{"id":185962,"date":"2014-07-10T00:17:43","date_gmt":"2014-07-10T03:17:43","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=185962"},"modified":"2020-07-09T10:08:22","modified_gmt":"2020-07-09T13:08:22","slug":"visitando-a-casa-do-coracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/visitando-a-casa-do-coracao\/","title":{"rendered":"Visitando a casa do cora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-185963 \" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/retiro_julho_100714.jpg\" alt=\"\" width=\"871\" height=\"406\" \/><\/p>\n<h4><strong>Cultivar a interioridade<\/strong><\/h4>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>A C\u00faria Geral da Ordem dos Frades Menores\u00a0 publicou em 2003 um pequen\u00edssimo fasc\u00edculo que levava o seguinte t\u00edtulo de<\/em>\u00a0 \u201cO caminho que\u00a0 leva ao lugar do cora\u00e7\u00e3o\u201d.<em>\u00a0 O subt\u00edtulo indicava mais claramente sua finalidade: \u00a0Achegas para descobrir interioridade e sil\u00eancio na vida franciscana. Haveremos de ter suas linhas diante de nossos olhos neste <\/em>\u00a0Retiro Mensal. <em>Dois acentos nestas p\u00e1ginas:\u00a0 interioridade e sil\u00eancio.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><em>\u00a0<em>Fr. Almir Ribeiro Guimar\u00e3es, OFM<\/em><br \/>\n<em><a href=\"freialmir@gmail.com\">freialmir@gmail.com<\/a><\/em><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Senhor, n\u00e3o sei para onde vou. N\u00e3o vejo o caminho diante de mim.<br \/>\nN\u00e3o posso saber com certeza onde terminar\u00e1.<br \/>\nNem sequer em realidade me conhe\u00e7o e o fato de pensar que estou seguindo a tua vontade n\u00e3o significa que em verdade o esteja fazendo.<br \/>\nMas creio que o desejo de te agradar te agrada realmente.<br \/>\nE espero ter esse desejo em tudo o que fa\u00e7o.<br \/>\nEspero que jamais venha a fazer algo de contr\u00e1rio a esse desejo.<br \/>\nE sei que se assim fizer me h\u00e1s de conduzir pelo caminho certo, embora eu nada saiba a esse respeito.<br \/>\nPortanto, sempre hei de confiar em ti ainda que me pare\u00e7a estar perdido e nas sombras da morte.<br \/>\nN\u00e3o hei de temer, pois est\u00e1s sempre comigo e nunca me abandonar\u00e1s. N\u00e3o\u00a0 enfrentarei sozinho os perigos que me cercam<em>.<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Thomas Merton<br \/>\n<\/strong><strong>Na liberdade da solid\u00e3o,\u00a0 Vozes, p. 66<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<h4><strong>a) <\/strong><strong>O cora\u00e7\u00e3o como morada do Alt\u00edssimo<\/strong><\/h4>\n<p>Disse Jesus: \u201cSe algu\u00e9m me ama, guarda minha palavra e meu Pai o amar\u00e1, viremos a ele e faremos nele a nossa morada. Aquele\u00a0 que n\u00e3o me ama n\u00e3o guarda as minhas palavras. A palavra que estais ouvindo\u00a0 n\u00e3o \u00e9 minha, mas do Pai que\u00a0 me enviou. Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco.\u00a0 Mas o Par\u00e1clito, o Esp\u00edrito Santo que o Pai enviar\u00e1 em meu nome, ele vos ensinar\u00e1 tudo\u00a0 e vos trar\u00e1 \u00e0 mem\u00f3ria\u00a0 tudo quanto eu vos disse\u201d\u00a0 ( <em>Jo\u00a0 14,\u00a0 23-25<\/em>).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><strong>Francisco diante deste texto<\/strong>: \u201cIrm\u00e3os\u00a0 todos,\u00a0 vigiemo-nos muito a n\u00f3s mesmos, a fim de n\u00e3o perdermos ou desviarmos do Senhor nossa mente e nosso cora\u00e7\u00e3o\u00a0 sob a apar\u00eancia de uma recompensa ou obra ou ajuda.\u00a0 Mas na santa caridade que \u00e9 Deus, rogo a todos os irm\u00e3os, tanto os ministros como os outros, removam todos os obst\u00e1culos e rejeitem todos os cuidados e solicitudes para com o melhor de suas for\u00e7as, servir, amar, adorar e honrar, de cora\u00e7\u00e3o reto e mente pura, o Senhor nosso Deus, pois \u00e9 isso que ele deseja sem medida. E preparemos-lhe sempre dentro de\u00a0 n\u00f3s\u00a0 uma morada permanente, a Ele que \u00e9 o Senhor e Deus todo poderoso, Pai,\u00a0 Filho e Esp\u00edrito\u00a0 Santo\u201d (<em>Regra n\u00e3o bulada\u00a0 22, 27<\/em>).<\/p>\n<h4><strong>b)\u00a0\u00a0 <\/strong><strong>Os que ouvem a Palavra s\u00e3o <em>parentes<\/em> de Jesus<\/strong><\/h4>\n<p>Enquanto Jesus ainda falava ao povo, sua m\u00e3e e seus irm\u00e3os, do lado de fora, tentavam falar com ele. Ent\u00e3o algu\u00e9m lhe disse: \u201cTua m\u00e3e e teus irm\u00e3os est\u00e3o l\u00e1 fora, querendo falar contigo\u201d. Jesus, \u00a0por\u00e9m perguntou a quem lhe deu o recado:\u00a0 \u201cQuem \u00e9 minha m\u00e3e e quem s\u00e3o meus irm\u00e3os?\u201d E estendendo a m\u00e3o sobre os disc\u00edpulos, disse: \u201cEis aqui minha m\u00e3e e meus irm\u00e3os. Pois quem fizer a vontade de meu Pai\u00a0 que est\u00e1 nos c\u00e9us, este \u00e9 meu irm\u00e3o, minha irm\u00e3 e\u00a0 minha m\u00e3e\u201d\u00a0 (<em>Mt 12,46-50<\/em>).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><strong>Francisco diante deste texto: <\/strong>\u201cSomos esposos, quando por virtude do Esp\u00edrito Santo, a alma fiel se une a Nosso Senhor Jesus Cristo.\u00a0 Somos irm\u00e3os de Cristo quando fazemos a vontade do Pai\u00a0 que est\u00e1 nos c\u00e9us e somos m\u00e3es quando o levamos em nosso cora\u00e7\u00e3o e em nosso corpo\u00a0 por\u00a0 virtude do amor divino e de uma pura e sincera consci\u00eancia;\u00a0 n\u00f3s o geramos por uma vida santa\u00a0 que deve brilhar como exemplo para os outros\u201d (<em>Carta aos Fi\u00e9is, primeira recens\u00e3o<\/em>).<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<hr \/>\n<p>\u25cf Quando dispomo-nos a fazer um retiro temos o prop\u00f3sito e o desejo de que o Senhor possa agir e falar em n\u00f3s. N\u00e3o queremos resolver problemas<strong>, <\/strong>mas deixar que o Senhor nos ilumine e possa tomar posse de n\u00f3s. H\u00e1 algumas condi\u00e7\u00f5es: sil\u00eancio de n\u00f3s mesmos; desejo que o Senhor nos visite com seu perd\u00e3o porque sem isso n\u00e3o conseguimos olhar nos olhos do Amado; que luzes se acendam no horizonte de nossa vida. Tudo isso ser\u00e1 feito com grande humildade interior.\u00a0 No come\u00e7o do retiro irrompe sempre a quest\u00e3o que nunca terminamos de responder:\u00a0 \u201cO que queres de mim?\u201d Somos convidados a passar alguns instantes em absoluto sil\u00eancio, nus diante da claridade do Senhor.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u25cf Francisco come\u00e7a a descentrar-se de si mesmo, abandona a l\u00f3gica da carne e se abre \u00e0s visitas do Esp\u00edrito. \u201cA partir desse momento\u00a0 come\u00e7ou a considerar de pouco valor e a desprezar as coisas\u00a0 que havia amado, mas ainda n\u00e3o estava plena e intimamente desligado das vaidades do mundo. Aos poucos, por\u00e9m, subtraindo-se ao tumulto do mundo, procurava guardar no seu interior a Jesus Cristo e quase todos os dias ia frequente e secretamente fazer ora\u00e7\u00f5es, ocultando aos olhos dos iludidos a pedra preciosa\u00a0 que desejava comprar mesmo tendo que vender tudo\u201d ( <em>Tr\u00eas Companheiros 8<\/em>).<\/p>\n<p>\u25cf Pode ser que, devido a tantas transforma\u00e7\u00f5es interiores e exteriores,\u00a0 tenhamos perdido a sede de Deus. N\u00e3o \u00e9 de estranhar que, com tantos ru\u00eddos, imagens e sensa\u00e7\u00f5es, sem nos termos dado conta, perdemos uma certa orienta\u00e7\u00e3o que nos guiava, o sentido de nosso projeto de vida e se se tenha instaurado em n\u00f3s esse bul\u00edcio que nos envolve. Sentimo-nos desmotivados e desorientados e mesmo sem sede alguma de plenitude. Jogamos a culpa no trabalho, nas circunst\u00e2ncias. Talvez fosse importante perguntar: Por que perdemos a sede? Que fontes de \u00e1gua andamos buscando? Entregues a nossas rotinas fomos nos tornando seres secos.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u25cf \u201cO caminho para a interioridade hoje d\u00e1-se num tempo de mudan\u00e7as, tempo rico de muitos sinais e de redescoberta da interioridade e do sil\u00eancio. A sociedade secularizada vem focada sobre o indiv\u00edduo, fragmentado, com uma identidade flu\u00edda.Temos diante de\u00a0 n\u00f3s uma mudan\u00e7a radical da vis\u00e3o do homem, determinada sobretudo pela tecnologia (&#8230;). Importante que o homem permane\u00e7a o sujeito desse desenvolvimento, sobretudo a partir da verdade profunda de si mesmo. Confrontamo-nos tamb\u00e9m com o medo de entrar em n\u00f3s mesmos, com a pobreza de nossos sentimentos, de afetos, de capacidade de amar e deixar-se amar.\u00a0 No espa\u00e7o da interioridade, o sil\u00eancio pede a escuta\u00a0 de n\u00f3s mesmos, dos outros e da realidade. Os meios de informa\u00e7\u00e3o\u00a0 podem enganar-nos, ao dar-nos a sensa\u00e7\u00e3o que eles fazem este trabalho em nosso lugar. Na verdade tornamo-nos estranhos a n\u00f3s mesmos.\u00a0 O percurso para dentro de\u00a0 nossa interioridade n\u00e3o \u00e9 somente terap\u00eautico para nossa\u00a0 cultura do barulho, mas tamb\u00e9m vem a ser um caminho voltado para o acolhimento e para uma nova\u00a0 civiliza\u00e7\u00e3o do amor\u201d (<em>O caminho que leva&#8230;,op.cit.,\u00a0 p.5<\/em>).<\/p>\n<p>\u25cf Analisando a vida de ora\u00e7\u00e3o na Ordem dos Frades Menores o ex-Ministro\u00a0 Jos\u00e9 R. Carballo, escrevia:\u00a0 \u201cNesses momentos em que muitos sofrem\u00a0 as consequ\u00eancias do estresse e o secularismo introduziu-se entre n\u00f3s, torna-se mais necess\u00e1ria uma intensa vida de ora\u00e7\u00e3o. Chegou o momento de reafirmar a import\u00e2ncia da ora\u00e7\u00e3o diante\u00a0 do ativismo e do opressor secularismo.\u00a0 Sempre que estiverem paralisados pela ang\u00fastia, desorientados e desmoralizados, os Frades e as Fraternidades precisam\u00a0 entrar na\u00a0 \u201csala superior\u201d, o\u00a0 Cen\u00e1culo,\u00a0 num lugar \u00edntimo,\u00a0 onde Deus seja reconhecido e adorado (&#8230;).\u00a0 Em tempos em que entre n\u00f3s se faz sentir fortemente a tenta\u00e7\u00e3o de cada um construir a pr\u00f3pria estrat\u00e9gia e acender o pr\u00f3prio foguinho, \u00e9\u00a0 necess\u00e1rio\u00a0 contemplar e rezar para recebermos juntos o \u00fanico fogo de Pentecostes, o Esp\u00edrito que vem de Deus. Quando a superficialidade e a dispers\u00e3o\u00a0 se tornam\u00a0 presentes em nossas vidas,\u00a0 \u00e9 necess\u00e1rio que toda a nossa exist\u00eancia mergulhe num clima de ora\u00e7\u00e3o, de contempla\u00e7\u00e3o, de adora\u00e7\u00e3o, de abandono e de a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as\u201d\u00a0 (<em>Com lucidez e aud\u00e1cia, n. 32<\/em>).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u25cf Anteriormente, o Ministro\u00a0 Giacomo Bini,\u00a0 recentemente falecido, falava da necessidade de reencontrar a unidade na diversidade. Ningu\u00e9m pode dizer que nosso projeto de vida n\u00e3o esteja claro. O que sucede \u00e9 que talvez n\u00e3o consiga tornar-se um projeto existencial nem levar a um novo estilo de vida. Essa \u00e9 a quest\u00e3o. O problema dos documentos\u00a0 produzidos nos \u00faltimos tempos \u00e9 que foram aceitos (quando foram aceitos) como \u201cdocumentos\u201d e n\u00e3o como instrumentos importantes\u00a0 para a reestrutura\u00e7\u00e3o e reanima\u00e7\u00e3o de nossa vida di\u00e1ria.\u00a0 \u201cDesta forma nossa vida quotidiana\u00a0 est\u00e1 se desintegrando\u00a0 e fragmentando\u00a0 a partir dos in\u00fameros compromissos e desejos despertados em n\u00f3s\u00a0 por um mundo demasiadamente consumista. Devemos substituir a cultura da apar\u00eancia, do imediato, da exterioridade, da efici\u00eancia\u00a0 pr\u00f3pria do nosso mundo globalizado, por uma cultura da interioridade, do sil\u00eancio, da escuta obediente, da fecundidade\u00a0 divina\u201d (<em>A Ordem hoje,\u00a0 Roma,\u00a0 2000<\/em>).<\/p>\n<p>\u25cf &#8220;O sil\u00eancio \u00e9 a linguagem de quem ama. \u00c9 o ambiente vital em que podemos\u00a0 reconhecer que o Pai do c\u00e9u est\u00e1 presente e d\u00e1 sentido\u00a0 \u00e0 vida humana de cada um (&#8230;)\u00a0 A viagem\u00a0 para nossa\u00a0 interioridade n\u00e3o significa uma evas\u00e3o da vida e de seus desafios. Ao contr\u00e1rio, pode tornar-se um lugar de escuta da realidade e dos sinais dos tempos.\u00a0 Al\u00e9m disso, pode conduzir-nos \u00e0 unidade entre f\u00e9 e vida;\u00a0 pode conduzir-nos a uma comunh\u00e3o profunda, capaz de acolher o outro\u00a0 com respeito e gratuidade.\u00a0 A interioridade e o sil\u00eancio levam-nos ao reconhecimento de que somos criaturas limitadas\u00a0 e radicalmente pobres . E assim\u00a0 podemos abrir-nos \u00e0 gratid\u00e3o e \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o de tudo o que somos \u00c0quele que \u00e9 o Bem, o Sumo Bem\u201d\u00a0 (\u00a0 <em>O caminho que leva&#8230;,op. cit,. p.6<\/em>).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\u25cf &#8220;O sil\u00eancio\u00a0 \u00e9 a \u00faltima palavra do discurso. \u00c9 plenitude da palavra. \u00c9 di\u00e1logo sem palavras. \u00c9 a medida do tempo necess\u00e1rio para amadurecer uma mensagem\u00a0 no cora\u00e7\u00e3o. Consequentemente, \u00e9 muito pouco defini-lo apenas como aus\u00eancia de qualquer som ou rumor;\u00a0 \u00e9, ao contr\u00e1rio, um realidade plenamente positiva: \u00e9 escuta intensa da Palavra de Deus.\u00a0 Da\u00ed se compreende que n\u00e3o se escolhe o sil\u00eancio pelo sil\u00eancio, mas o sil\u00eancio para a escuta, para o di\u00e1logo interior e prolongado, para a\u00a0 comunh\u00e3o profunda\u201d\u00a0 (<em> Ubaldo Terrinoni,\u00a0 Projeto de pedagogia evang\u00e9lica,\u00a0 Paulinas, p. 182<\/em>).<\/p>\n<p>\u25cf Afinal de contas, o que pode bem significar trilhar o caminho do cora\u00e7\u00e3o,\u00a0 voltar ao interior?<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">o\u00a0\u00a0 Conservar sempre um esp\u00edrito de simplicidade e de humildade.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">o\u00a0\u00a0 Conservar um cora\u00e7\u00e3o puro que saiba escutar os sil\u00eancios de Deus.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">o\u00a0\u00a0 Reservar suficientes momentos de ora\u00e7\u00e3o silenciosa.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">o\u00a0\u00a0 Fazer regulares revis\u00f5es de vida procurando saber por onde anda seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">o\u00a0\u00a0 Ter o h\u00e1bito da ora\u00e7\u00e3o de louvor.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">o\u00a0\u00a0 Viver da melhor maneira poss\u00edvel o esp\u00edrito de desapropria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">o\u00a0\u00a0 O caminho para a interioridade \u00e9 um itiner\u00e1rio de tratamento das feridas mais profundas, \u00e9 a convers\u00e3o evang\u00e9lica. Permitir que o Senhor nos cure em profundidade.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">o\u00a0\u00a0 \u201cPreparar uma morada para ele exige uma revis\u00e3o do uso do tempo, procurando espa\u00e7os de gratuidade e de liberdade para si e para a Fraternidade;\u00a0 exige o cultivo de leituras adequadas; \u00a0exige o tempo para a ora\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0 (<em>O caminho que leva&#8230;, p. 11<\/em>)<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">\n<hr \/>\n<h4><strong>O gosto de Deus<\/strong><\/h4>\n<p>Sem gosto nada se faz.<\/p>\n<p>Para poder se achegar a Deus ser\u00e1 preciso um certo gosto de Deus.<\/p>\n<p>H\u00e1 pessoas que n\u00e3o t\u00eam ou d\u00e3o a impress\u00e3o de n\u00e3o ter gosto de Deus. Deus n\u00e3o lhes diz nada. Para elas n\u00e3o corresponde a nada.\u00a0 Imposs\u00edvel falar-lhes\u00a0 de Deus.<br \/>\nH\u00e1, de outro lado, aqueles que experimentam alegria pelo simples fato de pensar em Deus. S\u00e3o esses que experimentam necessidade de amar e de amar n\u00e3o a qualquer um, a algu\u00e9m passageiro e imperfeito, mas o Bem perfeito. Desejam, efetivamente, poder se entregar totalmente a ele \u00a0e de entrar em sua alegria.\u00a0 Entram em sua alegria. O Bem as a trai. T\u00eam o gosto de Deus.<\/p>\n<p>A atra\u00e7\u00e3o por\u00a0 Deus \u00a0\u00e9 experimentada de v\u00e1rias maneiras.<\/p>\n<p>Pode ser uma claridade, um calor, uma atra\u00e7\u00e3o experimentada\u00a0 que nos chama a buscar sua presen\u00e7a, a entrar ou permanecer em contato com ele.<\/p>\n<p>Como isto pode se dar? Pode ser o sofrimento do vazio,\u00a0 a ang\u00fastia que busca um cora\u00e7\u00e3o a amar,\u00a0 o quase desespero em buscar a\u00a0 verdade. H\u00e1 esse gosto pelo fervor que vem de Deus.<\/p>\n<p>O gosto de Deus \u00e9 tamb\u00e9m necessidade de viver com ele:\u00a0 que ele esteja comigo ou em mim, que eu esteja com ele e nele.<\/p>\n<p>\u00c9 a atra\u00e7\u00e3o da amizade divina da vida verdadeiras.<\/p>\n<p>Vaidade das vaidades, tudo \u00e9 vaidade&#8230; menos Deus, o ser que \u00a0\u00a0 n\u00e3o se divide e n\u00e3o pode ser limitado,\u00a0 luzente em sua plenitude sem sombra.<\/p>\n<p>H\u00e1 pessoas que parecem apreciar a vida em sua espuma. O homem que procura sua vida em alimentos\u00a0 mais ricos:\u00a0 em afetos profundos,\u00a0 na verdade e na probidade, na sabedoria, na justi\u00e7a, nos atos retos e mais corretos poss\u00edveis:\u00a0 este homem v\u00ea sua vida se aprofundar e ao mesmo tempo se simplificar.<\/p>\n<p>Em lugar de se derramar na atra\u00e7\u00e3o pelas coisas passageiras, haver\u00e1 de recolher-se em si mesmo e se alegrar\u00e1 menos em ter e mais em ser.<\/p>\n<p><strong>Dom Germain\u00a0 Barbier, OSB<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h4>\u00a0<strong>Como\u00a0 uma fonte<\/strong><\/h4>\n<p>Senhor, eu n\u00e3o sei rezar.<br \/>\nIncessantemente meu corpo se agita,<br \/>\nmeus pensamentos se dispersam\u00a0 como ind\u00f3cil rebanho.<br \/>\nTodo meu ser foge de ti.<br \/>\nNada mais tenho a oferecer.<br \/>\nE, no entanto,\u00a0 como que manco, inseguro e pesado<br \/>\nestou aqui e te contemplo.<\/p>\n<p>Tu vens a mim, tu o Alt\u00edssimo,<br \/>\no tr\u00eas vezes Santo,\u00a0 o Onipotente.<br \/>\nDebru\u00e7as sobre mim.<br \/>\nTu me esperas e me acolhes.<br \/>\nTu est\u00e1s em mim\u00a0 como uma fonte<br \/>\nque desliza suavemente declive abaixo.<br \/>\nEsse ribeiro\u00a0 tranquilo e sereno,<br \/>\ntorna delicioso o ar com seu murm\u00fario,<br \/>\nexala frescor<br \/>\ne deposita um canto de\u00a0 alegria em meu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o me abandones, Senhor.<br \/>\nSem ti nada sou.<br \/>\nSem ti volto ao nada.<\/p>\n<p>Permanece em mim como uma fonte.<br \/>\nQue essa fonte ilumine minha opacidade<br \/>\ne vivifique o barro do qual me tiraste.<br \/>\nDe minha parte \u00a0ent\u00e3o talvez \u00a0possa tornar-me fonte para os outros.<\/p>\n<p><strong>Irm\u00e3o Henri-Ren\u00ea,\u00a0 Irm\u00e3o da Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sele\u00e7\u00e3o de Frei Almir Guimar\u00e3es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[30],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - 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