88 (1996), 470-471.<br \/>\n226. C\u00f3digo de Direito Can\u00f3nico, c\u00e2n. 663-\u00a7 1.<br \/>\n227. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap. p\u00f3s-sinodal Vita consecrata (25 de Mar\u00e7o de 1996), 34: AAS 88 (1996), 407-408.<br \/>\n228. Carta enc. Veritatis splendor (6 de Agosto de 1993), 107: AAS 85 (1993), 1216-1217.<br \/>\n229. Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est (25 de Dezembro de 2005), 14: AAS 98 (2006), 229.<br \/>\n230. Cf. Jo\u00e3o Paulo II, Carta enc. Evangelium vit\u00e6 (25 de Mar\u00e7o de 1995): AAS 87 (1995), 401-522; Bento XVI, Discurso \u00e0 Pontif\u00edcia Academia para a Vida (27 de Fevereiro de 2006): AAS 98 (2006), 264-265.<br \/>\n231. Cf. Congr. para a Doutrina da F\u00e9, Nota doutrinal sobre algumas quest\u00f5es relativas \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e comportamento dos cat\u00f3licos na vida pol\u00edtica (24 de Novembro de 2002): AAS 95 (2004), 359-370.<br \/>\n232. Cf. Propositio 46.<br \/>\n233. Homilia (24 de Abril de 2005): AAS 97 (2005), 711.<br \/>\n234. Propositio 42.<br \/>\n235. Cf. O mart\u00edrio de Policarpo 15, 1: PG 5, 1039.1042.<br \/>\n236. Santo In\u00e1cio de Antioquia, Ep\u00edstola aos Romanos 4, 1: PG 5, 690.<br \/>\n237. Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, 42.<br \/>\n238. Cf. Propositio 42; Congr. para a Doutrina da F\u00e9, Decl. sobre a unicidade e universalidade salv\u00edfica de Jesus Cristo e da Igreja Dominus Iesus (6 de Agosto de 2000), 13-15: AAS 92 (2000), 754-755.<br \/>\n239. Cf. Propositio 42.<br \/>\n240. Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est (25 de Dezembro de 2005), 18: AAS 98 (2006), 232.<br \/>\n241. Ibid., 14: o.c., 228-229.<br \/>\n242. Durante a assembleia sinodal ouvimos, comovidos, testemunhos muito significativos sobre a efic\u00e1cia deste sacramento na obra de pacifica\u00e7\u00e3o. A tal respeito, afirma-se na Propositio 49: \u00ab Gra\u00e7as \u00e0s celebra\u00e7\u00f5es eucar\u00edsticas, povos em conflito puderam reunir-se ao redor da palavra de Deus, ouvir o seu an\u00fancio prof\u00e9tico da reconcilia\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do perd\u00e3o gratuito, receber a gra\u00e7a da convers\u00e3o que permite a comunh\u00e3o no mesmo p\u00e3o e no mesmo c\u00e1lice \u00bb.<br \/>\n243. Cf. Propositio 48.<br \/>\n244. Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est (25 de Dezembro de 2005), 28: AAS 98 (2006), 239.<br \/>\n245. Propositio 48.<br \/>\n246. Bento XVI, Discurso ao Corpo Diplom\u00e1tico acreditado junto da Santa S\u00e9 (9 de Janeiro de 2006): AAS 98 (2006), 127.<br \/>\n247. Ibid.: o.c., 127.<br \/>\n248. Cf. Propositio 48. A este respeito, revela-se muito \u00fatil o Comp\u00eandio da Doutrina Social da Igreja.<br \/>\n249. Cf. Propositio 43.<br \/>\n250. Cf. Propositio 47.<br \/>\n251. Cf. Propositio 17.<br \/>\n252. Acta ss. Saturnini, Dativi et aliorum plurimorum martyrum in Africa 7, 9, 10: PL 8, 707.709-710.<br \/>\n253. Carta enc. Ecclesia de Eucharistia (17 de Abril de 2003), 53: AAS 95 (2003), 469.<br \/>\n254. Ora\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica I (C\u00e2none Romano).<br \/>\n255. Propositio 50.<br \/>\n256. Cf. Bento XVI, Homilia no 40\u00ba anivers\u00e1rio do encerramento do Conc\u00edlio Vaticano II e solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o (8 de Dezembro de 2005): AAS 98 (2006), 15.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documentos da Igreja<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":181691,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Sacramentum Caritatis - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Sacramentum Caritatis - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Documentos da Igreja\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Vida Crist\u00e3 - Franciscanos\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2011-10-25T13:12:40+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2019-09-05T15:22:25+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/slide1-l.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"273\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"181\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"admin\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"admin\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"165 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/#website\",\"url\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/\",\"name\":\"Vida Crist\u00e3 - Franciscanos\",\"description\":\"Prov\u00edncia Franciscana da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o do Brasil - Ordem dos Frades Menores\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":\"required name=search_term_string\"}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/\",\"url\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/\",\"name\":\"Sacramentum Caritatis - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/#website\"},\"datePublished\":\"2011-10-25T13:12:40+00:00\",\"dateModified\":\"2019-09-05T15:22:25+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/#\/schema\/person\/133632ca93cec555316a35f76ab4153b\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Sacramentum Caritatis\"}]},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/#\/schema\/person\/133632ca93cec555316a35f76ab4153b\",\"name\":\"admin\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8495742d34d0ba6448ea1c628263b3e?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8495742d34d0ba6448ea1c628263b3e?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"admin\"},\"url\":\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/author\/admin\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Sacramentum Caritatis - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"Sacramentum Caritatis - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos","og_description":"Documentos da Igreja","og_url":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/","og_site_name":"Vida Crist\u00e3 - Franciscanos","article_published_time":"2011-10-25T13:12:40+00:00","article_modified_time":"2019-09-05T15:22:25+00:00","og_image":[{"width":273,"height":181,"url":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2011\/10\/slide1-l.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"admin","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"admin","Est. tempo de leitura":"165 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/#website","url":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/","name":"Vida Crist\u00e3 - Franciscanos","description":"Prov\u00edncia Franciscana da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o do Brasil - Ordem dos Frades Menores","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?s={search_term_string}"},"query-input":"required name=search_term_string"}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/","url":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/","name":"Sacramentum Caritatis - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos","isPartOf":{"@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/#website"},"datePublished":"2011-10-25T13:12:40+00:00","dateModified":"2019-09-05T15:22:25+00:00","author":{"@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/#\/schema\/person\/133632ca93cec555316a35f76ab4153b"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sacramentum-caritatis\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Sacramentum Caritatis"}]},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/#\/schema\/person\/133632ca93cec555316a35f76ab4153b","name":"admin","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8495742d34d0ba6448ea1c628263b3e?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/e8495742d34d0ba6448ea1c628263b3e?s=96&d=mm&r=g","caption":"admin"},"url":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/author\/admin\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4248"}],"collection":[{"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4248"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4248\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":181692,"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4248\/revisions\/181692"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/181691"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4248"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4248"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4248"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}