{"id":17205,"date":"2012-09-07T10:55:12","date_gmt":"2012-09-07T13:55:12","guid":{"rendered":"http:\/\/new.franciscanos.org.br\/?p=17205"},"modified":"2021-09-03T15:18:21","modified_gmt":"2021-09-03T18:18:21","slug":"economia-e-vida-na-casa-da-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/economia-e-vida-na-casa-da-biblia\/","title":{"rendered":"&#8220;Economia e vida na casa da B\u00edblia&#8221;"},"content":{"rendered":"<p align=\"left\"><strong>Frei Jacir de Freitas Faria\u00a0(1)<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Falar de economia\u00a0<strong>(2)<\/strong>\u00a0\u00e9 falar da casa. Diz o ditado popular: \u201cQuem casa quer casa!\u201d. O substantivo casa vem do grego,\u00a0<em>oikos<\/em>, e significa a casa do mundo e de cada ser humano no seu pr\u00f3prio corpo e no lugar onde ele habita.\u00a0<em>Oikos<\/em>\u00a0\u00e9 a casa natal. Casa \u00e9 inv\u00f3lucro de cada um de n\u00f3s, a constru\u00e7\u00e3o material onde ocorrem rela\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas em fun\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia. Quanto melhor estiverem organizadas essas rela\u00e7\u00f5es, melhor ser\u00e1 a vida familiar. Os gregos, ao mencionar a casa, falam das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas dom\u00e9sticas, caseiras, que gerenciam a casa. E \u00e9 da\u00ed que vem um outro termo grego,<em>oikonomia<\/em>, que significa a lei (<em>nomos<\/em>) que rege a casa (<em>oikos<\/em>), isto \u00e9, economia.<\/p>\n<p>A B\u00edblia, ao falar da \u201cCasa de Israel\u201d, apresenta rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas dentro e fora dela. A sua l\u00f3gica \u00e9 a de que Deus pede ao ser humano que administre a casa, o mundo, que Ele lhe ofereceu para dele ser o regente. \u201c<em>Crescei, multiplicai e regei a o mundo<\/em>\u201d (Gn 1,28). Ademais, Deus viu que tudo que ele fez era bom! (Gn 1,10), isto \u00e9, um bem, um valor que deve ser querido por todos, no cuidado, no uso e na sua aquisi\u00e7\u00e3o. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 considerar os bens negativamente, mas relacionar-se com eles de modo a gerar vida para todos. Falar da vida \u00e9 falar de economia. Economia e vida na casa da B\u00edblia de ontem e de hoje, eis o desafio da reflex\u00e3o que segue.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>A casa da B\u00edblia acolhe a vida do in\u00edcio ao fim<\/strong><\/p>\n<p>A B\u00edblia como literatura \u00e9 uma grande casa que acolhe judeus e crist\u00e3os. O seu organizador final, sem a preocupa\u00e7\u00e3o com a data\u00e7\u00e3o dos livros, os disp\u00f4s de modo a apresentar a vida de modo inclusivo, a mesma ideia no in\u00edcio e no fim. Assim, a primeira casa do ser humano, segundo o primeiro livro da B\u00edblia, \u00e9 o\u00a0<em>Para\u00edso Terrestre<\/em>, com as suas \u00e1rvores da vida e a do conhecimento do bem e do mal (Gn 2,9).<strong>\u00a0(3)<\/strong>\u00a0O \u00faltimo livro da B\u00edblia, o Apocalipse, a fecha, com a narrativa da\u00a0<em>Jerusal\u00e9m Celeste<\/em>, no contexto de um novo c\u00e9u e de uma nova terra. Assim como no G\u00eanesis, o Apocalipse tem uma \u00e1rvore da vida no seu centro. Jerusal\u00e9m, no fim da B\u00edblia, torna-se o s\u00edmbolo da esperan\u00e7a perdida com a decis\u00e3o do ser humano, simbolicamente representada por Ad\u00e3o e Eva, em aceitar a proposta da serpente de comer do fruto da \u00e1rvore do bem e do mal. A serpente de G\u00eanesis vence Deus na luta do ser humano em ter que optar entre o caminho da vida e o da morte. Sair do para\u00edso foi o mesmo que optar pelo caminho da morte, que a teologia chamou de pecado, a queda do para\u00edso. Contraditoriamente, a decis\u00e3o do ser humano implicou em viver na liberdade de poder decidir. Parece que a vida no para\u00edso era muito mon\u00f3tona. Ad\u00e3o e Eva, prot\u00f3tipos de seres humanos, mas n\u00e3o reais, acabaram criando problema para Deus e para eles mesmos. Viver fora do para\u00edso tornou-se dif\u00edcil. Com o suor do rosto, o ser humano passou a lutar pela sobreviv\u00eancia. A terra fora do para\u00edso tem espinhos, precisa ser arada. Como releitura desse epis\u00f3dio da sa\u00edda do para\u00edso, o Segundo Testamento\u00a0<strong>(4)<\/strong>\u00a0(ST), em Lc 22,44, narra que Jesus, antes de morrer, antes de voltar para o para\u00edso celeste, suou l\u00e1grimas de sangue sobre a terra de Jerusal\u00e9m, no Getsemani, em uma profunda agonia. O sangue de Jesus devolveu a vida, a b\u00ean\u00e7\u00e3o, para a terra, outrora maldita<strong>\u00a0(5)<\/strong>. Ad\u00e3o e Eva, ao deixarem o para\u00edso das rela\u00e7\u00f5es corp\u00f3reas integradas, tiveram que se dar ao labor de gerar filhos. O \u00f3rg\u00e3o genital masculino passou a ser um instrumento \u2013 em hebraico,\u00a0<em>k\u00eali<\/em>, e \u00e9 usado para designar os substantivos instrumento e p\u00eanis -, que coloca a semente na terra aberta, o \u00f3rg\u00e3o genital feminino, para gerar a descend\u00eancia. E quem n\u00e3o cumprisse esse sagrado mandamento seria maldito uma segunda vez. O homem gera a vida, da\u00ed tamb\u00e9m os substantivos fonte (<em>ad<\/em>) e pai (<em>ab<\/em>) terem a mesma raiz. A mulher foi culpada pela perda do para\u00edso. Para se lembrar disso, ela passou a ter as dores do parto. E toda vez que ela trabalhar para amassar o p\u00e3o, o seu servi\u00e7o ser\u00e1 a mem\u00f3ria da massa de terra, da qual foi feito o homem, que perdeu o para\u00edso por sua culpa. Esse transferir a culpa para a mulher perpetuou-se no juda\u00edsmo, passou para o cristianismo.<\/p>\n<p>No centro da B\u00edblia est\u00e3o os livros de Malaquias e Mateus, encerrando o Primeiro Testamento (PT) e iniciando o Segundo.\u00a0<em>Malaquias<\/em>\u00a0termina falando do profeta Elias e seu retorno eminente: \u201c<em>Eis que vos enviarei Elias, o profeta, antes que chegue o Dia de Jav\u00e9, grande e terr\u00edvel<\/em>\u201d (Ml 3,23-24). Elias, o profeta que foi para Deus em um carro de fogo, voltar\u00e1 para o grande julgamento. O\u00a0<em>Evangelho de Mateus<\/em>\u00a0inicia falando de Jesus, chamando-o de Filho de Davi, Abra\u00e3o, e Messias enviado por Deus. Assim, Elias e Jesus, dois personagens \u00edmpares do juda\u00edsmo e cristianismo, est\u00e3o no centro da B\u00edblia. Os judeus sempre acreditaram que Elias voltar\u00e1. Os judeus conterr\u00e2neos de Jesus chegaram a dizer que Jesus seria a encarna\u00e7\u00e3o de Elias. Para os crist\u00e3os, Jesus ressuscitado \u00e9 o centro da f\u00e9. J\u00e1 dizia S\u00e3o Paulo: \u201cEm v\u00e3o seria a nossa f\u00e9 se Cristo n\u00e3o tivesse ressuscitado\u201d. E foi Jesus mesmo que disse; \u201c<em>Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida<\/em>!\u201d (Jo 14,6). Elias e Jesus s\u00e3o s\u00edmbolos de vida.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Gn 1-11: o mundo \u00e9 a casa que Deus deu a Israel para cuidar<\/strong><\/p>\n<p>Uma das p\u00e1ginas mais famosas da B\u00edblia, Gn 1-11, \u00e9 o relato m\u00edtico da experi\u00eancia de vida do ser humano em sua primeira casa, o \u00c9den. Nele estamos todos n\u00f3s. As m\u00e1s rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas levaram o ser humano a viver a sina da saudade do para\u00edso perdido.<\/p>\n<p>Quem l\u00ea as hist\u00f3rias de Ad\u00e3o e Eva se v\u00ea qual outro Ad\u00e3o e Eva. A frase: \u201c<em>Com sofrimento te nutrir\u00e1s do solo todos os dias de tua vida<\/em>.\u201d (Gn 3,17c) \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o dada ao trabalho sofrido de homens e mulheres nos dias em que esse texto foi escrito e para as gera\u00e7\u00f5es futuras. \u00c9 Deus mesmo que interfere no proceder humano, dando uma senten\u00e7a condenat\u00f3ria. O para\u00edso, o \u00c9den, sinal de vida integrada do ser humano com a natureza, torna-se distante do ser humano quando ele mesmo rompe as regras estabelecidas com o criador.<\/p>\n<p><strong>Na casa da Babil\u00f4nia, o contramito<\/strong><\/p>\n<p>Quando a maioria dos mitos de Gn1-11 foi escrito, o povo de Israel se encontrava na Babil\u00f4nia, fora de sua casa, sofrendo com as pol\u00edticas econ\u00f4micas do opressor. Chamemos a esses mitos de contramitos, pois eles foram escritos para contrapor, resistir aos mitos oficiais da Babil\u00f4nia que justificavam a opress\u00e3o.<\/p>\n<p>O primeiro contramito, Gn 1,1-2,4\u00aa, \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o do poder de Deus por meio de sua palavra e de seu gesto gratuito de criar o ser humano. Ele come\u00e7a narrando o ato criador de Deus e n\u00e3o a luta fratricida dos deuses babil\u00f4nios do mito babil\u00f4nico,\u00a0<em>Enuma El\u00eesh.\u00a0<\/em>A express\u00e3o: \u201cE Deus disse\u201d \u00e9 carro chefe da narra\u00e7\u00e3o b\u00edblica. Ela aparece 10 vezes e relembra o Dec\u00e1logo.\u00a0 A palavra \u00e9 usada para criar e expressa o poder n\u00e3o-violento do Deus de Israel, diferente dos deuses babil\u00f4nicos que exigiam a ordem celeste na terrestre. G\u00eanesis afirma que Deus d\u00e1 aos animais, aves e r\u00e9pteis, as ervas como alimento (Gn 1,30). E ao ser humano, Ele d\u00e1 as ervas, \u00e1rvores e frutas que produzem semente, isto \u00e9, lhe d\u00e1 tamb\u00e9m o encargo de produzir alimentos para o seu sustento (Gn 1,29). Essa afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 profundamente revolucion\u00e1ria: Deus cria o universo para a vida dos seres humanos e n\u00e3o para o bel-prazer dos deuses, como em<em>En\u00fbma Elish<\/em>. O alimento \u00e9 para o sustento da vida humana e n\u00e3o para dar lucro aos poderosos. Deus n\u00e3o espera em troca o tributo do ser humano, como no mito babil\u00f4nico. Com isso, fica descartada a opress\u00e3o do ser humano sobre o seu semelhante. Em nossos dias, a produ\u00e7\u00e3o de alimentos est\u00e1 monopolizada por grupos detentores do mercado internacional, o que produz a fome mundial. Sabemos que o Brasil \u00e9 considerado celeiro mundial, mas o nosso povo passa fome. Onde est\u00e1 o erro? Assim como nos tempos do Imp\u00e9rio Babil\u00f4nico, a globaliza\u00e7\u00e3o atual quer ter o controle sobre quem produz e consome. Deus tem outros planos. \u00c9 o que nos mostra o contramito de Gn 1,1-2,4\u00aa.<\/p>\n<p>O contramito de Gn afirma categoricamente: \u201cE Deus disse: \u201c<em>Fa\u00e7amos o homem \u00e0 nossa imagem e semelhan\u00e7a, que ele reja os peixes do mar, as aves do c\u00e9u, os animais dom\u00e9sticos, todas as feras e todos os r\u00e9pteis que rastejam sobre a terra<\/em>\u201d. Rashi, um grande s\u00e1bio judeu da idade m\u00e9dia, ligou o verbo reger \u00e0 imagem de semelhan\u00e7a e assim os interpretou: \u201cimagem\u201d significa \u201csegundo o nosso (de Deus) modelo\u201d. J\u00e1 \u201csemelhan\u00e7a\u201d \u00e9 o que devo adquirir. Imagem (modelo) de Deus todos nascemos, mas a semelhan\u00e7a deve ser conquistada. Algu\u00e9m pode morrer sem nunca ter chegado a ser semelhante a Deus, isto \u00e9, n\u00e3o buscou ser co-criador com Ele. Nesse sentido, entende-se tamb\u00e9m \u201cque ele domine\u201d. O verbo dominar em hebraico (<em>yrd<\/em>) significa dominar e descer. Se o ser humano tem consci\u00eancia de que \u00e9 imagem de Deus, ele luta para viver em harmonia com as criaturas, caso contr\u00e1rio, elas o dominar\u00e3o e ele descer\u00e1, tornar-se-\u00e1 como animal, e ser\u00e1 destru\u00eddo pela natureza. O ser humano recebe a b\u00ean\u00e7\u00e3o divina para cuidar da cria\u00e7\u00e3o. Deus n\u00e3o lhe concede o direito de dominar outros seres humanos, por isso n\u00e3o lhe d\u00e1 os animais como sustento.<\/p>\n<p>Em nossos dias, estamos vivendo um processo r\u00e1pido de destrui\u00e7\u00e3o da terra e do ser humano. Recente pesquisa descobriu que o ser homem come\u00e7a a ficar impotente. A cada ano o homem deixa de produzir 2% a menos de espermatoz\u00f3ides. Um homem nascido na d\u00e9cada de 50 produz 150 milh\u00f5es de espermatoz\u00f3ides por mililitro, o da d\u00e9cada de 70, 75 mililitro, e o da d\u00e9cada de 90, somente 50 milh\u00f5es. Quando chegarmos a 20 milh\u00f5es, a fertilidade humana estar\u00e1 comprometida e a\u00ed ser\u00e1 tarde demais. Pesquisadores chegaram \u00e0 conclus\u00e3o de que a causa dessa infertilidade, bem como a de c\u00e2nceres de mama e de pr\u00f3stata, \u00e9 a polui\u00e7\u00e3o da natureza. As subst\u00e2ncias qu\u00edmicas despejadas nos rios s\u00e3o consumidas pelos peixes, transformando-os em hermafroditas. O ser humano est\u00e1 sendo contaminado por produtos qu\u00edmicos armazenados nos pl\u00e1sticos, que envolvem os alimentos consumidos por ele, causando-lhe infertilidade e feminiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Guardar o s\u00e1bado \u00e9 ficar na casa da fam\u00edlia ou de Deus<\/strong><\/p>\n<p>Gn 2,3 afirma que Deus aben\u00e7oou o s\u00e9timo dia da cria\u00e7\u00e3o, o santificou e nele descansou. O ser humano n\u00e3o \u00e9 o \u00e1pice da cria\u00e7\u00e3o, mas o dia de descanso. Esse sim, recebe uma b\u00ean\u00e7\u00e3o especial. O s\u00e1bado, em hebraico\u00a0<em>shabat<\/em>, \u00e9 da mesma raiz do verbo\u00a0<em>sh\u00fbb<\/em>a (sentar-se). O povo, na Babil\u00f4nia, se lembrava daquilo que o Dec\u00e1logo havia escrito como lei perp\u00e9tua: \u201c<em>Guardar\u00e1s o dia de s\u00e1bado para santific\u00e1-lo, conforme ordenou Jav\u00e9 teu Deus<\/em>\u201d (Dt 5, 12). No dec\u00e1logo o mandamento do s\u00e1bado se divide em dois blocos sim\u00e9tricos, delineados por dois imperativos, um positivo e outro negativo: trabalhar\u00e1s e n\u00e3o far\u00e1s. Positivo: trabalhar seis dias; fazer todo tipo de obra para recordar a escravid\u00e3o. Negativo: n\u00e3o fazer nada no dia de s\u00e1bado para recordar a liberta\u00e7\u00e3o do Egito. A divis\u00e3o da semana em seis dias mais um \u00e9 recurso usado para conferir sacralidade ao s\u00e9timo. Seguindo o esquema do fazer e n\u00e3o fazer, a ordem \u00e9 trabalhar seis dias e descansar um. Um ato est\u00e1 relacionado com o outro. O descanso n\u00e3o teria sentido sem o trabalho. Fazer o S\u00e1bado \u00e9 o mesmo que celebrar o tempo, recordar recorda\u00e7\u00e3o do evento fundador de Israel, a liberta\u00e7\u00e3o do Egito. \u00c9 Deus que faz desde sempre e para sempre. O pai de fam\u00edlia \u00e9 o respons\u00e1vel pelo cumprimento do S\u00e1bado. Ele deve tirar o jugo e n\u00e3o imp\u00f4-lo. S\u00e1bado \u00e9 dia de alegria e festa. A observ\u00e2ncia do S\u00e1bado \u00e9 um ato simb\u00f3lico. Ela expressa um valor absoluto. Repouso para filhos e servos, estrangeiros e animais, o que significa igualdade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>No imagin\u00e1rio mitol\u00f3gico da comunidade que produziu Gn 1, 1-2,4\u00aa, essa id\u00e9ia t\u00e3o revolucion\u00e1ria do s\u00e1bado n\u00e3o podia ficar de fora. A humanidade, feita \u00e0 imagem de Deus, \u00e9 sagrada. Assim como Ele, ela precisa descansar, ficar em casa ou ir para a casa de Deus, a sinagoga, para rezar. Para os dirigentes babil\u00f4nicos, n\u00e3o era necess\u00e1rio descansar. O povo precisava trabalhar muito para pagar os tributos a Marduk, no seu santu\u00e1rio, de modo que a estabilidade pol\u00edtica e social fosse mantida. O ser humano, no mito babil\u00f4nico, foi criado para servir aos deuses com o seu trabalho, de modo que os deuses se tornassem livres da \u00e1rdua tarefa de trabalhar. A comunidade de Gn 1, 1,2,4\u00aa sabia disso, e n\u00e3o foi por menos que resistiu diante do opressor: \u201cTemos direito ao sagrado descanso semanal!\u201d.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Dil\u00favio para reconstruir a casa do mundo<\/strong><\/p>\n<p>O mito do dil\u00favio de Gn 6, 5-9,17, colocado no centro de Gn1-11, \u00e9 a sua mensagem principal. Deus interv\u00e9m para recriar o mundo e seres humanos. O personagem principal do dil\u00favio \u00e9 No\u00e9, nome que significa\u00a0<em>protelar-se<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>aquele que prolongou sua exist\u00eancia.\u00a0<\/em>Ele, miticamente, se contrap\u00f5e ao comportamento da maioria de seus contempor\u00e2neos, os quais supostamente eram injustos e falsos. Deus prometeu que o dil\u00favio n\u00e3o mais iria acontecer, pendurando no c\u00e9u seu arco de guerra, o arco-\u00edris, sinal vis\u00edvel da promessa divina de n\u00e3o destrui\u00e7\u00e3o vindoura de seu povo, desde que o ser humano se re-humanize e re-habite a terra de forma harm\u00f4nica. A terra maldita (Gn3,17b-19) pela viol\u00eancia humana volta a ser fecunda (Gn8,21; 9,20-211). Gn 6,5\u20149, 17 \u00e9 a espiritualidade da reconstru\u00e7\u00e3o da casa, do para\u00edso terrestre. Enquanto isso n\u00e3o acontece, dil\u00favios, como o Tsunami, na Indon\u00e9sia, continuar\u00e3o acontecendo.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Babel \u00e9 a \u201cCasa-dos-grandes-deuses\u201d da Babil\u00f4nia<\/strong><\/p>\n<p>O contramito \u201cTorre de Babel\u201d (Gn 11,1-9) encerra Gn 1-11. A interpreta\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica desse texto fala do surgimento das l\u00ednguas no mundo. Antes, todos se entendiam, mas quando o ser humano quis chegar ao c\u00e9u com a sua torre enorme, isto \u00e9, quis dar um \u201cgolpe de estado\u201d e assumir o poder divino, Deus interveio e confundiu as l\u00ednguas. A quest\u00e3o principal n\u00e3o \u00e9 a l\u00edngua, mas a resist\u00eancia ao mito da \u201cCasa-dos-grandes-deuses da Babil\u00f4nia\u201d. O deus Marduk havia constru\u00eddo a sua casa no c\u00e9u para manter a opress\u00e3o da casa babil\u00f4nica na terra. Gn 11,1-9 \u00e9 o contramito da funda\u00e7\u00e3o da Casa de Babil\u00f4nia. Ele tem como objetivo mostrar como os megas e injustos projetos humanos, presentes e futuros, ser\u00e3o sempre impedidos por Deus. Esse texto est\u00e1 no fim do bloco de Gn 1-11 para nos ensinar que a Babil\u00f4nia, a poderosa construtora da torre, que exilou o povo de Jud\u00e1 e o dispersou pelo seu imp\u00e9rio, seria tamb\u00e9m dispersada por Deus.<strong>(5)<\/strong>Ela pagou (miticamente pagar\u00e1) pelos males feitos contra o povo escolhido. N\u00e3o foram as l\u00ednguas dispersas (multiplicadas) em Gn 11, 1-9, mas os opressores babil\u00f4nicos. Contrapondo \u00e0 Gn 10, que conta a dispers\u00e3o organizada, segundo l\u00ednguas e descend\u00eancia, dos filhos de No\u00e9, Gn 11, 1-9 \u00e9 o contramito da dispers\u00e3o confusa e negativa dos construtores da grande torre. E era Deus mesmo querendo dizer: o mundo precisa se reorganizar segundo a justi\u00e7a, sem opress\u00e3o&#8230; Mas n\u00e3o estamos falando da queda das \u201cTorres\u201d de Nova York. Ou estamos falando? Curiosidade, a cita\u00e7\u00e3o b\u00edblica coincide com o dia, m\u00eas e ano desse ataque: 11 de setembro de 2001, Gn 11, 1-9.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Patriarcas e Matriarcas: a casa dos pais e m\u00e3es da f\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Gn 1-11 termina com os mesmos problemas gerados com a perda da casa do para\u00edso: mal, sofrimento, morte, falta de harmonia entre ser humano e universo. Deus, ent\u00e3o, de forma amorosa, envia os patriarcas e matriarcas: Abra\u00e3o, Sara, Agar, Rebeca, Isaac, Jac\u00f3, Lia, Raquel, etc, para iniciar uma nova etapa na hist\u00f3ria da humanidade. Deus promete uma terra, uma fam\u00edlia (casa) e uma b\u00ean\u00e7\u00e3o para Abra\u00e3o (Gn 21,1-13).<\/p>\n<p>A economia dos patriarcas e matriarcas se baseava na cria\u00e7\u00e3o de ovelhas e cabras, carneiros e asnos. Esses animais forneciam os bens substanciais para a vida n\u00f4made: ali\u00admentos \u00e0 base do leite; vestes de l\u00e3; tendas tecidas com o pelo t\u00edpico das cabras negras do Oriente. Utens\u00edlios dom\u00e9sticos como odres, talhas, macas, etc. A terra era vista como propriedade coletiva do cl\u00e3 familiar. Os homens eram pastores, e as mulheres, dom\u00e9sticas. Os cl\u00e3s chegaram a dominar algumas t\u00e9cnicas como: separar machos e f\u00eameas no rebanho, perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os, fabrica\u00e7\u00e3o de tendas, uso do couro e da cer\u00e2mica. O com\u00e9rcio era baseado na troca de mercadorias com outros cl\u00e3s ou aldeias. N\u00e3o pagavam impostos. Foi para evitar pagar o tributo aos reis, e n\u00e3o se sujeitar \u00e0s corveias nas cidades, que eles escolhiam viver nas estepes. Como consequ\u00eancia, tinham que abandonar em parte a agricultura que praticavam ao redor das cidades, buscando pastagens para seus rebanhos. Os patriarcas conseguiram estabelecer uma economia que mantinha o povo unido na f\u00e9 no Deus dos pais, chamado de El. Assim, a hist\u00f3ria de Israel caminhou por muitos s\u00e9culos, at\u00e9 chegar ao inevit\u00e1vel caminho do Egito, pois a fome assolava a regi\u00e3o.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Egito: a casa do sofrimento\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Quando o povo de Deus foi para o Egito, tudo parecia muito bom. Jac\u00f3 e sua fam\u00edlia receberam as melhores terras do pa\u00eds. Jos\u00e9, o filho ilustre, o Patriarca, salvou o povo de Deus. Sua pol\u00edtica econ\u00f4mica fez com que os eg\u00edpcios suportassem a fome que se abatera sobre o pa\u00eds. Mas n\u00e3o durou muito. Jos\u00e9 morreu e se instaurou a persegui\u00e7\u00e3o sobre os israelitas. Fome, trabalhos for\u00e7ados e sofrimentos sem fim. Um salvador, um homem \u201ctirado das \u00e1guas\u201d, como atesta o seu nome, Mois\u00e9s, tornou-se o novo salvador. Criado no pal\u00e1cio do Fara\u00f3, Mois\u00e9s n\u00e3o aceitou, por inspira\u00e7\u00e3o divina, o sofrimento do seu povo. Foragido por causa da morte de um soldado a qual a ele mesmo fora atribu\u00edda, Deus o chama, simbolicamente em uma sar\u00e7a que ardia, mas n\u00e3o se consumia (Ex 3,7\u201110; 6,2\u20118). Mois\u00e9s organizou o seu povo rumo \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o do Egito. Pragas enviadas por Deus e a resist\u00eancia do Fara\u00f3, que n\u00e3o queria perder a m\u00e3o de obra, marcaram o in\u00edcio de um novo tempo para Israel. A passagem simb\u00f3lica no mar Vermelho, o mar que se abriu, deixando para tr\u00e1s 430 anos de opress\u00e3o (Ex 12,40) na mais poderosa economia de ent\u00e3o, marcou um novo tempo: \u201cEgito nunca mais!\u201d A lembran\u00e7a dessa \u00e9poca marcou a hist\u00f3ria do povo de Deus. Nos quarenta anos vagueando pelo deserto, o povo se reorganizou para retomar a terra da promessa. A saudade do Egito, a fome e a sede levaram o povo a se revoltar, a blasfemar contra Deus, que respondeu distribuindo p\u00e3o para todos, chamado de man\u00e1 (Ex 16,4-21), e este se transformou em s\u00edmbolo da partilha dos bens. O dom do man\u00e1 era para todos. Ele n\u00e3o podia ser recolhido al\u00e9m do necess\u00e1rio. Ningu\u00e9m podia acumular, mas comer, partilhar e seguir a caminhada. O man\u00e1 tornou-se um s\u00edmbolo da economia que concede direitos iguais a todos. Em nossos dias, assistimos a uma desenfreada situa\u00e7\u00e3o de consumo exagerado. O meu celular ainda serve, mas j\u00e1 foi ultrapassado por um outro modelo, com novos recursos que nem vou usar. As empresas se encarregam de propor a troca urgente, pois sen\u00e3o o seu cliente estar\u00e1 \u201cfora da linha\u201d, isto \u00e9, fora do padr\u00e3o de consumo.<\/p>\n<p>Outro fator importante no deserto \u00e9 a parada no monte Sinai, marco do in\u00edcio de uma alian\u00e7a de Deus, expresso no Dec\u00e1logo.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Dec\u00e1logo: para lembrar que \u201cEu te fiz sair da casa da escravid\u00e3o\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre economia e vida aparece fortemente nos textos legislativos da B\u00edblia, a come\u00e7ar pelo Dec\u00e1logo (Dt 5,6-21) e com desdobramentos nos c\u00f3digos da Alian\u00e7a, Deuteron\u00f4mico e Lev\u00edtico.<br \/>\nA introdu\u00e7\u00e3o do Dec\u00e1logo fala da rela\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a entre Israel e Deus:\u00a0<em>\u201cE sou o Senhor teu Deus, aquele que te fez sair da terra do Egito, da casa da escravid\u00e3o.\u201d\u00a0<\/em>(Dt 5,6).\u00a0O Dec\u00e1logo se rege por essa m\u00e1xima: o Deus que tirou o povo da casa escravid\u00e3o quer novas rela\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas, baseadas na justi\u00e7a e no reconhecimento desse seu ato libertador.<\/p>\n<p>A primeira parte do dec\u00e1logo (Dt 5,7-11), realizada na \u201ccasa de Deus\u201d, o templo, mostra a rela\u00e7\u00e3o entre Deus e o pr\u00f3ximo. Deus pede para ser invocado como Deus de Israel.<\/p>\n<p>A parte central (vv. 12-16), realizada na \u201ccasa da fam\u00edlia\u201d, \u00e9 o centro, a parte mais importante e resumo de todo o Dec\u00e1logo, estabelece as leis de \u201cguardar o s\u00e1bado e honrar pai e m\u00e3e\u201d. O pai tem a fun\u00e7\u00e3o de fazer valer o s\u00e1bado, dando possibilidade de descanso para todos. Igualdade econ\u00f4mica em um dia para lembrar a liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no Egito. Honrar pai e m\u00e3e, al\u00e9m de prescrever a obedi\u00eancia, estabelece a obriga\u00e7\u00e3o do filho de sustentar financeiramente os pais idosos, que voltam a ser filhos indefesos e pobres. Prover o sustento dos pais na velhice significa agir como Deus que sempre tem cuidado para com os pobres e necessitados. Por meio desses gestos, o ser humano se reconhece como objeto de dom: ele recebeu a vida, a liberdade e a palavra e, por outro lado, se afirma como sujeito de dom: ele d\u00e1 ao outro: pais, aquilo que ele recebeu. A justi\u00e7a aparece como afirma\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o do outro. Esses mandamentos, guardar o s\u00e1bado e honrar pai e m\u00e3e s\u00e3o centrais, pois neles a vida \u00e9 poss\u00edvel somente se \u00e9 doada e reconhecida como dom. O simbolismo maior \u00e9 o dar a vida. Jesus, ao ter como lugar privilegiado de sua a\u00e7\u00e3o pastoral a casa, retoma a ess\u00eancia dos mandamentos centrais do Dec\u00e1logo.<\/p>\n<p>Os mandamentos da terceira parte realizam-se na \u201cporta da cidade\u201d, a entrada da casa-cidade, e est\u00e3o relacionados com o pr\u00f3ximo. Literariamente, eles est\u00e3o demarcados pelo \u201ce n\u00e3o\u201d. Fica proibido matar, cometer adult\u00e9rio, roubar, dar falso testemunho, desejar a mulher, casa e pertences do pr\u00f3ximo. Ningu\u00e9m pode nem mesmo desejar os bens do pr\u00f3ximo. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ter um boi e desejar outro, mas ter a consci\u00eancia de que o segundo boi \u00e9 a vida do pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p><strong>As leis dos c\u00f3digos garantem a vida<\/strong><\/p>\n<p>A defesa da vida expressa no Dec\u00e1logo ganhou corpo em v\u00e1rios c\u00f3digos, sendo a amplia\u00e7\u00e3o dessas dez leis em centenas de outras. O C\u00f3digo da Alian\u00e7a (Ex 21,22\u201423, 19) tem um car\u00e1ter social. Ele foi renovado e transformou-se no n\u00facleo central do atual C\u00f3digo Deuteron\u00f4mico (Dt 12-26). V\u00e1rias passagens dos livros de \u00caxodo e Deuteron\u00f4mio exigem a defesa dos mais fracos: \u00f3rf\u00e3os, vi\u00favas, escravos, emigrantes e levitas (Dt 23,25-26; Ex 22,21; Ex 21,1-10.26-27; Ex 23,12; Dt 15,13-15; Dt 23,16-17; Ex 22,20; Dt 24,19-21). Da mesma forma, textos que insistem no exerc\u00edcio da justi\u00e7a nos tribunais (Ex 23, 1-9; Dt 16,18-20), n\u00e3o cobran\u00e7a de \u00a0juros dos pobres (Ex 22,24; Dt 23,20-21); devolver o manto ao pobre, tomado como penhor, antes do p\u00f4r do sol (Ex 22,25); n\u00e3o tomar a roupa da vi\u00fava como penhor (Dt 24,17); remiss\u00e3o de d\u00edvidas a cada sete anos (Dt 15,1-11). O sal\u00e1rio do pobre dever\u00e1 ser justo (Dt 24,14). O comerciante dever\u00e1 agir com justeza. Nada de dois pesos e duas medidas (Dt 25,13-15). Assim, a lei quer garantir a vida.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>O tempo dos ju\u00edzes: bonan\u00e7a e partilha dos bens na casa das tribos<\/strong><\/p>\n<p>A passagem pelo deserto serviu para o povo repensar o seu projeto de vida. Liderados por Josu\u00e9, pois Mois\u00e9s havia morrido antes mesmo de chegar, eles tomam Cana\u00e3 e p\u00f5em em pr\u00e1tica rela\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas para garantir a vida e contra o ac\u00famulo de riquezas. Utilizando-se de v\u00e1rios crit\u00e9rios, a terra foi divida para as tribos, os descendentes de Jac\u00f3 e seus agregados, aqueles outros povos oprimidos que se uniram ao grupo. Foram escolhidos, dentre o povo, ju\u00edzes para quest\u00f5es internas e externas. Os bens produzidos eram distribu\u00eddos para todos, de modo que ningu\u00e9m passasse necessidades. Faziam at\u00e9 festas para partilhar o excedente. A economia era, de fato, solid\u00e1ria. N\u00e3o havia propriedade privada, nem com\u00e9rcio, mas trocas internas de produtos. As tribos israelitas produziam cereais e frutas. Criavam animais, como ovelhas, cabras e jumentos. Al\u00e9m disso, praticavam o artesanato, confeccionando utens\u00edlios de madeira, vasilhas de barro e tecidos. O livro de Ju\u00edzes, que trata do per\u00edodo tribal, n\u00e3o nos fornece muitos detalhes sobre essa organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, mas podemos encontr\u00e1-la em Js 13-21; Lv 25; Ex 16, 17-20 e Js 7.<\/p>\n<p>O per\u00edodo tribal foi, na verdade, uma fase de buscas e principalmente de constru\u00e7\u00e3o da identidade do povo de Deus, que acabara de sair da explora\u00e7\u00e3o do Egito. Cansados de sofrer e de serem explorados, grupos exclu\u00eddos se uniram para fundar uma nova sociedade, diferente dos modelos que eles conheciam, baseados na hierarquia de classes, no culto a \u00eddolos distantes e na legitima\u00e7\u00e3o da economia injusta. Para garantir a vida e o n\u00e3o retorno ao Egito, lugar da morte, Israel viveu, em torno de duzentos anos, uma vida igualit\u00e1ria. Pena que eles mesmos n\u00e3o conseguiram manter o sonho. Findo esse per\u00edodo, nasce a monarquia. O poder passa a ser centralizado e o povo, explorado. O sonho parece ter acabado. Os profetas e profetisas surgem na hist\u00f3ria de Israel para alimentar a esperan\u00e7a de novos tempos.<\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Profetismo:\u00a0<em>o que roubastes do pobre est\u00e1 em vossas casas<\/em>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas na B\u00edblia aparecem nos tributos cobrados (1Sm8), que poderiam ser substitu\u00eddos pela corveia (trabalhos for\u00e7ados) ou servi\u00e7os prestados ao estado. O rei Salom\u00e3o cobrava impostos religiosos, chamados de d\u00edzimo. Nessa rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, os profetas e profetisas b\u00edblicos<strong>(2)<\/strong><strong>(6)<\/strong>\u00a0s\u00e3o os porta-vozes dos pobres na den\u00fancia contra a economia mal dividida. Os tributos religiosos ser\u00e3o duramente criticados (Am 4,4). \u201c<em>Ai do que constr\u00f3i sua casa sem justi\u00e7a e seus aposentos sem direito; que faz trabalhar seu pr\u00f3ximo de gra\u00e7a e n\u00e3o lhe paga o sal\u00e1rio<\/em>!\u201d, denunciou Jeremias.<br \/>\nEm ordem decrescente, o que os profetas mais denunciam s\u00e3o: injusti\u00e7a nos tribunais, com\u00e9rcio, escravid\u00e3o, latif\u00fandio, sal\u00e1rio, tributos e impostos, roubo, assassinatos, garantias e empr\u00e9stimos, luxo\u00a0<strong>(7)<\/strong>. Por mais estranho que pare\u00e7a, \u00e9 o poder legislativo que recebe mais den\u00fancias por parte dos profetas. Os acusados alternam entre ju\u00edzes, legisladores, reis e seus funcion\u00e1rios. Os que sofrem a m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a fazem parte do trip\u00e9, t\u00e3o caro na defesa prof\u00e9tica: pobres, vi\u00favas e \u00f3rf\u00e3os. Os pobres da Casa de Israel n\u00e3o eram respeitados. Isa\u00edas dir\u00e1: \u201c<em>Fostes v\u00f3s que devorastes a vinha, o que roubastes do pobre est\u00e1 em vossas casas. Com que direito esmagais o meu povo e calcais aos p\u00e9s o rosto dos pobres<\/em>?\u201d (Is 3,14-15). Aos pobres \u00e9 negado at\u00e9 mesmo o direito de reivindicar a justi\u00e7a. A lei passa a defender a classe dirigente, a qual garante, com isso, os direitos e bens adquiridos \u00e0 custa do sofrimento dos pobres. Qualquer semelhan\u00e7a com os nossos dias \u00e9 mera coincid\u00eancia. A quest\u00e3o da apropria\u00e7\u00e3o indevida das terras, com consequente cria\u00e7\u00e3o de latif\u00fandios \u00e9 denunciada por Isa\u00edas e Miqueias, sendo que este \u00faltimo chega a propor uma reforma agr\u00e1ria. Na cabe\u00e7a do profeta est\u00e1 uma ordem: Deus \u00e9 justo e o povo se afastou Dele. O povo rompeu a Alian\u00e7a com Deus. Desse modo, a estrutura da sociedade ficou fraca, tornando-se presa f\u00e1cil para os dominadores. Por isso, o povo de Deus viveu o drama de v\u00e1rios ex\u00edlios, sendo o maior e mais conhecido o da Babil\u00f4nia (587 a 538 a. C.). Os reis da monarquia de Israel e de Jud\u00e1, que deviam zelar pelo povo, n\u00e3o o faziam. Faltou coer\u00eancia entre a vida e o culto. O culto deixou de ser express\u00e3o de honestidade, mas um covil de ladr\u00f5es (Jr 7,1-15; Mt 21,12-13). Nesse sentido, veja a beleza liter\u00e1ria da den\u00fancia feita por Am\u00f3s 2, 6-16. Uma peregrina\u00e7\u00e3o ao santu\u00e1rio \u00e9 totalmente desvirtuada pelos ricos que vendem o pobre por um par de sand\u00e1lias&#8230; Nesse quadro, o profeta apela para o \u201cdia de Jav\u00e9\u201d. A pedagogia era aquela de fazer o povo se endireitar atrav\u00e9s do medo. N\u00e3o \u00e9 por menos que outros textos como Is 33, 14-16; Sl 15 e 16, descrevendo uma verdadeira liturgia de acesso ao templo, afirmam que quem poder\u00e1 aproximar-se de Deus \u00e9 somente o justo, aquele que fala o que \u00e9 reto, despreza o ganho explorador, recusa aceitar o suborno. A den\u00fancia prof\u00e9tica parte da convic\u00e7\u00e3o de que o Deus-Jav\u00e9, que libertou Israel do Egito, que fez uma alian\u00e7a no Sinai, que acompanhou o povo pelo deserto, que o fez entrar na terra prometida, \u00e9 um Deus Justo, que quer uma economia que defenda o pobre, o \u00f3rf\u00e3o e a vi\u00fava: \u201c<em>Ai daqueles que promulgam leis injustas, que redigem medidas maliciosas, para tapear o fraco na justi\u00e7a, roubar o direito de meu povo explorado, para fazer vi\u00favas suas v\u00edtimas e roubar dos \u00f3rf\u00e3os<\/em>.\u201d (Is 10,1-2).\u00a0 Quem age assim nem \u00e9 preciso dirigir-se a Deus com as suas ora\u00e7\u00f5es, pois Ele n\u00e3o lhe far\u00e1 caso (Is 1, 15-18).<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o: Jesus \u00e9 o profeta que leva a salva\u00e7\u00e3o para a casa de Zaqueu<\/strong><\/p>\n<p>Embora tenha reivindicado para si, s\u00f3 de forma indireta, o t\u00edtulo de profeta (Lc 13,13), Jesus foi o profeta por excel\u00eancia, a s\u00edntese de toda a\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica. A sua den\u00fancia \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a econ\u00f4mica, buscando uma nova ordem nas rela\u00e7\u00f5es com os bens, apareceu em v\u00e1rias de suas declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, como: \u201c<em>N\u00e3o ajunteis tesouros aqui na terra, onde a tra\u00e7a e a ferrugem destroem e os ladr\u00f5es assaltam e roubam. Ao contr\u00e1rio, juntai para v\u00f3s tesouros no c\u00e9u<\/em>&#8230; (Mt 6,19). \u201c<em>Onde estiver o vosso tesouro, a\u00ed estar\u00e1 tamb\u00e9m o vosso cora\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>\u00a0(Mt 6,21). E ainda: \u201c<em>Ningu\u00e9m pode servir a dois senhores: ou vai odiar o primeiro e amar o outro ou vai aderir ao primeiro e desprezar o outro. N\u00e3o podeis servir a Deus e ao dinheiro!<\/em>\u201d (Mt 6,24). Jesus nos chama a colocar o nosso cora\u00e7\u00e3o, tesouro, os bens, em Deus, que nos ensina a viver a partilha, a solidariedade com os pobres em um outro mundo poss\u00edvel. Foi esse o ensinamento que ele deixou para Zaqueu, o rico cobrador de impostos de Jeric\u00f3, que primeiro v\u00ea Jesus do alto de \u00e1rvore e depois o convida para ir a sua casa. Zaqueu se converteu e prometeu a Jesus que repartiria metade de seus bens com os pobres e, se tivesse prejudicado algu\u00e9m, iria lhe restituir em dobro. Os primeiros crist\u00e3os, bem cedo, compreenderam essa proposta de economia solid\u00e1ria que gera a vida. Eles procuram demonstrar isso na distribui\u00e7\u00e3o dos bens (At 2,44-45). Quando o imp\u00e9rio romano perseguiu os crist\u00e3os, foi essa vis\u00e3o de economia que os sustentou e os manteve unidos na f\u00e9 em Jesus ressuscitado. Diante das graves epidemias de var\u00edola, no ano 165, e a de sarampo, em 250, que assolou o imp\u00e9rio, causando mortandade entre crian\u00e7as e adultos romanos, o n\u00famero dos crist\u00e3os, por outro lado, permaneceu em maior escala devido \u00e0 solidariedade e assist\u00eancia fraternal entre eles. Assim, o cristianismo cresceu.<\/p>\n<p>Jesus n\u00e3o teve d\u00favida de que Zaqueu compreendera a sua proposta de vida, por isso disse categoricamente: \u201choje a salva\u00e7\u00e3o entrou nessa casa\u201d (Lc 19,1-10). Hoje, salva\u00e7\u00e3o e casa, um adv\u00e9rbio e dois substantivos que revelam o sonho acalentado por crist\u00e3os, mas tamb\u00e9m por todos aqueles que acreditam no Deus da vida, numa sociedade igualit\u00e1ria de paz, justi\u00e7a e fraternidade universal, assim como nos prop\u00f5e a Campanha da Fraternidade deste ano. Continuemos a acalentar e procurar, com nossas atitudes, a realiza\u00e7\u00e3o dessas eternas promessas do mestre Jesus, da casa de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p>_____________________________________________________________________________________________<br \/>\n<span style=\"color: #888888;\"><strong>(1)<\/strong>\u00a0Padre franciscano, escritor, mestre em Ci\u00eancias B\u00edblicas pelo Pontif\u00edcio Instituto B\u00edblico, de Roma, especialista em evangelhos ap\u00f3crifos, professor de exegese b\u00edblica no Instituto Santo Tom\u00e1s de Aquino \u2013 ISTA, em Belo Horizonte e em cursos de Teologia para leigos. Autor de v\u00e1rios livros e artigos. Diretor Geral e Pedag\u00f3gico dos Col\u00e9gios Santo Ant\u00f4nio e Frei Orlando, ambos em Belo Horizonte.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bibliaeapocrifos.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><span style=\"color: #888888;\">www.bibliaeapocrifos.com.br<\/span><\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #888888;\"><strong>(2)<\/strong>\u00a0Artigo publicado na revista Vida Pastoral, 271, S\u00e3o Paulo: Paulus, 2010, p. 3-10.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #888888;\"><strong><br \/>\n(3)<\/strong>\u00a0Cf. FARIA, Jacir de Freitas,\u00a0<em>Ap\u00f3crifos aberrantes, complementares e cristianismos alternativos \u2013 Poder e heresias! Introdu\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e hist\u00f3rica aos ap\u00f3crifos do Segundo Testament.\u00a0<\/em>Petr\u00f3polis: Vozes, 2009, p.12-14.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #888888;\"><strong>(4)\u00a0<\/strong>Usamos as terminologias Primeiro e Segundo Testamentos por raz\u00f5es ecum\u00eanicas realtivas aos judeus.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #888888;\"><strong>(5)\u00a0<\/strong>Cf. FARIA, Jacir de Freitas. A releitura da Tor\u00e1 em Jesus.\u00a0<em>RIBLA,<\/em>\u00a040. Petr\u00f3polis: Vozes, 2001, p.18.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #888888;\"><strong>(6)<\/strong>\u00a0Cf. CROATTO, Jos\u00e9 Severino Croatto.\u00a0<em>Exlio y sobrevivencia.Tradiciones contraculturales en el Pentateuco,\u00a0<\/em>Lumen: Buenos Aires, p.353-393, 1997.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #888888;\"><strong>(7)\u00a0<\/strong>Para um estudo dos profetas e profetisas nas hist\u00f3ria de Israel, veja o nosso livro:\u00a0<em>Profetas e profetisas na B\u00edblia<\/em>: hist\u00f3ria e teologia prof\u00e9tica na den\u00fancia, solu\u00e7\u00e3o, esperan\u00e7a,perd\u00e3o e nova alian\u00e7a. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2006.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #888888;\"><strong>(8)<\/strong>\u00a0Cf. J. L. SICRE,\u00a0<em>Profetismo em Israel<\/em>\u00a0, O profeta. Os profetas. A mensagem, Petr\u00f3polis 1996, 367.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Frei Jacir de Freitas Faria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[40,43],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>&quot;Economia e vida na casa da B\u00edblia&quot; - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/economia-e-vida-na-casa-da-biblia\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"&quot;Economia e vida na casa da B\u00edblia&quot; - 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