{"id":193525,"date":"2023-11-13T00:01:21","date_gmt":"2023-11-13T03:01:21","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=193525"},"modified":"2023-11-13T09:59:03","modified_gmt":"2023-11-13T12:59:03","slug":"mensagem-do-papa-para-o-vii-dia-mundial-dos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/mensagem-do-papa-para-o-vii-dia-mundial-dos-pobres\/","title":{"rendered":"Mensagem do Papa para o VII Dia Mundial dos Pobres"},"content":{"rendered":"<div class=\"abstract text parbase vaticanrichtext\">\n<div id=\"attachment_194020\" style=\"width: 1290px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-194020\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-194020 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/pobre_dia_13.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/pobre_dia_13.jpg 1280w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/pobre_dia_13-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/pobre_dia_13-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/pobre_dia_13-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/pobre_dia_13-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><p id=\"caption-attachment-194020\" class=\"wp-caption-text\"><em>Refei\u00e7\u00e3o di\u00e1ria \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de rua no &#8220;Ch\u00e1 do Padre&#8221; (Acervo Prov\u00edncia da Imaculada)<\/em><\/p><\/div>\n<div class=\"clearfix\" style=\"text-align: center;\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"text parbase vaticanrichtext\">\n<p style=\"text-align: center;\"><span class=\"color-text\"><b><i>\u00abNunca afastes de algum pobre o teu olhar\u00bb<\/i><\/b>\u00a0(<i>Tb<\/i>\u00a04, 7)<\/span><b><i><\/i><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1. O\u00a0<i>Dia Mundial dos Pobres<\/i>, sinal fecundo da miseric\u00f3rdia do Pai, vem pela s\u00e9tima vez alentar o caminho das nossas comunidades. Trata-se duma ocorr\u00eancia que se est\u00e1 a radicar progressivamente na pastoral da Igreja, fazendo-a descobrir cada vez mais o conte\u00fado central do Evangelho. Empenhamo-nos todos os dias no acolhimento dos pobres, mas n\u00e3o basta; a pobreza permeia as nossas cidades como um rio que engrossa sempre mais at\u00e9 extravasar; e parece submergir-nos, pois o grito dos irm\u00e3os e irm\u00e3s que pedem ajuda, apoio e solidariedade ergue-se cada vez mais forte. Por isso, no domingo que antecede a festa de Jesus Cristo, Rei do Universo, reunimo-nos ao redor da sua Mesa para voltar a receber d\u2019Ele o dom e o compromisso de viver a pobreza e servir os pobres.<\/p>\n<p>\u00ab<i>Nunca afastes de algum pobre o teu olhar<\/i>\u00bb (<i>Tb<\/i>\u00a04, 7). Esta recomenda\u00e7\u00e3o ajuda-nos a compreender a ess\u00eancia do nosso testemunho. Deter-se no\u00a0<i>Livro de Tobite<\/i>, um texto pouco conhecido do Antigo Testamento, eloquente e cheio de sabedoria, permitir-nos-\u00e1 penetrar melhor no conte\u00fado que o autor sagrado deseja transmitir. Abre-se diante de n\u00f3s uma cena de vida familiar: um pai, Tobite, despede-se do filho, Tobias, que est\u00e1 prestes a iniciar uma longa viagem. O velho Tobite teme n\u00e3o voltar a ver o filho e, por isso, deixa-lhe o seu \u00abtestamento espiritual\u00bb. Foi deportado para N\u00ednive e agora est\u00e1 cego; \u00e9, por conseguinte, duplamente pobre, mas sempre viveu com a certeza que o pr\u00f3prio nome exprime: \u00abO Senhor foi o meu bem\u00bb. Este homem que sempre confiou no Senhor, deseja, como um bom pai, deixar ao filho n\u00e3o tanto bens materiais, mas sobretudo o testemunho do caminho que h\u00e1 de seguir na vida. Por isso diz-lhe: \u00abLembra-te sempre, filho, do Senhor, nosso Deus, em todos os teus dias, evita o pecado e observa os seus mandamentos. Pratica a justi\u00e7a em todos os dias da tua vida e n\u00e3o andes pelos caminhos da injusti\u00e7a\u00bb (<i>Tb<\/i>\u00a04, 5).<\/p>\n<p>2. Como salta \u00e0 vista, a recorda\u00e7\u00e3o, que o velho Tobite pede ao filho para guardar, n\u00e3o se reduz simplesmente a um ato da mem\u00f3ria nem a uma ora\u00e7\u00e3o dirigida a Deus. Faz refer\u00eancia a gestos concretos, que consistem em praticar boas obras e viver com justi\u00e7a. E a exorta\u00e7\u00e3o torna-se ainda mais espec\u00edfica: \u00abD\u00e1 esmolas, conforme as tuas posses. Nunca afastes de algum pobre o teu olhar, e nunca se afastar\u00e1 de ti o olhar de Deus\u00bb (<i>Tb<\/i>\u00a04, 7).<\/p>\n<p>Muito surpreendem as palavras deste velho s\u00e1bio. N\u00e3o esque\u00e7amos, de facto, que Tobite perdeu a vista precisamente depois de ter praticado um ato de miseric\u00f3rdia. Como ele pr\u00f3prio conta, desde a juventude que se dedicou a obras de caridade, \u00abdando muitas esmolas aos meus irm\u00e3os, os da minha na\u00e7\u00e3o que comigo tinham sido levados cativos para a terra dos ass\u00edrios, em N\u00ednive (\u2026), fornecendo p\u00e3o aos esfomeados e vestindo os nus e, se encontrava morto algu\u00e9m da minha linhagem, atirado para junto dos muros de N\u00ednive, dava-lhe sepultura\u00bb (<i>Tb<\/i>\u00a01, 3.17).<\/p>\n<p>Por causa deste seu testemunho de caridade, viu-se privado de todos os seus bens pelo rei, ficando na pobreza completa. Mas, o Senhor precisava ainda dele! Foi-lhe devolvido o seu lugar de administrador e ele n\u00e3o teve medo de continuar o seu estilo de vida. Ou\u00e7amos a sua hist\u00f3ria, que hoje nos fala tamb\u00e9m a n\u00f3s: \u00abPela festa do Pentecostes, que \u00e9 a nossa festa das Semanas, mandei preparar um bom almo\u00e7o e reclinei-me para comer. Mas, ao ver a mesa coberta com tantas comidas finas, disse a Tobias: \u201cFilho, vai procurar, entre os nossos irm\u00e3os cativos em N\u00ednive, um pobre que seja de cora\u00e7\u00e3o fiel, e tr\u00e1-lo para que participe da nossa refei\u00e7\u00e3o. Eu espero por ti, meu filho\u201d\u00bb (<i>Tb<\/i>\u00a02, 1-2). Como seria significativo se, no Dia dos Pobres, esta preocupa\u00e7\u00e3o de Tobite fosse tamb\u00e9m a nossa! Ou seja, convidar para partilhar o almo\u00e7o dominical, depois de ter partilhado a Mesa Eucar\u00edstica. A Eucaristia celebrada tornar-se-ia realmente crit\u00e9rio de comunh\u00e3o. Ali\u00e1s, se ao redor do altar do Senhor temos consci\u00eancia de sermos todos irm\u00e3os e irm\u00e3s, quanto mais vis\u00edvel se tornaria esta fraternidade, compartilhando a refei\u00e7\u00e3o festiva com quem carece do necess\u00e1rio!<\/p>\n<p>Tobias fez como o pai lhe dissera, mas voltou com a not\u00edcia de que um pobre fora morto e deixado no meio da pra\u00e7a. Sem hesitar, o velho Tobite levantou-se da mesa e foi enterrar aquele homem. Voltando cansado para casa, adormeceu no p\u00e1tio; ca\u00edram-lhe nos olhos excrementos de p\u00e1ssaros, e ficou cego (cf.\u00a0<i>Tb<\/i>\u00a02, 1-10). Ironia do destino! Pratica um gesto de caridade e sucede-lhe uma desgra\u00e7a&#8230; Apetece-nos pensar assim, mas a f\u00e9 ensina-nos a ir mais a fundo. A cegueira de Tobite tornar-se-\u00e1 a sua for\u00e7a para reconhecer ainda melhor tantas formas de pobreza ao seu redor. E, mais tarde, o Senhor providenciar\u00e1 a devolver ao velho pai a vista e a alegria de rever o filho Tobias. Quando chegou este momento, \u00abTobite lan\u00e7ou-se-lhe ao pesco\u00e7o e, chorando, disse: \u201cVejo-te, filho, tu que \u00e9s a luz dos meus olhos!\u201d E continuou: \u201cBendito seja Deus e bendito o seu grande nome! Benditos os seus santos anjos! Que seu nome esteja sobre n\u00f3s e benditos sejam todos os seus anjos, pelos s\u00e9culos sem fim! Ele puniu-me, mas eis que volto a ver Tobias, o meu filho\u201d\u00bb (<i>Tb<\/i>\u00a011, 13-14).<\/p>\n<p>3. Podemos questionar-nos: Donde tira Tobite a coragem e a for\u00e7a interior que lhe permitem servir a Deus no meio dum povo pag\u00e3o e amar o pr\u00f3ximo at\u00e9 ao ponto de p\u00f4r em risco a pr\u00f3pria vida? Estamos diante dum exemplo extraordin\u00e1rio: Tobite \u00e9 um marido fiel e um pai carinhoso; foi deportado para longe da sua terra e sofre injustamente; \u00e9 perseguido pelo rei e pelos vizinhos de casa&#8230; Apesar de \u00e2nimo t\u00e3o bom, \u00e9 posto \u00e0 prova. Como muitas vezes nos ensina a Sagrada Escritura, Deus n\u00e3o poupa as prova\u00e7\u00f5es a quem pratica o bem. E porqu\u00ea? N\u00e3o o faz para nos humilhar, mas para tornar firme a nossa f\u00e9 n\u2019Ele.<\/p>\n<p>Tobite, no per\u00edodo da prova\u00e7\u00e3o, descobre a pr\u00f3pria pobreza, que o torna capaz de reconhecer os pobres. \u00c9 fiel \u00e0 Lei de Deus e observa os mandamentos, mas para ele isto n\u00e3o basta. A solicitude operosa para com os pobres torna-se-lhe poss\u00edvel, porque experimentou a pobreza na pr\u00f3pria pele. Por isso, as palavras que dirige ao filho Tobias constituem a sua verdadeira heran\u00e7a: \u00abNunca afastes de algum pobre o teu olhar\u00bb (<i>Tb<\/i>\u00a04, 7). Enfim, quando nos deparamos com um pobre, n\u00e3o podemos virar o olhar para o lado oposto, porque impedir\u00edamos a n\u00f3s pr\u00f3prios de encontrar o rosto do Senhor Jesus. E notemos bem aquela express\u00e3o \u00abde\u00a0<i>algum<\/i>\u00a0pobre\u00bb, de todo o pobre. Cada um deles \u00e9 nosso pr\u00f3ximo. N\u00e3o importa a cor da pele, a condi\u00e7\u00e3o social, a proveni\u00eancia&#8230; Se sou pobre, posso reconhecer de verdade quem \u00e9 o irm\u00e3o que precisa de mim. Somos chamados a ir ao encontro de todo o pobre e de todo o tipo de pobreza, sacudindo de n\u00f3s mesmos a indiferen\u00e7a e a naturalidade com que defendemos um bem-estar ilus\u00f3rio.<\/p>\n<p>4. Vivemos um momento hist\u00f3rico que n\u00e3o favorece a aten\u00e7\u00e3o aos mais pobres. O volume sonoro do apelo ao bem-estar \u00e9 cada vez mais alto, enquanto se p\u00f5e o silenciador relativamente \u00e0s vozes de quem vive na pobreza. Tende-se a ignorar tudo o que n\u00e3o se enquadre nos modelos de vida pensados sobretudo para as gera\u00e7\u00f5es mais jovens, que s\u00e3o as mais fr\u00e1geis perante a mudan\u00e7a cultural em curso. Coloca-se entre par\u00eanteses aquilo que\u00a0\u00e9\u00a0desagrad\u00e1vel e causa sofrimento, enquanto se exaltam as qualidades f\u00edsicas como se fossem a meta principal a alcan\u00e7ar. A realidade virtual sobrep\u00f5e-se \u00e0 vida real, e acontece cada vez mais facilmente confundirem-se os dois mundos. Os pobres tornam-se imagens que at\u00e9 podem comover por alguns momentos, mas quando os encontramos em carne e osso pela estrada, sobrev\u00eam o fast\u00eddio e a marginaliza\u00e7\u00e3o. A pressa, companheira di\u00e1ria da vida, impede de parar, socorrer e cuidar do outro. A par\u00e1bola do bom samaritano (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a010, 25-37) n\u00e3o \u00e9 hist\u00f3ria do passado; desafia o presente de cada um de n\u00f3s. Delegar a outros \u00e9 f\u00e1cil; oferecer dinheiro para que outros pratiquem a caridade \u00e9 um gesto generoso; envolver-se pessoalmente \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o de todo o crist\u00e3o.<\/p>\n<p>5. Damos gra\u00e7as ao Senhor porque h\u00e1 tantos homens e mulheres que vivem a dedica\u00e7\u00e3o aos pobres e exclu\u00eddos e a partilha com eles; pessoas de todas as idades e condi\u00e7\u00f5es sociais que praticam a hospitalidade e se empenham junto daqueles que se encontram em situa\u00e7\u00f5es de marginaliza\u00e7\u00e3o e sofrimento. N\u00e3o s\u00e3o super-homens, mas \u00abvizinhos de casa\u00bb que encontramos cada dia e que, no sil\u00eancio, se fazem pobres com os pobres. N\u00e3o se limitam a dar qualquer coisa: escutam, dialogam, procuram compreender a situa\u00e7\u00e3o e as suas causas, para dar conselhos adequados e indica\u00e7\u00f5es justas. Est\u00e3o atentos tanto \u00e0 necessidade material como \u00e0 espiritual, ou seja, \u00e0 promo\u00e7\u00e3o integral da pessoa. O Reino de Deus torna-se presente e vis\u00edvel neste servi\u00e7o generoso e gratuito; \u00e9 realmente como a semente que caiu na boa terra da vida destas pessoas, e d\u00e1 fruto (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a08, 4-15). A gratid\u00e3o a tantos volunt\u00e1rios deve fazer-se ora\u00e7\u00e3o para que o seu testemunho possa ser fecundo.<\/p>\n<p>6. No 60\u00ba anivers\u00e1rio da Enc\u00edclica\u00a0<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_j-xxiii_enc_11041963_pacem.html\">Pacem in terris<\/a><\/i>, \u00e9 urgente retomar as palavras do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-xxiii\/pt.html\">Santo Papa Jo\u00e3o XXIII<\/a>\u00a0quando escrevia: \u00abO ser humano tem direito \u00e0 exist\u00eancia, \u00e0 integridade f\u00edsica, aos recursos correspondentes a um digno padr\u00e3o de vida: tais s\u00e3o especialmente a nutri\u00e7\u00e3o, o vestu\u00e1rio, a moradia, o repouso, a assist\u00eancia sanit\u00e1ria, os servi\u00e7os sociais indispens\u00e1veis. Segue-se da\u00ed, que a pessoa tem tamb\u00e9m o direito de ser amparada em caso de doen\u00e7a, de invalidez, de viuvez, de velhice, de desemprego for\u00e7ado, e em qualquer outro caso de priva\u00e7\u00e3o dos meios de sustento por circunst\u00e2ncias independentes da sua vontade\u00bb (n. 11).<\/p>\n<p>Quanto trabalho temos ainda pela frente para tornar realidade estas palavras, inclusive atrav\u00e9s dum s\u00e9rio e eficaz empenho pol\u00edtico e legislativo! N\u00e3o obstante os limites e por vezes as lacunas da pol\u00edtica para ver e servir o bem comum, possa desenvolver-se a solidariedade e a subsidiariedade de muitos cidad\u00e3os que acreditam no valor do empenho volunt\u00e1rio de dedica\u00e7\u00e3o aos pobres. Isto, naturalmente sem deixar de estimular e fazer press\u00e3o para que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas cumpram do melhor modo poss\u00edvel o seu dever. Mas n\u00e3o adianta ficar passivamente \u00e0 espera de receber tudo \u00abdo alto\u00bb. E, quem vive em condi\u00e7\u00e3o de pobreza, seja tamb\u00e9m envolvido e apoiado num processo de mudan\u00e7a e responsabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>7. Mais uma vez, infelizmente, temos de constatar novas formas de pobreza que se v\u00eam juntar \u00e0s outras descritas j\u00e1 anteriormente. Penso de modo particular nas popula\u00e7\u00f5es que vivem em cen\u00e1rios de guerra, especialmente nas crian\u00e7as privadas dum presente sereno e dum futuro digno. Ningu\u00e9m poder\u00e1 jamais habituar-se a esta situa\u00e7\u00e3o; mantenhamos viva toda a tentativa para que a paz se afirme como dom do Senhor Ressuscitado e fruto do empenho pela justi\u00e7a e o di\u00e1logo.<\/p>\n<p>N\u00e3o posso esquecer as especula\u00e7\u00f5es, em v\u00e1rios setores, que levam a um aumento dram\u00e1tico dos pre\u00e7os, deixando muitas fam\u00edlias numa indig\u00eancia ainda maior. Os sal\u00e1rios esgotam-se rapidamente, for\u00e7ando a priva\u00e7\u00f5es que atentam contra a dignidade de cada pessoa. Se, numa fam\u00edlia, se tem de escolher entre o alimento para se nutrir e os rem\u00e9dios para se curar, ent\u00e3o deve fazer-se ouvir a voz de quem clama pelo direito a ambos os bens, em nome da dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como n\u00e3o assinalar a desordem \u00e9tica que marca o mundo do trabalho? O tratamento desumano reservado a muitos trabalhadores e trabalhadoras; a remunera\u00e7\u00e3o n\u00e3o equivalente ao trabalho realizado; o flagelo da precariedade; as demasiadas v\u00edtimas de incidentes, devidos muitas vezes \u00e0 mentalidade que privilegia o lucro imediato em detrimento da seguran\u00e7a&#8230; Voltam \u00e0 mente as palavras de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt.html\">S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II<\/a>: \u00abO primeiro fundamento do valor do trabalho \u00e9 o pr\u00f3prio homem. (&#8230;) O homem est\u00e1 destinado e \u00e9 chamado ao trabalho, contudo antes de mais nada o trabalho \u00e9 \u201cpara o homem\u201d, e n\u00e3o o homem \u201cpara o trabalho\u201d\u00bb (Enc.\u00a0<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_14091981_laborem-exercens.html\">Laborem exercens<\/a><\/i>, 6).<\/p>\n<p>8. Este elenco, j\u00e1 em si mesmo dram\u00e1tico, d\u00e1 conta apenas de modo parcial das situa\u00e7\u00f5es de pobreza que fazem parte da nossa vida di\u00e1ria. N\u00e3o posso deixar de fora, em particular, uma forma de mal-estar que aparece cada dia mais evidente e que atinge o mundo juvenil. Quantas vidas frustradas e at\u00e9 suic\u00eddios de jovens, iludidos por uma cultura que os leva a sentirem-se \u00abinacabados\u00bb e \u00abfalidos\u00bb. Ajudemo-los a reagir a estas instiga\u00e7\u00f5es nocivas, para que cada um possa encontrar a estrada que deve seguir para adquirir uma identidade forte e generosa.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil cair na ret\u00f3rica, quando se fala dos pobres. Tenta\u00e7\u00e3o insidiosa \u00e9 tamb\u00e9m parar nas estat\u00edsticas e nos n\u00fameros. Os pobres s\u00e3o pessoas, t\u00eam rosto, uma hist\u00f3ria, cora\u00e7\u00e3o e alma. S\u00e3o irm\u00e3os e irm\u00e3s com os seus valores e defeitos, como todos, e \u00e9 importante estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o pessoal com cada um deles.<\/p>\n<p>O Livro de Tobias ensina-nos a ser concretos no nosso agir com e pelos pobres. \u00c9 uma quest\u00e3o de justi\u00e7a que nos obriga a todos a procurar-nos e encontrar-nos reciprocamente, favorecendo a harmonia necess\u00e1ria para que uma comunidade se possa identificar como tal. Portanto, interessar-se pelos pobres n\u00e3o se esgota em esmolas apressadas; pede para restabelecer as justas rela\u00e7\u00f5es interpessoais que foram afetadas pela pobreza. Assim \u00abn\u00e3o afastar o olhar do pobre\u00bb leva a obter os benef\u00edcios da miseric\u00f3rdia, da caridade que d\u00e1 sentido e valor a toda a vida crist\u00e3.<\/p>\n<p>9. Que a nossa solicitude pelos pobres seja sempre marcada pelo realismo evang\u00e9lico. A partilha deve corresponder \u00e0s necessidades concretas do outro, e n\u00e3o ao meu sup\u00e9rfluo de que me quero libertar. Tamb\u00e9m aqui \u00e9 preciso discernimento, sob a guia do Esp\u00edrito Santo, para distinguir as verdadeiras exig\u00eancias dos irm\u00e3os do que constitui as nossas aspira\u00e7\u00f5es. Aquilo de que seguramente t\u00eam urgente necessidade \u00e9 da nossa humanidade, do nosso cora\u00e7\u00e3o aberto ao amor. N\u00e3o esque\u00e7amos: \u00abSomos chamados a descobrir Cristo neles: n\u00e3o s\u00f3 a emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas tamb\u00e9m a ser seus amigos, a escut\u00e1-los, a compreend\u00ea-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar atrav\u00e9s deles\u00bb (Francisco, Exort. ap.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#O_lugar_privilegiado_dos_pobres_no_povo_de_Deus\"><i>Evangelii gaudium<\/i>, 198<\/a>). A f\u00e9 ensina-nos que todo o pobre \u00e9 filho de Deus e que, nele ou nela, est\u00e1 presente Cristo: \u00abSempre que fizestes isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a025, 40).<\/p>\n<p>10. Este ano completam-se 150 anos do nascimento de Santa Teresa do Menino Jesus. Numa p\u00e1gina da sua\u00a0<i>Hist\u00f3ria de uma alma<\/i>, deixou escrito: \u00abCompreendo agora que a caridade perfeita consiste em suportar os defeitos dos outros, em n\u00e3o se escandalizar com as suas fraquezas, em edificar-se com os mais pequenos atos de virtude que se lhes vir praticar; mas compreendi, sobretudo, que a caridade n\u00e3o deve ficar encerrada no fundo do cora\u00e7\u00e3o: \u201cNingu\u00e9m, disse Jesus, acende uma candeia para a colocar debaixo do alqueire, mas coloca-a sobre o candelabro para alumiar\u00a0<i>todos<\/i>\u00a0os que est\u00e3o em casa\u201d. Creio que essa luz representa a caridade, que deve iluminar e alegrar, n\u00e3o s\u00f3 os que s\u00e3o mais queridos, mas\u00a0<i>todos<\/i>\u00a0aqueles que est\u00e3o na casa, sem excetuar ningu\u00e9m\u00bb (Manuscrito C, 12r\u00ba:\u00a0<i>Hist\u00f3ria de uma alma<\/i>, Avessadas 2005, 255-256).<\/p>\n<p>Nesta casa que \u00e9 o mundo, todos t\u00eam direito de ser iluminados pela caridade, ningu\u00e9m pode ser privado dela. Possa a tenacidade do amor de Santa Teresinha inspirar os nossos cora\u00e7\u00f5es neste Dia Mundial, ajudar-nos a \u00abnunca afastar de algum pobre o olhar\u00bb e a mant\u00ea-lo sempre fixo no rosto humano e divino do Senhor Jesus Cristo.<\/p>\n<p><i>Roma \u2013 S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, na Mem\u00f3ria de Santo Ant\u00f3nio, Patrono dos pobres, 13 de junho de 2023.<\/i><\/p>\n<p><strong>FRANCISCO<\/strong><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia Mundial dos Pobres<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":194020,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[226],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Mensagem do Papa para o VII Dia Mundial dos Pobres - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/mensagem-do-papa-para-o-vii-dia-mundial-dos-pobres\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Mensagem do Papa para o VII Dia Mundial dos Pobres - 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