{"id":189151,"date":"2021-03-11T08:56:15","date_gmt":"2021-03-11T11:56:15","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=189151"},"modified":"2021-03-11T08:56:15","modified_gmt":"2021-03-11T11:56:15","slug":"sao-jose-amigo-irmao-e-pai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sao-jose-amigo-irmao-e-pai\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Jos\u00e9: Amigo, Irm\u00e3o e Pai"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/sao-jose-840.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p><strong>Marcionei Miguel da Silva<\/strong><\/p>\n<p>A vida de S\u00e3o Jos\u00e9 torna-se uma refer\u00eancia para quem acredita na for\u00e7a do amor que nasce da vontade de Deus. Numa sociedade movida pela imposi\u00e7\u00e3o do subjetivismo e carregada de liberdades provis\u00f3rias, temos a impress\u00e3o de que \u00e9 necess\u00e1rio qualificar nossas a\u00e7\u00f5es. \u00c9 evidente que as respostas que Jos\u00e9 procurava n\u00e3o estavam prontas, mas tamb\u00e9m fica claro que a vida n\u00e3o se calava. A economia de palavras nas Sagradas Escrituras a respeito das a\u00e7\u00f5es e mesmo da vida de S\u00e3o Jos\u00e9 n\u00e3o diminui a grandeza de suas escolhas, do amor \u00e0 fam\u00edlia e da fidelidade ao Projeto de Vida que Deus lhe prop\u00f4s. As facilidades que as escolhas sugerem nem sempre se configuram na pr\u00e1tica. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel tirar conclus\u00f5es sobre o grau de felicidade que S\u00e3o Jos\u00e9 encontrou nas escolhas que fez depois que soube ouvir com carinho e aten\u00e7\u00e3o a vontade de Deus Pai. Temos a impress\u00e3o que a acolhida \u00e0 vontade de Deus tornou S\u00e3o Jos\u00e9 mais consciente da miss\u00e3o que lhe fora confiada: cuidar da Pessoa e da miss\u00e3o de Jesus e de Maria a m\u00e3e do menino, como afirma o Papa Francisco na Carta Patris Corde, publicada no dia 8 de dezembro de 2020 por ocasi\u00e3o dos 150 anos da festa de S\u00e3o Jos\u00e9 como padroeiro da Igreja.<\/p>\n<p>Depois de Jesus e Maria, Jos\u00e9 \u00e9 o principal Santo da Igreja. Isso n\u00e3o diminui em nada a grandeza dos outros santos, uma vez que o esposo da M\u00e3e de Deus tamb\u00e9m serviu de inspira\u00e7\u00e3o \u00e0 vida de muitos santos e santas. Os Evangelhos tecem coment\u00e1rios sucintos da vida de S\u00e3o Jos\u00e9, contudo, \u00e9 importante destacar que esses relatos s\u00e3o suficientes para compreender a ess\u00eancia desse santo, que soube colocar-se em sil\u00eancio diante do mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o, sem deixar de cultivar uma intensa vida de ora\u00e7\u00e3o em sua vida cotidiana. De alguma maneira a vida de S\u00e3o Jos\u00e9 nos leva a olhar para uma realidade moldada pela beleza da Sagrada Fam\u00edlia, mesmo com as dificuldades. A reconstru\u00e7\u00e3o da vida de um humilde carpinteiro que foi escolhido por Deus para ser o pai de cora\u00e7\u00e3o de seu filho amado e o esposo daquela que fora escolhida para ser a m\u00e3e do Salvador, nos faz pensar na responsabilidade que lhe foi pedida e na gra\u00e7a que Deus lhe concedeu. A vida de S\u00e3o Jos\u00e9 se parece com a nascente de um rio, pois nasce miudinha, pequena e l\u00edmpida e depois se alarga no horizonte e vai tocando todas as margens que a natureza lhe brinda.<\/p>\n<p>Ao pensar na atitude de S\u00e3o Jos\u00e9 diante da miss\u00e3o que lhe foi apresentada, ficamos impactados com sua postura diante da incompreens\u00edvel situa\u00e7\u00e3o que se apresentava. Somente \u00e0 luz da f\u00e9 tal contexto poderia ser assumido, compreendido e vivenciado com tanta notoriedade, simplicidade e serenidade de alma. A atitude extraordin\u00e1ria de S\u00e3o Jos\u00e9 est\u00e1 na sua capacidade de assumir de maneira extraordin\u00e1ria as quest\u00f5es ordin\u00e1rias de seu cotidiano. Parafraseando S\u00e3o Leonardo Murialdo, podemos dizer que S\u00e3o Jos\u00e9 foi \u201cextraordin\u00e1rio no ordin\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<h3><strong>S\u00e3o Jos\u00e9 na patris corde do Papa Francisco<\/strong><\/h3>\n<p>Depois de ler Patris Corde, do Papa Francisco, nos deparamos com a plenitude do amor de Deus e na sua absoluta confian\u00e7a no ser humano, n\u00e3o obstante suas fragilidades. As informa\u00e7\u00f5es dos Evangelhos sobre S\u00e3o Jos\u00e9 s\u00e3o claras: Sabemos que era um humilde carpinteiro (cf. Mt 13, 55), desposado com Maria (cf. Mt 1, 18; Lc 1, 27); um \u00abhomem justo\u00bb (Mt 1, 19), sempre pronto a cumprir a vontade de Deus manifestada na sua Lei (cf. Lc 2, 22.27.39) e atrav\u00e9s de quatro sonhos (cf. Mt 1, 20; 2, 13.19.22). Depois duma viagem longa e cansativa de Nazar\u00e9 a Bel\u00e9m, viu o Messias nascer num est\u00e1bulo, \u00abpor n\u00e3o haver lugar para eles\u00bb (Lc 2, 7) noutro s\u00edtio. Foi testemunha da adora\u00e7\u00e3o dos pastores (cf. Lc 2, 8-20) e dos Magos (cf. Mt 2, 1-12), que representavam respetivamente o povo de Israel e os povos pag\u00e3os (Cf. Patris Corde, Papa Francisco).<\/p>\n<p>Ao longo da Carta o Papa Francisco associa Jos\u00e9 com os grandes personagens da Sagrada Escritura, como Jos\u00e9 do Egito e os profetas, sem deixar de falar de sua semelhan\u00e7a com os \u00faltimos, os mais pobres e humildes. O papel de Jos\u00e9 \u00e9 extraordin\u00e1rio no sentido de ser mencionado por estar pensando em algu\u00e9m com todas as for\u00e7as de sua alma. N\u00e3o vive para si ou para os seus interesses, mas de modo muito particular para os interesses do Pai: cuidar do menino Jesus e sua m\u00e3e. A paternidade legal de Jesus foi garantida por Jos\u00e9 em virtude da miss\u00e3o do menino \u201csalvar o povo de seus pecados\u201d (Mt 1,21). Era tradi\u00e7\u00e3o para os povos antigos dar o nome a uma pessoa ou coisa, pois era exatamente em raz\u00e3o disso que que ela conseguia um t\u00edtulo de perten\u00e7a (Cf. Gn 2,19-20). Jos\u00e9 deu o nome a Jesus.<\/p>\n<p>A leitura sobre a vida de Jos\u00e9 e a sua miss\u00e3o foi feita a partir de algu\u00e9m que deveria estar sempre atento aos perigos do mundo, da sociedade cruel e dos governantes impiedosos. Em se tratando dos deveres colocados sobre os ombros, Jos\u00e9 foi algu\u00e9m que n\u00e3o mediu esfor\u00e7os para que a miss\u00e3o daqueles que lhe foram confiados fosse plenamente desenvolvida. De alguma maneira, Deus quis precisar de Jos\u00e9, de um homem simples, humilde, honesto e trabalhador para completar o seu prop\u00f3sito. N\u00e3o se trata de incapacidade de Deus, mas de confian\u00e7a no ser humano, n\u00e3o obstante a sua fragilidade. N\u00e3o h\u00e1 desculpa para dizermos que n\u00e3o precisamos do outro para completar a nossa miss\u00e3o, uma vez que o pr\u00f3prio Deus nos mostrou que o caminho da salva\u00e7\u00e3o exige o entrela\u00e7amento das m\u00e3os em diferentes espa\u00e7os, sem medo das diferen\u00e7as, sejam elas culturais, econ\u00f4micas ou sociais. Aquilo que os relatos b\u00edblicos nos revelam a respeito de Jos\u00e9 nos levam a pensar nas possibilidades de planos que o Senhor reserva para cada um de n\u00f3s em particular. De alguma maneira somos todos convidados a cuidar do menino e sua m\u00e3e presente em nossas fam\u00edlias, nos nossos filhos e na nossa postura enquanto cidad\u00e3os. Em cada crian\u00e7a que acolhemos, cuidamos, educamos e amamos se v\u00ea claramente a presen\u00e7a do Senhor e o espelho do Menino. Quando respeitamos as mulheres, amamos o nosso lar, dialogamos diante das diferen\u00e7as e constru\u00edmos novos paradigmas na constru\u00e7\u00e3o de uma verdadeira fam\u00edlia a partir da escuta, da ora\u00e7\u00e3o, do sil\u00eancio, do perd\u00e3o, do amor e da responsabilidade, nos damos conta de que a nossa hist\u00f3ria \u00e9 delineada pelo sorriso de Deus.<\/p>\n<p>Pio IX, no dia 8 de dezembro de 1870 declarou S\u00e3o Jos\u00e9 como Padroeiro da Igreja Cat\u00f3lica. Isso n\u00e3o quer dizer que S\u00e3o Jos\u00e9 tenha sido padroeiro da M\u00e3e Igreja apenas a partir desta data. Desde sempre S\u00e3o Jos\u00e9 cuidou da Igreja, ou seja, de todo o povo de Deus, desde sempre cuidou dos tesouros mais preciosos do c\u00e9u e da terra. Cuidou t\u00e3o bem que a Igreja precisou deixar tamb\u00e9m por escrito sobre a sua import\u00e2ncia o que j\u00e1 estava no cora\u00e7\u00e3o dela desde o nascimento. Se a Trindade inteira, juntamente com Maria, n\u00e3o achou demais ter Jos\u00e9 por perto como humilde carpinteiro, por entender que esse homem com coragem criativa \u00e9 algu\u00e9m que \u00e9 amado e cuida sem deixar de ser terno, justo, acolhedor e obediente, tendo a consci\u00eancia de que \u00e9 a sombra de Deus Pai. \u00c9 fundamental que todo o povo n\u00e3o tenha medo de recorrer a Jos\u00e9 para servir de inspira\u00e7\u00e3o aos seus projetos de vida. N\u00e3o condi\u00e7\u00e3o de esposo de Maria, a m\u00e3e de Deus, Jos\u00e9 foi um seguro baluarte, um esteio constante, uma presen\u00e7a inconfund\u00edvel, uma rocha onde o lar da sagrada fam\u00edlia desenhou sua plena fisionomia. Suas m\u00e3os calejadas n\u00e3o foram esquecidas. O Vener\u00e1vel Pio XII o apresentou como \u201cPadroeiro dos oper\u00e1rios\u201d. N\u00e3o pode haver homenagem mais pomposa para um oper\u00e1rio do que ter S\u00e3o Jos\u00e9 como padroeiro. De alguma maneira, o oper\u00e1rio percebe que o seu trabalho, sob a prote\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9, pode ser lembrado como aquele que amou sem impor condi\u00e7\u00f5es, tendo presente que o suor de seu rosto rouba um sorriso daqueles a quem ele ama e \u00e9 tamb\u00e9m profundamente amado.<\/p>\n<h3><strong>S\u00e3o Jos\u00e9, padroeiro da boa morte<\/strong><\/h3>\n<p>S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II fala que Jos\u00e9 \u00e9 o \u201cGuardi\u00e3o do Redentor\u201d, ou seja, um ex\u00edmio educador que cuida de sua forma\u00e7\u00e3o em todos os momentos da vida. Jesus nunca se sentiu \u00f3rf\u00e3o com Jos\u00e9 por perto. Assim precisamos entender a nossa miss\u00e3o na condi\u00e7\u00e3o de pais: amar para cuidar e cuidar para ser amado. Na devo\u00e7\u00e3o popular, Jos\u00e9 \u00e9 invocado como \u201cpadroeiro da boa morte\u201d. De alguma maneira queremos lembrar de Jos\u00e9 em nosso \u00faltimo suspiro. A boa morte n\u00e3o significa morrer sem dor, mas ir ao encontro do Senhor com o cora\u00e7\u00e3o livre de pecados. A boa morte significa colocar a nossa vida inteiramente nas m\u00e3os de Deus com o cora\u00e7\u00e3o plenamente reconciliado com o Pai. Quem sempre tem a vida e a miss\u00e3o de Jos\u00e9 em seu cora\u00e7\u00e3o jamais ser\u00e1 abandonado ou esquecido na hora de seu \u00faltimo adeus. Assim como Jos\u00e9 partiu ladeado pelo seu filho amado e por sua querida esposa, sendo consolado pelas l\u00e1grimas do amor, n\u00f3s tamb\u00e9m sentimos esse mesmo desejo em nosso cora\u00e7\u00e3o: estar sendo consolado pelo Menino e sua m\u00e3e em nosso \u00faltimo adeus. Em tempos de pandemia da Covid-19, onde milhares de pessoas perderam suas vidas em situa\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas e dolorosas, a f\u00e9 e a presen\u00e7a do amor t\u00e3o evidenciadas em Jos\u00e9 tornam-se um alento diante da tristeza da perda de um ente querido.<\/p>\n<p>Sobre a forma de vida de Jos\u00e9 n\u00e3o h\u00e1 muitas informa\u00e7\u00f5es, mas sobre o modo como Jos\u00e9 viveu e a inspira\u00e7\u00e3o que ele nos oferece, tudo \u00e9 muito encantador e extraordin\u00e1rio. Mais do que pensar sobre as particularidades da vida de Jos\u00e9, temos a oportunidade de olhar Jos\u00e9 \u00e0 luz do pres\u00e9pio, uma imagem permanente de amor que S\u00e3o Francisco nos deu de presente. Jos\u00e9 \u00e9 aquele que cuida de quem corria risco de vida, de preconceito, de maus entendidos, de bulling, de apedrejamento e de morte. Jos\u00e9 corria risco de perder a honra, Maria de ser apedrejada e o menino de ser assassinado por Herodes. Tem-se a impress\u00e3o de que Deus colocou essa fam\u00edlia numa grande \u201cenrascada\u201d. Tinha tudo para dar errado, mas Deus \u201cdriblou\u201d seus advers\u00e1rios de uma maneira espetacular sem recorrer a poderes m\u00e1gicos, celestiais ou fora do alcance da fragilidade humana. O \u00fanico recurso silencioso que Deus utilizou foi o aviso a Jos\u00e9 atrav\u00e9s dos sonhos. Tudo o que Jos\u00e9 precisou para entender plenamente o que deveria fazer foi colocar em pr\u00e1tica a sua capacidade de escuta, obedecer sem medo e agir com prud\u00eancia e responsabilidade no tempo certo. A mensagem de Deus \u00e9 dita uma \u00fanica vez para cada a\u00e7\u00e3o. Deus n\u00e3o repete o sonho para que Jos\u00e9 fa\u00e7a uma mesma a\u00e7\u00e3o. Para cada sonho uma miss\u00e3o diferente. Nesse sentido fica claro que Jos\u00e9 era um homem de ora\u00e7\u00e3o, pois sabia colocar-se diante de Deus com prontid\u00e3o; estava atento \u00e0 sua meta, que era cuidar da miss\u00e3o e da pessoa de Jesus ao lado de sua esposa, por isso n\u00e3o passava despercebido tudo o que era dito a respeito dessa dimens\u00e3o que lhe era sagrada. Nem mesmo enquanto dormia Jos\u00e9 deixava passar ao largo as orienta\u00e7\u00f5es de Deus. A prontid\u00e3o na obedi\u00eancia ao Pai s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando o cora\u00e7\u00e3o sabe escutar a partir da l\u00f3gica do amor.<\/p>\n<h3><strong>S\u00e3o Jos\u00e9 e os invis\u00edveis da hist\u00f3ria<\/strong><\/h3>\n<p>O Papa Francisco fez quest\u00e3o de resgatar o conceito de ternura na figura de Jos\u00e9. \u201cDia ap\u00f3s dia, Jos\u00e9 via Jesus crescer \u00abem sabedoria, em estatura e em gra\u00e7a, diante de Deus e dos homens\u00bb (Lc 2, 52). Como o Senhor fez com Israel, assim ele ensinou Jesus a andar, segurando-O pela m\u00e3o: era para Ele como o pai que levanta o filho contra o seu rosto, inclinava-se para Ele a fim de Lhe dar de comer (cf. Os 11, 3-4)\u201d (cf. Patris Corde, p. 3). Em nossa sociedade \u00e9 evidente a superficialidade nas rela\u00e7\u00f5es humanas, a indiferen\u00e7a com o outro e a inconsist\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es humanas. H\u00e1 uma cegueira sobre as necessidades afetivas e uma profunda desumanidade com os invis\u00edveis da hist\u00f3ria. \u00c9 preciso educar o cora\u00e7\u00e3o com ternura, paci\u00eancia e amor. A falta de capacidade daquele que est\u00e1 aprendendo n\u00e3o pode ser motivo de irrita\u00e7\u00e3o para quem est\u00e1 ensinando. O princ\u00edpio da ternura n\u00e3o significa \u201cr\u00e9dea frouxa\u201d ou isen\u00e7\u00e3o dos limites, mas capacidade de educar com carinho e de forma bem-intencionada, querendo sempre ver o bem do outro. Al\u00e9m da ternura, o Papa Francisco nos apresentou outras seis caracter\u00edsticas de S\u00e3o Jos\u00e9 que devem ser vivenciadas por cada um de n\u00f3s. O seu ponto de partida \u00e9 o Pai Amado. Ser amado \u00e9 ser lembrado, querido, abra\u00e7ado e imitado. Jos\u00e9 foi amado por Deus, por Maria, por Jesus, por sua fam\u00edlia, por seu povo e hoje \u00e9 amado por todos n\u00f3s. A sua coer\u00eancia de vida nos faz am\u00e1-lo de maneira extraordin\u00e1ria. Jos\u00e9 foi amado, por isso teve a alegria de ter por perto durante toda sua vida as duas pessoas mais queridas de seu cora\u00e7\u00e3o e de toda a humanidade. Nada pode ser mais reconfortante para um ser humano do que ser amado, sentir-se amado e ter a oportunidade de amar tamb\u00e9m. Tendo presente esse princ\u00edpio, fica claro que o seu modo de agir precisava ser carregado de ternura, carinho e bem-querer. Ao dar-se conta de que aqueles que ele amava e por quem era amado tamb\u00e9m tinham uma miss\u00e3o diferente da dele, de alguma forma tamb\u00e9m poderia completar a sua pr\u00f3pria miss\u00e3o. Jos\u00e9 quis abrir m\u00e3o de seus projetos pessoais para colocar os de Deus em primeiro plano. Nesse sentido, fica claro que a sua obedi\u00eancia n\u00e3o arrancou sua liberdade, mas lhe fez compreender a plenitude de sua miss\u00e3o. Quanto mais Jos\u00e9 obedecia a vontade de Deus, mas robusta ficava sua liberdade. O Papa Francisco nos lembra, ainda, que Jos\u00e9 foi Pai no acolhimento.<\/p>\n<p>Os planos de sua querida fam\u00edlia s\u00e3o revelados a Jos\u00e9 de maneira muito peculiar e serena. Ao acolher a miss\u00e3o que o Pai confiou a Jesus, Jos\u00e9 abra\u00e7a o pr\u00f3prio menino. Ao colocar nas m\u00e3os de Deus aquilo que foge a qualquer plano racional, Jos\u00e9 n\u00e3o duvida das inten\u00e7\u00f5es do Pai, apenas acolhe na l\u00f3gica da f\u00e9 o que lhe fora dado. As inten\u00e7\u00f5es do Pai v\u00e3o ficando mais soberbas e desafiadoras para o Menino e sua M\u00e3e. Jos\u00e9, ciente de que Deus quis colocar em pr\u00e1tica o Projeto de seu Reino a partir da fragilidade de uma humilde e simp\u00e1tica fam\u00edlia nos \u201cconfins do mundo\u201d, o que Jos\u00e9 faz \u00e9 acolher com alegria no cora\u00e7\u00e3o aquilo que n\u00e3o anula o seu projeto de vida, mas o enriquece de maneira nunca dantes percebida. O acolhimento de Jos\u00e9 o eleva em santidade e em sabedoria. Isso lhe trouxe desafios, e, por vezes, sofrimento. Diante dos desafios muitas reflex\u00f5es o angustiaram, pois aquilo que estava sendo lhe pedido parecia maior do que aquilo que ele poderia oferecer.<\/p>\n<h3><strong>S\u00e3o Jos\u00e9 trabalhador, com coragem criativa e sombra de Deus<\/strong><\/h3>\n<p>A sua f\u00e9 lhe manteve de p\u00e9. O Papa Francisco nos fala, ainda, de Jos\u00e9 na condi\u00e7\u00e3o de Pai com coragem criativa. Isso significa que devemos saber nos colocar nas m\u00e3os de Deus em situa\u00e7\u00f5es adversas. Se n\u00e3o temos tudo o que precisamos, faz-se necess\u00e1rio agir com o pouco que dispomos. A coragem criativa n\u00e3o significa \u201cesp\u00edrito de aventureiro\u201d, mas percep\u00e7\u00e3o de oportunidades nas pequenas coisas da vida. Se n\u00e3o temos uma realidade ideal, o que podemos fazer com a realidade que nos pertence e que nos foi confiada? Outra dimens\u00e3o \u00e9 a de Pai Trabalhador. Em nosso pa\u00eds celebramos o dia 1\u00ba de maio como Dia do Trabalhador tendo S\u00e3o Jos\u00e9 como padroeiro. Enquanto trabalhamos silenciamos nossa alma e nosso cora\u00e7\u00e3o e permitimos que nossas m\u00e3os modelem e criem uma nova realidade. Pedimos a S\u00e3o Jos\u00e9 que no oriente e nos guie com responsabilidade em nosso trabalho para evitar acidentes e nos despertar a dignidade e o princ\u00edpio \u00e9tico em tudo o que fazemos. Os direitos e os deveres devem ser assegurados e o respeito garantido. N\u00e3o se trata de apenas ter trabalho, mas de ser valorizado pelo trabalho que se faz. Por fim, o Papa Francisco nos faz pensar em Jos\u00e9 como Pai na sombra. Jos\u00e9 \u00e9 a sombra na terra do Pai celeste. O que Jesus faz com o menino \u00e9 exatamente aquilo que Deus Pai tem presente em sua mente e em seu cora\u00e7\u00e3o. \u201cJos\u00e9 guarda-O, protege-O, segue seus passos sem nunca se afastar d\u2019Ele\u201d (cf. Patris Corde, p. 10).<\/p>\n<p>Fica claro, portanto, que ser Pai \u00e9 dar condi\u00e7\u00f5es ao filho para que ele conquiste o mundo batendo suas pr\u00f3prias asas, sem esquecer de que a vida vai sendo moldada pelas belas experi\u00eancias filtradas pelo cora\u00e7\u00e3o. Quero concluir com os pensamentos do Papa Francisco: \u201cA felicidade de Jos\u00e9 n\u00e3o se situa na l\u00f3gica do sacrif\u00edcio de si mesmo, mas na l\u00f3gica do dom de si mesmo. Naquele homem, nunca se nota frustra\u00e7\u00e3o, mas apenas confian\u00e7a. O seu sil\u00eancio persistente n\u00e3o inclui lamenta\u00e7\u00f5es, mas sempre gestos concretos de confian\u00e7a\u201d. Por fim, conclui o Papa: \u201cToda a verdadeira voca\u00e7\u00e3o nasce do dom de si mesmo, que \u00e9 a matura\u00e7\u00e3o do simples sacrif\u00edcio. Mesmo no sacerd\u00f3cio e na vida consagrada, requer-se este g\u00eanero de maturidade. Quando uma voca\u00e7\u00e3o matrimonial, celibat\u00e1ria ou virginal n\u00e3o chega \u00e0 matura\u00e7\u00e3o do dom de si mesmo, detendo-se apenas na l\u00f3gica do sacrif\u00edcio, ent\u00e3o, em vez de significar a beleza e a alegria do amor, corre o risco de exprimir infelicidade, tristeza e frustra\u00e7\u00e3o\u201d. (Cf. Patris Corde, p. 11). A atualidade de S\u00e3o Jos\u00e9 se faz presente quando cultivamos uma profunda vida de ora\u00e7\u00e3o, fazemos sil\u00eancio para ouvir a voz de Deus que se manifesta nos irm\u00e3os e nos acontecimentos cotidianos da vida, colocamos o Projeto do Pai como prioridade no curso de nossa exist\u00eancia, ficamos atento aos perigos que podem comprometer os planos que Deus tem para aqueles que amamos (Jos\u00e9 salvou o menino e sua m\u00e3e do perigo), assumimos a educa\u00e7\u00e3o com amor, paci\u00eancia e aten\u00e7\u00e3o, estendemos a m\u00e3o aos migrantes, imigrantes e refugiados, cuidamos do \u00f3rf\u00e3o e dos necessitados e assumimos o trabalho com alegria e motiva\u00e7\u00e3o interior. Que S\u00e3o Jos\u00e9, juntamente com S\u00e3o Francisco, o irm\u00e3o dos pobres, dos oprimidos e um fervoroso seguidor de Jesus, nos ensinem a viver com autenticidade o nosso projeto de vida a partir do amor de Deus.<\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>Marcionei Miguel da Silva<\/strong><em> nasceu em Bra\u00e7o do Norte \u2013 SC em 1972. Possui Licenciatura plena em Filosofia e Hist\u00f3ria pela FAFIMC (Faculdade de Filosofia Nossa Senhora da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o) em Viam\u00e3o\/RS (1997) e gradua\u00e7\u00e3o em Teologia pelo Instituto Teol\u00f3gico Paulo VI de Londrina\/PR (2001). Tamb\u00e9m \u00e9 especialista em juventude em S\u00e3o Leopoldo\/RS (Unisinos &#8211; 2001) e em Gest\u00e3o Escolar atrav\u00e9s do Polo de Crici\u00fama\/SC (Uninter-2019) e est\u00e1 concluindo a segunda licenciatura em Hist\u00f3rica (Uninter 2021). Tem Mestrado em Teologia pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul em Porto Alegre &#8211; PUC\/RS (2008) com a Disserta\u00e7\u00e3o: Jos\u00e9 no mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o: aspectos teol\u00f3gicos pastorais para a paternidade respons\u00e1vel. Atualmente trabalha na educa\u00e7\u00e3o e \u00e9 professor efetivo de Filosofia, Hist\u00f3ria e Ensino Religioso na Rede P\u00fablica Estadual de Santa Catarina, CRE de Crici\u00fama &#8211; SC. Nos passos de S\u00e3o Jos\u00e9, \u00e0 luz da Sagrada Fam\u00edlia, conduz a sua hist\u00f3ria de vida.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Marcionei Miguel da Silva <\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":189152,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[343,344],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>S\u00e3o Jos\u00e9: Amigo, Irm\u00e3o e Pai - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sao-jose-amigo-irmao-e-pai\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"S\u00e3o Jos\u00e9: Amigo, Irm\u00e3o e Pai - 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