Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Creio no Espírito Santo

05/06/2012

curso_escoladafe_1parte
1- O Espírito de Cristo na Plenitude do Tempo (CIC nº 717-730).

Quando falamos em plenitude do tempo pensamos no tempo que começa com a Encarnação do Filho. É o tempo em que as Promessas começam a realizar-se. A Salvação de Deus chegou para a humanidade. Vamos olhar para os tres personagens principais que entram em cena para Deus realizar o prometido.

1.1 – João Batista.

“Houve um homem enviado por Deus. Seu nome era João” (Jo 1, 6). O ES revela a Lucas que João seria “cheio do ES” (Lc 1, 15), profecia que realiza-se em meses. Pois, quando Maria, há pouco grávida e portadora de Cristo, saúda Isabel que, também grávida há uns seis meses, está “cheia do ES” e Joãozinho “pula de alegria em seu ventre” (Lc 1, 41.44).

Sua função de Precursor (= aquele que anda ou corre diante de) é alimentada pelo fogo (= energia) do ES, Espírito que completa nele a Sua obra maior do AT: “preparar para o Senhor um povo bem disposto” (Lc 1, 17). Por isso mesmo, João é mais do que um profeta” (Lc 7, 26); que “entre os nascidos de mulher, nenhum é maior do que João” (Lc 7, 28).

Outro papel de João Batista é ser a testemunha de Jesus. “Ele vem como testemunha, para dar testemunho da Luz” (João 1, 7). Vamos ler João 1, 25-34.
Aqui João testemunha que Jesus é o Cordeiro de Deus; que o ES desce e permanece Nele (Jesus é constituído Messias = Ungido); e “atesto que Ele é o Filho de Deus”.

Ora, tudo isso são coisas que estão absolutamente acima das possibilidades de João. Mas não podemos deixar de acentuar que o Batista entregou-se totalmente e deixou-se levar pelo ES. Aceitou o deserto, a vida solitária e sem família de extremas privações, a oração interminável, a meditação e a contemplação. Abriu mão de tudo e entregou-se de alma e corpo às iniciativas do Espírito.

Não era por pouco que Jesus o admirava tanto e respeitava com reverência!

1.2- Maria.

Podemos até ser mais breves sobre Maria e o ES, pois Ela está muito mais viva em nossa vida do dia a dia, e os textos de Lucas e Mateus sobre Maria são muito repetidos em nossas liturgias.

O próprio Pai Eterno nos dá a ficha de Maria através de seu Enviado especial, Gabriel: “alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1, 28).

Temos que entender a afirmação de São Paulo que qualquer palavra boa, pensamento elevado, ou atitude piedosa só pode vir a nós através da inspiração do ES. Então podemos concluir que qualquer forma de graça divina é a atuação do ES em nós. Graça e ES são o mesmo. Mas, por favor, graça divina é muito mais do que favores pessoais, muitas vezes materiais e egoístas, que pessoas gostam de pedir a Deus.

Maria cheia de graça é Maria repleta do ES.

Maria, por sua vez, coopera em tudo e entrega-se, literalmente, de corpo e alma, inteiramente à ação de Deus.

Cheia de graça, não mostrou dificuldades, dúvida, ou condições. Foi só afastar a dificuldade de entender a ausência do fator “outro sexo” para jogar-se inteiramente nas mãos de Deus. “Eis aqui a serva (= escrava) do Senhor. Aconteça comigo segundo a Tua Palavra” (Lc 1, 38).

Maria é preparada para ser a Morada onde o Filho do Pai Eterno pode aninhar-se, bem como o Seu Espírito. Uma das invocações mais belas da ladainha tradicional da Nossa Senhora dá-lhe o título de “Arca da Nova Aliança”. A antiga Arca da Aliança indicava o ponto onde Javé, por assim dizer, pisava ao resolver baixar na “Tenda do Encontro”. Maria tornou-se a morada da Trindade entre os homens.

Por meio dela estabelece-se a comunhão de Cristo com toda a humanidade.

1.3 – Jesus Cristo.

“Toda a missão do Filho e do ES na plenitude do tempo está contida no fato de o Filho ser Ungido do Espírito do Pai desde a sua Encarnação: Jesus é o Cristo, o Messias. … Toda a obra de Cristo é missão conjunta do Filho e do ES” (nº 727).

Disso ocupou-se o nº 4 da aula 21.

Quando Jesus chega à “Hora em que vai ser glorificado”, promete o ES e passa a falar em revelá-lo plenamente. No nº 5 da aula anterior sobressaem os nomes que Jesus aplicou ao ES. “Paráclito” e “Espírito da Verdade”. Já explicamos seus significados.

Tão logo Jesus é glorificado pela Cruz e Ressurreição e aparece aos apóstolos, imediatamente lhes dá o ES (Jo 20, 22).

A partir de agora “a missão de Cristo e do Espírito passa a ser a missão da igreja” (nº 730). “Como o Pai me enviou também Eu vos envio” (Jo 20, 21).

2- Espírito Santo e Igreja (nº 731-741).

Acima eu dizia que o único dom de Deus que pode se confundir com a pessoa do ES é o Amor. “Deus é Amor” (1Jo 4, 8.16). O amor é o dom por excelência. É o dom número um. Ao descobri-lo, o homem vê nele o grande tesouro e vende tudo para possuí-lo. Isso é conversão.

Logo recebe o perdão, a “remissão dos pecados”. Este amor divino “Deus o derramou em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado” (Rm 5, 5).

Esse amor que é a própria vida da SSma. Trindade está agora firmemente instalado em nós. São Paulo fala dos frutos que esse convívio produz e que são perceptíveis aos que nos rodeiam “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio” (Gl 5, 22-23).

Até aqui falamos das pessoas que acolheram o Dom do Amor.

Voltemos agora à Igreja como um todo. Ela é comparada a um corpo vivo que abriga a Trindade. Ela é um instrumento pelo qual o Cristo e ES atuam conjuntamente para realizar sua obra transformadora e salvadora do mundo. A Igreja é o “Templo do ES”, é o “Corpo Místico” do qual o Cristo é a cabeça e age em cada um dos seus membros.

A comunhão entre todos os fiéis, a solidariedade e o amor mútuo fazem com que a Igreja apareça como um sinal vivo (= sacramento) dessa presença atuante de Deus no mundo.

Com isso a Igreja torna-se luz e esperança para toda a gente.

3- Dons extraordinários e dons comuns.

Todos irão ler os capítulos 12, 13 e 14 da Primeira Carta aos Coríntios.

No capítulo 12 Paulo começa a responder a solicitações surgidas nas reuniões dos cristãos da cidade de Corinto. Parece que era mais ou menos comum que homens e mulheres, levadas por arrebatamento de inspiração, tomavam a palavra para louvar a Deus ou para fazer exortações aos irmãos. Quando isso se dava na língua do fiéis era considerado como manifestação do dom da profecia (= falar coisas em nome de Deus). Quando a fala se dava em línguas desconhecidas ou composta de sílabas sem nexo inteligível era a “glossolalia”.

Podemos ressaltar alguns temas interessantes abordados por Paulo.

– Em primeiro lugar começa estabelecendo o princípio de que tudo o que há de bom, de piedoso, de edificante, vem do ES. “Ninguém pode dizer ‘Jesus é o Senhor’, a não ser pelo ES” (1Cor 12, 3).

– Depois aborda a grande variedade de serviços necessários para o bem e o crescimento da comunidade cristã. Os talentos necessários e o exercício desses serviços vem todos do ES. Aliás, Paulo diz que esses serviços na realidade são exercidos pelo ES ou por Cristo, através das pessoas como membros de seu corpo.

– A imagem da comunidade como um corpo de muitos e variados membros, tendo o Cristo como cabeça, quer exatamente visualizar como essa atuação conjunta Cristo + ES se dá na Igreja, através da riqueza de tantos de seus membros dotados de dons tão variados e úteis para o bem de todos.

– Paulo estabelece um critério para que os dons sejam desejáveis e procurados: a edificação e o crescimento da comunidade. Assim, no capítulo 14 ele manda descartar a fala que ninguém entende.

– Por fim, insiste na unidade de todo o corpo da comunidade (= Igreja), pois todos os dons vem do mesmo ES e é Ele que está em atividade nos mais diversos serviços.

Voltemos ao título dons extraordinários e comuns.

Um dom pode ser extraordinário por sua manifestação em situações especiais e raras, como milagres. São Paulo não está dizendo que sejam mais importantes.

Hoje a piedade cristã está valorizando justamente os dons pequenos, cotidianos; serviços simples mantidos com fidelidade e constância. Desses serviços só percebemos a importância para a vida prazerosa e harmônica de todos os envolvidos, quando eles  nos faltam.

Paulo termina o capítulo 12 dizendo: “Ambicionai os dons maiores. E além disso, eu vou indicar-vos um caminho infinitamente superior” (12, 31).

Assim entra para o capítulo 13.

A parábola do corpo que falou da solidariedade dos membros entre si, formando a unidade, é agora exaltada neste lindíssimo hino ao

Amor fraterno. O próprio São Paulo acabou de dizer que conseguir adiantar-se nesta via não é apenas melhor, mas infinitamente melhor e absolutamente indispensável. Sem o progresso no Amor, nada feito. Afinal, “Deus é Amor”!

O capítulo 14 praticamente acentua e consagra o princípio de que os dons devem ser ordenados e desejados em função do crescimento da comunidade (= Igreja). E, pela compreensão do capítulo 13, concluímos que o principal parâmetro para avaliar o progresso de qualquer fraternidade é o Amor.

Quero ainda fazer um alerta. Não devemos confundir este ou aquele dom com o ES. Isso significa que ter um dom ainda não quer dizer que alguém progrediu na convivência com o ES.

O ES pode atuar em praticamente qualquer pessoa, passando de Sansão a Maria. Leia os capítulos 13 a 16 de Juízes e analise a desastrada figura de Sansão. Compare-a agora com as figuras do nº 1 desta aula.

Ter um dom ainda não faz de mim uma pessoa diferenciada. Afinal, posso pô-lo a serviço dos irmãos, como também posso desenvolvê-lo a serviço de objetivos pessoais e egoístas.

4- Nosso diálogo com o ES.

Quando se trata de qualquer exercício do bem, o primeiro passo é do ES. Os dons vem dele. A graça vem dele, a inspiração só pode ser dele. Embora tenhamos dito que somos membros de um corpo através dos quais o ES atua, não somos robôs. Somos livres para seguir ou não seguir a inspiração.

Costumo dizer que nossa atuação no bem é, por assim dizer, uma atuação a quatro mãos. O resultado tem a ver com a atuação do ES, mas também tem tudo a ver com o ser humano, levando em consideração sua personalidade, seu temperamento, o caráter, a hereditariedade e o todo de sua historia pessoal.

O Catecismo para Adultos (Catecismo Holandês) usa a imagem do piano. A música pode vir da inspiração do ES, mas a execução depende da maior ou menor maestria de quem o toca.

O problema maior talvez esteja na nossa consciência psicológica. Precisamos estar sempre de novo tomando consciência desta cooperação entre o Espírito e nós.

Se assim não for, o processo pode ser perturbado pela interferência de mil outros espíritos, outras motivações, quando não até safadezas. Satanás também pode “tirar uma casquinha”.

Proponho, entre muitas coisas que costumamos pedir, vez por outra colocar também a pequenina graça de estarmos simplesmente conscientes da presença e atuação do Espírito Santo em nós.

Frei Hipólito Martendal, OFM.

TEXTO EM PDF PARA IMPRESSÃO

 

 

Download Best WordPress Themes Free Download
Download Nulled WordPress Themes
Download Nulled WordPress Themes
Download Best WordPress Themes Free Download
udemy course download free
download micromax firmware
Download Nulled WordPress Themes
free download udemy paid course