{"id":186131,"date":"2015-10-27T00:42:28","date_gmt":"2015-10-27T02:42:28","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=186131"},"modified":"2020-06-25T15:45:12","modified_gmt":"2020-06-25T18:45:12","slug":"quando-algum-dos-nossos-termina-a-caminhada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/quando-algum-dos-nossos-termina-a-caminhada\/","title":{"rendered":"Quando algum dos nossos termina a caminhada&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><b><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/noticias\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/finados_031118_1-1-400x400-1.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"559\" \/><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><b>Frei Gustavo Medella (*)<\/b><\/p>\n<h4><b>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES INTRODUT\u00d3RIAS<\/b><\/h4>\n<p>Caminho&#8230; Caminhada&#8230; \u00c9 comum, na espiritualidade, lan\u00e7ar-se m\u00e3o desta met\u00e1fora no intuito de ilustrar o dinamismo da hist\u00f3ria humana. A vida n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica. \u00c9 movimento, mudan\u00e7a, percurso, trajeto. N\u00e3o poucas vezes, na Sagrada Escritura e na vida dos Santos, o caminho se apresenta como rota de convers\u00e3o, de amadurecimento, de tomada das grandes decis\u00f5es. Basta recordar a peregrina\u00e7\u00e3o do Povo de Israel, 40 anos pelo deserto, retornando do ex\u00edlio para a terra prometida, das muitas andan\u00e7as de Jesus Cristo e de Francisco de Assis, quando este volta das Ap\u00falias para sua terra natal, com desejo ardente de atender ao convite do Senhor. Movimento, mudan\u00e7a, questionamento e inseguran\u00e7a quase sempre s\u00e3o elementos constituintes destas caminhadas.<\/p>\n<p>Na vida individual tal fen\u00f4meno tamb\u00e9m \u00e9 percept\u00edvel: cada pessoa experimenta na pr\u00f3pria hist\u00f3ria os efeitos do caminho empreendido. Rela\u00e7\u00f5es, decis\u00f5es, alegrias, decep\u00e7\u00f5es e d\u00favidas d\u00e3o a t\u00f4nica desta caminhada, at\u00e9 o dia em que, \u00e0s vezes lenta, \u00e0s vezes abruptamente, ela chega ao fim. A certeza da finitude funciona como uma esp\u00e9cie de b\u00fassola ou, mais modernamente falando, de um GPS que orienta as escolhas e op\u00e7\u00f5es de cada um.<\/p>\n<p>Monteiro Lobato, com arte e maestria, d\u00e1 voz \u00e0 personagem Em\u00edlia: \u201cA vida, Senhor Visconde, \u00e9 um pisca-pisca. A gente nasce, isto \u00e9, come\u00e7a a piscar. Quem p\u00e1ra de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar \u00e9 abrir e fechar os olhos \u2013 viver \u00e9 isso. \u00c9 um dorme e acorda, dorme e acorda, at\u00e9 que dorme e n\u00e3o acorda mais [&#8230;] A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, \u00e9 isso. Um ros\u00e1rio de piscados. Cada pisco \u00e9 um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos, pisca e geme os reumatismos, e por fim pisca pela \u00faltima vez e morre. \u2013 E depois que morre?, perguntou o Visconde. \u2013 Depois que morre, vira hip\u00f3tese. \u00c9 ou n\u00e3o \u00e9?\u201d<\/p>\n<p>Apesar de ser caminhada individual, a exist\u00eancia humana \u00e9 uma obra em aberto, principalmente no que diz respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es que permite criar. No paradoxo humano, cada individualidade \u00e9 fruto de uma rela\u00e7\u00e3o que tende a expandir suas tramas configuradas pela consanguinidade, pela identifica\u00e7\u00e3o, pela simpatia, pela amizade, pela necessidade. E \u00e9 neste aspecto que o tema da finitude ganha for\u00e7a e repercuss\u00e3o, n\u00e3o na hist\u00f3ria de quem finda sua caminhada, mas se lan\u00e7a como desafio imperativo para quem permanece na estrada. Lidar com a partida daquele que se ama \u00e9 tarefa inadi\u00e1vel e intransfer\u00edvel, \u00e9 o pre\u00e7o que se paga por se viver relacionalmente.<\/p>\n<p>E \u00e9 sobre este n\u00f3 da trama vital que a presente reflex\u00e3o deseja se debru\u00e7ar, principalmente no que diz respeito \u00e0 abordagem pastoral da quest\u00e3o, revelando o rosto de uma Igreja companheira e solid\u00e1ria com seus filhos e filhas que atravessam este obscuro vale em sua caminhada de vida: a partida de um ente querido. O termo \u201cIgreja\u201d aqui compreendido de forma ampla, na presen\u00e7a dos ministros, ordenados ou institu\u00eddos, na atua\u00e7\u00e3o de uma pastoral espec\u00edfica, na disponibilidade de uma comunidade capaz de se solidarizar.<\/p>\n<p>Em um primeiro momento, algumas considera\u00e7\u00f5es a partir da espiritualidade crist\u00e3. Logo ap\u00f3s, o texto se ocupar\u00e1 em tecer coment\u00e1rios a partir de situa\u00e7\u00f5es que a pr\u00f3pria pr\u00e1tica pastoral apresenta, a saber: A partida como coroamento de uma longa caminhada; a partida de quem atravessa o calv\u00e1rio da doen\u00e7a; a partida repentina. \u00c9 evidente que a complexidade e a varia\u00e7\u00e3o quase infinita dos arranjos das in\u00fameras possibilidades individuais ultrapassam de longe os poucos aspectos aqui descritos. Eles s\u00e3o apenas alguns acenos aproximativos que buscam provocar a reflex\u00e3o.<\/p>\n<h4><b>1. \u00a0ALGUNS OLHARES A PARTIR DA ESPIRITUALIDADE<\/b><\/h4>\n<h4><b>1.1\u00a0 A vida do justo e a sabedoria do Antigo Testamento<\/b><\/h4>\n<p>O Livro da Sabedoria traz reflex\u00f5es que abordam diferentes situa\u00e7\u00f5es da vida, mais ou menos agrad\u00e1veis. \u201cA vida dos justos est\u00e1 nas m\u00e3os de Deus\u201d (Sb 3,1) \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o do autor que aborda a \u00faltima passagem do ser humano, peregrino e viajante por natureza. \u00c9 a passagem desta vida para a vida eterna.<\/p>\n<p>A justi\u00e7a \u00e9 um bem divino e o ser humano que pauta sua vida na busca e no cultivo dela se aproxima cada vez mais de Deus. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, no Livro de Jeremias, Deus aparece designado como \u201cSenhor, nossa justi\u00e7a\u201d (Jr 23,6).<\/p>\n<p>Na hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o muitos foram denominados justos; todos aqueles que souberam conduzir suas vidas pelos caminhos do Senhor. No Novo Testamento, aparece, por exemplo, o justo Jos\u00e9, pai adotivo de Jesus, que se lan\u00e7ou de corpo e alma como colaborador efetivo do projeto de Deus.<\/p>\n<p>Quem vive justamente parte como justo e \u00e9 acolhido com amor pelo Senhor. Importante \u00e9 lembrar que viver retamente n\u00e3o significa passar pela exist\u00eancia sem cometer erros. Os trope\u00e7os e enganos fazem parte da hist\u00f3ria humana. Mais importante do que evit\u00e1-los a qualquer pre\u00e7o, \u00e0s vezes \u00e0s custas de um escr\u00fapulo paralisante, \u00e9 cultivar, cada um em si, um auto-reconhecimento das pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es e, apesar delas, seguir em frente, com confian\u00e7a na miseric\u00f3rdia de Deus.<\/p>\n<p>E o justo sabe bem disso. \u201cA vida dos justos, ao contr\u00e1rio, est\u00e1 nas m\u00e3os de Deus, e nenhum tormento os atingir\u00e1. Aos olhos dos insensatos, aqueles pareciam ter morrido, e seu fim foi considerado como desgra\u00e7a. Os insensatos pensavam que a partida dos justos do nosso meio era um aniquilamento, mas agora est\u00e3o na paz. As pessoas pensavam que os justos estavam cumprindo uma pena, mas esperavam a imortalidade. Por uma breve pena receber\u00e3o grandes benef\u00edcios, porque Deus os provou e os encontrou dignos dele. Deus examinou-os como ouro no crisol, e os aceitou como holocausto perfeito. No dia do julgamento, eles resplender\u00e3o como fagulhas no meio da palha. Eles governar\u00e3o as na\u00e7\u00f5es, submeter\u00e3o os povos, e o Senhor reinar\u00e1 para sempre sobre eles. Os que nele confiam compreender\u00e3o a verdade, e os que lhe s\u00e3o fi\u00e9is viver\u00e3o junto dele, no amor, pois a gra\u00e7a e a miseric\u00f3rdia est\u00e3o reservadas para seus escolhidos\u201d. (Sb 3,1-9).<\/p>\n<h4><b>1.2 \u00a0O gr\u00e3o de trigo e as \u201cpequenas mortes\u201d de cada dia<\/b><\/h4>\n<p>\u201cSe o gr\u00e3o de trigo, ca\u00eddo na terra, n\u00e3o morrer, fica s\u00f3; se morrer, produz muito fruto\u201d.(Jo 12,24).<i> <\/i>Conforme expresso no Evangelho de Jo\u00e3o, Jesus Cristo lan\u00e7a m\u00e3o da compara\u00e7\u00e3o com o gr\u00e3o de trigo para referir-se a si mesmo. Ele queria desta forma mostrar que sua morte, ainda que sofrida e injusta, seria fonte de vida para o mundo. E a principal garantia de Cristo era sua total fidelidade ao projeto do Reino de Deus. Ele foi fiel at\u00e9 o fim. Outro elemento a ser destacado \u00e9 que o sangue derramado na cruz foi o coroamento do processo de toda a vida de Cristo. Em cada gesto de acolhida, em cada palavra de est\u00edmulo, em cada cura ou ensinamento, o mestre estava se entregando por inteiro, para que todos tivessem vida, e vida em abund\u00e2ncia (Cf. Jo 10,10).<\/p>\n<p>O acontecido ao gr\u00e3o de trigo tamb\u00e9m se aplica \u00e0 exist\u00eancia do ser humano. Todo sacrif\u00edcio realizado em benef\u00edcio do pr\u00f3ximo n\u00e3o deixa de ser uma pequena morte, mas \u00e9 morte que gera a vida. Bom exemplo \u00e9 o da m\u00e3e que, de madrugada, se levanta para acudir seu beb\u00ea que est\u00e1 chorando. Naquele momento ela morreu para seu sono, para sua pregui\u00e7a, para a vontade de ficar dormindo. Foi capaz de se sacrificar porque algu\u00e9m que ela ama estava precisando de seu socorro. Outra situa\u00e7\u00e3o de \u201cmorte para si mesmo\u201d \u00e9 o casamento: mais uma vez se morre para gerar vida. Marido e mulher precisam se transformar mutuamente, um se adequando ao outro. Caminhando desta forma s\u00e3o capazes de construir uma uni\u00e3o feliz. A vida, portanto, \u00e9 um constante morrer, mas esta constata\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ser motivo de tristeza ou medo. Ela pretende apenas recordar que vida e morte caminham de m\u00e3os dadas, uma gerando a outra.<\/p>\n<h4><b>1.3\u00a0 S\u00e3o Francisco e seu encontro com a irm\u00e3 morte<\/b><\/h4>\n<p>Poucos instantes antes de morrer, por volta de 1226, S\u00e3o Francisco pediu a seus irm\u00e3os que o despissem e que o colocassem nu sobre a terra. Era o coroamento de uma experi\u00eancia profunda de Deus, o Deus da vida. Em Cristo, Francisco conseguiu enxergar a beleza e a grandiosidade do amor do Pai e, por isso, transformou sua vida em um perene louvor a Deus, pautado em profundo amor e respeito por todos os seres humanos e pelos bens da cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Francisco j\u00e1 partiu h\u00e1 quase 800 anos, mas sua experi\u00eancia continua a inspirar milh\u00f5es de homens e mulheres em todo mundo. O Santo de Assis, descobrindo profundamente amado por Deus, o Sumo Bem, \u00danico e Verdadeiro Bem, conseguiu transmitir este amor para al\u00e9m das fronteiras de seu tempo e de seu espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Foi modelo de vida at\u00e9 o fim. Francisco bem sabia que tudo aquilo era e tinha havia recebido como dom gratuito, e por isso n\u00e3o queria tomar posse de nada, nem das coisas, nem da natureza, nem da pessoa. Soube viver em profunda gratuidade e, assim, apesar de todos os sofrimentos (f\u00edsicos inclusive), conseguiu ser uma pessoa realizada e feliz.<\/p>\n<p>Quando chegou sua hora, Francisco encheu seu cora\u00e7\u00e3o de esperan\u00e7a e conseguiu chamar a morte de \u201cnovo nascimento\u201d. N\u00e3o se trata de um fim, mas de uma transforma\u00e7\u00e3o, do ingresso em uma nova maneira de existir. No <i>C\u00e2ntico das criaturas<\/i>, Francisco louva e agradece a Deus por todos os benef\u00edcios que Ele realizou (e realiza) na cria\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o deixa de fora a \u201cIrm\u00e3 Morte Corporal\u201d, escrevendo assim: \u201cLouvado sejas, meu Senhor, por nossa irm\u00e3 a morte corporal, da qual homem algum pode escapar. (&#8230;) Felizes os que ela achar conformes \u00e0 tua sant\u00edssima vontade, porque a morte segunda n\u00e3o lhes far\u00e1 mal!\u201d<i><\/i><\/p>\n<p>Francisco de Assis ensina que a vida \u00e9 dom, presente de Deus. No momento da partida de algu\u00e9m querido, esta recorda\u00e7\u00e3o \u00e9 muito salutar, pois alia \u00e0 dor e \u00e0 tristeza um profundo sentimento de gratid\u00e3o e esperan\u00e7a.<\/p>\n<h4><b>2. \u00a0PARTIDA E PARTIDAS<\/b><\/h4>\n<p>Embora seja um s\u00f3 fen\u00f4meno, parte integrante da exist\u00eancia, a maneira como ocorre varia de acordo com uma s\u00e9rie incont\u00e1vel de fatores. Tendo em vista este aspecto, tamb\u00e9m a lida pastoral difere de caso a caso. A presen\u00e7a da Igreja neste delicado momento da vida das fam\u00edlias assume matizes diferentes segundo as circunst\u00e2ncias do ocorrido. A seguir, algumas pistas de atua\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m poucas reflex\u00f5es diante de tr\u00eas configura\u00e7\u00f5es distintas<\/p>\n<h4><b>2.1\u00a0 A partida como coroamento de uma longa caminhada<\/b><\/h4>\n<p>\u00c9 o caso da exist\u00eancia que, seguindo seu curso natural, chega ao fim, \u00e0 semelhan\u00e7a de uma vela acesa que, consumida, se apaga. V\u00eam \u00e0 lembran\u00e7a aqueles que partem aos 80, 90 anos, levados pelas limita\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria idade. Em sua exist\u00eancia, \u00e9 claro, tiveram momentos de dor, sofrimento e aridez. Por\u00e9m, com sabedoria, tiveram a capacidade de promover uma s\u00edntese positiva de sua hist\u00f3ria. Evidente que deixam saudades. C\u00f4njuges, filhos, netos, bisnetos e amigos lamentam a partida, choram ao despedir-se daquele ser humano que tanto marcou a hist\u00f3ria deles. No entanto, parece que nestes casos a pr\u00f3pria exist\u00eancia oferece os elementos capazes de auxiliar quem fica na busca de um sentido para o fato: \u201cPapai descansou, cumpriu sua miss\u00e3o!\u201d \u2013 N\u00e3o \u00e9 incomum, nestes casos, ouvir de filhos e filhas, por exemplo, este tipo de afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Permanece a saudade como sentimento profundo, que pode inclusive gerar poesia e can\u00e7\u00e3o, como no caso do m\u00fasico S\u00e9rgio Bittencourt. Ao expressar a saudade que sentia de se pai (Jac\u00f3 do Bandolim), S\u00e9rgio comp\u00f4s a bela pe\u00e7a musical \u201cNaquela mesa\u201d: \u201cNaquela mesa ele sentava sempre \/ E me dizia sempre o que \u00e9 viver melhor \/ Naquela mesa ele contava hist\u00f3rias \/ Que hoje na mem\u00f3ria eu guardo e sei de cor \/ Naquela mesa ele juntava gente \/ E contava contente o que fez de manh\u00e3 \/ E nos seus olhos era tanto brilho \/ Que mais que seu filho \/ Eu fiquei seu f\u00e3 \/ Eu n\u00e3o sabia que do\u00eda tanto \/ Uma mesa num canto, uma casa e um jardim \/ Se eu soubesse o quanto d\u00f3i a vida \/ Essa dor t\u00e3o do\u00edda, n\u00e3o do\u00eda assim \/ Agora resta uma mesa na sala \/ E hoje ningu\u00e9m mais fala do seu bandolim \/ Naquela mesa t\u00e1 faltando ele \/ E a saudade dele t\u00e1 doendo em mim\u201d.<\/p>\n<p>Nestas situa\u00e7\u00f5es, a presen\u00e7a de uma Igreja que reza junto \u00e0 fam\u00edlia e aos amigos, que se apresenta com palavras de gratid\u00e3o a Deus e como semeadora de esperan\u00e7a, se torna \u00fatil e oportuna. A celebra\u00e7\u00e3o no vel\u00f3rio, com a presen\u00e7a do ministro, a posterior visita\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia para al\u00e9m da missa de s\u00e9timo dia, a comunidade que se une em ora\u00e7\u00e3o s\u00e3o a\u00e7\u00f5es que conferem corpo e consist\u00eancia \u00e0 presen\u00e7a eclesial. Soma-se aqui a atua\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os pastorais voltados aos idosos e doentes, em especial o trabalho de visita\u00e7\u00e3o constante, da comunh\u00e3o aos enfermos e outras atua\u00e7\u00f5es do g\u00eanero.<\/p>\n<p>H\u00e1 os casos ainda \u2013 e n\u00e3o s\u00e3o poucos \u2013 em que a fam\u00edlia, ou o pr\u00f3prio falecido, n\u00e3o tem liga\u00e7\u00e3o direta com qualquer comunidade de f\u00e9. A\u00ed tamb\u00e9m cabe uma presen\u00e7a da Igreja, n\u00e3o de car\u00e1ter proselitista, mas fundada principalmente na l\u00f3gica do testemunho, da presen\u00e7a amiga e companheira, da especialista no trato humano, oferecendo, como S\u00e3o Pedro \u00e0 porta do templo, aquilo que ela tem para dar: \u201cNem ouro, nem prata, mas Jesus Cristo, o Nazareno\u201d (At 3,6). Quem sabe tal testemunho n\u00e3o desperte no cora\u00e7\u00e3o de algum dos presentes a vontade viva de se aproximar desta Igreja que traz a Boa-Nova de um Cristo amigo e servidor?<\/p>\n<h4><b>2.2\u00a0 A partida de quem atravessa o calv\u00e1rio da doen\u00e7a<\/b><\/h4>\n<p>\u201cO Filho de Deus sofreu, morreu, mas ressuscitou, e exatamente por isso aquelas chagas tornam-se o sinal da nossa reden\u00e7\u00e3o, do perd\u00e3o e da reconcilia\u00e7\u00e3o com o Pai; tornam-se, contudo, tamb\u00e9m um banco de prova para a f\u00e9 dos disc\u00edpulos e para a nossa f\u00e9: todas as vezes que o Senhor fala da sua paix\u00e3o e morte, eles n\u00e3o compreendem, rejeitam, op\u00f5em-se. Para eles, como para n\u00f3s, o sofrimento permanece sempre carregado de mist\u00e9rio, dif\u00edcil de aceitar e suportar.\u201d (Papa Bento XVI, na Mensagem para o XIX Dia Mundial do Doente \u2013 2011).<\/p>\n<p>Encontrar nas chagas de Cristo e nas pr\u00f3prias chagas um sinal de reden\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exerc\u00edcio dos mais f\u00e1ceis, conforme aponta o Papa Bento XVI. O mist\u00e9rio do sofrimento, quando vivido na pr\u00f3pria hist\u00f3ria, ou na vida daqueles que est\u00e3o pr\u00f3ximos, traz em si um caminh\u00e3o de questionamentos e muito pouco \u2013 ou \u00e0s vezes nada \u2013 de resposta. Muitas vezes s\u00e3o anos a fio de limita\u00e7\u00e3o, dor e luta vivenciados pelo enfermo e por aqueles que est\u00e3o a seu redor, especialmente os mais pr\u00f3ximos. N\u00e3o s\u00e3o poucos os que, ao contemplar tamanha prova\u00e7\u00e3o, sentem profunda dificuldade em enxergar um sentido para vida que seja capaz de ir al\u00e9m daquele sofrimento macerante, a molde do personagem b\u00edblico J\u00f3, quando diz: .\u201dPere\u00e7a o dia em que nasci, e a noite que disse: \u2018Foi concebido um menino\u2019\u201d. (J\u00f3 3,3).<\/p>\n<p>A partida de algu\u00e9m depois de um per\u00edodo de enfermidade, principalmente se esta se estende por muito tempo, provoca em quem fica um misto de sentimentos. Aos mais pr\u00f3ximos geralmente surge certo sentimento de al\u00edvio, aliado \u00e0 saudade e \u00e0 dor da perda, \u00e9 \u00f3bvio. Basta pensar, por exemplo, na figura da filha solteira, j\u00e1 de certa idade, que cuidou anos a fio da m\u00e3e octogen\u00e1ria acamada. Nos \u00faltimos anos o n\u00edvel de comunica\u00e7\u00e3o se reduzira a alguns olhares espor\u00e1dicos com certa apar\u00eancia de consci\u00eancia. Certamente, para esta filha, dentre o turbilh\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es que brotam em seu cora\u00e7\u00e3o, est\u00e1 o suspiro aliviado de quem acompanhou todo o ciclo de sofrimento ocasionado pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de oferecer o conforto aos que sofrem com esta realidade e ilumin\u00e1-los a partir da perspectiva da f\u00e9, o esfor\u00e7o pastoral deve tamb\u00e9m identificar os fermentos da a\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica de quem se disp\u00f5e a acompanhar pessoas que atravessam este tipo de situa\u00e7\u00e3o-limite. Se a enfermidade \u00e9, de acordo com a Igreja, oportunidade para o fiel conformar sua cruz \u00e0 cruz de Cristo, a presen\u00e7a dos \u201ccireneus\u201d que acompanham estes dramas \u00e9 tamb\u00e9m fermento fecundo de amor-doa\u00e7\u00e3o. \u00c9 um grito silencioso e eloquente de profecia diante da mentalidade vigente de exalta\u00e7\u00e3o do lucro, do sucesso e do prazer a qualquer custo. Eis a\u00ed uma grande chance para exemplificar na pr\u00e1tica a riqueza e a beleza da proposta crist\u00e3. N\u00e3o se trata de exalta\u00e7\u00e3o pessoal de quem se disp\u00f4s a doar a pr\u00f3pria vida ao cuidado de algu\u00e9m, mas de iluminar a grandeza deste gesto generoso que tende fortemente ao Evangelho.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o momento da partida se aproxima, no interior de quem sofre ocorre uma verdadeira batalha de sentimentos, conforme escreve J.B Libanio: \u201cNo momento em que o enfermo se depara com a proximidade certa da morte, corta-lhe o cora\u00e7\u00e3o terr\u00edvel dor. Sou eu mesmo e por qu\u00ea? N\u00e3o, n\u00e3o pode ser verdade. Tempo da nega\u00e7\u00e3o, do isolamento. Momento dif\u00edcil para acompanhar o enfermo. R\u00f3i-lhe o interior o sentimento de injusti\u00e7a. Por que ele est\u00e1 nesse estado terminal? Tal percep\u00e7\u00e3o vem-lhe de uma intui\u00e7\u00e3o que nasce do pr\u00f3prio corpo e das circunst\u00e2ncias. Embora n\u00e3o se fale da gravidade da doen\u00e7a e ele mesmo conscientemente a silencie, no fundo tudo em volta respira tal situa\u00e7\u00e3o de fatalidade. Trava-se-lhe dentro a batalha da verdade e da aceita\u00e7\u00e3o da verdade a respeito da pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o. Ele corre atr\u00e1s de algum m\u00e9dico que lhe diga palavra, ainda que n\u00e3o verdadeira, do consolo da cura. Visita os lugares de milagres. Pessoas que estavam longe da religi\u00e3o, entregam-se a devo\u00e7\u00f5es na esperan\u00e7a de vencer a doen\u00e7a. E com a atual abund\u00e2ncia de pastores e de grupos carism\u00e1ticos pregando e semeando curas, o paciente corre atr\u00e1s deles. Mas o verdadeiro cuidado n\u00e3o nasce de promessas que nos escapam. Porque da desilus\u00e3o de n\u00e3o se curar brota a revolta. Em vez de bem espiritual, ao acenar aos doentes imposs\u00edveis curas, quando o caso j\u00e1 chega ao fim, geramos, n\u00e3o raro, ressentimento. Toca-nos ajudar a pessoa a aceitar a morte na esperan\u00e7a da vida eterna. A\u00ed est\u00e1 a grande mensagem do cristianismo!\u201d [<i>Cuidadores de doentes terminais <\/i>\u2013 Dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jblibanio.com.br\/modules\/wfsection\/article.php?articleid=40\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.jblibanio.com.br\/modules\/wfsection\/article.php?articleid=40<\/a>].<\/p>\n<h4><b>2.3\u00a0 A partida repentina<\/b><\/h4>\n<p>Nos dois casos descritos at\u00e9 agora, o momento da partida \u00e9 precedido por um processo mais ou menos longo. No entanto, h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es em que, tragicamente, vidas s\u00e3o ceifadas de repente. S\u00e3o acidentes, assassinatos, suic\u00eddios, males s\u00fabitos que trazem espanto, desconsolo e at\u00e9 mesmo desespero. S\u00e3o pais que perdem filhos repentinamente, c\u00f4njuges que, de uma hora para outra, se veem desamparados e muitos outros dramas humanos.<\/p>\n<p>O cantor e compositor brit\u00e2nico Eric Clapton passou por um terr\u00edvel momento quando um grave acidente ceifou a vida de seu filho, Conor Clapton, ent\u00e3o com quatro anos, em 1991. O menino caiu da janela de um andar alt\u00edssimo de um pr\u00e9dio em Nova York.<\/p>\n<p>A partida precoce do menino inspirou Clapton a compor <i>Tears in heaven<\/i>, o que ajudou o compositor a lidar com a dor da perda. A publica\u00e7\u00e3o da m\u00fasica n\u00e3o foi planejada, mas ocorreu mesmo assim, e ela se transformou em um sucesso conhecido em diferentes partes do mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 uma esp\u00e9cie de di\u00e1logo de Clapton com o filho e tamb\u00e9m uma s\u00e9rie de perguntas que o autor lan\u00e7a na esperan\u00e7a de um dia contemplar o c\u00e9u. Certamente a arte \u00e9 importante aliada nestes momentos de separa\u00e7\u00e3o. Ela ajuda a pessoa a dar um passo al\u00e9m, a descobrir-se ligada a algo maior do que ela, a Deus. E a dimens\u00e3o deste Deus infinito, que abra\u00e7a a toda a cria\u00e7\u00e3o, faz a pessoa perceber-se parte de uma obra maravilhosa, integrada com todos os seres humanos, inclusive aqueles que j\u00e1 partiram, e com toda a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso de Clapton, cantar a partida do filho (uma das dores que mais castiga qualquer ser humano) foi a forma que ele encontrou de se perceber ligado ao menino mesmo depois do ocorrido. A vers\u00e3o em portugu\u00eas que segue \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o livre: \u201cVoc\u00ea saberia meu nome \/ se eu o visse no c\u00e9u? \/ Voc\u00ea seria o mesmo, \/ se eu o visse no c\u00e9u? \/ Eu tenho que ser forte, \/ e seguir em frente. \/ Porque eu sei que n\u00e3o perten\u00e7o ao c\u00e9u. \/\/ Voc\u00ea apertaria minha m\u00e3o \/ se eu o visse no c\u00e9u? \/ Voc\u00ea me ajudaria a me levantar \/ se eu o visse no c\u00e9u? \/ Encontrarei o meu caminho \/ atravessando noite e dia. \/ Porque eu sei que n\u00e3o posso ficar no c\u00e9u. \/\/ O tempo pode trazer voc\u00ea para baixo. \/ O tempo pode fazer voc\u00ea dobrar os joelhos.\/ O tempo pode partir seu cora\u00e7\u00e3o, \/ fazer voc\u00ea implorar por favor \/ Implorar por favor. \/\/ Atr\u00e1s da porta \/ h\u00e1 paz. \/ Eu tenho certeza \/ e sei que n\u00e3o haver\u00e1 mais \/ l\u00e1grimas no c\u00e9u.<\/p>\n<p>Diante deste tipo de acontecimento, na grande maioria das vezes, a celebra\u00e7\u00e3o dos vel\u00f3rios conta com participa\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de elevado n\u00famero de pessoas e o clima que se espalha no ambiente \u00e9 de profunda como\u00e7\u00e3o, de nervos \u00e0 flor da pele. Eis um cen\u00e1rio desafiador para o ministro que, em nome da Igreja, ir\u00e1 rezar junto a uma assembleia at\u00f4nita e desestruturada humanamente. O que dizer para este povo? Que palavras de conforto podem ser proferidas diante de tal trag\u00e9dia? Seguem algumas preocupa\u00e7\u00f5es especiais do ministro nestas ocasi\u00f5es:<\/p>\n<p>\u25cf\u00a0<b>Fazer-se ouvir<\/b>. Parentes, amigos e conhecidos se encontram transtornados.<\/p>\n<p>Qualquer mensagem ou palavra proferida parece n\u00e3o penetrar seus cora\u00e7\u00f5es sobressaltados. Com calma, prud\u00eancia e confian\u00e7a na for\u00e7a que vem de Deus, \u00e9 conveniente que o ministro, aos poucos, tente criar na assembleia um ambiente de escuta, de concentra\u00e7\u00e3o, de ora\u00e7\u00e3o. Colocar-se na humildade, como companheiro(a) nesta hora dif\u00edcil \u00e9 uma postura que pode ajudar. Ao perceberem este calor humano e esta solidariedade imediata de quem est\u00e1 pr\u00f3ximo, certamente os atingidos mais diretamente pela perda ter\u00e3o maior possibilidade de contemplar em Cristo o companheiro por excel\u00eancia neste momento de profunda dor.<\/p>\n<p>\u25cf\u00a0<b>Manter-se calmo<\/b>. Jesus Cristo se compadeceu em diversas situa\u00e7\u00f5es de dor e perda com a qual se deparou. Exemplo mais conhecido foi no epis\u00f3dio da morte de L\u00e1zaro, quando, segundo o relato do Evangelho de Jo\u00e3o (Jo 11,35), veio \u00e0s l\u00e1grimas diante da partida de seu amigo querido. Comover-se significa \u201cmover-se junto\u201d, sentir-se movido pelo que move o outro. \u00c9 natural que, neste contexto, o ministro tamb\u00e9m se sinta comovido, que se emocione, que tenha certa dificuldade em conduzir a assembleia em ora\u00e7\u00e3o. Manter-se calmo, com os \u201cp\u00e9s no ch\u00e3o\u201d, no entanto, \u00e9 uma necessidade nesta hora. Ele ser\u00e1 um ponto de refer\u00eancia, de apoio \u00e0quelas pessoas que \u201cperderam seu ch\u00e3o\u201d. Elas precisam se firmar e a f\u00e9 na Ressurrei\u00e7\u00e3o, por causa de Cristo, \u00e9 o suporte principal de todo o crist\u00e3o. Cabe ao ministro, portanto, oferecer elementos que levem as pessoas a se confiarem a esta for\u00e7a divina.<\/p>\n<p>\u25cf\u00a0<b>Encontrar as palavras certas<\/b>. O ponto de partida \u00e9 sempre a Sagrada Escritura. O ministro deseja, como a inspira\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, fazer brotar no cora\u00e7\u00e3o dos presentes uma esperan\u00e7a fundada na f\u00e9. N\u00e3o pretende apontar poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es para o fato e, muito menos, associar o acontecido \u00e0 \u201cvontade de Deus\u201d. Busca, com todas as for\u00e7as, lan\u00e7ar luzes sobre o drama, sempre evocando o amor<\/p>\n<p>e a miseric\u00f3rdia que prov\u00eam do Senhor. Informa\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias sobre as circunst\u00e2ncias do acontecido, sobre a hist\u00f3ria de vida de quem partiu, costumam ser importante aux\u00edlio, embora a t\u00f4nica da mensagem deva ser a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u25cf\u00a0<b>Falar para todos<\/b>. Este \u00e9 um item que demanda muita sensibilidade e perspic\u00e1cia por parte do ministro. Diferente da missa, ou da celebra\u00e7\u00e3o da Palavra, onde se presume que todos, ou a imensa maioria, sejam crist\u00e3os cat\u00f3licos, estes ambientes geralmente s\u00e3o marcados pele heterogeneidade de pessoas. H\u00e1 cat\u00f3licos praticantes, outros batizados que nunca mais estiveram ligados \u00e0 Igreja, crist\u00e3os de diferentes denomina\u00e7\u00f5es, membros de outras religi\u00f5es, agn\u00f3sticos, ateus. Da\u00ed a preocupa\u00e7\u00e3o em oferecer uma mensagem fiel ao Evangelho e tamb\u00e9m capaz de vir carregada de sentido para diferentes p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da celebra\u00e7\u00e3o no vel\u00f3rio, o quanto poss\u00edvel, as pessoas que sofreram este tipo de perda necessitam de um acompanhamento pr\u00f3ximo. A missa de s\u00e9timo dia tamb\u00e9m \u00e9 momento de extrema como\u00e7\u00e3o. Geralmente s\u00e3o celebra\u00e7\u00f5es lotadas. H\u00e1 fam\u00edlias que confeccionam camisetas com a foto da pessoa falecida, preparam homenagens, in\u00fameros parentes, amigos, colegas e conhecidos marcam presen\u00e7a. Um grande desafio para quem preside a missa de s\u00e9timo dia nestes casos \u00e9 introduzir toda a comunidade, inclusive aqueles fi\u00e9is que n\u00e3o t\u00eam liga\u00e7\u00e3o direta com o fato, em uma ora\u00e7\u00e3o comum em torno do mist\u00e9rio celebrado: a conforma\u00e7\u00e3o da ressurrei\u00e7\u00e3o daquele que partiu \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor.<\/p>\n<p>Em artigo recente, o te\u00f3logo J. B. Lib\u00e2nio, j\u00e1 citado anteriormente, descreve a forma pela qual a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo confere luz e sentido \u00e0 dor, ao sofrimento, ao fracasso: \u201cOs crist\u00e3os ressignificam a P\u00e1scoa para a ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Misturam-se tamb\u00e9m a desola\u00e7\u00e3o e a festa, a alegria e a terr\u00edvel tristeza. O destino final de Jesus abateu-se sobre os seus seguidores. Morte pior n\u00e3o poderia ter acontecido. Rejeitado pelo povo, excomungado pela religi\u00e3o judaica, abandonado por Jav\u00e9, tra\u00eddo por um ap\u00f3stolo, cercado por dois condenados criminosos, nu, morre pregado numa cruz. Nada a celebrar. Tudo a esquecer. Mas ele ressuscita. Pura vida. No entanto, carrega consigo essa morte para dentro da eternidade. N\u00e3o a rejeita. A\u00ed est\u00e3o as chagas para simbolizar a continuidade da cruz no corpo glorioso. Lentamente a comunidade primitiva assimila o trauma da morte de Jesus \u00e0 medida que o experimenta vivo e senhor de todas as coisas. Milh\u00f5es e milh\u00f5es depois dele se entregar\u00e3o \u00e0 morte para testemunhar a verdade de sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o. E bilh\u00f5es e bilh\u00f5es o fizeram centro de sua vida at\u00e9 o dia de hoje\u201d [<i>A ressurrei\u00e7\u00e3o mais al\u00e9m da f\u00e9 \u2013 <\/i>Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.jblibanio.com.br\/modules\/wfsection\/article.php?articleid=561\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.jblibanio.com.br\/modules\/wfsection\/article.php?articleid=561<\/a>].<\/p>\n<h4><b>APONTAMENTOS CONCLUSIVOS<\/b><\/h4>\n<p>O tema da partida \u00e9, por sua natureza, desafiante, amplo e complexo. As breves contribui\u00e7\u00f5es aqui apresentadas tomam forma de algumas poucas agulhas encontradas em um imenso palheiro. De qualquer forma, fica a provoca\u00e7\u00e3o dirigida a quem busca se aprofundar no tema, seja por necessidade pastoral, curiosidade existencial ou pela proximidade, no espa\u00e7o ou no tempo, com a referida tem\u00e1tica. Para concluir, seguem alguns pontos j\u00e1 tratados na reflex\u00e3o, apenas como meio de refor\u00e7o:<\/p>\n<p>\u25cf\u00a0Elemento constituinte da exist\u00eancia humana, a morte com freq\u00fc\u00eancia se apresenta como desafio principalmente quando diz respeito a algu\u00e9m de conv\u00edvio pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>\u25cf\u00a0Na perspectiva crist\u00e3, n\u00e3o obstante o sofrimento, os questionamentos e a saudade, a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo \u00e9 o grande alento de for\u00e7a e esperan\u00e7a que enche de luz e d\u00e1 sentido \u00e0 partida deste mundo.<\/p>\n<p>\u25cf\u00a0Como momento crucial da hist\u00f3ria individual da pessoa e do grupo humano \u00e0 qual ela pertence, a morte demanda, por parte da Igreja, um olhar pastoral repleto de carinho e aten\u00e7\u00e3o, que leve em conta as diferentes circunst\u00e2ncias e situa\u00e7\u00f5es em que tal fen\u00f4meno ocorre.<\/p>\n<p>\u25cf\u00a0\u00a0A atua\u00e7\u00e3o pastoral nestes casos requer sensibilidade, disposi\u00e7\u00e3o e testemunho. Mais do que a presen\u00e7a institucional, na condu\u00e7\u00e3o de cerim\u00f4nias, faz-se mister uma presen\u00e7a pr\u00f3xima, amiga, companheira e solid\u00e1ria, um verdadeiro minist\u00e9rio de vida e esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u25cf\u00a0\u00a0A presen\u00e7a ministerial nestas ocasi\u00f5es n\u00e3o se refere somente \u00e0 figura do ministro ordenado \u2013 embora este deva ser o primeiro a nutrir em si e na comunidade esta postura de companheirismo \u2013, mas de toda a comunidade, que, sob ilumina\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, se organiza inteligentemente para dar uma resposta viva, ativa e eficaz a todos que atravessam estes dif\u00edceis momentos.<\/p>\n<p>\u25cf\u00a0\u00a0Jesus Cristo conferiu sentido \u00e0 morte por sua ressurrei\u00e7\u00e3o. Seguindo seus passos, a comunidade crist\u00e3 busca e sonha contemplar a partida deste mundo como um novo nascimento para a exist\u00eancia plena e definitiva junto ao Senhor.<\/p>\n<hr \/>\n<p><b>(*) Frei Gustavo Wayand Medella<\/b>, <strong>OFM<\/strong>, <em>\u00e9 coordenador da Frente de Comunica\u00e7\u00e3o da\u00a0Prov\u00edncia da Imaculada e autor do livro \u201cH\u00e1 vida ap\u00f3s o luto\u201d.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frei Gustavo Wayand Medella<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[296],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Quando algum dos nossos termina a caminhada... - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/quando-algum-dos-nossos-termina-a-caminhada\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Quando algum dos nossos termina a caminhada... - 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