{"id":193973,"date":"2023-10-31T11:23:01","date_gmt":"2023-10-31T14:23:01","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=193973"},"modified":"2023-10-31T11:27:18","modified_gmt":"2023-10-31T14:27:18","slug":"o-porque-da-guerra-entre-o-hamas-palestina-e-sionistas-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/o-porque-da-guerra-entre-o-hamas-palestina-e-sionistas-israel\/","title":{"rendered":"O porqu\u00ea da guerra entre o Hamas (Palestina) e Sionistas (Israel)!"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_193974\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-193974\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-193974 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/abraao_3110.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/abraao_3110.jpg 840w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/abraao_3110-450x241.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/abraao_3110-768x411.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/abraao_3110-150x80.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><p id=\"caption-attachment-193974\" class=\"wp-caption-text\"><em>&#8220;A partida de Abra\u00e3o&#8221;, de Jozsef Molnar (+1899), imagem auto-digitalizada. Wikip\u00e9dia (dom\u00ednio p\u00fablico) <\/em><\/p><\/div>\n<p><strong>Luta por terra e poder desde os tempos b\u00edblicos at\u00e9 os nossos dias! <\/strong><\/p>\n<p><em>Prof. Dr. Frei Jacir de Freitas Faria, OFM<\/em> <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>O mundo assiste at\u00f4nito ao conflito na Terra Santa entre Hamas e Israel. Judeus versus \u00e1rabes. Israel versus Palestina. Hamas versus Sionistas. Essa luta n\u00e3o \u00e9 nova. Ela tem ra\u00edzes b\u00edblicas, ainda que a motiva\u00e7\u00e3o do enfrentamento atual diga respeito aos conflitos estabelecidos nos \u00faltimos cem anos por causa da decis\u00e3o de judeus espalhados pelo mundo, sob a lideran\u00e7a inicial de Theodor Herzl, no fim do s\u00e9culo XIX, de criar um estado judeu no Oriente M\u00e9dio, na Palestina, ocupada \u00e0 \u00e9poca por \u00e1rabes mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>Por que judeus e palestinos n\u00e3o se entendem na regi\u00e3o onde Deus escolheu um povo, fez alian\u00e7a com eles e lhes prometeu uma terra; assim como enviou seu Filho Primog\u00eanito, Jesus de Nazar\u00e9, como o Messias esperado? Jesus, o judeu de religi\u00e3o e palestino, de nacionalidade.<\/p>\n<p>Para entender essa sangrenta guerra, que mata inocentes de ambos os lados, \u00e9 importante compreender a quest\u00e3o geogr\u00e1fica de judeus e palestinos, bem como a hist\u00f3ria de sucessivas lutas por terra, desde os tempos b\u00edblicos de Abra\u00e3o, o pai na f\u00e9 de judeus, crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, at\u00e9 os nossos dias. Voc\u00ea ter\u00e1 oportunidade de compreender os meandros hist\u00f3ricos, pol\u00edticos e religiosos desse conflito.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/wi21XWDbuec?si=2Eu5erT0Q6zHAjgd\" width=\"100%\" height=\"500\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><span data-mce-type=\"bookmark\" style=\"display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;\" class=\"mce_SELRES_start\">\ufeff<\/span><\/iframe><\/p>\n<p>Quem, de fato, \u00e9 o dono dessas terras? Quais interesses internacionais sustentam essa revolta? A regi\u00e3o \u00e9 marcada por disputas hist\u00f3ricas entre hebreus, filisteus e cananeus, povos dos quais surgiram palestinos, judeus e \u00e1rabes. Trata-se de uma luta para conquistar o territ\u00f3rio b\u00edblico perdido pelos descendentes desses grupos.<\/p>\n<p>O componente religioso desse conflito torna-se importante, quando o lemos na perspectiva de Israel e Palestina b\u00edblicos, com o objetivo de compreender os \u00faltimos cem anos de guerra entre Israel e \u00e1rabes, quando o fator pol\u00edtico laical passa a ser preponderante no movimento sionista de Theodor Herzl.<\/p>\n<p>Iniciemos a nossa an\u00e1lise situando o estado de Israel e os territ\u00f3rios palestinos.<\/p>\n<h3><strong>\u00a0<\/strong><strong>Estado de Israel<\/strong><\/h3>\n<p>A primeira quest\u00e3o da qual devemos tomar ci\u00eancia \u00e9 de que existe o Estado de Israel e territ\u00f3rios palestinos dentro desse estado. Proposto pela ONU no dia 29 de novembro de 1947, e proclamado estado independente por David Ben Gurion, no dia 14 de maio de 1948, Israel est\u00e1 situado na parte baixa do mar Mediterr\u00e2neo, e tem apenas 20.770 km\u00b2. Considerando Jerusal\u00e9m Oriental, as colinas de Golan e o territ\u00f3rio da Cisjord\u00e2nia, ele chega a 27.779 km\u00b2.<\/p>\n<p>Sua localiza\u00e7\u00e3o, desde os tempos antigos, \u00e9 estrat\u00e9gica, pois est\u00e1 situado entre os continentes africano e asi\u00e1tico, tendo divisa ao norte com o L\u00edbano, e ao sul, com o Egito; a leste com Jord\u00e2nia e ao nordeste com a S\u00edria. De norte a sul, Israel n\u00e3o passa de 500 km e de largura (do Mar Morto a Tel-Aviv), 100 km. Israel se situa propriamente dito no Oriente Pr\u00f3ximo. As maiores cidades de Israel s\u00e3o Tel-Aviv, Jerusal\u00e9m e Nazar\u00e9. Israel \u00e9 uma rep\u00fablica democr\u00e1tica parlamentar. Israel \u00e9, hoje, um pa\u00eds com grande desenvolvimento econ\u00f4mico, b\u00e9lico e cient\u00edfico.<\/p>\n<p>O estado de Israel n\u00e3o \u00e9 regido pela religi\u00e3o judaica, mas pela pol\u00edtica de governo democr\u00e1tico parlamentar. Israel \u00e9, na verdade, um estado judeu racial com v\u00e1rias etnias, formado por \u00e1rabes mu\u00e7ulmanos, drusos e crist\u00e3os. Veremos, mais adiante, como isso se configurou ao longo da pol\u00edtica sionista em Israel.<\/p>\n<h3><strong>Territ\u00f3rio Palestino<\/strong><\/h3>\n<p>Com a cria\u00e7\u00e3o do estado de Israel, mais de um milh\u00e3o de palestinos foram expulsos da regi\u00e3o. Os palestinos ainda ficaram ocupando regi\u00f5es que v\u00e3o desde as cidades de Tersa a Hebron, e a Faixa de Gaza. Palestina hoje s\u00e3o as treze \u00e1reas dentro do Estado de Israel pertencentes aos mu\u00e7ulmanos e crist\u00e3os palestinos, dentre elas: Bel\u00e9m, Jeric\u00f3, Faixa de Gaza e parte da Samaria. Os palestinos dizem que eles eram os cananeus que viviam na regi\u00e3o, quando Josu\u00e9, vindo do Egito, ocupou a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A Palestina n\u00e3o tem, atualmente, um governo centralizado, mas uma autoridade Palestina, que, infelizmente, fica muito a desejar em quest\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e trabalho. Israel, por sua vez, n\u00e3o deixa a autoridade Palestina atuar.<\/p>\n<p>Atualmente, os palestinos est\u00e3o confinados em \u00e1reas e em constantes conflitos com os judeus. H\u00e1 um muro cercando a cidade de Bel\u00e9m. A regi\u00e3o dos palestinos de Jerusal\u00e9m \u00e9 marcada pela mis\u00e9ria, como exemplo, Bet\u00e2nia. Em certas regi\u00f5es, os palestinos gozam de direitos da cidadania judaica, em outras, passam fome. S\u00e3o vis\u00edveis, na regi\u00e3o, a riqueza do estado judaico e a pobreza dos palestinos. Por outro lado, atualmente, Israel trouxe grande desenvolvimento econ\u00f4mico para a regi\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>\u00a0<\/strong><strong>No in\u00edcio era Abra\u00e3o e a terra de Cana\u00e3 <\/strong><\/h3>\n<p>A luta por terra na regi\u00e3o \u00e9 antiga.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> Abra\u00e3o chega e domina Cana\u00e3 (1850 a.E.C.). Muitos morrem na conquista da terra. Abra\u00e3o \u00e9 o pai de judeus, crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos, a partir de suas descend\u00eancias com Sara (Isaac) e Agar (Ismael). Na origem de judeus e palestinos est\u00e1 figura de Abra\u00e3o.<\/p>\n<p>A fome e a peste levaram o povo de Deus a se estabelecer no Egito. No in\u00edcio, foram bem acolhidos, por causa da lideran\u00e7a de Jos\u00e9, o filho predileto do Patriarca Jac\u00f3, que tinha dado nome ao povo, depois de uma luta com Deus.<\/p>\n<p>Israel significa \u201chomem forte que lutou com Deus\u201d (Gn 32,29). Ap\u00f3s quatrocentos anos de opress\u00e3o, o povo judeu se liberta da opress\u00e3o dos fara\u00f3s do Egito. Mois\u00e9s organiza a sa\u00edda. Com sua morte no deserto, seu sucessor, Josu\u00e9 retoma a terra de Cana\u00e3, depois de muitas guerras com a popula\u00e7\u00e3o local que havia ocupado a terra que Deus havia dado aos seus pais. O povo vive em paz por 200 anos, mas pede um rei, como o Egito.<\/p>\n<h3><strong>Com reis, um pa\u00eds unificado e dividido: Israel e Jud\u00e1<\/strong><\/h3>\n<p>Com os Reis Davi (1010-970 a.E.C.) e Salom\u00e3o (970-930 a.E.C.) nasce o pa\u00eds da promessa: povo escolhido por Deus, que lhe d\u00e1 uma terra e com ele faz uma alian\u00e7a eterna de fidelidade.<\/p>\n<p>O mau governo de Salom\u00e3o causa a divis\u00e3o do povo em Norte e Sul. O norte recebeu o nome de Israel e o Sul, de Jud\u00e1. O dom\u00ednio da Ass\u00edria, por volta de 722 a.E.C., ocupa a regi\u00e3o. Muitos migram para o sul, em Jud\u00e1, que continuar\u00e1 com independ\u00eancia at\u00e9 597 a.E.C. quando a Babil\u00f4nia (atual Iraque) destr\u00f3i Jerusal\u00e9m e leva cativos a lideran\u00e7as judaicas para Babel, sua capital, ocorrendo a primeira Di\u00e1spora (dispers\u00e3o do povo judeu). Quando os persas (atual Ir\u00e3) domina a Babil\u00f4nia, os judeus voltam para a regi\u00e3o com o apoio dos persas e iniciam a reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Muitos morrem numa luta por terra.<\/p>\n<h3><strong>Gregos e romanos dominam a regi\u00e3o, a qual passa a ser chamada de Palestina<\/strong><\/h3>\n<p>Posteriormente, os gregos dominam os persas, em 333 a.E.C., com Alexandre Magno. Na regi\u00e3o, os romanos dominam os gregos em 69 a.E.C. A regi\u00e3o recebe o nome de Palestina, por causa dos Filisteus, chamados de povos do mar. Eles habitavam a Mesopot\u00e2mia e chegaram pelo mar \u00e0 Palestina. Os romanos mantiveram o nome para regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No ano 70 E.C., por causa da revolta judaica contra Roma, sob a tutela de Tito, Jerusal\u00e9m e o Templo s\u00e3o destru\u00eddos pelos romanos. Foi um golpe fatal para os judeus, que viram sua Jerusal\u00e9m sagrada se transformar em uma cidade pag\u00e3, bem como foram dispersos para v\u00e1rias regi\u00f5es. Trata-se da segunda Di\u00e1spora (dispers\u00e3o) do povo judeu.<\/p>\n<p>O juda\u00edsmo subsistiu atrav\u00e9s da corrente farisaica, liderada pelo Rabino Akiba.\u201d<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> Mais tarde, em 132 E.C., outra lideran\u00e7a judaica surgiu no meio do povo, Bar Kochba, que liderou uma revolta, logo sufocada por Roma. Ap\u00f3s esse fato, Jerusal\u00e9m foi novamente reconstru\u00edda pelo imperador Adriano, recebendo o nome de A\u00e9lia Capitolina. Os judeus foram proibidos de permanecer na cidade. Muitos deles fugiram para o Egito e Oriente, passando a ser chamados de judeus da Di\u00e1spora. Muitos outros foram escravizados ou levados para Roma.<\/p>\n<h3><strong>O imp\u00e9rio romano bizantino no Oriente: crist\u00e3os ocupam as terras <\/strong><\/h3>\n<p>Com a persegui\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os no Imp\u00e9rio Romano, nos s\u00e9culos seguinte, a regi\u00e3o ficou sem a presen\u00e7a de judeus e crist\u00e3os. No entanto, quando o imp\u00e9rio romano assume o cristianismo como religi\u00e3o do estado, com o imperador Constantino, filho de Santa Helena, o cristianismo chega \u00e0 Terra Santa. Nasce o dom\u00ednio bizantino (330-630). O imp\u00e9rio romano expande para o oriente, passando a ser chamado de imp\u00e9rio romano no oriente ou imp\u00e9rio bizantino, em homenagem \u00e0 cidade de sua sede, Biz\u00e2ncio, mais tarde, Constantinopla, hoje, Istambul, na Turquia. A Terra Santa passa a ter a sua vida pol\u00edtica e religiosa controlada pelos bizantinos. Igrejas s\u00e3o constru\u00eddas. Desenvolve-se a arte bizantina na regi\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Com Maom\u00e9 nasce o islamismo que domina os crist\u00e3os da regi\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Com o nascimento da religi\u00e3o isl\u00e2mica com Maom\u00e9, nascido em 570 E.C., recebe em 610 da E.C., num retiro, uma mensagem divina por meio de uma vis\u00e3o, na qual o anjo Gabriel lhe revela a sua miss\u00e3o prof\u00e9tica de pregar a todos.\u00a0 Maom\u00e9 se intitulava pregador das palavras de Deus e portador das mensagens de Deus para a humanidade. Mensagens essas que se basearam na f\u00e9 em um \u00fanico Deus, na ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos e na felicidade eterna.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a> Maom\u00e9 morre em 632, na cidade de Meca, para onde voltara com poderes em 630. Com a sua morte, o islamismo se imp\u00f5e definitivamente como religi\u00e3o universal. Em 614 a.E.C., os \u00e1rabes j\u00e1 haviam invadido cidades e implantado o islamismo desde a Ar\u00e1bia at\u00e9 a P\u00e9rsia. Jerusal\u00e9m foi conquistada pelos califas e ali estes se estabeleceram com mesquitas e pal\u00e1cio. Os crist\u00e3os foram perseguidos na Terra Santa.<\/p>\n<h3><strong>As Cruzadas reconquistam a Terra Santa para os crist\u00e3os<\/strong><\/h3>\n<p>Mu\u00e7ulmanos dominam a Terra Santa at\u00e9 o dia em que surgiram as Cruzadas (1099-1291 E.C.). Elas nasceram com o objetivo de garantir a salva\u00e7\u00e3o para quem delas participasse, por meio de indulg\u00eancias, e de resgatar dos mu\u00e7ulmanos os lugares santos para a Igreja. O Papa Urbano II, no Conc\u00edlio de Clermont, na Fran\u00e7a, em 1095, conclamou os crist\u00e3os a retomarem os lugares santos. Nesse prop\u00f3sito, interesses particulares, pol\u00edticos e religiosos se misturaram. Ao chamado papal se alistaram 100.000 pessoas, as quais partiram para Jerusal\u00e9m sob a lideran\u00e7a de <em>Godofredo de Bouillon<\/em>. Sete cruzadas foram realizadas. Somente a primeira chegou \u00e0 Palestina. Elas dominaram o norte da \u00c1frica, a Palestina e a S\u00edria. Chegaram a ter quatro reis. Alguns deles est\u00e3o sepultados no Santo Sepulcro, em Jerusal\u00e9m. Dessa organiza\u00e7\u00e3o surgiram v\u00e1rias ordens, como a de Malta, a dos Templ\u00e1rios e a do Santo Sepulcro.<\/p>\n<p>Os cruzados, representantes da Igreja poderosa das armas do ocidente, deixaram suas marcas indel\u00e9veis na Terra Santa, vindo a cognominar os cat\u00f3licos romanos da regi\u00e3o de Igreja Latina, o que permanece at\u00e9 os nossos dias. Ainda hoje, Jerusal\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma diocese, mas o patriarcado latino da igreja romana. Os cruzados prepararam a Terra Santa para receber os peregrinos.<\/p>\n<p>Os enviados foram revestidos de um manto, receberam uma espada e uma cruz, da\u00ed o nome cruzados. Cruzando desertos e perigos, peregrinando em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra Santa, eles a\u00ed chegaram e constru\u00edram castelos e fortalezas, refizeram santu\u00e1rios destru\u00eddos e constru\u00edram outros. Em todos os lugares, os cruzados tinham monges e religiosos para acolher os peregrinos. Em 1187, o sult\u00e3o Saladino reconquistou Jerusal\u00e9m para os mu\u00e7ulmanos. Outras cruzadas surgiram para enfrent\u00e1-lo. Esse permitiu que somente os crist\u00e3os pudessem entrar em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<h3><strong>A dinastia mu\u00e7ulmana dos Mamelucos domina a Terra Santa<\/strong><\/h3>\n<p>Outra etapa de domina\u00e7\u00e3o surge na regi\u00e3o com os mamelucos (1250-1516 E.C). Os mamelucos formavam a dinastia mu\u00e7ulmana do Egito. A tomada da Terra Santa se deu pela ocupa\u00e7\u00e3o de Akko, no norte de Israel, pelos turcos, em 1291. A Terra Santa, com o fim das cruzadas, passou para o controle dos mamelucos, que n\u00e3o se interessaram muito pela regi\u00e3o. Esses foram permissivos para com os crist\u00e3os. Foi nesse per\u00edodo que come\u00e7ou a pr\u00e1tica entre os crist\u00e3os de fazer uma coleta para a Terra Santa, com o objetivo de manter e conservar os lugares santos. Assim, com a ajuda dos crist\u00e3os do mundo inteiro, os lugares santos foram sendo comprados e repassados aos franciscanos.<\/p>\n<h3><strong>Os turcos otomanos dominam a Terra Santa<\/strong><\/h3>\n<p>Os turcos otomanos venceram os mamelucos, conquistaram Constantinopla, mudando o seu nome para Istambul. Os otomanos constru\u00edram as portas e muralhas de Jerusal\u00e9m, as quais permanecem em nossos dias. O imp\u00e9rio Otomano dominou por muitos s\u00e9culos o Oriente M\u00e9dio (1516 a 1917). Com o seu fim, durante a Primeira Guerra Mundial, a regi\u00e3o ficou dividida entre ingleses (Kuwait, Iraque, Jord\u00e2nia e Palestina) e franceses (L\u00edbano e S\u00edria).<\/p>\n<h3><strong>Os ingleses expulsam os \u00e1rabes e dominam a regi\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Os ingleses, em uma guerra travada em Meguido, expulsaram os turcos da Terra Santa. Era a \u00e9poca da Primeira Guerra Mundial (1917). Os turcos eram aliados aos alem\u00e3es. Os \u00e1rabes, aos ingleses. Os \u00e1rabes esperavam retomar o governo da Terra Santa. Os ingleses, por interesses econ\u00f4micos, a\u00ed permaneceram at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel, ocorrida no dia 18 de julho de 1948. Em 1923, os ingleses j\u00e1 haviam reconhecido a Transjord\u00e2nia como um emirado \u00e1rabe aut\u00f4nomo, tendo Am\u00e3 como capital.<\/p>\n<h3><strong>O sionismo e o estado Judeu na Palestina<\/strong><\/h3>\n<p>No final do s\u00e9culo XIX, surge na hist\u00f3ria de Israel um personagem que muito contribuiria para o surgimento do estado de Israel. Trata-se do jornalista h\u00fangaro Theodor Herzl. Ele fundou, em 1892, o movimento sionista, em refer\u00eancia ao monte Si\u00e3o, onde est\u00e1 situada a Jerusal\u00e9m b\u00edblica, mais precisamente o templo de Salom\u00e3o, constru\u00eddo no IX a.E.C.<\/p>\n<p>Herzel escreveu o livro \u201cO Estado Judeu\u201d, no qual defende a ideia de se criar um estado judeu, um lar para abrigar os judeus dispersos pelo mundo, na segunda Di\u00e1spora. Muitos judeus se sentiram atra\u00eddos pela teoria de Theodor Herzl, visto que eles sofriam com o antissemitismo.<\/p>\n<p>Na inspira\u00e7\u00e3o sionista, muitos judeus acabaram migrando para a regi\u00e3o, mais de 50 mil entre o final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Esses novos judeus s\u00e3o constitu\u00eddos de valores \u00e9ticos e culturais assemelhados. Nem todos eram praticantes do juda\u00edsmo tradicional. Ainda hoje, muitos judeus n\u00e3o s\u00e3o religiosos.<\/p>\n<p>A longa di\u00e1spora criou v\u00e1rios grupos judaicos, como os Sefarditas (Espanha, It\u00e1lia, Turquia e Fran\u00e7a); os Ashkenazim (descendentes de alem\u00e3es e da Europa Oriental) e os Mizrachim (Ir\u00e3, Iraque, S\u00edria e Egito). O sionismo uniu essas v\u00e1rias etnias e ra\u00e7as, com o objetivo de encontrar uma terra para um povo sem terra.<\/p>\n<p>Um dos objetivos do Congresso Sionista, realizado em 1897, que decidiu pela cria\u00e7\u00e3o do estado de Israel, era a de encontrar uma terra desabitada para criar uma p\u00e1tria para os judeus. Ela poderia ser na Patag\u00f4nia (sul da Argentina), na \u00c1frica (Congo ou Uganda) ou na ilha de Chipre. A decis\u00e3o final foi pela Palestina, que j\u00e1 estava habitada pelos \u00e1rabes.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a><\/p>\n<p>A escolha da Palestina corroborava para fortalecer a mem\u00f3ria milenar da terra que Deus deu como dom ao povo judeu. Isso poderia contribuir para fortalecer o estado judeu, ainda que ele fosse laico por princ\u00edpio. O discurso religioso sustentaria a cria\u00e7\u00e3o do estado. Abra\u00e3o chegou a Cana\u00e3 (Palestina) e fez mesmo. N\u00e3o seria diferente com os judeus que sonhavam voltar para a terra de seus pais. Nisso est\u00e1 a origem de conflito que dura at\u00e9 os nossos dias.<\/p>\n<p>No in\u00edcio, com a chegada dos sionistas, os quais criaram cooperativa socialistas, chamadas de Kibutz, havia uma conviv\u00eancia pac\u00edfica entre judeus e popula\u00e7\u00e3o local. Os atritos entre judeus e \u00e1rabes come\u00e7aram a partir da Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1917.<\/p>\n<h3><strong>A proposta de cria\u00e7\u00e3o do estado de Israel pela ONU<\/strong><\/h3>\n<p>Em 1937, ap\u00f3s uma greve \u00e1rabe, o governo ingl\u00eas prop\u00f4s a divis\u00e3o da regi\u00e3o entre judeus e \u00e1rabes. A proposta foi aceita pelos judeus e rejeitada pelos \u00e1rabes. Veio a Segunda Guerra Mundial e os conflitos aumentaram.<\/p>\n<p>Em 1947, os ingleses transferiram o conflito para a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) resolver. Por meio de proposta vinda de uma comiss\u00e3o da ONU, a de criar um estado judeu com 5500 hectares, 53% do total (60% no<br \/>\ndeserto do Neguev) para 538 mil judeus e 397 mil \u00e1rabes, e outro \u00e1rabe, o estado Palestino, com 4500 hectares, 47% do total, para 804 mil \u00e1rabes e 10 mil judeus, bem como a internacionaliza\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m. A ONU votou e aprovou tal proposta em 29 de novembro de 1947 por 33 votos a favor, 13 contra e 10 absten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3><strong>Resist\u00eancia \u00e0 proposta e declara\u00e7\u00e3o de independ\u00eancia por David Ben Gurion<\/strong><\/h3>\n<p>Mediante resist\u00eancias dos \u00e1rabes e do movimento palestino contra a divis\u00e3o, pois eles perderiam a metade de suas terras, David Ben Gurion declarou a independ\u00eancia do Estado judeu na Terra de Israel no do dia 14 de maio de 1948. Nesse mesmo dia, os ingleses deixaram a regi\u00e3o, e a quest\u00e3o passou a ser discutida entre judeus e \u00e1rabes. Tel-Aviv foi proclamada por David Ben Gurion a capital do pa\u00eds. Israel se estabeleceu na parte ocidental da Terra Santa, e os palestinos, na oriental (Cisjord\u00e2nia).<\/p>\n<p>Muitos judeus refugiados, perseguidos pelo antissemitismo, imigraram para Israel. Ben Gurion iniciou um processo de limpeza \u00e9tnica. Muitos palestinos morreram nesses confrontos. Ele queria retomar o velho Israel da \u00e9poca de Davi. A cria\u00e7\u00e3o do estado de Israel teve apoio dos Estados Unidos e R\u00fassia. Posteriormente, Israel se alia aos Estados Unidos.<\/p>\n<h3><strong>Israel invade militarmente as \u00e1reas destinadas ao estado da Palestina<\/strong><\/h3>\n<p>Logo ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o de Israel, em 1948, uma nova guerra foi travada entre \u00e1rabes e judeus at\u00e9 dezembro de 1949. Nas suas incurs\u00f5es militares, Israel invadiu territ\u00f3rios palestinos. De apenas 7% de todo o territ\u00f3rio, Israel chegou a 80% e n\u00e3o conseguiu dominar toda a cidade de Jerusal\u00e9m, ficando esta sob o dom\u00ednio jordaniano.<\/p>\n<p>Uma leva de mais de 750.000 palestinos se tornaram refugiados, perdendo tudo que tinham. Nunca mais voltaram para as suas terras. Hoje, estima-se que s\u00e3o mais de 4 milh\u00f5es de palestinos vivendo como refugiados de guerra em campos na S\u00edria, Faixa de Gaza, na Cisjord\u00e2nia, no L\u00edbano, na Jord\u00e2nia etc.<\/p>\n<h3><strong>Guerra de Israel com o Egito e L\u00edbano<\/strong><\/h3>\n<p>Em 1956, Israel invadiu a pen\u00ednsula do Sinai, tendo que sair posteriormente. Em 1964, nasce, sob a lideran\u00e7a de Yasser Arafat, um grupo pol\u00edtico e militar de defesa dos direitos palestinos, o Fatah.<\/p>\n<p>Em 1967, durante a guerra dos Seis Dias, Israel conquistou as colinas do Golan, que ficam na regi\u00e3o norte (S\u00edria), o Sinai e a Faixa de Gaza e toda a Cisjord\u00e2nia. Mais tarde, o Sinai foi devolvido ao Egito. Em 1973, Egito e S\u00edria atacaram Israel, que contra-atacou e recuperou o territ\u00f3rio perdido.<\/p>\n<h3><strong>Nasce OLP em defesa dos palestinos<\/strong><\/h3>\n<p>Em 1974, Yasser Arafat criou uma entidade pol\u00edtica e paramilitar palestina, que levou o nome de Organiza\u00e7\u00e3o pela Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP). Em 1979, Israel e Egito assinaram um tratado de paz.<\/p>\n<p>Em 1981, Jerusal\u00e9m voltou a ser a capital de Israel. Muitas embaixadas, no entanto, preferiram permanecer em Tel-Aviv. Atualmente, Jerusal\u00e9m Nova passa por um per\u00edodo de moderniza\u00e7\u00e3o de grande impacto econ\u00f4mico e social.<\/p>\n<h3><strong>Israel cria assentamentos para colonizar terras palestinas, o que propiciou o surgimento de Intifadas <\/strong><\/h3>\n<p>Governos israelenses, a partir de ent\u00e3o, iniciaram um processo de cria\u00e7\u00e3o de assentamentos judaicos para colonizar as regi\u00f5es tomadas por Israel e criar um bloqueio aos palestinos. Para muitos judeus essa cria\u00e7\u00e3o de assentamentos apressaria a vinda do Messias.<\/p>\n<p>Entre 1987 e 1991, Israel conheceu os embates populares entre judeus e palestinos, chamados de Intifadas e definidos como revolta popular \u00e1rabe contra a invas\u00e3o israelense na faixa de Gaza e na Cisjord\u00e2nia. Os \u00e1rabes e palestinos sa\u00edam nas ruas atirando pedras nos populares. Os palestinos reclamavam direito \u00e0 cidadania.<\/p>\n<p>V\u00e1rios pa\u00edses se opuseram a Israel, que teve de ceder e caminhar para um acordo com as representa\u00e7\u00f5es dos palestinos. As Intifadas foram retomadas em 2000, quando militantes palestinos come\u00e7aram a disparar foguetes de Gaza contra Israel.<\/p>\n<h3><strong>Nasce o Hamas, em Gaza, com a proposta de cria\u00e7\u00e3o de um estado palestino isl\u00e2mico<\/strong><\/h3>\n<p>Na primeira Intifada, a de 1987, nasce na Cisjord\u00e2nia, o grupo de resist\u00eancia palestino, conhecido como Hamas, que se tornou um partido pol\u00edtico e defensor da cria\u00e7\u00e3o de um estado palestino isl\u00e2mico, entre o rio Jord\u00e3o e o mar Mediterr\u00e2neo. Seu fundador \u00e9 o Sheikh Ahmed Yassin, morto em 2004, v\u00edtima de ataque israelita em Gaza. Atualmente, o Hamas luta por um Estado Palestino em Gaza, Cisjord\u00e2nia e Jerusal\u00e9m oriental. O Hamas quer um estado mu\u00e7ulmano. Gaza j\u00e1 teve a presen\u00e7a judaica, hoje, n\u00e3o mais. O Hamas tem a vertente pol\u00edtica, militar e a\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>O Hamas tem sua origem nos grupos mu\u00e7ulmanos sunitas. Hamas, em \u00e1rabe, significa \u201cMovimento de Resist\u00eancia Isl\u00e2mica\u201d. Esse grupo, no seu estatuto, n\u00e3o aceita a presen\u00e7a de judeus e israelenses na regi\u00e3o. Eles defendem a aniquila\u00e7\u00e3o deles para a cria\u00e7\u00e3o do Estado Palestino.<\/p>\n<p>Hamas afirma que a luta n\u00e3o \u00e9 contra o povo judeu, mas contra os \u201cagressores sionistas de ocupa\u00e7\u00e3o\u201d. A Brigada <em>Izz el-Deen al-Qassam<\/em> \u00e9 o bra\u00e7o armado do Hamas, que conta, hoje, com mais de 40 mil combatentes. O Hamas \u00e9 um bra\u00e7o da Irmandade mu\u00e7ulmana, do in\u00edcio do s\u00e9culo XX, em 1928, no Egito. O Ir\u00e3 apoia o Hamas em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 presen\u00e7a dos Estados Unidos e Europa no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>O Hamas n\u00e3o tem di\u00e1logo com a Autoridade Palestina, que controla as outras regi\u00f5es palestinas dentro de Israel. A Autoridade Palestina \u00e9 controlada por outro grupo de resist\u00eancia, o Fatah, que \u00e9 oposi\u00e7\u00e3o ao Hamas, de origem xiita. Esses dois grupos se op\u00f5em, mas t\u00eam um inimigo comum, estado de Israel.<\/p>\n<p>Na Faixa de Gaza, territ\u00f3rio pequeno de 360km quadrado, comporta, atualmente, uma popula\u00e7\u00e3o de mais 2 milh\u00f5es de palestinos, os quais vivem cercados por Israel, na pobreza, sem trabalho etc., assim como Bel\u00e9m, na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>O Hamas recorda o grupo de resist\u00eancia armada ao imp\u00e9rio romano, chamado de Zelotas, durante a guerra judaica, entre 67 e 70 E.C.<\/p>\n<h3><strong>O acordo de Paz em Oslo<\/strong><\/h3>\n<p>Em 1993, Israel e a Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP) assinaram acordo em Oslo. Israel deixou parte dos territ\u00f3rios palestinos. A popula\u00e7\u00e3o palestina passou a ser controlada pela Autoridade Palestina.<\/p>\n<p>Em 1994, em Washington, o ent\u00e3o presidente dos EUA, Clinton, logrou que Yasser Arafat e o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, assinassem um acordo de paz, pondo fim \u00e0 guerra. Surgiu a possibilidade de cria\u00e7\u00e3o do Estado Palestino.<\/p>\n<p>Em 1995, quando um judeu radical assassinou o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, o acordo de paz caminhou para o fim. Esse judeu dizia que ceder seria perder a b\u00ean\u00e7\u00e3o divina de terra para Israel. Surgem os homens bombas, liderados pelo Hamas, para n\u00e3o aceitar o Acordo de Oslo. Hamas n\u00e3o aceita o Estado de Israel.<\/p>\n<h3><strong>Novas tentativas de cria\u00e7\u00e3o do estado da Palestina<\/strong><\/h3>\n<p>No ano de 2000, houve uma nova tentativa de acordo entre Israel e Palestina com a cria\u00e7\u00e3o de dois estados. Os palestinos n\u00e3o aceitaram. O ministro israelense Ariel Sharon visitou o Domo da Rocha e a Mesquita do Al-Aqsa, em Jerusal\u00e9m, o que foi considerado uma afronta aos palestinos. Israel iniciou o processo de cercar os palestinos em seus territ\u00f3rios de resist\u00eancia, como a Faixa de Gaza e Bel\u00e9m.<\/p>\n<p>Em 2003, em Genebra, uma nova tentativa de criar o estado palestino foi feita. A proposta n\u00e3o foi aceita em Israel.<\/p>\n<h3><strong>Israel cerca Bel\u00e9m e Gaza. Hamas governa Gaza<\/strong><\/h3>\n<p>Em 2004, morre Arafat e instaura-se a luta pelo poder entre os palestinos, sob a lideran\u00e7a de Mahmoud Abbas. Duas organiza\u00e7\u00f5es pr\u00f3-Palestina, OLP e Hamas, se tornaram inimigas. Israel inicia, nessa mesma \u00e9poca, a constru\u00e7\u00e3o de um muro em Bel\u00e9m e em outras regi\u00f5es do pa\u00eds com o discurso de proteger o pa\u00eds. Desde ent\u00e3o, o mundo protesta, mas Israel continuou a sua obra. Outros muros de \u201cBerlim\u201d estavam sendo constru\u00eddos.<\/p>\n<p>Em 2005, Israel retirou todos os seus assentamentos e for\u00e7as militares da Faixa de Gaza. Em 2007, o grupo Hamas passa a governar Gaza, e o Fatah, a Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<h3><strong>Com Benjamim Netanyahu h\u00e1 um retrocesso no processo de paz<\/strong><\/h3>\n<p>Em 2009, com a elei\u00e7\u00e3o de Benjamin Netanyahu, o curso da paz entre israelenses e palestinos sofreu novamente um retrocesso. Nesse mesmo ano, Israel bombardeou Gaza.<\/p>\n<p>Em 2010, o presidente norte-americano Barack Obama sinalizou a preocupa\u00e7\u00e3o de restabelecer a paz no Oriente M\u00e9dio por meio de uma tratativa de paz. Em 2011, o presidente palestino Mahmoud Abbas discursou na Assembleia Geral da ONU a favor do reconhecimento da Palestina como estado e membro com plenos direitos na referida institui\u00e7\u00e3o. Afirmou Mahmoud: \u201cO objetivo do povo palestino \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o dos inalien\u00e1veis direitos nacionais do Estado independente da Palestina, com Jerusal\u00e9m Oriental como sua capital, e todas as terras da Cisjord\u00e2nia, incluindo Jerusal\u00e9m Oriental e Gaza\u201d.<\/p>\n<p>O Primeiro-Ministro de Israel Benjamin Netanyahu respondeu: \u201cOs palestinos devem primeiro alcan\u00e7ar a paz com Israel e, em seguida, obter um Estado. Israel n\u00e3o ser\u00e1 o \u00faltimo a acolher um Estado palestino na ONU. Vai ser o primeiro\u201d. Devido ao veto dos Estados Unidos no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, argumentando que o reconhecimento do Estado Palestino quebraria as negocia\u00e7\u00f5es de paz no Oriente M\u00e9dio, a ONU negou o pedido palestino. Por outro lado, semanas depois dessa negativa, em 31 de outubro, uma das entidades da ONU, a Unesco (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Ci\u00eancia e a Cultura) aprovou a admiss\u00e3o da Autoridade Nacional Palestina (ANP) como membro de pleno direito, com 107 votos a favor, 14 contra e 52 absten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3><strong>\u00a0<\/strong><strong>Dez considera\u00e7\u00f5es finais sobre o presente desse conflito milenar<\/strong><\/h3>\n<ol>\n<li>A hist\u00f3ria b\u00edblica do conflito entre Israel e Palestina revela a heran\u00e7a do pensamento de que se pode matar em nome do Sagrado. Guerra \u00e9 fruto da viol\u00eancia humana. A viol\u00eancia gera viol\u00eancia. Outros terroristas surgem. Outros violentos matam. A viol\u00eancia, ent\u00e3o, faz parte da condi\u00e7\u00e3o humana? Sim. A origem da viol\u00eancia est\u00e1 em cada um de n\u00f3s e na rela\u00e7\u00e3o que mantemos com o sagrado. O uso arbitr\u00e1rio do poder origina a viol\u00eancia, que, por sua vez, gera a injusti\u00e7a, a inseguran\u00e7a e o afastamento de Deus.<\/li>\n<li>O Hamas e Israel est\u00e3o agindo com viol\u00eancia. Em ambos os lados t\u00eam surgido grupos radicais religiosos judaicos e mu\u00e7ulmanos. A atitude terrorista do Hamas \u00e9 indefens\u00e1vel e inadmiss\u00edvel. O Hamas n\u00e3o representa o pensamento da grande maioria do povo palestino.<\/li>\n<li>Por outro lado, o mais longevo e atual Primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu (1996-99, 2009-21, e desde janeiro de 2023) tem recebido duras cr\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 condu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e nas negocia\u00e7\u00f5es com o mundo \u00e1rabe.<\/li>\n<li>O sionismo do atual governo \u00e9 uma doutrina racista de supremacia judaica que coloniza tirando as terras dos palestinos destinada \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Estado da Palestina. O sionismo mata, o estado de Israel mata os palestinos da Faixa de Gaza.<\/li>\n<li>Dizer que Israel somente contra-ataca n\u00e3o \u00e9 de todo verdadeiro. Palestinos t\u00eam, tanto quanto Israel, direito \u00e0 terra e a vida com dignidade. Israel \u00e9, atualmente, uma refer\u00eancia mundial de um pa\u00eds que deu certo na tecnologia, na ci\u00eancia, na defesa etc. Na outra ponta da linha, palestinos vivem na pobreza e \u00e0 merc\u00ea de favores.<\/li>\n<li>Israel tem o apoio dos Estados Unidos, visto que a sua posi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica \u00e9 fundamental para a presen\u00e7a dos USA na regi\u00e3o, como porta, ponto de resist\u00eancia aos pa\u00edses \u00e1rabes, sobretudo o Ir\u00e3. No passado recente, havia interesse do petr\u00f3leo do Oriente pelos Estados Unidos. Hoje, ele consegue tirar petr\u00f3leo de outros modos e tem controle sobre os postos de petr\u00f3leo do Iraque.<\/li>\n<li>Ap\u00f3s um longo processo de aparente paz, o conflito entre Israel e Palestina, sob a lideran\u00e7a do Hamas, volta com vigor e de forma sangrenta. Enquanto n\u00e3o houver di\u00e1logo entre as partes, uma solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o vir\u00e1. H\u00e1 atrocidades em ambos os lados. Di\u00e1logo entre radicais \u00e9 muito dif\u00edcil, quase imposs\u00edvel. H\u00e1 dificuldades de encontrar interlocutores para dialogar com o Hamas.<\/li>\n<li>A cria\u00e7\u00e3o de dois estados seria a melhor solu\u00e7\u00e3o? Alguns especialistas falam de um estado com duas nacionalidades. N\u00e3o vejo como melhor solu\u00e7\u00e3o, pois h\u00e1 na regi\u00e3o uma rejei\u00e7\u00e3o m\u00fatua entre judeus e palestinos. Ambos se sentem lesados e donos de uma mesma terra.<\/li>\n<li>Em n\u00edvel mundial h\u00e1 os que defendem, com raz\u00e3o, o direito \u00e0 terra pela popula\u00e7\u00e3o palestina. Israel n\u00e3o pode manter-se intransigente nas negocia\u00e7\u00f5es por paz no Oriente M\u00e9dio, local onde, secularmente, o Oriente e Ocidente se encontram nos seus interesses. Israel apoia a cria\u00e7\u00e3o de dois estados, mas n\u00e3o cria possibilidade para que isso aconte\u00e7a, criando, por exemplo, as col\u00f4nias judaicas.<\/li>\n<li>O acordo est\u00e1 longe de acontecer. Ele exige muita ren\u00fancia de ambas as partes. Quem vai ceder? Enquanto isso, pobres inocentes civis morrem pelas armas de uma guerra sem fim. O momento \u00e9 de muitas d\u00favidas e incertezas em rela\u00e7\u00e3o ao futuro desses dois povos irm\u00e3os na sua origem.<\/li>\n<\/ol>\n<hr \/>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>ALTMAN, Breno. O que \u00e9 o sionismo. Dispon\u00edvel em:\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=buJTNr7LDy8\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=buJTNr7LDy8<\/a>\u00a0 Acesso 17 out. 2023.<\/p>\n<p>BINGERMER, Maria Clara Luccchetti. Viol\u00eancia e Religi\u00e3o. Cristianismo, Islamismo e Juda\u00edsmo<em>. <\/em>Tr\u00eas religi\u00f5es em confronto e di\u00e1logo. Rio de Janeiro: Loyola\/Puc-Rio, 2001.<\/p>\n<p>FARIA, Jacir de Freitas. <strong>Israel e Palestina em tr\u00eas dimens\u00f5es<\/strong>: hist\u00f3ria, geografia e cultura\/juda\u00edsmo, cristianismo e islamismo. 3. ed. Belo Horizonte: Prov\u00edncia Santa Cruz, 2010.<\/p>\n<p>FARIA, Jacir de Freitas. Ap\u00f3crifos aberrantes, complementares e cristianismos alternativos<em>. <\/em>Poder e heresias<em>. <\/em>3 reimpress\u00e3o. Petr\u00f3polis: Vozes, 2022.<\/p>\n<p>Videotexto desse artigo est\u00e1 dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wi21XWDbuec&amp;t=413s\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=wi21XWDbuec&amp;t=413s<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Doutor em Teologia B\u00edblica pela FAJE (BH). Mestre em Ci\u00eancias B\u00edblicas (Exegese) pelo Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico de Roma. Professor de Exegese B\u00edblica. \u00c9 membro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisa B\u00edblica (ABIB). Sacerdote Franciscano. Estudou em Jerusal\u00e9m, na \u00c9cole Biblique. Autor de dez livros e coautor de quinze. Youtube: Frei Jacir B\u00edblia e Ap\u00f3crifos. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCwbSE97jnR6jQwHRigX1KlQ\">https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCwbSE97jnR6jQwHRigX1KlQ<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> FARIA, Jacir de Freitas. <strong>Israel e Palestina em tr\u00eas dimens\u00f5es<\/strong>: hist\u00f3ria, geografia e cultura\/juda\u00edsmo, cristianismo e islamismo. 3. ed. Belo Horizonte: Prov\u00edncia Santa Cruz, 2010.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\"><sup><strong>[3]<\/strong><\/sup><\/a> FARIA, Jacir de Freitas, Ap\u00f3crifos aberrantes, complementares e cristianismos alternativos<em>. <\/em>Poder e heresias<em>!<\/em> 2 ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 2009, p. 56.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\"><sup><strong>[4]<\/strong><\/sup><\/a> BINGERMER, Maria Clara Luccchetti, Viol\u00eancia e Religi\u00e3o. Cristianismo, Islamismo e Juda\u00edsmo<em>. <\/em>Tr\u00eas religi\u00f5es em confronto e di\u00e1logo. Rio de Janeiro: Loyola\/Puc-Rio, 2001, p. 199.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\"><sup>[5]<\/sup><\/a> ALTMAN, Breno. O que \u00e9 o sionismo. Dispon\u00edvel em\u00a0 <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=buJTNr7LDy8\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=buJTNr7LDy8<\/a> Acesso 17 out. 2023.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Frei Jacir de Freitas Faria, OFM<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":193974,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[43],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O porqu\u00ea da guerra entre o Hamas (Palestina) e Sionistas (Israel)! - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/o-porque-da-guerra-entre-o-hamas-palestina-e-sionistas-israel\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O porqu\u00ea da guerra entre o Hamas (Palestina) e Sionistas (Israel)! 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