{"id":193979,"date":"2023-11-01T14:03:02","date_gmt":"2023-11-01T17:03:02","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=193979"},"modified":"2023-11-01T14:04:36","modified_gmt":"2023-11-01T17:04:36","slug":"a-morte-e-o-luto-apos-uma-vida-bem-aventurada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/a-morte-e-o-luto-apos-uma-vida-bem-aventurada\/","title":{"rendered":"A morte e o luto, ap\u00f3s uma vida bem-aventurada!"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_193980\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-193980\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-193980 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/finados.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/finados.jpg 840w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/finados-450x241.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/finados-768x411.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/finados-150x80.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><p id=\"caption-attachment-193980\" class=\"wp-caption-text\"><em>Imagem: Acervo da Prov\u00edncia da Imculada<\/em><\/p><\/div>\n<h3><strong>E a morte na guerra, na Terra Santa?<\/strong><\/h3>\n<p><strong>(MT 5,1-12)<\/strong><\/p>\n<p><em>Frei Jacir de Freitas Faria<\/em> <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>O Dia de Finados \u00e9 sempre um tempo prop\u00edcio para pensar sobre a morte, os mortos e o luto. Depois de uma vida bem-aventurada, chegaremos todos \u00e0 Morada Celeste. O texto inspirador de nossa reflex\u00e3o \u00e9 o das bem-aventuran\u00e7as de Mt 5,1-12.<\/p>\n<p>A morte faz parte de condi\u00e7\u00e3o humana. Ser um bem-aventurado \u00e9 um estar a caminho. Por que morremos? Quem j\u00e1 n\u00e3o sofreu com a morte de um amor, de um pai, de uma m\u00e3e, de um parente ou de um amigo? S\u00f3 quem passou por isso sabe o quanto d\u00f3i. Eu vivi intensamente essa dor, com a P\u00e1scoa de meus pais. E a guerra que mata inocentes no conflito entre Hamas (Palestina) e Sionistas (Israel)? Esse tipo de morte tamb\u00e9m merece nossa reflex\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OhKK8fX9zn8?si=Qi8kEqTiPpomB51c\" width=\"100%\" height=\"500\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><span data-mce-type=\"bookmark\" style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" class=\"mce_SELRES_start\">\ufeff<\/span><\/iframe><\/p>\n<p>No passado, a morte era celebrada com intensidade. Nas casas, o falecido estava rodeado dos parentes. Na \u00faltima agonia, uma vela era colocada nas m\u00e3os do falecido, da\u00ed a express\u00e3o vel\u00f3rio \u00e0 luz de velas. Os familiares expressam o sofrimento por meio roupas pretas ou tarjas pretas na roupa. O caix\u00e3o era produzido pelos familiares. O tempo passou, surgiram as funer\u00e1rias para preparar o corpo no caix\u00e3o. A morte passou a ocorrer nos hospitais, nos Centro de Tratamento Intensivo (CTI). O falecido \u00e9 velado em vel\u00f3rios p\u00fablicos. O enterro \u00e9 r\u00e1pido. Parece que o morto perdeu sua dignidade e deve ser esquecido logo. \u00c9 a vida p\u00f3s-moderna!<\/p>\n<p>J\u00e1 as mortes no Oriente M\u00e9dio v\u00eam de longa data. Ela tem ra\u00edzes b\u00edblicas na vida de povos descendentes da Abra\u00e3o: judeus, palestinos e \u00e1rabes. Esse conflito entre Israel e Palestina revela a heran\u00e7a do pensamento b\u00edblico de que se pode matar em nome do Sagrado. Guerra \u00e9 fruto da viol\u00eancia humana. A viol\u00eancia gera viol\u00eancia. Outros terroristas surgem. Outros violentos matam. O Hamas e Israel est\u00e3o agindo com viol\u00eancia. Em ambos os lados t\u00eam surgido grupos radicais religiosos judaicos e mu\u00e7ulmanos. A atitude terrorista do Hamas \u00e9 indefens\u00e1vel e inadmiss\u00edvel. O Hamas n\u00e3o representa o pensamento da grande maioria do povo palestino. O sionismo do atual governo de Israel \u00e9 uma doutrina racista de supremacia judaica que coloniza tirando as terras dos palestinos destinada \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Estado da Palestina. <a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> O sionismo foi movimento iniciado no final do sec. XIX, por Theodor Herzl com o objetivo de ter uma p\u00e1tria para os judeus dispersos pelo mundo. A Palestina, ocupada por \u00e1rabes, foi escolhida, em 1897, no Congresso Sionista.<\/p>\n<p>O nazismo cercou os judeus em campos de concentra\u00e7\u00e3o e os matou. Uma barb\u00e1rie! O hoje do Israel sionista, repete a cena, ao cercar os palestinos em Bel\u00e9m e na Faixa de Gaza, Israel e Hamas matam. Triste sina da terra, onde o palestino Jesus de Nazar\u00e9 nasceu.<\/p>\n<p>Ele que nos ensinou a viver em paz, a ser um bem-aventurado, a estar em marcha pela paz. Ele ensinou: \u201cEm marcha os que t\u00eam sede e fome de justi\u00e7a, porque ser\u00e3o saciados. Em marcha os que lutam pela paz!\u201d Continuem lutando, mas sem a arma que mata, sem a guerra.<\/p>\n<p>Quem est\u00e1 em marcha \u00e9 um bem-aventurado, pois est\u00e1 no caminho. O caminho \u00e9 sempre uma marcha que n\u00e3o para nunca. O caminho se faz caminhando, dizem os poetas. A vida \u00e9 sempre uma marcha. Ai de n\u00f3s se n\u00e3o soubermos caminhar para o Bem. Ai daqueles que perdem o bonde da hist\u00f3ria. Tudo passa r\u00e1pido. O que \u00e9 hoje, amanh\u00e3 n\u00e3o ser\u00e1! Nessa perspectiva, reflitamos sobre a morte natural, o luto e a vida p\u00f3s-morte.<\/p>\n<p>A morte faz parte da condi\u00e7\u00e3o humana, embora que, em tempos p\u00f3s-modernos, n\u00f3s a ignoramos. <a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> Quando ela chega, os cora\u00e7\u00f5es dos vivos dilaceram numa dor que parece ser intermin\u00e1vel. Bate no peito, a cada segundo, o desejo incomensur\u00e1vel de ver quem amamos, mesmo sabendo que no espa\u00e7o, no tempo f\u00edsico, na vida terrena, isso nunca mais ser\u00e1 poss\u00edvel.<\/p>\n<p>No jogo da vida, as cartas mudam de posi\u00e7\u00e3o. Os mortos, contemplando a Deus, nos veem de outra forma, em outro tempo, em outro modo de amar<strong>. <\/strong>Para os mortos, o nosso tempo deixa de existir. J\u00e1 o tempo dos vivos se resume em viver a dor do luto. Passar pelo luto para romper o tempo da morte.<\/p>\n<p>O luto \u00e9 uma experi\u00eancia forte para muitos de n\u00f3s! O entardecer de um enlutado \u00e9 uma dor do\u00edda. E como eu senti isso. Quando o dia se fecha nas suas energias vitais, uma dor s\u00fabita chega sempre com um vigor inexplic\u00e1vel. E como d\u00f3i saber que n\u00e3o h\u00e1 o que fazer, a n\u00e3o ser sentir a dor e canaliz\u00e1-la para a mem\u00f3ria do falecido, rezar e seguir a faina do dia que parece declinar como a morte. Quem sabe o dia seguinte ser\u00e1 diferente? N\u00e3o! N\u00e3o ser\u00e1, pelo menos nos primeiros dias, semanas e meses. Quando o outro dia amanhece, a dor \u00e9 a mesma. Tudo gira em torno do tr\u00e1gico da vida, e perguntas sem fim acompanham o dia a dia: Por que isso est\u00e1 acontecendo comigo? Por que eu n\u00e3o agi desse ou daquele modo? Por que eu me descuidei na assist\u00eancia devida? Por que eu n\u00e3o amei mais? Os porqu\u00eas se tornam infinitos. Nada de resposta convincente, mas apenas possibilidades que n\u00e3o s\u00e3o mais pass\u00edveis de realiza\u00e7\u00e3o. Tudo passa, e o que podia ter feito n\u00e3o mais poder\u00e1 ser realizado. Eu podia ter amado mais, mas n\u00e3o amei. Eu podia, mas n\u00e3o posso mais. Agora, tudo \u00e9 passado. E como d\u00f3i perguntar sem poder voltar ao t\u00fanel do tempo. Todos n\u00f3s devemos encontrar o seu modo para fechar o luto. Caso contr\u00e1rio, adoecemos e morremos, ainda que permane\u00e7amos vivos. Entra em depress\u00e3o, pois fica o tempo todo buscando a felicidade onde ela n\u00e3o mais existe, no \u201camor\u201d de sua vida que j\u00e1 foi embora. O falecido n\u00e3o mais vai resolver os meus problemas, ele n\u00e3o mais vai completar o dia, as horas de solid\u00e3o, o recarregar as energias. Fechei o luto por minha m\u00e3e com f\u00e9 e escrevendo a minha experi\u00eancia de enlutado.<\/p>\n<p>Fechar o luto com f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o para se abrir ao amor de quem partiu, de modo que o amor dele permane\u00e7a unido a n\u00f3s como teias de fios que se entrela\u00e7am, invisivelmente, na eternidade do tempo; como uma borboleta que sai do casulo\/corpo, que nos unia fisicamente, para estar em todos os espa\u00e7os e tempo, espalhando o amor. O olhar de quem morre atravessa o tempo e o espa\u00e7o, pois eles pertencem ao tempo de Deus.<\/p>\n<p>Com o tempo, a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o humana se encarrega de amenizar a dor, mas libertar-se dela \u00e9 imposs\u00edvel.\u00a0 A dor transforma-se em saudade, em mem\u00f3rias de um bom tempo vivido. O ainda vivente parece conversar com o falecido, estreitar la\u00e7os que nunca foram alinhados. Lembran\u00e7as de um tempo que j\u00e1 passou e n\u00e3o volta mais. Lembran\u00e7as! Somente lembran\u00e7as! E nada mais! Com a morte, o falecido devolve a Deus o dom da vida recebido dele. Para n\u00f3s, resta seguir o caminho das flores que oferecemos aos nossos mortos. Flores de amor eterno que transformam nossas l\u00e1grimas em altares de morte\/vida\/ressurrei\u00e7\u00e3o na eternidade no tempo, no amor e no perd\u00e3o.<\/p>\n<p>A vida \u00e9 uma viagem de trem no t\u00fanel do tempo cronol\u00f3gico. Viajamos em comboio, vag\u00f5es da vida se entrela\u00e7am em uma \u00fanica corrente, em destinos variados, mas todos chegam \u00e0 esta\u00e7\u00e3o final. No entanto, no decorrer do existir, na viagem de nossas vidas, os lugares v\u00e3o sendo ocupados com esposo(a), filhos(as), amigos(as), parentes e por aqueles que n\u00e3o conhecemos.<\/p>\n<p>No decorrer da vida, por circunst\u00e2ncias diversas, os amores mudam, conhecidos v\u00e3o mudando de vag\u00e3o, mas seguem a viagem. Outros deixam de ser amigos e mudam de vag\u00e3o. Uns viajam ao nosso lado e nem nos damos conta. Assim parece ser a vida at\u00e9 o dia em que os amores verdadeiros descem definitivamente para nunca mais embarcarem: m\u00e3e, pai, filho(a), esposa(o). Eles descem do \u201ctrem\u201d da vida. O comboio segue. A vida continua e n\u00e3o h\u00e1 mais nada a fazer, a n\u00e3o ser conviver com a dor da partida, aceitar a morte dos outros e esperar a pr\u00f3pria morte, aumentar a f\u00e9 e pedir a Deus que nos conforte. Seguir a viagem, apesar do sofrimento, com a mesma f\u00e9 e a esperan\u00e7a de reencontrar nossos mortos na eternidade que n\u00e3o passa, no encontro definitivo com Deus, no Amor e sem sofrimentos.<\/p>\n<p>A morte! A morte faz parte da finitude de nossa vida. A vida \u00e9 uma arte, um eterno rod\u00edzio do nascer e morrer. Uns v\u00e3o e outro v\u00eam. E a vida continua o seu curso. A morte, no entanto, \u00e9 o princ\u00edpio de sabedoria para quem entendeu o seu sentido. Entenda isso, e a dor da morte natural vai ser mais amena, vai passar. Receba-a como irm\u00e3 morte, como ensinou S\u00e3o Francisco de Assim. No entanto, na marcha da vida, nunca diga sim \u00e0 morte que vem das guerras. E ser\u00e1s um bem-aventurado!<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Doutor em Teologia B\u00edblica pela FAJE (BH). Mestre em Ci\u00eancias B\u00edblicas (Exegese) pelo Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico de Roma. Professor de Exegese B\u00edblica. \u00c9 membro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisa B\u00edblica (ABIB). Sacerdote Franciscano. Autor de dez livros e coautor de quinze. Youtube: Frei Jacir B\u00edblia e Ap\u00f3crifos. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCwbSE97jnR6jQwHRigX1KlQ\">https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCwbSE97jnR6jQwHRigX1KlQ<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Confira a nossa aula sobre o porqu\u00ea desse conflito Hamas (Palestina) e Sionista (Israel) no nosso canal <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wi21XWDbuec&amp;t=553s\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wi21XWDbuec&amp;t=553s<\/a> B\u00edblia e ap\u00f3crifos com Frei Jacir<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Para compreender o sentido da morte, permita-me sugerir o meu livro: FARIA, Jacir de Freitas. <strong>O Medo do Inferno e a arte de bem morrer:<\/strong> da devo\u00e7\u00e3o ap\u00f3crifa \u00e0 Dormi\u00e7\u00e3o de Maria \u00e0s irmandades de Nossa Senhora da Boa Morte. Petr\u00f3polis: Vozes, 2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Frei Jacir de Freitas Faria<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":193980,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[43],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A morte e o luto, ap\u00f3s uma vida bem-aventurada! - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/a-morte-e-o-luto-apos-uma-vida-bem-aventurada\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A morte e o luto, ap\u00f3s uma vida bem-aventurada! 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