Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Saúde & Religião II

20/09/2002

Frei Hipólito Martendal

O artigo anterior, na verdade, constitui apenas uma introdução ao tema. Aconselho o leitor a reler o “Saúde e Religião I” antes de continuar na leitura deste número.

Lá falava-se de uma mania de procurar sempre o que é natural e denunciava-se até movimentos de pastoral que movem guerra aos remédios de laboratório e à medicina alopática. De medicina só aceitam a homeopática. Claro que isso é exagero. Não é correto fazer generalizações indevidas numa ciência mundialmente cultivada, admirada e tão seriamente estudada como a Medicina. Sua dedicação à pesquisa é um sonho fantástico e os resultados são absolutamente animadores. Calcula-se que cerca de 80% dos problemas de saúde que afligem os humanos são somatizações (= materialização) de problemas emocionais e do estresse. Esses males são eliminados com relativa facilidade pela fé, oração, visita a santuários e aos mais diversos curadores por toda parte. Em geral a cura é só ocasional, uma vez que a fonte geradora do estresse não é eliminado pelo curador.

Todas as enfermidades que têm como raiz problemas orgânicos, principalmente as doenças infecto-contagiosas, cânceres, AIDS e tudo o que pode pôr a vida em perigo, precisa de um bom médico, de medicina alopática e dos remédios produzidos nos melhores laboratórios. Em tais casos, em hipótese alguma, o recurso às mais diversas formas de “medicina alternativa” pode dispensar o tratamento clássico da medicina, do bom médico, do bom hospital. Por amor de Deus, não caia na tentação de ignorar a boa medicina, o bom médico, por causa das muitas denúncias de abusos praticados em farmácias, laboratórios e hospitais. Muitas empresas quebram por má administração financeira. Nem por isso você vai deixar de cuidar bem da administração de sua empresa, de suas finanças. O mesmo vale para a sua saúde e medicina.

Mas, afinal, qual a área de interesse comum entre religião, medicina e saúde? Por que tantas paróquias têm Pastoral da Saúde? Tenho certeza de que muitos profissionais da saúde não vêem com bons olhos, ou pelo menos não acreditam muito nos resultados práticos da Pastoral da Saúde. Gosto de apontar uma pastoral ligada à saúde que dá resultados mundialmente reconhecidos e elogiados. É a Pastoral da Criança.

Mas aqui ocorre um fato interessante. A Pastoral da Criança tem uma profissional da saúde há muitos anos em sua direção. Trata-se de uma médica pediatra, Dra. Zilda Ars. Trabalha com bom embasamento em ciências sociais e ciências médicas. Creio que aqui está um exemplo a ser seguido. Onde quer que se tente organizar uma Pastoral da Saúde dever-se-ia contar com a colaboração, de preferência participando da direção, de elementos católicos com boa formação acadêmica na área de saúde. A religião por si só não aumenta nossos conhecimentos sobre saúde e doenças.

Aparentemente não existe nenhuma relação entre a religiosidade, a fé e o surgimento de doenças, principalmente os males com herança genética, como os cânceres, muitos problemas cardíacos, circulatórios e as assim chamadas doenças mentais. O mesmo vale para enfermidades infecto-contagiosas. Costumo brincar que vírus e bactérias não conhecem sua fé. Lembro também grandes homens de fé e caridade ceifados pela peste. Santa Isabel da Hungria foi ceifada aos 24 anos, cuidando pessoalmente dos doentes do hospital por ela construído com a quase totalidade de seus recursos materiais. São Luís de Gonzaga faleceu aos 23 cuidando dos empestiados de Roma!

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