{"id":181273,"date":"2018-12-20T09:21:51","date_gmt":"2018-12-20T11:21:51","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=181273"},"modified":"2021-09-10T15:33:37","modified_gmt":"2021-09-10T18:33:37","slug":"disposicao-psicologica-para-o-dialogo-algumas-reflexoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/disposicao-psicologica-para-o-dialogo-algumas-reflexoes\/","title":{"rendered":"Disposi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica para o di\u00e1logo: algumas reflex\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_187429\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-187429\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-187429 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/artigo_0308_1s.png\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"529\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/artigo_0308_1s.png 840w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/artigo_0308_1s-450x283.png 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/artigo_0308_1s-768x484.png 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/artigo_0308_1s-150x94.png 150w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><p id=\"caption-attachment-187429\" class=\"wp-caption-text\"><em>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Imagem ilustrativa (fonte: Canva)<\/em><\/p><\/div>\n<p><strong>Mirna Yamazato Koda<\/strong><\/p>\n<p>Falar sobre di\u00e1logo num contexto atual caracterizado pela polariza\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es e de disputa pela verdade, me parece uma tarefa necess\u00e1ria para encontramos caminhos alternativos num cotidiano marcado pela viol\u00eancia, em maior ou menor grau pelos insultos, desrespeito e intoler\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Quando recebi o convite para refletir sobre o tema: \u201cDisposi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica para o di\u00e1logo\u201d, pensei na indaga\u00e7\u00e3o que ele coloca: haveria tend\u00eancias psicol\u00f3gicas nos sujeitos que facilitariam o exerc\u00edcio do di\u00e1logo? Em meu percurso como psic\u00f3loga social, pensar caracter\u00edsticas psicol\u00f3gicas do ser humano sempre passa por pensar seu grupo e seu contexto social mais amplo. Assim, para se falar sobre uma disposi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica ao di\u00e1logo, \u00e9 necess\u00e1rio considerarmos os processos de subjetiva\u00e7\u00e3o na atualidade e que formas de subjetividade est\u00e3o sendo privilegiadas. Tal discuss\u00e3o visa refletir sobre as problem\u00e1ticas que temos com rela\u00e7\u00e3o ao di\u00e1logo (que em \u00faltima inst\u00e2ncia geram processos de exerc\u00edcio da viol\u00eancia), buscando pensar caminhos para a supera\u00e7\u00e3o dessas dificuldades, poss\u00edveis pontes de solidariedade entre os seres humanos.<\/p>\n<p>Em minhas aulas, ao trabalhar alguns conte\u00fados, gosto de buscar imagens na internet a partir de uma palavra chave, tanto para ilustrar o material did\u00e1tico como para ter uma ideia das representa\u00e7\u00f5es sociais acerca de tal quest\u00e3o. Ao jogar a palavra \u201cdi\u00e1logo\u201d na p\u00e1gina de busca de imagens, surgem v\u00e1rios desenhos de duas ou mais pessoas falando. Pois \u00e9, apenas falando&#8230; Mesmo considerando as limita\u00e7\u00f5es de um desenho ao representar uma ideia, acho que essas imagens s\u00e3o ilustrativas daquilo que me proponho a refletir aqui. Observamos, no dia a dia de nossas rela\u00e7\u00f5es, pessoas muito mais falando do que escutando, conversas que se tornam um conjunto de mon\u00f3logos, pessoas que, mais do que dialogar e refletir, buscam impor sua verdade no af\u00e3 de terem raz\u00e3o e vencerem a discuss\u00e3o sobre o outro.<\/p>\n<p>Gosto daquele conhecido texto de Rubem Alves (2011) sobre Escutat\u00f3ria:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>Sempre vejo anunciados cursos de orat\u00f3ria. Nunca vi anunciado curso de escutat\u00f3ria. Todo mundo quer aprender a falar. Ningu\u00e9m quer aprender a ouvir. (&#8230;) Parafraseio o Alberto Caeiro: \u201cN\u00e3o \u00e9 bastante ter ouvidos para se ouvir o que \u00e9 dito. \u00c9 preciso tamb\u00e9m que haja sil\u00eancio dentro da alma.\u201d Da\u00ed a dificuldade: a gente n\u00e3o aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. (&#8230;) Nossa incapacidade de ouvir \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o mais constante e sutil da nossa arrog\u00e2ncia e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Quando era adolescente, me lembro de ir assistir a alguns mon\u00f3logos nos teatros de S\u00e3o Paulo. Tinha virado moda atores mais famosos fazerem mon\u00f3logos. Hoje em dia vemos isso a todo momento nos shows de stand up. Pessoas falam sozinhas com personagem \u201ccriados\u201d pelo protagonista. Uma boa ilustra\u00e7\u00e3o dos relacionamentos atuais, numa sociedade em que o que vale \u00e9 a imagem e o reconhecimento que obtemos, o outro vira plateia ou escada para um triunfo pessoal. Acabamos por falar e nos relacionar com proje\u00e7\u00f5es de n\u00f3s mesmos, mas n\u00e3o com o outro real.<\/p>\n<p>A capacidade de di\u00e1logo est\u00e1 muito al\u00e9m da aptid\u00e3o intelectual de fala e de argumenta\u00e7\u00e3o dos sujeitos. Ela implica nessa arte que Alberto Caeiro coloca de fazer sil\u00eancio dentro da alma, na capacidade de escuta e de silenciar por instantes nossos desejos e nosso ego. Assim, podemos construir encontros mais efetivos, compreender o outro e suas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Em uma ocasi\u00e3o, oferecemos um curso de capacita\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade Mental para trabalhadores da Rede de Sa\u00fade de diversos munic\u00edpios do interior paulista. Uma situa\u00e7\u00e3o que afligia v\u00e1rios profissionais eram as ang\u00fastias dos pacientes que se traduziam em choro e uma necessidade de falar sobre seus pr\u00f3prios sofrimentos. Os profissionais se sentiam impotentes por n\u00e3o terem um procedimento imediato que desse uma resposta \u00e0s dificuldades dessas pessoas. Sugerimos que eles escutassem aquilo que esses pacientes tinham a falar. Esses profissionais retornaram nas pr\u00f3ximas semanas do curso surpresos com a percep\u00e7\u00e3o de que a escuta atenta e sem julgamentos ocasionava um al\u00edvio para esses sujeitos em sofrimento. A partir disso, era poss\u00edvel entender melhor a situa\u00e7\u00e3o vivida e da\u00ed delinear a\u00e7\u00f5es a serem efetuadas. A fala daqueles era: \u201cEu s\u00f3 escutei e ele(a) se sentiu melhor, mais aliviado!\u201d. O escutar parece ser desqualificado como algo passivo e secund\u00e1rio perante o lugar da fala.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, onde essas quest\u00f5es se ancoram e encontram sua base de constitui\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>A capacidade de pensamento (consci\u00eancia) e comunica\u00e7\u00e3o (linguagem) s\u00e3o aspectos muito pr\u00f3prios do ser humano e o diferenciam de outros animais. O ser humano se constitui a partir de sua rede de rela\u00e7\u00f5es inserida em um contexto social espec\u00edfico. \u00c9 a partir de suas rela\u00e7\u00f5es iniciais e da linguagem que a crian\u00e7a vai introjetando aspectos do mundo externo e constituindo assim seu mundo interno. Isso tem continuidade ao longo de toda vida da pessoa. O psicanalista Ren\u00e8 Ka\u00ebs (2012) afirma que todo sujeito \u00e9 sujeito do grupo, no sentido de que o grupo (e consequentemente as institui\u00e7\u00f5es e a sociedade) serve como apoio ps\u00edquico para a constitui\u00e7\u00e3o do sujeito.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0 conjuntura macrossocial, vivemos atualmente sob a \u00e9gide do discurso neoliberal e da globaliza\u00e7\u00e3o da economia. Nesse cen\u00e1rio, a quest\u00e3o econ\u00f4mica suplanta fronteiras nacionais e coloca o \u201cdeus mercado\u201d acima de quest\u00f5es nacionais e sociais. O contexto cultural \u00e9 pautado por dois grandes imperativos: a competitividade e o consumo. Desse modo, impulsionados por esses dogmas, vivemos um tempo em que nada \u00e9 duradouro, tudo \u00e9 ef\u00eamero (Santos, 2002). O sujeito \u00e9 lan\u00e7ado constantemente no campo do incerto e da falta: incertezas com rela\u00e7\u00e3o a seu futuro, a seu emprego, suas rela\u00e7\u00f5es afetivas, a sua seguran\u00e7a. Se tudo pode se tornar objeto de consumo, tamb\u00e9m pode se tornar descart\u00e1vel ap\u00f3s seu uso. As pessoas vivem sempre o risco iminente da desqualifica\u00e7\u00e3o e da segrega\u00e7\u00e3o, elas podem se tornar obsoletas instantaneamente. Desse modo, o sentimento de desamparo sempre est\u00e1 \u00e0 espreita.<\/p>\n<p>O paradigma da competitividade e consumo est\u00e1 na base de um ethos que se imp\u00f5e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais e interpessoais influenciando a produ\u00e7\u00e3o de subjetividade contempor\u00e2nea. A competitividade \u00e9 fonte de novas formas de totalitarismos e segrega\u00e7\u00f5es. O que vale \u00e9 vencer. Levada \u00e0s suas \u00faltimas consequ\u00eancias, ela provoca um afrouxamento dos valores morais e um convite ao exerc\u00edcio da viol\u00eancia (Santos, 2002). Assim, a responsabilidade perante o outro e a humanidade se esvai. Esse cen\u00e1rio favorece o individualismo, enfraquecendo a ideia de solidariedade. Esse fen\u00f4meno se multiplica na internet e na m\u00eddia em geral. A express\u00e3o de uma posi\u00e7\u00e3o prescinde do respeito pelo outro, dando lugar para toda forma de ofensas.<\/p>\n<p>Numa sociedade que valoriza o espetacular, o sujeito se reduz a m\u00e1scara, a imagem. N\u00e3o s\u00f3 o indiv\u00edduo se reduz a uma persona, como tamb\u00e9m o outro que, limitado a um estere\u00f3tipo, um r\u00f3tulo, torna-se mais facilmente alvo dos mais diversos tipos de preconceitos e intoler\u00e2ncias. Presenciamos um momento hist\u00f3rico onde a subjetividade assume uma configura\u00e7\u00e3o marcadamente estetizante, em que o olhar do outro no campo social e midi\u00e1tico ocupa uma posi\u00e7\u00e3o importante em sua economia ps\u00edquica.<\/p>\n<p>Desse modo, os la\u00e7os sociais se pautam pelo espet\u00e1culo e o culto ao eu ganha uma import\u00e2ncia sem precedentes (Birman, 2016). Observamos a\u00ed como consequ\u00eancia um empobrecimento da capacidade de pensamento, do campo simb\u00f3lico e da linguagem. O campo de discuss\u00e3o fica minado por opini\u00f5es pessoais ou de grupos que muitas vezes negam o conhecimento cient\u00edfico coletivamente constru\u00eddo ao longo de s\u00e9culos. Nesse contexto, o que vale mais \u00e9 quem grita mais alto e faz mais ofensas (quem \u201clacra\u201d a discuss\u00e3o).<\/p>\n<p>Nesse processo, produzimos sujeitos solit\u00e1rios, cada vez mais voltados para dentro de si, capturados por suas imagens nos espelhos fornecidos pelo mundo do consumo. Vivemos o paradoxo de estarmos solit\u00e1rios no meio da multid\u00e3o. Indiv\u00edduos alienados da hist\u00f3ria, do tempo, da mem\u00f3ria (Neves 1997). Presenciamos a\u00ed um grave processo de infantiliza\u00e7\u00e3o do ser humano. Nos encontramos como seres autocentrados e alienados, presos em nossas necessidades mais b\u00e1sicas de amor e reconhecimento, aos imperativos da busca da satisfa\u00e7\u00e3o e do prazer imediatos. Nesse cen\u00e1rio, o exerc\u00edcio da solidariedade e da alteridade tornam-se vazios de sentido. O sujeito perde em interioridade, densidade e profundidade.<\/p>\n<p>Todo esse cen\u00e1rio afeta a disponibilidade para o di\u00e1logo das pessoas que querem a qualquer custo vencer o debate. Os indiv\u00edduos muitas vezes se mostram intolerantes \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o e a assumir os pr\u00f3prios erros e equ\u00edvocos, por macular uma imagem de pseudoperfei\u00e7\u00e3o que eles fantasiosamente constru\u00edram para si. Isso os mant\u00eam em uma posi\u00e7\u00e3o regredida, evitando situa\u00e7\u00f5es que fazem parte da vida e que s\u00e3o necess\u00e1rias para qualquer processo de crescimento.<\/p>\n<p>Observamos na contemporaneidade a dificuldade com rela\u00e7\u00e3o ao di\u00e1logo nos mais diferentes n\u00edveis, do micro ao macrossocial, das rela\u00e7\u00f5es cotidianas entre as pessoas ao campo das pol\u00edticas nacionais e internacionais. Dentro dessa l\u00f3gica vamos construindo grandes e pequenos muros, seguindo a l\u00f3gica de que se n\u00e3o est\u00e1 comigo est\u00e1 contra mim. Quanto mais desamparado, mais o indiv\u00edduo se apega a verdades e a certezas. Mais aterrorizador vai parecer o rival a ser combatido. Portador das proje\u00e7\u00f5es do mal que n\u00e3o pode ser reconhecido em si, sempre haver\u00e1 mais \u00e0 frente um novo inimigo a ser combatido.<\/p>\n<p>Voltando \u00e0 quest\u00e3o inicial: haveria tend\u00eancias psicol\u00f3gicas nos sujeitos que facilitam o exerc\u00edcio do di\u00e1logo? A abertura a um efetivo di\u00e1logo implica em qualidades um pouco empoeiradas nas prateleiras do \u201cmercado subjetivo\u201d como empatia, capacidade de escuta, humildade. No entanto, elas devem estar ligadas a uma transforma\u00e7\u00e3o mais profunda e paradigm\u00e1tica no sujeito. O exerc\u00edcio da alteridade n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil, exige crescimento pessoal e consci\u00eancia de si. Observamos alguns m\u00e9todos que t\u00eam buscado melhorar a capacidade de di\u00e1logo, como a comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o violenta e a media\u00e7\u00e3o de conflitos. A\u00e7\u00f5es de efeitos interessantes num mundo com tantas tens\u00f5es. Por\u00e9m, o que propomos aqui \u00e9 que, al\u00e9m das t\u00e9cnicas, \u00e9 necess\u00e1rio repensarmos nossas l\u00f3gicas. N\u00e3o apenas incorporar novas pr\u00e1ticas a paradigmas antigos.<\/p>\n<p>Como diz Neves (1997):<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><em>A transforma\u00e7\u00e3o do existente s\u00f3 se torna poss\u00edvel atrav\u00e9s da ruptura com o modo de subjetiva\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nico, ou seja, tal transforma\u00e7\u00e3o se d\u00e1 com um operar revolu\u00e7\u00f5es permanentes.<br \/>\n<\/em><em>Rupturas locais, provis\u00f3rias, potencialmente instituintes de outras formas de rela\u00e7\u00e3o com o mundo, de outros modos de representa\u00e7\u00e3o: outro olhar, outra escuta, outros afetos.<\/em><\/p>\n<p>Efetivamente, dialogar pode ser uma a\u00e7\u00e3o muito perigosa ao colocar em cheque nossas certezas sobre o mundo e sobre n\u00f3s mesmos. Por isso, \u00e9 mais f\u00e1cil monologar. Poder dialogar implica em se voltar ao outro, em sair de um autocentramento e de um narcisismo que acomete nossa cultura.<\/p>\n<p>Nesse sentido, relembro uma coloca\u00e7\u00e3o de Freud (1921\/1996) que afirma que o amor por si s\u00f3 conhece uma barreira: o amor pelos outros, o amor pelo objeto. O amor atua como fator civilizador, de modo a ocasionar a modifica\u00e7\u00e3o do ego\u00edsmo em altru\u00edsmo.<\/p>\n<p>Ensinamento b\u00e1sico que est\u00e1 presente em diferentes vertentes religiosas e que existe h\u00e1 mil\u00eanios. O amor ao pr\u00f3ximo talvez seja aquilo que pode nos salvar de n\u00f3s mesmos. Precisamos reconhecer e superar nossos ego\u00edsmos em benef\u00edcio de modos de viver mais altru\u00edstas, mais solid\u00e1rios e emp\u00e1ticos. Tarefa desafiadora pois nos leva a encararmos e dialogarmos inicialmente com nossas fraquezas, com aquilo que n\u00e3o queremos ver em n\u00f3s. Assim, o exerc\u00edcio do di\u00e1logo coloca quest\u00f5es desafiadoras para n\u00f3s mesmos e em nossas rela\u00e7\u00f5es cotidianas. N\u00e3o se trata mais de vencer o debate, de impor sua verdade por melhor que ela seja, mas sim de encontrar caminhos para a constru\u00e7\u00e3o de um poss\u00edvel bem comum para todos (humanos e n\u00e3o humanos). Se nosso modo de ser \u00e9 constru\u00eddo, podemos desconstru\u00ed-los e transform\u00e1-los. A capacidade do ser humano de mudar \u00e9 imensa, isso \u00e9 e ser\u00e1 sempre um potencial em n\u00f3s.<\/p>\n<p>Por fim, acredito que efetuar uma ruptura com os modos de subjetiva\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nicos passa por viver e experimentar as dificuldades inerentes dos encontros e desencontros com o outro. Tornar nossa pr\u00f3pria vida um pequeno laborat\u00f3rio de transforma\u00e7\u00f5es do cotidiano. E quem sabe, sairmos daqui um pouco melhor do que entramos.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>Mirna Yamazato Koda <\/strong><em>Psic\u00f3loga, professora do curso de Psicologia e do curso de especializa\u00e7\u00e3o em Sa\u00fade Mental da Universidade S\u00e3o Francisco. Especialista em Sa\u00fade Coletiva pela Faculdade de Medicina da USP, doutora em Psicologia Social pelo Instituto de Psicologia da USP.<\/em><\/p>\n<p><strong>Bibliografia:<\/strong><\/p>\n<h6 style=\"padding-left: 40px;\">Alves, R. (2011). <em>O amor que acende a lua<\/em>. S\u00e3o Paulo: Papirus.<br \/>\nBirman, J. (2016). <em>Mal-estar na atualidade: a psican\u00e1lise e as novas formas de subjetiva\u00e7\u00e3o<\/em>. Rio de Janeiro, Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira.<br \/>\nFreud, S. (1921\/1996). <em>Psicologia de grupo e an\u00e1lise do ego<\/em>. In. S. Freud. Obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud edi\u00e7\u00e3o standart brasileira. Rio de Janeiro: Imago.<br \/>\nKa\u00ebs, R. (2012). <em>O grupo e o sujeito do grupo: elementos para uma teoria psicanal\u00edtica do grupo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Pearson\/Casa do Psic\u00f3logo.<br \/>\nNeves, C.E.A.B. (1997). <em>Sociedade de Controle, o neoliberalismo e os efeitos de subjetiva\u00e7\u00e3o.<\/em> In. Silva. A.E. et al. Subjetividade: quest\u00f5es contempor\u00e2neas. S\u00e3o Paulo, Hucitec.<br \/>\nSantos, M. (2002). <em>Por uma outra globaliza\u00e7\u00e3o: do pensamento \u00fanico \u00e0 consci\u00eancia universal<\/em>. Rio de Janeiro, Record.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Mirna Yamazato Koda<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":187430,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[357],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Disposi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica para o di\u00e1logo: algumas reflex\u00f5es - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/disposicao-psicologica-para-o-dialogo-algumas-reflexoes\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Disposi\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica para o di\u00e1logo: algumas reflex\u00f5es - 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