{"id":193815,"date":"2023-09-11T08:03:54","date_gmt":"2023-09-11T11:03:54","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=193815"},"modified":"2023-09-11T08:13:57","modified_gmt":"2023-09-11T11:13:57","slug":"amos_profeta_ludovico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/amos_profeta_ludovico\/","title":{"rendered":"Am\u00f3s, um profeta cheio de ousadia"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-193817\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/artigo_1109.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/artigo_1109.jpg 840w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/artigo_1109-450x257.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/artigo_1109-768x439.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/artigo_1109-150x86.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><\/p>\n<h3 style=\"font-weight: 400;\"><strong>Que o direito corra como a \u00e1gua e a justi\u00e7a como rio caudaloso (Am 5,24).<\/strong><\/h3>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Frei Ludovico Garmus, OFM<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na introdu\u00e7\u00e3o do livro (Am 1,1) a profecia de Am\u00f3s \u00e9 colocada no tempo de Ozias (Azarias), rei de Jud\u00e1 (767-739 a.C.) e de Jerobo\u00e3o II, rei de Israel (782-753 a.C.). O redator da introdu\u00e7\u00e3o n\u00e3o menciona palavras de Am\u00f3s, mas fala de vis\u00f5es que o profeta teve \u201cdois anos antes do terremoto\u201d. N\u00e3o sabemos exatamente quando aconteceu o terremoto, apesar de ser lembrado pelo profeta Zacarias (14,5). A S\u00edria e a Palestina est\u00e3o sujeitas a terremotos provocados pelo movimento de placas tect\u00f4nicas. Na B\u00edblia o terremoto \u00e9 considerado um poderoso sinal de manifesta\u00e7\u00e3o divina (Ex 19,18; Am 8,8; 9,5; Mt 24,27,51).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Am\u00f3s \u00e9 o primeiro profeta \u201cescritor\u201d. Antes dele temos o grande profeta Elias, mas n\u00e3o deixou or\u00e1culos ou pronunciamentos por escrito. As narrativas sobre Elias constam nos Livros dos Reis (1Rs 17,1\u201319,21; 21,1\u201329; 2Rs 1,1\u20132,25). Elias denunciava os crimes e a idolatria do rei Acab de Israel (874-853 a.C.), amea\u00e7ando-o com castigos divinos que haveriam de marcar o fim de sua dinastia (1Rs21,17-24; 21,29-38). As palavras de Am\u00f3s, por\u00e9m, s\u00e3o muito mais contundentes. Al\u00e9m de denunciar os crimes do rei e da elite dominante, anuncia o fim pr\u00f3ximo do reino de Israel: \u201cJerobo\u00e3o morrer\u00e1 pela espada e Israel ser\u00e1 deportado para longe de sua terra\u201d (7,13). Prev\u00ea, portanto, o fim de Israel como na\u00e7\u00e3o e como povo eleito: \u201cChegou o fim para meu povo de Israel\u201d (8,2).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Am\u00f3s, um profeta ligado aos problemas de seu tempo<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Am\u00f3s \u00e9 apresentado como \u201cum dos pastores de T\u00e9cua\u201d, uma localidade a 20 km de Jerusal\u00e9m, ao sul de Bel\u00e9m (Am 1,1). Al\u00e9m de pastor de ovelhas e cabras Am\u00f3s vivia tamb\u00e9m do cultivo de figueiras selvagens (f\u00edcus). Seus frutos depois de serem pungidos para tirar seu suco leitoso s\u00e3o comest\u00edveis quando secos (7,14). Enquanto pastor, Am\u00f3s percorria os santu\u00e1rios, como Bersabeia, Guilgal e Jerusal\u00e9m, o que lhe possibilitava alguma eventual venda de ovelhas para os sacrif\u00edcios. Em busca de pastagens para o rebanho, Am\u00f3s ignorava os limites pol\u00edticos e frequentava tamb\u00e9m o vizinho santu\u00e1rio de Betel, considerado santu\u00e1rio de Jerobo\u00e3o, rei do Israel (7,13). A frequ\u00eancia aos santu\u00e1rios ajudou a desenvolver o talento po\u00e9tico e liter\u00e1rio de Am\u00f3s. As conversas com os colegas pastores e os agricultores, explorados pelos comerciantes das cidades, apuraram o senso cr\u00edtico do profeta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sociedade injusta em que vivia. Era gritante o descaso dos governantes com o sofrimento do povo mais pobre, e sua cegueira frente \u00e0s amea\u00e7as sempre mais evidentes do Imp\u00e9rio Ass\u00edrio.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>O livro de Am\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A organiza\u00e7\u00e3o atual do livro deve-se ao trabalho redacional do pr\u00f3prio profeta ou, mais prov\u00e1vel, de outros redatores. A primeira parte (Am 1,3\u20132,16) \u00e9 uma colet\u00e2nea de oito or\u00e1culos contra os povos: Damasco, Filisteia, Tiro, Edom, Amon, Moab, Jud\u00e1 e Israel. Estes or\u00e1culos s\u00e3o introduzidos cada vez pela f\u00f3rmula \u201cpor causa do triplo e do qu\u00e1druplo crime de\u201d. A den\u00fancia aos povos vizinhos refere-se basicamente \u00e0 viola\u00e7\u00e3o dos \u201cdireitos humanos\u201d, cometida pelo ex\u00e9rcito dos respetivos povos: viol\u00eancia das guerras, venda de escravos, deporta\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es, viol\u00eancia e exterm\u00ednio de mulheres gr\u00e1vidas. J\u00e1 a acusa\u00e7\u00e3o contra Israel e Jud\u00e1 inclui a viola\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a, idolatria, desobedi\u00eancia aos mandamentos, mentira, corrup\u00e7\u00e3o, venalidade dos ju\u00edzes e injusti\u00e7a contra os pobres (2,4-16).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A segunda parte (3,1\u20136,14) cont\u00e9m or\u00e1culos com den\u00fancias e amea\u00e7as contra os dirigentes de Israel por causa dos crimes cometidos contra o povo pobre, al\u00e9m de cr\u00edticas ao falso culto que se praticava, cr\u00edticas aos ju\u00edzes que vendiam senten\u00e7as em favor dos ricos e em preju\u00edzo dos pobres. A terceira parte do livro (7,1\u20139,15) re\u00fane materiais de car\u00e1ter biogr\u00e1fico (7,10-17) e as vis\u00f5es do profeta de car\u00e1ter autobiogr\u00e1fico (7,1-9; 8,1-3; 9,1-4). O livro de Am\u00f3s se encerra com uma promessa de restaura\u00e7\u00e3o. Trata-se de um acr\u00e9scimo posterior, pois inclui Israel e Jud\u00e1 (9,11-15). A organiza\u00e7\u00e3o final do livro inclui oito or\u00e1culos contra as na\u00e7\u00f5es e mais vinte e sete contra Israel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Am\u00f3s, o porta-voz de Deus junto ao povo<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A pergunta que surge \u00e9 como um simples pastor e cultivador de sic\u00f4moros tornou-se profeta? Como um profeta, vindo de Jud\u00e1, ousa anunciar o fim do reino de Israel, que Jerobo\u00e3o morrer\u00e1 pela espada e o povo de Israel ser\u00e1 deportado para longe de sua terra? Por isso Amasias, sacerdote de Betel, mandou um recado ao rei: \u201cAm\u00f3s conspira contra ti dentro da casa de Israel; o pa\u00eds j\u00e1 n\u00e3o pode suportar todas as suas palavras\u201d (7,10-11). O santu\u00e1rio de Betel fazia parte da casa, isto \u00e9, do pal\u00e1cio real. Ao mesmo tempo o sacerdote expulsou o profeta: \u201cFoge para o pa\u00eds de Jud\u00e1; come l\u00e1 o teu p\u00e3o e profetiza l\u00e1\u201d. Am\u00f3s respondeu: \u201cN\u00e3o sou profeta nem filho de profeta; eu sou criador de ovelhas e cultivador de sic\u00f4moros. Mas o Senhor tirou-me de junto do rebanho e me disse: Vai, profetiza ao meu povo Israel\u201d. Am\u00f3s n\u00e3o precisava ganhar a vida como outros profetas a servi\u00e7o do pal\u00e1cio; esses viviam \u00e0s custas do rei e s\u00f3 diziam o que lhe agradasse. S\u00e3o bem conhecidos tais grupos de profetas a servi\u00e7o do rei Acab, j\u00e1 antes, no tempo do profeta Elias (cf. 1Rs 18,21-29; 22,1-12). Am\u00f3s, ao contr\u00e1rio, apresenta-se como porta-voz do Senhor Deus, para o \u201cmeu povo Israel\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Am\u00f3s, porta-voz do povo junto a Deus<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Na primeira vis\u00e3o Deus faz ver a Am\u00f3s uma invas\u00e3o de gafanhotos que avan\u00e7a sobre o pa\u00eds e devora o feno da segunda safra. A primeira colheita de feno era destinada aos cavalos do ex\u00e9rcito do rei; o campon\u00eas ficava com a \u201csafrinha\u201d, sempre menor e incerta (7,1-3). Com isso, a invas\u00e3o de gafanhotos acabaria com o pouco que sobrava para os animais do campon\u00eas. Solid\u00e1rio com os pobres, Am\u00f3s reage: \u201cSenhor Deus, perdoa, eu te pe\u00e7o! Como poder\u00e1 Jac\u00f3 (Israel) resistir? Ele \u00e9 t\u00e3o pequeno!\u201d E Deus desistiu do castigo. Na segunda vis\u00e3o o profeta percebe que Deus amea\u00e7a castigar o povo por meio de uma severa seca (7,4-6). As \u00e1guas do Oceano se aqueceram, veio um grande fogo e devorou os campos. Novamente o profeta intercede pelo povo e Deus suspende o castigo. As duas primeiras vis\u00f5es representam amea\u00e7as para a agricultura, principal base de sustento da economia de ent\u00e3o.\u00a0 Na terceira vis\u00e3o (7,7-9) o pr\u00f3prio Senhor se faz ver a Am\u00f3s. Ele v\u00ea o Senhor de p\u00e9 em cima de um muro, com um fio de prumo na m\u00e3o, e diz ao profeta: \u201cEu vou colocar um fio de prumo no meio de meu povo, Israel; n\u00e3o tornarei a perdo\u00e1-lo\u201d. O fio de prumo \u00e9 um s\u00edmbolo do julgamento divino (Is 30,13; 34,11; cf. Jr 1,10). Ent\u00e3o, Am\u00f3s deixa de interceder e passa a denunciar os crimes das elites governantes e anunciar os castigos divinos, que atingir\u00e3o tamb\u00e9m os mais pobres. Torna-se agora o porta-voz do povo enquanto d\u00e1 voz aos pobres e injusti\u00e7ados e leva seus gritos de afli\u00e7\u00e3o at\u00e9 Deus (cf. Ex 2,11\u20133,10). Sem d\u00favida, muitos dos empobrecidos gostariam de fazer as mesmas den\u00fancias. Vendo o sofrimento dos camponeses explorados e ouvindo suas queixas, o profeta torna-se tamb\u00e9m porta-voz de Deus contra os opressores do povo. Am\u00f3s, convivendo no meio do povo sofrido, escutou a voz de Deus como um rugido de le\u00e3o: \u201cUm le\u00e3o rugiu, quem n\u00e3o temer\u00e1? O Senhor Deus falou, quem n\u00e3o profetizar\u00e1\u201d (3,8)?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Acusa\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as a Israel<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Israel se considerava o povo preferido de Deus. Libertou Israel da escravid\u00e3o do Egito e com ele fez uma alian\u00e7a no deserto (Ex 19,1\u201324,11), cumprindo as promessas feitas a Abra\u00e3o (Gn 12,1-3.7). Pela alian\u00e7a Israel devia ser fiel \u00e0 Lei do Senhor, sintetizada nos dez mandamentos (Ex 20,1-17). Os mandamentos visavam garantir ao povo, antes escravo no Egito, a liberdade de servir e adorar unicamente ao Senhor. Mas o que Am\u00f3s via em Israel era um povo novamente escravizado. A elite governante explorava os camponeses, o culto nos santu\u00e1rios era falso e a alian\u00e7a com Deus era continuamente violada. Imperava a viol\u00eancia contra os mais fracos. A alian\u00e7a previa a puni\u00e7\u00e3o do povo eleito em caso de viola\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o Am\u00f3s assim fala em nome de Deus:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cOuvi a palavra que o Senhor falou contra v\u00f3s, israelitas, contra toda tribo tirou do Egito: \u2018De todas as tribos da terra s\u00f3 a v\u00f3s conheci, por isso eu vos castigarei por todos os vossos delitos\u2019\u201d (3,1-2).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O povo de Israel tinha consci\u00eancia de ser o povo que Deus escolheu para si entre todos os outros povos da terra. Pela alian\u00e7a, Israel se comprometeu a observar os mandamentos da alian\u00e7a: \u201cFaremos tudo o que o Senhor nos disse\u201d (Ex 24,3). Em caso de repetida desobedi\u00eancia aos mandamentos, os termos da alian\u00e7a garantiam a Deus o direito de punir seu povo (cf. Am 2,6-16; 7,1-9; Dt 28,15). O julgamento divino come\u00e7ar\u00e1 pelo lugar mais sagrado, o santu\u00e1rio e o altar (9,1-6), considerados o lugar mais seguro para algu\u00e9m perseguido pela justi\u00e7a se refugiar (cf. 1Rs 1,49-53). Deste modo, n\u00e3o haver\u00e1 mais nenhum lugar de ref\u00fagio para os culpados. Eles ser\u00e3o perseguidos pela justi\u00e7a divina, tanto na morada dos mortos, como nos montes ou at\u00e9 no fundo do mar (Am 9,1-4). O reino de Israel deixar\u00e1 de existir (9,8) e o povo ser\u00e1 tratado como outras na\u00e7\u00f5es, como os filisteus e os arameus, que tamb\u00e9m foram deslocados de suas terras. As elites governantes perecer\u00e3o: \u201cMorrer\u00e3o pela espada todos os pecadores do meu povo, os que diziam: \u2018A desgra\u00e7a n\u00e3o se aproximar\u00e1, nem nos atingir\u00e1\u2019\u201d (9,1-6.10b). O povo ser\u00e1 disperso no ex\u00edlio, mas Deus n\u00e3o vai exterminar totalmente a casa de Jac\u00f3, como diz um acr\u00e9scimo posterior (9,6-10a).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Os pecados de Israel<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 sabemos quem s\u00e3o os pecadores \u201cdo meu povo\u201d, mas falta especificar seus pecados. Nos livros prof\u00e9ticos, os or\u00e1culos de salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o exigem motiva\u00e7\u00e3o. Deus perdoa e salva porque \u00e9 bom, sem m\u00e9rito nenhum nosso. Ele antecipa-se at\u00e9 mesmo \u00e0 convers\u00e3o do pecador, porque \u00e9 misericordioso (cf. Am 9,11-15). O acusado, por\u00e9m, precisa saber por qual crime ser\u00e1 punido. Por isso os or\u00e1culos que anunciam castigo s\u00e3os acompanhados dos motivos da puni\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Vimos acima que os pecados dos povos vizinhos de Israel se referem de modo geral \u00e0 viola\u00e7\u00e3o dos \u201cdireitos humanos\u201d, em tempos de guerra. A mesma acusa\u00e7\u00e3o vale tamb\u00e9m para Israel e Jud\u00e1, cercados por esses povos. Como povo escolhido por Deus, Israel e Jud\u00e1 est\u00e3o vinculados pela alian\u00e7a a observar os mandamentos e as leis que regulam as rela\u00e7\u00f5es internas e sua rela\u00e7\u00e3o com Deus. Por isso, as acusa\u00e7\u00f5es contra Israel dizem se referem aos pecados contra Deus e contra as pessoas que fazem parte da mesma alian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Quais s\u00e3o os crimes de Israel?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As acusa\u00e7\u00f5es iniciais j\u00e1 apontam alguns dos crimes que ofendem gravemente ao Senhor (Am 2,6-8). As v\u00edtimas s\u00e3o sempre os mais fracos. Para eles a justi\u00e7a n\u00e3o funciona: \u201cVendem o justo por dinheiro e o pobre por um par de sand\u00e1lias&#8230; Pai e filho v\u00e3o \u00e0 mesma jovem, profanando o meu santo nome\u201d. Em caso de d\u00edvida, o juiz era capaz de penhorar at\u00e9 um par de sand\u00e1lias do pobre ou obrigar o devedor a entregar ao credor sua pr\u00f3pria filha como escrava sexual do pai e de seu filho. Usavam vestes penhoradas, que deviam ser devolvidas ao pobre no final do dia (cf. Ex 22,25-26), para us\u00e1-las no culto junto aos altares dos \u00eddolos, onde bebiam o vinho tamb\u00e9m confiscado por d\u00edvidas.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">As na\u00e7\u00f5es vizinhas, denunciadas pelas viol\u00eancias e exterm\u00ednios das guerras, ter\u00e3o seus pal\u00e1cios consumidos pelo fogo (1,4-14; 2,2-5). O mesmo castigo cair\u00e1 tamb\u00e9m sobre Israel (6,8). Porque o pal\u00e1cio do rei e as mans\u00f5es da elite governante s\u00e3o a express\u00e3o gritante do ac\u00famulo de bens e regalias \u00e0 custa da explora\u00e7\u00e3o dos pobres camponeses. Era a capital Samaria que concentrava as riquezas injustas (3,9\u20134,3): \u201cReuni-vos na montanha de Samaria e vede as numerosas desordens dentro da cidade, as viol\u00eancias em seu meio\u201d (3,9-10). \u00c9 nos pal\u00e1cios que se \u201camontoam opress\u00e3o e rapina\u201d. A vida de luxo na Capital, os leitos de marfim e div\u00e3s de Damasco, as casas de inverno e de ver\u00e3o ou at\u00e9 mans\u00f5es decoradas a marfim (3,12-15; 6,3) eram a express\u00e3o mais escandalosa da\u00a0 explora\u00e7\u00e3o dos pobres (4,1). A classe dirigente de Samaria refestelava-se com ricos banquetes regados a vinho, ungia-se com preciosos perfumes, mas n\u00e3o se importava com a ru\u00edna do pa\u00eds (6,4-6).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Am\u00f3s lan\u00e7a severas cr\u00edticas contra os ju\u00edzes que aceitavam suborno em preju\u00edzo dos pobres: \u201cEles transformam o direito em veneno e lan\u00e7am por terra a justi\u00e7a\u201d (5,7; 6,12); \u201cEles odeiam quem repreende no tribunal e detestam quem fala com sinceridade\u201d (5,10); \u201cV\u00f3s hostilizais o justo, aceitais suborno e repelis os pobres no tribunal\u201d (5,12).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><em>Cr\u00edticas aos comerciantes<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O campon\u00eas produzia cereais, como trigo, cevada e feno. Mas a primeira colheita do feno era confiscada pelo rei, e ao campon\u00eas sobrava a segunda colheita, a \u201csafrinha\u201d. Quando vendia o trigo na cidade era roubado por falsos pesos \u201coficiais\u201d. Se ele produzia apenas feno, precisava comprar trigo para fazer o p\u00e3o em casa, era tamb\u00e9m roubado nas medidas \u201cpadronizadas\u201d de fundo falso. Mas ele precisava comprar tamb\u00e9m utens\u00edlios para o trabalho no campo, al\u00e9m de vestes, vasos, sand\u00e1lias e ferramentas. Explorado como era, acabava tendo parte da pr\u00f3xima safra penhorada por d\u00edvida. Por sua vez, o pequeno artes\u00e3o da cidade que produzia utens\u00edlios, ferramentas ou tecidos, tamb\u00e9m precisava comprar trigo ou outros cereais e era explorado pelos mesmos comerciantes. \u00c9 o que podemos imaginar diante das ir\u00f4nicas e contundentes cr\u00edticas dirigidas por Am\u00f3s aos comerciantes:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Ouvi isto, v\u00f3s que esmagais o pobre e quereis eliminar os humildes do pa\u00eds. V\u00f3s que dizeis: \u201cQuando passar\u00e1 a lua nova, para que possamos vender o gr\u00e3o, e o s\u00e1bado, para que possamos vender o trigo, para diminuir a medida, aumentar o pre\u00e7o e falsificar as balan\u00e7as para enganar, para comprar os indigentes com prata e o pobre com um par der sand\u00e1lias, para vender at\u00e9 os refugos do trigo\u201d (Am 8,4-6)?<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os comerciantes n\u00e3o suportavam os dias festivos da lua nova e do s\u00e1bado, quando o com\u00e9rcio parava e se prestava culto ao Senhor. Ao contr\u00e1rio, nesses dias planejavam como aumentar os lucros no dia seguinte. Am\u00f3s \u00e9 o primeiro dos profetas a criticar o falso culto em Israel e Jud\u00e1. O culto praticado pelos que esmagavam o pobre ofendiam ao Senhor:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cIde a Betel e pecai! A Guilgal e multiplicai vossos pecados! Pela manh\u00e3 vossos sacrif\u00edcios e ao terceiro os d\u00edzimos! Queimai p\u00e3o fermentado como sacrif\u00edcio de louvor, proclamai oferendas volunt\u00e1rias, anunciai-as, porque \u00e9 disso que gostais, israelitas\u201d (4,4-5)!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0No entanto, a frequ\u00eancia aos santu\u00e1rios e os sacrif\u00edcios oferecidos por m\u00e3os injustas, que os israelitas gostavam de oferecer, eram rejeitados por Deus:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cOdeio, desprezo vossas festas e n\u00e3o gosto de vossas reuni\u00f5es. Porque &#8230; n\u00e3o me agradam vossas oferendas e n\u00e3o olho para os sacrif\u00edcios de vossos animais cevados. Afasta de mim o ru\u00eddo de teus cantos, n\u00e3o quero ouvir o som de tuas harpas. Antes,\u00a0que o direito corra como a \u00e1gua e a justi\u00e7a como rio caudaloso\u201d (5,21-24)!<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<em>O Dia do Senhor<\/em><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como amea\u00e7a de castigo, Am\u00f3s recorre \u00e0 imagem do Dia do Senhor (Jav\u00e9), dia da \u201cvisita\u201d de Deus a seu povo. Tal dia era experimentado como interven\u00e7\u00e3o divina na hist\u00f3ria de seu povo, muitas vezes como salva\u00e7\u00e3o. Mas os profetas, entre o VIII e IV s\u00e9culo, recorrem \u00e0 ideia do Dia do Senhor, como visita de Deus para punir as infidelidades de Israel contra a alian\u00e7a. A primeira amea\u00e7a de Am\u00f3s j\u00e1 cont\u00e9m esse pensamento: \u201cDe todas as tribos de Israel s\u00f3 a v\u00f3s conheci, por isso eu vos castigarei por todos os vossos delitos\u201d (3,2). Em raz\u00e3o de todos os pecados contra o pobre Israel j\u00e1 n\u00e3o pode mais contar com a prote\u00e7\u00e3o divina: \u201cAi dos que desejam o dia do Senhor! Para que vos servir\u00e1 o dia do Senhor? Ele ser\u00e1 trevas e n\u00e3o luz\u201d (5,18)! Nesse dia nem mesmo o altar do santu\u00e1rio poder\u00e1 servir de ref\u00fagio ao pecador (cf. 1Rs 1,49-53), porque Deus destruir\u00e1 o altar e perseguir\u00e1 o culpado at\u00e9 mesmo no ex\u00edlio (Am 9,1-4).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Possibilidade de salva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Como se v\u00ea no texto acima, o as den\u00fancias de Am\u00f3s e as amea\u00e7as de puni\u00e7\u00e3o se dirigem, sobretudo, aos que cometem injusti\u00e7as contra os pobres e inocentes, que tamb\u00e9m ser\u00e3o atingidos pelas desgra\u00e7as anunciadas. Deus n\u00e3o quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva (cf. Ez 18,31-32). As den\u00fancias e amea\u00e7as s\u00e3o acompanhadas do convite \u00e0 convers\u00e3o do pecador. N\u00e3o basta frequentar santu\u00e1rios e oferecer sacrif\u00edcios, antes \u00e9 preciso converter-se, voltar a ser fiel ao Senhor: \u201cProcurai-me e vivereis! Mas n\u00e3o procureis Betel, n\u00e3o entreis em Guilgal nem passeis por Bersabeia.. Procurai o Senhor e vivereis!\u201d (5,4-6). Mas como procurar o Senhor? E o profeta acrescenta: \u201cProcurai o bem e n\u00e3o o mal&#8230; Odiai o mal e amai o bem, estabelecei o direito no tribunal\u201d (5,14-15).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Mensagem de Am\u00f3s e a ecologia<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Pode parecer estranho ver uma rela\u00e7\u00e3o entre o texto de um livro prof\u00e9tico e a ecologia. O termo ecologia foi usado pela primeira vez por Ernst Haeckel, bi\u00f3logo alem\u00e3o, no s\u00e9c. 19. Todos os seres vivos se desenvolvem num ambiente favor\u00e1vel \u00e0 vida. Este ambiente \u00e9 a casa dos seres vivos. A ci\u00eancia que estuda os ambientes favor\u00e1veis \u00e0 vida \u00e9 a ecologia, a ci\u00eancia da casa dos seres vivos, ligada \u00e0 biologia. Am\u00f3s e os profetas depois dele, quando anunciam castigos divino a quem desobedece aos mandamentos e leis de Deus, expressam as puni\u00e7\u00f5es pela natureza adversa \u00e0 vida (cf. Gn 3,14-19). Na B\u00edblia a natureza \u00e9 considerada cria\u00e7\u00e3o divina. E o Deus da alian\u00e7a se manifesta ao ser humano na cria\u00e7\u00e3o, como b\u00ean\u00e7\u00e3o na fartura de bens quando \u00e9 fiel, ou como calamidade, quando \u00e9 infiel ao criador (cf. Lv 26,3-22; Dt 28,1-68).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">A primeira vis\u00e3o (Am 7,1-3) do profeta revela um desequil\u00edbrio da natureza: na aus\u00eancia do predador natural dos insetos, o n\u00famero deles torna-se uma \u201cpraga\u201d que afeta a agricultura. Esta vis\u00e3o inclui tamb\u00e9m uma ironia. Primeiro vem o predador mais perigoso ao agricultor, isto \u00e9, a monarquia que sequestra o melhor da colheita. Em seguida vem o enxame de gafanhotos que deixam o campon\u00eas na pen\u00faria. Na segunda vis\u00e3o o profeta v\u00ea Deus convocando um julgamento (7,4-6) pelo fogo, um fogo que devora o grande Oceano e os campos. Na cosmologia de ent\u00e3o a terra era cercada pelas \u00e1guas do mar e sustentada por gigantescas colunas. A \u00e1gua do Oceano se comunicava com as \u00e1guas por cima da ab\u00f3boda celeste. Na ab\u00f3boda do c\u00e9u havia pequenas \u201ccomportas\u201d que Deus abria para enviar chuva, granizo, neve ou vento sobre a terra. Essas \u00e1guas \u201cde cima\u201d abasteciam tamb\u00e9m as nascentes sobre a terra (cf. Gn 7\u20139; Sl 104). A amea\u00e7a da segunda vis\u00e3o indica, portanto, um profundo abalo na ordem da natureza\/cria\u00e7\u00e3o, provocada pela maldade humana.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Por isso o povo de Israel \u00e9 intimado a encontrar-se com seu Deus: \u201cIsrael, prepara-te para encontrar o teu Deus (Am 4,12). Tr\u00eas fragmentos de um hino, inclu\u00eddos posteriormente, explicitam que o Deus de Israel \u00e9 o criador do universo (4,13; 5,8-9; 9,5-6). Diante dele Israel dever\u00e1 prestar contas de suas a\u00e7\u00f5es. O primeiro texto liga diretamente \u00e0 cria\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cPorque \u00e9 ele quem forma as montanhas e cria o vento, quem revela seu pensamento aos seres humanos, quem transforma a aurora em trevas e quem caminha sobre os cumes da terra, Senhor Deus Todo-poderoso \u00e9 o seu nome\u201d.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Os verbos \u201cformar\u201d e \u201ccriar\u201d remetem aos relatos da cria\u00e7\u00e3o (cf. Gn 2,7; 1,1). O segundo fragmento de hino \u00e9 inserido no contexto de uma acusa\u00e7\u00e3o contra os que \u201ctransformam o direito em veneno e lan\u00e7am por terra a justi\u00e7a\u201d e enriquecem \u00e0 custa dos pobres (Am 5,7.10-13). O texto mostra que o Criador pode usar a for\u00e7a da natureza\/cria\u00e7\u00e3o para punir os pecadores, como o fez no dil\u00favio (Gn 6,5-7):<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cEle que faz as Pl\u00eaiades e o \u00d3rion, que transforma as trevas em manh\u00e3, que escurece o dia em noite, que convoca as \u00e1guas do mar e as despeja obre a face da terra, Senhor \u00e9 o seu nome! Ele lan\u00e7a devasta\u00e7\u00e3o sobre quem \u00e9 forte, e a devasta\u00e7\u00e3o atingir\u00e1 a fortaleza\u201d (Am 5,8-9).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">E a \u201cdevasta\u00e7\u00e3o que atingir\u00e1 a fortaleza\u201d ser\u00e1 terr\u00edvel. Atingir\u00e1 os que vivem tranquilos em Si\u00e3o\/Jerusal\u00e9m ou se sentem seguros em Samaria (Am 6,1). Os que n\u00e3o praticam a justi\u00e7a e se apoiam num falso culto ser\u00e3o eliminados (9,1-4) e a ordem da cria\u00e7\u00e3o ser\u00e1 restabelecida:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cO Senhor Deus Todo-poderoso, aquele que toca a terra e ela vacila e ficam de luto os que nela habitam; ela se levanta toda como o Nilo e depois desce como o Nilo do Egito. Aquele que constr\u00f3i nos c\u00e9us a sua escada e firma na terra a sua ab\u00f3boda; aquele que chama \u00e0s \u00e1guas mar e as derrama sobre a face da terra, Senhor \u00e9 o seu nome\u201d (9,5-6).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O Senhor neste hino \u00e9 Jav\u00e9 (<em>Ihweh<\/em>), o criador do mundo, do c\u00e9u e da terra. Ele fixa a ab\u00f3boda celeste e separa o mar da terra firme (cf. Gn 1,6-10). \u00c9 Ele quem controla as \u00e1guas que est\u00e3o \u201cacima\u201d do firmamento celeste. Ele abre as \u201ccomportas\u201d e envia a chuva necess\u00e1ria para a vida na terra. Quando fecha as comportas provoca as secas (Am 7,1-6), mas quando as abre totalmente, castiga a maldade humana (Gn 7,1-5).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Concluindo<\/strong><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Percebe-se em Am\u00f3s uma rela\u00e7\u00e3o entre as injusti\u00e7as praticadas pelos poderosos contra os pobres e a natureza, vista como cria\u00e7\u00e3o. Se a sociedade \u00e9 injusta, sofrem tanto os pobres com a natureza, e vice-versa. Como raz\u00e3o diz o Papa Francisco na\u00a0<em>Laudato Si<\/em>:<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u201cHoje, n\u00e3o podemos deixar de reconhecer que uma verdadeira abordagem ecol\u00f3gica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justi\u00e7a nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres\u201d (LS, n. 49).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Mais adiante o Papa lembra a viol\u00eancia de Caim contra seu irm\u00e3o Abel. Cometido o crime, Deus o interpela: \u201cQue fizeste? &#8230; Agora ser\u00e1s amaldi\u00e7oado pelo pr\u00f3prio solo que engoliu o sangue de teu irm\u00e3o, derramado por ti. Quando cultivares o solo, ele te negar\u00e1 o sustento e vir\u00e1s a ser um fugitivo, errante sobre a terra (Gn 4,10-12).\u00a0O descuido no compromisso de cultivar e manter um correto relacionamento com o pr\u00f3ximo, relativamente a quem sou devedor da minha solicitude e cust\u00f3dia,\u00a0destr\u00f3i o relacionamento interior comigo mesmo, com os outros, com Deus e com a terra (LS 70). No Cap. IV, \u201cUma ecologia integral\u201d, o Papa Francisco aprofunda a rela\u00e7\u00e3o existente entre todos os seres vivos da terra (LS, n. 137-162). N\u00f3s somos parte do ambiente em que vivemos pois tudo est\u00e1 interligado:\u00a0\u201cSe tudo est\u00e1 relacionado, tamb\u00e9m o estado de sa\u00fade das institui\u00e7\u00f5es duma sociedade tem consequ\u00eancias no ambiente e na qualidade de vida humana: toda a les\u00e3o da solidariedade e da amizade c\u00edvica provoca danos ambientais\u201d\u00a0(LS, n. 142).<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Hoje temos leis ambientais para preservar a vida na natureza. Multiplicam-se as \u201cc\u00fapulas\u201d mundiais, reunindo cientistas e representantes oficiais das na\u00e7\u00f5es para enfrentar a crise clim\u00e1tica. Formulam-se acordos e se estabelecem metas a serem atingidas para diminuir a emiss\u00e3o de gases e conservar uma temperatura saud\u00e1vel para a vida no planeta. No entanto, as metas n\u00e3o s\u00e3o atingidas. A cada ano que passa as temperaturas aumentam, os oceanos se aquecem e os inc\u00eandios florestais multiplicam-se assustadoramente (cf. Am 7,4-6). Am\u00f3s critica a elite governante de Israel que \u201cvivia tranquila\u201d em Samaria, sem preocupar-se com a ru\u00edna pr\u00f3xima da na\u00e7\u00e3o (Am 6,4-6). A cr\u00edtica vale para os governantes das pot\u00eancias mundiais de hoje, que n\u00e3o percebem o perigo iminente de acabarmos com a vida no planeta Terra.\u00a0 A Enc\u00edclica\u00a0<em>Laudato S\u00ec\u00a0<\/em>\u00e9 um veemente apelo dirigido \u00e0s Igrejas crist\u00e3s, \u00e0s grandes religi\u00f5es e a toda a humanidade para salvar a vida na Terra. A exemplo do profeta Am\u00f3s, o Papa Francisco levanta sua voz cr\u00edtica \u00e0 sociedade injusta de nosso tempo. Se fizermos uma verdadeira convers\u00e3o ecol\u00f3gica, respeitarmos o pr\u00f3ximo e todas as criaturas, o Deus bondoso e amante da vida ter\u00e1 compaix\u00e3o de n\u00f3s e nos salvar\u00e1 com toda a cria\u00e7\u00e3o. Mas teremos de fazer o esfor\u00e7o inadi\u00e1vel para salvar a vida em nossa Casa Comum, a Terra. Precisamos fazer uma \u201cconvers\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>FREI LUDOVICO GARMUS, OFM<\/strong>,<em>\u00e9 professor de Exegese B\u00edblica do Instituto Teol\u00f3gico Franciscano de Petr\u00f3polis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia B\u00edblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusal\u00e9m, do Pontif\u00edcio Ateneu Antoniano. \u00c9 diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista \u201cEstudos B\u00edblicos\u201d, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos est\u00e1 a coordena\u00e7\u00e3o geral e tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia Sagrada da Vozes.<\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-193358\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/logo_3.png\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/logo_3.png 1200w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/logo_3-450x152.png 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/logo_3-1024x345.png 1024w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/logo_3-768x259.png 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/logo_3-150x51.png 150w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Frei Ludovico Garmus<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":193817,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[79],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - 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