{"id":191418,"date":"2022-02-14T17:35:31","date_gmt":"2022-02-14T20:35:31","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=191418"},"modified":"2022-02-14T17:35:31","modified_gmt":"2022-02-14T20:35:31","slug":"poesia-do-viver","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/poesia-do-viver\/","title":{"rendered":"Poesia do Viver"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_191419\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-191419\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-191419 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/artigo_1402.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/artigo_1402.jpg 840w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/artigo_1402-450x241.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/artigo_1402-768x411.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/artigo_1402-150x80.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><p id=\"caption-attachment-191419\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <em>\u00a0 Imagem: O Serm\u00e3o da Montanha, de Carl Bloch, 1890 (Wikipedia, dom\u00ednio p\u00fablico)<\/em><\/p><\/div>\n<p><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/strong><\/p>\n<p>Jesus, no \u00e1pice das suas orienta\u00e7\u00f5es aos seus disc\u00edpulos e \u00e0s multid\u00f5es, faz uma evoca\u00e7\u00e3o que indica a import\u00e2ncia da poesia do viver. Ensinamentos densos, reunidos no Serm\u00e3o da Montanha, Evangelho de Mateus, uma Carta Magna. Os ensinamentos cont\u00eam metas existenciais audaciosas e exigentes, como amar os inimigos e perseguidores. Viv\u00eancias que requerem uma resili\u00eancia humana e espiritual a ser alcan\u00e7ada por meio de investimentos: exerc\u00edcios cujo ponto de partida muito ultrapassa a l\u00f3gica da simples, e indispens\u00e1vel, racionalidade. O Mestre delineia um percurso discipular que inclui a ternura advinda da poesia do viver. Eis o enorme desafio: n\u00e3o pensar que a valoriza\u00e7\u00e3o da vida significa a defesa cega de certas situa\u00e7\u00f5es, a partir de medos que levem a atitudes mesquinhas. O ego\u00edsmo enjaula cora\u00e7\u00f5es na disputa fratricida e na insana busca pelo ac\u00famulo, no anseio de ajuntar tudo para si, perpetuando cen\u00e1rios de desigualdades, de manipula\u00e7\u00f5es, para se obter f\u00e1cil enriquecimento. Com essas din\u00e2micas, agigantam-se as indiferen\u00e7as, mesmo diante das multid\u00f5es passando fome no mundo todo.<\/p>\n<p>Jesus conhece o tamanho do desafio existencial de seus disc\u00edpulos na obedi\u00eancia das suas li\u00e7\u00f5es. N\u00e3o basta a importante disciplina na obedi\u00eancia \u00e0s leis ou normas, ancoradas na fidelidade moral, para que seja reconhecida a dignidade maior do ser humano. Jesus convida, ent\u00e3o, aqueles que lhe seguem a buscar a poesia do viver. Assim, podem se capacitar, no dia a dia, para se tornarem instrumento a servi\u00e7o da constru\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o da vida plena, em todas as suas etapas. Veja o simbolismo po\u00e9tico da contempla\u00e7\u00e3o proposta, quando o Mestre convida: \u201cOlhai os p\u00e1ssaros do c\u00e9u, n\u00e3o semeiam, n\u00e3o colhem, nem guardam em celeiros\u2026olhai como crescem os l\u00edrios do campo. N\u00e3o trabalham, nem fiam. No entanto, nem Salom\u00e3o, em toda a sua gl\u00f3ria, jamais se vestiu como um s\u00f3 dentre eles\u201d.<\/p>\n<p>O conhecedor mais credenciado do cora\u00e7\u00e3o humano, Jesus Mestre, ensina: a sabedoria pr\u00f3pria da poesia do viver nasce de uma contempla\u00e7\u00e3o que antecede n\u00fameros, manuseio de instrumentos ou dados. Essa contempla\u00e7\u00e3o unge mentes e cora\u00e7\u00f5es com li\u00e7\u00f5es e sensibilidades essenciais a cada pessoa. A poesia do viver n\u00e3o \u00e9 uma simples brisa para amenizar a dureza destes tempos. \u00c9 uma fonte de sabedoria que pode alavancar percep\u00e7\u00f5es qualificadas, corrigir l\u00f3gicas distorcidas, apontar o rumo para que sejam encontradas solu\u00e7\u00f5es urgentes, respeitando a vida humana na sua dignidade. Eis, assim, o desafio: recuperar a poesia do viver, para se dar conta de caminhar sem perder a dire\u00e7\u00e3o, neste tempo em que a humanidade vive o processo de grandes transforma\u00e7\u00f5es culturais, com incid\u00eancias sociopol\u00edticas, econ\u00f4micas, educacionais e religiosas.<\/p>\n<p>Uma grande movimenta\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica-cultural est\u00e1 em curso, como placas tect\u00f4nicas que se deslocam provocando instabilidades, reconfigurando territ\u00f3rios. Diante dos processos de transforma\u00e7\u00e3o que incidem na civiliza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, n\u00e3o podem ser perdidos valores e princ\u00edpios essenciais. Vive-se a din\u00e2mica de \u00eaxodo, mas a migra\u00e7\u00e3o da humanidade n\u00e3o pode representar o abandono de certos tesouros, sob pena de o ser humano chegar mais empobrecido no tempo novo em constru\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o basta salvar a pr\u00f3pria \u201cbagagem\u201d durante a travessia. A prioridade \u00e9 o bem comum e todos est\u00e3o convocados a contribuir com a sua edifica\u00e7\u00e3o. Nessa perspectiva, a poesia do viver pode garantir percep\u00e7\u00f5es que curam destemperos e desequil\u00edbrios \u2013 amea\u00e7as que levam a fracassos humanit\u00e1rios e ecol\u00f3gicos, mas que, cada vez mais, lamentavelmente, contaminam muitos processos da vida em sociedade. A viragem em curso, para fazer jus \u00e0s conquistas cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas, patrim\u00f4nios da intelig\u00eancia humana, n\u00e3o pode balizar a sociedade contempor\u00e2nea em estreitamentos que comprometam o dom da vida e a beleza do viver.<\/p>\n<p>A urg\u00eancia de se enfrentar l\u00f3gicas perversas, na pol\u00edtica e na economia, na cultura e at\u00e9 mesmo na religi\u00e3o, pede o indispens\u00e1vel resgate da poesia do viver. Sem a poesia do viver crescer\u00e1, cada vez mais assustadoramente, o n\u00famero daqueles que desistem da pr\u00f3pria vida, de segmentos que buscam apenas a pr\u00f3pria prote\u00e7\u00e3o sem se dedicar ao bem comum, de atitudes frias que segregam os pobres. Crescer\u00e1 a tend\u00eancia de se perseguir vit\u00f3rias a qualquer pre\u00e7o, inclusive com artimanhas e opera\u00e7\u00f5es perversas, de se buscar o pr\u00f3prio bem pela via da manipula\u00e7\u00e3o, sem sensibilidade human\u00edstica. Nesse cen\u00e1rio obscuro, o cora\u00e7\u00e3o humano, mesmo diante de eventuais bens acumulados, lugares conquistados, t\u00edtulos obtidos, ser\u00e1 incapaz de exercer adequadamente a reg\u00eancia da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>\u00c9 hora de investir e exercitar-se na poesia do viver para fazer brotar uma sabedoria espiritual que permita reconhecer o sentido da vida, conduzindo o ser humano ao cultivo da fraternidade. Assim, pode-se recuperar o genu\u00edno sentido de p\u00e1tria \u2013 lugar de todos os irm\u00e3os e irm\u00e3s, iguais nas diferen\u00e7as. Com a poesia do viver, consegue-se reconhecer que a vida \u00e9 vivida melhor quando h\u00e1 simplicidade, e que se ganha muito com a generosidade solid\u00e1ria. Ajuda a cultivar a poesia do viver a indica\u00e7\u00e3o da escritora Cora Coralina: \u201cN\u00e3o te deixes destruir\u2026 ajuntando novas pedras e construindo novos poemas. Recria tua vida, sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recome\u00e7a. Faz de tua vida mesquinha um poema. E viver\u00e1s no cora\u00e7\u00e3o dos jovens e na mem\u00f3ria de gera\u00e7\u00f5es que h\u00e3o de vir. Esta fonte \u00e9 para uso de todos os sedentos. Toma a tua parte. Vem a estas p\u00e1ginas e n\u00e3o entraves seu uso aos que t\u00eam sede.\u201d Que a vida se ancore na poesia do viver.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/strong> <em>\u00e9 Arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Dom Walmor Oliveira de Azevedo<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":191419,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[271],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Poesia do Viver - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/poesia-do-viver\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Poesia do Viver - 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