janeiro/2022

  • Santa Maria, Mãe de Deus

    • Primeira leitura
    • Salmo
    • Segunda Leitura
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra
    Números 6,22-27

    22O Senhor falou a Moisés, dizendo: 23“Fala a Aarão e a seus filhos: Ao abençoar os filhos de Israel, dizei-lhes: 24‘O Senhor te abençoe e te guarde! 25O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! 26O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!’ 27Assim invocarão o meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei”.

    Palavra do Senhor.


    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

    Sl 66(67)
    Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção.

    Que Deus nos dê a sua graça e sua bênção, / e sua face resplandeça sobre nós! /
    Que na terra se conheça o seu caminho / e a sua salvação por entre os povos. – R.

    Exulte de alegria a terra inteira, / pois julgais o universo com justiça; /
    os povos governais com retidão / e guiais, em toda a terra, as nações. – R.

    Que as nações vos glorifiquem, ó Senhor, / que todas as nações vos glorifiquem! /
    Que o Senhor e nosso Deus nos abençoe, / e o respeitem os confins de toda a terra! – R.

    Gálatas 4,4-7

    4quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, 5a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva. 6E porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: Abá – ó Pai! 7Assim já não és escravo, mas filho; e se és filho, és também herdeiro: tudo isso por graça de Deus.

    Palavra do Senhor.

    Lucas 2,16-21

    Naquele tempo, 16os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura. 17Tendo-o visto, contaram o que lhes fora dito sobre o menino. 18E todos os que ouviram os pastores ficaram maravilhados com aquilo que contavam. 19Quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração. 20Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito. 21Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus, como fora chamado pelo anjo antes de ser concebido.

    Palavra da salvação.

    NOSSA SENHORA DO ANO NOVO

    Dia Mundial da Paz

    Primeiro dia do ano novo. Em nossos lábios e em nossos ouvidos essa saudação tão bonita: Feliz ano novo! Um santo ano novo! Festa universal marcada por música, alegria, fogos de artifício, danças, bebidas e comidas. Começa um ano novo, ano de graça e de bênção do Senhor. A liturgia da Igreja coloca diante de nossos olhos a Mãe do Menino. Hoje é festa de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe. Ela vai nos acompanhar através do tempo que nos será dado viver neste ano que agora chamamos de novo.

    Estamos uma vez mais diante da simplicidade do presépio. Pastores chegam ao local onde estava o Menino, atendendo ao apelo do anjo. Lucas diz que eles, avisados do nascimento do menino, foram às pressas a Belém. Maria vendo tudo, guardava esses fatos e meditava sobre eles em seu coração. Vemos a alegria dos que chegam e damo-nos conta da atitude de fé de Maria. Nesse tempo do Natal o mistério do Deus encarnado é colocado diante de nós no rosto da criança. Vamos também levando essas coisas ao fundo de nosso coração e nos acostumando alegremente a conviver com Deus que se fez Emanuel no seio de sua Mãe e nossa Mãe. Viver de maneira fecunda os dias do ano novo será levar as coisas de Deus até o fundo do coração, cada dia, em cada circunstância, em todos os momentos.

    Aquela mulher que colocou no mundo o Menino das Palhas é Maria, Mãe de Deus. Paulo lembra que, quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho nascido de mulher.

    Ficamos muito felizes de ouvir a proclamação da benção vetero-testamentária dada aos filhos de Israel (Números 6,22-27). Tal bênção se materializa no Filho de Deus que nos foi dado por Maria. “O Senhor te abençoe e te guarde, faça brilhar sobre ti a sua face, se compadeça de ti, volva para ti o seu rosto e te dê a paz”. Tais palavras, no primeiro dia do ano, constituem garantia do amor de Deus que quer acompanhar nossos passos no tempo que corre e que é dom de seu amor.

    Neste dia de ano novo comemora-se o dia mundial da paz. “Desejaremos aos nossos amigos aquilo que veio até nós em Cristo: o amor de Deus na doação de vida para os irmãos. Esta é a verdadeira paz que convém desejar nesse Dia Mundial da Paz. Somente onde reinam os sentimentos de Jesus – o esquecimento de si para o bem dos irmãos, como pessoas e como sociedade, pode existir a paz que vem de Deus. É este o espírito de Jesus, no qual chamamos a Deus de Pai e aos outros, irmãos” (Johan Konings, SJ, Liturgia Dominical, Vozes, p 61).

    Ó Deus, que pela virgindade fecunda de Maria destes à humanidade a salvação eterna, dai-nos contar sempre com sua intercessão, pois ele nos trouxe o autor da vida (Oração da Solenidade)


    Frei Almir Guimarães

     

  • Epifania do Senhor

    • Primeira leitura
    • Salmo
    • Segunda Leitura
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra
    Isaías 60,1-6

    1Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. 2Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. 3Os povos caminham à tua luz, e os reis, ao clarão de tua aurora. 4Levanta os olhos ao redor e vê, todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. 5Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; 6será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor.

    Palavra do Senhor.


    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

    Sl 71(72)
    As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor!

    Dai ao rei vossos poderes, Senhor Deus, / vossa justiça ao descendente da realeza! /
    Com justiça ele governe o vosso povo, / com equidade ele julgue os vossos pobres. – R.

    Nos seus dias, a justiça florirá / e grande paz, até que a lua perca o brilho! /
    De mar a mar estenderá o seu domínio, / e desde o rio até os confins de toda a terra! – R.

    Os reis de Társis e das ilhas hão de vir / e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; /
    e também os reis de Seba e de Sabá / hão de trazer-lhe oferendas e tributos. /
    Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, / e todas as nações hão de servi-lo. – R.

    Libertará o indigente que suplica / e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. /
    Terá pena do indigente e do infeliz, / e a vida dos humildes salvará. – R.

    Efésios 3,2-3.5-6

    2Irmãos, se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito 3e como, por revelação, tive conhecimento do mistério. 5Esse mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: 6os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo por meio do Evangelho.

    Palavra do Senhor.

    Mateus 2,1-12

    1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. 3Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. 4Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. 5Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6‘E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo’”. 7Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. 8Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”. 9Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. 10Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. 11Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. 12Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

    Palavra da salvação.

    Ele vieram de longe, de muito longe. Traziam interrogações na garganta, perguntas no coração e buscavam a casa do rei dos judeus.  Esses misteriosos magos são também convidados a ver o que Deus havia feito.  Antes haviam chegado os pastores convidados pelos mensageiros e agora  são esses homens  portadores de questões e interrogações.

    São pessoas que se informam.  Perguntam às autoridades.  Sabem que, pelas Escrituras,  esse príncipe deveria nascer em Belém… Guiados pela luz de Deus, pela fé, pela estrela chegam até seu destino. A estrela que havia desaparecido, torna a brilhar… Ao verem a estrela, ao encontrarem a luz da fé,  os magos  “sentiram uma alegria muito grande”. Viram a cena: o menino com Maria, sua mãe.  Delicadamente dobram os joelhos e adoram o Senhor.  Abrem seus presentes: ouro, incenso e mirra.

    Ao longo de todos os séculos e de todos os tempos homens e mulheres cheios de interrogações começaram a buscar o Deus belo e grande. Muitos e muitos o encontraram na figura adorável de Cristo Jesus.  Uns encontraram esse Jesus em suas casas, no seio de suas famílias.  Esses, talvez, se tenham acostumado com  Jesus.  Ele precisaram ou precisarão  aprender a formular as questões mais angustiantes e buscar a Deus.   Outros que nunca tiveram inquietações religiosas  num momento de uma doença ou de  muita alegria  não se sentindo contentes com seus arranjo existencial têm vontade de buscar a Deus. Quem dera que nossas comunidades cristãs possam ser espaços de busca do Altíssimo.  Estamos ainda no tempo das manifestações.

    “Hoje, os magos que o procuravam resplandecente  nas estrelas, o encontram num berço. Hoje os magos veem claramente, envolvido em panos, aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros.  Hoje, os Magos contemplam maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma criança, aquele que o universo não pode conter. Vendo-o proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos  presentes:  incenso a Deus, ouro ao rei e mirra ao que haveria de morrer” (São Pedro Crisólogo, Lecionário Monástico  I, p.457).

    Realizam-se as profecias do Testamento anterior:  “Eis que a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifestas sobre ti apareceu  o Senhor e sua glória já se manifesta sobre ti (…) será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro, incenso e mirra, proclamando a gloria do Senhor”.


    Frei Almir Guimarães

  • 2ª-feira do Tempo do Natal

    • Primeira leitura
    • Salmo responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra
    1 João 3,22-4,6

    Caríssimos, 22qualquer coisa que pedimos recebemos dele, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é do seu agrado. 23Este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que ele nos deu. 24Quem guarda os seus mandamentos permanece com Deus e Deus permanece com ele. Que ele permanece conosco, sabemo-lo pelo Espírito que ele nos deu. 4,1Caríssimos, não acrediteis em qualquer espírito, mas examinai os espíritos para ver se são de Deus, pois muitos falsos profetas vieram ao mundo. 2Este é o critério para saber se uma inspiração vem de Deus: todo espírito que leva a professar que Jesus Cristo veio na carne é de Deus; 3e todo espírito que não professa a fé em Jesus não é de Deus – é o espírito do anticristo. Ouvistes dizer que o anticristo virá; pois bem, ele já está no mundo. 4Filhinhos, vós sois de Deus e vós vencestes o anticristo. Pois convosco está quem é maior do que aquele que está no mundo. 5Os vossos adversários são do mundo; por isso, agem conforme o mundo, e o mundo lhes presta ouvidos. 6Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus escuta-nos; quem não é de Deus não nos escuta. Nisso reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro.

    Palavra do Senhor.


    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

    Sl 2
    Eu te darei por tua herança os povos todos.

    O decreto do Senhor promulgarei, † foi assim que me falou o Senhor Deus: /
    “Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei!” / Podes pedir-me, e em resposta eu te darei,
    † por tua herança, os povos todos e as nações, / e há de ser a terra inteira o teu domínio. – R.

    E agora, poderosos, entendei; / soberanos, aprendei esta lição: /
    com temor servi a Deus, rendei-lhe glória / e prestai-lhe homenagem com respeito! – R.

    Mateus 4,12-17.23-25

    Naquele tempo, 12ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galileia. 13Deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galileia, 14no território de Zabulon e ­­Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: 15“Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! 16O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz”. 17Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: “Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo”. 23Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. 24E sua fama espalhou-se por toda a Síria. Levavam-lhe todos os doentes, que sofriam diversas enfermidades e tormentos: endemoninhados, epiléticos e paralíticos. E Jesus os curava. 25Numerosas multidões o seguiam, vindas da Galileia, da Decápole, de Jerusalém, da Judeia e da região além do Jordão.

    Palavra da salvação.

    Brilhou uma grande luz!

    Estamos no início da pregação de Jesus. Ele deixa Nazaré e vai morar em Cafarnaum, no território de Zabulon e Neftali, na Galileia dos pagãos. Ali ele começa a anunciar a luminosidade do Evangelho. Vemos Jesus como pregador. Na região brilhou uma grande luz. O tema da luz, da grande luz, toma conta de nosso horizonte.

    O tempo da Natal é marcado pelo tema da luminosidade. Há a luz da estrela sobre o presépio do Menino, luz que convoca os Magos. Nesse Jesus, agora adulto, se realizam as profecias do Antigo Testamento. Um povo que andava nas trevas viu uma grande luz. Jesus tem muitos nomes: pastor, porta, ungido, caminho. Mas é luz. Não se pode esconder a luz debaixo da mesa. Os que andam com Jesus caminham na luz porque Jesus é a luz do mundo. Durante a sua vida deverá ele travar um duro combate com as trevas, luta que vai durar até o momento da cruz. As trevas quererão vencê-lo como também desejarão derrotar os cristãos, iluminados a partir de seu batismo. Com seu modo de ser, com uma claridade misteriosa da qual está revestido porque ele vem da luz do Pai, com as palavras que profere o Messias arranca os povos das trevas e os leva para a claridade.

    Verdade que, nem sempre, os circunstantes puderam ver a luz no rosto de Cristo. Ele era tão parecido com tantos outros nazarenos. Mais tarde, bem mais tarde, seu rosto seria mesmo desfigurado, na hora das trevas, no momento da paixão. Realmente as trevas pareciam vitoriosas.

    Na caminhada terrena do Messias houve um momento de particular luminosidade. Sobre a montanha seu rosto se transfigurou e brilhou como o sol. A transfiguração tinha sido um prenúncio da luz da páscoa. Na clara manhã da ressurreição vitoriosa brilharia para sempre a luz do Senhor e nós, seus discípulos, conheceríamos nossa vocação de serem iluminados na luz da ressurreição.

    A pregação do Messias é luz. A evangelização é luz. A Igreja tem que anunciar a conversão, como Jesus, porque respondendo ao apelo de transformação do coração os fiéis se iluminam e são blindados contra as trevas. Pregar a conversão é anunciar a iluminação. Antigo documento da catequese da Igreja da Itália afirma que o ministério da pregação reúne homens e mulheres na Igreja mediante a fé A Igreja continua a pregação de Jesus no convite à conversão. “Aquele que, movido pelo Espírito, procura ser atento e dócil à palavra de Deus, percorre um itinerário de conversão a Cristo, abandonando sua própria vontade, conformando-se com Cristo, comprometido com a Igreja e levando vida nova para o mundo. O cristão segue um itinerário de conversão que pode comportar, ao mesmo tempo, a alegria do encontro e contínua exigência de busca posterior; o arrependimento pela infidelidade e a coragem de recomeçar; a paz pela descoberta e o desejo de novos conhecimentos, a certeza da verdade e a constante necessidade de novas luzes” (Il rinovamento della catechesi, CEI, n. 17).


    Frei Almir Guimarães

  • 3ª-feira do Tempo do Natal

    • Primeira leitura
    • Salmo responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra
    1 João 4,7-10

    7Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece Deus. 8Quem não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor. 9Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos vida por meio dele. 10Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados.

    Palavra do Senhor.


    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

    Sl 71(72)
    Os reis de toda a terra / hão de adorar-vos, ó Senhor!

    Dai ao rei vossos poderes, Senhor Deus, / vossa justiça ao descendente da realeza! /
    Com justiça ele governe o vosso povo, / com equidade ele julgue os vossos pobres. – R.

    Das montanhas venha a paz a todo o povo, / e desça das colinas a justiça! /
    Este rei defenderá os que são pobres, / os filhos dos humildes salvará. – R.

    Nos seus dias, a justiça florirá / e grande paz, até que a lua perca o brilho! /
    De mar a mar estenderá o seu domínio, / e desde o rio até os confins de toda a terra! – R.

    Marcos 6,34-44

    Naquele tempo, 34Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas. 35Quando estava ficando tarde, os discípulos chegaram perto de Jesus e disseram: “Este lugar é deserto e já é tarde. 36Despede o povo, para que possa ir aos campos e povoados vizinhos comprar alguma coisa para comer”. 37Mas Jesus respondeu: “Dai-lhes vós mesmos de comer”. Os discípulos perguntaram: “Queres que gastemos duzentos denários para comprar pão e dar-lhes de comer?” 38Jesus perguntou: “Quantos pães tendes? Ide ver”. Eles foram e responderam: “Cinco pães e dois peixes”. 39Então Jesus mandou que todos se sentassem na grama verde, formando grupos. 40E todos se sentaram, formando grupos de cem e de cinquenta pessoas. 41Depois Jesus pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção, partiu os pães e ia dando aos discípulos, para que os distribuíssem. Dividiu entre todos também os dois peixes. 42Todos comeram, ficaram satisfeitos 43e recolheram doze cestos cheios de pedaços de pão e também dos peixes. 44O número dos que comeram os pães era de cinco mil homens.

    Palavra da salvação.

    O milagre da partilha

    Jesus tem pena da multidão. Ele se vê cercado de tantos estropiados: cegos, famintos, coxos, surdos, uma multidão de pobres. E muitos desses andavam atrás dele, mesmo no deserto, mesmo nas regiões mais inóspitas. Procuravam a cura. O Mestre levanta os olhos e o evangelista faz a seguinte observação: “Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas”.

    Ovelhas sem pastor, pessoas sem ninguém para orientá-las de verdade na busca da água, do alimento, pessoas desprotegidas, entregues à própria sorte, cambaleantes, sem nada. Jesus tem compaixão dessa gente toda. E começa a ensinar. Ensina como quem tem sabedoria e não como os mestres que gostam de ouvir o que estão dizendo. Ensina tentando atingir o nó mais íntimo das pessoas.

    Aí estão esses todos em nossos tempos: meninos que crescem em famílias esfaceladas, que nunca ouvirem de verdade falar da esperança que se chama Jesus. Aí estão estes todos preocupados com o consumo, com o dinheiro, com o aproveitar a vida…  Esses todos são ovelhas sem pastor.

    Esses casados que empurram a vida para frente sem entusiasmo, sem compreenderem o sentido do matrimônio, sem se amarem como Cristo amou a Igreja. Ovelhas sem pastor. Esses tantos que se preparam para o batismo num cursinho de um dia… sem convicção, sem pertencerem a Cristo e a uma comunidade de fé. Todos esses ovelhas sem pastor. Quem vai cuidar deles?

    Os que estavam no deserto atrás de Jesus precisavam comer. Conhecemos a lição do evangelho. Com o pouco que se tem se pode fazer o muito. Cinco pães e dois peixes não são suficientes para nada. O pouco que se tinha foi colocado junto e o olhar do Mestre atinge os céus e o pão e o peixe são largamente suficientes para todos. E ainda sobraram doze cestos de pães e de peixes. Pais e mães de família precisam partilhar a vida, ensinar, estar perto dos filhos, fazer-lhes o dom do tempo. Não se pode reclamar dos casamentos quando os bons não se dedicam a uma nova pastoral. Quando não há partilha do pouco que se tem. É evidente que a lição da conhecida multiplicação dos pães.

    “Jesus continua a ser “pão vivo” para a vida do mundo; a nos compete empenharmo-nos para que seja dado a todos, no dom material (alimento para o corpo) e no espiritual (Eucaristia). Em muitos casos o caminho do evangelizador parte da humanização e da libertação do pobres” (Missal Cotidiano da Paulus, p. 149).


    Frei Almir Guimarães

     

  • 4ª-feira do Tempo do Natal

    • Primeira leitura
    • Salmo responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra
    1 João 4,11-18

    11Caríssimos, se Deus nos amou assim, nós também devemos amar-nos uns aos outros. 12Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amamos uns aos outros, Deus permanece conosco, e seu amor é plenamente realizado entre nós. 13A prova de que permanecemos com ele, e ele conosco, é que ele nos deu o seu Espírito. 14E nós vimos, e damos testemunho, que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. 15Todo aquele que proclama que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece com ele, e ele com Deus. 16E nós conhecemos o amor que Deus tem para conosco e acreditamos nele. Deus é amor: quem permanece no amor permanece com Deus, e Deus permanece com ele. 17Nisto se realiza plenamente o seu amor para conosco: em nós termos plena confiança no dia do julgamento, porque, tal como Jesus, nós somos neste mundo. 18No amor não há temor. Ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor, pois o temor implica castigo, e aquele que teme não chegou à perfeição do amor.

    Palavra do Senhor.


    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

    Sl 71(72)
    As nações de toda a terra / hão de adorar-vos, ó Senhor!

    Dai ao rei vossos poderes, Senhor Deus, / vossa justiça ao descendente da realeza! /
    Com justiça ele governe o vosso povo, / com equidade ele julgue os vossos pobres. – R.

    Os reis de Társis e das ilhas hão de vir / e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; /
    e também os reis de Seba e de Sabá / hão de trazer-lhe oferendas e tributos. /
    Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, / e todas as nações hão de servi-lo. – R.

    Libertará o indigente que suplica / e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. /
    Terá pena do indigente e do infeliz / e a vida dos humildes salvará. – R.

    Marcos 6,45-52

    Depois de saciar os cinco mil homens, 45Jesus obrigou os discípulos a entrarem na barca e irem na frente para Betsaida, na outra margem, enquanto ele despedia a multidão. 46Logo depois de se despedir deles, subiu ao monte para rezar. 47Ao anoitecer, a barca estava no meio do mar e Jesus sozinho em terra. 48Ele viu os discípulos cansados de remar, porque o vento era contrário. Então, pelas três da madrugada, Jesus foi até eles, andando sobre as águas, e queria passar na frente deles. 49Quando os discípulos o viram andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e começaram a gritar. 50Com efeito, todos o tinham visto e ficaram assustados. Mas Jesus logo falou: “Coragem, sou eu! Não tenhais medo!” 51Então subiu com eles na barca. E o vento cessou. Mas os discípulos ficaram ainda mais espantados, 52porque não tinham compreendido nada a respeito dos pães. O coração deles estava endurecido.

    Palavra da salvação.

    Aquele que nos estende a mão

    Viver é sempre um desafio. São poucos os que vivem em plenitude. Viver cristãmente poderia até ser mais simples, mas por vezes é mais complicado. Somos mais complicadores do que simplificadores. Conhecemos desânimo, incompreensões, cansaço, insucessos, como os apóstolos que se meteram a remar com dificuldade porque o vento lhes era contrário. Há ventos adversos em nossos projetos de vida.

    A multiplicação dos pães deve ter sido um fato extremamente impressionante. Na sua simplicidade, o evangelista Marcos afirma que, após o evento, Jesus obrigou os discípulos a irem adiante, enquanto ele ia despedindo a multidão. A tradução emprega obrigou. Talvez essa gente toda quisesse mais milagres e os apóstolos poderiam pensar que o Messias viera para fazer coisas mirabolantes. Ou será que as pessoas ficaram para agradecer?

    ‘Quando as coisas serenaram Jesus “subiu ao monte para rezar”. Sim, depois de tanta agitação compreende-se que ele tenha experimentado necessidade de estar a sós com o Pai. Não dá para viver no frenesi da agitação o tempo tudo. Estressa, cansa, esvazia a pessoa por dentro.

    Diz Marcos que, pelas 3 horas da madrugada, “Jesus foi ter com eles andando pela água”. Nesse momento a página de Marcos ganha dramaticidade. Jesus parecia um fantasma, os apóstolos começam a gritar, ficam assustados, experimentam medo. Parecem perdidos.

    Como perdidos estão os pais quando os filhos estão nas drogas, perdidos os agentes de pastoral quando não conseguem atingir o coração dos fiéis, perdidos os casais que não sabem mais construir a conjugalidade, perdidos os cristãos que não conseguem chegar à santidade.

    A parte central do texto é mensagem de esperança: “Coragem, sou eu! Não tenhais medo”. Jesus sobe na barca. Tudo se acalma. O vento cessa e chega a bonança.

    Pela fé, no coração de todos os desafios existenciais, o cristão sabe que Cristo se faz presente. A barca da vida não soçobra. Os projetos que empreendemos vão ter sucesso porque Jesus está por perto.

    Marcos termina o texto com duas observações. Insiste que os discípulos experimentam um novo espanto. Não bastou a questão da multiplicação dos pães. Agora Jesus anda sobre as águas. E a outra observação que parece vincular medo, espanto com a falta de fé. “O coração deles estava endurecido”. Estamos diante do grave tema do endurecimento do coração. Na medida em que, numa postura de simplicidade humilde, o fiel faz atos de fé, à maneira de Abraão, à maneira dos cegos e paralíticos miraculados, o coração não se torna pedra. O orgulho e a autossuficiência jactanciosa impedem que a graça penetre.


    Frei Almir Guimarães

  • 5ª-feira do Tempo do Natal

    • Primeira leitura
    • Salmo responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra
    1 João 4,19-5,4

    19quanto a nós, amamos a Deus porque ele nos amou primeiro. 20Se alguém disser: “Amo a Deus”, entretanto odeia o seu irmão, é um mentiroso; pois quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê. 21E este é o mandamento que dele recebemos: aquele que ama a Deus ame também o seu irmão. 5,1Todo o que crê que Jesus é o Cristo nasceu de Deus, e quem ama aquele que gerou alguém, amará também aquele que dele nasceu. 2Podemos saber que amamos os filhos de Deus quando amamos a Deus e guardamos os seus mandamentos. 3Pois isto é amar a Deus: observar os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados, 4pois todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé.

    Palavra do Senhor.


    Imagem ilustrativa de Frei Fábio Melo Vasconcelos

    Sl 71(72)
    As nações de toda a terra / hão de adorar-vos, ó Senhor!

    Dai ao rei vossos poderes, Senhor Deus, / vossa justiça ao descendente da realeza! /
    Com justiça ele governe o vosso povo, / com equidade ele julgue os vossos pobres. – R.

    Há de livrá-los da violência e opressão, / pois vale muito o sangue deles a seus olhos! /
    Hão de rezar também por ele sem cessar, / bendizê-lo e honrá-lo cada dia. – R.

    Seja bendito o seu nome para sempre! / E que dure como o sol sua memória! /
    Todos os povos serão nele abençoados, / todas as gentes cantarão o seu louvor! – R.

    Lucas 4,14-22

    Naquele tempo, 14Jesus voltou para a Galileia com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. 15Ele ensinava nas suas sinagogas, e todos o elogiavam. E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado e levantou-se para fazer a leitura. 17Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19e para proclamar um ano da graça do Senhor”. 20Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. 22Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca.

    Palavra da salvação.

    Coisas de um sábado na sinagoga de Nazaré

    Estamos diante do famoso texto de Lucas em que Jesus visita a sinagoga de sua terra. Ele é um homem religioso e nada mais natural que santifique o sábado. Lucas gosta de dizer que os gestos e feitos de Jesus estão sempre ligados a uma misteriosa presença do Espírito. “Jesus voltou para a Galileia com a força do Espírito”.

    E ei-lo na sinagoga de Nazaré, sua terrinha, com gente conhecida, colegas da lida diária, gente mais velha…Vamos então acompanhar a liturgia da palavra. Jesus se levantou para fazer a leitura. E lê o texto de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a boa nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação dos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos, e para proclamar um ano de graça do Senhor”.

    Depois de fechar o livro, sentou-se, e os olhos de todos se fixaram nele. Imagino essa cena num quadro de um pintor… O fascínio de olhos pregados em Cristo….

    “Agora estas palavras se cumprem em mim. Eu estou sendo ungido pelo Alto. Minha vida é realizar uma missão que não é minha, mas daquele que me enviou. Preciso ficar atento. Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que vocês acabaram de ouvir. Venho anunciar uma notícia agradável aos pobres.

    Eles são amados por meu Pai, não precisam desesperar porque seus nomes estão na palma de sua mão. Ao longo de meus anos de vida pública olharei pelos pequenos, pelas viúvas de filho único, pelos corações que não têm poder nem poderio. O mundo novo de meu Pai é dos pequenos de coração que se jogam confiantemente nele. Cegos dos olhos virão a mim, eu untarei seus olhos para que vejam também o rosto do Pai e minha face de Enviado. Quero que todos vejam claramente seu destino. Venho para abrir a porta das prisões em que estão aqueles que cultuam o dinheiro, o ego, seus prazeres e sua vidinha. Venho libertar os homens de si mesmos e fazer com vivam um ano de graça. Vocês são felizes porque ouvem o que eu digo e acolhem esta explicação. Fui ungido para anunciar o mundo novo de meu Pai e fazer com que os mais humildes de entre vocês sejam príncipes desse reino novo”.

    A Liturgia da Palavra não consiste na leitura de um texto que se perde nas brumas do tempo. A Escritura, proclamada no hoje da vida da Igreja e do mundo, na presença do Ressuscitado chega até os mais íntimos cantos de nossa vida. Não basta apenas ficarmos encantados com as palavras de Jesus. Importante que sejam levadas ao fundo do coração e nos transformem. Quando, aos domingos, recitamos o Credo queremos dizer a Deus: “É isso que quero, que busco de todo o coração!”


    Frei Almir Guimarães

     

     

  • 6ª-feira do Tempo de Natal

    • Primeira leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

     1 João 5,5-13

    Leitura da primeira carta de São João – Caríssimos, 5quem é o vencedor do mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? 6Este é o que veio pela água e pelo sangue: Jesus Cristo. (Não veio somente com a água, mas com a água e o sangue.) E o Espírito é que dá testemunho, porque o Espírito é a verdade. 7Assim, são três que dão testemunho: 8o Espírito, a água e o sangue; e os três são unânimes. 9Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior. Este é o testemunho de Deus, pois ele deu testemunho a respeito de seu Filho. 10Aquele que crê no Filho de Deus tem esse testemunho dentro de si. Aquele que não crê em Deus faz dele um mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus deu a respeito de seu Filho. 11E o testemunho é este: Deus nos deu a vida eterna, e esta vida está em seu Filho. 12Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho não tem a vida. 13Eu vos escrevo estas coisas, a vós que acreditastes no nome do Filho de Deus, para que saibais que possuís a vida eterna.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 147(147B)

    Glorifica o Senhor, Jerusalém!

    1. Glorifica o Senhor, Jerusalém! / Ó Sião, canta louvores ao teu Deus! / Pois reforçou com segurança as tuas portas, / e os teus filhos em teu seio abençoou. – R.

    2. A paz em teus limites garantiu / e te dá como alimento a flor do trigo. / Ele envia suas ordens para a terra, / e a palavra que ele diz corre veloz. – R.

    3. Anuncia a Jacó sua palavra, / seus preceitos, suas leis a Israel. / Nenhum povo recebeu tanto carinho, / a nenhum outro revelou os seus preceitos. – R.

    Lucas 5,12-16

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – 12Aconteceu que Jesus estava numa cidade e havia aí um homem leproso. Vendo Jesus, o homem caiu a seus pés e pediu: “Senhor, se queres, tu tens o poder de me purificar”. 13Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero, fica purificado”. E, imediatamente, a lepra o deixou. 14E Jesus recomendou-lhe: “Não digas nada a ninguém. Vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela purificação o prescrito por Moisés como prova de tua cura”. 15Não obstante, sua fama ia crescendo, e numerosas multidões acorriam para ouvi-lo e serem curadas de suas enfermidades. 16Ele, porém, se retirava para lugares solitários e se entregava à oração.

     Palavra da salvação.

    A confiança do homem leproso

    Jesus se faz próximo das misérias humanas. Ou melhor dizendo, as misérias humanas se aproximam de Jesus. São numerosíssimos os episódios de pessoas caindo aos pedaços que se aproximam de Jesus. Entre estes estão os leprosos.

    Jesus estava naquela cidade que não se sabe qual seja. Um leproso se aproxima. Cai aos pés de Jesus. Suplica-lhe; “Se queres tens o poder de purificar-me”. Aquele banido, segregado, não amado, resto humano, estava ali pedindo o impossível a qualquer um, mas possível a esse Jesus. Há uma grande confiança por parte do suplicante.

    Não podemos viver sem confiança. Sem ela não há coragem, nem bondade. A confiança é forte e fraca. Diante do mal ela continua a crer na bondade. Na complexidade das relações, aposta no entendimento. Ela faz confiança na confiança do outro. Bela esta página de Régine Du Charlat em seu Comme des vivants revenus de la mort : “A confiança tolera o desacordo, até mesmo, quem sabe, a guerra, mas nunca o desprezo ou essas modalidades atenuadas de descaso que são o desatenção e a indiferença. Ela permanece viva enquanto crê que o humano permanece humano”.

    E o leproso tinha confiança em Jesus. “Tu tens o poder de me purificar”. Jesus toca nele e ele fica curado.

    O Missal Cotidiano da Paulus, assim explica o texto: “O gesto do leproso é um convite a apresentar-nos com fé, diante do Senhor, para pedir nossa cura. Muitos são os males que nos afligem: egoísmo, orgulho, inveja, avareza, as paixões desordenadas…O pecado radicou-se profundamente na natureza do homem e para quantos nos esforçamos por combatê-lo e extirpá-lo é como uma grama sempre prestes a reaparecer. Ante esta realidade, devemos dizer também com o leproso: “Senhor, se quiseres podes curar-me” (p.157).

    Estamos sempre em estado de conversão. Somos leprosos que nos acercamos dos gestos de Cristo em sua Igreja: sua palavra, a orientação dos pastores, os sacramentos que constituem momentos em que o Ressuscitado nos toca. Assim entramos em comunhão com ele.

    O texto de Lucas conclui fazendo observação importante a respeito de Jesus: “Ele se retirava para lugares solitários e se entregava à oração”. A julgar por estas e outras observações dos evangelistas Jesus não queria se deixar submergir numa correria louca e um ativismo desvairado. Ele busca o silêncio da oração e a calma de momentos em que, explicitamente, procura estar em intimidade com o Pai.


    Frei Almir Guimarães

     

  • Sábado – Tempo do Natal

    • Primeira leitura
    • Salmo responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

    Primeira Leitura: 1 João 5,14-21

    Leitura da primeira carta de São João – Caríssimos, 14esta é a confiança que temos em Deus: se lhe pedimos alguma coisa de acordo com a sua vontade, ele nos ouve. 15E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que lhe pedimos, sabemos que possuímos o que havíamos pedido. 16Se alguém vê seu irmão cometer um pecado que não conduz à morte, que ele reze, e Deus lhe dará a vida; isso se, de fato, o pecado cometido não conduz à morte. Existe um pecado que conduz à morte, mas não é a respeito deste que eu digo que se deve rezar. 17Toda iniquidade é pecado, mas existe pecado que não conduz à morte. 18Sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca. Aquele que é gerado por Deus o guarda, e o maligno não o pode atingir. 19Nós sabemos que somos de Deus, ao passo que o mundo inteiro está sob o poder do maligno. 20Nós sabemos que veio o Filho de Deus e nos deu inteligência para conhecermos aquele que é o verdadeiro. E nós estamos com o verdadeiro, no seu Filho, Jesus Cristo. Este é o Deus verdadeiro e a vida eterna. 21Filhinhos, guardai-vos dos ídolos.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 149

    O Senhor ama seu povo de verdade.

    1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo / e o seu louvor na assembleia dos fiéis! / Alegre-se Israel em quem o fez, / e Sião se rejubile no seu rei! – R.

    2. Com danças glorifiquem o seu nome, / toquem harpa e tambor em sua honra! / Porque, de fato, o Senhor ama seu povo / e coroa com vitória os seus humildes. – R.

    3. Exultem os fiéis por sua glória / e, cantando, se levantem de seus leitos / com louvores do Senhor em sua boca. / Eis a glória para todos os seus santos. – R.

    João 3,22-30

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 22Jesus foi com seus discípulos para a região da Judeia. Permaneceu aí com eles e batizava. 23Também João estava batizando, em Enon, perto de Salim, onde havia muita água. Aí chegavam as pessoas e eram batizadas. 24João ainda não tinha sido posto no cárcere. 25Alguns discípulos de João estavam discutindo com um judeu a respeito da purificação. 26Foram a João e disseram: “Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, e do qual tu deste testemunho, agora está batizando, e todos vão a ele”. 27João respondeu: “Ninguém pode receber alguma coisa se não lhe for dada do céu. 28Vós mesmos sois testemunhas daquilo que eu disse: ‘Eu não sou o Messias, mas fui enviado na frente dele’. 29É o noivo que recebe a noiva, mas o amigo, que está presente e o escuta, enche-se de alegria ao ouvir a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é completa. 30É necessário que ele cresça e eu diminua”.

    Palavra da salvação.

    Aquele que ouve a voz do noivo

    João, o Batista, é o centro do evangelho deste dia. O tempo foi passando e esse galileu que tinha sido batizado por João na águas do Jordão, agora também já batizava. Naquela ocasião João estava batizando na região de Enon, perto de Salim onde havia muita água. Parece que os discípulos de João se mostravam enciumados ou com inveja de Jesus. O Batista tenta esclarecer as coisas. Não dava mais para ter duas comunidades: uma do Batista e outra do Messias. Nada de divisão.

    “Que fique claro. Eu não sou o Messias. Não é possível agora que venhamos a fazer duas comunidades. Uma minha e outra dele. Uma do precursor e outra do que era esperado. Eu fui apenas aquele que preparava os caminhos do Messias. Nada mais. Fiz a minha parte. Tentei levar as pessoas até às águas. Águas que simbolizavam uma outra água. A água do Espírito que o Messias derramaria. Eu presto serviço. Não sou o Messias, mas fui enviado à sua frente. Eu sou amigo do esposo. Ouço sua voz. Rejubilo-me com sua presença. Não tenho mais muito que fazer. Na realidade eu o conheço deste o tempo em que eu e ele estávamos no seio de nossas mães. Como não estimá-lo? Minha alegria é ouvir a voz do esposo e completa minha exultação. É necessário que ele cresça e que eu diminua”.

    Estamos convencidos de que o sentido da vida é servir. Nossas paróquias não existem para outra coisa, senão para o serviço. Há o serviço da acolhida dos que chegam, da busca do que se afastaram, da organização da caridade para que ninguém passe fome, morra de frio ou definhe interiormente. Há o serviço de formação dos noivos para o casamento, de reflexão com os jovens, de paciência com os que erram e repetem o erro. Os que servem, sejam leigos ou sacerdotes, são servos inúteis. Porque o Senhor é quem atua por detrás de suas vidas, de suas palavras e de seus gesto. Somos homens e mulheres do serviço. Não queremos ser pivôs, lá onde o protagonismo é de Cristo.

    Os que servem são pessoas alegres. Se têm sucesso, não o atribuem a si, mas ao Senhor e fazendo o vazio de seus pequenos interesses colocam-se numa posição em que o ego não é o primeiro. Quando tudo dá certo louvam a Deus. Quando o fracasso chega sabem que não depende deles… a obra é de um outro e depende da lentidão ou da presteza do coração daqueles aos quais servimos.


    Frei Almir Guimarães

  • Domingo do Batismo do Senhor

    • Primeira leitura
    • Salmo
    • Segunda Leitura
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

    Isaías 42,1-4.6-7

    Leitura do livro do profeta Isaías – Assim fala o Senhor: 1“Eis o meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito – nele se compraz minha alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. 2Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. 3Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega, mas promoverá o julgamento para obter a verdade. 4Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. 6Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, 7para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.

     Palavra do Senhor.

    Sl: 28(29)

    Que o Senhor abençoe, com a paz, o seu povo!

    1. Filhos de Deus, tributai ao Senhor, / tributai-lhe a glória e o poder! / Dai-lhe a glória devida ao seu nome, / adorai-o com santo ornamento! – R.

    2. Eis a voz do Senhor sobre as águas, / sua voz sobre as águas imensas! / Eis a voz do Senhor com poder! / Eis a voz do Senhor majestosa. – R.

    3. Sua voz no trovão reboando! / No seu templo os fiéis bradam: “Glória!” / É o Senhor que domina os dilúvios, / o Senhor reinará para sempre! – R.

    Salmo opcional: 103(104),1-4.24-25.27-30.

    Atos 10,34-38

    Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, 34Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. 35Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. 36Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa-nova da paz por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. 37Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: 38como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio, porque Deus estava com ele”.

     Palavra do Senhor.

    Lucas 3,15-16.21-22

    Naquele tempo, 15o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. 16Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. 21Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu 22e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu benquerer”.

    Palavra da salvação.

    O Filho Amado consagrou todas as fontes

    Final do tempo do Natal…Hoje comemoramos o Batismo do Senhor. Aquele que não conheceu pecado resolveu identificar-se com os pecadores entrando na fila dos que iam receber o batismo do Batista. Quem vai nos levar ao âmago deste mistério é o bispo São Máximo de Turim:

    As celebrações que se acumulam e as alegrias que se multiplicam nos fazem compreender o quanto devemos ao Cristo Senhor. Ainda exultamos com o nascimento do Salvador e já os alegramos com seu renascimento. Ainda não terminou a festa do seu natal e já devemos celebrar a solenidade de seu batismo. Mal nasceu para os homens e já renasce pelos sacramentos.

    Hoje, com efeito, – embora muitos anos tenham passado – o Cristo foi consagrado no Jordão. O Senhor dispôs as coisas de tal modo que uma celebração se seguisse à outra, isto é, que num mesmo tempo fosse dado à luz pela Virgem, e gerado pelo sacramento, de modo a haver uma festa continua para os seus dois nascimentos: na carne e no batismo. Como há pouco nos admirávamos ao vê-lo concebido por uma mãe imaculada, veneramo-lo também agora imerso na agua pura, e alegremo-nos nesses dois acontecimentos. Pois uma mãe gerou um filho e permanece casta, porque a água lavou o Cristo e está santificada.

    Tal como após o parto foi glorificada a virgindade de Maria, também depois do batismo foi comprovada a purificação da água, com a diferença de que à água foi concedido um dom maior que a Maria. Esta, com efeito, mereceu a castidade somente para si, enquanto que a água confere a todos a santidade. Maria mereceu não pecar, e a água purificar os pecados. Maria deu à luz um filho e é pura, a água gera a muitos e é virgem. Maria não teve outro filho além do Cristo, a água se torna com Cristo, mãe dos povos.

    Hoje é, portanto, como se fosse um novo Natal do Salvador. Vemo-lo, de fato, gerado com os mesmos sinais e milagres, porém com maior mistério. Pois o Espírito Santo, que o assistiu no seio materno, agora o ilumina em meio ao rio; aquele que preservou Maria para ele, agora o santifica nas águas. O Pai, que antes estendeu a sombra poderosa, agora faz ouvir a sua voz. E Deus que outrora envolveu em sombra o nascimento, dá agora, como por deliberação mais perfeita, testemunho da verdade, dizendo: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; ouvi-o (Mt 17,5).

    Hoje Cristo é batizado no Jordão. Que batismo é este, em que o batizado é mais puro do que a fonte? Onde a água que lava o corpo não se torna impura, mas enriquecida de bênçãos? Que batismo é este, o do Salvador, no qual as águas em vez de purificar são purificadas? Num novo gênero de santificação, a água não lava, mas é lavada. Desde o momento em que imergiu na água, o Salvador consagrou todas as fontes no mistério do batismo, para que todo aquele que desejar ser batizado em nome do Senhor seja lavado não pela água do mundo, mas purificado pela água de Cristo. Assim, o Salvador quis ser batizado não visando adquirir pureza para si, mas a fim de purificar as águas para nós. ( Lecionário Monástico I , p.525-527).


    Frei Almir Guimarães

  • 2ª-feira da 1ª Semana TC

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

    1 Samuel 1,1-8

    Início do primeiro livro de Samuel – 1Havia um homem sufita, oriundo de Ramá, no monte Efraim, que se chamava Elcana, filho de Jeroam, filho de Eliú, filho de Tou, filho de Suf, efraimita. 2Elcana tinha duas mulheres; uma chamava-se Ana e a outra Fenena. Fenena tinha filhos; Ana, porém, não tinha. 3Todos os anos, esse homem subia da sua cidade para adorar e oferecer sacrifícios ao Senhor todo-poderoso em Silo. Os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, eram sacerdotes do Senhor naquele santuário. 4Quando oferecia sacrifício, Elcana dava à sua mulher Fenena e a todos os seus filhos e filhas as porções que lhes cabiam. 5A Ana, embora a amasse, dava apenas uma porção escolhida, pois o Senhor a tinha deixado estéril. 6Sua rival também a magoava e atormentava, humilhando-a pelo fato de o Senhor a ter tornado estéril. 7E isso acontecia todos os anos. Sempre que subiam à casa do Senhor, ela a provocava do mesmo modo. E Ana chorava e não comia. 8Então, Elcana, seu marido, lhe disse: “Ana, por que estás chorando e não te alimentas? E por que se aflige o teu coração? Acaso não sou eu melhor para ti do que dez filhos?”

    Palavra do Senhor.

    Sl: 115(116)

    Oferto ao Senhor um sacrifício de louvor.

    1. Que poderei retribuir ao Senhor Deus / por tudo aquilo que ele fez em meu favor? / Elevo o cálice da minha salvação, / invocando o nome santo do Senhor. – R.

    2. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor / na presença de seu povo reunido. / Por isso oferto um sacrifício de louvor, / invocando o nome santo do Senhor. – R.

    3. Vou cumprir minhas promessas ao Senhor / na presença de seu povo reunido; / nos átrios da casa do Senhor, / em teu meio, ó cidade de Sião! – R.

    Marcos 1,14-20

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – 14Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galileia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: 15“O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!” 16E, passando à beira do mar da Galileia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. 17Jesus lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens”. 18E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. 19Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; 20e logo os chamou. Eles deixaram seu pai, Zebedeu, na barca com os empregados e partiram, seguindo Jesus.

    Palavra da salvação.

    Aquele que passa e chama

    O texto do evangelho deste dia começa situando nitidamente os acontecimentos. João Batista tinha sido encarcerado. Jesus começa sua pregação. Começa a falar para tocar o interior das pessoas e fazer com que estas se voltem para seu projeto. Não dá mais para esperar. O tempo esgotou. O mundo novo chamado Reino está às portas. Há um ambiente marcado por coisas alvissareiras. Jesus tem um presente e um pedido. O presente é uma boa nova, o evangelho. O pedido é o da transformação do interior. Agora é o tempo favorável. Não se pode perder tempo. Trata-se agora de entrar numa esfera que, na realidade, vai abolindo o tempo: os que se convertem entram num movimento de eternidade.

    Vem, então, o momento do chamamento. Simão e André estão em seu labor. Arrumam ou consertam suas redes. O olhar de Jesus vai até o fundo de suas vidas e de seus corações. O convite não é para que esses pescadores se assentem nos bancos de escolas rabínicas. Trata-se de seguir o Mestre. Os cristãos serão os que entram na sequela de um Mestre itinerante. “A admiração pela pessoa de Jesus, seu chamado e seu olhar de amor despertam uma resposta consciente e livre desde o mais íntimo do coração do discípulo, uma adesão a toda a sua pessoa ao saber que o Cristo o chama pelo nome” (Doc. Aparecida, n. 136).

    Os pescadores de peixes se transformarão em pescadores de homens.

    E os chamados não hesitam. Há uma pronta e decidida resposta: deixam as redes e seguem a Jesus. Nesse tempo que urge, nesse tempo que não pode ser perdido, um pouco mais adiante Jesus chama os filhos de Zebedeu, Tiago e João, que estavam consertando as redes. Jesus chama as pessoas ali onde elas vivem e impressiona, também neste caso, a prontidão da resposta. E estes e os outros chamados passam a olhar o mundo, de alguma forma, pelo olhar de Jesus. Ao longo das estradas da vida e nas conjunturas daqueles lugares, Jesus formava o grupo de seus seguidores.

    Vocação, chamada ao seguimento… Jesus que passa diz uma palavra carregada de futuro. Por causa dessa promessa de amanhã ainda não compreendido é possível uma estrutura de abandono. Jesus vai ao encontro do homem na sua vida cotidiana para mudar o seu destino. Seu olhar que escolhe transmite força. Jesus vê pessoas que têm um nome e pede uma entrega total em vista de um projeto do qual pouco sabem… João dirá que eles precisam ir com Jesus para ver o que vai acontecendo…

    Ser seguidor de Cristo nesse tempo que é o nosso consiste em saber perscrutar o coração, o mundo e, ao mesmo tempo, deixar-se visitar pelo Senhor em seu interior e segui-lo.


    Frei Almir Guimarães

  • 3ª-feira da 1ª Semana TC

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

    1 Samuel 1,9-20

    Leitura do primeiro livro de Samuel – Naqueles dias, 9Ana levantou-se, depois de ter comido e bebido em Silo. Ora, o sacerdote Eli estava sentado em sua cadeira à porta do templo do Senhor. 10Ana, com o coração cheio de amargura, orou ao Senhor, derramando copiosas lágrimas. 11E fez a seguinte promessa, dizendo: “Senhor todo-poderoso, se olhares para a aflição de tua serva e te lembrares de mim, se não te esqueceres da tua escrava e lhe deres um filho homem, eu o oferecerei a ti por todos os dias de sua vida e não passará navalha sobre a sua cabeça”. 12Como ela se demorasse nas preces diante do Senhor, Eli observava o movimento de seus lábios. 13Ana, porém, apenas murmurava; os seus lábios se moviam, mas não se podia ouvir palavra alguma. Eli julgou que ela estivesse embriagada; 14por isso lhe disse: “Até quando estarás bêbada? Vai tirar essa bebedeira!” 15Ana, porém, respondeu: “Não é isso, meu senhor! Sou apenas uma mulher muito infeliz; não bebi vinho nem outra coisa que possa embebedar, mas desafoguei a minha alma na presença do Senhor. 16Não julgues a tua serva como uma mulher perdida, pois foi pelo excesso da minha dor e da minha aflição que falei até agora”. 17Eli então lhe disse: “Vai em paz, e que o Deus de Israel te conceda o que lhe pediste”. 18Ela respondeu: “Que tua serva encontre graça diante dos teus olhos”. E a mulher foi embora, comeu e o seu semblante não era mais o mesmo. 19Na manhã seguinte, ela e seu marido levantaram-se muito cedo e, depois de terem adorado o Senhor, voltaram para sua casa em Ramá. Elcana uniu-se a Ana, sua mulher, e o Senhor lembrou-se dela. 20Ana concebeu e, no devido tempo, deu à luz um filho e chamou-o Samuel, porque – disse ela – “eu o pedi ao Senhor”.

     Palavra do Senhor.

    Sl: 1Sm 2

    Meu coração se alegrou em Deus, meu salvador.

    1. Exulta no Senhor meu coração, / e se eleva a minha fronte no meu Deus; / minha boca desafia os meus rivais / porque me alegro com a vossa salvação. – R.

    2. O arco dos fortes foi dobrado, foi quebrado, / mas os fracos se vestiram de vigor. / Os saciados se empregaram por um pão, / mas os pobres e os famintos se fartaram. / Muitas vezes deu à luz a que era estéril, / mas a mãe de muitos filhos definhou. – R.

    3. É o Senhor quem dá a morte e dá a vida, / faz descer à sepultura e faz voltar; / é o Senhor quem faz o pobre e faz o rico, / é o Senhor quem nos humilha e nos exalta. – R.

    4. O Senhor ergue do pó o homem fraco / e do lixo ele retira o indigente, / para fazê-los assentar-se com os nobres / num lugar de muita honra e distinção. – R.

    Marcos 1,21-28

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – 21Estando com seus discípulos em Cafarnaum, Jesus, num dia de sábado, entrou na sinagoga e começou a ensinar. 22Todos ficavam admirados com o seu ensinamento, pois ensinava como quem tem autoridade, não como os mestres da Lei. 23Estava então na sinagoga um homem possuído por um espírito mau. Ele gritou: 24“Que queres de nós, Jesus nazareno? Vieste para nos destruir? Eu sei quem tu és: tu és o santo de Deus”. 25Jesus o intimou: “Cala-te e sai dele!” 26Então o espírito mau sacudiu o homem com violência, deu um grande grito e saiu. 27E todos ficaram muito espantados e perguntavam uns aos outros: “O que é isso? Um ensinamento novo, dado com autoridade: ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!” 28E a fama de Jesus logo se espalhou por toda parte, em toda a região da Galileia.

     Palavra da salvação.

    Um mestre diferente que luta contra o mal

    Estando com seus discípulos… Jesus é Mestre. Vive e convive com seus apóstolos. Conversa com eles. Come com eles. Faz com que eles observem o que se passa à sua volta. Quer que sejam testemunhas oculares da implantação do mundo novo. Estarão, assim, melhor capacitados a continuar a obra do Mestre, afinal de contas para isso foram chamados. Não se pode formar agentes de pastoral em série ou através de um curso por correspondência ou simplesmente com uma ordem. Para os apóstolos era fundamental conviver com Cristo. Hoje, parece indispensável que sacerdotes e leigos, possuídos pelo zelo do Senhor, preparem novos apóstolos.

    Entrou na sinagoga e começou a ensinar… Jesus é Mestre e não hesita em ensinar. Serve-se do quadro da liturgia sinagogal para falar das coisas de seu Pai. Ensinar na sinagoga é se vincular à Escritura. Certamente Jesus deve ter lido e comentado muitos textos da Palavra de Deus. Por vezes acolhia tal ensino tal qual. Outras vezes criticava a maneira dos que ensinavam e não praticavam. Jesus é um Mestre com firmeza…

    … ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei.

    Estava na sinagoga um homem possuído por um espírito mau… Não entremos na questão de saber se era possessão de verdade. São muitos os casos de exorcismo anotados nas páginas dos evangelhos.

    Jesus é aquele que vem derrotar o inimigo, aquele que arrasta as pessoas para trilhas diferentes daquelas que a consciência delicada sabe que levam a Deus.

    Que queres de nós, Jesus nazareno? Há muitos espíritos… Jesus ordena que todos se afastem do pobre homem. Este é sacudido e dá um grito. E o espírito saiu. O grande momento da derrota da legião dos espíritos maus será aquele da cruz e da vitória sobre as tentações. Jesus é o grande libertador do mal e aquele que derrota as obras das trevas.

    “Um ensino novo, dado com autoridade, ele manda até nos espíritos maus e eles obedecem”.

    “O mal que é maior que a gente existe também hoje: a crescente desigualdade social, a má distribuição da terra e de seus produtos, a lenta asfixia do ambiente natural por conta das indústrias e da poluição, a vida insalubre dos que têm menos e dos que têm demais, a corrupção, o terror, o tráfico de drogas, o crime organizado, o esvaziamento moral e espiritual pelo mau uso dos meios de comunicação… Esses demônios parecem dominar muita gente e fazem muitas vítimas. O sinal profético de Jesus significa a libertação desse mal do mundo, que transcende nossas parcas forças. E sua palavra, proferida com a autoridade de Deus mesmo, nos ensina a realizar esta libertação.” ( J. Konings, Liturgia Dominical, Vozes, p.271).


    Frei Almir Guimarães

  • 4ª-Feira da 1ª Semana do TC

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

    1 Samuel 3,1-10.19-20

    Leitura do primeiro livro de Samuel – Naqueles dias, 1o jovem Samuel servia ao Senhor na presença de Eli. Naquele tempo a palavra do Senhor era rara e as visões não eram frequentes. 2Aconteceu que, um dia, Eli estava dormindo no seu quarto. Seus olhos começavam a enfraquecer e já não conseguia enxergar. 3A lâmpada de Deus ainda não se tinha apagado e Samuel estava dormindo no templo do Senhor, onde se encontrava a arca de Deus. 4Então o Senhor chamou: “Samuel, Samuel!” Ele respondeu: “Estou aqui”. 5E correu para junto de Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Eli respondeu: “Eu não te chamei. Volta a dormir!” E ele foi deitar-se. 6O Senhor chamou de novo: “Samuel, Samuel!” E Samuel levantou-se, foi ter com Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”.

    Ele respondeu: “Não te chamei, meu filho. Volta a dormir!”

    Samuel não conhecia o Senhor, pois, até então, a palavra do Senhor não se lhe tinha manifestado. 8 O Senhor chamou pela terceira vez: “Samuel, Samuel!” Ele levantou-se, foi para junto de Eli e disse: “Tu me chamaste, aqui estou”. Eli compreendeu que era o Senhor que estava chamando o menino. 9Então disse a Samuel: “Volta a deitar-te e, se alguém te chamar, responderás: ‘Senhor, fala, que teu servo escuta!’” E Samuel voltou ao seu lugar para dormir. 10O Senhor veio, pôs-se junto dele e chamou-o como das outras vezes: “Samuel! Samuel!” E ele respondeu: “Fala, que teu servo escuta”. 19Samuel crescia, e o Senhor estava com ele. E não deixava cair por terra nenhuma de suas palavras. 20Todo Israel, desde Dã até Bersabeia, reconheceu que Samuel era um profeta do Senhor.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 39(40)

    Eis que venho fazer, com prazer, / a vossa vontade, Senhor!

    1. Esperando, esperei no Senhor, / e, inclinando-se, ouviu meu clamor. / É feliz quem a Deus se confia; † quem não segue os que adoram os ídolos / e se perdem por falsos caminhos. – R.

    2. Sacrifício e oblação não quisestes, / mas abristes, Senhor, meus ouvidos; / não pedistes ofertas nem vítimas, † holocaustos por nossos pecados. / E então eu vos disse: “Eis que venho!” – R.

    3. Sobre mim está escrito no livro: † “Com prazer faço a vossa vontade, / guardo em meu coração vossa lei!” – R.

    4. Boas-novas de vossa justiça † anunciei numa grande assembleia; / vós sabeis: não fechei os meus lábios! – R.

    Marcos 1,29-39

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 29Jesus saiu da sinagoga e foi, com Tiago e João, para a casa de Simão e André. 30A sogra de Simão estava de cama, com febre, e eles logo contaram a Jesus. 31E ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se. Então a febre desapareceu, e ela começou a servi-los. 32À tarde, depois do pôr do sol, levaram a Jesus todos os doentes e os possuídos pelo demônio. 33A cidade inteira se reuniu em frente da casa. 34Jesus curou muitas pessoas de diversas doenças e expulsou muitos demônios. E não deixava que os demônios falassem, pois sabiam quem ele era. 35De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou e foi rezar num lugar deserto. 36Simão e seus companheiros foram à procura de Jesus. 37Quando o encontraram, disseram: “Todos estão te procurando”. 38Jesus respondeu: “Vamos a outros lugares, às aldeias da redondeza! Devo pregar também ali, pois foi para isso que eu vim”. 39E andava por toda a Galileia, pregando em suas sinagogas e expulsando os demônios.

    Palavra da salvação.

    Aquilo que Jesus costumava fazer

    Jesus era uma pessoa de ação, alguém sempre em movimento. Não vivia em lugar fixo, tipo dos andarilhos. Tem-se a impressão que estava sempre em viagem. O carteiro da época não encontrava seu domicílio, porque seu endereço era o mundo. O evangelho deste dia nos permite vislumbrar um pouco aquilo que Jesus costumava realizar no dia a dia.

    Tinha passado um tempo na sinagoga: contato com a Palavra, louvor do Pai, prece em comum. Vai à casa de Simão e André, acompanhado de Tiago e João. Não vai sozinho. Visita fraterna, de caridade, de atenção. Jesus fica sabendo que a sogra de Pedro está doente. Tem febre.

    Há gestos colocados. Jesus se aproximou, segurou a mão da senhora e ajudou-a levantar-se. As coisas mudaram tão rapidamente que ela já podia servi-los. Já não tinha mais febre. Isso aconteceu durante o dia.

    No momento do pôr do sol, ali em Cafarnaum, diante da casa de Pedro, Jesus vai acolher os possuídos pelo demônio e o cortejo dos doentes. A cidade inteira se reuniu às portas da casa de Simão.

    Marcos tem a preocupação de proibir os demônios de falarem que Jesus os tinha expulso…É tema do segredo messiânico de Marcos que só será desvendado ao pé da cruz… Os circunstantes não estavam ainda preparados para penetrar na verdadeira identidade de Jesus.

    De madrugada, quando ainda estava escuro Jesus realiza uma outra atividade. Levanta-se e vai rezar num lugar silencioso, num lugar deserto. Precisava desse oásis. Não podia perder-se num ativismo sem sentido. Certamente não queria ser um milagreiro. Não podia passar a vida curando, fazendo milagres, multiplicando pão e vinho. Compreende-se que ele tenha buscado regularmente o deserto e a solidão para estar com o Pai. Desnecessário recordar que todos os agentes de pastoral que desejam se colocar à disposição da ação de Deus nas pessoas precisam mergulhar no silêncio. Não são eles meros tocadores de obras, mas pessoas que, à maneira de Jesus, não se deixam dominar pelos fatos.

    E a coisa continua. Quando os apóstolos descobriram onde Jesus estavam, disseram: “Todos estão te procurando”.

    Jesus diz que nesse momento ele e os seus precisam ir embora. A vida continua para esses apóstolos andarilhos…

    Marcos vai descrevendo a vida e os gestos de Jesus. Seus leitores, como aqueles que hoje ouvem seu evangelho, vão tentando responder à pergunta do evangelista: “Quem é Jesus?” Cabe a cada um de nós, através das leituras evangélicas, da vida na Igreja, nos engajamentos assumidos, ao longo de nossa vida, responder também a esta pergunta: “Quem é Jesus para nós?”


    Frei Almir Guimarães

  • 5ª-Feira da 1ª Semana do TC

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

    1 Samuel 4,1-11

    Leitura do primeiro livro de Samuel – 1Naqueles dias, os filisteus reuniram-se para fazer guerra a Israel. Israel saiu ao encontro dos filisteus, acampando perto de Eben-Ezer, enquanto os filisteus, de sua parte, avançaram até Afec 2e puseram-se em linha de combate diante de Israel. Travada a batalha, Israel foi derrotado pelos filisteus. E morreram naquele combate, em campo aberto, cerca de quatro mil homens. 3O povo voltou ao acampamento e os anciãos de Israel disseram: “Por que fez o Senhor que hoje fôssemos vencidos pelos filisteus? Vamos a Silo buscar a arca da Aliança do Senhor, para que ela esteja no meio de nós e nos salve das mãos dos nossos inimigos”. 4Então o povo mandou trazer de Silo a arca da Aliança do Senhor todo-poderoso, que se senta sobre querubins. Os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, acompanhavam a arca. 5Quando a arca da Aliança do Senhor chegou ao acampamento, todo Israel rompeu num grande clamor, que ressoou por toda a terra. 6Os filisteus, ouvindo isso, diziam: “Que gritaria é essa tão grande no campo dos hebreus?” E souberam que a arca do Senhor tinha chegado ao acampamento. 7Os filisteus tiveram medo e disseram: “Deus chegou ao acampamento!” E lamentavam-se: 8“Ai de nós! Porque os hebreus não estavam com essa alegria nem ontem nem anteontem. Ai de nós! Quem nos salvará da mão desses deuses tão poderosos? Foram eles que afligiram o Egito com toda espécie de pragas no deserto. 9Mas coragem, filisteus, portai-vos como homens, para que não vos torneis escravos dos hebreus como eles o foram de vós! Sede homens e combatei!” 10Então, os filisteus lançaram-se à luta, Israel foi derrotado e cada um fugiu para a sua tenda. O massacre foi grande: do lado de Israel tombaram trinta mil homens. 11A arca de Deus foi capturada e morreram os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 43(44)

    Libertai-nos, Senhor, pela vossa compaixão!

    1. Porém, agora nos deixastes e humilhastes, / já não saís com nossas tropas para a guerra! / Vós nos fizestes recuar ante o inimigo, / os adversários nos pilharam à vontade. – R.

    2. De nós fizestes o escárnio dos vizinhos, / zombaria e gozação dos que nos cercam; / para os pagãos somos motivo de anedotas, / zombam de nós a sacudir sua cabeça. – R.

    3. Levantai-vos, ó Senhor, por que dormis? / Despertai! Não nos deixeis eternamente! / Por que nos escondeis a vossa face / e esqueceis nossa opressão, nossa miséria? – R.

    Marcos 1,40-45

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 40 um leproso chegou perto de Jesus e, de joelhos, pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”. 41 Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero: fica curado!” 42 No mesmo instante, a lepra desapareceu e ele ficou curado. 43 Então Jesus o mandou logo embora, 44f alando com firmeza: “Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!” 45 Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo.

    Palavra da salvação.

    Dos que buscam a purificação

    O evangelho de Marcos é caracterizado pela vivacidade. Os que entram em contato com seu texto têm a impressão de estar vendo o desenrolar da cena. Parece uma tela de cinema ou um palco de teatro.

    Um doente de lepra, dessa gente excluída, chega perto de Jesus. Os leprosos deviam ficar longe, não se misturar. Eram leprosos porque pecadores, segundo convicção da época. Este se aproxima de Jesus. Faz um pedido a Jesus: “Se queres, tens o poder de curar-me”. Marcos acrescenta um pormenor: o pedido foi feito de joelhos. Confiança, fé, reverência… eis aí um toque de dramaticidade.

    Jesus se enche de compaixão diante da doença e da confiança do leproso, estende a mão, toca nele e diz: “Eu quero, fica curado!” Pode-se plasticamente ver o sentimento tão humano da compaixão, da pena que produz o sofrimento do outro. Esse eu quero decidido de Jesus encanta.

    Merece ser levado em consideração o comentário do Missal Dominical da Paulus: “A cura operada por Jesus representa algo mais do que simples libertação de uma moléstia e readmissão no seio da comunidade. Jesus se torna partícipe da situação do leproso, tocando-o com a mão; de certo modo contrai sua impureza… Nesse gesto Jesus se mostra como aquele que “carregou sobre si os nossos sofrimentos”; contraiu o mal que desagrega as forças vivas do homem, assim nos curou na raiz de nosso ser. Tem-se aqui a primeira realização da profecia: do Servo de Javé, que se apresenta com o aspecto de um leproso que carregou nossos pecados e, consequentemente os castigos deles (cf. Is 53, 3-12)” ( p. 899).

    Os autores que comentam este texto costumam ver nele alusão clara ao dinamismo da confissão penitência. Esta é um encontro daquele que peca, do “leproso”. A celebração da penitência nos coloca diante de Jesus que cura da lepra do pecado e reintroduz o pecador na comunidade eclesial. A cura do leproso nos situa diante de elementos do rito penitencial da Igreja.


    Frei Almir Guimarães

     

     

  • 6ª-Feira da 1ª Semana do TC

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

     1 Samuel 8,4-7.10-22

    Leitura do primeiro livro de Samuel – Naqueles dias, 4todos os anciãos de Israel se reuniram, foram procurar Samuel em Ramá 5e disseram-lhe: “Olha, tu estás velho e teus filhos não seguem os teus caminhos. Por isso, estabelece sobre nós um rei, para que exerça a justiça entre nós, como se faz em todos os povos”. 6Samuel não gostou quando lhe disseram: “Dá-nos um rei, para que nos julgue”. E invocou o Senhor. 7O Senhor disse a Samuel: “Atende a tudo o que o povo te diz. Porque não é a ti que eles rejeitam, mas a mim, para que eu não reine mais sobre eles”. 10Samuel transmitiu todas as palavras do Senhor ao povo, que lhe pedira um rei, 11e disse: “Estes serão os direitos do rei que reinará sobre vós: tomará vossos filhos e os encarregará dos seus carros de guerra e dos seus cavalos e os fará correr à frente do seu carro. 12Fará deles chefes de mil e de cinquenta homens e os empregará em suas lavouras e em suas colheitas, na fabricação de suas armas e de seus carros. 13Fará de vossas filhas suas perfumistas, cozinheiras e padeiras. 14Tirará os vossos melhores campos, vinhas e olivais e os dará aos seus funcionários. 15Das vossas colheitas e das vossas vinhas ele cobrará o dízimo e o destinará aos seus eunucos e aos seus criados. 16Tomará também vossos servos e servas, vossos melhores bois e jumentos, e os fará trabalhar para ele. 17Exigirá o dízimo de vossos rebanhos, e vós sereis seus escravos. 18 Naquele dia, clamareis ao Senhor por causa do rei que vós mesmos escolhestes, mas o Senhor não vos ouvirá”. 19Porém o povo não quis dar ouvidos às razões de Samuel e disse: “Não importa! Queremos um rei, 20pois queremos ser como todas as outras nações. O nosso rei administrará a justiça, marchará à nossa frente e combaterá por nós em todas as guerras”. 21Samuel ouviu todas as palavras do povo e repetiu-as aos ouvidos do Senhor. 22Mas o Senhor disse-lhe: “Faze-lhes a vontade e dá-lhes um rei”.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 88(89)

    Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor.

    1. Quão feliz é aquele povo que conhece a alegria; / seguirá pelo caminho, sempre à luz de vossa face! / Exultará de alegria em vosso nome dia a dia / e, com grande entusiasmo, exaltará vossa justiça. – R.

    2. Pois sois vós, ó Senhor Deus, a sua força e sua glória, / é por vossa proteção que exaltais nossa cabeça. / Do Senhor é o nosso escudo, ele é nossa proteção, / ele reina sobre nós, é o santo de Israel! – R.

    Marcos 2,1-12

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – 1 Alguns dias depois, Jesus entrou de novo em Cafarnaum. Logo se espalhou a notícia de que ele estava em casa. 2 E reuniram-se ali tantas pessoas, que já não havia lugar nem mesmo diante da porta. E Jesus anunciava-lhes a Palavra. 3 Trouxeram-lhe, então, um paralítico, carregado por quatro homens. 4 Mas não conseguindo chegar até Jesus, por causa da multidão, abriram então o teto, bem em cima do lugar onde ele se encontrava. Por essa abertura desceram a cama em que o paralítico estava deitado. 5 Quando viu a fé daqueles homens, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”. 6 Ora, alguns mestres da Lei, que estavam ali sentados, refletiam em seus corações: 7 “Como este homem pode falar assim? Ele está blasfemando: ninguém pode perdoar pecados, a não ser Deus”. 8 Jesus percebeu logo o que eles estavam pensando no seu íntimo e disse: “Por que pensais assim em vossos corações? 9 O que é mais fácil, dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’ ou dizer: ‘Levanta-te, pega a tua cama e anda’? 10 Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem, na terra, poder de perdoar pecados” – disse ele ao paralítico -, 11“eu te ordeno: levanta-te, pega tua cama e vai para tua casa!” 12 O paralítico então se levantou e, carregando a sua cama, saiu diante de todos. E ficaram todos admirados e louvavam a Deus, dizendo: “Nunca vimos uma coisa assim”.

    Palavra da salvação.

    Aquele que perdoa os pecados

    Nossos tempos não gostam muito de ouvir falar em pecado. É pecado falar de pecado. Na verdade houve uma época em que se exagerou. Tudo era pecado e pecado, quase sempre grave. Insistia-se muito na recepção dos sacramento da confissão, quase de forma compulsória, quase a cada vez que se queria comungar. Caímos hoje no outro extremo: nada mais é pecado, vale tudo e não há necessidade da confissão sacramental. Marcos, no evangelho de hoje, narra o episódio do paralítico que é descido pelo teto até o lugar onde se encontrava Jesus. Jesus cura o doente e lhe dá o perdão dos pecados, que, aliás, ele não tinha pedido. Jesus é aquele que perdoa os pecados. Marcos vai descrevendo o perfil do Mestre.

    Somos todos convidados a realizar a conversão em nossa vida cristã. Vivemos ( ou deveríamos viver) num estado de penitência. Constantemente reconhecemos nossas fragilidades e nosso pecado e nos voltamos sempre para paixão, morte e ressurreição de Jesus que nos obtiveram a vida nova. Todos os que não conservamos a veste batismal intacta servimo-nos do ato penitencial da missa, de prática obras de caridade e de penitência, fazemos constantemente atos de contrição para que nosso coração não se distancie da vida e não sejamos novamente enredados nas malhas do absurdo e das trevas. A Igreja nos ensina que pelo sacramento da penitência os fiéis obtém da misericórdia divina o perdão da ofensa feita a Deus e aos irmãos e ao mesmo tempo nos reconcilia com a Igreja.

    Jesus é o cordeiro que tira o pecado do mundo e as graças do cordeiro, confiadas à Igreja, redundam na possibilidade de se refazer o tecido espiritual desfeito com a culpa consentida pelo manto da misericórdia que se exprime no perdão. O Senhor deixa de levar em consideração nossa falta… Vale aqui transcrever algumas linhas da introdução ao rito da penitência: “O discípulo de Cristo que, após o pecado, se aproxima, movido pelo Espírito Santo, do sacramento da penitência, deve, antes de tudo, voltar-se para Deus de todo o coração. Esta conversão interior que compreende a contrição do pecado e o propósito de uma vida nova, se expressa pela confissão feita à Igreja, pela necessária satisfação e pela mudança de vida. E Deus concede a remissão dos pecados, por meio da Igreja, que atua pelo ministério dos sacerdotes” (n.6).

    Uma Igreja em estado de conversão… Há esses que se preparam para o batismo ou aqueles que querem renovar essa graça. Eles estão em estado de penitência. Há as súplicas no decorrer da missa em que pedimos perdão e propomo-nos a mudar de vida. Há os momentos de cruz em nossa vida em que, de alguma forma, oferecemos o sofrer pela remissão dos nossos pecados e dos pecados do mundo. Há o sacramento da reconciliação, do perdão, da confissão. O amor de Deus inventou esse carinho e esse gesto de misericórdia. Através do ministério dos sacerdotes podemos celebrar o perdão que nos é dado no aqui e agora de nossa vida.

    Jesus cura o paralítico e perdoa seus pecados…


    Frei Almir Guimarães

  • Sábado da 1ª Semana do TC

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

    1 Samuel 9,1-4.17-19; 10,1

    Leitura do primeiro livro de Samuel – 1 Havia um homem de Benjamim chamado Cis, filho de Abiel, filho de Seror, filho de Becorat, filho de Afia, um benjaminita, homem forte e valente. 2Ele tinha um filho chamado Saul, de boa apresentação. Entre os filhos de Israel não havia outro melhor do que ele: dos ombros para cima sobressaía a todo o povo. 3Ora, aconteceu que se perderam umas jumentas de Cis, pai de Saul. E Cis disse a seu filho Saul: “Toma contigo um dos criados, põe-te a caminho e vai procurar as jumentas”. Eles atravessaram a montanha de Efraim 4e a região de Salisa, mas não as encontraram. Passaram também pela região de Salim, sem encontrar nada; e ainda pela terra de Benjamim, sem resultado algum. 17Quando Samuel avistou Saul, o Senhor lhe disse: “Este é o homem de quem te falei. Ele reinará sobre o meu povo”. 18Saul aproximou-se de Samuel, na soleira da porta, e disse-lhe: “Peço-te que me informes onde é a casa do vidente”. 19Samuel respondeu a Saul: “Sou eu mesmo o vidente. Sobe na minha frente ao santuário da colina. Hoje comereis comigo e amanhã de manhã te deixarei partir, depois de te ter revelado tudo o que tens no coração”. 10,1Na manhã seguinte, Samuel tomou um pequeno frasco de azeite, derramou-o sobre a cabeça de Saul e beijou-o, dizendo: “Com isto o Senhor te ungiu como chefe do seu povo, Israel. Tu governarás o povo do Senhor e o livrarás das mãos de seus inimigos, que estão ao seu redor”.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 20(21)

    Ó Senhor, em vossa força o rei se alegra.

    1. Ó Senhor, em vossa força o rei se alegra; / quanto exulta de alegria em vosso auxílio! / O que sonhou seu coração, lhe concedestes; / não recusastes os pedidos de seus lábios. – R.

    2. Com bênção generosa o preparastes; / de ouro puro coroastes sua fronte. / A vida ele pediu e vós lhe destes, / longos dias, vida longa pelos séculos. – R.

    3. É grande a sua glória em vosso auxílio; / de esplendor e majestade o revestistes. / Transformastes o seu nome numa bênção / e o cobristes de alegria em vossa face. – R.

    Marcos 2,13-17

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 13 Jesus saiu de novo para a beira do mar. Toda a multidão ia ao seu encontro, e Jesus os ensinava. 14 Enquanto passava, Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos e disse-lhe: “Segue-me!” Levi se levantou e o seguiu. 15 E aconteceu que, estando à mesa na casa de Levi, muitos cobradores de impostos e pecadores também estavam à mesa com Jesus e seus discípulos. Com efeito, eram muitos os que o seguiam. 16 Alguns doutores da Lei, que eram fariseus, viram que Jesus estava comendo com pecadores e cobradores de impostos. Então eles perguntaram aos discípulos: “Por que ele come com os cobradores de impostos e pecadores?” 17 Tendo ouvido, Jesus respondeu-lhes: “Não são as pessoas sadias que precisam de médico, mas as doentes. Eu não vim para chamar justos, mas sim pecadores”.

     Palavra da salvação.

     

    Esse Jesus que passa e chama

    Jesus havia saído de casa para a beira mar. Toda gente ia ao seu encontro. “Enquanto passava Jesus viu Levi, o filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos e disse-lhe: Segue-me!” F. Berra, autor italiano, vai nos ajudar a refletir sobre esse passar de Jesus…

    Jesus “passa” : na opacidade e ao mesmo tempo na transparência das coisas que acontecem. Passa: na superposição das inspirações, que iluminam o coração. Passa: na pobreza e no desespero do homem. Passa: pela fresta do egoísmo humano fechado em si mesmo. Passa: pela decepção das coisas prometidas que e não se cumprem. Passa: pela segurança do bem estar e pela ridícula satisfação daquele que é designado de “novo rico”…

    Passa e volta: como a lançadeira de um tear. Como o amante encarniçado que não descansa enquanto não consegue aquela que ama. Passa quando menos esperas: assim o Senhor atravessa tua vida. Passa e vai, passa e permanece ao mesmo tempo. De qualquer modo deixa marcas visíveis e sensíveis de sua passagem: a atração de um convite persistente, o clamor de uma Palavra que não pode ser calada, o tormento de um desejo que renasce, a alegria de um compromisso que esgota as forças de um homem.

    Jesus passa. É um dos muitos transeuntes que cruzamos em nossos caminhos. Incontáveis são os que passam sem passar, que pulam ao passarem por nós, que colocam obstáculos, que atravessam a rua, os que nos observam com uma perfeita indiferença. Muitos, muitos mesmos não se dão conta de nada. Passam e não vêm . Jesus passa e “vê”. Percebe nossa presença. A minha presença… Vê no coração. Através de desejos e aspirações profundas. Vê não tanto nossos traços fisionômicos ou atitudes de nosso comportamento. Vê a dimensão interior do homem: pensamentos, desejos, afetos, intenções, disponibilidade, propósitos. Vê a pureza do coração. Vê a verdade inteira que há no homem. Ele me vê a mim… Jesus precisa encontrar em nós o homem. É ao homem que ele dirige sua palavra divina

    (Transcrito em Lectio divina para cada dia del año 5, Férias del tempo ordinário, Verbo Divino, Estela (Espanha) p.60-61).

    Jesus passou na vida de Levi e o chamou. Imediatamente ele o seguiu, esse mal visto cobrador de impostos. Jesus passa e chama os doentes que precisam de médico e não os sadios que pensam ser super-homens e já curados com suas próprias forças.


    Frei Almir Guimarães

     

     

  • 2º Domingo do Tempo Comum

    • 1ª Leitura
    • Salmo
    • Segunda Leitura
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

     Isaías 62,1-5

    Leitura do livro do profeta Isaías – 1Por amor de Sião, não me calarei, por amor de Jerusalém, não descansarei, enquanto não surgir nela, como um luzeiro, a justiça e não se acender nela, como uma tocha, a salvação. 2As nações verão a tua justiça, todos os reis verão a tua glória; serás chamada com um nome novo, que a boca do Senhor há de designar. 3E serás uma coroa de glória na mão do Senhor, um diadema real nas mãos de teu Deus. 4Não mais te chamarão Abandonada, e tua terra não mais será chamada Deserta; teu nome será Minha Predileta e tua terra será a Bem Casada, pois o Senhor agradou-se de ti e tua terra será desposada. 5Assim como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposam; e como a noiva é a alegria do noivo, assim também tu és a alegria de teu Deus.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 95(96)

    Cantai ao Senhor Deus um canto novo, / manifestai os seus prodígios entre os povos!

    1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, † cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! / Cantai e bendizei seu santo nome! – R.

    2. Dia após dia, anunciai sua salvação, † manifestai a sua glória entre as nações / e, entre os povos do universo, seus prodígios! – R.

    3. Ó família das nações, dai ao Senhor, / ó nações, dai ao Senhor poder e glória, / dai-lhe a glória que é devida ao seu nome! / Oferecei um sacrifício nos seus átrios. – R.

    4. Adorai-o no esplendor da santidade, / terra inteira, estremecei diante dele! / Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!”, / pois os povos ele julga com justiça. – R.

    1 Coríntios 12,4-11

    Leitura da primeira carta de São Paulo aos Coríntios – Irmãos, 4há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. 5Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. 6Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos. 7A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum. 8A um é dada pelo Espírito a palavra da sabedoria. A outro, a palavra da ciência segundo o mesmo Espírito. 9A outro, a fé no mesmo Espírito. A outro, o dom de curas no mesmo Espírito. 10A outro, o poder de fazer milagres. A outro, profecia. A outro, discernimento de espíritos. A outro, falar línguas estranhas. A outro, interpretação de línguas. 11Todas essas coisas as realiza um e o mesmo Espírito, que distribui a cada um conforme quer.

     Palavra do Senhor.

     João 2,1-11

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João – Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. 2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. 4Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isso a mim? Minha hora ainda não chegou”. 5Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. 6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas, cabiam mais ou menos cem litros. 7Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. 8Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram. 9O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. 10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!” 11Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

    Palavra da salvação.

    Houve bodas em Caná da Galileia

    Quem vai nos ajudar a refletir sobre as Bodas de Caná é Fausto de Riez, bispo ( + c.990).

    No terceiro dia, houve um casamento (Jo 2,1). Que casamento é esse senão as promessas e as alegrias da salvação humana, insinuada no significado místico do número três, quer em referência à Trindade, quer à fé na ressurreição no terceiro dia?

    No mesmo sentido se lê também noutra passagem do Evangelho, que o regresso do filho prodigo, símbolo da conversão dos pagãos, foi celebrado com música, danças e vestes nupciais.

    Por isso, como o esposo que levanta do quarto nupcial (Sl 18,6), Cristo veio à terra a fim de unir-se pela encarnação à Igreja em que haviam de reunir-se os povos pagãos. Deu-lhe penhor e dote: penhor, quando Deus se uniu ao homem; dote, quando se imolou pela salvação do homem. Pelo penhor entendemos a presente redenção; pelo dote, a vida eterna. Tudo isso eram milagres para os que o viam; e mistério para os que compreendiam seu sentido. Se considerarmos com atenção, veremos que a própria água, transformada em vinho, nos apresenta de certo modo, a imagem do batismo e da vida nova. De fato, quando algo se transforma interiormente, quando uma criatura passa de um estado inferior a outro melhor por íntima mudança, realiza-se o mistério de um segundo nascimento. As águas são repentinamente transformadas, para em seguida transformar os homens.

    Na Galileia, por intervenção de Cristo, a água transformou-se em vinho, quer dizer, cessa a lei e sucede-lhe a graça; as sombras são desfeitas e a verdade se manifesta; as coisas materiais cedem às espirituais; a lei antiga se transforma no Novo Testamento. Como diz o Apóstolo, o mundo velho desapareceu; tudo agora é novo (2Cor 5,7). E assim como a água contida nas talhas perde do que era e passa a ser o que não era, também a lei não deixa de existir, mas se aperfeiçoa com a vinda de Cristo.

    Tendo faltado uma qualidade de vinho, serviu-se outra. É certamente bom o vinho do Antigo Testamento, mas o do Novo é melhor. O Antigo Testamento que os judeus observam, dilui-se na letra; o Novo, que seguimos, tem o sabor da vida da graça.

    Considera-se bom vinho o bom preceito da lei, quando ouves: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo (Mt 5,43). Melhor, contudo, é mais forte é o vinho do Evangelho, quando ouves: Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem” (Mt 5,44).

    Missal da Paulus: “Repensando, à luz do Espírito, em tantos fatos em que estivera envolvido, João descobre que Jesus começou a revelar a própria identidade em Caná; verá culminar esta revelação na morte, a hora de Jesus. Do mesmo modo, a adesão dos discípulos a Cristo tem uma história; a fé começa a esboçar-se exatamente em Caná. É aí que nasce um novo tipo de relação com Cristo e, em consequência, novas relações entre eles. O laço que deles faz uma comunidade é a fé comum em Jesus” (p.1087).


    Frei Almir Guimarães

  • Memória de Santo Antão

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

    1 Samuel 15,16-23

    Leitura do primeiro livro de Samuel – Naqueles dias, 16Samuel disse a Saul: “Basta! Deixa-me dizer-te o que o Senhor me revelou esta noite”. Saul disse: “Fala!” 17Então Samuel começou: “Por menor que sejas aos teus próprios olhos, acaso não és o chefe das tribos de Israel? O Senhor ungiu-te rei sobre Israel 18e te enviou em expedição com a ordem de eliminar os amalecitas, esses malfeitores, combatendo-os até que fossem exterminados. 19Por que não ouviste a voz do Senhor e te precipitaste sobre os despojos, e fizeste o que desagrada ao Senhor?” 20Saul respondeu a Samuel: “Mas eu obedeci ao Senhor! Realizei a expedição a que ele me enviou. Trouxe Agag, rei de Amalec, para cá e exterminei os amalecitas. 21Quanto aos despojos, o povo reteve, das ovelhas e dos bois, o melhor do que devia ser eliminado, para sacrificar ao Senhor teu Deus em Guilgal”. 22Mas Samuel replicou: “O Senhor quer holocaustos e sacrifícios ou quer a obediência à sua palavra? A obediência vale mais que o sacrifício, a docilidade mais que oferecer gordura de carneiros. 23A rebelião é um verdadeiro pecado de magia, um crime de idolatria, uma obstinação. Assim, porque rejeitaste a palavra do Senhor, ele te rejeitou: tu não és mais rei”.

     Palavra do Senhor.

    Sl: 49(50)

    A todo homem que procede retamente, / eu mostrarei a salvação que vem de Deus.

    1. Eu não venho censurar teus sacrifícios, / pois sempre estão perante mim teus holocaustos; / não preciso dos novilhos de tua casa / nem dos carneiros que estão nos teus rebanhos. – R.

    2. Como ousas repetir os meus preceitos / e trazer minha aliança em tua boca? / Tu que odiaste minhas leis e meus conselhos / e deste as costas às palavras dos meus lábios! – R.

    3. Diante disso que fizeste, eu calarei? / Acaso pensas que eu sou igual a ti? / É disso que te acuso e repreendo / e manifesto essas coisas aos teus olhos. – R.

    4. Quem me oferece um sacrifício de louvor, / este, sim, é que me honra de verdade. / A todo homem que procede retamente, / eu mostrarei a salvação que vem de Deus. – R.

    Marcos 2,18-22

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 18os discípulos de João Batista e os fariseus estavam jejuando. Então, vieram dizer a Jesus: “Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, e os teus discípulos não jejuam?” 19Jesus respondeu: “Os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está com eles, os convidados não podem jejuar. 20Mas vai chegar o tempo em que o noivo será tirado do meio deles; aí, então, eles vão jejuar. 21Ninguém põe um remendo de pano novo numa roupa velha, porque o remendo novo repuxa o pano velho e o rasgão fica maior ainda. 22Ninguém põe vinho novo em odres velhos, porque o vinho novo arrebenta os odres velhos e o vinho e os odres se perdem. Por isso, vinho novo em odres novos”.

     Palavra da salvação.

    Para vinho novo, odres novos

    Jesus é a novidade. Os seus interlocutores judeus chamavam sempre sua atenção, porque ele parecia não respeitar as coisas tradicionais. Ele e os seus discípulos tinham alguns comportamentos que pareciam romper com certos costumes tranquilamente aceitos. Por exemplo, os discípulos do Batista e os fariseus jejuavam, como todo mundo. E os discípulos de Jesus não jejuavam. Os interlocutores não entendiam essas “liberdades” que Jesus e os seus se davam… Jesus, com efeito, vem cumprir a lei, mas com a liberdade daquele que é a novidade de Deus. Quando o esposo está no meio dos convidados das grandes núpcias não tem sentido o jejum. De outro lado, não se pode ficar colocando remendo novo em pano velho e vinho novo em velhos recipientes. Jesus vem inventar e propor o novo.

    Viver é sempre um desafio. Quando chegamos à idade da razão vamos nos dando conta de que é preciso escolher, exercer a liberdade, organizar um projeto de existir. Escolhemos também caminhar à luz da fé cristã e seguir Cristo, Senhor, vivo e ressuscitado. Vamos nos organizando em torno de alguns princípios e convicções. As pessoas se casam, exercem uma profissão, colocam filhos no mundo… Alguns vivem por viver. Outros, ao contrário, ficam fiéis aos primeiros propósitos e vão abrindo caminhos novos com discernimento. Importante viver com os olhos fitos no amanhã que vai sendo construído a partir do presente e das convicções que trazemos no bojo de nossa experiência.

    A vida é dinâmica, não para, está sempre em movimento. No contexto atual de mutações extraordinárias no campo cultural, religioso, comportamental ficamos perplexos. O passado chega até o presente, às vezes, querendo se eternizar. E, no entanto, muda a maneira de construir o casamento, muda a maneira de rezar, muda nossa postura com respeito ao meio ambiente. Viemos nos organizando a partir de nossas convicções e, de repente, sem renunciar ao amor de ontem, sem deixar a fé, sem jogar fora nada de essencial, continuando nossa vida nas estradas do mundo temos que criar o novo: um casal novo, um cristão novo, um cidadão novo. Nada da repetição das mesmices que foram esterilizando nossa vida. Ficam as convicções, mas também o empenho de viver o novo que bate à porta: uma fé menos alienada e mais comprometida, uma oração não tão formal, uma postura diante da vida com a generosidade do evangelho e não com o espírito daquele que faz apenas o mínimo. Será preciso fazer o novo. Não basta um remendo ou outro. Não se pode colocar pano novo em roupa velha, nem vinho novo em odres velhos.

    Não vamos abolir o jejum. Sabemos que este exercício é salutar. Mas temos também a alegria de dizer que, na fé, o esposo está em nosso meio e que mesmo o jejum que fazemos não tem cores cinzentas, mas se reveste de uma certa alegria. Afinal de contas, pela fé temos o esposo perto de nosso coração!


    Frei Almir Guimarães

  • 3ª-feira da 2ª Semana do TC

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

     1 Samuel 16,1-13

    Leitura do primeiro livro de Samuel – Naqueles dias, 1o Senhor disse a Samuel: “Até quando ficarás chorando por causa de Saul se eu mesmo o rejeitei para que não reine mais sobre Israel? Enche o chifre de óleo e vem, para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos”. 2Samuel ponderou: “Como posso ir? Se Saul o souber, vai-me matar”. O Senhor respondeu: “Tomarás contigo uma novilha da manada e dirás: ‘Vim para oferecer um sacrifício ao Senhor’. 3Convidarás Jessé para o sacrifício. Eu te mostrarei o que deves fazer, e tu ungirás a quem eu te designar”. 4Samuel fez o que o Senhor lhe disse e foi a Belém. Os anciãos da cidade vieram-lhe ao encontro e perguntaram: “É de paz a tua vinda?” 5“Sim, é de paz”, respondeu Samuel. “Vim para fazer um sacrifício ao Senhor. Purificai-vos e vinde comigo, para que eu ofereça a vítima”. Ele purificou então Jessé e seus filhos e convidou-os para o sacrifício. 6Assim que chegaram, Samuel viu a Eliab e disse consigo: “Certamente é este o ungido do Senhor!” 7Mas o Senhor disse-lhe: “Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. 8Então Jessé chamou Abinadab e apresentou-o a Samuel, que disse: “Também não é este que o Senhor escolheu”. 9Jessé trouxe-lhe depois Sama, e Samuel disse: “A este tampouco o Senhor escolheu”. 10Jessé fez vir seus sete filhos à presença de Samuel, mas Samuel disse: “O Senhor não escolheu a nenhum deles”. 11E acrescentou: “Estão aqui todos os teus filhos?” Jessé respondeu: “Resta ainda o mais novo, que está apascentando as ovelhas”. E Samuel ordenou a Jessé: “Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa enquanto ele não chegar”. 12Jessé mandou buscá-lo. Era ruivo, de belos olhos e de formosa aparência. E o Senhor disse: “Levanta-te, unge-o: é este!” 13Samuel tomou o chifre com óleo e ungiu Davi na presença de seus irmãos. E, a partir daquele dia, o espírito do Senhor se apoderou de Davi. A seguir, Samuel se pôs a caminho e voltou para Ramá.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 88(89)

    Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor.

    1. Outrora vós falastes em visões a vossos santos: † “Coloquei uma coroa na cabeça de um herói / e do meio deste povo escolhi o meu eleito. – R.

    2. Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor, / e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado. / Estará sempre com ele minha mão onipotente, / e meu braço poderoso há de ser a sua força. – R.

    3. Ele, então, me invocará: ‘Ó Senhor, vós sois meu Pai, / sois meu Deus, sois meu rochedo onde encontro a salvação!’ / E por isso farei dele o meu filho primogênito, / sobre os reis de toda a terra farei dele o rei altíssimo”. – R.

    Marcos 2,23-28

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – 23 Jesus estava passando por uns campos de trigo em dia de sábado. Seus discípulos começaram a arrancar espigas, enquanto caminhavam. 24 Então os fariseus disseram a Jesus: “Olha! Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido?” 25 Jesus lhes disse: “Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram necessidade e tiveram fome? 26 Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães”. 27 E acrescentou: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado. 28 Portanto, o Filho do Homem é senhor também do sábado”.

    Palavra da salvação.

    Um dia que é do Senhor

    Os judeus levavam muito a peito a observância do sábado. Jesus teve muita dificuldade em conviver com uma certa mentalidade formalista e legalista de alguns de seus contemporâneos. Muitos destes, sobretudo os fariseus, não admitiam qualquer tipo de “trabalho”, de qualquer esforço do corpo, no dia de sábado. No episódio do evangelho proclamado neste dia Jesus permite que seu discípulos realizem o “trabalho” de colher espigas de milho para matar a fome… Os “legalistas” reagem. Jesus lembra que Davi havia lançado mão dos pães reservados aos sacerdotes para matar a fome dos circunstantes. Jesus afirma ser o o Senhor do sábado e encerra a questão.

    Os cristãos guardam o domingo e não o sábado. Domingo porque a ressurreição de Jesus se deu no primeiro dia da semana. Para nós é fundamental santificar esse dia com a participação na missa. Não se trata de uma mera obrigação a ser realizada mais ou menos fria e formalmente, mas de um ato que fazemos com as entranhas e o coração. Não se trata de uma devoção qualquer, mas da realização de um pedido de Jesus para que renovássemos a ceia da despedida e o sacrifício vespertino em sua memória. Todas as vezes que celebramos a Eucaristia renova-se o gesto da redenção e nos tornamos próximos da Páscoa de Cristo. A Igreja e seus fiéis realizam a páscoa do Senhor em suas vidas.

    A missa não é apenas um “momento” qualquer de oração. Tudo nela é pensado, preparado, meticulosamente previsto. E os cristãos se alegram em participar da missa dominical. O protagonista é Cristo. Ela sempre será celebrada sem nada que tire de Cristo o protagonismo da ação litúrgica. Um domingo sem missa é um domingo sem sal e sem sol. Bom seria se tivéssemos comunidades mais, se aos domingos, nos reuníssemos com irmãos e irmãs de fé também para uma confraternização.

    Não basta apenas “assistir” a missa num fundo de igreja, na distração e esperando a hora de voltar para casa para então fazer as coisas triviais de todos os dias que nos parecem importantes.

    Domingo é o dia da família, do encontro, da convivência, da caridade… Na medida do possível neste dia as pessoas doentes e idosas, os avós, os parentes poderiam receber a alegria da visita de seus entes queridos…Ou será que não? Domingo não é apenas o dia de dormir até meio dia, de passar horas e horas diante de um aparelho de televisão… assistindo a programas marcados pela futilidade e banalidade. Domingo é o dia da caridade.

    Será que tem sentido abrir sempre o comércio aos domingos? Será que não estamos privando os membros de uma família de encontros? Será que o lucro não está sendo a primeira preocupação? Não queremos ser pessoas intransigentes, mas o domingo não nos pertence… é o Dia do Senhor.

    Terminamos nossas reflexões com uma palavra do Papa João Paulo II em sua Carta Apostólica sobre o dia do Senhor: “É natural que os cristãos se esforcem para que, também nas circunstâncias específicas de nosso tempo, a legislação civil tenha em conta seu dever de santificar o domingo. Em todo caso têm a obrigação de consciência de organizar o descanso dominical de forma que lhes seja possível participar da Eucaristia, abstendo-se dos trabalhos e negócios incompatíveis com a santificação do dia do Senhor, com sua alegria própria e com o necessário repouso do espírito e do corpo” (Dies Domini, n.67).


    Frei Almir Guimarães

     

  • 4ª-feira da 2ª Semana do TC

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

    1 Samuel 17,32-33.37.40-51

    Leitura do primeiro livro de Samuel – Naqueles dias, 32Davi foi conduzido a Saul e lhe disse: “Ninguém desanime por causa desse filisteu! Eu, teu servo, lutarei contra ele”. 33Mas Saul ponderou: “Não poderás enfrentar esse filisteu, pois tu és só ainda um jovem e ele é um homem de guerra desde a sua mocidade”. 37Davi respondeu: “O Senhor me livrou das garras do leão e das garras do urso. Ele me salvará também das mãos desse filisteu”. Então Saul disse a Davi: “Vai, e que o Senhor esteja contigo”. 40Em seguida, tomou o seu cajado, escolheu no regato cinco pedras bem lisas e colocou-as no seu alforje de pastor, que lhe servia de bolsa para guardar pedras. Depois, com a sua funda na mão, avançou contra o filisteu. 41Este, que se vinha aproximando mais e mais, precedido do seu escudeiro, 42quando pôde ver bem Davi, desprezou-o, porque era muito jovem, ruivo e de bela aparência. 43E lhe disse: “Sou por acaso um cão, para vires a mim com um cajado?” E o filisteu amaldiçoou Davi em nome de seus deuses. 44E acrescentou: “Vem, e eu darei a tua carne às aves do céu e aos animais da terra!” 45Davi respondeu: “Tu vens a mim com espada, lança e escudo; eu, porém, vou a ti em nome do Senhor todo-poderoso, o Deus dos exércitos de Israel, que tu insultaste! 46Hoje mesmo o Senhor te entregará em minhas mãos, e te abaterei e te cortarei a cabeça, e darei o teu cadáver e os cadáveres do exército dos filisteus às aves do céu e aos animais da terra, para que toda a terra saiba que há um Deus em Israel. 47E toda esta multidão de homens conhecerá que não é pela espada nem pela lança que o Senhor concede a vitória; porque o Senhor é o árbitro da guerra, e ele vos entregará em nossas mãos”. 48Logo que o filisteu avançou e marchou em direção a Davi, este saiu das linhas de formação e correu ao encontro do filisteu. 49Davi meteu, então, a mão no alforje, apanhou uma pedra e arremessou-a com a funda, atingindo o filisteu na fronte com tanta força, que a pedra se encravou na sua testa e o gigante tombou com o rosto em terra. 50E assim Davi venceu o filisteu, ferindo-o de morte com uma funda e uma pedra. E, como não tinha espada na mão, 51correu para o filisteu, chegou junto dele, arrancou-lhe a espada da bainha e acabou de matá-lo, cortando-lhe a cabeça. Vendo morto o seu guerreiro mais valente, os filisteus fugiram.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 143(144)

    Bendito seja o Senhor, meu rochedo!

    1. Bendito seja o Senhor, meu rochedo, † que adestrou minhas mãos para a luta / e os meus dedos treinou para a guerra! – R.

    2. Ele é meu amor, meu refúgio, / libertador, fortaleza e abrigo; / é meu escudo: é nele que espero, / ele submete as nações a meus pés. – R.

    3. Um canto novo, meu Deus, vou cantar-vos, / nas dez cordas da harpa louvar-vos, / a vós que dais a vitória aos reis / e salvais vosso servo Davi. – R.

    Marcos 3,1-6

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 1 Jesus entrou de novo na sinagoga. Havia ali um homem com a mão seca. 2 Alguns o observavam para ver se haveria de curar em dia de sábado, para poderem acusá-lo. 3Jesus disse ao homem da mão seca: “Levanta-te e fica aqui no meio!” 4 E perguntou-lhes: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal? Salvar uma vida ou deixá-la morrer?” Mas eles nada disseram. 5 Jesus, então, olhou ao seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração, e disse ao homem: “Estende a mão”. Ele a estendeu, e a mão ficou curada. 6 Ao saírem, os fariseus com os partidários de Herodes imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo.

    Palavra da salvação.

    Dos que deixam o coração endurecer

    Uma pessoa verdadeiramente bonita por dentro é aquela que tem um coração delicado e sensível. Não pensamos aqui em pessoas susceptíveis e melindrosas, mas naquelas de consciências retas, delicadas e vigilantes. O evangelho de Marcos proclamado neste dia faz uma observação que nos deixa pensativos. O evangelista diz: “Jesus, então, olhou em seu redor, cheio de ira e tristeza, porque eram duros de coração…”.

    Muitos de nós, desde a nossa infância, aprendemos a conviver com Jesus. Penso, é claro, em nossa intimidade com o Senhor ressuscitado. O ambiente em casa, os encontros de catequese em vista da primeira eucaristia, o grupo de oração, a comunidade de jovens, tudo isso foi formando em nós um coração aberto para Cristo. Em certos momentos fomos nos dando conta que Jesus era vivo, um companheiro de caminhada, alguém que fazia parte de nossa vida. Conseguimos “vê-lo” no grupo de vida e oração, no sacramento da reconciliação ou da eucaristia, no semblante dos irmãos mais necessitados. Podemos dizer que nosso coração era sensível ao Senhor. Mais ainda. Houve tempos em que pessoalmente ou na comunidade fizemos o exercício da lectio divina. Uma vez ou mais vezes por ano cuidamos também de fazer retiro. Quando quebrávamos a aliança com o Senhor seja por uma falta séria contra o amor do Senhor procuramos fazer um ato de contrição ou buscamos o sacramento da reconciliação. Desta forma fomos cultivando uma coração sensível à ação de Deus em nós. E no horizonte da fé convivemos com Cristo no mistério do amor fraterno e nos sinais dos sacramentos. Os que procuram assim agir estão se predispondo a novas visitas da graça e a poderem ter um interior bonito.

    De outro lado, por diferentes razões, pode ser que uma pessoa não tenha tido o cuidado de alimentar sua vida de fé.

    Pode mesmo ter acontecido que, devido a influências externas, um que outro foi julgando desnecessário a convivência com o Senhor na Eucaristia, não foi mais examinando a consciência, passou a aceitar esquemas de vida dupla e não conseguia mais ver necessidade de amar até o fim.

    Nesses casos o coração foi se endurecendo. Ora, o coração arrependido, o coração sensível é espaço por onde passa a visita do Senhor. Não é possível que o a graça penetre em corações rotineiros. Não pode também chegar onde existe uma constante contradição entre a vida de fé e uma vida libertina. Pode acontecer que o Senhor se aproxime de uma pessoa, por muitos modos, convidando-a a dar um passo adiante, a colocar um gesto mais radical, a entregar-se mais ao Evangelho e não tenha resposta por muito tempo. O que torna o coração fechado e endurecido é a conivência com o pecado.

    O trecho de Marcos proclamado na liturgia de hoje termina dramaticamente: “Ao saírem , os fariseus com os partidários de Herodes imediatamente tramaram, contra Jesus, a maneira como haveriam de matá-lo”

    Concluímos com um pensamento do Missal Cotidiano da Paulus: “Os fariseus não raciocinam mais, seu espírito está como que bloqueado por uma ideia fixa: Jesus deve morrer. Por que motivo? É um profeta incômodo, á alguém que tira a tranquilidade, alguém que não dá tréguas à iniquidade, à duplicidade e à falsidade. Quase não ouvem a pergunta que Jesus dirige justamente a eles, no intuito de tocá-los, e levá-los a refletir. Sobretudo não advertem na tristeza que sua atitude desperta em Cristo. São homens que buscam a si mesmos e não à verdade. Condenam-se a si próprios” (p.659).


    Frei Almir Guimarães

  • 5ª-feira da 2ª Semana do TC

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

    1 Samuel 18,6-9; 19,1-7

    Leitura do primeiro livro de Samuel – Naqueles dias, 6 quando Davi voltou, depois de ter matado o filisteu, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, dançando e cantando alegremente ao som de tamborins e címbalos. 7 E, enquanto dançavam, diziam em coro: “Saul matou mil, mas Davi matou dez mil”. 8 Saul ficou muito encolerizado com isso e não gostou nada da canção, dizendo: “A Davi deram dez mil e a mim somente mil. Que lhe falta ainda, senão a realeza?” 9 E, a partir daquele dia, não olhou mais para Davi com bons olhos.

    19,1 Saul falou a Jônatas, seu filho, e a todos os seus servos sobre sua intenção de matar Davi. Mas Jônatas, filho de Saul, amava profundamente Davi 2 e preveniu-o a respeito disso, dizendo: “Saul, meu pai, procura matar-te; portanto, toma cuidado amanhã de manhã e fica oculto em um esconderijo. 3 Eu mesmo sairei em companhia de meu pai, no campo, onde estiveres, e lhe falarei de ti, para ver o que ele diz, e depois te avisarei de tudo o que eu souber”. 4 Então Jônatas falou bem de Davi a Saul, seu pai, e acrescentou: “Não faças mal algum ao teu servo Davi, porque ele nunca te ofendeu. Ao contrário, o que ele tem feito foi muito proveitoso para ti. 5 Arriscou a sua vida, matando o filisteu, e o Senhor deu uma grande vitória a todo Israel. Tu mesmo foste testemunha e te alegraste. Por que, então, pecarias, derramando sangue inocente e mandando matar Davi sem motivo?” 6 Saul, ouvindo isso e aplacado com as razões de Jônatas, jurou: “Pela vida do Senhor, ele não será morto!” 7 Então Jônatas chamou Davi e contou-lhe tudo isso. Levou-o em seguida a Saul, para que ele retomasse o seu lugar, como antes.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 55(56)

    É no Senhor que eu confio e nada temo.

    1. Tende pena e compaixão de mim, ó Deus, † pois há tantos que me calcam sob os pés / e agressores me oprimem todo dia! / Meus inimigos de contínuo me espezinham, / são numerosos os que lutam contra mim! – R.

    2. Do meu exílio registrastes cada passo, † em vosso odre recolhestes cada lágrima / e anotastes tudo isso em vosso livro. / Meus inimigos haverão de recuar † em qualquer dia em que eu vos invocar; / tenho certeza: o Senhor está comigo! – R.

    3. Confio em Deus e louvarei sua promessa. † É no Senhor que eu confio e nada temo: / que poderia contra mim um ser mortal? / Devo cumprir, ó Deus, os votos que vos fiz / e vos oferto um sacrifício de louvor. – R.

    Marcos 3,7-12

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 7Jesus se retirou para a beira do mar junto com seus discípulos. Muita gente da Galileia o seguia. 8E também muita gente da Judeia, de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e Sidônia foi até Jesus, porque tinham ouvido falar de tudo o que ele fazia. 9Então Jesus pediu aos discípulos que lhe providenciassem uma barca, por causa da multidão, para que não o comprimisse. 10Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal jogavam-se sobre ele para tocá-lo. 11Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés, gritando: “Tu és o Filho de Deus!” 12Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era.

     Palavra da salvação.

    Todos andavam atrás dele

    Na verdade Jesus, segundo os relatos dos evangelhos, era procurado por muita gente. Não tinha mais sossego nem tranquilidade. As poucas indicações do texto de Marcos proclamado na liturgia de hoje dizem-no com toda clareza: muita gente da Galileia o seguia, também de Jerusalém, da Idumeia, de Tiro, Sidônia… toda essa gente tinha ouvido falar daquilo que Jesus fazia… Tudo leva a crer que corriam atrás de Jesus por causa dos milagres que iam resolvendo problemas pessoais desses que andavam atrás dele… Diz-se claramente: “Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal, jogavam-se sobre ele para tocá-lo”.

    Jesus é aquele que se faz próximo da doença e da miséria das pessoas. Muitos acreditavam que dele saía um poder curativo. Esse gesto de curar exprime amor, atenção, caridade. Jesus fica condoído com a dor do pequeno que o procura, Emociona-se sobretudo com a confiança dessa gente tão infeliz. Os que são de Cristo continuam operando os “milagres” de Cristo quando inventam condições novas para que os mais doentes tenham uma roupa limpa, cuidados necessários, médicos dedicados e corações atenciosos à sua volta. Os cristãos operam os mesmos milagres de Cristo através do exercício da caridade verdadeira. Nós, discípulos de Jesus, somos reveladores da bondade do Pai. Traduzimos o amor de Jesus pelo amor que damos aos outros.

    O texto de Marcos deixa transparecer uma pontinha de irritação da parte de Jesus com tanta gente.. .Jesus pede que os discípulos providenciem uma barca porque a multidão o comprimia.

    Não dá para viver dias e dias no meio de tanta gente, sufocado de todos os lados. Todos que tentamos viver intensamente nossa vida humana, familiar e cristã no meio do mundo sentimos saudade do deserto, do silêncio, daqueles momentos em que podemos descansar perto do Senhor. Não podemos perder a qualidade de nosso relacionamento com Deus num ativismo louco. Francisco de Assis pedia que seus frades trabalhassem, estivessem no meio das pessoas, mas nunca perdessem o espírito da oração e da santa devoção. Não podemos nos deixar sufocar pelas pessoas e acontecimentos….

    Ainda no texto de Marcos encontramos uma outra observação de Jesus. Os espírito maus caem aos seus pés e declaram-no Filho de Deus. “Mas Jesus ordenava severamente que não dissessem quem ele era”. Sabemos que Marcos escreve seu evangelho adotando a tática do segredo messiânico. O Evangelho mostra as pessoas gradativamente descobrindo a identidade de Cristo que, na realidade, será proclamada de maneira solene pelo soldado romano ao pé da cruz: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus” (Mc 15,39). Jesus não quer que “espíritos” maus declarassem sua mais profunda identidade naquele momento.

    Nós, ao longo de nossa vida, vamos descobrindo quem ele é. Quem dera que, no final de nossos dias, tenhamos a possibilidade de dizer com toda verdade a Cristo: “Tu és o Filho de Deus”.


    Frei Almir Guimarães

  • Santa Inês – memória

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

     1 Samuel 24,3-21

    Leitura do primeiro livro de Samuel – Naqueles dias, 3Saul tomou consigo três mil homens escolhidos em todo Israel e saiu em busca de Davi e de seus homens, até os rochedos das cabras monteses. 4E chegou aos currais de ovelhas que encontrou no caminho. Havia ali uma gruta, onde Saul entrou para satisfazer suas necessidades. Davi e seus homens achavam-se no fundo da gruta, 5e os homens de Davi disseram-lhe: “Este certamente é o dia do qual o Senhor te falou: ‘Eu te entregarei o teu inimigo, para que faças dele o que quiseres’”. Então, Davi aproximou-se de mansinho e cortou a ponta do manto de Saul. 6Mas logo o seu coração se encheu de remorsos por ter feito aquilo, 6e disse aos seus homens: “Que o Senhor me livre de fazer uma coisa dessas ao ungido do Senhor, levantando a minha mão contra ele, o ungido do Senhor”. 8Com essas palavras, Davi conteve os seus homens e não permitiu que se lançassem sobre Saul. Este deixou a gruta e seguiu seu caminho. 9Davi levantou-se a seguir, saiu da gruta e gritou atrás dele: “Senhor, meu rei!” Saul voltou-se, e Davi inclinou-se até o chão e prostrou-se. 10E disse a Saul: “Por que dás ouvidos às palavras dos que te dizem que Davi procura fazer-te mal? 11Viste hoje, com teus próprios olhos, que o Senhor te entregou nas minhas mãos, na gruta. Renunciando a matar-te, poupei-te a vida, porque pensei: Não levantarei a mão contra o meu senhor, pois ele é o ungido do Senhor 12e meu pai. Presta atenção, e vê em minha mão a ponta do teu manto. Se eu cortei este pedaço do teu manto e não te matei, reconhece que não há maldade nem crime em mim, que não pequei contra ti. Tu, porém, andas procurando tirar-me a vida. 13Que o Senhor seja nosso juiz e que ele me vingue de ti. Mas eu nunca levantarei a minha mão contra ti. 14‘Dos ímpios sairá a impiedade’, diz o antigo provérbio; por isso, a minha mão não te tocará. 15A quem persegues tu, ó rei de Israel? A quem persegues? Um cão morto! E uma pulga! 16Pois bem! O Senhor seja juiz e julgue entre mim e ti. Que ele examine e defenda a minha causa, e me livre das tuas mãos”. 17Quando Davi terminou de falar, Saul lhe disse: “É essa a tua voz, ó meu filho Davi?” E começou a clamar e a chorar. 18Depois disse a Davi: “Tu és mais justo do que eu, porque me tens feito bem e eu só te tenho feito mal. 19Hoje me revelaste a tua bondade para comigo, pois o Senhor me entregou em tuas mãos e não me mataste. 20Qual é o homem que, encontrando o seu inimigo, o deixa ir embora tranquilamente? Que o Senhor te recompense pelo bem que hoje me fizeste. 21Agora eu sei com certeza que tu serás rei e que terás em tua mão o Reino de Israel”.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 56(57)

    Piedade, Senhor, tende piedade.

    1. Piedade, Senhor, piedade, / pois em vós se abriga a minha alma! / De vossas asas, à sombra, me achego, / até que passe a tormenta, Senhor! – R.

    2. Lanço um grito ao Senhor Deus altíssimo, / a este Deus que me dá todo o bem. / Que me envie do céu sua ajuda † e confunda os meus opressores! / Deus me envie sua graça e verdade! – R.

    3. Elevai-vos, ó Deus, sobre os céus, / vossa glória refulja na terra! / Vosso amor é mais alto que os céus, / mais que as nuvens a vossa verdade! – R.

    Marcos 3,13-19

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 13Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis. E foram até ele. 14 Então Jesus designou Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, 15 com autoridade para expulsar os demônios. 16 Designou, pois, os Doze: Simão, a quem deu o nome de Pedro; 17 Tiago e João, filhos de Zebedeu, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer “filhos do trovão”; 18 André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o cananeu, 19e Judas Iscariotes, aquele que depois o traiu.

     Palavra da salvação.

    Dos que foram chamados para serem enviados 

    Um dos temas fundamentais do Novo Testamento é o da vocação daqueles que foram chamados a viver intimidade com Cristo para depois serem enviados. Nós os designamos de apóstolos. A Conferência de Aparecida fala de discípulos missionários. O texto do evangelho de hoje nos faz pensar de modo especial, nos bispos e sacerdotes, mas alargamos o horizonte e incluímos todos os batizados, porque o cristão é sempre um convocado para a ação. Pelo testemunho e pela palavra são enviados, agem na continuação do agir de Cristo. Que missão mais nobre e mais importante do que esta?

    São curiosas algumas observações de Marcos. O evangelista empresta solenidade ao momento. Jesus sobe a um monte, ou seja, espaço típico de maior proximidade com Deus. Chama a todos com liberdade absoluta. Chama quem quer. “E eles foram até ele”. Ou seja, responderam o chamado. A iniciativa, porém, foi de Cristo.

    Na parte central do texto vem descrita a identidade dessa nova comunidade. “Então Jesus designou doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar com autoridade para expulsar demônios”. Há dois momentos: estar com o Senhor, privar da intimidade do Senhor e depois serem enviados. Esta será sempre a norma dos que agem em nome de Cristo.  Haverão eles de estar com o Senhor no silêncio da consciência, na leitura do Evangelho, na oração de intimidade, na vivência gozosa em fraternidade. Assim forjados, serão enviados.

    A Igreja toda tem a mesma dinâmica. Há um momento do estar junto, partilhar a Palavra, comer o pão, tempo do ”vede como eles se amam”. E depois é o ir pelo mundo e tentar expulsar o mal das engrenagens deste mesmo mundo que foi amado pelo Mestre e pelo qual ele deu a própria vida.

    Apóstolos que são enviados! Estamos num tempo de urgente evangelização. Um biógrafo de Francisco de Assis (sec. XX) fala da urgência da evangelização naquele tempo e nos nossos tempos: “Neste mundo de mutação elevam-se pungentes apelos humanos, algumas vezes angustiantes: apelos de mais tolerância e liberdade, de mais justiça, de mais participação nas decisões e nas responsabilidades, desejo de paz garantida pelo respeito dos direitos homem e dos povos… Hoje, como no tempo de Francisco, estes apelos partem do coração dos pobres e dos pequenos. Constituem o grito de todos os famintos e dos oprimidos de todos os lados. Homens e mulheres carregam , em sua carne ferida e em sua dignidade desrespeitada, as verdadeiras ânsias do homem e o segredo do mundo futuro” (Éloi Leclerc, Francisco de Assis. O Retorno ao Evangelho, Vozes/CEFEPAL, 1983, Petrópolis, p. 127)


    Frei Almir Guimarães

  • Sábado da 2ª Semana do TC

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

    2 Samuel 1,1-4.11-12.19.23-27

    Início do segundo livro de Samuel – Naqueles dias, 1Davi regressou da derrota que infligiu aos amalecitas e esteve dois dias em Siceleg. 2No terceiro dia, apareceu um homem, que vinha do acampamento de Saul, com as vestes rasgadas e a cabeça coberta de pó. Ao chegar perto de Davi, prostrou-se por terra e fez-lhe uma profunda reverência. 3Davi perguntou-lhe: “Donde vens?” Ele respondeu: “Salvei-me do acampamento de Israel”. 4“Que aconteceu?”, perguntou-lhe Davi. “Conta-me tudo!” Ele respondeu: “As tropas fugiram da batalha, e muitos do povo caíram mortos. Até Saul e o seu filho Jônatas pereceram!” 11Então Davi tomou suas próprias vestes e rasgou-as, e todos os que estavam com ele fizeram o mesmo. 12Lamentaram-se, choraram e jejuaram até a tarde por Saul e por seu filho Jônatas e por causa do povo do Senhor e da casa de Israel, porque haviam tombado pela espada. 19E Davi disse: “Tua glória, ó Israel, jaz ferida de morte sobre os teus montes. Como tombaram os fortes! 23Saul e Jônatas, amados e belos, nem vida nem morte os puderam separar, mais velozes que as águias, mais fortes que os leões. 24Filhas de Israel, chorai sobre Saul. Ele vos vestia de púrpura suntuosa e ornava de ouro os vossos vestidos. 25Como tombaram os fortes em plena batalha! Jônatas foi morto sobre as tuas alturas. 26Choro por ti, meu irmão Jônatas. Tu me eras tão querido; tua amizade me era mais cara que o amor das mulheres. 27Como tombaram os fortes, como pereceram as armas de guerra!”

     Palavra do Senhor.

    Sl: 79(80)

    Resplandecei a vossa face, e nós seremos salvos!

    1. Ó pastor de Israel, prestai ouvidos. / Vós, que a José apascentais qual um rebanho! / Vós, que sobre os querubins vos assentais, † aparecei cheio de glória e esplendor / ante Efraim e Benjamim e Manassés! / Despertai vosso poder, ó nosso Deus, / e vinde logo nos trazer a salvação! – R.

    2. Até quando, ó Senhor, vos irritais, / apesar da oração do vosso povo? / Vós nos destes a comer o pão das lágrimas, / e a beber destes um pranto copioso. / Para os vizinhos somos causa de contenda, / de zombaria para os nossos inimigos. – R.

    Marcos 3,20-21

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 20Jesus voltou para casa com os discípulos. E de novo se reuniu tanta gente, que eles nem sequer podiam comer. 21Quando souberam disso, os parentes de Jesus saíram para agarrá-lo, porque diziam que estava fora de si.

     Palavra da salvação.

    Ele parecia estar fora de si

    Um sentimento que parece ter acompanhado Jesus ao longo de sua vida foi o de uma certa solidão. Muitas vezes não sendo compreendido, vivia essa experiência de não comunhão com os que o cercavam. Entendamo-nos bem. Jesus estava sempre em comunhão com o Pai. Tinha certeza de sua presença e proximidade. Esta nunca foi rompida. Algumas pessoas que ouviam o Mestre da Galileia tinham dificuldade em compreender a sua identidade e não acolhiam sem mais suas posturas. Os evangelhos estão perpassados de reações hostis. Estas partem, de modo particular, dos “religiosos” da época, desses fariseus tão desejosos de serem fiéis à lei e, ao mesmo tempo, tão endurecidos de coração. Se de um lado as multidões não davam descanso a Jesus, depois de toda agitação, todos iam embora e Jesus ficava sozinho tendo ainda que “administrar” as perplexidades do coração de seus discípulos, tão tardos para crer. Jesus é, certamente, alguém que não consegue sempre interlocutores capazes de entendê-lo. Tem, é verdade, alguns amigos. Entre esses Marta, Maria e Lázaro. Chega mesmo a chorar diante do túmulo deste último. Algumas vezes, é verdade, umas poucas vezes, os evangelhos dizem que alguns dos miraculados passaram a seguir Jesus. Talvez estes, por gratidão e graça, tenham compreendido melhor o Mestre e criaram com ele comunhão.

    A solidão acompanha a muitos. O sacerdote, muitas vezes imbuído das melhores intenções, não é compreendido. É taxado de radical, de “mandão”, de ditador. Depois de acompanhar pastoralmente a pessoas e grupos ele se dá conta que uns e outros desapareceram.

    Ou estes estão pregando em outras plagas ou descobriram o encanto de grupamentos religiosos marcados pelo “emocionalismo”. Solidão… Vejo Jesus suspenso entre o céu e a terra. Aos pés da cruz Maria, sua mãe e o discípulo amado. Com o olhar turvo pelo sangue e suor Jesus se remexe na cruz, sente-se só. Onde estão todos aqueles que haviam escutado sua palavra, que foram arrancados das trevas e levados à luz? Onde estão aqueles que de paralíticos se transformaram em caminhantes lépidos, esses surdos que ouvem tudo, mas agora não escutam os suspiros doloridos daquele que morre na cruz. E mesmo o Pai parece tê-lo abandonado. “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”

    A solidão acompanha o casal que não consegue sempre exprimir nos gestos e nas palavras aquilo que existe no fundo de seus corações. Solidão dos pais diante de posturas desconcertantes de seus filhos, discípulos da sociedade do egoísmo, do individualismo e do consumismo. Que fazer? Solidão dos cristãos conscientes de seu pecado, da fragilidade de suas vidas, que clamam ao Senhor, que sabem poder contar com sua força, mas que se sentem sós.

    Jesus não teve apenas a oposição de gente de fora. As poucas linhas do texto de hoje nos falam da resistência de sua parentela. À porta da casa de Jesus, uma multidão. Uma loucura. Ele parecia louco. Quando os parentes souberam disso saíram para agarrá-lo porque diziam que estava “fora de si”.


    Frei Almir Guimarães

  • 3º Domingo do Tempo Comum

    • 1ª Leitura
    • Salmo
    • 2ª Leitura
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

    Neemias 8,2-6.8-10

    Leitura do livro de Neemias – Naqueles dias, 2o sacerdote Esdras apresentou a Lei diante da assembleia de homens, de mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. Era o primeiro dia do sétimo mês. 3Assim, na praça que fica defronte da porta das Águas, Esdras fez a leitura do livro, desde o amanhecer até o meio-dia, na presença dos homens, das mulheres e de todos os que eram capazes de compreender. E todo o povo escutava com atenção a leitura do livro da Lei. 4Esdras, o escriba, estava de pé sobre um estrado de madeira, erguido para esse fim. 5Estando num lugar mais alto, ele abriu o livro à vista de todo o povo. E, quando o abriu, todo o povo ficou de pé. 6Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus, e todo o povo respondeu, levantando as mãos: “Amém, amém!” Depois, inclinaram-se e prostraram-se diante do Senhor, com o rosto em terra. 8E leram, clara e distintamente, o livro da Lei de Deus e explicaram seu sentido, de maneira que se pudesse compreender a leitura. 9O governador Neemias e Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que instruíam o povo disseram a todos: “Este é um dia consagrado ao Senhor, vosso Deus. Não fiqueis tristes nem choreis”, pois todo o povo chorava ao ouvir as palavras da Lei. 10E Neemias disse-lhes: “Ide para vossas casas e comei carnes gordas, tomai bebidas doces e reparti com aqueles que nada prepararam, pois este dia é santo para o nosso Senhor. Não fiqueis tristes, porque a alegria do Senhor será a vossa força”.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 18B(19)

    Vossas palavras, Senhor, são espírito e vida!

    1. A lei do Senhor Deus é perfeita, / conforto para a alma! / O testemunho do Senhor é fiel, / sabedoria dos humildes. – R.

    2. Os preceitos do Senhor são precisos, / alegria ao coração. / O mandamento do Senhor é brilhante, / para os olhos é uma luz. – R.

    3. É puro o temor do Senhor, / imutável para sempre. / Os julgamentos do Senhor são corretos / e justos igualmente. – R.

    4. Que vos agrade o cantar dos meus lábios / e a voz da minha alma; / que ela chegue até vós, ó Senhor, / meu rochedo e redentor! – R.

    1 Coríntios 12,12-30 ou 12-14.27

    [A forma breve está entre colchetes.]

    Leitura da primeira carta de São Paulo aos Coríntios[Irmãos, 12como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo. 13De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito. 14Com efeito, o corpo não é feito de um membro apenas, mas de muitos membros].

    15 Se o pé disser: “Eu não sou mão, portanto não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de pertencer ao corpo. 16 E se o ouvido disser: “Eu não sou olho, portanto não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de pertencer ao corpo. 17 Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se o corpo todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? 18 De fato, Deus dispôs os membros, e cada um deles no corpo, como quis. 19Se houvesse apenas um membro, onde estaria o corpo? 20 Há muitos membros e, no entanto, um só corpo. 21 O olho não pode, pois, dizer à mão: “Não preciso de ti”. Nem a cabeça pode dizer aos pés: “Não preciso de vós”. 22 Antes, pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são muito mais necessários do que se pensa. 23 Também os membros que consideramos menos honrosos, a estes nós cercamos com mais honra, e os que temos por menos decentes, nós os tratamos com mais decência. 24 Os que nós consideramos decentes não precisam de cuidado especial. Mas Deus, quando formou o corpo, deu maior atenção e cuidado ao que nele é tido como menos honroso, 25 para que não haja divisão no corpo e, assim, os membros zelem igualmente uns pelos outros. 26 Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se é honrado, todos os membros se regozijam com ele.

    [27 Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo].

    28 E, na Igreja, Deus colocou, em primeiro lugar, os apóstolos; em segundo lugar, os profetas; em terceiro lugar, os que têm o dom e a missão de ensinar; depois, outras pessoas com dons diversos, a saber: dom de milagres, dom de curas, dom para obras de misericórdia, dom de governo e direção, dom de línguas. 29 Acaso todos são apóstolos? Todos são profetas? Todos ensinam? Todos realizam milagres? 30 Todos têm o dom das curas? Todos falam em línguas? Todos as interpretam?

     Palavra do Senhor.

    Lucas 1,1-4; 4,14-21

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – 1Muitas pessoas já tentaram escrever a história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, 2como nos foram transmitidos por aqueles que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da Palavra. 3Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio, também eu decidi escrever de modo ordenado para ti, excelentíssimo Teófilo. 4Deste modo, poderás verificar a solidez dos ensinamentos que recebeste. Naquele tempo, 4,14Jesus voltou para a Galileia com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. 15Ele ensinava nas suas sinagogas, e todos o elogiavam. 16E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado e levantou-se para fazer a leitura. 17Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18″O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19e para proclamar um ano da graça do Senhor”. 20Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.

    Palavra da salvação.

    Na escuta da Palavra

    Jesus é convidado a ler um trecho da Escritura na sinagoga de Nazaré. Ele se levanta toma o livro de Isaias que fala do Espírito do Senhor que pousa sobre o seu servo para anunciar a boa nova aos pobres, libertar os cativos, abrir os olhos aos cegos. Terminada a leitura ele devolve o livro ou o rolo e diz: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabaste de ouvir. A Igreja vive da escuta da Palavra. Ali ela encontra sua identidade”.

    Na celebração cotidiana da Eucaristia, de modo especial, na assembleia dominical, a Igreja se renova, se reencontra. Leituras bem proclamadas, seguidas de silêncio, com aparelhos de som de qualidade, leituras feitas por pessoas que procuram ler bem… e o coração da assembleia atento ao que lhes será dito…  são condições prévias… A Liturgia da Palavra é um acontecimento espiritual. Ai está a assembleia ansiosa por ouvir aquilo que o Senhor quer lhe dizer no hoje de suas vidas. A beleza do livro das leituras, a solenidade dos cantos, a qualidade da atenção, as palavras da salvação que vêm do Evangelho e a homilia que atualiza a Palavra… Tudo isso se situa num contexto de um acontecimento espiritual da comunidade.

    Não encontramos melhores palavras para explicar o valor e o sentido da liturgia da palavra senão esta introdução ao 3º domingo do tempo comum que aparece no Missal Dominical da Paulus: “Cada página do Evangelho não é uma página morta, mas palavra viva, que Deus diz a nós e deve realizar-se hoje. O evangelho não narra apenas a vida de Jesus, mas também a minha vida.”

    O evangelho nos contém, nos envolve. Por isto, a Liturgia da Palavra não é uma simples lição moral, nem a afirmação da esperança escatológica recebida dos profetas; mas proclama o cumprimento do desígnio do Pai no hoje da vida e da assembleia. Não se contempla aí um passado desaparecido, nem se imagina um futuro extraordinário, mas se vive o tempo presente como lugar privilegiado da vida do Senhor. Portanto, não se procura aplicar aos fatos vividos pelos membros da assembleia um ou outro texto inspirado, mas indicar que o acontecimento vivido hoje pelos homens e pelos cristãos revela o desígnio de Deus que se realiza no Cristo.

    Antigo e Novo Testamento se tornam atuais, próximos se não ficarmos presos à letra morta. Mais cedo ou mais tarde descobriremos que podemos dizer a cada página: “Aqui se fala de nós. Eu sou Adão. Nós somos os apóstolos no mar. Encontramo-nos precisamente como Jesus no caminho do calvário e da ressurreição. Assim, através da Palavra de Deus, vamos lentamente descobrindo como é nossa vida aos olhos dele, isto é, na sua dimensão profunda. A palavra que vem de Deus possui a força e a eficácia de Deus. Interpela, convoca, consola, cria comunhão e salva, das mais diversas maneiras, conforme os momentos e as formas; todo ato de pregação é glorificação de Deus e acontecimento sociológico para os homens. Hoje também a Palavra quer tornar-se carne para nossa vida” (p. 1095)


    Frei Almir Guimarães

  • São Francisco de Sales – memória

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

     2 Samuel 5,1-7.10

    Leitura do segundo livro de Samuel – Naqueles dias, 1todas as tribos de Israel vieram encontrar-se com Davi em Hebron e disseram-lhe: “Aqui estamos. Somos teus ossos e tua carne. 2Tempo atrás, quando Saul era nosso rei, eras tu que dirigias os negócios de Israel. E o Senhor te disse: ‘Tu apascentarás o meu povo Israel e serás o seu chefe’”. 3Vieram, pois, todos os anciãos de Israel até o rei em Hebron. O rei Davi fez com eles uma aliança em Hebron, na presença do Senhor, e eles o ungiram rei de Israel. 4Davi tinha trinta anos quando começou a reinar e reinou quarenta anos: 5sete anos e seis meses sobre Judá, em Hebron, e trinta e três anos em Jerusalém, sobre todo Israel e Judá. 6Davi marchou então com seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus que habitavam aquela terra. Estes disseram a Davi: “Não entrarás aqui, pois serás repelido por cegos e coxos”. Com isso queriam dizer que Davi não conseguiria entrar lá. 7Davi, porém, tomou a fortaleza de Sião, que é a cidade de Davi. 10Davi ia crescendo em poder, e o Senhor, Deus todo-poderoso, estava com ele.

     Palavra do Senhor.

    Sl: 88(89)

    Minha verdade e meu amor estarão sempre com ele.

    1. Outrora vós falastes em visões a vossos santos: † “Coloquei uma coroa na cabeça de um herói / e do meio deste povo escolhi o meu eleito. – R.

    2. Encontrei e escolhi a Davi, meu servidor, / e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado. / Estará sempre com ele minha mão onipotente, / e meu braço poderoso há de ser a sua força. – R.

    3. Minha verdade e meu amor estarão sempre com ele, / sua força e seu poder, por meu nome, crescerão. / Eu farei que ele estenda sua mão por sobre os mares, / e a sua mão direita estenderei por sobre os rios”. – R.

     Marcos 3,22-30

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 22os mestres da Lei, que tinham vindo de Jerusalém, diziam que ele estava possuído por Belzebu e que pelo príncipe dos demônios ele expulsava os demônios. 23Então Jesus os chamou e falou-lhes em parábolas: “Como é que satanás pode expulsar a satanás? 24Se um reino se divide contra si mesmo, ele não poderá manter-se. 25Se uma família se divide contra si mesma, ela não poderá manter-se. 26Assim, se satanás se levanta contra si mesmo e se divide, não poderá sobreviver, mas será destruído. 27Ninguém pode entrar na casa de um homem forte para roubar seus bens sem antes o amarrar. Só depois poderá saquear sua casa. 28Em verdade vos digo, tudo será perdoado aos homens, tanto os pecados como qualquer blasfêmia que tiverem dito. 29Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo nunca será perdoado; será culpado de um pecado eterno”. 30Jesus falou isso porque diziam: “Ele está possuído por um espírito mau”.

    Palavra da salvação.

    Francisco de Sales e a “devoção”

    Francisco de Sales é o santo que fala da vida devota.  Transcrevemos a página que oferecida como  meditação neste dia no Oficio das Leituras  da Liturgia das Horas:

    Na criação,   Deus criador mandou  às plantas que cada uma produzisse fruto conforme  sua  espécie. Do mesmo modo, ele ordenou  aos cristãos, plantas vivas  de sua Igreja,  que produzissem frutos de devoção, cada qual de acordo com sua categoria, estado e vocação.

    A devoção deve ser praticada  de modos diferentes  pelo nobre e pelo operário, pelo servo e pelo príncipe, pela viúva, pela solteira e pela casada. E isto ainda não basta.  A prática da devoção deve adaptar-se  às forças, ao trabalho e aos deveres particulares de cada um.

    Dize-me, por favor Filoteia, se seria conveniente que  os bispos quisessem viver  na solidão como os cartuxos;  que os casados não se preocupassem em aumentar seus ganhos  mais do que os capuchinhos;  que o operário passasse o dia todo na igreja como o religioso; e que o religioso estivesse sempre disponível para todo tipo de encontros a serviço do próximo, como o bispo?  Não seria ridícula, confusa e intolerável esta devoção?

    Contudo, este erro absurdo acontece  muitíssimas vezes.  E no entanto, Filoteia, a devoção quando  é verdadeira  não prejudica a ninguém; pelo contrário, tudo aperfeiçoa e consuma.  E quando se torna contrária à legítima ocupação de alguém, é falsa, sem dúvida alguma.

    A abelha extrai o seu mel das flores  sem lhes causar dano algum,  deixando-as intactas e frescas como as encontrou.  Todavia a verdadeira devoção  age melhor ainda, porque  não somente não prejudica a qualquer espécie de vocação ou tarefa, mas também a engrandece e embeleza.

    Toda a variedade de pedras preciosas lançadas no mel  tornam-se mais brilhantes, cada  qual conforme a sua cor;  assim também cada um se torna mais agradável e perfeito em sua vocação quando esta for conjugada  com a devoção: o cuidado da família se torna tranquilo, o amor mútuo entre marido e mulher mais sincero, o serviço que se presta ao príncipe mais fiel, e mais suave e agradável  o desempenho de todas as ocupações.

    É um erro, senão até mesmo uma heresia querer excluir a vida devota  dos quartéis de soldados, das oficinas dos operários,  dos palácios dos príncipe, do lar das pessoas  casadas.  Confesso, porém, caríssima Filteia, que a devoção puramente contemplativa, monástica e religiosa  de modo algum pode ser praticada em tais ocupações ou condições. Mas para além destas três espécies de devoção, existem muitas outras próprias para o aperfeiçoamento daqueles que vivem no estado secular.

    Portanto, onde quer que estejamos, podemos e devemos aspirar à vida  perfeita.


    Liturgia das Horas  III,   p. 1204-1205

  • Conversão de São Paulo – festa

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

     Atos 22,3-16

    Leitura dos Atos dos Apóstolos – Naqueles dias, Paulo disse ao povo: 3“Eu sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas fui criado aqui nesta cidade. Como discípulo de Gamaliel, fui instruído em todo o rigor da Lei de nossos antepassados, tornando-me zeloso da causa de Deus, como acontece hoje convosco. 4Persegui até a morte os que seguiam esse caminho, prendendo homens e mulheres e jogando-os na prisão. 5Disso são minhas testemunhas o sumo sacerdote e todo o conselho dos anciãos. Eles deram-me cartas de recomendação para os irmãos de Damasco. Fui para lá a fim de prender todos os que encontrasse e trazê-los para Jerusalém, a fim de serem castigados. 6Ora, aconteceu que, na viagem, estando já perto de Damasco, pelo meio-dia, de repente uma grande luz que vinha do céu brilhou ao redor de mim. 7Caí por terra e ouvi uma voz que me dizia: ‘Saulo, Saulo, por que me persegues?’ 8Eu perguntei: ‘Quem és tu, Senhor?’ Ele me respondeu: ‘Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem tu estás perseguindo’. 9Meus companheiros viram a luz, mas não ouviram a voz que me falava. 10Então perguntei: ‘Que devo fazer, Senhor?’ O Senhor me respondeu: ‘Levanta-te e vai para Damasco. Ali te explicarão tudo o que deves fazer’. 11Como eu não podia enxergar, por causa do brilho daquela luz, cheguei a Damasco guiado pelas mãos dos meus companheiros. 12Um certo Ananias, homem piedoso e fiel à Lei, com boa reputação junto de todos os judeus que aí moravam, 13veio encontrar-me e disse: ‘Saulo, meu irmão, recupera a vista!’ No mesmo instante, recuperei a vista e pude vê-lo. 14Ele, então, me disse: ‘O Deus de nossos antepassados escolheu-te para conheceres a sua vontade, veres o Justo e ouvires a sua própria voz. 15Porque tu serás a sua testemunha, diante de todos os homens, daquilo que viste e ouviste. 16E agora, o que estás esperando? Levanta-te, recebe o batismo e purifica-te dos teus pecados, invocando o nome dele!’”

    Palavra do Senhor.

    Sl: 116(117)

    Ide por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.

    1. Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes, / povos todos, festejai-o! – R.

    2. Pois comprovado é seu amor para conosco, / para sempre ele é fiel! – R.

    Marcos 16,15-18

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, Jesus se manifestou aos onze discípulos 15e disse-lhes: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! 16Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. 17Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; 18se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados”.

     Palavra da salvação.

    Por amor de Cristo, Paulo tudo suportou

    Hoje ocorre a festa solene da conversão de Paulo.  Quem vai nos ajudar a penetrar no mistério de Paulo é João Crisóstomo (séc.IV).

    “O que é o homem, quão grande é  dignidade da nossa natureza e de quanta virtude é capaz a criatura humana, Paulo o demonstrou mais do que qualquer outro.  Cada dia ele subia mais alto e se tornava mais ardente, cada dia lutava com energia sempre nova contra os perigos que o ameaçavam.

    É o que depreendemos de suas próprias palavras:  Esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente ( cf. Fl 3,13). Percebendo a morte iminente, convidava os outros a comungarem da sua alegria, dizendo: Alegrai-vos e congratulai-vos comigo (Fl 2,18).  Diante dos perigos, injúrias e opróbrios, igualmente se alegre e escreve aos coríntios: Eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições (2Cor 2,10), porque, sendo estas,  conforme declarava, as armas da justiça, mostrava que delas vinha um grande proveito.

    Realmente,  no meio de insídias dos inimigos, conquistava contínuas vitórias triunfando de todos os assaltos.

    Em todo parte flagelado, coberto de injúrias e maldições, como se desfilasse num cortejo triunfal, erguendo numerosos troféus, gloriava-se e dava graças a Deus, dizendo: Graças sejam dadas a Deus que nos fez sempre triunfar (2Cor 2,14). Por isso corria ao encontro de humilhações e das ofensas que suportava por causa da pregação, com mais entusiasmo do que nós quando nos apressamos para alcançar o prazer das honrarias; aspirava mais pela morte do que nós pela vida; ansiava mais pela pobreza do que nós pelas riquezas; e desejava muito mais o trabalho, sem descanso do que nós o descanso depois do trabalho. Uma só coisa o amedrontava e fazia temer: ofender a Deus. E uma única coisa desejava: agradar a Deus. Só se alegrava no amor de Cristo, que era para ele o maior de todos os bens; com isto julgava-se os mais feliz dos homens; sem isto, de nada lhe valia ser amigo dos senhores e poderosos.  Com este amor preferia ser o último de todos, isto é, contado entre os réprobos, do que encontrar-se no meio dos homens famosos pela consideração e pela honra, mas privados do amor de Cristo.

    Para ele o maior tormento consistia em separar-se de semelhante amor; esta era a sua geena, o seu único castigo, o infinito e intolerável suplício. Em compensação, gozar do amor de Cristo era para ele a vida, o mundo, o anjo, o presente, o futuro, o reino, a promessa, enfim, todos os bens. Afora isto, nada tinha por triste ou alegre. De tudo o que existe no mundo, nada lhe era agradável ou desagradável.

    Não se importava com as coisas que admiramos, como se costuma desprezar a erva apodrecida. Para ele tanto os tiranos como as multidões enfurecidas eram como que mosquitos. Considerava como brinquedo de crianças os mil suplícios, tormentos e a própria morte, desde que pudesse sofrer alguma coisa por Cristo”.


    Liturgia das Horas, III, p. 1209-1210

  • Santos Timóteo e Tito – festa

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

     2 Timóteo 1,1-8

    Início da segunda carta de São Paulo a Timóteo – 1Paulo, apóstolo de Jesus Cristo pelo desígnio de Deus referente à promessa de vida que temos em Cristo Jesus, 2a Timóteo, meu querido filho: graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor! 3Dou graças a Deus – a quem sirvo com a consciência pura, como aprendi dos meus antepassados – quando me lembro de ti, dia e noite, nas minhas orações. 4Lembrando-me das tuas lágrimas, sinto grande desejo de rever-te e assim ficar cheio de alegria. 5Recordo-me da fé sincera que tens, aquela mesma fé que antes tiveram tua avó Loide e tua mãe, Eunice. Sem dúvida, assim é também a tua. 6Por esse motivo, exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. 7Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e sobriedade. 8Não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus.

     Palavra do Senhor.

    Sl: 95(96)

    Anunciai entre as nações os grandes feitos do Senhor!

    1. Cantai ao Senhor Deus um canto novo, † cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! / Cantai e bendizei seu santo nome! – R.

    2. Dia após dia anunciai sua salvação, † manifestai a sua glória entre as nações / e, entre os povos do universo, seus prodígios! – R.

    3. Ó família das nações, dai ao Senhor, † nações, dai ao Senhor poder e glória, / dai-lhe a glória que é devida ao seu nome! – R.

    4. Publicai entre as nações: “Reina o Senhor!” † Ele firmou o universo inabalável, / e os povos ele julga com justiça. – R.

    Lucas 10,1-9

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, 1o Senhor escolheu outros setenta e dois discípulos e os enviou dois a dois, na sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele próprio devia ir. 2E dizia-lhes: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe que mande trabalhadores para a colheita. 3Eis que vos envio como cordeiros para o meio de lobos. 4Não leveis bolsa, nem sacola, nem sandálias e não cumprimenteis ninguém pelo caminho! 5Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: ‘A paz esteja nesta casa!’ 6Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; se não, ela voltará para vós. 7Permanecei naquela mesma casa, comei e bebei do que tiverem, porque o trabalhador merece o seu salário. Não passeis de casa em casa. 8Quando entrardes numa cidade e fordes bem recebidos, comei do que vos servirem, 9curai os doentes que nela houver e dizei ao povo: ‘O Reino de Deus está próximo de vós’”.

    Palavra da salvação.

    Um jeito diferente de ir pelo mundo

    A Igreja nos propõe hoje um evangelho adaptado à comemoração dos santos Tito e Timóteo, colaboradores de São Paulo e homens da evangelização.

    Eis uma palavra de nossos dias: evangelização. O tema é vasto e cheio de meandros nem sempre fáceis de se percorrer. Evangelizar:  anunciar uma boa nova, a boa nova que se chama Jesus Cristo, morto e ressuscitado, vivendo entre nós no regime dos sinais.  Evangelização que não se opõe a pastoral, mas que a precede e a acompanha. Evangelizar os que já são da Igreja e abrir as portas para tantos que se afastaram, tantos que hoje são indiferentes ao amor do Senhor e aos cuidados da Igreja.

    Há  aqueles e aquelas de terras distantes ou nossos vizinhos que precisam ouvir a Boa Nova pela primeira vez. Pode ser que muitos tenham mesmo chegado a receber os sacramentos do reino, mas que nunca, de fato, inauguraram em suas vidas um processo de conversão. O Documento final do Capítulo da Ordem dos Frades Menores de 2009 diz: “Em sua essência mais profunda, o Evangelho é  dom destinado a ser partilhado.

    O envio a evangelizar brota de suas próprias entranhas, ao mesmo tempo que é uma exigência da fé.  Uma autêntica experiência de Deus, de fato, nos põe em movimento, porque não é possível sentir o abraço infinito de um Deus loucamente enamorado, porque é amor e só amor, sem sentir ao mesmo tempo a necessidade urgente de partilhar esta experiência com os outros. Em última análise, evangelizar é fazer a experiência de Emaús, colocando-se na estrada para fazer uma oferta de fé, mediante um testemunho partilhado. Quem partilha restitui” (Portadores do Dom do Evangelho,n. 11).

    Francisco de Assis, com efeito, ficou impressionado com o evangelho deste dia.  O Poverello e os seus  “fazem opções que tornam concretas suas intuições. Optam por não tocar em dinheiro, porém não renunciam ao trabalho ou a cuidar dos leprosos; optam por não andar a cavalo, mas nem por isso não deixam de ir pelo mundo; recusam decididamente os privilégios eclesiásticos, mas declaram-se sempre súditos e sujeitos aos pés da Santa Igreja; optam por confiar-se à Providência para prover a seu sustento, mas precisamente por isso são livres “para comer o que lhes for servido”. Destas e de muitas outras maneiras,  a primeira fraternidade aparece como uma fraternidade profética, como uma fraternidade sinal que sabe ler os sinais dos tempos e encarnar o Evangelho de maneira concreta e  compreensível para a cultura do próprio tempo” ( Portadores…n. 8).

    O Senhor escolhe setenta e dois discípulos e os envia pelo mundo, dois a dois, fraternalmente dois a dois.  São enviados no meio de lobos.  Serão evangelizadores pobres sem sacola, sem pompa, sem poderio. Darão a paz. Felizes os pés daqueles que evangelizam….


    Frei Almir Guimarães

  • 5ª-feira da 3ª Semana do TC

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

     2 Samuel 7,18-19.24-29

    Leitura do segundo livro de Samuel – Depois que Natã falara a Davi, o rei entrou no tabernáculo, 18foi assentar-se diante do Senhor e disse: “Quem sou eu, Senhor Deus, e o que é a minha família, para que me tenhas conduzido até aqui? 19Mas, como isso te parecia pouco, Senhor Deus, ainda fizeste promessas à casa do teu servo para um futuro distante. Porque esta é a lei do homem, Senhor Deus! 24Estabeleceste o teu povo, Israel, para que ele seja para sempre o teu povo; e tu, Senhor, te tornaste o seu Deus. 25Agora, Senhor Deus, cumpre para sempre a promessa que fizeste ao teu servo e à sua casa e faze como disseste! 26Então o teu nome será exaltado para sempre, e dirão: ‘O Senhor todo-poderoso é o Deus de Israel’. E a casa do teu servo Davi permanecerá estável na tua presença. 27Pois tu, Senhor todo-poderoso, Deus de Israel, fizeste esta revelação ao teu servo: ‘Eu te construirei uma casa’. Por isso o teu servo se animou a dirigir-te esta oração. 28Agora, Senhor Deus, tu és Deus e tuas palavras são verdadeiras. Pois que fizeste esta bela promessa ao teu servo, 29abençoa, então, a casa do teu servo, para que ela permaneça para sempre na tua presença. Porque és tu, Senhor Deus, que falaste, e é graças à tua bênção que a casa do teu servo será abençoada para sempre”.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 131(132)

    O Senhor vai dar-lhe o trono / de seu pai, o rei Davi.

    1. Recordai-vos, ó Senhor, do rei Davi / e de quanto vos foi ele dedicado; / do juramento que ao Senhor havia feito / e de seu voto ao Poderoso de Jacó. – R.

    2. “Não entrarei na minha tenda, minha casa, / nem subirei à minha cama em que repouso, / não deixarei adormecerem os meus olhos / nem cochilarem em descanso minhas pálpebras, / até que eu ache um lugar para o Senhor, / uma casa para o Forte de Jacó!” – R.

    3. O Senhor fez a Davi um juramento, / uma promessa que jamais renegará: / “Um herdeiro, que é fruto do teu ventre, / colocarei sobre o trono em teu lugar! – R.

    4. Se teus filhos conservarem minha Aliança / e os preceitos que lhes dei a conhecer, / os filhos deles igualmente hão de sentar-se / eternamente sobre o trono que te dei!” – R.

    5. Pois o Senhor quis para si Jerusalém / e a desejou para que fosse sua morada: / “Eis o lugar do meu repouso para sempre, / eu fico aqui: este é o lugar que preferi!” – R.

    Marcos 4,21-25

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, Jesus disse à multidão: 21“Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote ou debaixo da cama? Ao contrário, não a coloca num candeeiro? 22Assim, tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto. 23Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”. 24Jesus dizia ainda: “Prestai atenção no que ouvis: com a mesma medida com que medirdes, também vós sereis medidos; e vos será dado ainda mais. 25Ao que tem alguma coisa, será dado ainda mais; do que não tem, será tirado até mesmo o que ele tem”.

    Palavra da salvação.

    Carinhosas advertências

    O êxito da vida cristã depende de muitos fatores. Sabemos que é o Senhor que dá o crescimento. De outro lado, nossa liberdade estará sempre sendo convidada a fazer escolhas diante do Senhor que vem caminhar conosco e levar à plenitude a obra que iniciou em cada um dos seus.

    O cristão é feito para irradiar. Ressoa sempre em nossos ouvidos a advertência do sermão da montanha: somos luz do mundo e na medida em que iluminamos estradas, pessoas podem também chegar ao sol. Marcos adverte: “Quem é que traz uma lâmpada para colocá-la debaixo de um caixote ou debaixo da cama”. A evangelização se opera de dois modos: pelo testemunho humilde que ilumina e pelas palavras que clareiam. Por vezes, nós cristãos, somos questionados a respeito da força de nossa fé. Será que não constituímos apenas um grupo de piedosos, sem muita luminosidade, com pouca expressão? Será que o organizacional não tomou o lugar da lâmpada que precisa iluminar? Precisamos de leigos casados que iluminem o mundo com uma vida familiar aberta e sólida, cristã e missionária. Precisamos de religiosos e religiosas que mergulhem sempre na contemplação e empreguem seus membros e sua voz para amar os mais deserdados. De que adianta pertencer a este ou aquele grupo quando a lâmpada de nossa vida está debaixo da cama ou sua chama se tornou bruxuleante?

    A vida cristã clama por coerência. Somos cristãos através de gestos exteriores. O que vivemos na verdade interior, se manifesta na verdade dos gestos. “Tudo o que está escondido deverá tornar-se manifesto, e tudo o que está em segredo deverá ser descoberto”.

    Há vidas duplas, casados que não são fiéis, cristãos que incensam o dinheiro, o poder e assim mesmo entram no cortejo dos que se dizem seguidores de Cristo. O cristão sem coerência vive, na realidade, drama terrível. Dizem que são, mas não são.

    Conviver é sempre difícil. Somos levados a ter posturas severas com alguns comportamentos de irmãos que não merecem aplausos. Medimos os outros sem o tempero da misericórdia. A arte da convivência fraterna supõe pessoas que escolhem instrumento de medida a misericórdia. “ Com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos”.

    A partir do momento em que Cristo vivo e ressuscitado nos fascinou entramos, ou deveríamos ter entrado, num generoso esquema de vida: estar mais com ele, ser mais dos outros, nunca medir pelo mínimo. Aqueles que recebem e são generosos mais ainda receberão. “Ao que tem alguma coisa será dado ainda mais; do que não tem, será tirado mesmo o que ele tem”.

    Os cristãos de verdade têm consciência de que precisam irradiar, compreender e viverem a generosidade. Não se pode deixar de iluminar, de viver a coerência. Trata-se de uma decisão fundamental para que possamos experimentar a alegria do seguimento. Do contrário, viveremos a fé como um peso a ser arrastado com dificuldade.


    Frei Almir Guimarães

  • Santo Tomás de Aquino – memória

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

     2 Samuel 11,1-10.13-17

    Leitura do segundo livro de Samuel – 1No ano seguinte, na época em que os reis costumavam partir para a guerra, Davi enviou Joab com os seus oficiais e todo Israel, e eles devastaram o país dos amonitas e sitiaram Rabá. Mas Davi ficou em Jerusalém. 2Ora, um dia, ao entardecer, levantando-se Davi de sua cama, pôs-se a passear pelo terraço de sua casa e avistou dali uma mulher que se banhava. Era uma mulher muito bonita. 3Davi procurou saber quem era essa mulher e disseram-lhe que era Betsabeia, filha de Eliam, mulher do hitita Urias. 4Então Davi enviou mensageiros para que a trouxessem. Ela veio e ele deitou-se com ela. 5Em seguida, Betsabeia voltou para casa. Como ela concebesse, mandou dizer a Davi: “Estou grávida”. 6Davi mandou esta ordem a Joab: “Manda-me Urias, o hitita”. E ele mandou Urias a Davi. 7Quando Urias chegou, Davi pediu-lhe notícias de Joab, do exército e da guerra. 8E, depois, disse-lhe: “Desce à tua casa e lava os pés”. Urias saiu do palácio do rei e, em seguida, este enviou-lhe um presente real. 9Mas Urias dormiu à porta do palácio, com os outros servos do seu amo, e não foi para casa. 10E contaram a Davi, dizendo-lhe: “Urias não foi para sua casa”. 13Davi convidou-o para comer e beber à sua mesa e o embriagou. Mas, ao entardecer, ele retirou-se e foi-se deitar no seu leito, em companhia dos servos do seu senhor, e não desceu para a sua casa. 14Na manhã seguinte, Davi escreveu uma carta a Joab e mandou-a pelas mãos de Urias. 15Dizia nela: “Colocai Urias na frente, onde o combate for mais violento, e abandonai-o para que seja ferido e morra”. 16Joab, que sitiava a cidade, colocou Urias no lugar onde ele sabia estarem os guerreiros mais valentes. 17Os que defendiam a cidade saíram para atacar Joab, e morreram alguns do exército, da guarda de Davi. E morreu também Urias, o hitita.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 50(51)

    Misericórdia, ó Senhor, porque pecamos!

    1. Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! / Na imensidão de vosso amor, purificai-me! / Lavai-me todo inteiro do pecado / e apagai completamente a minha culpa! – R.

    2. Eu reconheço toda a minha iniquidade, / o meu pecado está sempre à minha frente. / Foi contra vós, só contra vós, que eu pequei, / e pratiquei o que é mau aos vossos olhos! – R.

    3. Mostrais assim quanto sois justo na sentença / e quanto é reto o julgamento que fazeis. / Vede, Senhor, que eu nasci na iniquidade / e pecador já minha mãe me concebeu. – R.

    4. Fazei-me ouvir cantos de festa e de alegria, / e exultarão estes meus ossos que esmagastes. / Desviai o vosso olhar dos meus pecados / e apagai todas as minhas transgressões! – R.

     Marcos 4,26-34

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 26Jesus disse à multidão: “O Reino de Deus é como quando alguém espalha a semente na terra. 27Ele vai dormir e acorda, noite e dia, e a semente vai germinando e crescendo, mas ele não sabe como isso acontece. 28A terra, por si mesma, produz o fruto: primeiro aparecem as folhas, depois vem a espiga e, por fim, os grãos que enchem a espiga. 29Quando as espigas estão maduras, o homem mete logo a foice, porque o tempo da colheita chegou”. 30E Jesus continuou: “Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? 31O Reino de Deus é como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é a menor de todas as sementes da terra. 32Quando é semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e estende ramos tão grandes, que os pássaros do céu podem abrigar-se à sua sombra”. 33Jesus anunciava a Palavra usando muitas parábolas como estas, conforme eles podiam compreender. 34E só lhes falava por meio de parábolas, mas, quando estava sozinho com os discípulos, explicava tudo.

    Palavra da salvação.

    O Reino que está no meio de nós

    Aos poucos corremos o risco de ir nos acostumando com palavras e imagens dos Evangelhos, que à primeira vista, nos parecem herméticas. Penso aqui na palavra reino. No Pai-nosso, desde nossa infância, dizemos: “Venha a nós o vosso reino…”. O que as crianças imaginam quando dizem esta prece? Reino significa dominação de, presença forte. Dizemos, por exemplo, naquela família reina um espírito de serviço. Isto quer dizer: uns ajudam os outros, prestam-se mútuos serviços. Reina um clima diferente do egoísmo. Assim, quando dizemos Reino de Deus, pensamos num universo concreto onde a vontade de Deus é levada em consideração, onde seus projetos se tornam os projetos de todos, onde há uma “infiltração” dos desígnios de Deus. O Reino de Deus é a terra do amor. Ele foi prometido pelos profetas e realizado na pessoa, na obra, na paixão, na morte e na ressurreição de Jesus, o Filho amado. A Igreja existe como modesto começo do mundo do Reino.

    O Reino está presente no mundo. Ele não acontece abruptamente. Leva tempo. É como uma semente que se lança à terra. O agricultor vai dormir e deixa que a força da semente e a umidade da terra ou o calor do sol façam seu trabalho. E o fruto aparecerá.

    Esse pai, presente na vida dos filhos, homens de lisura, capaz de acolher o negativo da vida com coragem, foi lançando sementes do reino de Deus no coração do filho. Um dia, olhando de longe, o pai enxuga uma lágrima ao ver que seu filho copia o modo de ser de Jesus. O reino vai sendo instaurado. Os agentes de pastoral trabalham, lutam. Aparentemente não verificam resultados. Um é que planta, outro que rega, e Deus dá a força. O reino vai acontecendo. Felizes os que se gastam pelo Reino.

    O reino é semelhante a um pequeno grão, a uma minúscula semente de mostarda. Não se consegue vê-la a olha nu. E, quando ela apodrece na terra, e começa a nascer é uma pequena arvore. As aves dos céus fazem ninhos em seus ramos. Penso naquela religiosa simples, de poucas letras, que anos a fio cuidou da horta e da cozinha, com seu avental, seu hábito de trabalho, seus doces, suas delicadezas, sua intimidade com Deus. Essa mulher é artífice do mundo novo de Jesus Cristo e ela completa a obra da salvação da humanidade. Assim é o reino de Deus.

    Felizes aqueles que gastam a vida para a edificação do Reino do Senhor!


    Frei Almir Guimarães

     

  • Sábado da 3ª Semana do TC

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

    2 Samuel 12,1-7.10-17

    Leitura do segundo livro de Samuel – Naqueles dias, 1o Senhor mandou o profeta Natã a Davi. Ele foi ter com o rei e lhe disse: “Numa cidade havia dois homens, um rico e outro pobre. 2O rico possuía ovelhas e bois em grande número. 3O pobre só possuía uma ovelha pequenina, que tinha comprado e criado. Ela crescera em sua casa junto com seus filhos, comendo do seu pão, bebendo do mesmo copo, dormindo no seu regaço. Era para ele como uma filha. 4Veio um hóspede à casa do homem rico, e este não quis tomar uma das suas ovelhas ou um dos seus bois para preparar um banquete e dar de comer ao hóspede que chegara. Mas foi, apoderou-se da ovelhinha do pobre e preparou-a para o visitante”. 5Davi ficou indignado contra esse homem e disse a Natã: “Pela vida do Senhor, o homem que fez isso merece a morte! 6Pagará quatro vezes o valor da ovelha, por ter feito o que fez e não ter tido compaixão”. 7Natã disse a Davi: “Esse homem és tu! Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: 10‘Por isso, a espada jamais se afastará de tua casa, porque me desprezaste e tomaste a mulher do hitita Urias para fazer dela a tua esposa’. 11Assim diz o Senhor: ‘Da tua própria casa farei surgir o mal contra ti e tomarei as tuas mulheres, sob os teus olhos, e as darei a um outro, e ele se aproximará das tuas mulheres à luz deste sol. 12Tu fizeste tudo às escondidas. Eu, porém, farei o que digo diante de todo Israel e à luz do sol’”. 13Davi disse a Natã: “Pequei contra o Senhor”. Natã respondeu-lhe: “De sua parte, o Senhor perdoou o teu pecado, de modo que não morrerás! 14Entretanto, por teres ultrajado o Senhor com teu procedimento o filho que te nasceu morrerá”. 15E Natã voltou para a sua casa. O Senhor feriu o filho que a mulher de Urias tinha dado a Davi e ele adoeceu gravemente. 16Davi implorou a Deus pelo menino e fez um grande jejum. E, voltando para casa, passou a noite deitado no chão. 17Os anciãos do palácio insistiam com ele para que se levantasse do chão; mas ele não o quis fazer nem tomar com eles alimento algum.

     Palavra do Senhor.

    Sl: 50(51)

    Criai em mim um coração que seja puro!

    1. Criai em mim um coração que seja puro, / dai-me de novo um espírito decidido. / Ó Senhor, não me afasteis de vossa face / nem retireis de mim o vosso Santo Espírito! – R.

    2. Dai-me de novo a alegria de ser salvo / e confirmai-me com espírito generoso! / Ensinarei vosso caminho aos pecadores, / e para vós se voltarão os transviados. – R.

    3. Da morte como pena, libertai-me, / e minha língua exaltará vossa justiça! / Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar, / e minha boca anunciará vosso louvor! – R.

    Marcos 4,35-41

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – 35Naquele dia, ao cair da tarde, Jesus disse a seus discípulos: “Vamos para a outra margem!” 36Eles despediram a multidão e levaram Jesus consigo, assim como estava, na barca. Havia ainda outras barcas com ele. 37Começou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lançavam dentro da barca, de modo que a barca já começava a se encher. 38Jesus estava na parte detrás, dormindo sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e disseram: “Mestre, estamos perecendo e tu não te importas?” 39Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: “Silêncio! Cala-te!” O vento cessou e houve uma grande calmaria. 40Então Jesus perguntou aos discípulos: “Por que sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?” 41Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: “Quem é este, a quem até o vento e o mar obedecem?”

     Palavra da salvação.

    Jesus dormia sobre um travesseiro

    Tudo leva a crer que Jesus tivera naquele dia uma jornada estafante. Sempre a mesma coisa. Muitas pessoas que o procuravam.  Eram criaturas aflitas precisando de graças e atenções, comida e cura. Jesus, num determinado momento,  exprime o desejo de ir para a outra margem do lago de Tiberíades.

    Os apóstolos avisaram  para que todos se fossem. Marcos observa que eles levaram Jesus como estava, dando a entender que não teve tempo de  trocar de roupa ou de comer alguma coisa.  O evangelista, com seu jeito de escrever, mostra simplicidade e quase ingenuidade.

    Começou a soprar uma ventania muito forte… Imaginamos o pavor experimentado pelos apóstolos. Pavor, medo… medo de morrer.  A vida é cheia de medos: medo de assaltos, medo de não acertar na vida, medo de fracassar, medo de uma doença, medo de arriscar a  vida no evangelho.  Medos de ontem e medos de hoje.  A ventania forte fazia com que a água enchesse a barca. Um casamento destroçado, um filho morto com bala perdida… tudo isso causa medo, pavor e desespero. Onde está Deus?  Será que está dormindo. Jesus estava na parte de trás dormindo sobre um travesseiro… O pormenor do travesseiro é de Marcos. Jesus estava cansado e mesmo com o movimento das ondas, dormia.  Como parece dormir nos momentos em que atravessamos turbulências e tempestades. A vida nos coloca diante de tentações, de perigos, de momentos em que parece que o sonho de santidade vai desmoronar. E Jesus, também em nossa vida, na barca de nossa existência e da Igreja, parece dormir. Coloca-se, nesse contexto, o sentido de uma verdadeira fé-confiança na presença do Ressuscitado em sua Igreja, na vida do mundo e em nossa história pessoal.  “Ter fé significa abandonar-se a Deus até quando ele “dorme”, porque sabemos que nenhuma dificuldade pode vencer-nos; Deus já as venceu. Isto, porém, não nos isolará do mundo, fazendo-nos passar por cima dos seus problemas, pois sabemos que o plano de Deus é  libertar o mundo do mal e, que nesse processo de libertação,  o cristão é chamado a colaborar, lutando ao seu lado, levando a sério seus problemas sem desanimar” ( Missal  Dominical da Paulus, p. 940).

    Na medida em que convivemos com Cristo ao longo das etapas da vida  vamos tendo a certeza de que não estamos sós. Alimentamo-nos de seu gesto de amor comendo Pão da Vida. Ouvimos sua Palavra que anima a caminhada.  Por vezes, como Jesus, vamos ao nosso jardim dos oliveiras chorar uma lágrima e enxugar o suor da fronte. Mesmo aí, sabemos que o Senhor nos acompanha.

    “Jesus levantou e ordenou ao vento e ao mar: Silêncio! Cala-te!  O vento cessou e houve uma grande calmaria”.


    Frei Almir Guimarães

  • 4º Domingo do Tempo Comum

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Segunda Leitura
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

     Jeremias 1,4-5.17-19

    Leitura do livro do profeta Jeremias – Nos dias de Josias, rei de Judá, 4foi-me dirigida a palavra do Senhor, dizendo: 5“Antes de formar-te no ventre materno, eu te conheci; antes de saíres do seio de tua mãe, eu te consagrei e te fiz profeta das nações. 17Vamos, põe a roupa e o cinto, levanta-te e comunica-lhes tudo que eu te mandar dizer; não tenhas medo, senão eu te farei tremer na presença deles. 18Com efeito, eu te transformarei hoje numa cidade fortificada, numa coluna de ferro, num muro de bronze contra todo o mundo, frente aos reis de Judá e seus príncipes, aos sacerdotes e ao povo da terra; 19eles farão guerra contra ti, mas não prevalecerão, porque eu estou contigo para defender-te”, diz o Senhor.

    Palavra do Senhor.

    Sl: 70(71)

    Minha boca anunciará, todos os dias, / vossas graças incontáveis, ó Senhor.

    1. Eu procuro meu refúgio em vós, Senhor: / que eu não seja envergonhado para sempre! / Porque sois justo, defendei-me e libertai-me! / Escutai a minha voz, vinde salvar-me! – R.

    2. Sede uma rocha protetora para mim, / um abrigo bem seguro que me salve! / Porque sois a minha força e meu amparo, † o meu refúgio, proteção e segurança! / Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio. – R.

    3. Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança, / em vós confio desde a minha juventude! / Sois meu apoio desde antes que eu nascesse, / desde o seio maternal, o meu amparo. – R.

    4. Minha boca anunciará todos os dias / vossa justiça e vossas graças incontáveis. / Vós me ensinastes desde a minha juventude, / e até hoje canto as vossas maravilhas. – R.

     1 Coríntios 12,31-13,13 ou 13,4-13

    [A forma breve está entre colchetes.]

    Leitura da primeira carta de São Paulo aos Coríntios – [Irmãos,] 31aspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior. 13,1Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse caridade, eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine. 2Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, mas se não tivesse caridade, eu não seria nada. 3Se eu gastasse todos os meus bens para sustento dos pobres, se entregasse o meu corpo às chamas, mas não tivesse caridade, isso de nada me serviria.

    [4A caridade é paciente, é benigna; não é invejosa, não é vaidosa, não se ensoberbece; 5não faz nada de inconveniente, não é interesseira, não se encoleriza, não guarda rancor; 6não se alegra com a iniquidade, mas se regozija com a verdade. 7Suporta tudo, crê tudo, espera tudo, desculpa tudo. 8 A caridade não acabará nunca. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá. 9 Com efeito, o nosso conhecimento é limitado e a nossa profecia é imperfeita. 10Mas, quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito. 11Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança. 12 Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face. Agora, conheço apenas de modo imperfeito, mas, então, conhecerei como sou conhecido. 13Atualmente permanecem estas três coisas: fé, esperança, caridade. Mas a maior delas é a caridade.]

    Palavra do Senhor.

    Lucas 4,21-30

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas – Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga, começou a dizer: 21“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. 22Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?” 23Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. 24E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27E no tempo do profeta Eliseu havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”. 28Quando ouviram essas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

    Palavra da salvação.

    Esses incômodos seres chamados profetas

    Jesus era conhecido no lugar. Afinal de contas estava na sinagoga de Nazaré, sua terra. Ele havia lido o texto do profeta Isaías que falava da unção do Espírito.  As pessoas ficaram estupefatas diante das palavras de sabedoria que saiam de sua boca, do filho do carpinteiro.

    Mas, afinal de contas, quem era esse Jesus?  Começa a haver um disse-que-disse.  Ele é filho de José. Todos conheciam esse José, um carpinteiro pobre. Os que estão presentes não têm dúvidas a respeito de sua origem.  Jesus dá a entender que seus ouvintes querem que ele opere ali, em sua terra e cidade, o que ele fez em Cafarnaum.  Ele, no entanto, não pode operar ali maravilhas. “Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria”.

    J. Konings nos explica o sentido  do evangelho deste domingo. Jesus  vai sendo rejeitado. “A rejeição acontece de mansinho, e devemos admirar novamente a arte narrativa de Lucas. Primeiro, o povo admira Jesus e suas palavras. Mas a sua admiração é a negação daquilo que Jesus quer. Desconhecendo o “Filho de Deus”, tropeçam na sua origem por demais comum. “Não é este o filho de José”. Jesus toma a dianteira. Prevendo que eles apenas quererão ver suas façanhas, como as fez em Cafarnuaum, Jesus lança um desafio: ele não é médico para uso caseiro. Como nenhum profeta é agradável à sua própria gente, sua missão ultrapassa os morros de Nazaré. E insiste: Elias, expulso de Israel, ajudou a viúva de Sarepta na Fenícia e Eliseu curou o sírio Naamã… Os nazarenos, ciosos, não agüentam essas palavras e querem jogar Jesus no precipício (uma variante do apedrejamento). Mas Jesus, com a autoridade do Espírito que repousa sobre ele, passa no meio deles e vai adiante… Nazaré perdeu sua oportunidade, prefigurando assim a pátria do judaísmo: “Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados, quantas vezes eu quis reunir teus filhos… (cf Lc 13,34-35)….” (Liturgia Dominical, Vozes, p. 405).

    Queira Deus que nunca faltem profetas na Igreja. Não basta apenas fazer com que uma máquina gire, mas é fundamental que homens e mulheres, cheios do Espírito, falem em nome do Evangelho e de Cristo. O profeta desmascara situações camufladas. Denuncia um jogo de interesses que está por detrás de determinadas atitudes.  Ele não tolera que Deus seja aprisionado. Sua fala e seu testemunho são uma condenação da rotina e dos arranjos para se viver por viver.  Um autor diz: “A denúncia profética é obra de amor, um amor apaixonado por Deus e  pelos homens (…). O profeta vê o que Deus faz, vê o seu plano de amor, faz uma leitura divina dos acontecimentos humanos”.


    Frei Almir Guimarães

  • São João Bosco – memória

    • Primeira Leitura
    • Salmo Responsorial
    • Evangelho
    • Sabor da Palavra

     2 Samuel 15,13-14.30; 16,5-13

    Leitura do segundo livro de Samuel

    Naqueles dias:
    13Um mensageiro veio dizer a Davi:
    ‘As simpatias de todo o Israel estão com Absalão’.
    14Davi disse aos servos que estavam com ele em Jerusalém:
    ‘Depressa, fujamos, porque, de outro modo,
    não podemos escapar de Absalão!
    Apressai-vos em partir,
    para que não aconteça que ele,
    chegando, nos apanhe, traga sobre nós a ruína,
    e passe a cidade ao fio da espada’.
    30Davi caminhava chorando,
    enquanto subia o monte das Oliveiras,
    com a cabeça coberta e os pés descalços.
    E todo o povo que o acompanhava,
    subia também chorando, com a cabeça coberta.
    16,5Quando o rei chegou a Baurim,
    saiu de lá um homem da parentela de Saul,
    chamado Semei, filho de Gera,
    que ia proferindo maldições enquanto andava.
    6Atirava pedras contra Davi
    e contra todos os servos do rei,
    embora toda a tropa e todos os homens de elite
    seguissem agrupados à direita e à esquerda do rei Davi.
    7Semei amaldiçoava-o, dizendo:
    ‘Vai-te embora! Vai-te embora,
    homem sanguinário e criminoso!
    O Senhor fez cair sobre ti
    todo o sangue da casa de Saul,
    cujo trono usurpaste,
    e entregou o trono a teu filho Absalão.
    Tu estás entregue à tua própria maldade,
    porque és um homem sanguinário’.
    9Então Abisai, filho de Sarvia, disse ao rei:
    ‘Por que há de este cão morto
    continuar amaldiçoando o senhor, meu rei?
    Deixa-me passar para lhe cortar a cabeça’.
    10Mas o rei respondeu:
    ‘Não te intrometas, filho de Sarvia!
    Se ele amaldiçoa
    e se o Senhor o mandou maldizer a Davi,
    quem poderia dizer-lhe: ‘Por que fazes isto?’.
    11E Davi disse a Abisai e a todos os seus servos:
    ‘Vede: Se meu filho, que saiu das minhas entranhas,
    atenta contra a minha vida,
    com mais razão esse filho de Benjamim.
    Deixai-o amaldiçoar,
    conforme a permissão do Senhor.
    12Talvez o Senhor leve em conta a minha miséria,
    restituindo-me a ventura
    em lugar da maldição de hoje’.
    13aE Davi e seus homens seguiram adiante.
    Palavra do Senhor.

    Sl: 3

    Levantai-vos, ó Senhor, vinde salvar-me!

    1. Quão numerosos, ó Senhor, os que me atacam; / quanta gente se levanta contra mim! / Muitos dizem, comentando a meu respeito: / “Ele não acha a salvação junto de Deus!” – R.

    2. Mas sois vós o meu escudo protetor, / a minha glória que levanta minha cabeça! / Quando eu chamei em alta voz pelo Senhor, / do monte santo ele me ouviu e respondeu. – R.

    3. Eu me deito e adormeço bem tranquilo; / acordo em paz, pois o Senhor é meu sustento. / Não terei medo de milhares que me cerquem † e, furiosos, se levantem contra mim. / Levantai-vos, ó Senhor, vinde salvar-me! – R.

     Marcos 5,1-20

    Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos – Naquele tempo, 1Jesus e seus discípulos chegaram à outra margem do mar, na região dos gerasenos. 2Logo que saiu da barca, um homem possuído por um espírito impuro, saindo de um cemitério, foi ao seu encontro. 3Esse homem morava no meio dos túmulos e ninguém conseguia amarrá-lo, nem mesmo com correntes. 4Muitas vezes tinha sido amarrado com algemas e correntes, mas ele arrebentava as correntes e quebrava as algemas. E ninguém era capaz de dominá-lo. 5Dia e noite ele vagava entre os túmulos e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras. 6Vendo Jesus de longe, o endemoninhado correu, caiu de joelhos diante dele 7e gritou bem alto: “Que tens a ver comigo, Jesus, Filho do Deus altíssimo? Eu te conjuro por Deus, não me atormentes!” 8Com efeito, Jesus lhe dizia: “Espírito impuro, sai desse homem!” 9Então Jesus perguntou: “Qual é o teu nome?” O homem respondeu: “Meu nome é ‘Legião’, porque somos muitos”. 10E pedia com insistência para que Jesus não o expulsasse da região. 11Havia aí perto uma grande manada de porcos, pastando na montanha. 12O espírito impuro suplicou, então: “Manda-nos para os porcos, para que entremos neles”. 13Jesus permitiu. Os espíritos impuros saíram do homem e entraram nos porcos. E toda a manada – mais ou menos uns dois mil porcos – atirou-se monte abaixo para dentro do mar, onde se afogou. 14Os homens que guardavam os porcos saíram correndo e espalharam a notícia na cidade e nos campos. E as pessoas foram ver o que havia acontecido. 15Elas foram até Jesus e viram o endemoninhado sentado, vestido e no seu perfeito juízo, aquele mesmo que antes estava possuído pela Legião. E ficaram com medo. 16Os que tinham presenciado o fato explicaram-lhes o que havia acontecido com o endemoninhado e com os porcos. 17Então começaram a pedir que Jesus fosse embora da região deles. 18Enquanto Jesus entrava de novo na barca, o homem que tinha sido endemoninhado pediu-lhe que o deixasse ficar com ele. 19Jesus, porém, não permitiu. Entretanto, lhe disse: “Vai para casa, para junto dos teus, e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti”. 20Então o homem foi embora e começou a pregar na Decápole tudo o que Jesus tinha feito por ele. E todos ficavam admirados.

    Palavra da salvação.

    O homem anunciou as misericórdias do Senhor

    Jesus e seus discípulos andavam por todos os cantos.  O mundo era sua casa.  Passavam também perto dos cemitérios.  Certa vez, deixando a barca, eles  foram ter na região dos gerasenos. Um homem, possuído de espírito impuro, se aproxima deles. Segundo o evangelista este homem habitava ali, no lugar dos mortos, e ninguém conseguia  amarrá-lo, nem mesmo com correntes. Um verdadeiro endemoninhado!  Uma tragédia! Desesperadamente ele vagava entre os túmulos, pelos montes, ferindo-se nas pedras…sangrando… desesperadamente.

    De repente, esse homem que  é uma legião, com a proximidade de Jesus, se sente ele e os espírito impuros, incomodados. Que tens a ver comigo, Jesus, Filho de Deus altíssimo? Eu te conjuro, por Deus, não me atormentes?

    Um trapo humano possuído pelo mal.  Os espíritos imundos, o mal, o pecado, a má vontade para com Deus entraram numa manada de porcos e foram precipitados no mar…afogados no mar do coração aberto de Jesus… Jesus não  admite o mal que, basicamente, é o pecado.

    O pai da mentira se sente mal na presença de Jesus. Mas este tinha vindo precisamente para acabar com a dominação do mal.  Entendemos o texto e toda a dramaticidade de Marcos. A notícia se espalhou pela cidade. Os homens que guardavam os porcos saíram correndo e espalharam a notícia na cidade e nos campos. E as pessoas foram ver o que havia acontecido. Elas foram até Jesus e viram o endemoninhado sentado, vestido e com seu perfeito juízo, aquele que antes estava possuído pela Legião. Terminada esta descrição com toda vivacidade  Marcos ainda observa: Enquanto Jesus entrava de novo na barca, o homem que tinha sido endemoninhado pediu-lhe que o deixasse ficar com ele.  Jesus não permitiu. Por que? Não sabemos. Vai para casa, para junto dos teus e anuncia-lhes tudo o que o Senhor, em sua misericórdia, fez por ti.

    O homem com seus cabelos penteados e não desgrenhados, com o corpo inteiro sem as feridas das pedras, aquele homem que antes era possuído pelo mal, estava ali, como um ser novo, como alguém que conhecia  uma nova aurora de vida. Então o homem foi embora e começou a pregar na Decápole tudo o que Jesus tinha feito por ele.

    Aquele que fora libertado do pecado, do mal, do demônio era uma pessoa de paz, serena e tranquila que não tinha outra coisa a fazer até o fim de sua vida, senão dizer todas as maravilhas que Jesus havia operado nele. Agora ele vivia… antes tudo era desespero e trevas. Bem vestido e serenamente apaziguado ele foi discípulo do Mestre que cura.


    Frei Almir Guimarães