{"id":192177,"date":"2022-08-08T07:36:39","date_gmt":"2022-08-08T10:36:39","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=192177"},"modified":"2022-08-08T08:08:29","modified_gmt":"2022-08-08T11:08:29","slug":"vida-fraterna-e-cultura-da-sinodalidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/vida-fraterna-e-cultura-da-sinodalidade\/","title":{"rendered":"Vida fraterna e cultura da sinodalidade"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-192179\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ff-1280.jpg\" alt=\"\" width=\"1280\" height=\"720\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ff-1280.jpg 1280w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ff-1280-450x253.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ff-1280-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ff-1280-768x432.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/ff-1280-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 1280px) 100vw, 1280px\" \/><\/p>\n<p><strong>Frei Sandro Roberto da Costa<\/strong><\/p>\n<p>Ao propor \u00e0 Igreja que discuta sobre o tema da sinodalidade, o Papa Francisco, uma vez mais, traz \u00e0 tona um dos elementos que fazem parte da ess\u00eancia do modo franciscano de ser. Mesmo que nunca tenha usado explicitamente a express\u00e3o \u201csinodalidade\u201d, Francisco de Assis, desde que \u201co Senhor lhe deu irm\u00e3os\u201d, foi profundamente \u201csinodal\u201d, caminhando com seus companheiros, na consecu\u00e7\u00e3o do projeto do Reino, sobretudo a partir do princ\u00edpio da comunh\u00e3o, em fraternidade e na minoridade.<\/p>\n<p>Na <em>Fratelli Tutti<\/em> o Papa apresenta suas perspectivas da experi\u00eancia sinodal, aplicada \u00e0 solu\u00e7\u00e3o de conflitos nas comunidades. Segundo ele, a palavra <em>syn \u2013 hodos<\/em> significa n\u00e3o tanto forjar acordos, mas reconhecer, valorizar e reconciliar diferen\u00e7as, num plano maior, onde possa ser mantido o melhor de cada um. Como ele mesmo afirma: \u201cSeria mais f\u00e1cil conter as liberdades e as diferen\u00e7as com um pouco de ast\u00facia e algumas compensa\u00e7\u00f5es; mas esta paz seria superficial e fr\u00e1gil, n\u00e3o o fruto duma cultura do encontro que a sustente. Integrar as realidades diferentes \u00e9 muito mais dif\u00edcil e lento, embora seja a garantia duma paz real e s\u00f3lida. Isto n\u00e3o se consegue agrupando s\u00f3 os puros, porque \u2018at\u00e9 mesmo as pessoas que possam ser criticadas pelos seus erros, t\u00eam algo a oferecer que n\u00e3o se deve perder\u2019\u201d (<em>Fratelli Tutti<\/em>, 217).<\/p>\n<p>Neste texto n\u00e3o vamos nos debru\u00e7ar sobre o que significa sinodalidade, que supomos por demais conhecido. Nosso objetivo \u00e9 partilhar algumas reflex\u00f5es, a partir de algumas indica\u00e7\u00f5es do \u201cmagist\u00e9rio franciscano\u201d, que podem nos iluminar no modo como a \u201ccultura da sinodalidade\u201d pode ser colocada em pr\u00e1tica em nossas Fraternidades, em nossas rela\u00e7\u00f5es fraternas. Vamos recorrer a alguns apontamentos muito interessantes e oportunos apresentados pelo Bispo de Roma, num livro escrito em 2020, no contexto da Pandemia de Covid-19: \u201cVamos sonhar Juntos: o caminho para um futuro melhor\u201d (Editora Intr\u00ednseca, 2020).<\/p>\n<h5><strong>Papa Francisco e algumas pistas para colocar em pr\u00e1tica a Sinodalidade<\/strong><\/h5>\n<p>Na <em>Evangelii Gaudium<\/em> h\u00e1 uma express\u00e3o que Francisco retoma ao longo de v\u00e1rios de seus escritos: \u201cO grande risco do mundo atual, com sua m\u00faltipla e avassaladora oferta de consumo, \u00e9 a tristeza individualista que brota do cora\u00e7\u00e3o comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consci\u00eancia isolada\u201d (EG 1,2). No j\u00e1 citado livro \u201cVamos sonhar juntos\u201d, ao tratar explicitamente do tema da sinodalidade, o Papa volta a usar esta express\u00e3o: \u201cAntes de falar sobre a forma como podemos transpor algumas das brechas e divis\u00f5es na nossa sociedade, a fim de construir a paz e o bem comum, precisamos considerar a \u2018consci\u00eancia isolada\u2019\u201d (Vamos Sonhar&#8230;, p. 79). O que Francisco quer dizer com \u201cconsci\u00eancia isolada\u201d?<\/p>\n<p>Consci\u00eancia isolada, explica o Papa, \u00e9 aquele tipo de consci\u00eancia que prevalece em indiv\u00edduos e grupos fechados em seus pr\u00f3prios interesses e pontos de vista, incapazes de se abrir ao di\u00e1logo, duros de cora\u00e7\u00e3o, que vivem se lamentando, desdenhando e julgando os outros. Esp\u00edritos inflex\u00edveis, como aqueles que tanto trabalho est\u00e3o dando ao pr\u00f3prio Francisco em seu processo de reforma. Formados em um esquema mental pautado pela rigidez, ancorados numa suposta \u201cortodoxia\u201d, s\u00e3o incapazes de se abrir ao novo, \u00e0s mudan\u00e7as necess\u00e1rias e urgentes. Como diria Jo\u00e3o XXIII, s\u00e3o verdadeiros \u201cprofetas da desventura, que anunciam acontecimentos sempre infaustos, como se estivesse iminente o fim do mundo\u201d. Este tipo de comportamento \u00e9 um s\u00e9rio obst\u00e1culo \u00e0 consecu\u00e7\u00e3o de projetos comuns, de harmonia entre as pessoas, nas institui\u00e7\u00f5es, na uni\u00e3o de mentes e cora\u00e7\u00f5es. A sua supera\u00e7\u00e3o pode ajudar, n\u00e3o apenas na Igreja, mas tamb\u00e9m \u00e0 sociedade em geral e a outras organiza\u00e7\u00f5es que defendem o bem comum, que se pautam pelos princ\u00edpios do Evangelho, em defesa da vida, na promo\u00e7\u00e3o da paz.<\/p>\n<p>Para se superar a consci\u00eancia isolada, o Papa indica o caminho da \u201cacusa\u00e7\u00e3o de si mesmo\u201d, express\u00e3o inspirada nos escritos de Doroteu de Gaza, um Padre da Igreja do s\u00e9culo VI. \u201cAcusar-se a si mesmo\u201d \u00e9 reconhecer-se como se \u00e9, \u00e9 esfor\u00e7ar-se na busca do \u201cauto conhecimento\u201d, n\u00e3o ficar apegado a uma falsa imagem de si mesmo. Nesse processo, ter a humildade de reconhecer as pr\u00f3prias falhas, para reconhecer-se dependente de Deus e abrir-se \u00e0 atua\u00e7\u00e3o da gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Um outro elemento que dificulta a viv\u00eancia da sinodalidade em nossas rela\u00e7\u00f5es fraternas, em nossas reuni\u00f5es e encontros, \u00e9 o que o Papa Francisco denomina de \u201cmau esp\u00edrito\u201d: o esp\u00edrito de arrog\u00e2ncia e de superioridade, que se esconde por detr\u00e1s de argumentos v\u00e1lidos, mas viciados de antem\u00e3o, que impedem a livre discuss\u00e3o. H\u00e1 interesses em jogo, h\u00e1 muitas suspeitas e suposi\u00e7\u00f5es: \u201cAs suspeitas e suposi\u00e7\u00f5es est\u00e3o cheias de mal\u00edcia, e nunca deixam a alma em paz\u201d. As suspeitas geram desconfian\u00e7a, mal estar, fofocas. \u00c9 aquilo que comumente chamamos de \u201csegundas inten\u00e7\u00f5es\u201d, as \u201csuposi\u00e7\u00f5es\u201d, o que n\u00e3o \u00e9 revelado, n\u00e3o \u00e9 tematizado, \u00e0s vezes at\u00e9 inconscientemente.<\/p>\n<p>Podemos identificar aqui a raiz de muitos conflitos em nossas Fraternidades, onde, em nossas discuss\u00f5es, cap\u00edtulos, reuni\u00f5es, h\u00e1 fechamento e irredutibilidade, radicalismo, \u00e0s vezes disfar\u00e7ados de argumentos v\u00e1lidos, mas que escondem interesses pessoais. Quando h\u00e1 <em>inter-esses<\/em> em jogo n\u00e3o h\u00e1 uma discuss\u00e3o livre, franca, objetiva.<em> Inter-esses<\/em> significa \u201cestar entre\u201d, o que est\u00e1 nas entrelinhas, que est\u00e1 escondido no \u201cn\u00e3o dito\u201d, mas que est\u00e1 ali, e n\u00e3o possibilita uma discuss\u00e3o aberta e sincera. Quando, numa discuss\u00e3o, num debate, h\u00e1 \u201cinteresses\u201d escondidos em jogo, n\u00e3o ditos, a verdade nem sempre prevalece.<\/p>\n<p>Um risco a evitar nas discuss\u00f5es \u00e9 considerar as contraposi\u00e7\u00f5es como contradi\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 um pensamento med\u00edocre, dominado pelo mau esp\u00edrito, o esp\u00edrito do conflito, que tamb\u00e9m afeta o di\u00e1logo e a fraternidade. N\u00e3o se trata simplesmente de negar a tens\u00e3o entre dois polos, buscando a \u201cpaz a qualquer pre\u00e7o\u201d. Essa n\u00e3o \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para um conflito, pois a tens\u00e3o foi negada e abandonada, mas ela continua escondida, latente. E pode estourar a qualquer momento.<\/p>\n<p>O Papa recorda a presen\u00e7a de um personagem importante que deve existir nas reuni\u00f5es de grupo, nas discuss\u00f5es, para que a sinodalidade seja efetiva: o \u201creconciliador\u201d, aquele que tem que \u201caguentar o conflito\u201d, que consegue ver para al\u00e9m da superf\u00edcie e das apar\u00eancias, que conduz os envolvidos a chegarem a uma s\u00edntese, que n\u00e3o elimina nenhum dos polos, mas conserva o que \u00e9 bom e v\u00e1lido em ambos, levando-os a um novo patamar de compreens\u00e3o, a uma nova perspectiva. Essa \u00e9 a fun\u00e7\u00e3o do l\u00edder maduro, positivo, que \u00e9 capaz de ver todas as \u201cvariantes\u201d de um problema, e apresentar solu\u00e7\u00f5es. Acenamos aqui ao papel desempenhado por Francisco de Assis no conflito entre o \u201clobo de Gubbio\u201d e os assustados habitantes da cidadezinha medieval italiana.<\/p>\n<p>O caminho sinodal tamb\u00e9m \u00e9 caracterizado pela atua\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. Discute-se em grupo, empregam-se os mecanismos humanos de discuss\u00e3o e de din\u00e2mica de grupo, mas \u00e9 preciso, sobretudo, estar atento \u00e0quilo que o Esp\u00edrito Santo tem a nos dizer. Seja no S\u00ednodo, seja em nossos encontros fraternos.<\/p>\n<p>Para que isso aconte\u00e7a \u00e9 preciso que as pessoas confiem umas nas outras, que haja humildade, que haja s\u00e9rio empenho na busca do bem comum. Um elemento essencial nesse processo \u00e9 a necessidade de um certo n\u00edvel de maturidade para participar de processos grupais, de discuss\u00e3o, de debate. \u201cSentar-se a escutar o outro, carater\u00edstico dum encontro humano, \u00e9 um paradigma de atitude receptiva, de quem supera o narcisismo e acolhe o outro, presta-lhe aten\u00e7\u00e3o, d\u00e1-lhe lugar no pr\u00f3prio c\u00edrculo\u201d (Fratelli Tutti, 48). Nem todo mundo tem essa maturidade ou a personalidade para vivenciar esses processos. Principalmente hoje, onde, em tantos ambientes, eclesiais, pol\u00edticos, sociais, predomina o fechamento ao di\u00e1logo e o apego \u00e0s pr\u00f3prias ideias.<\/p>\n<p>Num exerc\u00edcio sinodal, as diferen\u00e7as s\u00e3o expressas e polidas, at\u00e9 que se chegue, se n\u00e3o a um consenso, pelo menos a uma harmonia. Afirma Francisco: \u201cA abordagem sinodal \u00e9 algo de que nosso mundo tem muita necessidade hoje. Em vez de buscar o confronto, declarando guerra, com cada um dos lados esperando derrotar o outro, precisamos de processos que permitam expressar as diferen\u00e7as, escut\u00e1-las e faz\u00ea-las amadurecer, para assim podermos caminhar juntos, sem necessidade de aniquilar ningu\u00e9m\u201d (Vamos sonhar&#8230;, 92). \u00c9 um trabalho certamente dif\u00edcil, que exige paci\u00eancia, compromisso, investimento numa discuss\u00e3o madura e frutuosa.<\/p>\n<h5><strong>A busca de rela\u00e7\u00f5es sinodais em fraternidade<\/strong><\/h5>\n<p>Na <em>Admoesta\u00e7\u00e3o XII<\/em> Francisco de Assis afirma que \u201co eu \u00e9 contr\u00e1rio a todo o bem\u201d. Profundo conhecedor da alma humana, o Pobrezinho sabia que o apego ao \u201cpr\u00f3prio eu\u201d, \u00e0s ideias pr\u00f3prias, sem se abrir ao di\u00e1logo, \u00e0 escuta, \u00e0 possibilidade de que a outra parte tamb\u00e9m possa ter alguma raz\u00e3o, era um s\u00e9rio empecilho \u00e0s rela\u00e7\u00f5es fraternas. Na mesma admoesta\u00e7\u00e3o ele vai afirmar que o servo de Deus se reconhece como \u201co mais desprez\u00edvel\u201d e o \u201cmenor de todos os homens\u201d. N\u00e3o se trata aqui, evidentemente, de \u201cmasoquismo espiritual\u201d, de rebaixamento e humilha\u00e7\u00e3o. Francisco de Assis refere-se \u00e0 necessidade de n\u00e3o nos considerarmos o centro das aten\u00e7\u00f5es pelas coisas que realizamos. Tudo vem de Deus. E, em fraternidade, importa trabalharmos em sintonia, cada um com suas qualidades e talentos, tamb\u00e9m suas fragilidades, respeitando as diferen\u00e7as, abrindo-nos aos outros, sempre em busca do bem comum, do crescimento do grupo, a servi\u00e7o do Reino.<\/p>\n<p>Dizia o ex-Ministro Geral Frei Giacomo Bini: \u201cA palavra prof\u00e9tica do carisma hoje, mais do que a pobreza, at\u00e9 mais do que a castidade, mais do que a ora\u00e7\u00e3o&#8230; \u00e9 aquela das rela\u00e7\u00f5es fraternas\u201d. E acrescentava: \u201cA primeira estrutura da Ordem n\u00e3o \u00e9 o convento, mas o frade menor e o frade menor em rela\u00e7\u00e3o. [&#8230;] Por isso, se querem construir qualquer coisa, comecem pela confian\u00e7a e pelo respeito \u00e0s diferen\u00e7as\u201d. <em>BINI, Giacomo, \u201cUltima conferenza\u201d, Frascati (7.05.2014), p. 6, em: https:\/\/ofmroma.files.wordpress.com\/2014\/08\/noi-si-semina-fr-giacomo-bini.pdf .<\/em><\/p>\n<p>Na <em>Fratelli Tutti<\/em> Papa Francisco faz men\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade de sairmos de n\u00f3s mesmos para criarmos comunh\u00e3o, para estabelecermos rela\u00e7\u00f5es que gerem vida: \u201c&#8230; \u201ca vida subsiste onde h\u00e1 v\u00ednculo, comunh\u00e3o, fraternidade; e \u00e9 uma vida mais forte do que a morte, quando se constr\u00f3i sobre verdadeiras rela\u00e7\u00f5es e v\u00ednculos de fidelidade. Pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 vida quando se tem a pretens\u00e3o de pertencer apenas a si mesmo e de viver como ilhas: nestas atitudes prevalece a morte\u201d (Fratelli Tutti, 87).<\/p>\n<p>Neste mesmo n\u00famero ele afirma que o ser humano s\u00f3 se realiza plenamente como pessoa \u201cno sincero dom de si mesmo aos outros\u201d. Para conhecer nossa pr\u00f3pria verdade, n\u00f3s precisamos do encontro com os outros: o ser humano n\u00e3o chega a reconhecer completamente a sua pr\u00f3pria verdade, a n\u00e3o ser saindo de si mesmo, indo ao encontro do outro: \u2018S\u00f3 comunico realmente comigo mesmo, na medida em que me comunico com o outro\u2019. Isso explica por que ningu\u00e9m pode experimentar o valor de viver, sem rostos concretos a quem amar\u201d (<em>Fratelli Tutti<\/em>, 87).<\/p>\n<h5><strong>Propostas do Papa Francisco para colocar em pr\u00e1tica a Sinodalidade<\/strong><\/h5>\n<p>O Papa prop\u00f5e, numa s\u00edntese, tr\u00eas elementos que podem nos ajudar nos \u201cprocessos sinodais\u201d em nossas Fraternidades:<\/p>\n<p>1) Escutar uns aos outros, com respeito e confian\u00e7a, livres de ideologias e agendas pr\u00e9-determinadas, livres de preconceitos. O objetivo n\u00e3o \u00e9 chegar a um acordo por meio de uma competi\u00e7\u00e3o entre posi\u00e7\u00f5es opostas, mas caminhar em conjunto, a fim de alcan\u00e7armos a vontade de Deus, deixando que as diferen\u00e7as entrem em harmonia.<\/p>\n<p>2) A capacidade de mudar, estarmos preparados para abandonarmos nosso modo de pensar e nossas perspectivas, abandonarmos nossa rigidez e nossas inten\u00e7\u00f5es, e \u201colharmos para lugares que nunca vimos antes\u201d: exercitarmos a abertura de mente, sem preconceitos, capazes de acreditar que, de onde menos se espera, possa surgir algo novo. Isso \u00e9 o modo concreto de abrirmo-nos \u00e0 a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito. Ele \u00e9 capaz de revelar coisas novas, novos horizontes, criar solu\u00e7\u00f5es, que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o t\u00ednhamos vislumbrado nem previsto.<\/p>\n<p>A capacidade de mudar \u00e9 um dos elementos importantes na vida de fraternidade. O grande inimigo da mudan\u00e7a \u00e9 o desejo de seguran\u00e7a. Os caminhos de sempre s\u00e3o os mais seguros, mais claros, confi\u00e1veis. Apelamos \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es para resistir \u00e0s mudan\u00e7as. O novo sempre implica risco, e a natureza humana foge, naturalmente, do perigo. Hoje est\u00e1 cada vez mais comum o fen\u00f4meno da \u201cretrotopia\u201d (Zygmunt Baumann), na Igreja e na sociedade em geral, idealizando o passado como se fosse um tempo de gl\u00f3ria e de grandes realiza\u00e7\u00f5es, negando-se a assumir o futuro, com todos os seus riscos, possibilidades e esperan\u00e7as. Neste particular, esquecemos que Francisco e Clara foram pessoas que assumiram o novo em suas vidas, n\u00e3o ficaram apegados ao passado, n\u00e3o tiveram medo da mudan\u00e7a, nem de mudar.<\/p>\n<p>3) Outro aspecto fundamental \u00e9 a paci\u00eancia, algo t\u00e3o raro e dif\u00edcil nos dias de hoje. Papa Francisco explica o que ele entende sobre a virtude da paci\u00eancia: \u201cA paci\u00eancia refere-se ao aprendizado da toler\u00e2ncia rec\u00edproca, a saber tolerar-se uns aos outros. Isso \u00e9 o que realmente \u2018d\u00e1 liga\u2019 \u00e0 comunidade. Trata-se de tolerar-se ativamente, ajudar-se de cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 a paci\u00eancia de esperar o irm\u00e3o caminhar, como dizia Santo In\u00e1cio\u201d (\u201cA for\u00e7a da Voca\u00e7\u00e3o\u201d, Paulinas 2018, p. 56). Francisco refere-se \u00e0 Regra do Companheiro, quando, ao caminhar ao lado de um companheiro, devia-se ficar atento para que um n\u00e3o caminhasse mais r\u00e1pido do que o outro, para que houvesse um mesmo ritmo. Significa ter paci\u00eancia com os limites do outro. Na vida fraterna, significa fazer o esfor\u00e7o de apoiar-se e tolerar-se mutuamente.<\/p>\n<p>Na<em> Fratelli Tutti,<\/em> o Papa oferece-nos ainda mais um instrumento para mantermos o esp\u00edrito do di\u00e1logo na sinodalidade: a amabilidade. \u201cA amabilidade \u00e9 uma liberta\u00e7\u00e3o da crueldade que \u00e0s vezes penetra nas rela\u00e7\u00f5es humanas, da ansiedade que n\u00e3o nos deixa pensar nos outros, da urg\u00eancia distra\u00edda que ignora que os outros tamb\u00e9m t\u00eam direito de ser felizes. Hoje raramente se encontram tempo e energias dispon\u00edveis para se demorar a tratar bem os outros, para dizer \u201ccom licen\u00e7a\u201d, \u201cdesculpe\u201d, \u201cobrigado\u201d. Contudo, de vez em quando verifica-se o milagre duma pessoa am\u00e1vel, que deixa de lado as suas preocupa\u00e7\u00f5es e urg\u00eancias para prestar aten\u00e7\u00e3o, oferecer um sorriso, dizer uma palavra de est\u00edmulo, possibilitar um espa\u00e7o de escuta no meio de tanta indiferen\u00e7a\u201d <em>(Fratelli Tutti<\/em>, 224).<\/p>\n<p>Quando falo de \u201camabilidade\u201d aqui, penso numa das palavras mais caras e importantes ao carisma franciscano, e que est\u00e1 cada vez mais rara hoje em dia: a cortesia. Francisco de Assis foi o modelo do homem cort\u00eas. Clara seguiu seu exemplo. Os frades eram extremamente corteses entre si. As fontes transmitiram a alegria que os invadia quando se encontravam. Era uma cortesia que transparecia em toda sua vida, em seus gestos, nas palavras, nas rela\u00e7\u00f5es humanas, com toda a cria\u00e7\u00e3o, com Deus. S\u00e3o in\u00fameras as cita\u00e7\u00f5es sobre o tema ao longo dos escritos. Penso que hoje, em nossas Fraternidades, precisamos ficar atentos \u00e0 cortesia humana e crist\u00e3, que foi t\u00e3o bem encarnada na pessoa de Francisco, em sua fraternidade, entre seus frades. O Dicion\u00e1rio Franciscano elenca alguns comportamentos que remetem \u00e0 cortesia: a bondade, a discri\u00e7\u00e3o, a mansid\u00e3o, a acolhida a compaix\u00e3o, entre outros.<\/p>\n<p>Francisco, desde que o Senhor inspirara nele o desejo da convers\u00e3o, tornara-se aprendiz da cortesia e do afeto. Desde pequeno ele fora educado na escola das can\u00e7\u00f5es de gesta da Fran\u00e7a, dos cavaleiros da T\u00e1vola Redonda, da busca do Graal do rei Artur. Era a escola do amor cort\u00eas, dos \u201ccavaleiros medievais\u201d, que expressavam valores \u00e9ticos importantes, como o cuidado aos mais fracos, o respeito \u00e0s mulheres, a hospitalidade. Mas em Francisco, a cortesia torna-se uma virtude divina, por causa do amor do Pai: \u201cA cortesia \u00e9 irm\u00e3 da caridade, que extingue o \u00f3dio e conserva o amor\u201d (<em>Fioretti<\/em> 37). A cortesia foi transformada por Francisco em afabilidade nas rela\u00e7\u00f5es, entrega sem reservas a Deus, no cuidado aos leprosos e aos pobres, na cortesia e no carinho aos irm\u00e3os, no afeto, na acolhida e na ternura para com todos.<\/p>\n<p>O que n\u00f3s chamamos de \u201ccortesia\u201d, o Papa chama de amabilidade. E ele continua insistindo na necessidade de nos esfor\u00e7armos por ter um \u201ccomportamento\u201d am\u00e1vel, af\u00e1vel, cort\u00eas: \u201cEste esfor\u00e7o, vivido dia a dia, \u00e9 capaz de criar aquela conviv\u00eancia sadia que vence as incompreens\u00f5es e evita os conflitos. O exerc\u00edcio da amabilidade n\u00e3o \u00e9 um detalhe insignificante nem uma atitude superficial ou burguesa. Dado que pressup\u00f5e estima e respeito, quando se torna cultura numa sociedade, transforma profundamente o estilo de vida, as rela\u00e7\u00f5es sociais, o modo de debater e confrontar as ideias. Facilita a busca de consensos e abre caminhos onde a exaspera\u00e7\u00e3o destr\u00f3i todas as pontes\u201d (<em>Fratelli Tutti,<\/em> 224).<\/p>\n<p>Insisto nesse particular, porque me parece que est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil educar para a cortesia. Em nome da compet\u00eancia, da produ\u00e7\u00e3o e da efic\u00e1cia, educa-se para a concorr\u00eancia, para o individualismo, para o \u201ccada um por si\u201d. Em nossas Fraternidades, a cortesia, a amabilidade, o respeito, o cuidado, talvez possam ser os outros nomes da sinodalidade.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Frei Sandro Roberto da Costa <\/strong><em>\u00e9 doutor em Hist\u00f3ria da Igreja pela Pontif\u00edcia Universitas Gregoriana &#8211; Roma, It\u00e1lia (2000). \u00c9 diretor do Instituto Teol\u00f3gico Franciscano (ITF) de Petr\u00f3polis (est\u00e1 no terceiro mandato, 2007-2009\/2010-2012). \u00c9 professor no ITF e leciona as disciplinas Hist\u00f3ria da Igreja Antiga e Medieval. \u00c9 autor de in\u00fameros artigos na \u00e1rea de Hist\u00f3ria da Igreja, Hist\u00f3ria do Franciscanismo e da Ordem Franciscana, e Hist\u00f3ria da Vida Religiosa.<br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Frei Sandro Roberto da Costa<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":192178,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[209],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - 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