Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Os gestos proféticos de hoje

30/06/2012

papa_peFrei Luiz Iakovacz

Nos anos em que trabalhei no semiárido nordestino, participei das devoções populares ao Pe. Cícero, Pe. Ibiapina e Frei Damião.

Por várias vezes, também, ouvi depoimentos em favor de Aloísio Lorscheider, arcebispo de Fortaleza durante 22 anos e, recentemente, falecido (2007). Várias pessoas testemunharam este fato: para impedir que um trator derrubasse os casebres dos sem-teto e sem-terra, o Cardeal teria subido no telhado de um deles, fazendo com que a destruição não acontecesse. Pode ser  que isto não tenha acontecido “ipsis litteris”. Mas o povo,  vendo que o Cardeal Lorscheider era um defensor dos mais necessitados e um crítico da ditadura militar (1964-1988),  inclusive, tendo sido feito refém durante 20 horas, quando acompanhava um grupo de integrantes dos Direitos Humanos e que, numa Quinta-Feira Santa, lavou os pés de alguns dos sequestradores – este mesmo povo não tem dificuldades de “criar” fatos, mas sem desvirtuar a verdade. É o que diz o adágio popular: “O povo acrescenta, mas não inventa”.

O Papa Francisco surpreendeu a todos com gestos, como dispensar a capa arminha, os sapatos vermelhos, o anel e a cruz de ouro; ele continua usando capa, sapatos, anel e cruz – não aqueles que fazem jus aos títulos de Sumo Pontífice e Sua Santidade,  mas aqueles que condizem com o Bispo de Roma e servo dos servos de Deus. Essa postura interpela o clero para que viva uma vida mais simples, como acontece com a maioria do povo.

 O primeiro lava-pés que presidiu, como Bispo de Roma, foi num presídio. Entre os que representavam os apóstolos, estavam duas mulheres, sendo uma muçulmana. Este gesto abre perspectivas para uma possível ministerialidade feminina, na Igreja.

Há pouco tempo, um outro Bispo de Roma, Pio XI, conduziu a Igreja nos difíceis anos de 1922 a 1939, isto é, o tempo após a Primeira Guerra Mundial e início da Segunda. Já no primeiro ano de seu Pontificado (1922), criou as Pontifícias Obras Missionárias (POM) com o objetivo de coordenar as missões no mundo, inclusive, arrecadando fundos (coletas).

No dia de Pentecostes, quando presidia a Missa, na Basílica de São Pedro, o Papa comoveu a todos com este gesto profético: durante a homilia e, após um profundo silêncio, tirou o seu “chapéu” (solidéu), o fez passar entre os bispos, padres e povo, pedindo ajuda para as missões. Notemos bem:  seu “chapéu” passou, primeiro, entre o clero. Nós, Padres e Bispos, nas celebrações, ficamos num espaço físico onde, normalmente, não passa a “cestinha da coleta”; ao contrário, muitas vezes, usufruímos deste “óbolo da viúva” para o autossustento e/ou construções, e não para os pobres, como era costume na Igreja Primitiva.

 Mas…  o que é feito desta coleta?!  A importância arrecadada é enviada às Pontifícias Obras Missionárias, no Vaticano. Esta entidade, além de formar e enviar missionários, recebe projetos do mundo inteiro e, após análise, procura atender às necessidades mais urgentes. No Brasil, a soma gira em torno de 5,5 a 6 milhões de reais. Por sua vez, cada ano, somos contemplados com, aproximadamente, 150 projetos.

Porém, convém ressaltar que Pio XI não estava preocupado só com o autossustento.  Insistia que cada cristão, a partir do batismo, pode e deve ser missionário. Para tanto indicou São Francisco Xavier e Santa Terezinha como modelos.

O primeiro viveu 46 anos (1506 -1552). Evangelizou a Índia e o Japão e, enquanto se preparava para entrar na China, contraiu uma doença e morreu.  Santa Terezinha teve uma vida curta, 24 anos (1873 – 1897), e nunca saiu do Mosteiro de Lisieux (França), onde ingressou quando tinha 15 anos. Ofereceu sua vida e doenças físicas pelos missionários; tudo o que fazia, até mesmo as coisas corriqueiras do dia-a-dia, fazia-o bem feito e com extraordinário amor.

Ao apontar estes dois estilos de vida como “Padroeiro(a) das Missões”, Pio XI quis dizer: o doente que está no fundo de sua cama, pode ser tão missionário como aquele que voa em aviões supersônicos. Quiçá, o primeiro seja ainda melhor, porque a eficiência da missão depende, essencialmente, da intensidade amorosa com que se vive o batismo.

Sejamos discípulos missionários, atentos ao apelo de Jesus: “A messe é grande e os operários são poucos. Rogai ao Senhor da messe que envie operários à sua messe” (Mt 9,37).  Este clamor continua até hoje. Testemunhemos nosso batismo, e “despertemos para a missão, todos os que dormem”.

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