Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Mais um bispo franciscano?

27/09/2008

Frei Hipólito Martendal

1. Introdução – Não, o ponto de interrogação nada tem a ver com restrições ou oposição. Até pelo contrário. É que pela boa política interna da Igreja, os candidatos naturais ao episcopado costumam ser padres diocesanos que se distinguem pelo zelo e capacitação pastoral, além de santidade pessoal. O franciscano bispo é um tanto quanto incoerente com certas qualidades que se supõe nele existentes, tais como a mística do servir e da minoridade. Já expliquei em artigos anteriores que a minoridade encarna perfeitamente todo o espírito franciscano. Isso o deveria impulsionar a procurar sempre a primeira camada, começando de baixo para cima, de qualquer pirâmide ou camada social. Então, o franciscano deveria por toda a vida ser o menor de todos para a todos servir com a maior naturalidade. Acontece que em circunstâncias normais, dirigentes, autoridades, governantes, diretores ocupam os postos mais elevados da pirâmide.

2. Paradoxo – Contudo, São Francisco adotou como ideal a ser vivido o próprio Evangelho de Jesus Cristo. A vida segundo o Evangelho se concretiza em Fraternidade. Mas na vida entre irmãos, para Jesus, não há lugar para maiores e menores, para autoridades e súditos. Todos são apenas irmãos uns dos outros e a vida é regida só e sempre pelo amor mútuo expresso pelos serviços prestados continuamente de todos para todos. Sugiro ver Mt 20, 25-28 e Mc 10, 42-45.

O grande problema que a Igreja de Deus enfrenta sempre é tentar conciliar esta vida fraterna tão idealizada, tão romântica, tão utópica, com uma instituição que precisa ser prática , funcional, segura, cientificamente bem organizada. Parece impossível uma instituição manter unida uma multidão de pessoas, por mais fraternas e evangélicas que sejam todas, que desejam conviver e atender satisfatoriamente as necessidades e demandas de todos os seus membros sem recorrer a alguma organização e uso de poder e autoridade conferidos a alguns de seus membros.

3. Como harmonizar duas realidades tão diferentes e diametralmente opostas? É dificílimo. A Igreja de Cristo, muitas vezes e por longos séculos, caiu na tentação do poder, chegando às vezes a disputar até pelo uso de forças armadas o comando com reis e imperadores. Foram épocas em que o governo da Igreja mais se afastou do Evangelho como carta magna e fonte inspiradora. São Francisco simplesmente resolveu apegar-se ao Evangelho para vive-lo em Fraternidade. Mas, por muito pouco, ainda durante sua vida e apesar de toda a sua influência pessoal, influência ancorada numa santidade de vida talvez única em seres humanos comuns, sua Ordem dos Frades Menores não se desconjuntou inteiramente. Então, parece que para uma Fraternidade Cristã viver segundo a vontade de Jesus Cristo, a receita é: o máximo de elementos tirados do Evangelho (amor-serviço, perdão, compreensão….) e o mínimo de elementos ligados ao poder.

4. Uma contribuição surpreendente hoje nos chega do mundo empresarial, um mundo nada evangélico. Esse pessoal quer o sucesso de suas empresas. Mas percebem que o sucesso não se alcança fácil e não se prolonga por muito tempo sem o bem-estar das pessoas envolvidas no empreendimento. Aos poucos descobriu-se que o chefe todo-poderoso não garantia sucesso. Aos poucos percebeu-se que o chefe mais do que revestido de poder devia ter liderança. Mas, há tantos modelos diferentes de liderança! Aos poucos foi ficando mais claro que o bom líder é aquele que melhor sabe unir os liderados e estimulá-los à ação. Muito se investiu sobre clareza de comunicação, sobre motivação, simpatia, sobre carismas pessoais e poder de atrair admiração do líder. Mas os resultados, embora melhores, ainda não deixavam o pessoal do ramo satisfeito.

Agora, novas descobertas têm sido feitas e elas apontam para uma liderança que eles chamam de liderança-serviço. Se você já pensou em amor-serviço, bingo! Evangelho e Franciscanismo têm tudo a ver com isso. É a descoberta desse potencial verdadeiramente humanístico encerrado no cerne do verdadeiro cristianismo e franciscanismo. Os caminhos e as motivações podem ter sido tortos, mas a descoberta e a homenagem ao Amor-Serviço (= liderança-serviço) são reais e autênticas. O problema é encontrar pessoas do mundo que possam envergar bem esta liderança.

No meu entender, o verdadeiro franciscano deve se movimentar nesta liderança-serviço, a mais eficiente até agora, com a mesma desenvoltura com que o peixe nada na água.

5. E nosso Frei Severino com isto? Acredito que a Igreja também faz suas descobertas em torno de lideranças, vida evangélica e franciscanos. Nosso desejo, imagino-me falando pelos leitores deste Boletim e freqüentadores desta Paróquia-Santuário de São Francisco, é que Frei Severino, sagrado bispo, continue cada vez mais líder evangélico, líder-serviçal de todos os seus diocesanos. Ocorreu-me uma piada de nosso santo Frei Godofredo: “Quando alguns padres são ordenados bispos, não sabemos que espírito entra neles”. Que nenhum outro espírito, nem o da vaidade, do amor próprio, da vanglória, do poder, digo, nenhum espírito entre em Frei Severino, a não ser o “ESPÍRITO SANTO e o seu SANTO MODO DE OPERAR”! Que todos os seus diocesanos recebam os frutos de sua liderança-serviço franciscana!

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