{"id":107576,"date":"2016-04-12T07:31:41","date_gmt":"2016-04-12T10:31:41","guid":{"rendered":"http:\/\/franciscanos.org.br\/?p=107576"},"modified":"2020-07-08T14:10:06","modified_gmt":"2020-07-08T17:10:06","slug":"o-perfil-do-catequista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/o-perfil-do-catequista\/","title":{"rendered":"O perfil do catequista"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/catequese.jpg\" alt=\"catequese\" width=\"820\" height=\"412\" \/><\/p>\n<blockquote><p>Estamos convencidos que o cultivo da f\u00e9 ao longo da vida \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia. Necessitamos de crist\u00e3os maduros. Um dos minist\u00e9rios mais fundamentais e indispens\u00e1veis para o robustecimento da comunidade dos disc\u00edpulos do Senhor \u00e9 certamente o da forma\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de cada disc\u00edpulo. Pensamos aqui, de modo particular, na atividade da catequese. N\u00e3o apenas na catequese de crian\u00e7as, mas no fortalecimento e esclarecimento da f\u00e9 de jovens e de adultos. Uma comunidade de crist\u00e3os adultos cuida muito da prepara\u00e7\u00e3o de seus catequistas. Aqui queremos simplesmente tra\u00e7ar o perfil do catequista.<br \/>\n<strong>Frei Almir Ribeiro Guimar\u00e3es, OFM<\/strong><br \/>\n<strong>Petr\u00f3polis, RJ<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">1. \u201cA catequese n\u00e3o pode se limitar a uma forma\u00e7\u00e3o meramente doutrinal, mas precisa ser uma verdadeira escola de forma\u00e7\u00e3o integral. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio cultivar amizade com Cristo na ora\u00e7\u00e3o, o apre\u00e7o pela celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, a experi\u00eancia comunit\u00e1ria, o compromisso apost\u00f3lico mediante um permanente servi\u00e7o aos demais\u201d (Doc. de Aparecida, n.299). Abrimos esta reflex\u00e3o com este texto do Documento de Aparecida. Os catequistas colocar\u00e3o em pr\u00e1tica o que vem descrito: amizade com Cristo na ora\u00e7\u00e3o, viv\u00eancia do amor na comunidade e na celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica, engajamento apost\u00f3lico e mission\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">2. O catequista \u00e9, antes de tudo, um disc\u00edpulo de Jesus. Espera-se dele que sempre tenha a cuidado de conviver com o Mestre j\u00e1 que sua miss\u00e3o \u00e9 torn\u00e1-lo conhecido e amado. Sendo formador de disc\u00edpulos normal que tenha especial cuidado em ser disc\u00edpulo. Ser\u00e1 constante ouvinte da Palavra, saber\u00e1 discernir a Presen\u00e7a do Senhor agindo nos catequizandos e na comunidade dos fi\u00e9is, na celebra\u00e7\u00e3o digna dos sacramentos e nos sinais dos tempos.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">3. Para ele s\u00e3o dirigidas estas palavras que o Papa Francisco escreveu na sua Exorta\u00e7\u00e3o &#8220;A alegria do Evangelho&#8221;, j\u00e1 que o catequista respira a alegria de ser mission\u00e1rio: \u201cO verdadeiro mission\u00e1rio, que nunca deixa de ser disc\u00edpulo, sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa mission\u00e1ria. Se uma pessoa n\u00e3o o descobre presente no cora\u00e7\u00e3o mesmo da entrega mission\u00e1ria, depressa perde o entusiasmo e deixa de estar seguro do que transmite, falta-lhe for\u00e7a e paix\u00e3o. E uma pessoa que n\u00e3o est\u00e1 convencida, entusiasmada, segura, enamorada, n\u00e3o convence ningu\u00e9m\u201d (n.266).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">4. O catequista n\u00e3o exerce seu minist\u00e9rio em busca de prest\u00edgio. Sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9, realmente, um servi\u00e7o prestado \u00e0 Palavra e aos que precisam iluminar suas vidas com essa Luz que precisa atingir o mais \u00edntimo da pessoa. O catequista sabe perfeitamente que sua miss\u00e3o ser\u00e1 de fazer o melhor que puder e assim deixar Deus agir nos noivos que se preparam para o casamento, nos jovens que buscam ser crismados, nos envelhecidos que buscam preparar-se para o encontro com a Irm\u00e3 Morte. Sempre servidores.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">5. Exerce seu minist\u00e9rio com outros servidores: \u00e9 colaborador do Bispo em sua miss\u00e3o de educador da f\u00e9, dos padres que animam e organizam a catequese em suas par\u00f3quias e comunidades e principalmente das fam\u00edlias que s\u00e3o as primeiras evangelizadoras e catequistas dos filhos. De fundamental import\u00e2ncia \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de uma verdadeira comunidade de catequistas. N\u00e3o se re\u00fanem eles apenas para tra\u00e7ar estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o, mas partilham sua vida de ministros das coisas de Deus. Nas par\u00f3quias precisa existir uma \u201ccomunidade de catequistas\u201d.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">6. O catequista, necessariamente, ser\u00e1 algu\u00e9m inserido na comunidade. N\u00e3o \u00e9 um professor de religi\u00e3o. Tem a convic\u00e7\u00e3o muito profunda de que o Cristo que anuncia est\u00e1 presente, de modo muito particular, na vida, nas alegrias, nas preocupa\u00e7\u00f5es, nas inquieta\u00e7\u00f5es e dores da comunidade. Sente-se imerso na comunidade onde est\u00e1 presente o Ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">7. Trata-se de uma pessoa de olhos abertos. \u201cN\u00e3o cobre o sol com a peneira\u201d, nem alimenta um \u201cangelismo\u201d. Vive uma espiritualidade encarnada. M\u00edstica, sim, no bom sentido, ou seja, de grande proximidade com Deus. O catequista n\u00e3o \u00e9 propagandista de vis\u00f5es particulares. Vive no mundo envolvo nos desafios: indiferen\u00e7a da parte de muitos para com as coisas de Deus e do Evangelho, pragmatismo, mundo das coisas provis\u00f3rias, sentimento religioso vago, dificuldade de contar com as fam\u00edlias em sua tarefa. Se de um lado o catequista adestrar\u00e1 seus ouvidos para captar os sons da Palavra de Deus, de outro ouve tamb\u00e9m o ranger das engrenagens da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">8. Assim, o catequista \u00e9 pessoa que tem senso ou esp\u00edrito cr\u00edtico. N\u00e3o \u201cvai na onda\u201d. N\u00e3o aceita modismos. N\u00e3o se contenta com o superficial e \u201cnovidadoso\u201d. Tudo faz passar pelo senso cr\u00edtico: trabalho, relacionamentos, dinheiro, trabalho, pol\u00edtica, sexualidade, casamento e fam\u00edlia. A tudo ilumina com a claridade do Evangelho sem floreios. Ele exala o perfume do Evangelho: sinceridade sem limites, esfor\u00e7o, passagem pela porta estreita, respeita os direitos de todos, perdoa, acolhe, n\u00e3o exclui, tem sede de Deus, gosta de rezar no quarto, d\u00e1 sem esperar recompensa. Sim, os que anunciam o Evangelho e formam as pessoas na f\u00e9 revestem-se do Evangelho.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">9. O catequista n\u00e3o \u00e9 pessoa angustiada. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 ing\u00eanuo. Conhece os desafios que nossos tempos colocam diante de sua atividade. Precisa aceitar uma certa \u201cdesorienta\u00e7\u00e3o\u201d de n\u00e3o ter respostas para todas as quest\u00f5es. Aceita o exerc\u00edcio do minist\u00e9rio sem estresse. Sabe que cada dia tem seu peso, que um \u00e9 o que semeia e outro o que colhe. Sabe que as sementes lan\u00e7adas levam tempo para germinar. Faz o seu dever como se tudo dependesse dele sabendo que tudo depende da a\u00e7\u00e3o de Deus e da abertura do cora\u00e7\u00e3o dos ouvintes. O \u00faltimo resultado da catequese foge de suas m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">10. O catequista \u00e9 algu\u00e9m que cria condi\u00e7\u00f5es para que a mensagem seja acolhida. A ades\u00e3o ao que anuncia e proclama o catequista \u00e9 fruto da gra\u00e7a e da liberdade de cada um. O catequista sabe que Deus precisa dele, mas n\u00e3o tem dom\u00ednio sobre o Esp\u00edrito que sopra onde quer. Assim, o catequista n\u00e3o dificultar\u00e1 a a\u00e7\u00e3o do mesmo Esp\u00edrito. N\u00e3o pode querer fazer do catequizando aquilo que ele, catequista, \u00e9. Cada pessoa tem sua maneira de viver a f\u00e9, seus costumes e suas tradi\u00e7\u00f5es e devo\u00e7\u00f5es. Ningu\u00e9m pode prender ningu\u00e9m a si. O catequizando cr\u00ea com e n\u00e3o como o catequista.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">11. Conhecemos todos a situa\u00e7\u00e3o plural vivida em nossos tempos. Os catequizandos tiveram ou n\u00e3o tiveram uma fam\u00edlia como sustent\u00e1culo de sua vida e da constru\u00e7\u00e3o de seu projeto de vida, viveram ou n\u00e3o viveram experi\u00eancias de f\u00e9, s\u00e3o profunda ou levemente marcados pelos ares dos tempos. Por isso, o catequista ser\u00e1 uma pessoa profundamente acolhedora. Todos precisam ser bem acolhidos. N\u00e3o se trata apenas de uma quest\u00e3o de fineza no receber as pessoas, mas de tentar apreender, compreender quem \u00e9 outro, aquilo que vem do outro, as possibilidades que afloram no outro. N\u00e3o se trata apenas de receber bem, mas de pedir licen\u00e7a de entrar no mundo do outro.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">12. O catequista \u00e9 algu\u00e9m que busca personalizar os relacionamentos. O Evangelho nos mostra, muitas vezes, Jesus dirigindo-se \u00e0s multid\u00f5es. De outro lado, v\u00eamo-lo entabolando di\u00e1logos personalizados entre um \u201ceu\u201d e um \u201ctu\u201d. Conhecemos os di\u00e1logos \u201cpersonalizados\u201d com a mulher de Samaria, com Zaqueu, o jovem rico e Nicodemos entre tantos outros. Parece importante que o evangelizador, o mission\u00e1rio e o catequista acompanhem respeitosamente o caminhar dos catequizandos com di\u00e1logos deste tipo. O catequista passa a ser um companheiro.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">13. Lembremos algumas qualidades humanas do catequista: pessoa psicologicamente equilibrada, que sabe assumir compromissos, que trabalhe em equipe, que exer\u00e7a uma certa lideran\u00e7a na comunidade. Ser\u00e1 pessoa com esp\u00edrito criativo, sem favorecer estado generalizado de dispers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 30px;\">14. Terminamos esta reflex\u00e3o com observa\u00e7\u00f5es do Diret\u00f3rio Geral para a Catequese: \u201cA forma\u00e7\u00e3o dos catequistas compreende diversas dimens\u00f5es. A mais profunda se refere ao pr\u00f3prio ser do catequista, a sua dimens\u00e3o humana e crist\u00e3. A forma\u00e7\u00e3o deve, de fato, ajud\u00e1-lo a amadurecer, antes de mais nada como pessoa, como fiel e como ap\u00f3stolo. Depois h\u00e1 o que o catequista deve saber para cumprir bem a sua tarefa. Esta dimens\u00e3o, permeada pela d\u00faplice fidelidade \u00e0 mensagem e ao homem, requer que o catequista conhe\u00e7a adequadamente a mensagem a transmitir e, ao mesmo tempo, o destinat\u00e1rio que a recebe, al\u00e9m do contexto social em que vive. Enfim, h\u00e1 a dimens\u00e3o do saber fazer, j\u00e1 que a catequese \u00e9 um ato de comunica\u00e7\u00e3o. A forma\u00e7\u00e3o tende a fazer do catequista um educador do homem e da vida do homem\u201d (n. 238).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Frei Almir Ribeiro Guimar\u00e3es<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":185056,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v19.4 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>O perfil do catequista - Vida Crist\u00e3 - Franciscanos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/vidacrista\/o-perfil-do-catequista\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O perfil do catequista - 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