{"id":121190,"date":"2016-11-29T07:50:45","date_gmt":"2016-11-29T09:50:45","guid":{"rendered":"http:\/\/franciscanos.org.br\/?p=121190"},"modified":"2020-07-08T14:08:16","modified_gmt":"2020-07-08T17:08:16","slug":"vida-religiosa-coragem-de-renascer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/vida-religiosa-coragem-de-renascer\/","title":{"rendered":"Vida religiosa: coragem de renascer"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/profissao_291116_1.jpg\" alt=\"profissao_291116_1\" width=\"820\" height=\"345\" \/><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><em>Terminado o<\/em> Ano da Vida Consagrada,<em> a reflex\u00e3o sobre esse g\u00eanero de vida n\u00e3o pode parar. Os religiosos s\u00e3o convidados a olhar para o amanh\u00e3. Faz-se necess\u00e1rio ir al\u00e9m de uma mera adapta\u00e7\u00e3o. Os religiosos haver\u00e3o de \u201crenascer\u201d. Sempre tiveram todo apre\u00e7o pelo Mist\u00e9rio Pascal,\u00a0 mist\u00e9rio de morte e vida. Renascer, mas a que pre\u00e7o? Juntos, na pobreza de seus c\u00e1lculos, s\u00e3o convidados a aceitar o novo que o Espirito prop\u00f5e. Lembramos que a reflex\u00e3o que segue \u00e9 feita por uma religiosa da Europa examinando a vida religiosa na Europa, o que n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o diga tamb\u00e9m respeito ao contexto que \u00e9 o nosso.<\/em><\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\"><strong>\u00a0<\/strong><strong>Frei Almir Guimar\u00e3es<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Vivemos um tempo de escolhas dif\u00edceis: optar\u00a0 por mudan\u00e7as em suas mais diferentes formas, mudan\u00e7a quantitativa ou mudan\u00e7a profunda e radical; procurar uma nova \u201carquitetura\u201d para as comunidades, melhorando sua organiza\u00e7\u00e3o e sua gest\u00e3o; redimensionando ou simplificando a vida; iniciar processos novos de forma\u00e7\u00e3o e de autoforma\u00e7\u00e3o juntamente com o empenho da convers\u00e3o pessoal e comunit\u00e1ria;\u00a0 optar por uma refunda\u00e7\u00e3o do carisma na \u00f3tica de uma mais eficaz e radical incultura\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil ter que enfrentar\u00a0 mudan\u00e7as, o que j\u00e1 se tornou praticamente condi\u00e7\u00e3o estrutural de nosso tempo.\u00a0\u00a0 Mais complexo ainda \u00e9 colocar em a\u00e7\u00e3o dinamismos e processos de mudan\u00e7a que conectem\u00a0 tradi\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, a\u00a0 fidelidade ao carisma e as novas inst\u00e2ncias culturais derivadas do contemporaneidade. Estamos diante de desafios. Todos eles devem ocupar aten\u00e7\u00e3o em nossos espa\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o permanente, como tamb\u00e9m na prepara\u00e7\u00e3o e realiza\u00e7\u00e3o dos cap\u00edtulos.<\/p>\n<p>No clima de renova\u00e7\u00e3o da vida religiosa encetado e favorecido pelo\u00a0 Conc\u00edlio, os diferentes institutos\u00a0 promoveram processos inovadores no sentido de recuperar sua \u201csignifica\u00e7\u00e3o\u201d e entrar em di\u00e1logo com a modernidade. Via de regra tal se fez sob press\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es sociais, com a urg\u00eancia de se dar resposta \u00e0s inst\u00e2ncias emergentes dos diversos contextos socioculturais. Um antigo ditado reza:\u00a0 \u201cA necessidade \u00e9 a m\u00e3e das inven\u00e7\u00f5es\u201d. Em fun\u00e7\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es, necess\u00e1rio se faz dar uma resposta \u00e0s novas necessidades. Nem sempre, no entanto, esta l\u00f3gica funciona. No momento que vivemos n\u00e3o basta apenas uma adapta\u00e7\u00e3o,\u00a0 sobretudo quando se verifica uma desmotiva\u00e7\u00e3o no que tange o pr\u00f3prio carisma.<\/p>\n<p>Que fazer? Como caminhar rumo a um futuro ainda encoberto de nuvens escuras? Pode-se ter a impress\u00e3o que estamos mais nos dirigindo para uma densa noite do que para\u00a0 uma aurora radiosa? A vida religiosa em nossos dias parece estar vivendo momentos de cansa\u00e7o e de fadiga\u00a0 de tal forma que fica dif\u00edcil caminhar com esperan\u00e7a e alegria. Tem-se a impress\u00e3o, por vezes, que se trata de um agarrar-se com ansiedade e medo a algo que parece ter perdido o significado mais profundo. Tais interroga\u00e7\u00f5es assaltam a uns e outros, a jovens e a adultos, formandos e formadores. Quem dera que esses questionamentos pudessem ser partilhados\u00a0 em nossas reuni\u00f5es comunit\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Vivemos \u00a0de aperto no cora\u00e7\u00e3o, por\u00a0 tempos marcados por incertezas mas tamb\u00e9m apaixonantes para os institutos e congrega\u00e7\u00f5es religiosas. \u00c0\u00a0 dificuldade de realizar processos de evangeliza\u00e7\u00e3o e de educa\u00e7\u00e3o que se tornam cada vez mais lentos e\u00a0 complexos, acrescente-se a percep\u00e7\u00e3o de um futuro bastante incerto. Os membros dos institutos diminuem, por vezes, drasticamente; as voca\u00e7\u00f5es s\u00e3o numericamente\u00a0\u00a0 escassas, inclusive inexistentes; as reestrutura\u00e7\u00f5es e os redimensionamentos\u00a0 operam cortes de \u00a0trabalhos\u00a0 tirando do religioso o dinamismo mission\u00e1rio e apost\u00f3lico.\u00a0 De outro lado momentos apaixonantes tamb\u00e9m porque se tornam ocasi\u00e3o para que nas\u00e7am novos brotos e nova flora\u00e7\u00e3o na linha da criatividade da vida religiosa e para dar novamente for\u00e7a e dignidade a essa op\u00e7\u00e3o de vida que quer ser \u201cprofecia para a humanidade\u201d, no dizer Jo\u00e3o Paulo II, na\u00a0 Exorta\u00e7\u00e3o <em>Vita Consecrata.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A fidelidade \u00a0est\u00e1 continuamente sendo posta \u00e0 prova pelos abandonos que n\u00e3o d\u00e3o sinais de diminuir,\u00a0 egressos tamb\u00e9m de consagrados mais adultos.\u00a0 Parece que faltam pontos de refer\u00eancia mais significativos, n\u00e3o somente nos que governam,\u00a0 mas tamb\u00e9m naqueles dos quais se poderia esperar uma s\u00e1bia orienta\u00e7\u00e3o espiritual. Vemos\u00a0 que aumentam solid\u00f5es, \u00a0inconsist\u00eancias pessoais, desadapta\u00e7\u00f5es, menos alegria, menos paix\u00e3o e coragem de arriscar. E, no entanto, ontem como hoje, o mundo tem necessidade de testemunhos aut\u00eanticos, de santos que, na criativa diversidade de suas personalidades e de seus caminhos, professem com sua exist\u00eancia o amor e a vida em todas as suas express\u00f5es e sabem comunic\u00e1-los a todos, especialmente aos que perderam o sentido\u00a0 de viver.<\/p>\n<p>Cabe aqui lembrar palavras do Papa dirigidas aos superiores maiores: \u00a0\u00a0 \u201cSede testemunhas de um modo diferente de fazer, de atuar, de viver! \u00c9 poss\u00edvel viver de maneira diferente daquela que o mundo vive.\u00a0 Estamos falando de um olhar escatol\u00f3gico, dos valores do Reino encarnados aqui, nesta terra. Trata-se de deixar tudo para seguir o\u00a0 Senhor(&#8230;). A radicalidade evang\u00e9lica n\u00e3o \u00e9 propriedade exclusiva dos religiosos: a todos \u00e9 pedida. Os religiosos, no entanto, seguem o Senhor de maneira especial, de modo prof\u00e9tico.\u00a0 Espero de v\u00f3s este testemunho. Os religiosos devem ser\u00a0 homens e mulheres capazes de despertar o mundo\u201d.<\/p>\n<h2><strong>O encontro de Jesus com Nicodemos\u00a0 <\/strong><\/h2>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Pode-se dizer que o encontro de Jesus com Nicodemos constitui\u00a0 um \u00edcone da situa\u00e7\u00e3o em que se encontra a vida religiosa hoje e uma representa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da busca de estrat\u00e9gias para superar a crise \u201cestrutural\u201d que est\u00e1 for\u00e7ando uma reflex\u00e3o sobre o assunto: <em>\u201cRabi, sabemos que vieste como Mestre da parte de Deus&#8230; Em resposta Jesus lhe disse: \u2018Em verdade, em verdade, te digo: quem n\u00e3o nascer do alto n\u00e3o poder\u00e1\u00a0 ver o Reino de Deus\u2019.\u00a0 Perguntou-lhe Nicodemos: \u2018Como o\u00a0 homem pode nascer se j\u00e1 \u00e9 velho? Acaso pode entrar de novo no seio de sua m\u00e3e e tornar a nascer?\u2019 Respondeu Jesus: \u2018Em verdade, em verdade te digo: quem n\u00e3o nascer da \u00e1gua e do Esp\u00edrito Santo n\u00e3o pode entrar no reino de Deus\u2019\u201d\u00a0 <\/em>(<em>Jo 3, 2-5<\/em>).<\/p>\n<p>A noite, lugar do encontro, parece ser uma met\u00e1fora de nosso tempo que n\u00e3o obstante o progresso das ci\u00eancias e das novas tecnologias, atravessa uma das dif\u00edceis transi\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria\u00a0 de tal monta que n\u00e3o se pode vislumbrar o alvorecer de um novo dia.<\/p>\n<p>S\u00e3o precisamente as novas gera\u00e7\u00f5es em todo o mundo aquelas que se interrogam se existe uma esperan\u00e7a para o futuro: a precariedade como condi\u00e7\u00e3o\u00a0 generalizada da vida e do trabalho, a crise econ\u00f4mica, o futuro cada vez mais incerto, o sofrimento das crian\u00e7as e dos idosos, das fam\u00edlias e das institui\u00e7\u00f5es educativas, o mal-estar social que cada vez afeta adolescentes e jovens; a pol\u00edtica e a sociedade n\u00e3o respondem mais aos desejos emergentes\u00a0 tanto das pessoas tomadas como tais e das cidades, inclusive a comunidade eclesial e a comunidade\u00a0 religiosa entraram numa situa\u00e7\u00e3o de incerteza e de inquieta\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o conseguem administrar a complexidade e\u00a0 rapidez da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que n\u00e3o seremos capazes de colher, nessas situa\u00e7\u00f5es que nos preocupam, sinais de esperan\u00e7a e de uma novidade que, ainda que lentamente como um min\u00fasculo raio de luz, \u00a0se abrem em nossa profundidade?<\/p>\n<p>Onde est\u00e1 a fonte de tal esperan\u00e7a? Como fazer que ela se converta em fonte de confian\u00e7a da qual brote a novidade e, com ela, o futuro?\u00a0 Necess\u00e1rio, no meio da escurid\u00e3o, reafirmar a confian\u00e7a na obra de Deus\u00a0 que continua sendo realizada\u00a0 apesar de todos os receios: \u201cEis que fa\u00e7o uma coisa nova. J\u00e1 est\u00e1 despontando, n\u00e3o o percebeis?\u201d (<em>Is 43,19<\/em>).<\/p>\n<p>As resist\u00eancias interiores &#8211; quase sempre de cunho defensivo\u00a0 &#8211;\u00a0 podem fazer com que pensemos\u00a0 que mudar \u00e9 imposs\u00edvel\u00a0 e que todo tipo de renascimento\u00a0 seja uma utopia.\u00a0 A novidade de que fala o\u00a0 Evangelho, aquela indicada por Jesus a Nicodemos e, portanto a todos os\u00a0 que buscam a verdade, aparece em toda sua radicalidade. Comporta uma \u201cmetanoia\u201d, uma mudan\u00e7a de mentalidade e de cora\u00e7\u00e3o que transforma a pessoa, seu modo de pensar, sua hist\u00f3ria pessoal e a realidade social em que vive e trabalha. Destarte, a novidade sempre provoca um cont\u00ednuo \u201cmovimento de sa\u00edda\u201d, como fala constantemente o Papa\u00a0 Francisco &#8211;\u00a0 e requer consci\u00eancia da responsabilidade da miss\u00e3o social para elaborar comunitariamente respostas concretas de compromisso para com os pobres, e sobretudo atendendo aos pedidos das crian\u00e7as, dos adolescentes e jovens\u00a0 que encarnam a novidade.<\/p>\n<h2><strong>No meio da crise a coragem de buscar a aurora<\/strong><\/h2>\n<p>A fil\u00f3sofa espanhola\u00a0 Maria Zambrano, a prop\u00f3sito da situa\u00e7\u00e3o de crise que a cultura est\u00e1 atravessando, afirma que \u00e9 precisamente na crise, aparentemente associada a experi\u00eancia de morte, onde se abrem cen\u00e1rios in\u00e9ditos e luminosos,\u00a0 prel\u00fadio de auroras sempre desejadas e buscadas, mas nunca plenamente alcan\u00e7adas, sempre apontando para o futuro. \u00c0 primeira vista pode-se pensar que nossa cultura est\u00e1 morrendo, sobretudo em seu n\u00facleo ocidental mais antigo,\u00a0 Europa.\u00a0 Poderia, no entanto, ser bem o contr\u00e1rio, ou seja, que se trate de um amanhecer.\u00a0 Tentemos verificar esta \u00faltima hip\u00f3tese.\u00a0 As duas coisas unidas,\u00a0 a morte e a aurora\u00a0 constituem a crise.\u00a0 A aurora, no entanto, tem mais valor que a morte na hist\u00f3ria humana.\u00a0 A aurora \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o humana que irrompe as mais vezes e torna a aparecer ap\u00f3s cada derrota. Toda a hist\u00f3ria poderia ser definida como um tipo de aurora repetida, nunca plenamente alcan\u00e7ada, \u201corienta\u00e7\u00e3o para o futuro\u201d.<\/p>\n<p>Diante dos desafios que a vida religiosa enfrenta, a globaliza\u00e7\u00e3o da cultura e a complexidade dos relacionamentos sociais que tornam mais dif\u00edcil a op\u00e7\u00e3o por vidas radicais e duradouras, num mundo que vive em \u00a0crescentes experi\u00eancias de sofrimento material e moral que minam a pr\u00f3pria dignidade do ser humano, o que fazer para continuar \u201csendo profecia de \u00a0vida\u201d para toda a humanidade, para continuar presente nos postos avan\u00e7ados da evangeliza\u00e7\u00e3o e abrir-se\u00a0 aos novos are\u00f3pagos da miss\u00e3o?<\/p>\n<p>Soam ainda na mem\u00f3ria de nosso cora\u00e7\u00e3o a palavras de Bento XVI\u00a0 &#8211;\u00a0 quase como um testamento espiritual &#8211; \u00a0dirigidas aos religiosos e religiosas por ocasi\u00e3o da Jornada\u00a0 Mundial da Vida Religiosa\u00a0 (2 de fevereiro de 2013). \u201cPor sua pr\u00f3pria natureza\u00a0 a vida consagrada \u00e9 peregrina\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito, busca de um Rosto que \u00e0s vezes se manifesta e \u00e0s vezes se oculta.\u00a0 <em>Faciem tuam\u00a0 Domine, requiram<\/em>\u00a0 (Sl 26.8). Seja este\u00a0 o anelo constante em vosso cora\u00e7\u00e3o, o crit\u00e9rio fundamental que orienta vosso caminhar,\u00a0 tanto nos pequenos passos cotidianos bem como nas decis\u00f5es mais importantes.\u00a0 N\u00e3o vos associeis aos profetas da desdita que proclamam\u00a0 o fim ou o n\u00e3o sentido da vida consagrada na Igreja de nossos dias; ao contr\u00e1rio, revesti-vos de Jesus Cristo e revesti-vos das armas da luz \u2013 como exorta S\u00e3o Paulo (<em>cf.\u00a0 Rm 13, 11-14<\/em>)\u00a0 &#8211;\u00a0 permanecendo despertos e vigilantes\u201d.<\/p>\n<p>O Papa Francisco parece fazer eco a tal convite por ocasi\u00e3o de seu encontro com os Superiores Maiores: \u201cA vida religiosa deve permitir o crescimento da\u00a0 Igreja por <em>via da atra\u00e7\u00e3o<\/em>. A\u00a0 Igreja, com efeito, deve ser atrativa. Despertai o mundo!\u00a0 Sede testemunhas de um modo diferente de fazer, de atuar, de viver (&#8230;).\u00a0 Os religiosos devem ser\u00a0 homens e mulheres\u00a0 capazes de despertar\u00a0 o\u00a0 mundo\u201d.<\/p>\n<p>Diante do aparente decl\u00ednio da vida religiosa que alguns profetas da desventura\u00a0 tentam insinuar\u00a0 \u00e9 necess\u00e1rio\u00a0 que as comunidades\u00a0 religiosas\u00a0 possam ir mais\u00a0 longe do que operar simples adapta\u00e7\u00f5es\u00a0 ou mudan\u00e7as superficiais de estrutura e de aspectos organizacionais. H\u00e1 tempos de crise e esta\u00e7\u00f5es de transforma\u00e7\u00f5es. Como todo organismo vivo, como toda organiza\u00e7\u00e3o humana, a vida religiosa apresenta\u00a0 seus ciclos vitais e sua evolu\u00e7\u00e3o c\u00edclica est\u00e1 sujeita\u00a0 \u00e0 historicidade.\u00a0 Imprevis\u00edvel , no entanto, a criatividade do Esp\u00edrito Santo que suscita muitos carismas na Igreja.<\/p>\n<p>\u201cAs auroras chegam depois dos ocasos\u201d, escreveu Karl Rahner. Nesses tempos dif\u00edceis tem-se \u00a0a impress\u00e3o de haver mais sombras do que luzes, diante da crise cultural e moral que est\u00e1 prejudicando gravemente a educa\u00e7\u00e3o\u00a0 das novas gera\u00e7\u00f5es e mesmo a forma\u00e7\u00e3o dos membros da vida consagrada. Somos colocados diante de situa\u00e7\u00f5es e problemas que nos pegam de surpresa e\u00a0 nos deixam desorientados, sobretudo porque\u00a0 n\u00e3o\u00a0\u00a0 somos capazes de encontrar respostas imediatas e nem percebemos com claridade a delicada engrenagem dos eventos e o alcance de tais transforma\u00e7\u00f5es na vida consagrada.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, algo de novo parece assomar no horizonte.\u00a0 E o que \u00e9 novo, como a aurora, sempre tem por detr\u00e1s de si a noite e o ocaso. As palavras de Isa\u00edas parecem que valem muito para nosso hoje: \u201cN\u00e3o recordeis os acontecimentos de outrora, nem presteis aten\u00e7\u00f5es aos eventos do passado. Eis que eu fa\u00e7o uma coisa nova! J\u00e1 est\u00e1 despontando. N\u00e3o o percebeis?\u201d (<em>Is 43,\u00a0 18-19<\/em>). Prestando aten\u00e7\u00e3o a tais palavras seremos poupados do desalento e do des\u00e2nimo e de saudades sentimentais do passado, projetando-nos para o futuro,\u00a0 com incertezas \u00e9 claro, mas principalmente com esperan\u00e7a.<\/p>\n<h2><strong>Novos e imediatos desafios \u00e0 vida religiosa<\/strong><\/h2>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/strong>Pensamos nos tantos desafios que se levantam na quest\u00e3o do discernimento das voca\u00e7\u00f5es, da sele\u00e7\u00e3o dos candidatos no momento do ingresso nos institutos, nas oscila\u00e7\u00f5es\u00a0 no tocante \u00e0 perseveran\u00e7a\u00a0\u00a0 dos religiosos, jovens e n\u00e3o t\u00e3o jovens, na incultura\u00e7\u00e3o do carisma,\u00a0 no di\u00e1logo intergeracional\u00a0 e inter-religioso, na limitada liberdade para se explorar caminhos que melhor respondam \u00e0s novas solicita\u00e7\u00f5es culturais e \u00a0exig\u00eancias\u00a0 profundas dos jovens, na dificuldade de conservar a identidade da vida consagrada neste mundo que muda continuamente e num contexto cultural que pede reforma de tudo:\u00a0 percursos formativos, conceitos, escolhas e pap\u00e9is p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Um despertar do cora\u00e7\u00e3o, uma renovada esperan\u00e7a, uma nova confian\u00e7a no futuro s\u00e3o necess\u00e1rios para a vida religiosa em seu relacionamento com o mundo.\u00a0 Devolver \u00e0 vida religiosa a capacidade de acercar-se dos jovens, dos pobres, dos que sofrem e vivem na ang\u00fastia do \u201csem sentido\u201d, dos que buscam a verdade mesmo sem saber que est\u00e3o buscando, de quem perdeu a esperan\u00e7a de ser perdoado\u00a0 e salvo.\u00a0 O Papa\u00a0 Francisco convida a Igreja, e tamb\u00e9m a vida religiosa, a ouvir o grito dos pobres, a cuidar da fragilidade, a sair para fora para acolher as necessidades mais urgentes, a viver uma cultura do encontro e do di\u00e1logo, evitando formas de autorrefer\u00eancia.<\/p>\n<p>H\u00e1 tenta\u00e7\u00f5es para nada se mudar: cansa\u00e7o, desmotiva\u00e7\u00e3o, resignar-se com o<em> status quo<\/em>, acomoda\u00e7\u00e3o, perda da esperan\u00e7a e de confian\u00e7a nas novas possibilidades latentes no presente, sobretudo falta de f\u00e9, infiltra\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica do consumismo ou de uma forma de ate\u00edsmo pr\u00e1tico, o relativismo, a fragmenta\u00e7\u00e3o da vida, o medo do novo e do in\u00e9dito e desconhecido. O risco mais sutil que se insinua no cotidiano da vida \u00e9 n\u00e3o acreditar mais no poder transformador da educa\u00e7\u00e3o e da forma\u00e7\u00e3o,\u00a0 na necessidade da convers\u00e3o e a santidade poss\u00edvel de vida \u201cposs\u00edvel\u201d\u00a0 na comunidade, no carisma como dom e finalmente na a\u00e7\u00e3o do\u00a0 Espirito, dom do ressuscitado.<\/p>\n<p>Necess\u00e1rio devolver confian\u00e7a a uma vida consagrada \u201cposs\u00edvel\u201d, plenamente\u00a0 consciente de sua identidade prof\u00e9tica, mesmo em situa\u00e7\u00e3o de\u00a0 \u201cminoria\u201d\u00a0 e \u201cprecariedade\u201d.<\/p>\n<h2><strong>\u00a0<\/strong><strong>Como a\u00a0 vida religiosa se situa diante da mudan\u00e7a:\u00a0<\/strong><strong>acomoda-se ou p\u00f5e-se a caminho?<\/strong><\/h2>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<\/strong>Duas s\u00e3o as imagens que exprimem modalidades de se colocar diante da mudan\u00e7a: o ficar no mesmo lugar ou o caminhar em frente.\u00a0 Num tempo como o nosso, nesse mundo marcado pelo\u00a0 \u201cparoxismo\u201d da mudan\u00e7a, pelo usar e descartar, pela tend\u00eancia de n\u00e3o valorizar tudo aquilo que \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o e passado em nome de uma liberdade e de um protagonismo de maneira \u201cjuvenil\u201d, a vida religiosa, como realidade\u00a0 carism\u00e1tica e prof\u00e9tica e, sobretudo, como realidade \u201cinstitucional\u201d, sofre as consequ\u00eancias\u00a0 de um impacto para\u00a0 o qual n\u00e3o est\u00e1 bem preparada. O risco mais ocorrente ent\u00e3o \u00e9 um \u201cenclausuramento\u201d e o \u201cretiro\u201d como qualquer minoria num contexto de complexidade e globaliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 igualmente forte a tend\u00eancia a oscilar\u00a0 entre o r\u00edgido e defensivo conservadorismo e a fuga\u00a0 para frente rumo a ideais e projetos\u00a0 pouco realistas, numa cont\u00ednua tens\u00e3o\u00a0 que as vezes gera\u00a0 fratura e divis\u00e3o.<\/p>\n<p>A crise diante das mudan\u00e7as mostrou-se mais aguda quando a vida religiosa foi se configurando como uma \u201crealidade est\u00e1tica\u201d, pouco flex\u00edvel \u00e0 mudan\u00e7a, rejeitando a busca do novo e n\u00e3o aceitando o questionamento de muitos elementos n\u00e3o centrais, as mais das vezes culturais,\u00a0 ligados \u00e0 hist\u00f3ria e \u00e0\u00a0 tradi\u00e7\u00e3o,\u00a0 incapazes de dialogar\u00a0 com os novos contextos emergentes.<\/p>\n<p>Compreende-se, nesses casos, que se venha a adotar a postura da acomoda\u00e7\u00e3o, do estancamento, do ficar no mesmo lugar\u00a0 pela dificuldade de se aderir a processo sempre aberto de transforma\u00e7\u00e3o, de busca do essencial, de purifica\u00e7\u00e3o e de ades\u00e3o.\u00a0 \u00c9 estafante\u00a0 o trabalho de construir-se uma identidade n\u00f4made, uma identidade em estado de mudan\u00e7a.\u00a0 H\u00e1 a resson\u00e2ncia mais imediata da crise das pessoas e das institui\u00e7\u00f5es e consequentemente a perda de significa\u00e7\u00e3o e atra\u00e7\u00e3o da vida religiosa, sobretudo para os jovens.<\/p>\n<p>Diante\u00a0 de tudo isso vemos inst\u00e2ncias novas emergindo\u00a0 que\u00a0 expressam a riqueza e a vitalidade\u00a0 ainda presente na vida religiosa;\u00a0 novas sensibilidades e novas exig\u00eancias que manifestam sinais de renova\u00e7\u00e3o, como por exemplo, a exig\u00eancia de qualidade e de profundidade, a exig\u00eancia de numa nova \u201crelacionalidade\u201d que n\u00e3o contempla\u00a0 s\u00f3 a qualidade das rela\u00e7\u00f5es interpessoais, mas investe em m\u00faltiplas rela\u00e7\u00f5es com leigos, jovens e institui\u00e7\u00f5es, com\u00a0 a cultura e as culturas, a exig\u00eancia das comunica\u00e7\u00f5es com relacionamentos cada vez mais\u00a0 amplos, tudo marcado por complexidade, exig\u00eancias de sentido e de interioridade, \u00a0de identidade e de claridade carism\u00e1tica, a exig\u00eancia de discernimento e de busca mais significativa de Deus.<\/p>\n<p>O Papa Francisco, na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0 <em>Evangelii\u00a0 Gaudium <\/em>\u00a0chama aten\u00e7\u00e3o de religiosos, sacerdotes e agentes de pastoral para o que designa de\u00a0 \u201cmundanidade espiritual\u201d que leva a negar o esp\u00edrito evang\u00e9lico e a natureza profunda da pr\u00f3pria Igreja,\u00a0 bloqueando sua intr\u00ednseca voca\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0 miss\u00e3o. (EG\u00a0 97)<\/p>\n<p>A experi\u00eancia crist\u00e3 e da vida religiosa no seu envolvimento na hist\u00f3ria, encontrou no acontecimento da\u00a0\u00a0 Encarna\u00e7\u00e3o, o sentido e o estilo de sua\u00a0 exist\u00eancia:\u00a0 Deus\u00a0 que se torna companheiro de caminho da humanidade\u00a0 que tamb\u00e9m est\u00e1 a caminho.\u00a0\u00a0 Bem expressiva a imagem da\u00a0 viagem,\u00a0 tanto no que tange ao passado quanto ao futuro.<\/p>\n<p>Uma vida religiosa a caminho, ou seja, uma vida religiosa n\u00e3o acomodada, olhando para o amanh\u00e3, aberta, escolhendo a cada dia seguir\u00a0 o\u00a0 Senhor Jesus ao longo do tempo, caminhando com ele e\u00a0 com sua presen\u00e7a providente.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a n\u00e3o pode dar medo na medida em que se vai adiante perscrutando o futuro sem temor, ciente dos pr\u00f3prios limites,\u00a0 sem fazer que estes se\u00a0 agigantem a tal ponto que venham a nos esmagar. Trata-se de entrar cada vez mais na l\u00f3gica\u00a0 pascal de morte\/vida,\u00a0 fazendo com que as pessoas e as institui\u00e7\u00f5es realizem as mudan\u00e7as com paix\u00e3o e determina\u00e7\u00e3o, com a consci\u00eancia de que mudar \u00e9 sempre morrer um pouco, sabendo que qualquer desejo de mudan\u00e7a\u00a0 demanda tempo e se faz pela luta e pelo cansa\u00e7o.<\/p>\n<h2><strong>Nova for\u00e7a de atra\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>Muitas vezes, o Papa\u00a0 Francisco, em suas homilias, tem retomado a ideia de que a vida religiosa deve possibilitar o crescimento da Igreja\u00a0 \u201cpelo caminho da atra\u00e7\u00e3o\u201d: \u201cQuando as pessoas, os povos veem o testemunho de humildade, mansid\u00e3o, \u00a0sentem necessidade do que fala o profeta Zacarias: <em>\u00a0Queremos ir com voc\u00eas<\/em>.\u00a0 As pessoas experimentam este sentimento diante de um testemunho de caridade humilde, sem prepot\u00eancia, dos que vivem com o suficiente, numa postura de humildade, pessoa que adora\u00a0 e serve\u201d (Homilia em Santa Marta, 1\u00ba de outubro de 2013).<\/p>\n<p>Urgente que a vida religiosa recupere \u201cnova for\u00e7a de atra\u00e7\u00e3o\u201d\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 . O que poderia tornar digna de cr\u00e9dito e realmente atrativa a vida religiosa.\u00a0 N\u00e3o s\u00e3o tanto as estruturas, nem a verdade que se pretende comunicar, nem os ritos que se celebra, nem mesmo a atividade que se realiza, mas a experi\u00eancia de Deus que se compartilha, precisamente como comunidade\u00a0 que se concebe como sujeito de miss\u00e3o, buscando criar comunh\u00e3o em todo campo, ou seja, em n\u00edvel social, pol\u00edtico, econ\u00f4mico, religioso.<\/p>\n<blockquote><p><em>Texto inspirador:\u00a0<\/em><em>Por una vida religiosa \u201cm\u00e1s all\u00e1 de la adaptaci\u00f3n\u201d.\u00a0<\/em><em>El coraje de renascer\u00a0<\/em><em>Pina del Core, fma\u00a0<\/em><em>Professora de Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o, Auxilium, Roma\u00a0<\/em><em>Vida Religiosa Monogr\u00e1fico\u00a0 3\/ 2014, p. 69-90<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de  Frei Almir Guimar\u00e3es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":184983,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[30],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - 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