{"id":193044,"date":"2023-03-04T10:00:38","date_gmt":"2023-03-04T13:00:38","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=193044"},"modified":"2023-03-04T10:00:38","modified_gmt":"2023-03-04T13:00:38","slug":"i-pregacao-da-quaresma-2023-renovar-a-novidade-texto-integral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/i-pregacao-da-quaresma-2023-renovar-a-novidade-texto-integral\/","title":{"rendered":"I Prega\u00e7\u00e3o da Quaresma 2023 &#8211; &#8220;Renovar a novidade&#8221; (texto integral)"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_193045\" style=\"width: 1290px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-193045\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-193045 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/rainerro.jpeg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/rainerro.jpeg 1280w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/rainerro-450x253.jpeg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/rainerro-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/rainerro-768x432.jpeg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/rainerro-150x84.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><p id=\"caption-attachment-193045\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Imagem: Vatican Media<\/em><\/p><\/div>\n<div class=\"article__subTitle\">O pregador da Casa Pontif\u00edcia, cardeal Raniero Cantalamessa, OFMCap, prop\u00f4s \u00e0 C\u00faria Romana, nesta sexta-feira, 03 de mar\u00e7o, a primeira prega\u00e7\u00e3o da Quaresma intitulada &#8220;Renovar a novidade&#8221;.<\/div>\n<div class=\"title__separator\"><\/div>\n<div class=\"article__text\">\n<p><b>Fr. Raniero Card. Cantalamessa, OFMCap<\/b><\/p>\n<p><i><b>\u201cIPSA NOVITAS INNOVANDA EST\u201d<\/b><\/i><\/p>\n<p><b>Renovar a novidade<\/b><\/p>\n<p><b>Primeira Prega\u00e7\u00e3o, Quaresma de 2023<\/b><\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da Igreja do final do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do s\u00e9culo XX nos deixou uma amarga li\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o dever\u00edamos esquecer para n\u00e3o repetir o erro que a provocou. Falo do atraso (antes, da recusa) em se dar conta das mudan\u00e7as ocorridas na sociedade, e da crise do Modernismo, que foi a sua consequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Quem estudou, mesmo superficialmente, aquele per\u00edodo, conhece o dano que da\u00ed acarretou tanto para um lado quanto para o outro, isto \u00e9, seja para a Igreja, seja para os chamados \u201cmodernistas\u201d. A falta de di\u00e1logo, por um lado, levou alguns dos mais conhecidos modernistas a posi\u00e7\u00f5es sempre mais extremas e por terminar claramente hereticais; por outro, privou a Igreja de enormes energias, provocando lacera\u00e7\u00f5es e sofrimentos sem sim em seu interior, fazendo-a debru\u00e7ar sempre mais sobre si mesma e perder o passo com os tempos.<\/p>\n<p>O Conc\u00edlio Vaticano II foi a iniciativa prof\u00e9tica para recuperar o tempo perdido. Ele realizou uma renova\u00e7\u00e3o, que, certamente, n\u00e3o \u00e9 o caso de ilustrar novamente nesta sede. Mais do que seus conte\u00fados, interessa-nos, neste momento, o m\u00e9todo inaugurado por ele, que \u00e9 o de caminhar na hist\u00f3ria, ao lado da humanidade, buscando discernir os sinais dos tempos.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria e a vida da Igreja n\u00e3o se detiveram com o Vaticano II. Cuidado ao fazer dele o que se tentou fazer com o Conc\u00edlio de Trento, ou seja, uma linha de chegada e uma meta im\u00f3vel. Se a vida da Igreja se detivesse, seria como acontece a um rio, que chega a uma barreira: transformar-se-ia, inevitavelmente, em um p\u00e2ntano ou um brejo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se deve pensar \u2013 escrevia Or\u00edgenes no III s\u00e9culo \u2013 que seja o bastante sermos renovados apenas uma vez; \u00e9 preciso renovar a pr\u00f3pria novidade:\u00a0<i>\u2018Ipsa novitas innovanda est\u2019<\/i>\u201d<a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/pregacao-quaresma-2023-cardeal-raniero-cantalamessa.html#_ftn1\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Antes dele, o rec\u00e9m-Doutor da Igreja Santo Irineu escrevera: A verdade revelada \u00e9 \u201ccomo um precioso licor contido em um valioso vaso. Por obra do Esp\u00edrito Santo, ela rejuvenesce continuamente e faz rejuvenescer tamb\u00e9m o vaso que a cont\u00e9m\u201d<a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/pregacao-quaresma-2023-cardeal-raniero-cantalamessa.html#_ftn2\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. O \u201cvaso\u201d que cont\u00e9m a verdade revelada \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o viva da Igreja. O \u201cprecioso licor\u201d \u00e9, em primeiro lugar, a Escritura, mas a Escritura lida na Igreja que, \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o mais justa da Tradi\u00e7\u00e3o. O Esp\u00edrito \u00e9, pela sua natureza, novidade. O Ap\u00f3stolo exorta os batizados a servirem a Deus \u201cna novidade do Esp\u00edrito e n\u00e3o na velhice da letra\u201d (Rm 7,6).<\/p>\n<p>N\u00e3o apenas a sociedade n\u00e3o se deteve ao tempo do Vaticano II, mas sofre uma acelera\u00e7\u00e3o vertiginosa. As mudan\u00e7as que um tempo ocorriam em um ou dois s\u00e9culos, hoje ocorrem em uma d\u00e9cada. Esta necessidade de cont\u00ednua renova\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o a necessidade de cont\u00ednua convers\u00e3o, estendida desde o fiel, individualmente, at\u00e9 Igreja inteira, em sua componente humana e hist\u00f3rica. A\u00a0<i>\u201cEcclesia semper reformanda\u201d<\/i>. O verdadeiro problema, portanto, n\u00e3o est\u00e1 na novidade; est\u00e1 mais no modo de encar\u00e1-la. Explico-me. Toda novidade e toda mudan\u00e7a se encontram diante de uma encruzilhada; pode levar a duas estradas opostas: ou a do mundo, ou a de Deus; ou o caminho da morte ou caminho da vida. A\u00a0<i>Didaqu\u00e9<\/i>, um escrito redigido enquanto vivia ao menos um dos doze ap\u00f3stolos, j\u00e1 ilustrava aos fi\u00e9is estes dois caminhos.<\/p>\n<p>Agora temos um meio infal\u00edvel para tomar sempre o caminho da vida e da luz: o Esp\u00edrito Santo. \u00c9 a certeza que Jesus deu aos ap\u00f3stolos antes de deix\u00e1-los:\u00a0<i>\u201cE eu pedirei ao Pai, e ele vos dar\u00e1 um Par\u00e1clito, para que permane\u00e7a sempre convosco\u201d<\/i>\u00a0(Jo 14,16).\u00a0E ainda:\u00a0<i>\u201cO Esp\u00edrito da Verdade, ent\u00e3o ele vos guiar\u00e1 a toda a Verdade\u201d\u00a0<\/i>(Jo 16,13). N\u00e3o far\u00e1 tudo de uma vez, ou de uma vez por todas, mas \u00e0 medida que as situa\u00e7\u00f5es se apresentarem. Antes de deix\u00e1-los definitivamente, no momento da Ascens\u00e3o, o Ressuscitado assegura novamente aos seus disc\u00edpulos a assist\u00eancia do Par\u00e1clito: \u201c<i>Recebereis\u00a0<\/i>\u2013 diz \u2013\u00a0<i>a for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo que vir\u00e1 sobre v\u00f3s e sereis minhas testemunhas em Jerusal\u00e9m, em toda a Judeia e na Samaria, at\u00e9 os confins da terra<\/i>\u201d (At 1,8).<\/p>\n<p>O intuito das cinco prega\u00e7\u00f5es da Quaresma que hoje iniciamos, dito muito simplesmente, \u00e9 justamente este: encorajar-nos a p\u00f4r o Esp\u00edrito Santo no cora\u00e7\u00e3o de toda a vida da Igreja, e, em particular, neste momento, no cora\u00e7\u00e3o dos trabalhos sinodais. Acolher, em outras palavras, o convite urgente que o Ressuscitado dirige, no Apocalipse, a cada uma das sete igrejas da \u00c1sia Menor: \u201c<i>Quem tem ouvidos, ou\u00e7a o que o Esp\u00edrito diz \u00e0s igrejas<\/i>\u201d (Ap 2,7).<\/p>\n<p>\u00c9 o \u00fanico modo, al\u00e9m do mais, para n\u00e3o permanecer, eu mesmo, alheio ao empenho em ato pelo s\u00ednodo. Em uma das minhas primeiras prega\u00e7\u00f5es \u00e0 Casa Pontif\u00edcia, h\u00e1 43 anos, disse na presen\u00e7a de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II: \u201cTenho continuado a exercer por toda a vida o \u00fanico encargo que fazia desde crian\u00e7a\u201d. E expliquei em que sentido. Os meus av\u00f3s maternos cultivavam, por mea\u00e7\u00e3o, um vasto terreno colinoso. Em junho ou julho, havia a colheita, toda manual, com a foice, encurvados sob o sol. Era uma fadiga enorme. Eu e meus primos \u00e9ramos encarregados de levar \u00e1gua continuamente aos ceifadores. \u00c9 isso, eu disse, que tenho continuado a fazer pelo resto da vida. Os ceifadores mudaram, que agora s\u00e3o os oper\u00e1rios da vinha do Senhor, e mudou a \u00e1gua, que agora \u00e9 a Palavra de Deus. Um encargo, o meu, muito menos fadigoso, para dizer a verdade, daquele dos trabalhadores do campo, mas tamb\u00e9m esse, espero, \u00fatil e de algum modo necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Nesta primeira prega\u00e7\u00e3o, limito-me em acolher a li\u00e7\u00e3o que nos vem da Igreja nascente. Gostaria de mostrar, em outras palavras, como o Esp\u00edrito Santo guiou os ap\u00f3stolos e a comunidade crist\u00e3 a dar os primeiros passos na hist\u00f3ria. Quando as palavras de Jesus acima recordadas sobre a assist\u00eancia do Par\u00e1clito foram postas por escrito por Jo\u00e3o, a Igreja j\u00e1 as havia experimentado na pr\u00e1tica, e \u00e9 justamente tal experi\u00eancia, dizem-nos os exegetas, que se reflete nas palavras do evangelista.<\/p>\n<p>Os Atos dos Ap\u00f3stolos nos mostram uma Igreja que \u00e9, passo a passo, \u201cconduzida pelo Esp\u00edrito\u201d. A sua guia se exerce n\u00e3o apenas nas grandes decis\u00f5es, mas tamb\u00e9m nas coisas de menor import\u00e2ncia. Paulo e Tim\u00f3teo querem pregar o evangelho na prov\u00edncia da \u00c1sia, mas \u201co Esp\u00edrito Santo os havia impedido\u201d; tentam ir rumo \u00e0 Bit\u00ednia, mas, est\u00e1 escrito, \u201co Esp\u00edrito de Jesus os impediu\u201d (At 16,6ss.). Compreende-se, em seguida, o porqu\u00ea desta guia assim pr\u00f3xima: o Esp\u00edrito Santo impulsionava deste modo a Igreja nascente a sair da \u00c1sia e olhar para um novo continente, a Europa (cf. At 16,9). Paulo chega a definir-se, em suas escolhas, \u201cprisioneiro no Esp\u00edrito\u201d (At 20,22).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um caminho retil\u00edneo e sem obst\u00e1culos o da Igreja nascente. A primeira grande crise \u00e9 aquela relativa \u00e0 admiss\u00e3o dos gentios na Igreja. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio recordar o seu desenrolar. Interessa-nos apenas recordar como \u00e9 resolvida a crise. Pedro vai ao encontro de Corn\u00e9lio e dos pag\u00e3os? \u00c9 o Esp\u00edrito que lhe ordena (cf. At 10,19; 11,12). E como \u00e9 motivada e comunicada a decis\u00e3o tomada pelos ap\u00f3stolos em Jerusal\u00e9m de acolher os pag\u00e3os na comunidade, sem obrig\u00e1-los \u00e0 circuncis\u00e3o e a toda a legisla\u00e7\u00e3o mosaica? Foi resolvida com aquelas extraordin\u00e1rias palavras iniciais: \u201cPois decidimos, o Esp\u00edrito Santo e n\u00f3s&#8230;\u201d (15,28).<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de fazer arqueologia da Igreja, mas de trazer \u00e0 luz, sempre de novo, o paradigma de toda escolha eclesial. N\u00e3o \u00e9 preciso muito esfor\u00e7o, de fato, para perceber a analogia que h\u00e1 entre a abertura que ent\u00e3o se realizou em rela\u00e7\u00e3o aos gentios, com aquela que hoje se imp\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos leigos, em particular, \u00e0s mulheres, e de outras categorias de pessoas. Por isso, vale a pena recordar a motiva\u00e7\u00e3o que levou Pedro a superar as suas perplexidades e a batizar Corn\u00e9lio e a sua fam\u00edlia. Lemos nos Atos:<\/p>\n<p><i>Pedro estava ainda falando, quando o Esp\u00edrito Santo desceu sobre todos os que estavam escutando a palavra. Os fi\u00e9is de origem judaica, que tinham vindo com Pedro, ficaram admirados de que o dom do Esp\u00edrito Santo fosse derramado tamb\u00e9m sobre os gentios. De fato, eles os ouviam falar em l\u00ednguas e engrandecer a Deus. Ent\u00e3o Pedro falou:\u00a0\u201cPodemos, por acaso, negar a \u00e1gua do Batismo a estas pessoas, que receberam, como n\u00f3s, o Esp\u00edrito Santo?\u201d<\/i>\u00a0(At 10,44-47).<\/p>\n<p>Chamado a justificar a sua conduta em Jerusal\u00e9m, Pedro narra o que acontecera na casa de Corn\u00e9lio e conclui dizendo:<\/p>\n<p><i>Ent\u00e3o, eu me lembrei do que o Senhor havia dito: \u201cJo\u00e3o batizou com \u00e1gua, mas v\u00f3s sereis batizados com o Esp\u00edrito Santo\u201d.\u00a0Se Deus concedeu a eles o mesmo dom que a n\u00f3s, que acreditamos no Senhor Jesus Cristo, quem seria eu para opor-me \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus?\u00a0<\/i>(At 11,16-17).<\/p>\n<p>Se olharmos bem, \u00e9 a mesma motiva\u00e7\u00e3o que levou os Padres do Conc\u00edlio Vaticano II a redefinir o papel dos leigos na Igreja, isto \u00e9, a doutrina dos carismas. Conhecemos bem o texto, mas \u00e9 sempre \u00fatil traz\u00ea-lo \u00e0 mem\u00f3ria:<\/p>\n<p>Este mesmo Esp\u00edrito Santo n\u00e3o s\u00f3 santifica e conduz o Povo de Deus por meio dos sacramentos e minist\u00e9rios e o adorna com virtudes, mas, \u201cdistribuindo a cada um os seus dons como lhe apraz\u201d (1Cor 12,11), distribui tamb\u00e9m gra\u00e7as especiais entre os fi\u00e9is de todas as classes, as quais os tornam aptos e dispostos a tomar diversas obras e encargos, proveitosos para a renova\u00e7\u00e3o e cada vez mais ampla edifica\u00e7\u00e3o da Igreja, segundo aquelas palavras: \u201ca cada qual se concede a manifesta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito em ordem ao bem comum\u201d (1Cor 12,7). Estes carismas, quer sejam os mais elevados, quer tamb\u00e9m os mais simples e comuns, devem ser recebidos com a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as e consola\u00e7\u00e3o<a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/pregacao-quaresma-2023-cardeal-raniero-cantalamessa.html#_ftn3\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Estamos diante da redescoberta da natureza n\u00e3o s\u00f3\u00a0<i>hier\u00e1rquica<\/i>, mas tamb\u00e9m\u00a0<i>carism\u00e1tica<\/i>\u00a0da Igreja. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, na\u00a0<i>\u201cNovo millennio ineunte\u201d<\/i>\u00a0(n. 45), torn\u00e1-la-\u00e1 ainda mais expl\u00edcita, definindo a Igreja como\u00a0<i>hierarquia<\/i>\u00a0e como\u00a0<i>koinonia<\/i>. Em uma primeira leitura, a recente constitui\u00e7\u00e3o sobre a reforma da C\u00faria\u00a0<i>\u201cPraedicate Evangelium\u201d<\/i>\u00a0(para al\u00e9m de todos os aspectos jur\u00eddicos e t\u00e9cnicos sobre os quais sou um perfeito ignorante) me deu a impress\u00e3o de ser um passo \u00e0 frente nessa mesma dire\u00e7\u00e3o: isto \u00e9, em aplicar o princ\u00edpio selado pelo Conc\u00edlio em um setor particular da Igreja, que \u00e9 o seu governo, e a um maior envolvimento dos leigos e das mulheres.<\/p>\n<p>Mas agora devemos dar um passo \u00e0 frente. O exemplo da Igreja apost\u00f3lica n\u00e3o nos ilumina apenas sobre os princ\u00edpios inspiradores, isto \u00e9, sobre a doutrina, mas tamb\u00e9m sobre a praxe eclesial. Diz-nos que nem tudo se resolve com as decis\u00f5es tomadas em um s\u00ednodo, ou com um decreto. H\u00e1 a necessidade de traduzir na pr\u00e1tica tais decis\u00f5es, a chamada \u201crecep\u00e7\u00e3o\u201d dos dogmas. E, para isso, s\u00e3o necess\u00e1rios tempo, paci\u00eancia, di\u00e1logo, toler\u00e2ncia; \u00e0s vezes, tamb\u00e9m o compromisso. Quando \u00e9 feito no Esp\u00edrito Santo, o compromisso n\u00e3o \u00e9 uma cess\u00e3o, ou um desconto dado sobre a verdade, mas \u00e9 caridade e obedi\u00eancia \u00e0s situa\u00e7\u00f5es. Quanta paci\u00eancia e toler\u00e2ncia teve Deus, ap\u00f3s ter dado o Dec\u00e1logo ao seu povo! Quanto teve que esperar longamente \u2013 e deve ainda \u2013 esperar pela sua recep\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Em toda a quest\u00e3o acima recordada, Pedro aparece claramente como o mediador entre Tiago e Paulo, ou seja, entre a preocupa\u00e7\u00e3o da\u00a0<i>continuidade<\/i>\u00a0e aquela da\u00a0<i>novidade<\/i>. Nesta media\u00e7\u00e3o, assistimos a um incidente, que pode nos ser de aux\u00edlio tamb\u00e9m hoje. O incidente \u00e9 aquele de Paulo que, em Antioquia, censura Pedro de hipocrisia por ter evitado se sentar \u00e0 mesa com pag\u00e3os convertidos. Ou\u00e7amos o ocorrido de sua viva voz:<\/p>\n<p><i>Mas, quando Cefas chegou a Antioquia, opus-me a ele abertamente, pois merecia censura. Com efeito, antes que chegassem alguns de junto de Tiago, ele tomava refei\u00e7\u00e3o como os n\u00e3o judeus. Mas, depois que eles chegaram, Cefas come\u00e7ou a esquivar-se e a afastar-se, por medo dos da circuncis\u00e3o<\/i>\u00a0(Gl 2,11-12).<\/p>\n<p>Os \u201cconservadores\u201d do tempo censuravam Pedro por ter ido muito al\u00e9m, indo ao encontro do pag\u00e3o Corn\u00e9lio; Paulo lhe censura por n\u00e3o ter ido bem mais al\u00e9m. Paulo \u00e9 o santo que mais admiro e amo. Mas, neste caso, estou convencido de que se deixou levar (n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica vez!) pelo seu car\u00e1ter de fogo. Pedro em nada pecou por hipocrisia. A prova \u00e9 que, em outra ocasi\u00e3o, Paulo far\u00e1, ele mesmo, exatamente o que fez Pedro em Antioquia. Em Listra, ele fez circuncidar o seu companheiro Tim\u00f3teo \u201cpor causa \u2013 est\u00e1 escrito \u2013 dos judeus que se encontravam nessas regi\u00f5es\u201d (At 16,3), isto \u00e9, para n\u00e3o escandalizar ningu\u00e9m. Aos Cor\u00edntios, escreve que se fez \u201cjudeu com os judeus, a fim de ganhar os judeus\u201d (1Cor 9,20) e, na Carta aos Romanos, recomenda ira o encontro de quem ainda n\u00e3o chegou \u00e0 liberdade da qual ele goza (Rm 14,1ss.).<\/p>\n<p>O papel de mediador que Pedro exerceu entre as tend\u00eancias opostas de Tiago e de Paulo continua nos seus sucessores. N\u00e3o certamente (e isso \u00e9 um bem para a Igreja) de modo uniforme em cada um deles, mas segundo o carisma pr\u00f3prio de cada um que o Esp\u00edrito Santo (e, presume-se, os cardeais abaixo dele) t\u00eam considerado o mais necess\u00e1rio em um dado momento da hist\u00f3ria da Igreja.<\/p>\n<p>Diante dos acontecimentos e realidades pol\u00edticas, sociais e eclesiais, somos levados a nos colocar imediatamente de um lado e a demonizar aquele adverso, a desejar o triunfo da nossa escolha sobre a dos advers\u00e1rios (se come\u00e7a uma guerra, cada um reza ao mesmo Deus para dar a vit\u00f3ria aos pr\u00f3prios ex\u00e9rcitos e aniquilar os do inimigo!). N\u00e3o digo que seja proibido ter prefer\u00eancias: em campo pol\u00edtico, social, teol\u00f3gico e assim por diante, ou que seja poss\u00edvel n\u00e3o as ter. Jamais dever\u00edamos, contudo, pretender que Deus se coloque do nosso lado contra o advers\u00e1rio. E nem mesmo pedir isso a quem nos governa. \u00c9 como pedir a um pai para escolher entre dois filhos; \u00e9 como dizer-lhe: \u201cEscolhe: ou eu, ou o meu advers\u00e1rio; mostra claramente de que lado est\u00e1s!\u201d. Deus est\u00e1\u00a0<i>com<\/i>\u00a0todos e, por isso, n\u00e3o est\u00e1\u00a0<i>contra<\/i>\u00a0ningu\u00e9m! \u00c9 o pai de todos.<\/p>\n<p>O agir de Pedro em Antioquia \u2013 como tamb\u00e9m o de Paulo em Listra \u2013 n\u00e3o era hipocrisia, mas adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s situa\u00e7\u00f5es, ou seja, a escolha do que, em uma certa situa\u00e7\u00e3o, favorece o bem superior da comunh\u00e3o. \u00c9 sobre este ponto que eu gostaria de continuar e concluir esta primeira medita\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m porque isto nos permite passar do que diz respeito \u00e0 Igreja universal ao que diz respeito \u00e0 Igreja local, antes, \u00e0 pr\u00f3pria comunidade, ou fam\u00edlia, e \u00e0 vida espiritual de cada um de n\u00f3s (que \u00e9 o que esperamos, penso, de uma medita\u00e7\u00e3o quaresmal!).<\/p>\n<p>H\u00e1 uma prerrogativa de Deus na B\u00edblia que os Padres amavam enfatizar: a\u00a0<i>synkatabasis<\/i>, isto \u00e9, a condescend\u00eancia. Para S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, ela \u00e9 uma esp\u00e9cie de chave de leitura de toda a B\u00edblia. No Novo Testamento, esta mesma prerrogativa de Deus \u00e9 expressa com o termo benignidade (<i>chrestotes<\/i>). A vinda de Deus na carne \u00e9 vista como a manifesta\u00e7\u00e3o suprema da benignidade de Deus: \u201cQuando se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor pela humanidade\u201d (Tt 3,4).<\/p>\n<p>A\u00a0<i>benignidade<\/i>\u00a0\u2013 hoje tamb\u00e9m dir\u00edamos cortesia \u2013 \u00e9 algo diverso da simples\u00a0<i>bondade<\/i>; \u00e9 ser bom em rela\u00e7\u00e3o aos outros. Deus \u00e9 bom em si mesmo e \u00e9 benigno conosco. Ela \u00e9 um dos frutos do Esp\u00edrito (Gl 5,22); \u00e9 uma componente essencial da caridade (1Cor 13,4) e \u00e9 indicador de \u00e2nimo nobre e superior. Ela ocupa um lugar central na par\u00eanese apost\u00f3lica. Lemos, por exemplo, na Carta aos Colossenses:<\/p>\n<p><i>Portanto, como eleitos de Deus, santos e amados, vesti-vos com sentimentos de compaix\u00e3o, com bondade, humildade, mansid\u00e3o, paci\u00eancia; suportai-vos uns aos outros e, se um tiver motivo de queixa contra o outro, perdoai-vos mutuamente. Como o Senhor vos perdoou, fazei assim tamb\u00e9m v\u00f3s<\/i>\u00a0(Cl 3,12-13).<\/p>\n<p>Este ano, celebramos o quarto centen\u00e1rio da morte de um santo que foi um modelo excelso desta virtude, em uma \u00e9poca tamb\u00e9m ela marcada por \u00e1speras controv\u00e9rsias: S\u00e3o Francisco de Sales. Todos dever\u00edamos nos tornar, na Igreja, um pouco mais condescendentes e tolerantes, menos arraigados em nossas certezas pessoais, conscientes de quantas vezes tivemos que reconhecer dentro de n\u00f3s que est\u00e1vamos errados a respeito de uma pessoa ou de uma situa\u00e7\u00e3o, e de quantas vezes tivemos que nos adaptar tamb\u00e9m n\u00f3s \u00e0s situa\u00e7\u00f5es. Em nossas rela\u00e7\u00f5es eclesiais, n\u00e3o h\u00e1, por sorte \u2013 e jamais deveria haver \u2013, aquela propens\u00e3o ao insulto e ao vilip\u00eandio do advers\u00e1rio, que se nota em certos debates pol\u00edticos e que tanto dano acarreta \u00e0 conviv\u00eancia civil pac\u00edfica.<\/p>\n<p>H\u00e1 algu\u00e9m, \u00e9 verdade, em rela\u00e7\u00e3o ao qual \u00e9 justo e necess\u00e1rio ser intransigente, mas esse algu\u00e9m sou eu mesmo, \u00e9 o meu eu. Somos inclinados, por natureza, a ser intransigentes com os outros e indulgentes conosco mesmos, enquanto dever\u00edamos nos propor em fazer justamente o contr\u00e1rio: severos conosco mesmos, bondosos com os demais. Este prop\u00f3sito, levado a s\u00e9rio, bastaria sozinho para santificar a nossa Quaresma. Dispensar-nos-ia de qualquer outro tipo de jejum e nos disporia a trabalhar com mais fruto e mais serenidade em cada \u00e2mbito da vida da Igreja.<\/p>\n<p>Um \u00f3timo exerc\u00edcio nesse sentido consiste em sermos honestos, no tribunal do pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa com quem estamos em desacordo. Quando percebo que estou submetendo algu\u00e9m a acusa\u00e7\u00e3o dentro de mim, devo prestar aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o me colocar imediatamente da minha parte. Devo parar de passar e repassar as minhas raz\u00f5es como algu\u00e9m que masca um chiclete, e buscar as minhas raz\u00f5es para me colocar, ao inv\u00e9s, no lugar do outro, para compreender suas raz\u00f5es e o que ele tamb\u00e9m poderia dizer a mim.<\/p>\n<p>Este exerc\u00edcio n\u00e3o deve ser feito somente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pessoa individualmente, mas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 corrente de pensamento com a qual estou em desacordo e \u00e0 solu\u00e7\u00e3o por ela proposta a um certo problema em discuss\u00e3o (no S\u00ednodo ou em outro \u00e2mbito). Santo Tom\u00e1s de Aquino nos d\u00e1 o exemplo: ele pressup\u00f5e a cada sua tese as raz\u00f5es do advers\u00e1rio, que jamais banaliza ou ridiculariza, mas leva a s\u00e9rio e a elas responde com o seu\u00a0<i>\u201cSed contra\u201d<\/i>, isto \u00e9, com as raz\u00f5es que considera mais conformes \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 moral. Perguntemo-nos (eu, por primeiro): tamb\u00e9m n\u00f3s fazemos assim?<\/p>\n<p>Jesus diz:\u00a0<i>\u201cN\u00e3o julgueis, e n\u00e3o sereis julgados (&#8230;). Por que reparas no cisco no olho do teu irm\u00e3o, e a trave no teu pr\u00f3prio olho n\u00e3o percebes?\u201d\u00a0<\/i>(Mt 7,1-3). Pode-se viver, perguntamo-nos, sem jamais julgar? A capacidade de julgar n\u00e3o faz parte da nossa estrutura mental e n\u00e3o \u00e9 um dom de Deus? Na reda\u00e7\u00e3o de Lucas, o mandamento de Jesus: \u201cN\u00e3o julgueis, e n\u00e3o sereis julgados\u201d \u00e9 seguido, imediatamente, como para explicitar o sentido destas palavras, pelo mandamento:\u00a0<i>\u201cN\u00e3o condeneis, e n\u00e3o sereis condenados\u201d\u00a0<\/i>(Lc 6,37). N\u00e3o se trata, portanto, de eliminar o ju\u00edzo do nosso cora\u00e7\u00e3o, mas de tirar o veneno do nosso ju\u00edzo! Ou seja, o \u00f3dio, a condena\u00e7\u00e3o, o ostracismo.<\/p>\n<p>Um pai, um superior, um confessor, um juiz, quem quer que tenha alguma responsabilidade sobre os demais, deve julgar. \u00c0s vezes, o julgar \u00e9, antes, justamente o tipo de servi\u00e7o ao qual algu\u00e9m \u00e9 chamado a exercer na sociedade ou na Igreja. A for\u00e7a do amor crist\u00e3o est\u00e1 no fato de que ele \u00e9 capaz de mudar de valor at\u00e9 ao ju\u00edzo e, de ato de n\u00e3o-amor, torn\u00e1-lo um ato de amor. N\u00e3o com as nossas for\u00e7as, mas gra\u00e7as ao amor que \u201cfoi derramado em nossos cora\u00e7\u00f5es pelo Esp\u00edrito Santo que nos foi dado\u201d (Rm 5,5).<\/p>\n<p>Como conclus\u00e3o, fa\u00e7amos nossa a bel\u00edssima ora\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a S\u00e3o Francisco de Assis (talvez n\u00e3o seja sua, mas reflete perfeitamente o seu esp\u00edrito):<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Onde houver \u00f3dio, que eu leve o amor.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Onde houver ofensa, que eu leve o perd\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Onde houver disc\u00f3rdia, que eu leve a uni\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Onde houver d\u00favida, que eu leve a f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Onde houver erro, que eu leve a verdade.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Onde houver desespero, que eu leve a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Onde houver trevas, que eu leve a luz.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">E acrescentemos:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Onde houver malignidade, que eu leve a benignidade.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">Onde houver aspereza, que eu leve a gentileza!<\/p>\n<p>_______________________________<\/p>\n<p><em>Vatican News &#8211; Tradu\u00e7\u00e3o de Fr. Ricardo Farias, ofmcap<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/pregacao-quaresma-2023-cardeal-raniero-cantalamessa.html#_ftnref1\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Cf. Or\u00edgenes,\u00a0<i>In Rom.\u00a0<\/i>5,8; PG 14, 1042.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/pregacao-quaresma-2023-cardeal-raniero-cantalamessa.html#_ftnref2\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0Cf. Santo Irineu,\u00a0<i>Adversus Haereses<\/i>, III, 24,1.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/pt\/vaticano\/news\/2023-03\/pregacao-quaresma-2023-cardeal-raniero-cantalamessa.html#_ftnref3\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a><i>Lumen gentium,<\/i>\u00a012.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>I Prega\u00e7\u00e3o da Quaresma 2023<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":193045,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[375],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>I Prega\u00e7\u00e3o da Quaresma 2023 - &quot;Renovar a novidade&quot; (texto integral) - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/i-pregacao-da-quaresma-2023-renovar-a-novidade-texto-integral\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"I Prega\u00e7\u00e3o da Quaresma 2023 - &quot;Renovar a novidade&quot; 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