{"id":185500,"date":"2020-11-15T00:48:49","date_gmt":"2020-11-15T03:48:49","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=185500"},"modified":"2021-10-18T04:43:51","modified_gmt":"2021-10-18T07:43:51","slug":"mensagem-do-papa-para-o-iv-dia-mundial-dos-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/mensagem-do-papa-para-o-iv-dia-mundial-dos-pobres\/","title":{"rendered":"Mensagem do Papa para o IV Dia Mundial dos Pobres"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_188424\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-188424\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-188424 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pobre_01.png\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pobre_01.png 840w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pobre_01-450x241.png 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pobre_01-768x411.png 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/pobre_01-150x80.png 150w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><p id=\"caption-attachment-188424\" class=\"wp-caption-text\"><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0Imagem: Sefras &#8211; Acervo Prov\u00edncia <\/em><\/p><\/div>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #663300;\">XXXIII DOMINGO DO TEMPO COMUM<br \/>\n(15 DE NOVEMBRO DE 2020)<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #663300; font-size: large;\"><b><i>\u00abEstende a tua m\u00e3o ao pobre\u00bb\u00a0<\/i>(<i>Sir\u00a0<\/i>7, 32)<\/b><\/span><\/p>\n<p>\u00abEstende a tua m\u00e3o ao pobre\u00bb (<i>Sir<\/i>\u00a07, 32): a sabedoria antiga disp\u00f4s estas palavras como um c\u00f3digo sacro que se deve seguir na vida. Hoje ressoam com toda a densidade do seu significado para nos ajudar, tamb\u00e9m a n\u00f3s, a concentrar o olhar no essencial e superar as barreiras da indiferen\u00e7a. A pobreza assume sempre rostos diferentes, que exigem aten\u00e7\u00e3o a cada condi\u00e7\u00e3o particular: em cada uma destas, podemos encontrar o Senhor Jesus, que revelou estar presente nos seus irm\u00e3os mais fr\u00e1geis (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a025, 40).<\/p>\n<p>1. Tomemos nas m\u00e3os o\u00a0<i>Ben-Sir\u00e1<\/i>, um dos livros do Antigo Testamento. Nele encontramos as palavras dum mestre da sabedoria que viveu cerca de duzentos anos antes de Cristo. Andava \u00e0 procura da sabedoria que torna os homens melhores e capazes de perscrutar profundamente as vicissitudes da vida. E f\u00ea-lo num per\u00edodo de dura prova para o povo de Israel, um tempo de dor, luto e mis\u00e9ria por causa da domina\u00e7\u00e3o de pot\u00eancias estrangeiras. Sendo um homem de grande f\u00e9, enraizado nas tradi\u00e7\u00f5es dos pais, o seu primeiro pensamento foi dirigir-se a Deus para Lhe pedir o dom da sabedoria. E o Senhor n\u00e3o lhe deixou faltar a sua ajuda.<\/p>\n<p>Desde as primeiras p\u00e1ginas do livro, Ben-Sir\u00e1 prop\u00f5e os seus conselhos sobre muitas situa\u00e7\u00f5es concretas da vida, sendo a pobreza uma delas. Insiste que, na contrariedade, \u00e9 preciso ter confian\u00e7a em Deus: \u00abN\u00e3o te perturbes no tempo do infort\u00fanio. Conserva-te unido a Ele e n\u00e3o te separes, para teres bom \u00eaxito no teu momento derradeiro. Aceita tudo o que te acontecer e tem paci\u00eancia nas vicissitudes da tua humilha\u00e7\u00e3o, porque no fogo se prova o ouro, e os eleitos de Deus no cadinho da humilha\u00e7\u00e3o. Nas doen\u00e7as e na pobreza, confia n\u2019Ele. Confia em Deus e Ele te salvar\u00e1, endireita os teus caminhos e espera n\u2019Ele. V\u00f3s que temeis o Senhor, esperai na sua miseric\u00f3rdia, e n\u00e3o vos afasteis, para n\u00e3o cairdes\u00bb (2, 2-7).<\/p>\n<p>2.\u00a0P\u00e1gina a p\u00e1gina, descobrimos um precioso comp\u00eandio de sugest\u00f5es sobre o modo de agir \u00e0 luz duma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima com Deus, criador e amante da cria\u00e7\u00e3o, justo e providente para com todos os seus filhos. Mas, a constante refer\u00eancia a Deus n\u00e3o impede de olhar para o homem concreto; pelo contr\u00e1rio, as duas realidades est\u00e3o intimamente conexas.<\/p>\n<p>Demonstra-o claramente o texto donde se tirou o t\u00edtulo desta Mensagem (cf. 7, 29-36). S\u00e3o insepar\u00e1veis a ora\u00e7\u00e3o a Deus e a solidariedade com os pobres e os enfermos. Para celebrar um culto agrad\u00e1vel ao Senhor, \u00e9 preciso reconhecer que toda a pessoa, mesmo a mais indigente e desprezada, traz gravada em si mesma a imagem de Deus. De tal consci\u00eancia deriva o dom da b\u00ean\u00e7\u00e3o divina, atra\u00edda pela generosidade praticada para com os pobres. Por isso, o tempo que se deve dedicar \u00e0 ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode tornar-se jamais um \u00e1libi para descuidar o pr\u00f3ximo em dificuldade. \u00c9 verdade o contr\u00e1rio: a b\u00ean\u00e7\u00e3o do Senhor desce sobre n\u00f3s e a ora\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a o seu objetivo, quando s\u00e3o acompanhadas pelo servi\u00e7o dos pobres.<\/p>\n<p>3. Como permanece atual, tamb\u00e9m para n\u00f3s, este ensinamento! Na realidade, a Palavra de Deus ultrapassa o espa\u00e7o, o tempo, as religi\u00f5es e as culturas. A generosidade que apoia o vulner\u00e1vel, consola o aflito, mitiga os sofrimentos, devolve dignidade a quem dela est\u00e1 privado, \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para uma vida plenamente humana. A op\u00e7\u00e3o de prestar aten\u00e7\u00e3o aos pobres, \u00e0s suas muitas e variadas car\u00eancias, n\u00e3o pode ser condicionada pelo tempo dispon\u00edvel ou por interesses privados, nem por projetos pastorais ou sociais desencarnados. N\u00e3o se pode sufocar a for\u00e7a da gra\u00e7a de Deus pela tend\u00eancia narcisista de se colocar sempre a si mesmo no primeiro lugar.<\/p>\n<p>Manter o olhar voltado para o pobre \u00e9 dif\u00edcil, mas t\u00e3o necess\u00e1rio para imprimir a justa dire\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa vida pessoal e social. N\u00e3o se trata de gastar muitas palavras, mas antes de comprometer concretamente a vida, impelidos pela caridade divina. Todos os anos, com o Dia Mundial dos Pobres, volto a esta realidade fundamental para a vida da Igreja, porque os pobres est\u00e3o e sempre estar\u00e3o connosco (cf.\u00a0<i>Jo<\/i>\u00a012, 8) para nos ajudar a acolher a companhia de Cristo na exist\u00eancia do dia a dia.<\/p>\n<p>4. O encontro com uma pessoa em condi\u00e7\u00f5es de pobreza n\u00e3o cessa de nos provocar e questionar. Como podemos contribuir para eliminar ou pelo menos aliviar a sua marginaliza\u00e7\u00e3o e o seu sofrimento? Como podemos ajud\u00e1-la na sua pobreza espiritual? A comunidade crist\u00e3 \u00e9 chamada a coenvolver-se nesta experi\u00eancia de partilha, ciente de que n\u00e3o \u00e9 l\u00edcito deleg\u00e1-la a outros. E, para servir de apoio aos pobres, \u00e9 fundamental viver pessoalmente a pobreza evang\u00e9lica. N\u00e3o podemos sentir-nos tranquilos, quando um membro da fam\u00edlia humana \u00e9 relegado para a retaguarda, reduzindo-se a uma sombra. O clamor silencioso de tantos pobres deve encontrar o povo de Deus na vanguarda, sempre e em toda parte, para lhes dar voz, defend\u00ea-los e solidarizar-se com eles face a tanta hipocrisia e tantas promessas n\u00e3o cumpridas, e para os convidar a participar na vida da comunidade.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a Igreja n\u00e3o tem solu\u00e7\u00f5es globais a propor, mas oferece, com a gra\u00e7a de Cristo, o seu testemunho e gestos de partilha. Al\u00e9m disso, sente-se obrigada a apresentar os pedidos de quantos n\u00e3o t\u00eam o necess\u00e1rio para viver. Lembrar a todos o grande valor do bem comum \u00e9, para o povo crist\u00e3o, um compromisso vital, que se concretiza na tentativa de n\u00e3o esquecer nenhum daqueles cuja humanidade \u00e9 violada nas suas necessidades fundamentais.<\/p>\n<p>5. Estender a m\u00e3o leva a descobrir, antes de tudo a quem o faz, que dentro de n\u00f3s existe a capacidade de realizar gestos que d\u00e3o sentido \u00e0 vida. Quantas m\u00e3os estendidas se veem todos os dias! Infelizmente, sucede sempre com maior frequ\u00eancia que a pressa faz cair num turbilh\u00e3o de indiferen\u00e7a, a tal ponto que se deixa de reconhecer todo o bem que se realiza diariamente no sil\u00eancio e com grande generosidade. Assim, s\u00f3 quando acontecem factos que transtornam o curso da nossa vida \u00e9 que os olhos se tornam capazes de vislumbrar a bondade dos santos \u00abao p\u00e9 da porta\u00bb, \u00abdaqueles que vivem perto de n\u00f3s e s\u00e3o um reflexo da presen\u00e7a de Deus\u00bb (Francisco,\u00a0Exort. ap.\u00a0<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20180319_gaudete-et-exsultate.html#Os_santos_ao_p%C3%A9_da_porta\">Gaudete et exsultate<\/a><\/i>, 7), mas dos quais ningu\u00e9m fala. As m\u00e1s not\u00edcias abundam de tal modo nas p\u00e1ginas dos jornais, nos sites da internet e nos visores da televis\u00e3o, que faz pensar que o mal reine soberano. Mas n\u00e3o \u00e9 assim. Certamente n\u00e3o faltam a malvadez e a viol\u00eancia, a prepot\u00eancia e a corrup\u00e7\u00e3o, mas a vida est\u00e1 tecida por atos de respeito e generosidade que n\u00e3o s\u00f3 compensam o mal, mas impelem a ultrapass\u00e1-lo permanecendo cheios de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>6. Estender a m\u00e3o \u00e9 um sinal: um sinal que apela imediatamente \u00e0 proximidade, \u00e0 solidariedade, ao amor. Nestes meses, em que o mundo inteiro foi dominado por um v\u00edrus que trouxe dor e morte, desconforto e perplexidade, pudemos ver tantas m\u00e3os estendidas! A m\u00e3o estendida do m\u00e9dico que se preocupa de cada paciente, procurando encontrar o rem\u00e9dio certo. A m\u00e3o estendida da enfermeira e do enfermeiro que permanece, muito para al\u00e9m dos seus hor\u00e1rios de trabalho, a cuidar dos doentes. A m\u00e3o estendida de quem trabalha na administra\u00e7\u00e3o e providencia os meios para salvar o maior n\u00famero poss\u00edvel de vidas. A m\u00e3o estendida do farmac\u00eautico exposto a in\u00fameros pedidos num arriscado contacto com as pessoas. A m\u00e3o estendida do sacerdote que, com o cora\u00e7\u00e3o partido, continua a aben\u00e7oar. A m\u00e3o estendida do volunt\u00e1rio que socorre quem mora na rua e a quantos, embora possuindo um teto, n\u00e3o t\u00eam nada para comer. A m\u00e3o estendida de homens e mulheres que trabalham para prestar servi\u00e7os essenciais e seguran\u00e7a. E poder\u00edamos enumerar ainda outras m\u00e3os estendidas, at\u00e9 compor uma ladainha de obras de bem. Todas estas m\u00e3os desafiaram o cont\u00e1gio e o medo, a fim de dar apoio e consola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>7. Esta pandemia chegou de improviso e apanhou-nos impreparados, deixando uma grande sensa\u00e7\u00e3o de desorientamento e impot\u00eancia. Mas, a m\u00e3o estendida ao pobre n\u00e3o chegou de improviso. Antes, d\u00e1 testemunho de como nos preparamos para reconhecer o pobre a fim de o apoiar no tempo da necessidade. N\u00e3o nos improvisamos instrumentos de miseric\u00f3rdia. Requer-se um treino di\u00e1rio, que parte da consci\u00eancia de quanto n\u00f3s pr\u00f3prios, em primeiro lugar, precisamos duma m\u00e3o estendida em nosso favor.<\/p>\n<p>Este per\u00edodo que estamos a viver colocou em crise muitas certezas. Sentimo-nos mais pobres e mais vulner\u00e1veis, porque experimentamos a sensa\u00e7\u00e3o da limita\u00e7\u00e3o e a restri\u00e7\u00e3o da liberdade. A perda do emprego, dos afetos mais queridos, como a falta das rela\u00e7\u00f5es interpessoais habituais, abriu subitamente horizontes que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1vamos acostumados a observar. As nossas riquezas espirituais e materiais foram postas em quest\u00e3o e descobrimo-nos amedrontados. Fechados no sil\u00eancio das nossas casas, descobrimos como \u00e9 importante a simplicidade e o manter os olhos fixos no essencial. Amadureceu em n\u00f3s a exig\u00eancia duma nova fraternidade, capaz de ajuda rec\u00edproca e estima m\u00fatua. Este \u00e9 um tempo favor\u00e1vel para \u00abvoltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo (&#8230;). Vivemos j\u00e1 muito tempo na degrada\u00e7\u00e3o moral, baldando-nos \u00e0 \u00e9tica, \u00e0 bondade, \u00e0 f\u00e9, \u00e0 honestidade (&#8230;). Uma tal destrui\u00e7\u00e3o de todo o fundamento da vida social acaba por colocar-nos uns contra os outros na defesa dos pr\u00f3prios interesses, provoca o despertar de novas formas de viol\u00eancia e crueldade e impede o desenvolvimento duma verdadeira cultura do cuidado do meio ambiente\u00bb (Francisco, Carta enc.\u00a0<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html#229\">Laudato si\u2019<\/a><\/i>, 229). Enfim, as graves crises econ\u00f3micas, financeiras e pol\u00edticas n\u00e3o cessar\u00e3o enquanto permitirmos que permane\u00e7a em letargo a responsabilidade que cada um deve sentir para com o pr\u00f3ximo e toda a pessoa.<\/p>\n<p>8. \u00abEstende a m\u00e3o ao pobre\u00bb \u00e9, pois, um convite \u00e0 responsabilidade, sob forma de empenho direto, de quem se sente parte do mesmo destino. \u00c9 um encorajamento a assumir os pesos dos mais vulner\u00e1veis, como recorda S\u00e3o Paulo: \u00abPelo amor, fazei-vos servos uns dos outros. \u00c9 que toda a Lei se cumpre plenamente nesta \u00fanica palavra: ama o teu pr\u00f3ximo como a ti mesmo. (&#8230;) Carregai as cargas uns dos outros\u00bb (<i>Gal<\/i>\u00a05, 13-14; 6, 2). O Ap\u00f3stolo ensina que a liberdade que nos foi dada com a morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo \u00e9, para cada um de n\u00f3s, uma responsabilidade para colocar-se ao servi\u00e7o dos outros, sobretudo dos mais fr\u00e1geis. N\u00e3o se trata duma exorta\u00e7\u00e3o facultativa, mas duma condi\u00e7\u00e3o da autenticidade da f\u00e9 que professamos.<\/p>\n<p>E aqui volta o livro de\u00a0<i>Ben-Sir\u00e1<\/i>\u00a0em nossa ajuda: sugere a\u00e7\u00f5es concretas para apoiar os mais vulner\u00e1veis e usa tamb\u00e9m algumas imagens sugestivas. Primeiro, toma em considera\u00e7\u00e3o a debilidade de quantos est\u00e3o tristes: \u00abN\u00e3o fujas dos que choram\u00bb (7, 34). O per\u00edodo da pandemia constrangeu-nos a um isolamento for\u00e7ado, impedindo-nos at\u00e9 de poder consolar e estar junto de amigos e conhecidos atribulados com a perda dos seus entes queridos. E, depois, afirma o autor sagrado: \u00abN\u00e3o sejas pregui\u00e7oso em visitar um doente\u00bb (7, 35). Experimentamos a impossibilidade de estar junto de quem sofre e, ao mesmo tempo, tomamos consci\u00eancia da fragilidade da nossa exist\u00eancia. Enfim, a Palavra de Deus nunca nos deixa tranquilos e continua a estimular-nos para o bem.<\/p>\n<p>9. \u00abEstende a m\u00e3o ao pobre\u00bb faz ressaltar, por contraste, a atitude de quantos conservam as m\u00e3os nos bolsos e n\u00e3o se deixam comover pela pobreza, da qual frequentemente s\u00e3o c\u00famplices tamb\u00e9m eles. A indiferen\u00e7a e o cinismo s\u00e3o o seu alimento di\u00e1rio. Que diferen\u00e7a relativamente \u00e0s m\u00e3os generosas que acima descrevemos! Com efeito, existem m\u00e3os estendidas para premer rapidamente o teclado dum computador e deslocar somas de dinheiro duma parte do mundo para outra, decretando a riqueza de restritas oligarquias e a mis\u00e9ria de multid\u00f5es ou a fal\u00eancia de na\u00e7\u00f5es inteiras. H\u00e1 m\u00e3os estendidas a acumular dinheiro com a venda de armas que outras m\u00e3os, incluindo m\u00e3os de crian\u00e7as, utilizar\u00e3o para semear morte e pobreza. Existem m\u00e3os estendidas que, na sombra, trocam doses de morte para se enriquecer e viver no luxo e num ef\u00e9mero desregramento. Existem m\u00e3os estendidas que \u00e0s escondidas trocam favores ilegais para um lucro f\u00e1cil e corruto. E h\u00e1 tamb\u00e9m m\u00e3os estendidas que, numa hip\u00f3crita respeitabilidade, estabelecem leis que eles mesmos n\u00e3o observam.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, \u00abos exclu\u00eddos continuam a esperar. Para se poder apoiar um estilo de vida que exclui os outros ou mesmo entusiasmar-se com este ideal ego\u00edsta, desenvolveu-se uma globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a. Quase sem nos dar conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, j\u00e1 n\u00e3o choramos \u00e0 vista do drama dos outros, nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse uma responsabilidade de outrem, que n\u00e3o nos incumbe\u00bb (Francisco,\u00a0Exort. ap\u00a0<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html#N%C3%A3o_a_uma_economia_da_exclus%C3%A3o\">Evangelii gaudium<\/a><\/i>, 54). N\u00e3o poderemos ser felizes enquanto estas m\u00e3os que semeiam morte n\u00e3o forem transformadas em instrumentos de justi\u00e7a e paz para o mundo inteiro.<\/p>\n<p>10. \u00abEm todas as tuas obras, lembra-te do teu fim\u00bb (<i>Sir<\/i>\u00a07, 36): tal \u00e9 a frase com que Ben-Sir\u00e1 conclui a sua reflex\u00e3o. O texto presta-se a uma dupla interpreta\u00e7\u00e3o. A primeira destaca que precisamos de ter sempre presente o fim da nossa exist\u00eancia. A lembran\u00e7a do nosso destino comum pode ajudar a conduzir uma vida sob o signo da aten\u00e7\u00e3o a quem \u00e9 mais pobre e n\u00e3o teve as mesmas possibilidades que n\u00f3s. Mas existe tamb\u00e9m uma segunda interpreta\u00e7\u00e3o, que evidencia principalmente a finalidade, o objetivo para o qual tende cada um. \u00c9 a finalidade da nossa vida que exige um projeto a realizar e um caminho a percorrer sem se cansar. Pois bem! O objetivo de cada a\u00e7\u00e3o nossa s\u00f3 pode ser o amor: tal \u00e9 o objetivo para onde caminhamos, e nada deve distrair-nos dele. Este amor \u00e9 partilha, dedica\u00e7\u00e3o e servi\u00e7o, mas come\u00e7a pela descoberta de que primeiro fomos n\u00f3s amados e despertados para o amor. Esta finalidade aparece no momento em que a crian\u00e7a se cruza com o sorriso da m\u00e3e, sentindo-se amada pelo pr\u00f3prio facto de existir. De igual modo um sorriso que partilhamos com o pobre \u00e9 fonte de amor e permite viver na alegria. Possa ent\u00e3o a m\u00e3o estendida enriquecer-se sempre com o sorriso de quem n\u00e3o faz pesar a sua presen\u00e7a nem a ajuda que presta, mas alegra-se apenas em viver o estilo dos disc\u00edpulos de Cristo.<\/p>\n<p>Neste caminho de encontro di\u00e1rio com os pobres, acompanha-nos a M\u00e3e de Deus que \u00e9, mais do que qualquer outra, a M\u00e3e dos pobres. A Virgem Maria conhece de perto as dificuldades e os sofrimentos de quantos est\u00e3o marginalizados, porque Ela mesma Se viu a dar \u00e0 luz o Filho de Deus num est\u00e1bulo. Devido \u00e0 amea\u00e7a de Herodes, fugiu, juntamente com Jos\u00e9, seu esposo, e o Menino Jesus, para outro pa\u00eds e, durante alguns anos, a Sagrada Fam\u00edlia conheceu a condi\u00e7\u00e3o de refugiados. Possa a ora\u00e7\u00e3o \u00e0 M\u00e3e dos pobres acomunar estes seus filhos prediletos e quantos os servem em nome de Cristo. E a ora\u00e7\u00e3o transforme a m\u00e3o estendida num abra\u00e7o de partilha e reconhecida fraternidade.<\/p>\n<p><i>Roma, em S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, na Mem\u00f3ria lit\u00fargica de Santo Ant\u00f3nio, 13 de junho de 2020.<\/i><\/p>\n<p align=\"center\"><b>Francisco<\/b><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em>Fonte: Vatican News<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IV Dia Mundial dos Pobres<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":188425,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[22],"tags":[226],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Mensagem do Papa para o IV Dia Mundial dos Pobres - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/mensagem-do-papa-para-o-iv-dia-mundial-dos-pobres\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Mensagem do Papa para o IV Dia Mundial dos Pobres - 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