{"id":190471,"date":"2021-09-03T13:12:05","date_gmt":"2021-09-03T16:12:05","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=190471"},"modified":"2021-09-03T13:12:05","modified_gmt":"2021-09-03T16:12:05","slug":"da-maldicao-a-relativizacao-da-lei-judaica-em-galatas-215-526","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/da-maldicao-a-relativizacao-da-lei-judaica-em-galatas-215-526\/","title":{"rendered":"Da maldi\u00e7\u00e3o \u00e0 relativiza\u00e7\u00e3o da lei judaica em G\u00e1latas 2,15-5,26"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_190473\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-190473\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-190473 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/artigo_0309.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/artigo_0309.jpg 840w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/artigo_0309-450x241.jpg 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/artigo_0309-768x411.jpg 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/artigo_0309-150x80.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><p id=\"caption-attachment-190473\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<em> Imagem: Paulo, por Rembrandt (1606-1669) &#8211; \u00a9 Wikimedia Commons<\/em><\/p><\/div>\n<h3><strong>\u201c<\/strong><em>Pela Lei eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus<\/em>!\u201d (Gl 2,19)<\/h3>\n<p><em>Frei Jacir de Freitas Faria<\/em> <a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p><strong>Introdu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A Carta aos G\u00e1latas, considerada o <em>Evangelho de Paulo<\/em>, trata de um tema de suma import\u00e2ncia para o juda\u00edsmo, o seguimento da Lei, a <em>Torah<\/em>. Fariseu exemplar, Paulo perseguiu os crist\u00e3os em nome da Lei. Com que autoridade ele desmereceu o papel da Lei na vida dos crist\u00e3os? Seria por causa de maldi\u00e7\u00e3o que vem dela ou pela f\u00e9 em Cristo Jesus?<\/p>\n<p>A presente reflex\u00e3o quer ser uma contribui\u00e7\u00e3o ao esfor\u00e7o de compreender o pensamento de Paulo, a partir da relativiza\u00e7\u00e3o que ele faz da Lei Judaica, em favor da liberdade no Esp\u00edrito \u2013 proveniente da f\u00e9 em Cristo Jesus. O caminho percorrido ser\u00e1 o de compreender o sentido da Lei no juda\u00edsmo; sua imposi\u00e7\u00e3o ao fiel que esperava a santifica\u00e7\u00e3o em Deus; a reflex\u00e3o que Paulo fez sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a f\u00e9 e a Lei para os g\u00e1latas nos cap\u00edtulos dois a cinco da Carta aos G\u00e1latas. Tr\u00eas perguntas sustentam a nossa reflex\u00e3o: Podemos falar de um evangelho de Paulo? Em que Paulo se diferencia de Jesus? Como atualizar a mensagem paulina da relativiza\u00e7\u00e3o da Lei Judaica?\u00a0 Ela \u00e9 t\u00e3o atual. Situa\u00e7\u00f5es parecidas estamos vivendo no interior da Igreja e na pol\u00edtica.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"G\u00c1LATAS: DA MALDI\u00c7\u00c3O \u00c0 RELATIVIZA\u00c7\u00c3O DA LEI JUDAICA\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oUQUwv6aiUI?start=6026&#038;feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<ol>\n<li><strong> Os 613 preceitos da Lei judaica e sua maldi\u00e7\u00e3o<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Paulo era conhecedor dos in\u00fameros preceitos judaicos, os quais, a partir dos dez mandamentos dados a Mois\u00e9s no Sinai, multiplicaram-se em 613 leis. No Pentateuco, isto \u00e9, nos livros de G\u00eanesis, \u00caxodo, Lev\u00edtico, N\u00fameros e Deuteron\u00f4mio, n\u00f3s podemos encontrar todas essas leis.<\/p>\n<p>Foi Maim\u00f4nides (1136-1204), grande intelectual judaico medieval, quem estudou o <em>Talmud<\/em> e a <em>Mishn\u00e1 <\/em>\u2013 colet\u00e2neas de livros e tradi\u00e7\u00f5es orais rab\u00ednicas sobre a <em>interpreta\u00e7\u00e3o<\/em> da Lei mosaica e sua <em>aplica\u00e7\u00e3o<\/em> na moral judaica, transformadas em livros no ex\u00edlio da Babil\u00f4nia (587-536 A.E.C.) e em Jerusal\u00e9m, nos dois primeiros s\u00e9culos do cristianismo. Em seguida, ele elaborou uma lista com essas leis, todas elas tiradas literalmente dos livros do Pentateuco. Elas se dividem em leis positivas e negativas. As negativas s\u00e3o 365, correspondendo aos dias do ano solar; as positivas s\u00e3o 248, o que equivale ao n\u00famero de ossos e \u00f3rg\u00e3os do corpo masculino (<em>Talmud Babil\u00f4nico, Tratado Makot<\/em> 23b-24a). Al\u00e9m disso, o Talmud cita 39 atividades proibidas de serem realizadas no dia de s\u00e1bado (<em>Mishn\u00e1 Shabat<\/em> 7,2).<\/p>\n<p>Todo esse complexo de leis servia para controlar a vida do judeu. Os fariseus se julgavam santos, piedosos, pois seguiam rigorosamente os preceitos estabelecidos na Lei. Na verdade, o povo, devido \u00e0s in\u00fameras dificuldades da vida, n\u00e3o tinha como sequer conhecer e menos ainda obedecer a todas essas leis e, deste modo, se tornava escravo da Lei, isto \u00e9, das lideran\u00e7as judaicas, com suas interpreta\u00e7\u00f5es da vontade de Deus.<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o cumprisse os preceitos da Lei judaica tornava-se um maldito. \u201c<em>Maldito todo aquele que n\u00e3o se at\u00e9m a todas as prescri\u00e7\u00f5es que est\u00e3o no livro da Lei para serem praticadas<\/em>\u201d (Dt 27,26). E a Lei era clara: \u201c<em>Todo aquele que for suspenso na cruz \u00e9 um maldito<\/em>\u201d (Dt 21,23). Mas Paulo tamb\u00e9m \u00e9 claro em sua argumenta\u00e7\u00e3o a favor da <em>liberdade na f\u00e9.<\/em> Ele mostra que a <em>maldi\u00e7\u00e3o<\/em> foi assumida por Jesus, quando morreu crucificado, em nosso favor. Deixamos, com isso, de sermos escravos da Lei.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong> O evangelho de Jesus e a sua rela\u00e7\u00e3o com a Lei<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>No contexto, no qual Jesus e Paulo viveram, era fundamental o seguimento rigoroso da Lei, para que o judeu pudesse atingir a santidade prometida pela religi\u00e3o judaica, como afirma Lv 19,2: \u201c<em>Sede santos, porque eu, IAHWEH, vosso Deus, sou Santo<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Jesus n\u00e3o teve d\u00favida: seu Evangelho, sua Boa-Nova, consistia em relativizar a Lei, colocando o amor acima de tudo. V\u00e1rias vezes, ele foi provocado pelos fariseus por causa de seu n\u00e3o seguimento desses preceitos. Numa dessas provoca\u00e7\u00f5es, quando questionado sobre o porqu\u00ea de os disc\u00edpulos de Jo\u00e3o Batista e os fariseus estarem jejuando, conforme os rituais previstos no juda\u00edsmo, mas os seus disc\u00edpulos, n\u00e3o (Mc 2,1-18), Jesus responde que ningu\u00e9m faz jejum em dias de comemora\u00e7\u00e3o de bodas, de matrim\u00f4nio, e que ele era o noivo, o Messias, esperado por Israel (Is 25,6; 55,1-2; Sl 22,27). Jesus critica os fariseus por n\u00e3o saberem ler o grande Sinal dos tempos messi\u00e2nicos \u2013 a sua presen\u00e7a, sua pr\u00e1xis, seu ensino.<\/p>\n<p>O evangelista Marcos uniu a essa fala de Jesus dois prov\u00e9rbios judaicos, o do pano e o do odre, velhos (Mc 2,21-22). Jesus ensina que Ele \u00e9 o <em>noivo<\/em> que rasga os panos e odres velhos do sistema legislativo judaico, corrompido por pr\u00e1ticas religiosas ultrapassadas. O velho sistema, representado pelas leis dos fariseus, n\u00e3o suportava as pr\u00e1ticas de Jesus, pois elas rasgavam o velho pano, que n\u00e3o suportava remendos. E o vinho novo que ele trazia arrebentava os velhos odres do legalismo. Tudo isso vai ficar claro com a sua morte, quando o v\u00e9u do templo se rasga de cima a baixo (Cf. Mc 15,38). Antes, quando Jesus estava sendo interrogado pelo Sumo Sacerdote, este rasga suas vestes, para simbolizar a divis\u00e3o que Jesus havia instaurado (Cf. Mc 14,63).<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong> A justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 como ponto de partida<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Jesus levou o sistema religioso dominante do seu tempo a entrar em colapso. D\u00e9cadas depois, o convertido Saulo de Tarso, ao cair simbolicamente do cavalo a caminho de Damasco (At 9,1-9), passa a ser um novo homem, sendo chamado de Paulo. Nas pegadas de Jesus, ele d\u00e1 continuidade \u00e0 proposta de relativiza\u00e7\u00e3o da Lei, tendo como argumento a <em>f\u00e9 em Jesus Cristo<\/em>, da qual decorre a <em>liberdade no Esp\u00edrito<\/em>.<\/p>\n<p>Na Carta aos G\u00e1latas 2,15-21, Paulo pontua sobre a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9. O que \u00e9 isso? Na tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, cat\u00f3licos, luteranos e calvinistas travaram disputas teol\u00f3gicas para decifrar o que Paulo quis dizer ao afirmar que somos justificados pela <em>f\u00e9 em Jesus Cristo<\/em> e n\u00e3o pelas <em>obras da Lei<\/em>. Para o catolicismo, justificar \u00e9 o ato misericordioso de Deus que nos perdoa por meio da gra\u00e7a e a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo a partir da f\u00e9 na paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. A essa f\u00e9 acrescentam-se as obras, pois \u201c<em>f\u00e9 sem obras \u00e9 morta<\/em>\u201d (Tg 2,24). Para o protestantismo, a justifica\u00e7\u00e3o vem somente pela f\u00e9. O biblista James Dunn resume muito bem esse debate cat\u00f3lico-protestante da seguinte forma:<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Os principais debates exeg\u00e9ticos foram se o verbo justificar significava \u2018tornar justo\u2019 (cat\u00f3licos) ou \u2018considerar como justo\u2019 (protestantes), se \u2018justificado\u2019 denotava transforma\u00e7\u00e3o ou status, e se \u2018a justi\u00e7a de Deus\u2019 era um genitivo subjetivo (justi\u00e7a como uma propriedade ou atividade de Deus) ou um genitivo objetivo (justi\u00e7a como um dom concedido por Deus).<\/p>\n<p>Essa discuss\u00e3o sobre o significado da justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9 ou pelas obras evidenciou, ao longo dos s\u00e9culos, a separa\u00e7\u00e3o entre judeus e crist\u00e3os, cat\u00f3licos e protestantes, sobretudo na Idade M\u00e9dia. A partir do Conc\u00edlio Vaticano II, novos rumos foram encontrados para a compreens\u00e3o da quest\u00e3o. Os di\u00e1logos ecum\u00eanico e inter-religioso t\u00eam suscitado na pesquisa atual novas posturas entre esses modos de compreender a justifica\u00e7\u00e3o pela f\u00e9.<\/p>\n<p>Paulo construiu a sua argumenta\u00e7\u00e3o em favor de uma relativiza\u00e7\u00e3o da Lei Judaica para alcan\u00e7ar a santidade, a salva\u00e7\u00e3o em Jesus Cristo a partir da f\u00e9.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong> Argumenta\u00e7\u00e3o doutrin\u00e1ria de Paulo a favor da F\u00e9 e Relativiza\u00e7\u00e3o da Lei<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Paulo d\u00e1 continuidade \u00e0 reflex\u00e3o final do cap\u00edtulo dois (Gl 2,15-21) sobre a f\u00e9 e sua rela\u00e7\u00e3o com Lei, fazendo uso do recurso lingu\u00edstico da ret\u00f3rica para convencer os G\u00e1latas da necessidade de n\u00e3o se apegarem \u00e0s pr\u00e1ticas da Lei para encontrar a santifica\u00e7\u00e3o, a miseric\u00f3rdia de Deus. Eles deveriam escolher entre as exig\u00eancias da Lei e a f\u00e9 em Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Luiz Gonzaga do Prado, em seu artigo inicial desse ensaio, nos apresentou uma poss\u00edvel estrutura liter\u00e1ria dos cap\u00edtulos tr\u00eas ao cinco, a qual retomo:<\/p>\n<p><strong>A \u2013 LEI VERSUS A F\u00c9<\/strong><\/p>\n<p>a &#8211; A Lei enfeiti\u00e7a, a F\u00e9 d\u00e1 o Esp\u00edrito (Gl 3,1-5)<\/p>\n<p>b &#8211; <strong><em>A b\u00ean\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o<\/em><\/strong> (Gl 3,6-9)<\/p>\n<p>a\u2019- A Lei \u00e9 a Maldi\u00e7\u00e3o, a F\u00e9 \u00e9 a B\u00ean\u00e7\u00e3o (Gl 3,10-14)<\/p>\n<p><strong>B &#8211; O PAPEL DA LEI<\/strong><\/p>\n<p>a &#8211; Testamento \u2013 Promessa \u2013 Heran\u00e7a (Gl 3,15-18)<\/p>\n<p>b- <strong><em>Sob a guarda da Lei<\/em><\/strong> (Gl 3,19-24)<\/p>\n<p>a\u2019- Filhos \u2013 Iguais \u2013 Herdeiros (Gl 3,25-29)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>B\u2019-A IDOLATRIA DA LEI<\/strong><\/p>\n<p>a &#8211; A chegada do Filho (Gl 4,1-7)<\/p>\n<p>b &#8211; <strong><em>A Lei \u00e9 igual \u00e0 Idolatria<\/em><\/strong> (Gl 4,8-11)<\/p>\n<p>a\u2019- A chegada de Paulo (Gl 4,12-20)<\/p>\n<p><strong>A\u2019- A OP\u00c7\u00c3O DECISIVA: A LEI OU A F\u00c9<\/strong><\/p>\n<p>a &#8211; Abandonar o Evangelho? (Gl 4,21-31)<\/p>\n<p><strong><em>Fa\u00e7am a escolha<\/em><\/strong> (Gl 5,1-6)<\/p>\n<p>a\u2019- Abandonar o Evangelho? (Gl 5,7-12)<\/p>\n<p>Veja que a argumenta\u00e7\u00e3o de Paulo \u00e9 bem estruturada, portanto, convincente. Observe a repeti\u00e7\u00e3o das letras. O leitor e ouvinte s\u00e3o chamados a comparar a f\u00e9 com a Lei, decidir por uma delas ou abandonar o evangelho de Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Para ele, os g\u00e1latas, visto que teriam vivenciado as tradi\u00e7\u00f5es judaicas, por que motivos haveriam de praticar o que a Lei impunha? N\u00e3o fazia sentido nenhum insistir num caminho que n\u00e3o os levaria \u00e0 salva\u00e7\u00e3o. Paulo \u00e9 claro. A Lei enfeiti\u00e7a. Ela \u00e9 maldi\u00e7\u00e3o e idolatria. A f\u00e9 nos d\u00e1 o Esp\u00edrito de liberdade e a b\u00ean\u00e7\u00e3o. Os g\u00e1latas deveriam escolher entre a Lei e a f\u00e9. Abandonar o evangelho, a Boa-Nova de Jesus, bem como a f\u00e9 na paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, ou seguir o caminho Lei.<\/p>\n<p>Em outros termos: permanecer no seguimento de Paulo ou unir-se aos judaizantes, isto \u00e9, os judeu-crist\u00e3os que sa\u00edam anunciando a necessidade de se cumprir a lei da circuncis\u00e3o para ser crist\u00e3o. Paulo se op\u00f4s a esse grupo. \u00c9 sabido que, para os judeus, a circuncis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente uma quest\u00e3o religiosa, mas tamb\u00e9m social, que o identifica como povo. No conflito estabelecido entre as lideran\u00e7as internas e externas na comunidade dos g\u00e1latas, Paulo diz que \u201c<em>o problema n\u00e3o se reduzia \u00e0 mera mutila\u00e7\u00e3o de um prep\u00facio, mas, sim \u00e0 resposta de uma vida livre, por\u00e9m fundamentada na verdadeira liberdade que est\u00e1 em Cristo<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Paulo estava convicto de que o evangelho deveria ser vivenciado e se expandir entre os gentios, os n\u00e3o-judeus. Os g\u00e1latas representavam esse salto para a f\u00e9 em Cristo. Havia um conflito entre os judeu-crist\u00e3os e os gentios (pag\u00e3os) g\u00e1latas que havia abra\u00e7ado o cristianismo. O que deveria marcar essa nova fase do cristianismo gent\u00edlico era a liberdade no Esp\u00edrito.<\/p>\n<p>Com essa convic\u00e7\u00e3o, Paulo fundamentou a sua tese sobre a rela\u00e7\u00e3o entre a f\u00e9 e a Lei a partir de v\u00e1rios argumentos. Para ele, a import\u00e2ncia da f\u00e9 em Jesus Cristo se justifica por causa dos seguintes pontos positivos:<\/p>\n<ol>\n<li>Ela nos une a Abra\u00e3o, aquele que, por primeiro, foi justificado por Deus por causa de sua f\u00e9, antes mesmo de a Lei existir (Gl 3,6-7);<\/li>\n<li>Tem liga\u00e7\u00e3o com a f\u00e9 de Abra\u00e3o (Gl 3,8);<\/li>\n<li>Faz-nos filhos de Abra\u00e3o (Gl 3,7);<\/li>\n<li>Vincula-nos com a b\u00ean\u00e7\u00e3o trazida por Abra\u00e3o, sendo tamb\u00e9m n\u00f3s aben\u00e7oados por Deus (Gl 3,9);<\/li>\n<li>Faz-nos viver como justos (Gl 3,11b);<\/li>\n<li>Levou Cristo Jesus a tomar para si a maldi\u00e7\u00e3o da Lei, trazendo a b\u00ean\u00e7\u00e3o de Abra\u00e3o tamb\u00e9m para os gentios (Gl 3,14);<\/li>\n<li>Ela nos d\u00e1 o Esp\u00edrito prometido por Jesus (Gl 3,14);<\/li>\n<li>Faz-nos Filhos de Deus (Gl 3,26);<\/li>\n<li>Faz-nos um s\u00f3 em Cristo Jesus: judeus e gregos, escravos e livres, homem e mulher (3,26-29);<\/li>\n<li>Leva-nos \u00e0 Lei do Esp\u00edrito, a lei da liberdade.<\/li>\n<\/ol>\n<p>J\u00e1 a observ\u00e2ncia da Lei, segundo Paulo, tem os seguintes pontos negativos:<\/p>\n<ol>\n<li>Ela torna maldito quem n\u00e3o pratica os seus preceitos (3,10);<\/li>\n<li>Por ela ningu\u00e9m se justifica (Gl 3,11);<\/li>\n<li>Tem rela\u00e7\u00e3o com a idolatria (Gl 4,8-11);<\/li>\n<li>\u00c9 jugo de escravid\u00e3o (Gl 5,1);<\/li>\n<li>Nos tira do estado de Gra\u00e7a (5,4).<\/li>\n<\/ol>\n<p>S\u00e3o dez pontos positivos da f\u00e9 e cinco negativos da Lei. Paulo sabia quais eram os mandamentos negativos e positivos que todo piedoso judeu devia seguir. Ela usa o mesmo esquema para convencer os g\u00e1latas de que a f\u00e9 \u00e9 mais importante que a Lei. Ele aponta outro caminho a seguir: o do evangelho da Liberdade no Esp\u00edrito.<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong> O evangelho de Paulo: a lei da Liberdade no Esp\u00edrito<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Os argumentos apresentados por Paulo para mostrar a liberdade que deveriam ter os gentios, no caso os g\u00e1latas, diante da Lei judaica s\u00e3o convincentes. N\u00e3o seria a sua inten\u00e7\u00e3o abolir a Lei? Sim e n\u00e3o. Para Paulo, a quest\u00e3o \u00e9 que, na Lei, n\u00e3o existe a possibilidade de flexibiliza\u00e7\u00e3o, o que est\u00e1 escrito deve ser cumprido e basta. Muitas leis matam a vida. Jesus, como bom rabino e sabedor da imposi\u00e7\u00e3o dos homens da Lei, afirmou que n\u00e3o veio abolir a Lei, mas dar o seu cumprimento, isto \u00e9, atualiz\u00e1-la (Mt 5,17-18). A liberdade \u00e9 que abre possibilidade para a gra\u00e7a e n\u00e3o a Lei.<\/p>\n<p>Jesus definiu a Lei como amor a Deus e ao pr\u00f3ximo (Mt 24,37-40). Paulo, por outro lado, fala de amor ao pr\u00f3ximo e a si mesmo (Gl 5,14). Para ele, a viv\u00eancia em comunidade a partir da f\u00e9 \u00e9 fundamental. N\u00e3o se pode eliminar o outro na rela\u00e7\u00e3o. Por isso, Paulo chama os g\u00e1latas de irm\u00e3os (Gl 4,12). \u00c9 da experi\u00eancia fraterna que surge o apoio e a seguran\u00e7a \u00e0 vida pessoal.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Estando no Esp\u00edrito de liberdade, sendo guiado por ele, sa\u00edmos da tutela da Lei e nos tornamos livres para amar o pr\u00f3ximo, ensina Paulo. E acrescenta: \u201cSe vos fizerdes circuncidar, Cristo de nada vos servir\u00e1\u201d (Gl 5,2). Quem se deixa circuncidar est\u00e1 obrigado a observar toda a Lei (Gl 5,3).<\/p>\n<p>Portanto, a outra palavra-chave para Paulo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade \u00e9 o amor fraterno, tendo como fundamento a f\u00e9 em Cristo Jesus (Gl 5,13). Liberdade e amor caminham juntos. Liberdade \u00e9 a nossa capacidade de sair de n\u00f3s mesmos, do nosso mundinho, e ir ao encontro do outro sem leis preestabelecidas de julgamento.<\/p>\n<p>Outra intui\u00e7\u00e3o fundamental de Paulo no seu evangelho de Liberdade no Esp\u00edrito \u00e9 a afirma\u00e7\u00e3o de que a partir da f\u00e9 n\u00e3o existem mais gregos e judeus, livre e escravo, homem e mulher (Gl 3,28). Fico pensando na repercuss\u00e3o dessa frase dita por Paulo no seu contexto. Como ele foi estupendo.<\/p>\n<p>Os gregos dominaram o mundo pelo saber, com a sabedoria de um S\u00f3crates, de um Plat\u00e3o. Os judeus foram escolhidos por Deus para ser o seu povo. Paulo disse: nada disso tem valor com a vinda do Filho de Deus ao mundo. Jesus \u00e9 muito maior. \u00c9 como se hoje diss\u00e9ssemos: de que vale o poder dos USA, da China, do Jap\u00e3o. Nada. E Paulo foi mais longe, n\u00e3o h\u00e1 livres, nem escravos, nem mulher (feminino), nem homem (masculino) (Gl 3,28). Na liberdade, somos todos iguais. Estaria Paulo falando de igualdade de g\u00eanero? Parece que sim. Paulo tinha consci\u00eancia do papel das lideran\u00e7as femininas nas comunidades, as quais levaram as lideran\u00e7as masculinas a compreenderem que, em Cristo, n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a de g\u00eanero. Na liturgia, elas recitavam que n\u00e3o haveria distin\u00e7\u00e3o entre gregos e judeus, escravos e livres, mas nem tamb\u00e9m entre macho e f\u00eamea.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> Como Jesus, Paulo esteve al\u00e9m de seu tempo. Ele quis reformular o juda\u00edsmo, de modo que esse pudesse aceitar Jesus como Messias. Se por um lado, ele abriu portas para a entrada de novos membros e povos, ele foi incompreendido. Israel n\u00e3o aceitou a sua proposta. Seu projeto fracassou. Suas ideias resultaram em teses complicadas para a compreens\u00e3o de seus int\u00e9rpretes.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong> Conclus\u00e3o: a atualidade da carta aos G\u00e1latas <\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Paulo refor\u00e7a o pensamento de Jesus sobre a Lei, mas vai al\u00e9m. Ele tem clareza de que viver segundo a <em>carne<\/em>, (i.\u00e9., a Lei interpretada por homens) \u00e9 <em>n\u00e3o ser livre<\/em>. \u00c9 fechar as portas ao Esp\u00edrito que nos faz livres<em> para amar<\/em>. O amor n\u00e3o comporta amarras e individualismos. Ainda que nossas vidas sejam marcadas por dicotomias, divis\u00f5es, perdas e ganhos, alegria e frustra\u00e7\u00f5es, na liberdade isso tudo \u00e9 um nada.<\/p>\n<p>Assim, n\u00e3o h\u00e1 outro modo para ser justificado, sen\u00e3o a partir do Esp\u00edrito de liberdade em Cristo Jesus que nos fortalece no amor que tudo cr\u00ea e espera pacientemente. Como dir\u00e1, mais tarde. Santo Agostinho: \u201c<em>Ama e faze o que quiseres<\/em>\u201d. Pois quem ama n\u00e3o faz o mal, nem em rela\u00e7\u00e3o a Deus, nem em rela\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os.<\/p>\n<p>Paulo afirma que morreu para a Lei para viver para Deus (Gl 2,19). N\u00e3o h\u00e1 lugar para rigorismos. A lei exclui a gra\u00e7a, e a liberdade s\u00f3 poder\u00e1 ser alcan\u00e7ada pela vida no Esp\u00edrito. Com Cristo Jesus estamos livres da maldi\u00e7\u00e3o da Lei. Portanto, ela deve ser relativizada, ou melhor, atualizada.<\/p>\n<p>Papa Francisco \u00e9 o exemplo de um homem livre diante da lei. Seu modo de vida e de conduzir a Igreja, desde a sua primeira apresenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica na pra\u00e7a S\u00e3o Pedro aos dias de hoje, tem sido o de libertar a Igreja das amarras de lei, de tradi\u00e7\u00f5es que precisam ser atualizadas. N\u00e3o est\u00e1 sendo f\u00e1cil! H\u00e1 resist\u00eancias por toda a parte.<\/p>\n<p>No Brasil n\u00e3o tem sido diferente com os grupos de leigos conservadores, como os de Jerusal\u00e9m que enfrentaram Paulo na Gal\u00e1cia, que se intitulam defensores da Igreja, da ortodoxia cat\u00f3lica. Eles perseguem, nas redes sociais, a padres, bispos e dioceses que est\u00e3o comprometidos com o evangelho da \u2018Liberdade no Esp\u00edrito\u2019 e no sonho de uma sociedade nova e igualit\u00e1ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o temos d\u00favida em afirmar que vivemos numa sociedade fundamentalista, seja na vida religiosa pessoal, seja na Igreja institui\u00e7\u00e3o, na pol\u00edtica ou na vida familiar. Radicalismos imperam num modo cultural de ser preconceituoso e excludente. Paulo \u00e9 um exemplo de como n\u00e3o ser fundamentalista. Pena que estamos esquecidos desse grande valor do evangelho de Jesus Cristo, refor\u00e7ado por Paulo, no seu evangelho aos G\u00e1latas.<\/p>\n<p>A lei de nada vale diante do Esp\u00edrito de Liberdade inaugurado por Cristo Jesus. Paulo foi claro com os g\u00e1latas ao afirmar que aderir \u00e0 Lei judaica \u00e9 voltar \u00e0 maldi\u00e7\u00e3o da Lei, da qual Jesus nos libertou. Por outro lado, o grande desafio da exegese moderna \u00e9 reavaliar, repensar a Teologia de Paulo,<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> com destaque para a compreens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre Lei e a f\u00e9 proposta por Paulo nas cartas aos G\u00e1latas e aos Romanos. Morrer para Lei, a fim de viver para Deus n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples assim. Apesar do sectarismo dos \u2018falsos irm\u00e3os da Jerusal\u00e9m de hoje\u201d, o caminho continua em aberto, o da liberdade no Esp\u00edrito, sendo livres para amar e respeitar o outro, para al\u00e9m das leis que n\u00e3o nos conduz \u00e0 reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Doutor em Teologia B\u00edblica pela Faje (BH). Mestre em Ci\u00eancias B\u00edblicas (Exegese) pelo Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico de Roma. Professor de Exegese B\u00edblica. \u00c9 membro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Pesquisa B\u00edblica (ABIB). Sacerdote Franciscano. Autor de dez livros e coautor de quinze. \u00daltimo livro: <strong>O Medo do Inferno e arte de bem morrer<\/strong>: da devo\u00e7\u00e3o ap\u00f3crifa \u00e0 Dormi\u00e7\u00e3o de Maria \u00e0s irmandades de Nossa Senhora da Boa Morte (Vozes, 2019). Youtube: Frei Jacir B\u00edblia e Apocrifos. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCwbSE97jnR6jQwHRigX1KlQ\">https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCwbSE97jnR6jQwHRigX1KlQ<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>ARBIOL, Carlo Gil. La novedad de Pablo en el juda\u00edsmo de su tempo: un debate que no acaba<em>.<\/em> In.: DE FIGUEIREDO, Telmo Jos\u00e9 Amaral; CATENASSI, Fabrizio Zandonadi (ORGs.). <strong>Paulo: <\/strong>contextos e leituras. S\u00e3o Paulo. Ed. Paulinas\/Abib, 2018.<\/p>\n<p>DUNN, James D.G. <strong>A teologia do ap\u00f3stolo Paulo<\/strong>. S\u00e3o Paulo. Ed. Paulus, 2003.<\/p>\n<p>SCHNEIDER, G. <strong>A Ep\u00edstola aos G\u00e1latas<\/strong><em>.<\/em> Petr\u00f3polis. Ed. Vozes, 1967.<\/p>\n<p>STR\u00d6HER, M. J. Entre a afirma\u00e7\u00e3o da igualdade e o dever da submiss\u00e3o \u2013 Rela\u00e7\u00f5es de igualdade e poder patriarcais em conflito nas primeiras comunidades crist\u00e3s. <em>Estudos B\u00edblicos<\/em>, Petr\u00f3polis, n. 67, p. 36-44, 2000.<\/p>\n<p>SULCA, Jos\u00e9 Luiz Verdi. G\u00e1latas 5,1-6: a vida no Esp\u00edrito: uma pr\u00e1tica da liberdade frente ao car\u00e1ter escravizador da lei &#8211; Ep\u00edstola aos G\u00e1latas. <em>RIBLA<\/em>, S\u00e3o Paulo, v. 76, n. 3, p. 93, mar\u00e7o 2017.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> DUNN James D.G. <strong>A teologia do ap\u00f3stolo Paulo<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Paulus, 2003, p. 390.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>SULCA, Jos\u00e9 Luiz Verdi. G\u00e1latas 5,1-6: a vida no Esp\u00edrito: uma pr\u00e1tica da liberdade frente ao car\u00e1ter escravizador da lei. Ep\u00edstola aos G\u00e1latas. <em>Ribla,<\/em> S\u00e3o Paulo, v. 76, n. 3, p. 93, mar\u00e7o 2017.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>SCHNEIDER, G. <strong>A Ep\u00edstola aos G\u00e1latas. <\/strong>Petr\u00f3polis: Vozes, 1967, p. 71.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>STR\u00d6HER, M. J. Entre a afirma\u00e7\u00e3o da igualdade e o dever da submiss\u00e3o \u2013 Rela\u00e7\u00f5esde igualdade e poder Patriarcais em conflito nas primeiras comunidades crist\u00e3s. <em>Estudos B\u00edblicos<\/em>, Petr\u00f3polis, n. 67, p. 36-44, 2000.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>ARBIOL, Carlo Gil. La novedad de Pablo en el juda\u00edsmo de su tempo: un debate que no acaba<em>.<\/em> In.: DE FIGUEIREDO, Telmo Jos\u00e9 Amaral; CATENASSI, Fabrizio Zandonati (ORGs.). <strong>Paulo: <\/strong>contextos e leituras. S\u00e3o Paulo. Paulinas\/Abib, 2018, p. 135.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Veja, nesse sentido, a contribui\u00e7\u00e3o de exegetas presentes no VIII Congresso Internacional de Pesquisa B\u00edblica (Abib), registrada no livro: DE FIGUEIREDO, Telmo Jos\u00e9 Amaral; CATENASSI, Fabrizio Zandonadi (ORGs.). <em>Paulo: contextos e leituras<\/em>. S\u00e3o Paulo. Paulinas\/Abib, 2018, p. 135.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Frei Jacir de Freitas Faria<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":190472,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[43],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Da maldi\u00e7\u00e3o \u00e0 relativiza\u00e7\u00e3o da lei judaica em G\u00e1latas 2,15-5,26 - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/da-maldicao-a-relativizacao-da-lei-judaica-em-galatas-215-526\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Da maldi\u00e7\u00e3o \u00e0 relativiza\u00e7\u00e3o da lei judaica em G\u00e1latas 2,15-5,26 - 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