{"id":192798,"date":"2023-01-03T06:53:48","date_gmt":"2023-01-03T09:53:48","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=192798"},"modified":"2023-01-03T06:56:11","modified_gmt":"2023-01-03T09:56:11","slug":"totum-amoris-est-carta-apostolica-do-papa-francisco-no-iv-centenario-da-morte-de-sao-francisco-de-sales","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/totum-amoris-est-carta-apostolica-do-papa-francisco-no-iv-centenario-da-morte-de-sao-francisco-de-sales\/","title":{"rendered":"&#8220;Totum Amoris Est&#8221;, Carta Apost\u00f3lica do Papa Francisco no IV Centen\u00e1rio da Morte de S\u00e3o Francisco de Sales"},"content":{"rendered":"<div class=\"testo\">\n<div class=\"abstract text parbase vaticanrichtext\">\n<div id=\"attachment_192799\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-192799\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-192799 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/sales_03.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/sales_03.jpg 840w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/sales_03-450x241.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/sales_03-768x411.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/sales_03-150x80.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><p id=\"caption-attachment-192799\" class=\"wp-caption-text\"><em>S\u00e3o Francisco de Sales, de Francisco Bayeu (Museo del Prado), o fundador da Ordem da Visita\u00e7\u00e3o de Maria (Wikip\u00e9dia). <\/em><\/p><\/div>\n<div class=\"clearfix\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"text parbase vaticanrichtext\">\n<p>\u00abTOTUM AMORIS EST \u2013 tudo pertence ao amor\u00bb:\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0nestas palavras, podemos recolher o legado espiritual deixado por S\u00e3o Francisco de Sales, que morreu h\u00e1 quatro s\u00e9culos, em 28 de dezembro de 1622, em Lyon. Tinha pouco mais de cinquenta anos, e era bispo e pr\u00edncipe \u00abexilado\u00bb de Genebra desde h\u00e1 vinte anos. Chegara a Li\u00e3o na sequ\u00eancia da sua \u00faltima incumb\u00eancia diplom\u00e1tica. O duque de Saboia pedira-lhe que acompanhasse a Avinh\u00e3o o Cardeal Maur\u00edcio de Saboia. Juntos, prestariam homenagem ao jovem rei Lu\u00eds XIII, que regressava a Paris, subindo o vale do R\u00f3dano, depois duma vitoriosa campanha militar no sul da Fran\u00e7a. Cansado e com a sa\u00fade debilitada, Francisco partira por puro esp\u00edrito de servi\u00e7o. \u00abSe n\u00e3o fosse de grande utilidade ao seu servi\u00e7o que eu fizesse esta viagem, teria certamente muito boas e s\u00f3lidas raz\u00f5es para me eximir; mas tratando-se do seu servi\u00e7o, vivo ou morto n\u00e3o me recusarei; irei a p\u00e9 ou de rasto\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0Assim era o seu temperamento. Chegado finalmente a Li\u00e3o, hospedou-se no mosteiro das Visitandinas, na casa do jardineiro, para n\u00e3o causar demasiado inc\u00f3modo e, ao mesmo tempo, estar mais livre para encontrar quem o desejasse.<\/p>\n<p>Desde h\u00e1 muito tempo que pouco o impressionavam as \u00abinst\u00e1veis grandezas da corte\u00bb,\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0pelo que gastou tamb\u00e9m os seus \u00faltimos dias exercendo o minist\u00e9rio de pastor numa sucess\u00e3o de compromissos: confiss\u00f5es, di\u00e1logos, confer\u00eancias, serm\u00f5es e as \u00faltimas irrecus\u00e1veis cartas de amizade espiritual. A raz\u00e3o profunda deste estilo de vida cheio de Deus foi-se-lhe tornando cada vez mais clara com o passar do tempo e assim a formulara, com simplicidade e precis\u00e3o, no c\u00e9lebre\u00a0<i>Tratado do Amor de Deus<\/i>: \u00abSe o homem pensa com um pouco de aten\u00e7\u00e3o na divindade, imediatamente sente uma doce emo\u00e7\u00e3o no seu cora\u00e7\u00e3o, o que prova que Deus \u00e9 o Deus do cora\u00e7\u00e3o humano\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>\u00a0\u00c9 a s\u00edntese do seu pensamento. A experi\u00eancia de Deus \u00e9 uma evid\u00eancia do cora\u00e7\u00e3o humano. N\u00e3o se trata duma constru\u00e7\u00e3o mental, mas dum reconhecimento repleto de maravilha e gratid\u00e3o em consequ\u00eancia da manifesta\u00e7\u00e3o de Deus. No cora\u00e7\u00e3o e atrav\u00e9s do cora\u00e7\u00e3o \u00e9 que se realiza aquele subtil e intenso processo unit\u00e1rio em virtude do qual o homem reconhece a Deus e conjuntamente a si mesmo, a sua origem e profundidade, a sua realiza\u00e7\u00e3o na voca\u00e7\u00e3o ao amor. Descobre que a f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um movimento cego, mas primariamente uma atitude do cora\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s dela, o homem confia-se a uma verdade que se apresenta \u00e0 consci\u00eancia como uma \u00abdoce emo\u00e7\u00e3o\u00bb, capaz de suscitar, correlativa e irrenunciavelmente, o bem-querer a cada realidade criada, como ele gostava de dizer.<\/p>\n<p>\u00c0 luz disto, compreende-se como para S\u00e3o Francisco de Sales n\u00e3o houvesse melhor lugar para encontrar Deus e ajudar a procur\u00e1-Lo do que no cora\u00e7\u00e3o de cada mulher e homem do seu tempo. Aprendera-o observando-se cuidadosamente a si mesmo, desde a mais tenra juventude, e examinando o cora\u00e7\u00e3o humano.<\/p>\n<p>Com o sentido \u00edntimo duma quotidianidade habitada por Deus, deixara \u00e0s suas Visitandinas, no \u00faltimo encontro daqueles dias em Li\u00e3o, a frase com que gostaria de ser lembrado por elas em seguida: \u00abResumi tudo nestas duas palavras, quando vos disse para n\u00e3o recusar nada, nem desejar nada; n\u00e3o tenho mais nada para vos dizer\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>\u00a0N\u00e3o se tratava, por\u00e9m, dum exerc\u00edcio de puro voluntarismo, \u00abuma vontade sem humildade\u00bb,\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>\u00a0aquela subtil tenta\u00e7\u00e3o do caminho para a santidade que a confunde com a justifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das pr\u00f3prias for\u00e7as, com a adora\u00e7\u00e3o da vontade humana e da pr\u00f3pria capacidade, \u00abque se traduz numa autocomplac\u00eancia egoc\u00eantrica e elitista, desprovida do verdadeiro amor\u00bb;\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>\u00a0e menos ainda um exerc\u00edcio de puro quietismo, abandono passivo, frio, a uma doutrina sem carne nem hist\u00f3ria.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>\u00a0Mas nascia da contempla\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida do Filho encarnado. Era o dia 26 de dezembro e o Santo falava \u00e0s Irm\u00e3s no cora\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio do Natal: \u00abVedes o Menino Jesus na manjedoura? Recebe todas as agruras do tempo, o frio e tudo aquilo que o Pai permite que Lhe aconte\u00e7a. N\u00e3o recusa as pequenas consola\u00e7\u00f5es que sua M\u00e3e Lhe d\u00e1, mas tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 escrito que estendesse as m\u00e3ozinhas para ter o peito da M\u00e3e; deixara tudo ao cuidado e previs\u00e3o d\u2019Ela. De igual modo n\u00e3o devemos desejar nada nem recusar nada, suportando tudo aquilo que Deus nos enviar, o frio e as agruras do tempo\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>\u00a0\u00c9 comovente a sua solicitude em reconhecer como indispens\u00e1vel o cuidado do que \u00e9 humano. Concluindo, foi na escola da Encarna\u00e7\u00e3o que aprendera a ler a hist\u00f3ria e situar-se nela com confian\u00e7a.<\/p>\n<p><i>O crit\u00e9rio do amor<\/i><\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da experi\u00eancia, reconhecera o desejo como a raiz de toda a verdadeira vida espiritual e, ao mesmo tempo, como o lugar da sua adultera\u00e7\u00e3o. Por isso, bebendo com ambas as m\u00e3os da tradi\u00e7\u00e3o espiritual que o precedera, compreendeu a import\u00e2ncia de p\u00f4r o desejo constantemente \u00e0 prova, atrav\u00e9s dum exerc\u00edcio cont\u00ednuo de discernimento. O crit\u00e9rio \u00faltimo para a sua avalia\u00e7\u00e3o, encontrara-o no amor. Ainda naquela \u00faltima recrea\u00e7\u00e3o em Li\u00e3o, na festa de Santo Est\u00eav\u00e3o, dois dias antes de sua morte, dissera: \u00ab\u00c9 o amor que d\u00e1 perfei\u00e7\u00e3o \u00e0s nossas obras. Mais vos digo\u2026 Pensai numa pessoa que sofre o mart\u00edrio por Deus apenas com uma on\u00e7a de amor; tem certamente grande merecimento, j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 dom maior do que o da pr\u00f3pria vida; mas outra pessoa que sofra apenas um arranh\u00e3o com duas on\u00e7as de amor, ter\u00e1 um merecimento muito maior, porque a caridade e o amor \u00e9 que d\u00e3o valor \u00e0s nossas obras\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>E, com surpreendente concretiza\u00e7\u00e3o, continuou ilustrando a dif\u00edcil rela\u00e7\u00e3o entre contempla\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o: \u00abSabeis ou dever\u00edeis saber que a contempla\u00e7\u00e3o em si mesma \u00e9 melhor do que a a\u00e7\u00e3o e a vida ativa; mas, se na vida ativa se encontrar maior uni\u00e3o [com Deus], ent\u00e3o esta \u00e9 melhor. Se uma irm\u00e3, que est\u00e1 na cozinha a olhar pelas panelas ao lume, tiver maior amor e caridade do que outra, n\u00e3o ser\u00e1 o lume material a det\u00ea-la, antes pelo contr\u00e1rio ajud\u00e1-la-\u00e1 a ser mais agrad\u00e1vel a Deus. Sucede com bastante frequ\u00eancia estar unido a Deus na a\u00e7\u00e3o como se est\u00e1 na solid\u00e3o; no fim, volto sempre \u00e0 quest\u00e3o de ver onde se encontre maior amor\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>\u00a0O impulso que supera verdadeiramente qualquer rigidez in\u00fatil ou fechamento em si mesmo \u00e9 perguntar-se em cada momento, em cada op\u00e7\u00e3o, em cada circunst\u00e2ncia da vida onde se encontra o amor maior.N\u00e3o foi por acaso que S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II chamara S\u00e3o Francisco de Sales o \u00abDoutor do amor divino\u00bb,\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>\u00a0mas por ter escrito um ponderoso\u00a0<i>Tratado<\/i>\u00a0sobre o mesmo e sobretudo porque foi testemunha dele. Ali\u00e1s os seus escritos n\u00e3o se podem considerar como uma teoria elaborada no escrit\u00f3rio, longe das preocupa\u00e7\u00f5es do homem comum. Com efeito, a sua doutrina nasceu duma escuta atenta da experi\u00eancia; limitou-se a transformar em doutrina aquilo que vivia e lia, com perspic\u00e1cia iluminada pelo Esp\u00edrito, na sua singular e inovadora a\u00e7\u00e3o pastoral. Encontra-se uma s\u00edntese deste modo de proceder no\u00a0<i>Pref\u00e1cio<\/i>\u00a0do pr\u00f3prio\u00a0<i>Tratado do Amor de Deus<\/i>: \u00abNa santa Igreja, tudo pertence ao amor, vive no amor, faz-se por amor e vem do amor\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p><i>Os anos da primeira forma\u00e7\u00e3o: a aventura de se conhecer em Deus<\/i><\/p>\n<p>Nasceu em 21 de agosto de 1567, no castelo de Sales, perto de Thorens, filho de Francisco de Nouvelles, senhor de Boisy, e de Francisca de Sionnaz. \u00abViveu entre dois s\u00e9culos, XVI-XVII, e reuniu em si o melhor dos ensinamentos e das conquistas culturais do s\u00e9culo que terminava, reconciliando a heran\u00e7a do humanismo com o impulso rumo ao absoluto, pr\u00f3prio das correntes m\u00edsticas\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><\/p>\n<p>Depois da sua forma\u00e7\u00e3o cultural inicial, primeiro no col\u00e9gio de La Roche-sur-Foron e depois no de Annecy, chegou ao rec\u00e9m-fundado col\u00e9gio jesu\u00edta Clermont em Paris. Na capital do reino de Fran\u00e7a, devastada pelas guerras de religi\u00e3o, teve a breve dist\u00e2ncia duas crises interiores consecutivas, que marcar\u00e3o indelevelmente a sua vida. Aquela fervorosa ora\u00e7\u00e3o feita na Igreja de Saint-\u00c9tienne-des-Gr\u00e9s, diante da Virgem Morena de Paris, acender-lhe-\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o, no meio da escurid\u00e3o, uma chama que permanecer\u00e1 viva nele para sempre como chave de leitura da experi\u00eancia pr\u00f3pria e alheia. \u00abSuceda o que suceder, V\u00f3s, Senhor, tendes tudo nas vossas m\u00e3os e todos os vossos caminhos s\u00e3o justi\u00e7a e verdade, (&#8230;) eu Vos amarei, Senhor (&#8230;), amar-Vos-ei aqui, \u00f3 meu Deus, e sempre esperarei na vossa miseric\u00f3rdia e incessantemente repetirei o vosso louvor. (\u2026) \u00d3 Senhor Jesus, V\u00f3s sereis sempre a minha esperan\u00e7a e a minha salva\u00e7\u00e3o na terra dos vivos\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p>Assim redigira no seu caderno, reencontrando a paz. E esta experi\u00eancia, com as suas ansiedades e interroga\u00e7\u00f5es, permanecer\u00e1 sempre iluminadora para ele e proporcionar-lhe-\u00e1 uma singular via de acesso ao mist\u00e9rio da rela\u00e7\u00e3o de Deus com o homem. Ajud\u00e1-lo-\u00e1 a auscultar a vida dos outros e a reconhecer, com sagaz discernimento, a atitude interior que une o pensamento ao sentir, a raz\u00e3o aos afetos e que designa pelo nome o \u00abDeus do cora\u00e7\u00e3o humano\u00bb. Seguindo por este caminho, Francisco n\u00e3o correu o perigo de atribuir um valor te\u00f3rico \u00e0 sua experi\u00eancia pessoal, absolutizando-a, mas aprendeu algo de extraordin\u00e1rio, fruto da gra\u00e7a: ler em Deus a viv\u00eancia pr\u00f3pria e alheia.<\/p>\n<p>Embora nunca tenha pretendido elaborar um verdadeiro e pr\u00f3prio sistema teol\u00f3gico, a sua reflex\u00e3o sobre a vida espiritual teve uma eminente dignidade teol\u00f3gica. Sobressaem nele os tra\u00e7os essenciais de fazer teologia, no \u00e2mbito da qual n\u00e3o se deve jamais esquecer duas dimens\u00f5es constitutivas. A primeira \u00e9 precisamente\u00a0<i>a vida espiritual<\/i>, porque \u00e9 na ora\u00e7\u00e3o humilde e perseverante, na abertura ao Esp\u00edrito Santo, que se pode procurar compreender e exprimir o Verbo de Deus; \u00e9 no crisol da ora\u00e7\u00e3o que se torna te\u00f3logo. A segunda dimens\u00e3o \u00e9\u00a0<i>a vida eclesial<\/i>: sentir na Igreja e com a Igreja. A pr\u00f3pria teologia se ressentiu com a cultura individualista, mas o te\u00f3logo crist\u00e3o elabora o seu pensamento imerso na comunidade, partindo nela o p\u00e3o da Palavra.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>\u00a0A reflex\u00e3o de Francisco de Sales, \u00e0 margem das disputas escolares do seu tempo e todavia no respeito por elas, surge justamente destes dois tra\u00e7os constitutivos.<\/p>\n<p><i>A descoberta dum mundo novo<\/i><\/p>\n<p>Terminados os estudos humanistas, avan\u00e7ou para os de direito na Universidade de P\u00e1dua. De volta a Annecy, tinha j\u00e1 decidido o rumo da sua vida, n\u00e3o obstante as resist\u00eancias paternas. Foi ordenado sacerdote em 18 de dezembro de 1593; nos primeiros dias de setembro do ano seguinte, a convite do bispo D. Claude de Granier, foi chamado para ir trabalhar na dif\u00edcil miss\u00e3o do Chablais, territ\u00f3rio pertencente \u00e0 diocese de Annecy, de confiss\u00e3o calvinista, que, no intrincado labirinto de guerras e tratados de paz, passara de novo sob o controle do ducado de Saboia. Foram anos intensos e dram\u00e1ticos. L\u00e1 descobriu, a par de qualquer r\u00edgida intransig\u00eancia que mais tarde lhe far\u00e1 pensar, os seus dotes de mediador e homem de di\u00e1logo. Al\u00e9m disso revelou-se inventor de pr\u00e1ticas pastorais originais e ousadas, como os famosos \u00abpanfletos\u00bb, afixados por todo o lado e at\u00e9 metidos por baixo da porta das casas.<\/p>\n<p>Em 1602, volta a Paris no desempenho duma delicada miss\u00e3o diplom\u00e1tica, por conta do pr\u00f3prio Granier e sob concreta indica\u00e7\u00e3o da S\u00e9 Apost\u00f3lica, na sequ\u00eancia de mais uma mudan\u00e7a no quadro pol\u00edtico-religioso do territ\u00f3rio da diocese de Genebra. Apesar das boas inten\u00e7\u00f5es do rei de Fran\u00e7a, a miss\u00e3o n\u00e3o teve sucesso. Ele mesmo escreveu ao Papa Clemente VIII: \u00abDepois de nove meses inteiros, fui for\u00e7ado a regressar sem ter conclu\u00eddo quase nada\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>\u00a0Contudo aquela miss\u00e3o revelou-se, para ele e para a Igreja, duma inesperada riqueza do ponto de vista humano, cultural e religioso. No tempo deixado livre pelas negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, Francisco pregou na presen\u00e7a do rei e da corte de Fran\u00e7a, teceu rela\u00e7\u00f5es importantes e sobretudo mergulhou totalmente na prodigiosa primavera espiritual e cultural da moderna capital do reino.<\/p>\n<p>L\u00e1 tudo havia mudado e estava a mudar. Ele pr\u00f3prio se deixara tocar e interpelar pelos grandes problemas que surgiam no mundo e pela nova forma de os observar, pelo surpreendente pedido de espiritualidade que nascera, bem como pelas quest\u00f5es in\u00e9ditas que a mesma colocava. Em suma, deu-se conta duma verdadeira \u00abmudan\u00e7a de \u00e9poca\u00bb, \u00e0 qual era preciso responder atrav\u00e9s de linguagens antigas e novas. N\u00e3o era certamente a primeira vez que se deparava com crist\u00e3os fervorosos, mas tratava-se de algo diferente. N\u00e3o era a cidade de Paris transtornada pelas guerras de religi\u00e3o, que vira nos seus anos de forma\u00e7\u00e3o, nem a \u00e1spera luta travada nos territ\u00f3rios do Chablais. Era uma realidade inesperada: uma multid\u00e3o \u00abde santos, de verdadeiros santos, numerosos e por toda a parte\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>\u00a0Havia homens e mulheres de cultura, professores da Sorbonne, representantes das institui\u00e7\u00f5es, pr\u00edncipes e princesas, servos e servas, religiosos e religiosas. Um variegado mundo sedento de Deus.<\/p>\n<p>Encontrar aquelas pessoas e individuar as suas interroga\u00e7\u00f5es foi uma das circunst\u00e2ncias providenciais mais importantes da sua vida. Assim, dias aparentemente in\u00fateis e malsucedidos transformaram-se numa escola incompar\u00e1vel para ler os humores da \u00e9poca, sem nunca os adular. Nele, o controversista h\u00e1bil e incans\u00e1vel ia-se transformando, pela gra\u00e7a, num sagaz int\u00e9rprete do tempo e extraordin\u00e1rio diretor de almas. A sua a\u00e7\u00e3o pastoral, as grandes obras (<i>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Devota<\/i>\u00a0e\u00a0<i>Tratado do Amor de Deus<\/i>), os milhares de cartas de amizade espiritual que ser\u00e3o enviadas, dentro e fora dos muros de conventos e mosteiros, a religiosos e religiosas, a homens e mulheres da corte, mas tamb\u00e9m a pessoas comuns, o encontro com Joana Francisca de Chantal e a pr\u00f3pria funda\u00e7\u00e3o da\u00a0<i>Visita\u00e7\u00e3o<\/i>\u00a0em 1610 ficariam incompreens\u00edveis sem esta viragem interior. Evangelho e cultura encontravam, ent\u00e3o, uma s\u00edntese fecunda da qual derivava a intui\u00e7\u00e3o dum verdadeiro m\u00e9todo que atingiu a matura\u00e7\u00e3o e estava pronto para uma colheita duradoura e promissora.<\/p>\n<p>Numa das primeiras cartas de dire\u00e7\u00e3o e amizade espiritual, enviada a uma das comunidades visitadas em Paris, Francisco de Sales fala \u2013 embora com humildade \u2013 de um \u00abseu m\u00e9todo\u00bb, que se diferencia de outros, visando uma verdadeira reforma. Um m\u00e9todo que renuncia \u00e0 dureza e se apoia plenamente na dignidade e capacidade duma alma devota, n\u00e3o obstante as suas fraquezas: \u00abFica-me a d\u00favida de que se possa opor \u00e0 vossa reforma ainda outro impedimento: talvez aqueles que vo-la impuseram, trataram a chaga com demasiada dureza. (\u2026) Louvo o m\u00e9todo deles, embora n\u00e3o seja o que costumo usar, especialmente com esp\u00edritos nobres e bem educados como os vossos. Acho que seja melhor limitar-se a mostrar-lhes o mal e colocar o bisturi nas suas m\u00e3os, para que fa\u00e7am eles mesmos a incis\u00e3o necess\u00e1ria. Mas n\u00e3o descuideis, por isso, a reforma de que precisais\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>\u00a0Transparecem nestas palavras aquele olhar que tornou c\u00e9lebre o otimismo salesiano e que deixou a sua marca duradoura na hist\u00f3ria da espiritualidade, para sucessivos florescimentos, como no caso de S\u00e3o Jo\u00e3o Bosco dois s\u00e9culos depois.<\/p>\n<p>Retornado a Annecy, foi ordenado bispo em 8 de dezembro daquele ano 1602. A influ\u00eancia do seu minist\u00e9rio episcopal, na Europa dessa \u00e9poca e dos s\u00e9culos sucessivos, \u00e9 imensa. \u00ab\u00c9 ap\u00f3stolo, pregador, escritor, homem de a\u00e7\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o; comprometido na realiza\u00e7\u00e3o dos ideais do Conc\u00edlio de Trento; empenhado na controv\u00e9rsia e no di\u00e1logo com os protestantes, experimentando cada vez mais, para al\u00e9m do necess\u00e1rio confronto teol\u00f3gico, a efic\u00e1cia da rela\u00e7\u00e3o pessoal e da caridade; encarregado de miss\u00f5es diplom\u00e1ticas a n\u00edvel europeu e de tarefas sociais de media\u00e7\u00e3o e de reconcilia\u00e7\u00e3o\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>\u00a0Sobretudo \u00e9 int\u00e9rprete da mudan\u00e7a de \u00e9poca e guia das almas num tempo em que, duma maneira nova, t\u00eam sede de Deus.<\/p>\n<p><i>A caridade faz tudo pelos seus filhos<\/i><\/p>\n<p>Nos anos 1620 ou 1621, isto \u00e9, j\u00e1 no limiar de sa\u00edda da sua vida, Francisco dirigia, a um sacerdote da sua diocese, palavras que podem ilustrar a sua vis\u00e3o da \u00e9poca. Encorajava-o a concretizar o seu desejo de se dedicar a escrever textos originais, capazes de intercetar os novos interrogativos, intuindo a sua necessidade. \u00abDevo dizer-vos que o conhecimento, que vou adquirindo dia a dia dos humores do mundo, me leva a desejar apaixonadamente que a Bondade divina inspire algum dos seus servos a escrever segundo o gosto deste pobre mundo\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>\u00a0A raz\u00e3o deste encorajamento provinha da sua vis\u00e3o do tempo: \u00abo mundo est\u00e1 a tornar-se t\u00e3o delicado que, em breve, j\u00e1 n\u00e3o se ousar\u00e1 toc\u00e1-lo sen\u00e3o com luvas de veludo, nem medicar as suas chagas sen\u00e3o com cataplasmas de cebola; mas que importa, desde que os homens sejam curados e, em \u00faltima an\u00e1lise, salvos? A nossa rainha, a caridade, faz tudo pelos seus filhos\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>\u00a0N\u00e3o se tratava de um dado \u00f3bvio e muito menos de uma rendi\u00e7\u00e3o final face a uma derrota. Era antes a intui\u00e7\u00e3o duma mudan\u00e7a em ato e da exig\u00eancia, inteiramente evang\u00e9lica, de compreender como se poderia viver nela.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, a mesma consci\u00eancia aparecia j\u00e1 amadurecida e expressa no\u00a0<i>Pref\u00e1cio<\/i>\u00a0do\u00a0<i>Tratado do Amor de Deus<\/i>: \u00abTive presente a mentalidade das pessoas deste s\u00e9culo, e n\u00e3o podia proceder diversamente; \u00e9 muito importante ter em conta o tempo em que se escreve\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>\u00a0E, apelando-se \u00e0 benevol\u00eancia do leitor, afirmava: \u00abSe sentes que o estilo \u00e9 um pouco diferente do usado em\u00a0<i>Filoteu<\/i>, e ambos muito distantes do da\u00a0<i>Defesa da Cruz<\/i>, recorda-te que, em dezanove anos, se aprende e esquece muitas coisas, que a linguagem da guerra \u00e9 diversa da paz e que, aos jovens principiantes, fala-se duma forma e, aos antigos companheiros, doutra\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>\u00a0Mas, perante esta mudan\u00e7a, por onde come\u00e7ar? N\u00e3o se afastando da mesma hist\u00f3ria de Deus com o homem. Da\u00ed a inten\u00e7\u00e3o \u00faltima do seu\u00a0<i>Tratado<\/i>: \u00abNa realidade, propus-me apenas representar, com simplicidade e genuinidade, sem artif\u00edcios e, com maior for\u00e7a de raz\u00e3o, sem adornos, a hist\u00f3ria do nascimento, crescimento, decad\u00eancia, opera\u00e7\u00f5es, propriedades, vantagens e sublimes qualidades do amor divino\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/p>\n<p><i>As interpela\u00e7\u00f5es duma mudan\u00e7a de \u00e9poca<\/i><\/p>\n<p>Na passagem do quarto centen\u00e1rio da sua morte, interroguei-me sobre o legado de S\u00e3o Francisco de Sales para a nossa \u00e9poca e achei iluminadoras a sua flexibilidade e capacidade de vis\u00e3o. Em parte, por dom de Deus, em parte, pela \u00edndole pessoal mas tamb\u00e9m pela tenacidade com que se debru\u00e7ava sobre vida di\u00e1ria concreta, teve a n\u00edtida perce\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a dos tempos. Ele mesmo confessa nunca ter imaginado reconhecer nisso uma oportunidade para o an\u00fancio do Evangelho. A Palavra, que tinha amado desde a sua juventude, era capaz de abrir caminho, desvendando novos e imprevis\u00edveis horizontes, num mundo em r\u00e1pida transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tal \u00e9 a tarefa essencial que nos espera tamb\u00e9m nesta nossa mudan\u00e7a de \u00e9poca: uma Igreja n\u00e3o autorreferencial, liberta de toda a mundanidade mas capaz de habitar no seio do mundo, partilhar a vida das pessoas, caminhar juntos, escutar e acolher.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a>\u00a0Foi o que Francisco de Sales p\u00f4s em pr\u00e1tica, interpretando a sua \u00e9poca com a ajuda da gra\u00e7a. Por isso convida-nos a sair da preocupa\u00e7\u00e3o excessiva connosco, com as estruturas, a imagem social, perguntando-nos antes quais sejam as necessidades concretas e as expetativas espirituais de nosso povo.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a>\u00a0Assim, \u00e9 importante nos dias de hoje reler algumas das suas op\u00e7\u00f5es cruciais, para habitar por dentro a mudan\u00e7a com sabedoria evang\u00e9lica.<\/p>\n<p><i>A brisa e as asas<\/i><\/p>\n<p>A primeira de tais op\u00e7\u00f5es foi reler e repropor a cada um, na sua condi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, a rela\u00e7\u00e3o feliz entre Deus e o ser humano. No fundo, a raz\u00e3o \u00faltima e o objetivo concreto do\u00a0<i>Tratado<\/i>\u00a0\u00e9 precisamente ilustrar aos contempor\u00e2neos o fasc\u00ednio do amor de Deus. \u00abQuais s\u00e3o \u2013 pergunta-se ele \u2013 as cordas habituais com que a Provid\u00eancia divina costuma atrair os nossos cora\u00e7\u00f5es ao seu amor?\u00bb\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a>\u00a0Partindo sugestivamente do texto de Oseias 11, 4,\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a>\u00a0define esses meios ordin\u00e1rios como \u00abla\u00e7os de humanidade ou de caridade e amizade\u00bb. Escreve: \u00abSem d\u00favida, n\u00e3o somos atra\u00eddos para Deus com correntes de ferro, como touros e b\u00fafalos, mas por meio de convites, deliciosas atra\u00e7\u00f5es e santas inspira\u00e7\u00f5es, que constituem ali\u00e1s os\u00a0<i>la\u00e7os de Ad\u00e3o e da humanidade<\/i>, isto \u00e9, adaptados e convenientes ao cora\u00e7\u00e3o humano, para o qual \u00e9 natural a liberdade\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a>\u00a0Foi atrav\u00e9s destes la\u00e7os que Deus tirou o seu povo da escravid\u00e3o, ensinando-o a andar, segurando-o pela m\u00e3o, como faz um pai ou a m\u00e3e com o seu menino. Por conseguinte, nenhuma imposi\u00e7\u00e3o externa, nenhuma for\u00e7a desp\u00f3tica e arbitr\u00e1ria, nenhuma viol\u00eancia; mas antes a forma persuasiva dum convite que deixa intacta a liberdade do homem. E continua, pensando certamente em tantas hist\u00f3rias de vida que encontrara: \u00aba gra\u00e7a tem for\u00e7a, n\u00e3o para for\u00e7ar, mas para atrair o cora\u00e7\u00e3o; possui uma santa viol\u00eancia, n\u00e3o para violar, mas para tornar amorosa a nossa liberdade; age com for\u00e7a, mas t\u00e3o suavemente que a nossa vontade n\u00e3o fica esmagada sob uma a\u00e7\u00e3o poderosa desse g\u00e9nero; impele-nos, mas n\u00e3o sufoca a nossa liberdade, pelo que, em presen\u00e7a da sua for\u00e7a, \u00e9 poss\u00edvel \u2013 como quisermos \u2013 consentir ou resistir \u00e0s suas mo\u00e7\u00f5es\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn31\" name=\"_ftnref31\">[31]<\/a><\/p>\n<p>A mesma rela\u00e7\u00e3o, esbo\u00e7ara-a pouco antes no curioso exemplo dos \u00e1podes: \u00abH\u00e1 certas aves, Te\u00f3timo, que Arist\u00f3teles chama \u201c\u00e1podes\u201d porque t\u00eam pernas t\u00e3o curtas e p\u00e9s t\u00e3o d\u00e9beis que n\u00e3o podem servir-se deles \u2013 \u00e9 como se os n\u00e3o tivessem \u2013; e, se por acaso poisam em terra, ficam ali, sem poder retomar o voo sozinhas, porque, n\u00e3o possuindo o uso das pernas nem dos p\u00e9s, n\u00e3o conseguem ganhar impulso e lan\u00e7ar-se ao ar; ent\u00e3o permanecem aninhadas por terra e morrem ali, a n\u00e3o ser que o vento, suprindo a sua incapacidade com lufadas sobre a terra, as tome e levante, como faz com muitas outras coisas. Neste caso, se elas se servirem das asas e valerem do \u00edmpeto e do primeiro impulso que lhes d\u00e1 o vento, o pr\u00f3prio vento continua a vir em sua ajuda, impelindo-as cada vez mais para o alto ajudando-as a retomar de novo o voo\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a>\u00a0Assim \u00e9 o homem: feito por Deus para voar e desenvolver todas as suas potencialidades na voca\u00e7\u00e3o ao amor, arrisca-se a ficar incapaz de levantar voo quando cai por terra e n\u00e3o permite reabrir as asas \u00e0 brisa do Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Concluindo, a \u00abforma\u00bb como a gra\u00e7a de Deus se dirige aos homens \u00e9 a dos la\u00e7os preciosos e human\u00edssimos de Ad\u00e3o. A for\u00e7a de Deus n\u00e3o cessa de ser absolutamente capaz de devolver o voo e, no entanto, a sua do\u00e7ura faz com que a liberdade do consentimento ao mesmo n\u00e3o seja violada nem aniquilada. Cabe ao homem levantar-se ou n\u00e3o. Embora a gra\u00e7a o tenha tocado ao despertar, sem ele, aquela n\u00e3o quer que o homem se levante sem o seu consentimento. Daqui tira a sua reflex\u00e3o conclusiva: \u00abTe\u00f3timo, as inspira\u00e7\u00f5es precedem-nos e fazem-se sentir antes de nos apercebermos, mas, depois de as advertirmos, cabe-nos consentir colaborando e seguindo os seus impulsos, ou dissentir e recus\u00e1-las: fazem-se sentir em n\u00f3s sem n\u00f3s, mas n\u00e3o se fazem consentir sem n\u00f3s\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a>\u00a0Portanto, na rela\u00e7\u00e3o com Deus, trata-se sempre duma experi\u00eancia de gratuidade, que atesta a profundidade do amor do Pai.<\/p>\n<p>Todavia, esta gra\u00e7a nunca torna o homem passivo. Leva a compreender que somos radicalmente precedidos pelo amor de Deus, e que o seu primeiro dom consiste precisamente em recebermos o seu pr\u00f3prio amor. Mas cada um tem o dever de cooperar na sua realiza\u00e7\u00e3o, abrindo com confian\u00e7a as pr\u00f3prias asas \u00e0 brisa de Deus. Vemos aqui um aspeto importante da nossa voca\u00e7\u00e3o humana: sermos criadores. \u00abA ordem de Deus a Ad\u00e3o e Eva, no G\u00e9nesis, \u00e9 de que fossem fecundos. A humanidade recebeu a ordem de mudar, construir e dominar a Cria\u00e7\u00e3o, no sentido positivo de criar a partir dela e com ela. Ent\u00e3o, o futuro n\u00e3o depende dum mecanismo invis\u00edvel do qual os humanos s\u00e3o espetadores passivos. N\u00e3o, somos protagonistas, somos \u2013 for\u00e7ando a palavra \u2013\u00a0<i>concriadores<\/i>\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a>\u00a0Foi isto que Francisco de Sales compreendeu bem e procurou transmitir no seu minist\u00e9rio de guia espiritual.<\/p>\n<p><i>A verdadeira devo\u00e7\u00e3o<\/i><\/p>\n<p>Uma segunda grande op\u00e7\u00e3o crucial foi debru\u00e7ar-se sobre a quest\u00e3o da devo\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m neste caso, como ali\u00e1s nos nossos dias, a nova mudan\u00e7a de \u00e9poca levantara n\u00e3o poucos interrogativos a tal respeito. Em particular, h\u00e1 dois aspetos que precisam, tamb\u00e9m hoje, de ser compreendidos e relan\u00e7ados: o primeiro tem a ver com a pr\u00f3pria ideia de devo\u00e7\u00e3o; o segundo, com o seu car\u00e1ter universal e popular. Come\u00e7ou por indicar o que se entende por devo\u00e7\u00e3o, dedicando-lhe a sua aten\u00e7\u00e3o no in\u00edcio de\u00a0<i>Filoteu<\/i>: \u00ab\u00c9 necess\u00e1rio, em primeiro lugar, que saibas o que \u00e9 a virtude da devo\u00e7\u00e3o. Verdadeira, h\u00e1 apenas uma; falsas e v\u00e3s, h\u00e1 muitas; e se n\u00e3o souberes distinguir a verdadeira, podes cair no erro e perder tempo correndo atr\u00e1s de qualquer devo\u00e7\u00e3o absurda e supersticiosa\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a><\/p>\n<p>Graciosa e sempre atual \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o feita por Francisco de Sales da falsa devo\u00e7\u00e3o, na qual n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil rever-nos, intercalada aqui e ali por eficazes ditos de s\u00e3o humorismo: \u00abQuem se consagra ao jejum, pensar\u00e1 que \u00e9 devoto porque n\u00e3o come, enquanto tem o cora\u00e7\u00e3o cheio de rancor; e enquanto n\u00e3o se permite banhar a l\u00edngua no vinho e nem sequer na \u00e1gua por amor da sobriedade, n\u00e3o sentir\u00e1 qualquer escr\u00fapulo em mergulh\u00e1-la no sangue do pr\u00f3ximo com a maledic\u00eancia e a cal\u00fania. Outro pensar\u00e1 que \u00e9 devoto porque bisbilha todo o dia uma s\u00e9rie intermin\u00e1vel de ora\u00e7\u00f5es; e n\u00e3o dar\u00e1 peso \u00e0s palavras m\u00e1s, arrogantes e injuriosas que a sua l\u00edngua lan\u00e7ar\u00e1, no resto do dia, aos servos e vizinhos. Outro ainda levar\u00e1 de bom grado a m\u00e3o \u00e0 carteira para dar esmola aos pobres, mas n\u00e3o conseguir\u00e1 extrair do cora\u00e7\u00e3o uma migalha de do\u00e7ura para perdoar os inimigos; e outrem, por sua vez, perdoar\u00e1 aos inimigos, mas pagar as d\u00edvidas nem lhe passar\u00e1 pela cabe\u00e7a; ser\u00e1 preciso o tribunal\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a>\u00a0Trata-se evidentemente de v\u00edcios e dificuldades de sempre, inclusive de hoje, pelo que o Santo conclui: \u00abToda esta boa gente \u00e9 considerada devota pela opini\u00e3o comum, mas n\u00e3o o \u00e9 de forma alguma\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, a novidade e a verdade da devo\u00e7\u00e3o encontram-se noutro ponto, numa raiz profundamente ligada \u00e0 vida divina em n\u00f3s. Assim \u00aba devo\u00e7\u00e3o verdadeira e viva exige o amor de Deus; antes, nada mais \u00e9 do que um verdadeiro amor de Deus; n\u00e3o um amor entendido genericamente\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn38\" name=\"_ftnref38\">[38]<\/a>\u00a0Na sua ideia, aquela n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o, \u00abem poucas palavras, uma esp\u00e9cie de agilidade e vivacidade espiritual pela qual a caridade age em n\u00f3s ou, se quisermos, n\u00f3s agimos por meio dela com prontid\u00e3o e afeto\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a>\u00a0Por isso, n\u00e3o se coloca a par da caridade, mas \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o dela e, ao mesmo tempo, a ela conduz. \u00c9 como uma chama em rela\u00e7\u00e3o ao fogo: aviva-lhe a intensidade, sem alterar a sua qualidade. \u00abEm conclus\u00e3o, pode-se dizer que caridade e devo\u00e7\u00e3o diferem entre si como o fogo da chama; a caridade \u00e9 um fogo espiritual que, quando arde com uma chama forte, chama-se devo\u00e7\u00e3o: a devo\u00e7\u00e3o s\u00f3 acrescenta ao fogo da caridade a chama que torna a caridade pronta, ativa e diligente, n\u00e3o s\u00f3 na observ\u00e2ncia dos Mandamentos de Deus, mas tamb\u00e9m no exerc\u00edcio dos conselhos e inspira\u00e7\u00f5es do C\u00e9u\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a>\u00a0Assim entendida, a devo\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem nada de abstrato; antes, \u00e9 um estilo de vida, um modo de estar no concreto da exist\u00eancia quotidiana. Congrega e interpreta as pequenas coisas do dia a dia: o alimento e o vestu\u00e1rio, o trabalho e o lazer, o amor e a gera\u00e7\u00e3o, a aten\u00e7\u00e3o aos deveres profissionais; em resumo, ilumina a voca\u00e7\u00e3o de cada um.<\/p>\n<p>Aqui intui-se a raiz popular da devo\u00e7\u00e3o, afirmada desde as primeiras frases de\u00a0<i>Filoteu<\/i>: \u00abQuase todos aqueles que trataram da devo\u00e7\u00e3o tiveram em vista instruir pessoas separadas do mundo ou, pelo menos, ensinaram um g\u00e9nero de devo\u00e7\u00e3o que leva a este isolamento. Eu pretendo oferecer os meus ensinamentos \u00e0queles que vivem nas cidades, em fam\u00edlia, na corte, e que, em virtude do seu estado, s\u00e3o obrigados, pelas conveni\u00eancias sociais, a viver no meio dos outros\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn41\" name=\"_ftnref41\">[41]<\/a>\u00a0\u00c9 por isso que est\u00e1 muito enganado quem pensa relegar a devo\u00e7\u00e3o para qualquer \u00e2mbito protegido e reservado. Pelo contr\u00e1rio, ela \u00e9 de todos e para todos, onde quer que estejam, e cada um pode pratic\u00e1-la segundo a sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o. Como escrevia S\u00e3o Paulo VI no IV centen\u00e1rio do nascimento de Francisco de Sales, \u00aba santidade n\u00e3o \u00e9 prerrogativa duma classe ou doutra; mas \u00e9 dirigido a todos os crist\u00e3os este premente convite: \u201cAmigo, vem mais para cima\u201d (\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a014, 10);todos s\u00e3o obrigados a subir a montanha de Deus, embora nem todos pelo mesmo caminho. \u201cA devo\u00e7\u00e3o deve ser exercida de forma diferente pelo cavalheiro, pelo artes\u00e3o, pelo servente de mesa, pelo pr\u00edncipe, pela vi\u00fava, pela jovem, pela esposa. Mais ainda, a pr\u00e1tica da devo\u00e7\u00e3o deve ser adaptada \u00e0s for\u00e7as, aos neg\u00f3cios e aos deveres de cada um\u201d\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn42\" name=\"_ftnref42\">[42]<\/a>\u00a0Atravessar a cidade secular conservando a interioridade, combinar o desejo de perfei\u00e7\u00e3o com cada estado de vida encontrando um centro que n\u00e3o se separa do mundo, mas ensina a viver nele, a apreci\u00e1-lo aprendendo tamb\u00e9m a guardar as justas dist\u00e2ncias do mesmo: tal era a sua inten\u00e7\u00e3o, e continua a ser uma li\u00e7\u00e3o preciosa para cada mulher e homem do nosso tempo.<\/p>\n<p>Trata-se, ali\u00e1s, do tema conciliar da voca\u00e7\u00e3o universal \u00e0 santidade: \u00abMunidos de tantos e t\u00e3o grandes meios de salva\u00e7\u00e3o, todos os fi\u00e9is, seja qual for a sua condi\u00e7\u00e3o e estado, s\u00e3o chamados pelo Senhor \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o do Pai, cada um por seu caminho\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn43\" name=\"_ftnref43\">[43]<\/a>\u00a0Cada um por seu caminho&#8230; \u00abPor isso, uma pessoa n\u00e3o deve desanimar, quando contempla modelos de santidade que lhe parecem inating\u00edveis\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn44\" name=\"_ftnref44\">[44]<\/a>\u00a0A m\u00e3e Igreja prop\u00f5e-no-los, n\u00e3o para procurarmos copi\u00e1-los, mas para que nos estimulem a caminhar pelo caminho, \u00fanico e espec\u00edfico, que o Senhor pensou para n\u00f3s. \u00abImportante \u00e9 que cada crente discirna o seu pr\u00f3prio caminho e traga \u00e0 luz o melhor de si mesmo, quanto Deus colocou nele de muito pessoal (cf.\u00a0<i>1 Cor<\/i>\u00a012, 7)\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn45\" name=\"_ftnref45\">[45]<\/a><\/p>\n<p><i>O \u00eaxtase da vida<\/i><\/p>\n<p>Tudo isso levou o santo Bispo a considerar a vida crist\u00e3 na sua integralidade como \u00abo \u00eaxtase da a\u00e7\u00e3o e da vida\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn46\" name=\"_ftnref46\">[46]<\/a>\u00a0Todavia n\u00e3o deve ser confundido com uma fuga f\u00e1cil ou uma retirada intimista, e menos ainda com uma obedi\u00eancia triste e cinzenta. Sabemos que este perigo est\u00e1 sempre presente na vida de f\u00e9. De facto, \u00abh\u00e1 crist\u00e3os que parecem ter escolhido viver uma Quaresma sem P\u00e1scoa. (\u2026) Compreendo as pessoas que se vergam \u00e0 tristeza por causa das graves dificuldades que t\u00eam que suportar, mas aos poucos \u00e9 preciso permitir que a alegria da f\u00e9 comece a despertar, como uma secreta mas firme confian\u00e7a, mesmo no meio das piores ang\u00fastias\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn47\" name=\"_ftnref47\">[47]<\/a><\/p>\n<p>Permitir despertar a alegria \u00e9 precisamente o que Francisco de Sales exprime ao descrever o \u00ab\u00eaxtase da a\u00e7\u00e3o e da vida\u00bb. Gra\u00e7as a tal \u00eaxtase, \u00abn\u00e3o vivemos apenas uma vida civil, honesta e crist\u00e3, mas uma vida sobre-humana, espiritual, devota e ext\u00e1tica, ou seja, uma vida que em todo o caso est\u00e1 fora e acima da nossa condi\u00e7\u00e3o natural\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn48\" name=\"_ftnref48\">[48]<\/a>\u00a0Estamos aqui nas p\u00e1ginas centrais e mais luminosas do\u00a0<i>Tratado<\/i>. O \u00eaxtase \u00e9 o excesso feliz da vida crist\u00e3, projetada para al\u00e9m da mediocridade da mera observ\u00e2ncia: \u00abn\u00e3o roubar, n\u00e3o mentir, n\u00e3o cair na lux\u00faria, rezar a Deus, n\u00e3o jurar em v\u00e3o, amar e honrar o pai, n\u00e3o matar \u00e9 viver segundo a raz\u00e3o natural do homem; mas abandonar todos os nossos bens, amar a pobreza, cham\u00e1-la e consider\u00e1-la uma patroa deliciosa, considerar os opr\u00f3brios, o desprezo, as abje\u00e7\u00f5es, as persegui\u00e7\u00f5es, os mart\u00edrios como felicidade e bem-aventuran\u00e7a, manter-se dentro dos limites duma castidade absoluta e, finalmente, viver no mundo e nesta vida mortal contra todas as opini\u00f5es e m\u00e1ximas do mundo e contra corrente do rio desta vida, com habitual resigna\u00e7\u00e3o, ren\u00fancia e abnega\u00e7\u00e3o de n\u00f3s mesmos n\u00e3o \u00e9 viver segundo a natureza humana, mas acima dela; n\u00e3o \u00e9 viver em n\u00f3s, mas fora de n\u00f3s e acima de n\u00f3s: e como ningu\u00e9m pode sair, deste modo, acima de si mesmo se n\u00e3o o atrai o Pai eterno, segue-se que tal modo de viver deve ser um arrebatamento cont\u00ednuo e um perp\u00e9tuo \u00eaxtase de a\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn49\" name=\"_ftnref49\">[49]<\/a><\/p>\n<p>\u00c9 uma vida que reencontrou as fontes da alegria, contra todo o seu definhamento, contra a tenta\u00e7\u00e3o de se fechar em si mesma. De facto, \u00abo grande risco do mundo atual, com sua m\u00faltipla e avassaladora oferta de consumo, \u00e9 uma tristeza individualista que brota do cora\u00e7\u00e3o comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consci\u00eancia isolada. Quando a vida interior se fecha nos pr\u00f3prios interesses, deixa de haver espa\u00e7o para os outros, j\u00e1 n\u00e3o entram os pobres, j\u00e1 n\u00e3o se ouve a voz de Deus, j\u00e1 n\u00e3o se goza a doce alegria do seu amor, nem fervilha o entusiasmo de fazer o bem. Este \u00e9 um risco, certo e permanente, que correm tamb\u00e9m os crentes. Muitos caem nele, transformando-se em pessoas ressentidas, queixosas, sem vida\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn50\" name=\"_ftnref50\">[50]<\/a><\/p>\n<p>Por fim S\u00e3o Francisco acrescenta, \u00e0 descri\u00e7\u00e3o do \u00ab\u00eaxtase da a\u00e7\u00e3o e da vida\u00bb, dois esclarecimentos importantes, mesmo para o nosso tempo. O primeiro refere um crit\u00e9rio eficaz para o discernimento da verdade neste mesmo estilo de vida; o segundo, a sua fonte profunda. Quanto ao crit\u00e9rio de discernimento, afirma que, se por um lado tal \u00eaxtase implica uma verdadeira e pr\u00f3pria sa\u00edda de si mesmo, por outro n\u00e3o significa um abandono da vida. \u00c9 importante nunca o esquecer, para evitar desvios perigosos. Por outras palavras, quem presume que est\u00e1 a elevar-se para Deus, mas n\u00e3o vive a caridade para com o pr\u00f3ximo, engana-se a si mesmo e aos outros.<\/p>\n<p>Encontramos aqui o mesmo crit\u00e9rio que ele aplicava \u00e0 qualidade da verdadeira devo\u00e7\u00e3o. \u00abQuando se encontra uma pessoa que, na ora\u00e7\u00e3o, tem arrebatamentos por meio dos quais sai e se eleva acima de si mesma at\u00e9 Deus, mas n\u00e3o tem \u00eaxtase de vida, isto \u00e9, n\u00e3o leva uma vida elevada e unida a Deus (&#8230;) sobretudo por meio duma incessante caridade, acredita-me, Te\u00f3timo, todos os seus arrebatamentos s\u00e3o muito duvidosos e perigosos\u00bb. E, de grande efic\u00e1cia, \u00e9 a sua conclus\u00e3o: \u00abEstar acima de si mesmo na ora\u00e7\u00e3o e abaixo de si mesmo na vida e na a\u00e7\u00e3o, ser ang\u00e9lico na medita\u00e7\u00e3o e animal no di\u00e1logo, \u00e9 um verdadeiro sinal de que tais arrebatamentos e \u00eaxtases n\u00e3o passam de divertimentos e enganos do esp\u00edrito maligno\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn51\" name=\"_ftnref51\">[51]<\/a>\u00a0Substancialmente \u00e9 aquilo que j\u00e1 Paulo lembrava aos Cor\u00edntios no hino da caridade: \u00abAinda que eu tenha t\u00e3o grande f\u00e9 que transporte montanhas, mas n\u00e3o tiver amor, nada sou. Ainda que eu distribua todos os meus bens e entregue o meu corpo para ser queimado, se n\u00e3o tiver amor, de nada me vale\u00bb (\u00a0<i>1 Cor<\/i>\u00a013, 2-3).<\/p>\n<p>Assim, para S\u00e3o Francisco de Sales, a vida crist\u00e3 nunca \u00e9 tal sem \u00eaxtase e, todavia, o \u00eaxtase n\u00e3o \u00e9 aut\u00eantico sem a vida. De facto, a vida sem o \u00eaxtase corre o risco de se reduzir a uma obedi\u00eancia opaca, a um Evangelho que esqueceu a sua alegria. Por outro lado, o \u00eaxtase sem a vida exp\u00f5e-se facilmente \u00e0 ilus\u00e3o e ao engano do Maligno. As grandes polaridades da vida crist\u00e3 n\u00e3o se podem dissolver uma na outra. Quando muito, uma mant\u00e9m a outra na sua autenticidade. Deste modo, a verdade n\u00e3o \u00e9 tal sem a justi\u00e7a, a complac\u00eancia sem a responsabilidade, a espontaneidade sem a lei; e vice-versa.<\/p>\n<p>Passando agora \u00e0 fonte profunda deste \u00eaxtase, sapientemente liga-o ao amor manifestado pelo Filho encarnado. Se \u00e9 verdade que, por um lado, \u00abo amor \u00e9 o primeiro ato e o princ\u00edpio da nossa vida devota ou espiritual, por meio da qual vivemos, sentimos, nos comovemos\u00bb e, por outro, \u00aba vida espiritual \u00e9 como s\u00e3o os nossos movimentos afetivos\u00bb, \u00e9 claro que \u00abum cora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem afeto, n\u00e3o tem amor\u00bb, bem como \u00abum cora\u00e7\u00e3o que tem amor, n\u00e3o \u00e9 sem movimento afetivo\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn52\" name=\"_ftnref52\">[52]<\/a>\u00a0Mas a fonte deste amor que atrai o cora\u00e7\u00e3o \u00e9 a vida de Jesus Cristo: \u00abn\u00e3o h\u00e1 nada que fa\u00e7a tanta press\u00e3o sobre o cora\u00e7\u00e3o do homem como o amor\u00bb, e o ponto culminante de tal press\u00e3o \u00e9 ver que \u00abJesus Cristo morreu por n\u00f3s, deu-nos a vida com a sua morte. Vivemos apenas porque Ele morreu e morreu por n\u00f3s, para nosso benef\u00edcio e em n\u00f3s\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn53\" name=\"_ftnref53\">[53]<\/a><\/p>\n<p>\u00c9 comovente esta indica\u00e7\u00e3o que manifesta, al\u00e9m duma vis\u00e3o esclarecida e que n\u00e3o era \u00f3bvia da rela\u00e7\u00e3o entre Deus e o homem, o estreito v\u00ednculo afetivo que ligava o santo Bispo ao Senhor Jesus. A verdade do \u00eaxtase da vida e da a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 gen\u00e9rica, mas deriva da forma da caridade de Cristo, que culmina na cruz. Este amor n\u00e3o anula a exist\u00eancia, mas f\u00e1-la brilhar com uma qualidade extraordin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por isso S\u00e3o Francisco de Sales, com uma imagem muito bela, descreve o Calv\u00e1rio como \u00abo monte dos enamorados\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn54\" name=\"_ftnref54\">[54]<\/a>\u00a0L\u00e1, e somente l\u00e1, se compreende que \u00abn\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ter a vida sem o amor, nem o amor sem a morte do Redentor; mas, fora de l\u00e1, tudo \u00e9 morte eterna ou amor eterno, e toda a sabedoria crist\u00e3 consiste em saber escolher bem\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn55\" name=\"_ftnref55\">[55]<\/a>\u00a0Assim pode encerrar o seu\u00a0<i>Tratado<\/i>\u00a0remetendo para a conclus\u00e3o dum discurso de Santo Agostinho sobre a caridade: \u00abQue h\u00e1 de mais fiel que a caridade? Fiel n\u00e3o ao ef\u00e9mero, mas ao eterno. Ela tudo suporta na vida presente, pela simples raz\u00e3o que acredita em tudo sobre a vida futura: suporta todas as coisas que aqui nos s\u00e3o dadas suportar, porque espera tudo o que lhe foi prometido l\u00e1. Justamente nunca acaba. Por isso praticai a caridade e produzi, meditando-a santamente, frutos de justi\u00e7a. E se encontrardes, em louvor dela, outras coisas que n\u00e3o vos tenha dito agora, que isso se veja no vosso modo de viver\u00bb.\u00a0<a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftn56\" name=\"_ftnref56\">[56]<\/a><\/p>\n<p>Isto \u00e9 o que transparece da vida do santo Bispo de Annecy e que, mais uma vez, \u00e9 entregue a cada um de n\u00f3s. Que a passagem do IV centen\u00e1rio do seu nascimento para o C\u00e9u nos ajude a record\u00e1-lo devotamente e que o Senhor, por sua intercess\u00e3o, derrame abundantemente os dons do Esp\u00edrito no caminho do santo Povo fiel de Deus.<\/p>\n<p><i>Roma, S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, 28 de dezembro de 2022.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>FRANCISCO<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr align=\"left\" size=\"1\" width=\"33%\" \/>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0S. Francisco de Sales,\u00a0<i>Tratado do Amor de Deus<\/i>, Pref\u00e1cio: editado por Ravier-Devos, Paris 1969, 336.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0Idem, Carta (2103) \u00abAo senhor Silvestre de Saluces de la Mente, Abade de Altacomba\u00bb, 3 de novembro de 1622:\u00a0<i>\u0152uvres de Saint Fran\u00e7ois de Sales<\/i>, XXVI, Annecy 1932, 490-491.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Idem, Carta (1961) \u00abA uma senhora\u00bb, 19 de dezembro de 1622:\u00a0<i>\u0152uvres de Saint Fran\u00e7ois de Sales<\/i>, XX (\u00a0<i>Lettres<\/i>, X:\u00a0<i>1621-1622<\/i>), Annecy 1918, 395.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0Idem,\u00a0<i>Tratado do Amor de Deus<\/i>, I, 15: editado por Ravier-Devos, Paris 1969, 395.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0Idem,\u00a0<i>Recrea\u00e7\u00f5es Espirituais<\/i>\u00a0(21, a \u00daltima Recrea\u00e7\u00e3o): editadas por Ravier-Devos, Paris 1969, 1319.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>\u00a0Francisco, Exort. ap.\u00a0<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#Uma_vontade_sem_humildade\">Gaudete et exsultate<\/a><\/i>\u00a0(19\/III\/2018), 49:\u00a0<i>AAS<\/i>\u00a0110 (2018), 1124.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>\u00a0\u00a0<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#Os_novos_pelagianos\">Ibid<\/a>.<\/i>, 57:\u00a0<i>o. c.<\/i>, 1127.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>\u00a0Cf.\u00a0<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#Uma_mente_sem_Deus_e_sem_carne\">ibid<\/a>.<\/i>, 37-39:\u00a0<i>o. c.<\/i>, 1121-1122.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>\u00a0S. Francisco de Sales,\u00a0<i>Recrea\u00e7\u00f5es Espirituais<\/i>\u00a0(21, a \u00daltima Recrea\u00e7\u00e3o): editadas por Ravier-Devos, Paris 1969, 1319.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibid.<\/i>, 1308.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibidem.<\/i><\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>\u00a0<i>Carta a D. Yves Boivineau, Bispo de Annecy, por ocasi\u00e3o dos 400 anos da Ordena\u00e7\u00e3o Episcopal de S\u00e3o Francisco de Sales<\/i>\u00a0(23\/XI\/2002), 3:\u00a0<i>Insegnamenti di Giovanni Paolo II<\/i>, XXV\/2 (2002), 767.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a>\u00a0S. Francisco de Sales,\u00a0<i>Tratado do Amor de Deus<\/i>, Pref\u00e1cio: editado por Ravier-Devos, Paris 1969, 336.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a>\u00a0Bento\u00a0XVI, \u00ab\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/audiences\/2011\/documents\/hf_ben-xvi_aud_20110302.html\">Catequese<\/a>\u00bb do dia 2 de mar\u00e7o de 2011:\u00a0<i>Insegnamenti di Benedetto XVI<\/i>, VII\/1 (2011), 270.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a>\u00a0S. Francisco de Sales, \u00abFragmentos de escritos \u00edntimos (3: Ato de heroico abandono)\u00bb:\u00a0<i>\u0152uvres de Saint Fran\u00e7ois de Sales<\/i>, XXII (\u00a0<i>Op\u00fasculos<\/i>, I), Annecy 1925, 41.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a>\u00a0Cf. Francisco,\u00a0<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2019\/november\/documents\/papa-francesco_20191129_commissione-teologica.html\">Discurso \u00e0 Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional<\/a><\/i>, 29 de novembro de 2019:\u00a0<i>L&#8217;Osservatore Romano<\/i>\u00a0(30\/XI\/2019), 8.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a>\u00a0S. Francisco de Sales, Carta (165) \u00abA Sua Santidade Clemente VIII\u00bb, nos finais de outubro de 1602:\u00a0<i>\u0152uvres de Saint Fran\u00e7ois de Sales<\/i>, XII (\u00a0<i>Lettres<\/i>, II:\u00a0<i>1599-1604<\/i>), Annecy 1902, 128.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a>\u00a0H. Bremond, \u00abO humanismo devoto 1580-1660\u00bb:\u00a0\u00a0<i>Histoire litt\u00e9raire du sentiment religieux en France, depuis la fin des guerres de religion jusqu\u2019\u00e0 nos jours<\/i>, I, J\u00e9r\u00f4me Millon, Grenoble2006, 131.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a>\u00a0S. Francisco de Sales, Carta (168) \u00ab\u00c0s religiosas do mosteiro das \u201cFilhas de Deus\u201d\u00bb, 22 de novembro de 1602:\u00a0<i>\u0152uvres de Saint Fran\u00e7ois de Sales<\/i>, XII (\u00a0<i>Lettres<\/i>, II:\u00a0<i>1599-1604<\/i>), Annecy 1902, 105.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a>\u00a0Bento\u00a0XVI, \u00ab\u00a0<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/audiences\/2011\/documents\/hf_ben-xvi_aud_20110302.html\">Catequese<\/a>\u00bb do dia 2 de mar\u00e7o de 2011:\u00a0<i>Insegnamenti di Benedetto XVI<\/i>, VII\/1 (2011), 272.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>S. Francisco de Sales, Carta (1869)\u00a0<i>\u00ab<\/i>Ao senhor Pierre Jay\u00bb, por 1620 ou 1621:\u00a0<i>\u0152uvres de Saint Fran\u00e7ois de Sales<\/i>, XX (\u00a0<i>Lettres<\/i>, X:\u00a0<i>1621-1622<\/i>), Annecy 1918, 219.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibidem<\/i>.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a>\u00a0S. Francisco de Sales,\u00a0<i>Tratado do Amor de Deus<\/i>, Pref\u00e1cio: editado por Ravier-Devos, Paris 1969, 339.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibid.<\/i>, 347.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibid.<\/i>, 338-339.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a>\u00a0Cf. Francisco,\u00a0<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2021\/september\/documents\/20210913-bratislava-religiosi.html\">Discurso aos bispos, sacerdotes, religiosos, seminaristas e catequistas<\/a><\/i>\u00a0(Bratislava 13 de setembro de 2021):\u00a0<i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>\u00a0(13\/IX\/2021), 11-12.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a>\u00a0Cf.\u00a0<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2021\/september\/documents\/20210913-bratislava-religiosi.html\">Ibidem<\/a>.<\/i><\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a>\u00a0S. Francisco de Sales,\u00a0<i>Tratado do Amor de Deus<\/i>, II, 12: editado por Ravier-Devos, Paris 1969, 444.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a>\u00a0Eis o texto de Oseias: \u00abSegurava-os com la\u00e7os humanos [na Vulgata:\u00a0<i>in funiculis Adam<\/i>], com la\u00e7os de amor, fui para eles como os que levantam uma criancinha contra o seu rosto; inclinei-Me para ele para lhe dar de comer\u00bb.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a>\u00a0S. Francisco de Sales,\u00a0<i>Tratado do Amor de Deus<\/i>, II, 12: editado por Ravier-Devos, Paris 1969, 444.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a>\u00a0<i>Ibid.<\/i>, II, 12:\u00a0<i>edi\u00e7\u00e3o citada<\/i>, 444-445.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibid.<\/i>, II, 9:\u00a0<i>edi\u00e7\u00e3o citada<\/i>, 434.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibid.<\/i>, II, 12:\u00a0<i>edi\u00e7\u00e3o citada<\/i>, 446.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a>\u00a0Francisco,\u00a0<i>\u00a0Vamos Sonhar Juntos. O Caminho para um Futuro Melhor<\/i>, Em conversa com Austen Ivereigh (Editora Intr\u00ednseca \u2013 Rio de Janeiro 2020), 10.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a>\u00a0S. Francisco de Sales,\u00a0<i>Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Vida Devota<\/i>, I, 1: editado por Ravier-Devos, Paris 1969, 31.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibid.\u00a0<\/i>I, 1:\u00a0<i>edi\u00e7\u00e3o citada<\/i>, 31-32.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibid.\u00a0<\/i>I, 1:\u00a0<i>edi\u00e7\u00e3o citada<\/i>, 32.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibidem<\/i>.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibidem<\/i>.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a>\u00a0<i>Ibid.\u00a0<\/i>I, 1:\u00a0<i>edi\u00e7\u00e3o citada<\/i>, 33.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibid.<\/i>, Pref\u00e1cio:\u00a0<i>edi\u00e7\u00e3o citada<\/i>, 23.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref42\" name=\"_ftn42\">[42]<\/a>\u00a0Epist. ap.\u00a0<i>Sabaudiae gemma<\/i>, no IV centen\u00e1rio do nascimento de S\u00e3o Francisco de Sales, doutor da Igreja (29\/I\/1967):\u00a0<i>AAS<\/i>\u00a059 (1967), 119.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref43\" name=\"_ftn43\">[43]<\/a>\u00a0Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm.\u00a0<i>Lumen gentium<\/i>, 11.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref44\" name=\"_ftn44\">[44]<\/a>\u00a0Francisco, Exort. ap.\u00a0<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#O_Senhor_chama\">Gaudete et exsultate<\/a><\/i>, 11:\u00a0<i>AAS<\/i>\u00a0110 (2018), 1114.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref45\" name=\"_ftn45\">[45]<\/a>\u00a0\u00a0<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#O_Senhor_chama\">Ibidem<\/a><\/i>.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref46\" name=\"_ftn46\">[46]<\/a>\u00a0S. Francisco de Sales,\u00a0<i>Tratado do Amor de Deus<\/i>, VII, 6: editado por Ravier-Devos, Paris 1969, 682.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref47\" name=\"_ftn47\">[47]<\/a>\u00a0Francisco, Exort. ap.\u00a0<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#I.__Alegria_que_se_renova_e_comunica\">Evangelii gaudium<\/a><\/i>\u00a0(24\/XI\/2013), 6:\u00a0<i>AAS<\/i>\u00a0105 (2013), 1021-1022.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref48\" name=\"_ftn48\">[48]<\/a>\u00a0S. Francisco de Sales,\u00a0<i>Tratado do Amor de Deus<\/i>, VII, 6: editado por Ravier-Devos, Paris 1969, 682-683.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref49\" name=\"_ftn49\">[49]<\/a>\u00a0<i>Ibid.\u00a0<\/i>VII, 6:\u00a0<i>edi\u00e7\u00e3o citada<\/i>, 683.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref50\" name=\"_ftn50\">[50]<\/a>\u00a0Francisco, Exort. ap.\u00a0<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#I.__Alegria_que_se_renova_e_comunica\">Evangelii gaudium<\/a><\/i>, 2:\u00a0<i>AAS<\/i>\u00a0105 (2013), 1019-1020.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref51\" name=\"_ftn51\">[51]<\/a>\u00a0S. Francisco de Sales,\u00a0<i>Tratado do Amor de Deus<\/i>, VII, 7: editado por Ravier-Devos, Paris 1969, 685.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref52\" name=\"_ftn52\">[52]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibid.\u00a0<\/i>VII, 7:\u00a0<i>edi\u00e7\u00e3o citada<\/i>, 684.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref53\" name=\"_ftn53\">[53]<\/a>\u00a0 Ibid. VII, 8:\u00a0<i>edi\u00e7\u00e3o citada<\/i>, 687.688.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref54\" name=\"_ftn54\">[54]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibid.\u00a0<\/i>XII, 13:\u00a0<i>edi\u00e7\u00e3o citada<\/i>, 971.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref55\" name=\"_ftn55\">[55]<\/a>\u00a0\u00a0<i>Ibidem<\/i>.<\/p>\n<p><a class=\" cleaner\" href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/20221228-totum-amoris-est.html#_ftnref56\" name=\"_ftn56\">[56]<\/a>\u00a0Santo Agostinho\u00a0<i>, Discursos<\/i>, 350, 3:\u00a0<i>PL<\/i> 39, 1535.<\/p>\n<p>Copyright \u00a9 Dicastero per la Comunicazione &#8211; Libreria Editrice Vaticana<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Apost\u00f3lica<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":192799,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[373],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - 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