{"id":25326,"date":"2010-09-28T10:57:50","date_gmt":"2010-09-28T13:57:50","guid":{"rendered":"http:\/\/new.franciscanos.org.br\/?p=25326"},"modified":"2020-05-28T11:04:26","modified_gmt":"2020-05-28T14:04:26","slug":"a-espiritualidade-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/a-espiritualidade-do-trabalho\/","title":{"rendered":"A espiritualidade do trabalho"},"content":{"rendered":"<p><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright size-full wp-image-25328\" title=\"3563_290912\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/3563_290912.jpg\" alt=\"\" width=\"256\" height=\"233\" \/>Frei Vit\u00f3rio Mazzuco<\/strong><\/p>\n<p>Cada vez que pensamos a vida nos confrontamos com o seu dinamismo, e o entendemos como um impulso, uma for\u00e7a que move cada ser vivente. A vida n\u00e3o \u00e9 apenas dada ou prometida, mas participada. Este dinamismo \u00e9 absorvido na dimens\u00e3o natural e sobrenatural.<\/p>\n<p>Esta nossa reflex\u00e3o se mede com duas realidades da vida: a atividade humana concentrada na for\u00e7a transformadora do trabalho, e a motiva\u00e7\u00e3o interior que ela necessita. N\u00e3o \u00e9 algo tranq\u00fcilo pensar o sobrenatural presente no mundo do trabalho, sobretudo hoje, mas n\u00e3o podemos negar uma espiritualidade ali presente.<\/p>\n<p><strong>O dinamismo natural do trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Neste ponto n\u00e3o vamos nos alongar, pois qualquer documento de sociologia, de antropologia, de estudos sociais, uma boa an\u00e1lise de conjuntura, nos d\u00e3o uma vis\u00e3o mais precisa e completa. Por\u00e9m devemos elencar algumas caracter\u00edsticas da condi\u00e7\u00e3o atual do trabalho para haver o confronto com o seu significado espiritual.<\/p>\n<p>O que \u00e9 viver o mundo do trabalho e o mundo constru\u00eddo pelo trabalho? Sabemos que vivemos em plena era da produ\u00e7\u00e3o, que \u00e9 preciso uma luta ferrenha para sustentar a pr\u00f3pria vida, garantir alimenta\u00e7\u00e3o, moradia, ter o que vestir e um m\u00ednimo necess\u00e1rio de bem-estar. Todo este processo vai elaborando o conceito de trabalho como sin\u00f4nimo de ganha-p\u00e3o, sustento, luta, subsist\u00eancia, que envolve o humano no seu todo e aparece como atividade psicol\u00f3gica, f\u00edsica, intelectual, planejada, t\u00e9cnica e tecnol\u00f3gica. Hoje, quase retomando a id\u00e9ia dos gregos: \u201co doloroso pre\u00e7o que os deuses cobram pelos bens da vida\u201d.<\/p>\n<p>Se partirmos desta concep\u00e7\u00e3o de trabalho que nos \u00e9 legada pela modernidade, temos uma ocupa\u00e7\u00e3o f\u00edsica exigente, dura, desinstaladora, temos \u201co trabalho como uma atividade f\u00edsica de produ\u00e7\u00e3o que relaciona o humano com as coisas oferecidas pela natureza e transformadas por ele\u201d (1). \u00c9 a a\u00e7\u00e3o de vender a pr\u00f3pria for\u00e7a e a capacidade de trabalhar, e, de um modo geral, nem sempre remunerada justamente por isso. \u00c9 suar gratuitamente para enriquecer uma inst\u00e2ncia superior.<\/p>\n<p>Do trabalho depende a economia e a produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo, atendamos o que diz Jos\u00e9 Comblin: \u201cO trabalho \u00e9 uma atividade que produz bens destinados a serem consumidos para dar satisfa\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades . Est\u00e1 integrado \u00e0 cadeia: necessidades, produ\u00e7\u00e3o, consumo\u201d (2).<\/p>\n<p>O mundo do trabalho \u00e9 o mundo pelo qual a pessoa torna-se a\u00e7\u00e3o. Nele ocupa a totalidade de suas horas, investe toda a sua capacidade racional. A ci\u00eancia e a t\u00e9cnica fazem dele um terreno f\u00e9rtil de investimento. \u201cO mundo do trabalho conquistou a terra toda. Tendeu a englobar o maior n\u00famero poss\u00edvel de trabalhadores: os antigos camponeses e artes\u00e3os, os n\u00f4mades e os ca\u00e7adores, as terras conquistadas e transformadas em col\u00f4nias, os empregados e servidores de todas as esp\u00e9cies, mesmo os soldados, e, em seguida, os indiv\u00edduos na mesma condi\u00e7\u00e3o\u201d(3)<\/p>\n<p>O capitalismo \u00e9 acusado de ser a grande causa da exclusiva condi\u00e7\u00e3o trabalhadora da humanidade, que precisa empenhar a\u00ed a grande parte de seu tempo. O socialismo acabou entrando pelo mesmo caminho, tudo fruto da modernidade que faz o ser\u00a0humano totalmente voltado para a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O trabalho deixou de ser artesanato, deixou de ser arte para tornar-se linha de montagem, produ\u00e7\u00e3o em cadeia. Tudo converge para este campo: educa\u00e7\u00e3o, cultura, religi\u00e3o, hist\u00f3ria. Tudo \u00e9 revolucionado e influenciado por ele, que usa todos os meios para se impor, at\u00e9 a escravid\u00e3o, a viol\u00eancia etc. O trabalho age sobre as leis e os c\u00f3digos, cria o seu direito pr\u00f3prio, o direito de ter vagas, de n\u00e3o haver desemprego, de sindicalizar-se. N\u00e3o existe sindicato mais forte do que o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A ideologia do trabalho \u00e9 t\u00e3o forte que se torna padr\u00e3o de busca: para uma melhor qualifica\u00e7\u00e3o, melhor\u00a0coloca\u00e7\u00e3o, melhor sal\u00e1rio, melhores oportunidades. Isto gera uma experi\u00eancia vital, traz o sentimento de supera\u00e7\u00e3o, de dignidade, d\u00e1 status social, contesta a pregui\u00e7a, aumenta a escala social de valores. Visto por este prisma o trabalho \u00e9 um fator de liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Todavia h\u00e1 o questionamento: o trabalho traz automaticamente a felicidade e realiza\u00e7\u00e3o a todo ser que trabalha? \u00c9 realiza\u00e7\u00e3o existencial ou apenas uma satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades imediatas? Por que os menos favorecidos n\u00e3o podem participar dos bens de produ\u00e7\u00e3o e dos confortos? Os pobres, por exemplo, s\u00e3o exclu\u00eddos do mundo avan\u00e7ado da inform\u00e1tica. Isto tudo provoca uma tens\u00e3o natural e real. Lembramos mais uma vez as palavras de Comblin: \u201cNa Idade M\u00e9dia cantava-se nos campos e nas oficinas. Hoje, muitos oper\u00e1rios consideram seu trabalho como o reino do aborrecimento. Mesmo as classes dirigentes vivem em estado de tens\u00e3o. Todos se queixam da falta de amor, de calor nas rela\u00e7\u00f5es humanas, de comunica\u00e7\u00e3o entre as pessoas, de solid\u00e3o (4)<\/p>\n<p>Por isto devemos olhar este sistema com olhos cr\u00edticos. L\u00e1 onde ele maquiniza, embrutece, escraviza e faz do Humano n\u00e3o irm\u00e3o do cosmos, mas apenas engrenagem de um processo, ali n\u00e3o est\u00e1 sendo um fator de liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O dinamismo sobrenatural do trabalho<\/strong><\/p>\n<p>Este aspecto da reflex\u00e3o \u00e9 que nos remete \u00e0 Espiritualidade do trabalho. Quando dizemos espiritualidade estamos entendendo Vida segundo o Esp\u00edrito, e complementamos com a id\u00e9ia de espiritualidade usada pelo Conc\u00edlio Vaticano II: Forma de Vida, G\u00eanero de Vida, ou Vida Crist\u00e3 em suas mais diversas formas.<\/p>\n<p>O trabalho possui a sua espiritualidade pr\u00f3pria enquanto Projeto de Vida, enquanto relaciona o Humano ao Deus Criador, entrando assim na din\u00e2mica de construir\u00a0e fazer nascer o mundo, sustentando a vida e tecendo rela\u00e7\u00f5es. \u00c9 \u201cinvestimento de Esp\u00edrito na mat\u00e9ria no sentido de transforma\u00e7\u00e3o desta mat\u00e9ria em paisagem humana e fraterna. A B\u00edblia considera o trabalho voca\u00e7\u00e3o terrestre do Ser Humano (Gn 2,15), desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo homens e mulheres destinam-se ao trabalho. \u00c9 participa\u00e7\u00e3o humilde e dolorosa no ato criador de Deus\u201d (5). Trabalhando entra-se mais neste projeto.<\/p>\n<p>Max Weber disse que n\u00e3o existe o Humano se n\u00e3o na a\u00e7\u00e3o de transformar o criado. Esta \u00e9 a causa do desenfreado progresso materialista, entretanto, \u00e9 a provoca\u00e7\u00e3o para a retomada de consci\u00eancia de que todo ser criado \u00e9 uma responsabilidade comum entre Deus e o Ser Humano. O Ser Humano n\u00e3o \u00e9 patr\u00e3o de todo ser criado mas um administrador respons\u00e1vel. Esta concep\u00e7\u00e3o mostra a riqueza espiritual e antropol\u00f3gica que o trabalho possui dentro de seus valores. \u00c9 uma atividade que unifica aspectos estruturantes do ser humano e da sua rela\u00e7\u00e3o com Deus e com o mundo.<\/p>\n<p>Estar bem no mundo \u00e9 amar o mundo. Quem ama cuida, transforma, melhora, d\u00e1 um acabamento \u00edntimo a todas as coisas; esfor\u00e7a-se para aplicar uma energia interna numa realidade externa. Trabalho \u00e9 encontro de potencialidades interiores com as exteriores; todo trabalho \u00e9 obra da intelig\u00eancia e das m\u00e3os. \u00c9 um fazer decisivo para a din\u00e2mica hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Todo este conte\u00fado \u00e9tico-espiritual do trabalho leva tamb\u00e9m a um questionamento: \u201cOs documentos contempor\u00e2neos citam com muita complac\u00eancia os textos do G\u00eanesis que fazem do trabalho uma participa\u00e7\u00e3o na obra criadora de Deus. O G\u00eanesis entra de fato em concord\u00e2ncia com as aspira\u00e7\u00f5es das civiliza\u00e7\u00f5es do trabalho da atualidade: o trabalho transforma o mundo e pela transforma\u00e7\u00e3o do mundo transforma a pr\u00f3pria humanidade. Assim se manifesta o que deveria ser o trabalho. Aquilo \u00e9 a meta, a utopia que procuram os trabalhadores e que lhes permite ver at\u00e9 que ponto eles est\u00e3o frustrados como trabalhadores. Acontece at\u00e9 hoje que muitas das tarefas assumidas nada t\u00eam de transformadoras nem do mundo nem do humano, e n\u00e3o fornecem nenhuma imagem da obra da cria\u00e7\u00e3o de Deus (6).<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode falar do trabalho apenas na perspectiva individual, mas sob a implic\u00e2ncia de toda sociedade humana que se estrutura e se desenvolve gra\u00e7as \u00e0 diversidade de atividades; cada uma deve ser considerada n\u00e3o s\u00f3 em si mesma, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o ao todo. A for\u00e7a de muitos \u00e9 um vigor vital. \u201cA fam\u00edlia humana pouco a pouco se reconhece e se constitui como comunidade do mundo inteiro\u201d(Gaudium et Spes 33).<\/p>\n<p>Melhorar o mundo corresponde ao plano de Deus (GS 34), \u00e9 servi\u00e7o prestado \u00e0 vida. O Conc\u00edlio refor\u00e7a este valor ao afirmar que \u201c\u00e9 de valor maior que as riquezas externas que se podem ajuntar. Tudo o que os homens e mulheres podem fazer para alcan\u00e7ar maior justi\u00e7a, mais ampla fraternidade e uma organiza\u00e7\u00e3o mais humana nas rela\u00e7\u00f5es sociais ultrapassa o valor do progresso t\u00e9cnico. Pois estes progressos podem oferecer como que a mat\u00e9ria para a promo\u00e7\u00e3o humana, mas por si s\u00f3 n\u00e3o a realizam de modo algum\u201d (GS 35).<\/p>\n<p>Um dos documentos mais importantes para a espiritualidade do trabalho \u00e9 a Enc\u00edclica \u201cLaborem Exercens\u201d que afirma que \u201co eixo do ensino social \u00e9 o homem solid\u00e1rio e o seu trabalho. O trabalho \u201cdefine\u201d o homem, mostra o seu ser, sua natureza como pessoa aberta ao mundo pela intelig\u00eancia e pela liberdade, mas dentro de uma comunidade de pessoas; deste modo se revela o ser do homem como imagem de Deus\u201d (7)<\/p>\n<p>A \u201cLaborem Exercens\u201d chama a aten\u00e7\u00e3o para a contribui\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Cristo como modelo, inspira\u00e7\u00e3o e espiritualiza\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho, pois Ele mesmo o exerceu silenciosamente no seu espa\u00e7o familiar e social, usando-o como s\u00edmbolo e conte\u00fado de prega\u00e7\u00e3o do Reino de Deus, e fazendo do pr\u00f3prio an\u00fancio a sua experi\u00eancia de trabalho. Tamb\u00e9m o ap\u00f3stolo Paulo mant\u00e9m o esp\u00edrito de Jesus no seu modo de abordar a comunidade crist\u00e3 primitiva: trabalho como meio de vida, como condi\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio da caridade, como partilha e caminho concreto de profunda identifica\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio Deus (8).<\/p>\n<p>Os documentos de Medell\u00edn e Puebla t\u00eam a preocupa\u00e7\u00e3o de mostrar a primazia da dignidade humana sobre o capital para que o ato de trabalhar seja mais do que uma atividade comum, mas tenha tamb\u00e9m o car\u00e1ter celebrativo: \u201cquem trabalha com reta consci\u00eancia e amor da verdade e da justi\u00e7a v\u00ea no seu trabalho uma doa\u00e7\u00e3o de sua vida. Cristo nos torna capazes de vivificar pelo amor nossa atividade e transformar nosso trabalho e nossa hist\u00f3ria em gesto lit\u00fargico\u201d(Puebla, 213)<\/p>\n<p>As Confer\u00eancias Episcopais n\u00e3o passam indiferentes diante da import\u00e2ncia deste assunto. Em seus documentos e declara\u00e7\u00f5es mostram que um dos conte\u00fados fortes do trabalho \u00e9 ser iluminado a partir da f\u00e9 e com isto atingir os setores mais humildes. Este \u00e9 o n\u00facleo da justi\u00e7a social. \u00c9 o que d\u00e1 um novo valor \u00e0 dimens\u00e3o espiritual do trabalho: \u201cN\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a social sem uma profunda concep\u00e7\u00e3o moral e espiritual do trabalho. Mediante o trabalho o Ser Humano muda a sociedade e melhora as rela\u00e7\u00f5es sociais. \u00c9 voca\u00e7\u00e3o e miss\u00e3o de mudan\u00e7a da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ilustremos com o que diz a Confer\u00eancia Episcopal do Chile: \u201cDeus n\u00e3o pode aben\u00e7oar a realidade de que a pessoa humana vale menos do que o trabalho e que a dignidade humana seja pisoteada. Deus n\u00e3o pode aben\u00e7oar o fato de uma fam\u00edlia viver amontoada em dois c\u00f4modos. Deus n\u00e3o pode aben\u00e7oar uma sociedade onde o dinheiro e o poder valem mais do que os homens. Buscar a gan\u00e2ncia \u00e0s custas da pobreza alheia vai contra toda lei divina, e ser\u00e3o malditos por Deus os que contribuem para criar condi\u00e7\u00f5es humanas injustas\u201d (9).<\/p>\n<p>Trabalhar \u00e9 a atividade do Humano Espiritual comprometido com a realidade e pronto para melhor\u00e1-la, e completar assim a obra redentora. \u00c9 mostrar com o suor do pr\u00f3prio rosto qual \u00e9 o projeto do Reino de Deus agindo no miolo do mundo de produ\u00e7\u00e3o como um sinal de alerta.<\/p>\n<p>Ontem \u00e9ramos chamados a harmonizar dentro da pr\u00f3pria alma a obra grandiosa de Deus; hoje somos chamados a harmonizar a obra grandiosa de Deus l\u00e1 onde existe desarmonia, imperfei\u00e7\u00e3o, injusti\u00e7a, desn\u00edvel social, opress\u00e3o, sendo assim obrigados a ir al\u00e9m do espa\u00e7o limitado da nossa piedade pessoal e acomodada. O mundo do trabalho afasta desta acomoda\u00e7\u00e3o e mostra qual a realidade que precisa ser salva. N\u00e3o \u00e9 uma tarefa tranq\u00fcila e f\u00e1cil. A espiritualidade da Cruz fala alto no mundo do trabalho. Quem mais se empenha mais sofre, quem mais sofre porque ama este empenho com paix\u00e3o e profetismo, mais salva. \u201cA Cruz \u00e9 o s\u00edmbolo do trabalho \u00e1rduo da Evolu\u00e7\u00e3o\u201d(10).<\/p>\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o esgotamos aqui todo o conte\u00fado da espiritualidade do trabalho. Destacamos apenas alguns aspectos para sugerir uma reflex\u00e3o mais aprofundada que pode nascer a partir deste texto. O importante \u00e9 perceber o trabalho como Gra\u00e7a do Senhor, como o dom de ocupar-se, distribuindo vida, vivendo em comunh\u00e3o com o mundo e com a humanidade. \u00c9 o modo de restaurar a harmonia da vida trabalhando o esp\u00edrito e a mat\u00e9ria. Quando trabalhamos realizamos a continuidade da obra criadora de Deus.<br \/>\nO trabalho distingue o humano de todas as criaturas, pois ele realiza no ser humano a liberdade, a raz\u00e3o, e a voca\u00e7\u00e3o original para uma ocupa\u00e7\u00e3o. O humano n\u00e3o existe de um modo est\u00e1tico diante de tudo o que \u00e9, mas \u00e9 no concreto de seu fazer um instrumento de uma Obra Maior.<br \/>\n<span style=\"color: #888888;\">Almeida Cunha , R. I., Desafios do Mundo do Trabalho \u00e0 Vida Religiosa: Inser\u00e7\u00e3o, Forma\u00e7\u00e3o, Trabalho, RJ, CRB, 1987, 36.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #888888;\">Comblin, J., O Tempo da A\u00e7\u00e3o, Ensaio sobre o Esp\u00edrito e a Hist\u00f3ria, Petr\u00f3polis, Vozes, 1982, 224.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #888888;\">Idem, 229.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #888888;\">Idem, 235<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #888888;\">Boff, L., O Destino do Homem e do Mundo, Petr\u00f3polis, Vozes, 1973, 44-45.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #888888;\">Comblin J., Antropologia Crist\u00e3, A Liberta\u00e7\u00e3o na Hist\u00f3ria \u2013 III, Petr\u00f3polis, Vozes, 1985, 173-181.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #888888;\">Antoncich, R. \u2013 M. Sans, J. M, Ensino Social da Igreja, A Igreja, Sacramento de Liberta\u00e7\u00e3o, IV, Petr\u00f3polis, Vozes, 1987, 103-111.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #888888;\">Idem, 112<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #888888;\">Idem, 129-134<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #888888;\">T. de Chardin, L avie Cosmique, in \u00c9crits du temps de la guerre, Paris, 1965, 6-61.\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Frei Vitorio Mazzuco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":184865,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[203],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A espiritualidade do trabalho - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/a-espiritualidade-do-trabalho\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A espiritualidade do trabalho - 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