Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

“Um bilhão de pessoas vive com fome crônica e eu estou louco de raiva”

30/06/2012

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Frei Luiz Iakovacz

Ao findar o milênio passado, a Organização das Nações Unidas (ONU) e seus 180 países-membros, reuniu-se, em Roma, para a Cúpula Mundial da Alimentação.  Estabeleceram a seguinte meta: até 2015, o número dos que passam fome, no mudo, seria reduzido pela metade.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), departamento da própria ONU e responsável pela erradicação da fome, reconhece que este compromisso não será alcançado. O problema não é a falta de comida. A mãe terra – apesar de ser, exaustivamente, explorada e judiada pelo contínuo uso de agrotóxicos  –  produz alimento suficiente para seus 7 bilhões de filhos. Se houvesse a política de uma justa distribuição, ou se uma pequena quantia do que é gasto na indústria armamentista fosse aplicada no combate à fome  –  sem dúvida, esta ferida estaria quase ou totalmente curada.

Em recente Congresso Internacional “Economize Comida”, realizado em Dusserdorf (Alemanha), a FAO constatou que 1/3 dos alimentos produzidos é desperdiçado, isto é, 1,3 bilhão de toneladas, anualmente.

Onde está a fonte dessa sangria?!

Nos países ricos, parte do alimento produzido fica estocada, esperando a especulação de preços; quando isso não acontece, ao chegar a data de vencimento, é jogada no lixo (é a política gananciosa das multinacionais); nos países pobres, o desperdício se dá na fase de produção, colheita e processamento (é a falta de infraestrutura); por fim, nós mesmos desperdiçamos boa parte do que consumimos.

Então, o que fazer?!

A FAO lançou a companha de um abaixo-assinado para pressionar a ONU. O slogan “1 bilhão de pessoas vive com fome crônica e eu estou louco de raiva”, é acompanhado de um apito amarelo. É preciso apitar contra a fome, pois “deveríamos estar furiosos com o vergonhoso fato de que seres humanos ainda sofram de fome”, diz o diretor geral da FAO, Jacques Diouf.

A Igreja Católica: o que faz?!

Em 10 de dezembro do ano passado, Dia Internacional dos Direitos Humanos, a Cáritas Internacional abraçou esta causa e convocou as Dioceses e Paróquias do mundo, para fazerem o mesmo. O Papa Francisco gravou um vídeo onde diz: “Estamos diante de um escândalo de 1 bilhão de pessoas que passa fome. Não podemos virar a costas e fazer de conta que isto não existe”.

A Igreja no Brasil: o que faz?!

Três dias após este apelo, a Cáritas Brasileira, juntamente com a CNBB e a CRB, assumiu o compromisso de divulgar e conscientizar o fato de que, realmente, existe 1 bilhão de famintos, dos quais 16 milhões são brasileiros (estatística do IBGE).

Outro compromisso é o abaixo-assinado, via internet ou por assinatura. Até 08 de setembro, o resultado deverá ser enviado à CNBB que, por sua vez, entregará à FAO para que chegue à ONU no dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação.

E nós: que podemos fazer?!

A Bíblia é enfática: “Com o suor do teu rosto, ganharás o pão de cada dia” (Gn 3,9). Nosso inconformismo não é só com os milhões de famintos, mas, também, com aqueles que ganham muito, “sem suar a camisa” (corrupção, políticas interesseiras, ganância exacerbada e sem ética). Dizer que a fome não existe ou que, se existe, não está ao meu redor  –  é fazer a “política do avestruz”: esconder a cabeça para não ver a realidade.

Ao contrário, saciando a fome do pobre e, num contínuo processo, conscientizá-lo do trabalho e da sua dignidade humana  –  por causa de Cristo  –  não é assistencialismo, mas libertação. As palavras de Dom Helder são oportunas: “Se dou comida ao pobre, me chamam de santo; se pergunto por que não tem comida, sou comunista”.

Na multiplicação dos pães – onde o milagre não acontece num passe de mágica, mas na partilha  –  Jesus manda recolher os “pedaços para que não se percam” (Jo 6,12).  Todos, uns mais outros menos, todos somos responsáveis por 1,3 bilhão de toneladas desperdiçadas. O Brasil é o 4º maior produtor mundial de alimentos, mas, diariamente, desperdiça 39 toneladas. O IBGE e o Instituo Ikatu revelam, ainda, que o brasileiro joga fora 30% dos alimentos que compra.

Isto é uma afronta aos famintos e ao meio-ambiente. Todos sentimos, no dia-a-dia, o “efeito estufa” causado pelo dióxido de carbono, em consequência do consumo de fósseis e da respiração humana; porém, o gás metano, desprendido da extração de combustíveis, dos lixões e da digestão e fezes de animais, é 20 vezes mais nocivo.

Tomemos consciência: a fome mata mais do que as guerras. Por isso, abracemos esta causa. Dentre os seres humanos  –  nós, os cristãos  –  temos um compromisso ainda maior, por causa de nosso Mestre Jesus Cristo.

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