{"id":178456,"date":"2019-03-10T16:32:40","date_gmt":"2019-03-10T19:32:40","guid":{"rendered":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/?p=178456"},"modified":"2020-08-03T11:20:47","modified_gmt":"2020-08-03T14:20:47","slug":"amazonia-grito-lancado-a-consciencia-em-uma-terra-disputada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/amazonia-grito-lancado-a-consciencia-em-uma-terra-disputada\/","title":{"rendered":"Amaz\u00f4nia: &#8216;Grito lan\u00e7ado \u00e0 consci\u00eancia&#8217; em uma &#8216;terra disputada&#8217;"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_187403\" style=\"width: 850px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-187403\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-187403 size-full\" src=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/sinodo_0308.png\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/sinodo_0308.png 840w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/sinodo_0308-450x241.png 450w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/sinodo_0308-768x411.png 768w, https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/sinodo_0308-150x80.png 150w\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" \/><p id=\"caption-attachment-187403\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<em> \u00a0 \u00a0 Imagem ilustrativa: (fonte CNBB)<\/em><\/p><\/div>\n<p><strong>Moema Miranda <\/strong><\/p>\n<h2>Introdu\u00e7\u00e3o: \u201ca sirene n\u00e3o tocou\u201d (1)<\/h2>\n<p>Pela primeira vez em muitos anos, na verdade em s\u00e9culos, cientistas, s\u00e1bios das sociedades ind\u00edgenas e a mais alta autoridade da Igreja Cat\u00f3lica convergem na interpreta\u00e7\u00e3o dos tempos vigentes: vivemos uma \u201ccomplexa crise socioambiental\u201d (<em>LS<\/em>,139), de dimens\u00f5es sem precedentes. A Enc\u00edclica <em>Laudato Si&#8217;<\/em>, primeiro documento da Doutrina Social da Igreja dedicado ao tema socioambiental, apresenta um diagn\u00f3stico acurado das \u201cra\u00edzes humanas\u201d da crise que vivemos. Os cientistas mais proeminentes do mundo, no quinto Relat\u00f3rio do Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC)(2), apresentam dados inequ\u00edvocos sobre a gravidade das condi\u00e7\u00f5es atuais: temos apenas doze anos para operar mudan\u00e7as profundas nas formas de produzir, consumir e desperdi\u00e7ar. Como afirmou a cientista atmosf\u00e9rica Kate Marvel, da NASA: \u201cTemos hoje mais certeza de que os gases de efeito estufa est\u00e3o causando o aquecimento global do que temos de que o fumo causa c\u00e2ncer.\u201d(3)<\/p>\n<p>A dimens\u00e3o e a urg\u00eancia da crise socioambiental contribu\u00edram para aproximar estes campos <em>do e de<\/em> saber que, pelo menos desde o in\u00edcio da Modernidade, foram extremamente defensivos uns em rela\u00e7\u00e3o aos outros.<\/p>\n<p>A Floresta Amaz\u00f4nica, com seu bioma megadiverso, a variedade social e cultural que alberga, suas imensas reservas de \u00e1gua doce, o v\u00ednculo com o sistema de chuvas e a contribui\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para o equil\u00edbrio clim\u00e1tico de todo o globo \u00e9 <em>locus<\/em> privilegiado para a converg\u00eancia de saberes. Simultaneamente, a Amaz\u00f4nia \u00e9 paradigm\u00e1tica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s brutais amea\u00e7as \u00e0 vida, pr\u00f3pria dos tempos presentes.<\/p>\n<p>N\u00e3o quero parecer catastr\u00f3fica no in\u00edcio deste artigo. Mas considero que a seriedade de nossa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o autoriza ingenuidade, tanto quanto n\u00e3o permite inoc\u00eancia. \u00c9 preciso assumir uma atitude de profundo compromisso com a Terra e com a Hist\u00f3ria o que, do ponto de vista crist\u00e3o, significa compromisso com a Encarna\u00e7\u00e3o: s\u00e3o tempos extremos.<\/p>\n<p>Nesta ambi\u00eancia, em janeiro de 2019, na cidade de Puerto Maldonado, o Papa Francisco deu in\u00edcio ao processo preparat\u00f3rio do S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia, com o lema: \u201cNovos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral\u201d. Na reuni\u00e3o de abertura de sua viagem ao Peru, junto aos povos ind\u00edgenas, afirmou o Pont\u00edfice: \u201cMuito desejei este encontro\u201d. Mais ainda: \u201cN\u00f3s que n\u00e3o habitamos nestas terras<em> precisamos da vossa sabedoria e dos vossos conhecimentos<\/em> (&#8230;) para estarmos juntos no cora\u00e7\u00e3o da Igreja, solidarizando-nos com vossos desafios e, convosco, <em>reafirmamos uma op\u00e7\u00e3o <\/em>em defesa da vida, defesa da terra, defesa das culturas.\u201d (<em>idem, grifos meus<\/em>)<\/p>\n<p>Nesta frase de apar\u00eancia singela, est\u00e3o elementos centrais da perspectiva que hoje pode salvar a vida no planeta: a convers\u00e3o profunda, \u201cuma revolu\u00e7\u00e3o cultural\u201d (<em>LS<\/em>, 114), rumo \u00e0 ecologia integral. Sobre estes elementos estruturantes versam a presente reflex\u00e3o: respeito e reconhecimento da diversidade como elemento essencial do vivente e do que permite viver; solidariedade e respeito m\u00fatuo entre culturas e sociedades para a defesa simult\u00e2nea da vida, da terra e das culturas. E, finalmente, humildade para reconhecer que a sabedoria dos povos ind\u00edgenas, dos que vivem h\u00e1 mais tempo na floresta sem destruir, deve nos guiar no percurso de volta \u00e0 casa. Voltar a habitar a Casa Comum (4) como vivente amigo dos demais viventes: eis o desafio da humanidade.<\/p>\n<p>Mas, contra quem se afirma assim com tanta profundidade uma proposta que parece querer apenas o Bem? O bem comum, bem da terra, da vida e das culturas? Quais s\u00e3o as for\u00e7as que devastam a diversidade, a vida e a terra?<\/p>\n<p>Bom seria, aqui, apenas mostrar a imagem da lama t\u00f3xica da barragem de dejetos da empresa Vale S.A cobrindo quil\u00f4metros de ch\u00e3o e de rio no estado de Minas Gerais, Brasil: deixando no seu caminho tudo homog\u00eaneo, nada diverso. Tudo morto e marrom sob a sua passagem. Lembremos que a Vale S.A. \u00e9 uma das maiores empresas atuando na Amaz\u00f4nia. Ao lado disto, ver\u00edamos a dor dos que choram a morte de mais de trezentas pessoas e de uma quantidade, ainda incalculada, de \u00e1rvores, flores, r\u00e3s, peixes, flores e rios. Ver\u00edamos, por outro lado, o presidente da empresa apresentar os c\u00e1lculos da recupera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida do valor de suas a\u00e7\u00f5es e comparar o que ocorreu na cidade de Brumadinho a um \u201cacidente de avi\u00e3o\u201d. N\u00e3o. N\u00e3o foi acidente. E dizer as palavras que nominam, sem encobrir, \u00e9 urgente neste tempo em que a lama pode homogeneizar a percep\u00e7\u00e3o superficial de qualquer fato. \u201cN\u00e3o houve aqui um acidente. Houve um crime ambiental e um homic\u00eddio coletivo\u201d (5) , afirmou Dom Joaquim Mol, bispo auxiliar de Belo Horizonte na Missa rezada um dia ap\u00f3s o crime.<\/p>\n<p>Em honra aos que morreram em Brumadinho, aos que lutaram contra a permiss\u00e3o para expans\u00e3o da barragem e aos que defendem as v\u00edtimas humanas e n\u00e3o humanas deste crime, que poderia ter sido na Amaz\u00f4nia, come\u00e7amos nossa reflex\u00e3o com o subt\u00edtulo \u201ca sirene n\u00e3o tocou!\u201d. Esta \u00e9 uma met\u00e1fora para nossos tempos: o Mal, o que homogeniza e nega a vida, n\u00e3o vir\u00e1 tocando sirenes e anunciando sua chegada. E, ainda assim, n\u00e3o temos o direito de ficar distra\u00eddos (6) . Por isto, com o Papa e com a Igreja buscamos \u201cnovos caminhos\u201d, que nos permitam defender a Amaz\u00f4nia e a vida. A ecologia cultural e social, indica um rumo urgente e portador de esperan\u00e7a.<\/p>\n<h2>Vivo e diverso: assim \u00e9 nosso mundo!<\/h2>\n<p>Nos anos 60 do s\u00e9culo passado, no \u00e2mbito da corrida armamentista e espacial, o cientista James Lovelock (7) , da NASA, foi encarregado de estudar os planetas pr\u00f3ximos buscando ind\u00edcios de possibilidade de vida. Na compara\u00e7\u00e3o entre a Terra e Marte, o cientista percebeu que o nosso \u00e9 um planeta com caracter\u00edsticas \u00fanicas, distinto dos vizinhos. Examinando em detalhes, afirmou que a Terra \u00e9 um \u201csuperorganismo vivo\u201d. Ou seja, a vida n\u00e3o se fez sobre a Terra, como algo superficial. Ao contr\u00e1rio, o planeta alberga e aninha a vida. Aqui, em processos longu\u00edssimos de evolu\u00e7\u00e3o, foram sendo gestadas as condi\u00e7\u00f5es que criaram as possibilidades para que a Vida se fizesse. E esta avan\u00e7ou do simples ao complexo. Passando do quase homog\u00eaneo ao cada vez mais diverso, mais plural. Pode parecer \u00f3bvio, mas n\u00e3o \u00e9. Esta afirma\u00e7\u00e3o contradiz o paradigma que orientou a ci\u00eancia durante a Modernidade, quando o Cosmos passou a ser compreendido segundo um modelo mec\u00e2nico: Terra inerte, inanimada, coisa extensa, com propriedades definidas por leis mec\u00e2nicas e imut\u00e1veis.<\/p>\n<p>Ao nominar sua descoberta \u201cHip\u00f3tese Gaia\u201d, James Lovelock recorreu ao nome de uma antiga deidade grega. Gaia \u00e9 uma for\u00e7a vital, anterior ao nascimento dos deuses do Olimpo. Esta compreens\u00e3o t\u00e3o contempor\u00e2nea aproxima-se da sensibilidade e da sabedoria ancestral dos povos: a Terra \u00e9 casa comum dos viventes, como afirma o Papa Francisco na <em>Laudato Si&#8217;<\/em>. Mas ela \u00e9 mais que isto, \u00e9 fonte geradora de vida, \u00e9 matriz que permite ao vivo se fazer vivente. Ela \u00e9 co-criadora. Segue a obra criadora de Deus, Pai, permitindo que a vida v\u00e1 adquirindo formas cada vez mais complexas. Por isto, a Terra \u00e9 M\u00e3e.<\/p>\n<p>Para a sensibilidade crist\u00e3, durante muitos anos esta imagem gerou p\u00e2nico: estaria ela reacendendo antigas supersti\u00e7\u00f5es pag\u00e3s pante\u00edstas? N\u00e3o temos como nos deter em uma an\u00e1lise mais profunda destas din\u00e2micas. Mas a Enc\u00edclica <em>Laudato Si&#8217;<\/em> j\u00e1 responde a estas apreens\u00f5es, quando assume o carisma franciscano, rompendo com uma leitura romantizada e infantilizadora do C\u00e2ntico das Criaturas de S\u00e3o Francisco de Assis: terra como \u201cm\u00e3e e irm\u00e3\u201d, que \u201csustenta e governa\u201d. Aquela que governa e, portanto, determina os limites. Aquela a quem devemos escutar e obedecer.<\/p>\n<p>Aqui, dois princ\u00edpios vitais emergem na converg\u00eancia entre ci\u00eancia, sabedoria ind\u00edgena e leitura crist\u00e3 do mundo. O primeiro, \u00e9 que a<em> diversidade \u00e9 a express\u00e3o da vida<\/em>, de sua riqueza e for\u00e7a. Afirmou o Papa Francisco em Puerto Maldonado: \u201cVejo que viestes dos diferentes povos origin\u00e1rios da Amaz\u00f4nia (&#8230;) Obrigado pela vossa presen\u00e7a e por nos ajudardes a ver mais de perto, nos vossos rostos, o reflexo desta terra. Um <em>rosto plural, duma variedade infinita<\/em> e <em>duma enorme riqueza biol\u00f3gica, cultural e espiritual.<\/em> N\u00f3s, que n\u00e3o habitamos nestas terras, precisamos da vossa sabedoria.\u201d (Idem, grifos meus)<\/p>\n<p>O segundo princ\u00edpio, \u00e9 que a <em>Terra cont\u00e9m em si sabedoria<\/em>, tem express\u00e3o sagrada, deve ser escutada e respeitada. N\u00e3o \u00e9 inerte. N\u00e3o \u00e9 sem vida. N\u00e3o \u00e9 coisa extensa, que pode ser explorada ilimitadamente. Re-aprender a colocar-se em escuta do que nos diz a Terra \u00e9 tarefa essencial, que requer convers\u00e3o em muitos planos: cultural e espiritual; cient\u00edfica e pol\u00edtica. E, tamb\u00e9m, econ\u00f4mica: o <em>nomus<\/em>, a norma da administra\u00e7\u00e3o da casa, deve estar subordina ao seu logos, ao seu saber, sua sabedoria e seus limites. Afirmou o cacique e xam\u00e3 Yanomani, Davi Kopenawa, em debate com empresas mineradoras que desejam abrir cavas em seu territ\u00f3rio: \u201cN\u00e3o somos apenas n\u00f3s, povos ind\u00edgenas, que vivemos na nossa terra. Voc\u00eas querem perguntar a todos os moradores da floresta o que eles acham sobre a minera\u00e7\u00e3o? Ent\u00e3o perguntem aos animais, \u00e0s plantas, ao trov\u00e3o, ao vento, aos esp\u00edritos <em>xapiri<\/em>, pois todos eles vivem na floresta. A floresta tamb\u00e9m pode se vingar de n\u00f3s, quando ela \u00e9 ferida.\u201d<\/p>\n<p>Os tempos que vivemos, por seu extremo risco e perigo, exigem de n\u00f3s, na Igreja, abertura ao sopro do novo. \u201cNovos caminhos\u201d, busca o S\u00ednodo. E pode parecer incr\u00edvel que alguns dos novos caminhos sejam aqueles esquecidos pela ruptura Moderna do v\u00ednculo entre a humanidade e sua casa. Afirma o Papa na <em>Laudato Si&#8217;<\/em> que, em rela\u00e7\u00e3o a Terra, \u201ccrescemos a pensar que \u00e9ramos seus propriet\u00e1rios e dominadores, autorizados a saque\u00e1-la.\u201d (<em>LS<\/em>,2) Por isto, precisamos nos converter.<\/p>\n<p>Tanto quanto James Lovelock, um cientista agn\u00f3stico, em seus estudos cient\u00edficos precisou utilizar uma nomina\u00e7\u00e3o que remetia a antigas conex\u00f5es entre a Terra e o sagrado, tamb\u00e9m n\u00f3s precisamos nos colocar nesta abertura. Encontraremos entre os tesouros crist\u00e3os, tais como o C\u00e2ntico das Criaturas e muitos outros, contribui\u00e7\u00f5es fundamentais para os tempos presentes. E para este di\u00e1logo eco-l\u00f3gico com ind\u00edgenas e cientistas.<\/p>\n<h2>Tr\u00eas li\u00e7\u00f5es comuns para a Ecologia Social e Cultural<\/h2>\n<p>Em Puerto Maldonado, o Papa Francisco, ap\u00f3s ouvir os l\u00edderes ind\u00edgenas, reconheceu que estes povos \u201ctalvez nunca tenham estado t\u00e3o amea\u00e7ados quanto est\u00e3o hoje\u201d. Mais, afirmou que a Amaz\u00f4nia \u00e9 \u201cterra disputada\u201d. Por um lado, em defesa da diversidade e das condi\u00e7\u00f5es de vida <em>da e na<\/em> floresta est\u00e3o os povos em sua imensa variedade. E n\u00e3o apenas os ind\u00edgenas, mas tamb\u00e9m camponeses, ribeirinhos e quilombolas. Contra eles, as for\u00e7as que homogenizam, buscando transformar tudo em dinheiro, em lucro, em acumula\u00e7\u00e3o ilimitada. Nomeava o Papa naquela ocasi\u00e3o a amea\u00e7a da \u201c<em>nova ideologia extrativa<\/em> e a forte press\u00e3o de grandes interesses econ\u00f4micos <em>cuja avidez<\/em> se centra no petr\u00f3leo, g\u00e1s, madeira, ouro e monoculturas agroindustriais\u201d. Sob a hegemonia das for\u00e7as do mercado que servem ao \u201cdeus dinheiro\u201d, a avidez n\u00e3o reconhece limites. E aqui temos uma grande li\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica a aprender nesta comunh\u00e3o entre sabedoria ind\u00edgena e carisma crist\u00e3o. Em uma Terra limitada, um organismo vivo, \u00e9 essencial reconhecer e respeitar ritmos e limites: h\u00e1 um tempo de plantar e um tempo de colher. H\u00e1 um tempo de descansar. A avidez do capital \u00e9, assim, contr\u00e1ria aos ritmos que governam a vida e que os povos que se conectam com a terra conhecem por experi\u00eancia pr\u00f3pria. Mais, ele gerou, especialmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, uma terr\u00edvel distor\u00e7\u00e3o que permite que muito poucos acumulem uma quantidade insustent\u00e1vel de riqueza. Os mega-rico hoje amea\u00e7am a sobreviv\u00eancia da vida no planeta. Na Amaz\u00f4nia e em todos os pa\u00edses latino-americanos, assistimos a uma terr\u00edvel regress\u00e3o das legisla\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o social e ambiental, regidas pela l\u00f3gica de favorecimento \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o ilimitada. Evidentemente, din\u00e2mica gera na outra ponta um n\u00famero crescente de empobrecidos. Este desequil\u00edbrio \u00e9 insustent\u00e1vel tanto para a vida quanto para a dignidade da humanidade\u00a0 (8).<\/p>\n<p>O sentido de limite est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o da proposta de \u201csobriedade\u201d, apresentada na <em>Laudato Si&#8217;<\/em>. Em uma terra limitada, a insanidade da avidez das for\u00e7as extrativistas ser\u00e1 letal. Aprendizado ecol\u00f3gico comum n\u00famero um: limites.<\/p>\n<p>Ao longo de muitos anos, a ideologia do \u201cprogresso\u201d se assentou no princ\u00edpio de acumula\u00e7\u00e3o de bens materiais, sem levar em conta que as mat\u00e9rias primas necess\u00e1rias aos produtos e bens de consumo, t\u00eam origem na Terra e que devem ter limites em seu uso, definidos pela pr\u00f3pria Terra. Ideias de reciclagem e reuso deixaram de ser valorizadas.<\/p>\n<p>A crise clim\u00e1tica, express\u00e3o mais acabada da impossibilidade da Terra de suportar este padr\u00e3o de a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica, urge uma altera\u00e7\u00e3o profunda nestas concep\u00e7\u00f5es. Como sabiamente afirma o Papa Francisco na <em>Laudato Si&#8217;<\/em> \u201c\u00e9 preciso redefinir o progresso.\u201d Por isto nos convida a uma \u201csobriedade feliz\u201d, que permita o v\u00ednculo com outros elementos que garantem felicidade e que n\u00e3o se assentam na passageira alegria do adquirir mais bens materiais. T\u00e3o pr\u00f3ximo ao sentido de pobreza expresso por S\u00e3o Francisco: pobres porque livres de necessidade e confiantes na bondade e provid\u00eancia de Deus, Criador, que fez um mundo de amor, capaz de saciar tanto aos p\u00e1ssaros quanto aos humanos. Lembremos do Evangelho da Comunidade de Marcos que nos estimula a aprender com os l\u00edrios a n\u00e3o acumular. Sabedoria imersa e pr\u00f3pria a todo o Criado. O sentido de pobreza, tanto quanto o de riqueza, devem ser radicalmente redesenhados em sentido ecol\u00f3gico. Uma <strong>ecologia<\/strong> cultural, um novo <em>sentirpensar<\/em>, como estimulava o famoso soci\u00f3logo colombiano Orlando Fals Borda, pode nos ajudar.<\/p>\n<p>Ainda uma vez, argumenta com sabedoria David Kopenawa, no artigo mencionado: \u201cvoc\u00eas falam que somos pobres e que nossa vida vai melhorar. Mas o que voc\u00eas conhecem da nossa vida para falar o que vai melhorar? S\u00f3 porque somos diferentes de voc\u00eas, que vivemos de forma diferente, que damos valor para coisas diferentes, isso n\u00e3o quer dizer que somos pobres. N\u00f3s Yanomami temos outras riquezas deixadas pelos nossos antigos que<em> voc\u00eas, brancos, n\u00e3o conseguem enxergar:<\/em> a terra que nos d\u00e1 vida, a \u00e1gua limpa que tomamos, nossas crian\u00e7as satisfeitas.\u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 aqui um chamado profundo a \u201cdeixar cair as escamas dos olhos\u201d, como nos chamou Jesus: olhar com olhos novos a Cria\u00e7\u00e3o. Redefinir o sentido de riqueza e pobreza, eis a segunda li\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica que o di\u00e1logo intercultural nos permite.<\/p>\n<p>Finalmente, e retornando ao conceito forjado por Orlando Fals Borda, a ecologia cultural nos permite repensar, ou melhor, <em>sentirpensar<\/em>, o pr\u00f3prio conhecimento: para que conhecemos? Como geramos conhecimento? O que \u00e9 saber? A tecnoci\u00eancia, possibilitada pela epistemologia gerada na e pela Modernidade, est\u00e1 entre as \u201cra\u00edzes humanas\u201d da crise atual, como identifica o Papa na<em> Laudato Si&#8217;<\/em>. Evidentemente, este tema merece um aprofundamento que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nos marcos deste artigo. Assim, apenas indicaremos alguns aspectos importantes a serem levados em conta.<\/p>\n<p>No Ocidente, a partir da Modernidade, \u201csaber \u00e9 poder\u201d, como sintetizou Francis Bacon (9) , pai do m\u00e9todo cient\u00edfico. Bacon afirmava que a ci\u00eancia permitiria ao \u201chomem\u201d retornar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-ad\u00e2mica e cumprir o mandato divino expresso em G\u00eanesis 1,28: \u201cdominai\u201d. Estamos no cora\u00e7\u00e3o ferido do sonho prometeico: conhecimento que conduziria do dom\u00ednio sobre a \u201cnatureza\u201d \u00e0 supera\u00e7\u00e3o da necessidade e, da\u00ed, em liberdade, ao \u00e1pice do projeto de desenvolvimento humano. Terreno super-sens\u00edvel, que ensejou in\u00fameras e sofisticadas reflex\u00f5es filos\u00f3ficas, cient\u00edficas e teol\u00f3gicas. Me limito a chamar a aten\u00e7\u00e3o para como a gravidade da crise ambiental evidencia o v\u00ednculo intr\u00ednseco, ainda que lament\u00e1vel, entre um determinado tipo de saber e o poder destruidor. A bomba at\u00f4mica em Nagasaki e Hiroshima, em 1945, abriu uma ferida ampliada com a \u201cgrande acelera\u00e7\u00e3o\u201d que amea\u00e7a as possibilidades da vida no planeta.<\/p>\n<p>Na Enc\u00edclica <em>Laudato Si&#8217;<\/em>, o Papa Francisco assume a urg\u00eancia de re-interpretar o sentido do mandato \u201cdominai\u201d. Ele segue aqui perspectiva que j\u00e1 vem sendo trabalhada por diferentes te\u00f3logos e te\u00f3logas. Afirma na Enc\u00edclica: \u201cSe \u00e9 verdade que n\u00f3s, crist\u00e3os, algumas vezes interpretamos de forma incorreta as Escrituras, hoje devemos decididamente rejeitar que, do facto de ser criados \u00e0 imagem de Deus e do mandato de dominar a terra, se deduza um dom\u00ednio absoluto sobre as outras criaturas. \u00c9 importante ler os textos b\u00edblicos no seu contexto, com uma justa hermen\u00eautica, e lembrar que nos convidam a \u00abcultivar e guardar\u00bb o jardim do mundo (cf. Gn 2, 15) (&#8230;) Em \u00faltima an\u00e1lise, \u00abao Senhor pertence a terra\u00bb (Sl 24\/23, 1), a Ele pertence \u00aba terra e tudo o que nela existe\u00bb (Dt 10, 14)\u201d (LS, 67).<\/p>\n<p>As implica\u00e7\u00f5es epistemol\u00f3gicas desta convers\u00e3o s\u00e3o profundas: conhecer para melhor amar e servir. Conhecer n\u00e3o para desenvolver mas, ao contr\u00e1rio, para nos envolvermos mais com a terra, com os rios, com o destino da floresta.<br \/>\nN\u00e3o apenas no \u00e2mbito do cristianismo vem sendo suscitada esta convers\u00e3o. A emerg\u00eancia das ci\u00eancias do Sistema Terra contribui para a supera\u00e7\u00e3o de um saber fragment\u00e1rio e mecanicista, destinado apenas a \u201cdescrever\u201d, \u201cdominar\u201d e gerar \u201cpoder\u201d. S\u00e3o reconhecidos os alertas incessantes e crescentes que a comunidade cient\u00edfica vem fazendo, pelo menos a partir da d\u00e9cada de 80 do s\u00e9culo passado, quanto \u00e0 urg\u00eancia de altera\u00e7\u00e3o nos padr\u00f5es da presen\u00e7a antr\u00f3pica. A responsabilidade humana no aquecimento global e na supera\u00e7\u00e3o de in\u00fameros aspectos dos limites do planeta s\u00e3o hoje apontados quase que unanimemente pelos cientistas.<\/p>\n<p>Lamentavelmente, a esta converg\u00eancia de progn\u00f3stico que aproxima cientistas &#8211; 97% dos climat\u00f3logos afirmam as causas humanas do aquecimento global(12) -, a sabedoria ind\u00edgena e muitas vertentes crist\u00e3s e de outras religi\u00f5es, contrap\u00f5e-se com for\u00e7a impressionante o movimento <em>negacionista!<\/em> Hoje, apenas 15% dos americanos aceitam e assumem a responsabilidade humana no aquecimento global. Ap\u00f3s o \u00faltimo relat\u00f3rio do IPCC, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse n\u00e3o estar convencido da veracidade do consenso cient\u00edfico, j\u00e1 que \u201cos cientistas t\u00eam uma grande agenda pol\u00edtica\u201d. O atual presidente do Brasil, pa\u00eds que det\u00e9m 67% da Floresta Amaz\u00f4nica, Jair Bolsonaro, tamb\u00e9m se assume como <em>negacionista<\/em> clim\u00e1tico. Ora, ao n\u00e3o estarem convencidos das responsabilidades da a\u00e7\u00e3o humana na destrui\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, o est\u00edmulo em rela\u00e7\u00e3o a pr\u00e1ticas econ\u00f4micas que mantenham o padr\u00e3o destrutivo deve seguir.<\/p>\n<p>Aqui voltamos ao ponto inicial de nossa reflex\u00e3o: a Amaz\u00f4nia \u00e9 \u201cterra disputada\u201d pela \u201cavidez extrativista\u201d, que desmata para produ\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio, da pecu\u00e1ria e da minera\u00e7\u00e3o. Diante disto, a sensibilidade ecol\u00f3gica lan\u00e7a um \u201cgrito a nossa consci\u00eancia\u201d e espera da Igreja \u201c<em>reafirmar uma op\u00e7\u00e3o<\/em> em defesa da vida, defesa da terra, defesa das culturas.\u201d (Papa Francisco em Puerto Maldonado).<\/p>\n<p>Nesta op\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estaremos s\u00f3s, como vimos ao longo deste artigo. Aqui, uma vez mais podemos escutar a voz do Senhor que nos diz: \u201cOs c\u00e9us e a terra tomo hoje por testemunhas contra v\u00f3s, de que te tenho proposto a vida e a morte, a b\u00ean\u00e7\u00e3o e a maldi\u00e7\u00e3o; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descend\u00eancia. \u201c(Dt, 30, 19).<\/p>\n<h2>Em conclus\u00e3o<\/h2>\n<p>Ao longo dos \u00faltimos meses, nas dioceses da Amaz\u00f4nia, a <strong>REPAM<\/strong>, Rede Eclesial da Pan-Amaz\u00f4nia, em sintonia com a Secretaria para o S\u00ednodo e com o chamado do Papa Francisco em Puerto Maldonado, esteve envolvida em um intenso processo de escuta, preparat\u00f3rio para o S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia. Os resultados, com todo o rigor e detalhes necess\u00e1rios, alimentar\u00e3o a elabora\u00e7\u00e3o do <em>Instrumento Laboris<\/em>, pr\u00f3xima etapa do Processo Sinodal.<\/p>\n<p>Ao acompanhar algumas das atividades realizadas, e no \u00e2mbito desta reflex\u00e3o sobre ecologia cultural e social, gostaria de terminar este artigo com o que me parecem ser tr\u00eas indica\u00e7\u00f5es importantes vindas das escutas territoriais. O que espera o Povo de Deus de seus Pastores, Padres Sinodais, na \u201cterra disputada\u201d da Amaz\u00f4nia:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">1. Que estejam ao seu lado na luta em defesa da Vida, de seus territ\u00f3rios, de suas culturas, espiritualidades e direitos. Reconhe\u00e7am, como o Papa Francisco, seu protagonismo e os respeitem como interlocutores que tem um importante conhecimento a compartilhar. A defesa de sua terra e territ\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 ego\u00edsta ou retr\u00f3grada. Ao contr\u00e1rio, como afirmou David Kopenawa, fazendo eco ao que dizem camponeses, quilombolas e ind\u00edgenas de diferentes etnias:<br \/>\n\u201cN\u00e3o estamos preocupados apenas com o que vai acontecer com os povos ind\u00edgenas. Voc\u00eas pensam que os brancos n\u00e3o ser\u00e3o afetados? Voc\u00eas n\u00e3o aprendem com o que est\u00e1 acontecendo no mundo? Est\u00e1 ficando mais quente, em outros lugares o clima est\u00e1 mudando, os grandes rios est\u00e3o morrendo, os animais tamb\u00e9m est\u00e3o morrendo e todos est\u00e3o sofrendo. Voc\u00eas ainda n\u00e3o aprenderam que esse tipo de desenvolvimento pode matar todos n\u00f3s?\u201d<br \/>\n2. Solicitam, portanto, que os pastores conhe\u00e7am e amem suas ovelhas. Que \u201ctenham o cheiro das ovelhas\u201d e que andem em seu meio como quem est\u00e1 em casa.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 40px;\">3.Mas fazem ainda um alerta imprescind\u00edvel, como bem sintetizou Sandro Gallazzi, biblista ligado ao Cebi, no Brasil: para ser Pastor \u00e9 essencial \u201c<em>conhecer o lobo<\/em>\u201d. Ou seja, n\u00e3o apenas estar ao lado das ovelhas, mas reconhecer quem as amea\u00e7a, de que meios se valem para criminalizar e perseguir lideran\u00e7as; como fazem para cooptar e dividir as comunidades. Como diz Santo In\u00e1cio, hoje mais do que nunca, \u00e9 essencial distinguir o mal que se disfar\u00e7a de Bem. N\u00e3o estamos diante de uma disputa apenas espiritual, n\u00e3o \u00e9 suficiente uma leitura acad\u00eamica e distanciada. Aqui, dar nome, nominar \u00e9, como foi desde o G\u00eanesis, distinguir e criar condi\u00e7\u00f5es para fazer ju\u00edzo. E, assim, escolher!<\/p>\n<p>Coragem: n\u00e3o estamos s\u00f3s! Que Nossa Senhora da Amaz\u00f4nia guarde, ilumine e inspire a caminhada Sinodal de nossa Igreja!<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Moema Miranda<\/strong> <em>\u00e9 leiga franciscana, da Ordem Francisca Secular, antrop\u00f3loga e doutoranda em Filosofia pela PUC-RJ. Pesquisadora do Instituto Teol\u00f3gico Franciscano, secret\u00e1ria da Rede Igrejas e Minera\u00e7\u00e3o e do Di\u00e1logo dos Povos AL\/\u00c1frica. Assessora da Rede Eclesial da Pan-Amaz\u00f4nia.<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p style=\"padding-left: 40px;\"><strong>1.<\/strong> Este texto foi elaborado para o Semin\u00e1rio \u201cRumo ao S\u00ednodo para a Amaz\u00f4nia: dimens\u00e3o regional e universal\u201d, realizado em Roma entre 25 e 27 de fevereiro de 2019, pela secretaria do S\u00ednodo. Tem como refer\u00eancia os textos sobre \u201cEcologia ambiental\u201d, elaborado por Frei Eduardo Agosta e sobre \u201cEcologia Pol\u00edtica e Econ\u00f4mica\u201d, elaborado por Dom Evaristo Spengler. Os trechos entre aspas no t\u00edtulo, referem-se ao discurso do Papa Francisco em Puerto Maldonado, 19\/fevereiro, 2018: http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/speeches\/2018\/january\/documents\/papa-francesco_20180119_peru-puertomaldonado-popoliamazzonia.html<br \/>\nApesar dos acordos estabelecidos pela companhia Vale S.A ap\u00f3s o crime de Mariana, o sistema de sirenes de alerta tamb\u00e9m n\u00e3o funcionou a tempo em Brumadinho, em janeiro 2019.<br \/>\n<strong>2.<\/strong> https:\/\/www.ipcc.ch\/sr15\/<br \/>\n<strong>3.<\/strong> https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2019\/feb\/06\/trump-state-of-the-union-climate-change?CMP=Share_iOSApp_Other.<br \/>\n<strong>4.<\/strong> BUSCEMI, M Soave (2007). Eu, Terra do Meio. S. Bernardo do Campo: Nhanduti Editora.<br \/>\n<strong>5.<\/strong> Dom Joaquim Mol, bispo auxiliar de Belo Horizonte, durante missa do dia 28\/01\/2019 http:\/\/www.falachico.org\/2019\/01\/dom-joaquim-mol-brumadinho-nao-houve.html<br \/>\n<strong>6<\/strong>. \u201cN\u00e3o nos fa\u00e7amos de distra\u00eddos [olhando para o ouro lado]! H\u00e1 muita cumplicidade&#8230; [2]\u201d Papa Francisco, Discurso em Puerto Maldonado.<br \/>\n<strong>7.<\/strong> LOVELOCK, James (2006). A vingan\u00e7a de Gaia. Rio de Janeiro: Intr\u00ednseca<br \/>\n<strong>8<\/strong>. Dados atualizados podem ser encontrados no Relat\u00f3rio da Oxfam, https:\/\/www.oxfam.org.br\/node\/428\/done?sid=7446&amp;token=dd8313f063a892d746f64d432ae7845b. Ver tamb\u00e9m o artigo de Dom Evaristo, j\u00e1 mencionado anteriormente.<br \/>\n<strong>9.<\/strong> BACON, Francis (1973). Novum organum ou verdadeiras indica\u00e7\u00f5es acerca da interpreta\u00e7\u00e3o da natureza. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural. P.7-237 (Cole\u00e7\u00e3o Os Pensadores)<br \/>\n<strong>10<\/strong>. https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2019\/feb\/06\/trump-state-of-the-union-climate-change?CMP=Share_iOSApp_Other<\/p>\n<p><em>Foto: Vatican News<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Moema Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":187404,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[40],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>Amaz\u00f4nia: &#039;Grito lan\u00e7ado \u00e0 consci\u00eancia&#039; em uma &#039;terra disputada&#039; - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/amazonia-grito-lancado-a-consciencia-em-uma-terra-disputada\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Amaz\u00f4nia: &#039;Grito lan\u00e7ado \u00e0 consci\u00eancia&#039; 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