{"id":182423,"date":"2019-11-05T07:07:51","date_gmt":"2019-11-05T10:07:51","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=182423"},"modified":"2020-07-30T13:21:36","modified_gmt":"2020-07-30T16:21:36","slug":"sinodo-para-a-amazonia-um-afresco-para-a-casa-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sinodo-para-a-amazonia-um-afresco-para-a-casa-comum\/","title":{"rendered":"S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia: um afresco para a \u201ccasa comum\u201d"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_187220\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-187220\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-187220 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/artigo_3007_4.jpg\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"450\" \/><p id=\"caption-attachment-187220\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <em>\u00a0 Imagem ilustrativa (Fonte: Vatican News)<\/em><\/p><\/div>\n<p><strong>Antonio Spadaro<\/strong><\/p>\n<p>A\u00a0Assembleia Especial do\u00a0S\u00ednodo dos Bispos\u00a0para a regi\u00e3o pan-amaz\u00f4nica acaba de se concluir. Oferecemos aqui algumas reflex\u00f5es no calor do evento sobre o valor dessa assembleia sinodal \u2013 a quarta do pontificado de\u00a0Francisco, depois dos dois S\u00ednodos sobre a fam\u00edlia e o S\u00ednodo sobre os jovens. J\u00e1 podem ser discernidos alguns tra\u00e7os fundamentais dessa experi\u00eancia, que incidir\u00e3o na vida da Igreja.<\/p>\n<h3>Um grande afresco onde tudo est\u00e1 interligado<\/h3>\n<p>Contemplando os trabalhos sinodais \u2013 e quem escreve os viveu de dentro como membro de nomea\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia e parte da comiss\u00e3o para a informa\u00e7\u00e3o \u2013 tem-se a impress\u00e3o de se estar na frente de um afresco, o do\u00a0Apocalipse\u00a0citado no in\u00edcio do\u00a0<a href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/banca\/documento-final-do-sinodo-para-a-amazonia-2.html\"><strong>documento final<\/strong><\/a>: \u201cE aquele que est\u00e1 sentado no trono declarou: \u2018Eis que fa\u00e7o novas todas as coisas\u2019. E disse: \u2018Escreve, pois estas palavras s\u00e3o fi\u00e9is e verdadeiras\u2019\u2019 (Ap 21,5). Tudo est\u00e1 sob os olhos de Cristo Senhor, e tudo pede para ser renovado: a vida da Igreja, a pol\u00edtica, a economia, a prote\u00e7\u00e3o da casa comum, a liturgia.<\/p>\n<p>Um grande afresco, portanto, onde tudo est\u00e1 interligado, como alguns membros do\u00a0S\u00ednodo\u00a0\u00e0s vezes cantaram \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 disseram \u2013 na Sala. \u00c0s vezes, para se expressar, eles tamb\u00e9m recorreram \u00e0 poesia do seu povo.<\/p>\n<p>A assembleia foi aberta no dia 6 de outubro, com ora\u00e7\u00f5es, cantos e dan\u00e7as em uma prociss\u00e3o que acompanhou o Santo Padre desde o t\u00famulo de Pedro at\u00e9 a Sala sinodal.<\/p>\n<p>O afresco come\u00e7ou a ser pintado no dia 19 de janeiro de 2018, durante a viagem apost\u00f3lica de\u00a0Francisco\u00a0ao\u00a0Peru, quando ocorreu o extraordin\u00e1rio encontro entre o pont\u00edfice e 22 povos ind\u00edgenas em\u00a0Puerto Maldonado. L\u00e1, Francisco exortou a todos a \u201cmoldar uma Igreja com um rosto amaz\u00f4nico e uma Igreja com um rosto ind\u00edgena\u201d. O\u00a0\u201crosto amaz\u00f4nico\u201d da Igreja\u00a0foi reiterado claramente no documento final (nn. 42, 54, 55, 86, 92, 108, 115, 120).<\/p>\n<p>Muitos expressaram a clara consci\u00eancia de que tudo o que ocorre na\u00a0<strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>\u00a0tem uma repercuss\u00e3o sobre o mundo. Essa regi\u00e3o \u00e9 uma caixa de resson\u00e2ncia global, tanto biol\u00f3gica quanto pol\u00edtico-econ\u00f4mica, quanto ainda sociorreligiosa. A Amaz\u00f4nia \u00e9 um banco de provas do mundo. E<strong>\u00a0a regi\u00e3o est\u00e1 em chamas<\/strong>: o inc\u00eandio deve ser apagado. Nunca como hoje os povos ind\u00edgenas, afrodescendentes, pescadores, migrantes e outras comunidades\u00a0tradicionais da Amaz\u00f4nia est\u00e3o amea\u00e7ados pelo\u00a0<strong>desmatamento<\/strong>, pela uniformiza\u00e7\u00e3o e pela explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse afresco, feito de grandes contrastes, em que h\u00e1 viol\u00eancia e beleza, rapina e sabedoria, deve ser olhado, compreendido e interpretado \u2013 disse o papa no seu discurso de abertura \u2013 com \u201colhos de disc\u00edpulo\u201d e \u201ccora\u00e7\u00e3o pastoral\u201d. A hermen\u00eautica do S\u00ednodo, portanto, n\u00e3o \u00e9 neutra, porque \u201ca nossa op\u00e7\u00e3o pr\u00e9via \u00e9 a dos disc\u00edpulos\u201d.<\/p>\n<p>Mas certamente esse tamb\u00e9m foi um S\u00ednodo profundamente pastoral, que expressa uma Igreja que quer \u201cacompanhar\u201d o caminho dos povos como \u201caliada\u201d. O fato de as tem\u00e1ticas terem sido abordadas por pastores que v\u00eam de uma precisa regi\u00e3o do planeta \u2013 que compartilham, sen\u00e3o as mesmas respostas, certamente as mesmas perguntas \u2013 evitou levantar as quest\u00f5es em termos abstratos.<\/p>\n<p>Por outro lado, a presen\u00e7a de membros de outras \u00e1reas geogr\u00e1ficas ou da\u00a0C\u00faria Romana\u00a0permitiu ter sempre presentes tanto a dimens\u00e3o local quanto a universal da Igreja. Ou, melhor, compreendeu-se como o que se diz sobre a parte tem um reflexo imediato e direto sobre todo o corpo eclesial. Portanto, fez-se uma forte experi\u00eancia de Igreja.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>convoca\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0foi claramente fruto de uma intui\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Francisco<\/strong>. Ela n\u00e3o estava ligada a um objetivo espec\u00edfico, mas sim a uma urg\u00eancia candente como uma batata quente, que n\u00e3o pode ser manipulada facilmente, nem amassada em uma torta bem redonda. O papa percebeu uma urg\u00eancia precisa diante de uma terra que est\u00e1 em uma corrida desenfreada rumo \u00e0 morte e que exige mudan\u00e7as radicais e uma nova dire\u00e7\u00e3o que permita salv\u00e1-la.<\/p>\n<p>No entanto, o S\u00ednodo n\u00e3o foi organizado para resolver as grandes tens\u00f5es da regi\u00e3o com solu\u00e7\u00f5es f\u00e1ceis, disciplinadas, prontas para usar. Para refletir sobre a\u00a0<strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>, seria bom manter sempre consigo\u00a0<strong>\u201cA oposi\u00e7\u00e3o polar\u201d<\/strong>, de\u00a0Romano Guardini, livro t\u00e3o caro ao pont\u00edfice. A Amaz\u00f4nia \u00e9 uma terra viva e, portanto, de fortes \u201coposi\u00e7\u00f5es polares\u201d. O S\u00ednodo abriu um processo de aprofundamento que dever\u00e1 manter quentes os temas que surgiram e confluir\u00e1 em uma obra p\u00f3s-sinodal de implementa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Digamo-lo imediatamente: a palavra-chave do\u00a0<strong>S\u00ednodo<\/strong>\u00a0\u2013 e, portanto, do documento final \u2013 foi \u201cconvers\u00e3o\u201d. Em v\u00e1rios n\u00edveis: pastoral, cultural,\u00a0<strong>ecol\u00f3gico<\/strong>\u00a0e sinodal. A \u00fanica convers\u00e3o ao Evangelho se desdobrou nessas dimens\u00f5es interligadas e requer a disponibilidade a \u201cnovos caminhos\u201d e a uma mudan\u00e7a de mentalidade.<\/p>\n<h3>A periferia fala a partir do centro<\/h3>\n<p>A experi\u00eancia da\u00a0<strong>regi\u00e3o pan-amaz\u00f4nica<\/strong>, que se estende pelo territ\u00f3rio de nove na\u00e7\u00f5es (<strong>Guiana Francesa<\/strong>,\u00a0<strong>Rep\u00fablica Cooperativista da Guiana<\/strong>,\u00a0<strong>Suriname<\/strong>,\u00a0<strong>Venezuela<\/strong>,\u00a0<strong>Col\u00f4mbia<\/strong>,\u00a0<strong>Equador<\/strong>,\u00a0<strong>Brasil<\/strong>,\u00a0<strong>Bol\u00edvia<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Peru<\/strong>), foi convocada para\u00a0<strong>Roma<\/strong>\u00a0e falou a partir de Roma. A periferia falou a partir do centro, com uma consci\u00eancia de que a sua experi\u00eancia \u00e9 ouvida como uma voz prof\u00e9tica por toda a Igreja. E, portanto, precisamente por isso, foi julgada por alguns como inc\u00f4moda. Este \u00e9 o ponto: hoje a Igreja tem uma necessidade extraordin\u00e1ria de profecia diante dos grandes desafios do presente e para discernir que futuro queremos construir.<\/p>\n<p>Roma tornou-se lugar de escuta profunda de experi\u00eancias do catolicismo consideradas como \u201cperif\u00e9ricas\u201d e de fronteira. A abordagem \u201cmission\u00e1ria\u201d foi decididamente integrada com a abordagem que valoriza a experi\u00eancia crist\u00e3 da\u00a0Amaz\u00f4nia\u00a0como significativa e prof\u00e9tica para a Igreja universal. De fato, depois da a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria, \u00e9 preciso que a Igreja local descubra as caracter\u00edsticas espec\u00edficas do pr\u00f3prio rosto para o bem de todo o corpo da Igreja universal.<\/p>\n<p>Devemos, portanto, distinguir entre Igreja \u201cindigenista\u201d, que considera os ind\u00edgenas como objeto de pastoral, e Igreja \u201cind\u00edgena\u201d, que considera os ind\u00edgenas como protagonistas da pr\u00f3pria experi\u00eancia de f\u00e9. Decisivamente, \u00e9 preciso apontar para uma\u00a0Igreja \u201cind\u00edgena\u201d, isto \u00e9, sujeito de evangeliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Igreja busca a profecia deslocando o centro de gravidade da \u00e1rea euro-atl\u00e2ntica e apontando diretamente para uma terra onde est\u00e3o se concentrando gigantescas contradi\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter pol\u00edtico, econ\u00f4mico e ecol\u00f3gico. Aqui a Igreja faz experi\u00eancia de um povo que claramente n\u00e3o coincide com um Estado nacional e que, ao contr\u00e1rio, \u00e9 um<strong>\u00a0conjunto de povos<\/strong>, perseguidos e amea\u00e7ados por tantas formas de viol\u00eancia. S\u00e3o povos portadores de uma enorme riqueza de l\u00ednguas, culturas, ritos e tradi\u00e7\u00f5es ancestrais.<\/p>\n<p>A eles foi dada a voz para compilar o texto inicial, o<em>\u00a0Instrumentum laboris<\/em>, para cuja reda\u00e7\u00e3o foram consultadas cerca de 87.000 pessoas na\u00a0<strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>. Bispos e leigos provenientes de cidades e culturas diferentes, al\u00e9m de pertencer a numerosos grupos de v\u00e1rios setores eclesiais, junto com acad\u00eamicos e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, encontraram-se durante semanas, escutando e dialogando.<\/p>\n<h3>Ecologia integral entre florestas e cidades<\/h3>\n<p>Como bem se afirma no\u00a0<strong>documento final<\/strong>, na\u00a0<strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>, a vida esta inserida, ligada e integrada ao territ\u00f3rio que, como espa\u00e7o f\u00edsico vital e nutritivo, \u00e9 possibilidade, sustento e limite da pr\u00f3pria vida. A \u00e1gua e a terra dessa regi\u00e3o nutrem e sustentam a natureza, a exist\u00eancia e as culturas de centenas de comunidades que residem nas margens dos rios e dos habitantes das cidades.<\/p>\n<p>Mas a\u00a0<strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>\u00a0hoje \u00e9 uma beleza ferida e deformada, um lugar de dor e viol\u00eancia. Os ataques \u00e0 natureza t\u00eam consequ\u00eancias para a vida dos povos: dos megaprojetos n\u00e3o sustent\u00e1veis (projetos hidrel\u00e9tricos, concess\u00f5es florestais,\u00a0desmatamento em massa, monoculturas, infraestruturas vi\u00e1rias, infraestruturas h\u00eddricas, ferrovias, projetos de minera\u00e7\u00e3o e petrol\u00edferos) \u00e0 polui\u00e7\u00e3o causada pela ind\u00fastria da minera\u00e7\u00e3o e pelos lix\u00f5es urbanos.<\/p>\n<p>Com isso, nunca se pretendeu dizer na Sala que a Igreja \u00e9 contra os projetos de moderniza\u00e7\u00e3o positiva e inclusiva. Certamente, por\u00e9m, a Igreja assumiu a plena consci\u00eancia de que a sua doutrina social hoje traz no cora\u00e7\u00e3o a defesa do planeta e que est\u00e1 em rota de colis\u00e3o com interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos, apoiados pela cumplicidade de alguns governantes e de algumas autoridades ind\u00edgenas. As v\u00edtimas s\u00e3o os sujeitos mais vulner\u00e1veis: as crian\u00e7as, os jovens, as mulheres e a \u201cirm\u00e3 m\u00e3e terra\u201d.<\/p>\n<p>O documento final prop\u00f5e \u201ccomo maneira de reparar a d\u00edvida ecol\u00f3gica\u201d que os pa\u00edses t\u00eam com a\u00a0<strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>\u00a0\u201ca cria\u00e7\u00e3o de um fundo mundial para cobrir parte dos or\u00e7amentos das comunidades presentes na Amaz\u00f4nia que promovem seu\u00a0desenvolvimento integral e autossustent\u00e1vel\u00a0e, assim, tamb\u00e9m proteg\u00ea-las da \u00e2nsia predat\u00f3ria de querer extrair seus recursos naturais por parte empresas nacionais e multinacionais\u201d (n. 83).<\/p>\n<p>O\u00a0S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia\u00a0\u00e9 filho da enc\u00edclica\u00a0<em>Laudato si<\/em>\u2019. E deu \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es daquele texto um corpo vis\u00edvel, referindo-se a uma regi\u00e3o e aos povos que a habitam. A rela\u00e7\u00e3o entre o cristianismo e a vida do mundo pareceu inervada por um saud\u00e1vel realismo, para al\u00e9m de toda ideologia, assumindo finalmente as caracter\u00edsticas de um compromisso decidido pelo valor global, sempre fruto do impulso e evang\u00e9lico que requer uma \u201cconvers\u00e3o ecol\u00f3gica\u201d. As tem\u00e1ticas teol\u00f3gicos na Sala sinodal sempre estiveram estreitamente entrela\u00e7adas com a vida concreta dos povos, com as tens\u00f5es geopol\u00edticas, com o\u00a0cuidado da \u201ccasa comum\u201d.<\/p>\n<p>Vice-versa, os temas ecol\u00f3gicos foram vividos em uma perspectiva de f\u00e9, como parte da doutrina social da Igreja e nas suas \u00edntimas conex\u00f5es com o desejo de justi\u00e7a, a escuta do grito dos pobres e a\u00a0<strong>promo\u00e7\u00e3o dos direitos humanos<\/strong>. Por isso, falou-se tamb\u00e9m do \u201cpecado ecol\u00f3gico\u201d, entendido como \u201cuma a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o contra Deus, contra o pr\u00f3ximo, a comunidade e o ambiente. \u00c9 um pecado contra as futuras gera\u00e7\u00f5es e se manifesta em atos e h\u00e1bitos de contamina\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o da harmonia do ambiente, transgress\u00f5es contra os princ\u00edpios de interdepend\u00eancia e a ruptura das redes de solidariedade entre as criaturas (cf.\u00a0<em>Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/em>, 340-344) e contra a virtude da justi\u00e7a\u201d (n. 82).<\/p>\n<p>A partir da\u00ed se compreende que, no documento final (cf. nn. 79 e 82), tenha-se pedido a cria\u00e7\u00e3o de minist\u00e9rios especiais para o cuidado da \u201ccasa comum\u201d e a promo\u00e7\u00e3o da\u00a0ecologia integral em n\u00edvel paroquial\u00a0e em todas as jurisdi\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas da Amaz\u00f4nia. A sua fun\u00e7\u00e3o deveria ser a de cuidar do territ\u00f3rio e das \u00e1guas junto \u00e0s<strong>\u00a0comunidades ind\u00edgenas<\/strong>. Assim como se falou de criar um minist\u00e9rio de acolhida para aqueles que se afastaram dos seus territ\u00f3rios, indo rumo \u00e0s cidades.<\/p>\n<p>A leitura do territ\u00f3rio n\u00e3o se limitou \u00e0 floresta, mas tamb\u00e9m disse respeito \u00e0s cidades e \u00e0 vida urbana que caracteriza grande parte da regi\u00e3o amaz\u00f4nica. Constatou-se que o desenraizamento dos v\u00ednculos territoriais e ancestrais pode provocar a perda de identidade, uma desorienta\u00e7\u00e3o profunda.<\/p>\n<p>Discutiu-se longamente sobre as migra\u00e7\u00f5es. O deslocamento for\u00e7ado de fam\u00edlias ind\u00edgenas, camponesas, afrodescendentes e pertencentes aos povos que vivem ao longo das margens dos rios, expulsas dos seus territ\u00f3rios por causa de press\u00f5es ou de exaspera\u00e7\u00f5es diante da falta de oportunidades, requer uma pastoral de conjunto na periferia dos centros urbanos. Por isso, reiterou-se a import\u00e2ncia de uma \u201cecologia integral\u201d.<\/p>\n<p>O fato de a preocupa\u00e7\u00e3o com a salva\u00e7\u00e3o \u2013 a\u00a0<em>salus animarum<\/em>\u00a0\u2013 ter estado profundamente ligada \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o com o destino da Terra e da humanidade inteira foi uma prova da maturidade teol\u00f3gica e eclesiol\u00f3gica desse S\u00ednodo.<\/p>\n<h3>Convers\u00e3o cultural<\/h3>\n<p>Na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, existe uma realidade multi\u00e9tnica e multicultural. Dentro de cada cultura, os povos constru\u00edram e reconstru\u00edram a sua vis\u00e3o do mundo e do seu futuro. Nas culturas e nos povos ind\u00edgenas, antigas pr\u00e1ticas e interpreta\u00e7\u00f5es m\u00edticas coexistem com as tecnologias e os desafios modernos. A Sala sinodal foi o reflexo de tudo isso, revelando tamb\u00e9m uma alma profundamente mesti\u00e7a.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio conceito de<strong>\u00a0incultura\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0pareceu obsoleto. A Igreja na\u00a0Amaz\u00f4nia\u00a0\u00e9 feita de pastores ind\u00edgenas e mission\u00e1rios: o espanhol e o portugu\u00eas falados na Sala ressoaram com sotaques ora talianos, ora poloneses, ora alem\u00e3es; e os ind\u00edgenas n\u00e3o esqueceram o uso das l\u00ednguas nativas. At\u00e9 a heran\u00e7a dos conquistadores do passado penetrou na sua vida e na sua devo\u00e7\u00e3o. Tudo se misturou e se interligou, dando vida a um organismo vivo, vivas, original. Essa \u00e9 a Igreja de rosto amaz\u00f4nico, distante daquilo que o pr\u00f3prio papa definiu como \u201ccentralismo \u2018homogeneizante\u2019 e \u2018homogeneizador\u2019\u201d.<\/p>\n<p>O S\u00ednodo tamb\u00e9m reconheceu que o an\u00fancio de Cristo, muitas vezes, foi realizado com uma abordagem colonialista e em coniv\u00eancia com os poderes que exploravam os recursos e oprimiam as popula\u00e7\u00f5es. Essa j\u00e1 era uma clara premissa explicitada por\u00a0<strong>Francisco<\/strong>\u00a0no seu discurso introdut\u00f3rio ao S\u00ednodo, quando afirmou que n\u00f3s \u201cnos aproximamos dos povos amaz\u00f4nicos na ponta dos p\u00e9s, respeitando a sua hist\u00f3ria, as suas culturas, o seu estilo de bem-viver\u201d. E, de fato, a Igreja quer ser uma \u201caliada\u201d dos povos.<\/p>\n<p>Nesse sentido, outro elemento claro foi o desejo da Igreja de uma<strong>\u00a0\u201cconvers\u00e3o cultural\u201d<\/strong>, capaz de dar uma resposta que seja autenticamente cat\u00f3lica \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o de imergir plenamente o an\u00fancio do Evangelho e a liturgia em uma cultura espec\u00edfica, valorizando a \u201ccosmovis\u00e3o\u201d, as tradi\u00e7\u00f5es, os s\u00edmbolos e os ritos origin\u00e1rios. Mas tamb\u00e9m de tal modo que o Evangelho purifique e refine as culturas nas quais se enxerta. Somente uma Igreja mission\u00e1ria inserida e inculturada levar\u00e1 ao nascimento de Igrejas particulares aut\u00f3ctones, de rosto e de cora\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nicos, enraizadas nas culturas e tradi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias dos povos, unidas na mesma f\u00e9 em Cristo e diferentes no seu modo de viv\u00ea-la, express\u00e1-la e celebr\u00e1-la.<\/p>\n<p>Em particular, foi apreciado o fato de que o pensamento dos povos ind\u00edgenas ofere\u00e7a uma vis\u00e3o integrada da realidade, capaz de compreender as m\u00faltiplas conex\u00f5es existentes entre tudo o que \u00e9 criado. E isso contrasta com a corrente dominante do pensamento ocidental, que, para compreender a realidade, tende \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o e \u00e0 decomposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A necessidade de incultura\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m levou a refletir sobre a import\u00e2ncia do di\u00e1logo com as religi\u00f5es ind\u00edgenas e os cultos afrodescendentes. Assim, chega \u00e0 sua matura\u00e7\u00e3o o debate eclesial sobre os ritos locais e sobre a incultura\u00e7\u00e3o das ra\u00edzes muito antigas. Foram citados pelo pr\u00f3prio pont\u00edfice os grandes mission\u00e1rios na\u00a0\u00c1sia, como\u00a0De Nobili\u00a0na\u00cdndia\u00a0e\u00a0Matteo Ricci\u00a0na\u00a0China, que se defrontaram com esses desafios. Chama a aten\u00e7\u00e3o o fato de que a primeira inten\u00e7\u00e3o da ora\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is na missa de inaugura\u00e7\u00e3o do\u00a0S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia\u00a0tenha sido feita em l\u00edngua chinesa.<\/p>\n<h3>Uma Igreja de discernimento, sinodal, inculturada, sacramental e totalmente ministerial<\/h3>\n<p>Se tiv\u00e9ssemos que sintetizar as palavras-chave sobre a Igreja que emergiram na assembleia, elas poderiam ser reconhecidas em \u201cdiscernimento\u201d, \u201csinodalidade\u201d, \u201cincultura\u00e7\u00e3o\u201d, \u201csacramentos\u201d e \u201cminist\u00e9rios\u201d.<\/p>\n<p><em><strong>Discernimento.<\/strong><\/em>\u00a0Disse-se que a Igreja na\u00a0<strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>\u00a0\u00e9 chamada a caminhar no exerc\u00edcio do discernimento. Isso significa \u201cdeterminar e recorrer como Igreja, mediante a interpreta\u00e7\u00e3o teologal dos sinais dos tempos, sob a orienta\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo, o caminho a seguir no servi\u00e7o do des\u00edgnio de Deus. O discernimento comunit\u00e1rio permite descobrir um chamado que Deus faz ouvir em cada situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica determinada\u201d (n. 90).<\/p>\n<p><em><strong>Sinodalidade.<\/strong>\u00a0<\/em>O discernimento fundamenta a \u201cconvers\u00e3o\u201d sinodal da Igreja. Ouvimo-nos por muitas horas durante o S\u00ednodo. E se discutiu muito, tanto na Sala quanto nos grupos, e com franqueza, dentro de um discernimento comunit\u00e1rio exigente para o qual se invoca a presen\u00e7a do Esp\u00edrito. E assim as palavras compartilhadas entre os Padres sinodais foram abertas, francas, livres, fi\u00e9is \u00e0 Igreja, impulsionadas por uma urg\u00eancia pastoral extraordin\u00e1ria e compartilhada. Cada assunto abordado revelou o desejo de estar na verdade do Evangelho e de construir o mundo de acordo com essa Boa Not\u00edcia.<\/p>\n<p>As propostas de modifica\u00e7\u00e3o do primeiro esbo\u00e7o do documento final foram nada menos do que 831. A participa\u00e7\u00e3o e o debate, tamb\u00e9m nos \u201cc\u00edrculos menores\u201d, nesse sentido, foram muito ricos.<\/p>\n<p>E essa j\u00e1 \u00e9 uma grande novidade no nosso mundo, no qual as democracias muitas vezes n\u00e3o ouvem os cidad\u00e3os e em que a polariza\u00e7\u00e3o das posi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas \u00e9 exacerbada em detrimento do di\u00e1logo. No S\u00ednodo, confrontaram-se posi\u00e7\u00f5es at\u00e9 mesmo diametralmente opostas sobre tantos temas, mas sempre no respeito rec\u00edproco e pelo bem da Igreja e do\u00a0povo da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Esse S\u00ednodo ofereceu a oportunidade para refletir sobre como estruturar as Igrejas locais em todas as regi\u00f5es e pa\u00edses, e para prosseguir rumo a uma convers\u00e3o sinodal. Falou-se de criar estruturas sinodais regionais, imaginando formas de associa\u00e7\u00e3o interdiocesana em cada na\u00e7\u00e3o ou entre pa\u00edses de uma regi\u00e3o e que favore\u00e7am uma maior coopera\u00e7\u00e3o entre as Igrejas irm\u00e3s. Em particular, foi proposta a cria\u00e7\u00e3o de um organismo episcopal permanente e representativo, articulado com o\u00a0<strong>Celam<\/strong>\u00a0(<strong>Conselho Episcopal Latino-Americano<\/strong>), com uma estrutura pr\u00f3pria e uma organiza\u00e7\u00e3o simples, e ligado tamb\u00e9m com a\u00a0<strong>Repam<\/strong>\u00a0(<strong>Rede Eclesial Pan-amaz\u00f4nica<\/strong>). Seria o nexo capaz de articular redes e iniciativas eclesiais e socioambientais em n\u00edvel continental e internacional.<\/p>\n<p><em><strong>Incultura\u00e7\u00e3o.<\/strong>\u00a0<\/em>J\u00e1 falamos da \u201cconvers\u00e3o cultural\u201d e de como isso tem uma reca\u00edda sobre a liturgia, que deve responder \u00e0 cultura para que seja fonte e \u00e1pice da vida crist\u00e3 e para que se sinta ligada aos sofrimentos e \u00e0s alegrias do povo. Devemos dar uma resposta autenticamente cat\u00f3lica ao pedido das comunidades amaz\u00f4nicas de adaptar a liturgia, valorizando a vis\u00e3o de mundo, as tradi\u00e7\u00f5es, os s\u00edmbolos e os ritos origin\u00e1rios. Por isso, muitos fizeram a proposta de estudar a \u201celabora\u00e7\u00e3o de um rito amaz\u00f4nico, que expresse o patrim\u00f4nio lit\u00fargico, teol\u00f3gico, disciplinar e espiritual amaz\u00f4nico, com especial refer\u00eancia \u00e0quilo que a\u00a0<strong><em>Lumen gentium<\/em><\/strong>\u00a0afirma para as Igrejas orientais (cf. LG 23)\u201d (n. 119).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se poderia estudar e propor como enriquecer os ritos eclesiais com o modo pelo qual esses povos cuidam do seu territ\u00f3rio e se relacionam com as suas \u00e1guas.<\/p>\n<p><em><strong>Sacramentalidade.<\/strong>\u00a0<\/em>Al\u00e9m disso, sentiu-se uma fort\u00edssima<strong>\u00a0urg\u00eancia pastoral<\/strong>\u00a0e uma convicta paix\u00e3o pela sacramentalidade do catolicismo, que tem a Eucaristia no centro. Al\u00e9m das poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es sobre as quais se discutiu, sempre se expressou a consci\u00eancia do drama pelo qual as comunidades t\u00eam dificuldade de celebrar regularmente a Eucaristia devido \u00e0 falta de sacerdotes. Falou-se claramente do direito dos fi\u00e9is de n\u00e3o permanecer em jejum eucar\u00edstico e da obriga\u00e7\u00e3o dos pastores de prover o p\u00e3o, porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que se forme uma comunidade crist\u00e3 sen\u00e3o assumindo como raiz e como eixo a celebra\u00e7\u00e3o da Santa Eucaristia.<\/p>\n<p><em><strong>Ministerialidade.<\/strong>\u00a0<\/em>Bispos e sacerdotes contaram as suas experi\u00eancias. Eles fazem o que podem, atravessando grandes dist\u00e2ncias. Mas as comunidades muitas vezes vivem gra\u00e7as ao compromisso dos leigos e das leigas. Desdobrou-se diante dos Padres uma Igreja totalmente ministerial, sobre a qual nos interrogamos para aprofundar o que significa que a Igreja est\u00e1 fundada sobre o batismo.<\/p>\n<p>Nesse sentido, disse-se que o bispo pode confiar, com um mandato por tempo determinado, na aus\u00eancia de sacerdotes, o exerc\u00edcio da pastoral das comunidades a uma pessoa n\u00e3o investida com o car\u00e1ter sacerdotal, que seja membro da pr\u00f3pria comunidade. O bispo tamb\u00e9m poder\u00e1 constituir esse minist\u00e9rio tamb\u00e9m com um mandato oficial por meio de um ato ritual, para que o respons\u00e1vel da comunidade seja reconhecido tamb\u00e9m em n\u00edvel civil e local.<\/p>\n<p>O S\u00ednodo reconheceu a ministerialidade que\u00a0<strong>Jesus<\/strong>\u00a0reservou para as mulheres. Por isso, foi solicitada a revis\u00e3o do\u00a0<em>motu proprio<\/em>\u00a0<strong><em>Ministeria quaedam<\/em><\/strong>, de\u00a0<strong>S\u00e3o Paulo VI<\/strong>, para que tamb\u00e9m mulheres adequadamente formadas e preparadas possam receber os minist\u00e9rios do leitorado e do acolitado, entre os outros que possam ser realizados. Em particular, considerando tamb\u00e9m o papel decisivo das mulheres nas comunidades amaz\u00f4nicas, foi pedido que seja criado para eles o minist\u00e9rio institu\u00eddo de \u201cdirigente de comunidade\u201d, dando-lhes um pleno reconhecimento (cf. nn. 96 e 102).<\/p>\n<p>Reiterou-se a import\u00e2ncia dos di\u00e1conos permanentes. A quest\u00e3o dos chamados\u00a0<em>viri probati<\/em>\u00a0n\u00e3o se baseou em nada no questionamento do celibato, mas precisamente ouvindo o drama percebido da aus\u00eancia dos sacramentos na vida comum de tantos fi\u00e9is. E se afirmou a proposta de \u201cestabelecer crit\u00e9rios e disposi\u00e7\u00f5es por parte da autoridade competente, no marco da\u00a0<em><strong>Lumen gentium<\/strong><\/em>\u00a026, de ordenar sacerdotes a homens id\u00f4neos e reconhecidos pela comunidade, que tenham um diaconato permanente fecundo e recebam uma forma\u00e7\u00e3o adequada para o presbiterado, podendo ter fam\u00edlia legitimamente constitu\u00edda e est\u00e1vel, para sustentar a vida da comunidade crist\u00e3 mediante a prega\u00e7\u00e3o da Palavra e da celebra\u00e7\u00e3o dos Sacramentos nas zonas mais remotas da regi\u00e3o amaz\u00f4nica\u201d (n. 111).<\/p>\n<p>Todas essas propostas devem ser colocadas em uma vis\u00e3o ampla e madura da Igreja, alheia ao clericalismo, ciente do fato de que os leigos j\u00e1 t\u00eam, de fato, em muitas situa\u00e7\u00f5es, a tarefa de ensinar e de reger comunidades eclesiais.<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p>Os Padres sinodais eram, ao todo, 184. Entre estes, 113 provinham das diversas circunscri\u00e7\u00f5es eclesi\u00e1sticas pan-amaz\u00f4nicas. Participaram do S\u00ednodo seis delegados fraternos, representando outras Igrejas e comunidades eclesiais presentes no territ\u00f3rio amaz\u00f4nico; assim como 12 convidados especiais e 25 especialistas, escolhidos pela sua elevada compet\u00eancia cient\u00edfica. Os auditores e auditoras eram 55; provinham, em sua maioria, da regi\u00e3o pan-amaz\u00f4nica, at\u00e9 mesmo dos lugares mais internos, e trouxeram a voz e o testemunho vivo das tradi\u00e7\u00f5es, da cultura e da f\u00e9 dos seus povos.<\/p>\n<p>Queremos encerrar esta apresenta\u00e7\u00e3o dos trabalhos sinodais com a resposta que justamente um auditor, o professor\u00a0Delio Siticonatzi Camaiteri, membro do povo Ashaninca \u2013 um grupo \u00e9tnico amaz\u00f4nico do\u00a0<strong>Peru<\/strong>\u00a0\u2013, deu \u00e0 pergunta de um jornalista durante um dos\u00a0<em>briefings<\/em>\u00a0cotidianos junto \u00e0\u00a0<strong>Sala de Imprensa\u00a0<\/strong>da\u00a0<strong>Santa S\u00e9<\/strong>:<\/p>\n<p><em>\u201cVejo-os um pouco inquietos, como se n\u00e3o entendessem o que a\u00a0<strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>\u00a0precisa. N\u00f3s temos a nossa cosmovis\u00e3o, a nossa forma de ver o mundo que nos rodeia. E a natureza nos aproxima mais de Deus. Nos aproxima do rosto de Deus na nossa cultura, na nossa viv\u00eancia. Porque n\u00f3s, como ind\u00edgenas, vivemos a harmonia com todos os seres que h\u00e1 ali. Eu vejo que n\u00e3o lhes \u2018desce\u2019 a ideia de n\u00f3s como ind\u00edgenas. Vejo-os preocupados, duvidosos diante dessa realidade que buscamos como ind\u00edgenas. N\u00e3o endure\u00e7am o seu cora\u00e7\u00e3o, suavizem o cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 a isto que\u00a0<strong>Jesus<\/strong>\u00a0nos convida: que vivamos juntos. Cremos em um s\u00f3 Deus. No fim de tudo isso, vamos estar unidos. \u00c9 isso que desejamos como ind\u00edgenas. Temos os nossos ritos, mas esse rito deve se incorporar ao centro que \u00e9 Jesus Cristo. N\u00e3o h\u00e1 mais nada a se discutir sobre esse tema. O centro que nos une neste S\u00ednodo \u00e9 Jesus Cristo\u201d.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Antonio Spadaro<\/strong>, diretor da revista\u00a0<strong>La Civilt\u00e0 Cattolica<\/strong>, em seu caderno 4.065, volume IV, 02-11-2019. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 de\u00a0<strong>Mois\u00e9s Sbardelotto (http:\/\/www.ihu.unisinos.br)<\/strong>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Antonio Spadaro<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[223],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia: um afresco para a \u201ccasa comum\u201d - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/sinodo-para-a-amazonia-um-afresco-para-a-casa-comum\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia: um afresco para a \u201ccasa comum\u201d - 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