Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Creio no Espírito Santo – 2

05/06/2012

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1- O Espírito e seus diversos sentidos no N.T..

1.1- O espírito do homem não perdeu ainda o sentido de ruah, ou hálito, ar da respiração, ou vento. Mas um sentido mais filosófico vai- se impondo.

Assim, acredita-se que o espírito vital, cuja presença se percebe na respiração, com a morte separa-se do corpo e continua a existir.

Em Lucas, descrevendo a ressurreição da filha de Jairo, lemos: “o seu espírito voltou e ela se levantou no mesmo instante” (8, 55). Nosso povo diria que sua alma voltou. Na morte Jesus exclama: “Pai, em tuas mãos entrego o Meu espírito” (Lc 23, 46).

O espírito continua a existir, onde? Jesus, ao entregar o espírito nas mãos do Pai, e ao dizer ao ladrão crucificado ao seu lado “ continua

“ainda hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23, 43), não deixa dúvidas aos primeiros cristãos e aos cristãos de sempre que o espírito de um homem bom vai para junto de Deus, ou seja, o Céu. A idéia de um purgatório não existia.

A 1Pd no capítulo 2 descreve a vitória de Cristo ressuscitado anunciada a todas as criaturas e diz:

“Então é que Ele foi pregar até aos espíritos que se encontravam na prisão, aos rebeldes de outrora …” (2, 19-20). Observemos que pregar é a mesma coisa que anunciar. Os judeus acreditavam no Sheol. Parece certo que Pedro pensa nele quando fala de espíritos (dos mortos) na prisão.

1.2- Esse espírito que está no homem é a sede dos sentimentos, pensamentos e decisões (Mc 2, 8; 8, 12; 2Cor 2, 13; 7, 13; Rm 8, 16). Assim, o espírito pode ser visto como a vontade forte que se contrapõe à vontade fraca da natureza humana natural. Aqui trata-se da natureza humana espiritual. Em Mateus 26, 41, Jesus, na cena do Horto das Oliveiras, diz a Pedro:

“… o espírito está cheio de ardor, mas a carne é fraca”.

1.3- Por vezes fala-se no espírito, mas o autor pensa no homem todo, vivo e indiviso. Nem sempre é fácil separar espírito de alma. Em Hebreus 4, 12, falando do poder e sabedoria da Palavra de Deus, diz: “Ela penetra até dividir a alma do espírito”.

Alma é aqui entendida como princípio que sustenta a vida biológica e psíquica. O espírito é o princípio que sustenta a vida espiritual.
Lucas 1, 46 coloca nos lábios de Maria essas palavras:
“Minha alma exalta o Senhor e meu espírito se encheu de júbilo por causa de Deus, meu Salvador”.

São Paulo acredita que o homem é corpo, alma e espírito. Essa sua dimensão espiritual serve de ponte para a atuação do Espírito de Deus no ser humano.

1.4- São Paulo coloca como opostos o espírito e a carne. Quando assim fala, ele identifica no espírito a virtude divina que justifica e vivifica o homem. A carne é a realidade material fraca e portadora

de toda a sorte de pecado. Mas, aqui na prática, já podemos identificar esse espírito entendido como virtude divina como o Espírito Santo. Recomendo ler Gl 3, 3-6; 5, 16-25 e Rm 8, 4-13.

1.5- Espíritos bons e maus.
Sobre espíritos bons ou anjos fala-se relativamente pouco no N.T..

Referências a espíritos maus é muito mais frequente.

Em geral são chamados de espíritos impuros. Estes são causadores de toda a sorte de doenças, maus desejos e maus sentimentos.

2- O Espírito Santo (ES).

2.1- O ES no A.T..

Tudo o que se fala no A.T. a respeito do espírito de Deus devemos tentar entender a partir da nota que segue. “Para formar uma idéia da doutrina bíblica (A.T.) a respeito do espírito, é preciso partir do sentido original da palavra ruah que significa hálito, vento, ou  espírito.

O hálito …, força vital e o vento eram, para os israelitas, forças misteriosas, poderosas, temíveis …. Ora, exatamente como se fala no braço de Javé … em sua mãosua facesua boca (Sl 33, 6), assim fala-se em seu hálito (Jó 32, 8; 33, 4) e em sua força vital ou  espírito que opera tanto quanto o próprio Javé.

Não admira pois, que os fenômenos misteriosos e extraordinários, seja no homem, seja na natureza, que manifestam um poder especial, sejam atribuídos ao hálito ou espírito de Javé” (Dicionário¹, [B], coluna 484).

Isso tudo é uma forma de falar que Deus está agindo. Esse espírito é santo porque Deus é santo.

¹ Dic. Enciclopédico da Bíblia, Vozes.

Em nenhuma passagem do A.T. aparece a idéia de um Espírito, santo, porque divino, que possa ser entendido como uma pessoa individual, intelectiva. Esse espírito santo não pessoa, age nos profetas dando-lhes o poder de prever o futuro e de desvendar coisas ocultas, bem como explica seus êxtases e visões. Fala-se então num Espírito de Profecia.

Entre os judeus prevalece a convicção de que tal espírito retirou-se de Israel depois das atividades dos profetas Ageu, Zacarias e Malaquias. Isso aconteceu por causa dos pecados do povo. Faz parte das esperanças messiânicas de que o Messias quando vier será precedido pelo Grande Profeta, cheio do Espírito do Senhor, que preparará o povo para recebê-Lo.

É a volta do espírito de Javé que passa a viver definitivamente entre o povo.

2.2- O Espírito Santo no N.T..

Quero comunicar a voces que vou ocupar-me longamente com o que está no Dicionário Enciclopédico da Bíblia acima citado, indo da coluna 485 a 488.

Para não cansá-los, não vou ficar citando.

2.2.1- Continuando ainda a falar e entender à moda do A.T., podemos afirmar que a maior parte das expressões que descrevem as atividades do ES no A.T. encontramo-las no N.T..

            – o ES vem do alto, do Céu;
– do Pai (Jo 15, 26; 16, 13);
– Ele desce (At 10, 44; 11, 15);
– é enviado ou dado pelo Pai ;

            – enche o homem (Lc 1, 15; 4, 1; At 2, 4; 4, 6);
– repousa sobre pessoas (Jo 1,    32ss);
– mora no ser humano (Rm 8, 9; 1Cor 3, 16).

Conforme o Dicionário citado, diz-se que o ES é:

– a força sobrenatural pela qual Deus, em casos particulares, intervém para operar milagres no homem, como a expulsão de um demônio (Mt 12, 28; Lc 11, 20, pelo dedo de Deus);

– curas ou outros efeitos do poder divino, tais como a gravidez sobrenatural (Mt 1, 18.20; Lc 1, 35, onde o ES está em paralelismo com o poder do Altíssimo);
– operar fenômenos sobrenaturais de ordem psíquica tais como: intuições, visões e manifestações proféticas (Lc 1, 41.67; 2, 25s; At 7, 55; 8, 29.39; …);

o milagre de Pentecostes (At 2, 4.17s);
– a glossolalia e interpretações de línguas (1Cor 12, 10; 14, 13.27s);
– discernimento dos espíritos (1Cor 12, 10; 14, 29; … );
– a fé que opera milagres, … .

O autor anota que tais efeitos do ES não são permanentes, embora alguém possa ser permanentemente cheio do ES. Mas alguém que é permanentemente cheio do ES, em ocasiões especiais, pode ficar repleto do ES. Isso acontece com Estêvão (At 6, 3.11; 7, 55).

Antes de continuar no Dicionário, vamos a alguns comentários.

No que se refere à força sobrenatural, podemos dizer que todo cristão afinado com sua condição cristã pode dispor de forças naturais, divinas. Seria o comum da ação da graça. Mas o autor fala em casos particulares, como milagres. Eles não são comuns.
No que se refere a fenômenos psíquicos, podemos dizer que intuições são frequentes em pessoas realmente dedicadas e presentemente ocupadas com as coisas de Deus.

E a tal da glossolalia?
Para mim é assunto secundário e complicado. Recomendo ler o capítulo 14 da 1ª Carta aos Coríntios. É a tal da fala em “línguas”. Não se trata de línguas estrangeiras. Tratar-se-ia de uma linguagem supostamente atribuída a seres sobrenaturais.

São Paulo exige que, em suas comunidades, quem falar esse tipo de língua, só o faça se tiver alguém para traduzir o conteúdo. Chega a ser até um tanto quanto antipático aos Coríntios quando diz: “graças a Deus eu falo em línguas mais do que todos vós, mas numa assembléia, prefiro dizer cinco palavras inteligíveis, para instruir também os outros, do que dez mil em línguas” (1Cor 14, 18-19).

Pessoalmente, eu digo que, como sempre, deve prevalecer o princípio do amor aos irmãos. O que mais acrescenta ao bem de todos deve prevalecer. Não esquecer o capítulo 13 da mesma Carta.

No que se refere ao discernimento dos espíritos, é cada um pedir ao ES a graça de conhecer melhor o seu íntimo e aprender a ler quais são as suas motivações que o levam a fazer isso ou aquilo.

Espíritos podem ser entendidos como motivações que muitas vezes são desejos não conhecidos, ou seja, inconscientes.

Voltemos ao Dicionário.

2.2.3- O Espírito Santo como força santificadora.

O batismo de João Batista era conferido com água para purificar e preparar as pessoas para a vinda do Messias.

Mas a grande purificação messiânica viria num batismo que Jesus traria “com o ES e o fogo”. Este batismo purificará, pela força divina, dos males do pecado (Mt 3, 11; Is 4, 4). O fogo serve para purificar metais. O mesmo deve ocorrer com as impurezas do pecado que impregnam o homem.

A força santificadora do batismo no ES ocorre em Mc 1, 8 e At 1, 15; 11, 16.

“Eu batizei com a água; Ele batizar-vos-á com o ES”. Os profetas falavam numa recriação moral e religiosa do povo na Nova Aliança (Ez 36, 25-27; Jer 31, 32-34).

Pentecostes foi para os Apóstolos sinal certo que esses dias haviam chegado (Jl 4, 12; At 2, 17; 11, 18). O Espírito, enviado dos Céus por Jesus, transformou os Apóstolos fracos e covardes em testemunhas corajosas e intrépidas.

É interessante observar que isso só se dá depois da Ascensão do Senhor, depois da “entrada de Jesus na Sua Glória”. Agora Jesus exerce seu poder salvítico e o ES passa a operar (Jo 7, 39; 12, 32s; 16, 7).

Aqui aparece o que talvez seja o papel mais importante do ES. Ele é a força pela qual Cristo dá a vida sobrenatural aos seus fiéis.

Agora a ação do ES não se dá apenas em fenômenos psíquicos, mas sobretudo age como força santificadora, como princípio de vida eterna (1Cor 6, 11; Jo 3, 5-8; 6, 63; 7, 37-39). Ele é “o penhor” que garante a Israel de Deus a sua herança, a glória eterna e também a força divina que “dá a vida em Cristo” (2Cor 1, 22; Ef 1, 13; Gl 6, 16; Rm 8, 2s).

Agora entendemos quando Paulo fala que a Nova Aliança não é uma aliança baseada na letra mas baseada no Espírito, pois ser cristão é possuir o “Espírito de Cristo” (Rm 8, 9). Na mesma Carta Paulo fala em “estar no Espírito”, ser “movido” no Espírito de Deus, e ser “morada do Espírito” (8, 11).

O ES morando num corpo mortal (perecível) faz com que esse corpo possa ressuscitar espiritualizado e imperecível. Esse papel vivificador e santificador está tão intimamente ligado à Cristo que São Paulo diz que o homem é justificado em Cristo, ou no ES (Gl 2, 17; 1Cor 6, 11). A santificação do homem também se dá em Cristo ou no ES (1Cor 1,2; Rm 15, 16).

O selo de qualidade e segurança que recebemos para a vida eterna pode ser de Cristo ou do ES (Ef 1, 13; 4, 30). Em 2Cor 3, 17, chega até a declarar que o espírito vivificador é o Cristo.

Viver essa vida nova ou divina é viver o Reino de Deus. O homem enquanto carne e sangue (o velho Adão) não pode viver essa vida sem “um novo nascimento do alto”.

Frei Hipólito Martendal, OFM.

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