Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Creio no Espírito Santo – 1

05/06/2012

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1- Introdução.

“Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; Ele que falou pelos profetas”.

Isso é tudo o que Símbolo Niceno-Constantinopolitano fala do Espírito Santo (ES).

A partir de hoje, vamos ocupar-nos nas aulas com o ES.

Muitas vezes ouvem-se críticas à vida cristã na Igreja Católica (IgC), que teria reservado pouco espaço à explanação da doutrina a respeito da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, e também não teria desenvolvido uma piedade rica e elaborada envolvendo o ES.

Parece que isso é verdade em parte. Mas também é “natural”, pois a própria História da Salvação leva a isso.

Vou lembrar só duas coisas. A primeira está na Encarnação do Logos em Jesus Cristo. Afinal, o “Deus invisível” tornou-se em Jesus o “Deus visível”. Tal fenômeno é grande e maravilhoso demais. É inevitável que as atenções dos seres humanos se voltem mais para o Cristo. Um iceberg chama a atenção por sua parte visível , embora essa seja a menor.

A segunda razão que explica é que Deus pintado desde o Êxodo como tão grandioso e transcendente, contrariando, aparentemente, sua própria natureza, resolveu tomar a forma de um bebê pobre e indefeso.
Isso é por si tão impensável que exigiu rios de tinta para explicar.
E o que dizer desse Deus na Cruz?

Por essas razões, quase todas as polêmicas surgidas dentro da Igreja dos primeiros séculos giraram em torno da pessoa de Jesus Cristo.

Enquanto isso, o próprio Jesus fala do ES comparando-o ao vento (dentro da compreensão limitadíssima dos fenômenos eólicos do seu tempo), dizendo que ele (ou é Ele?) “sopra onde quer … não sabemos de onde vem, nem para onde vai” (Jo 3, 8).

A ação do ES pode ser tão discreta que a gente em geral não percebe conscientemente.

O fato de ter-se escrito menos sobre o ES do que sobre Cristo é semelhante ao que ocorreu com o Concílio Vaticano II no se refere à Fé. A Fé não entrou como tema de um documento específico. Mas, “o Servo de Deus Paulo VI, dois anos depois da conclusão do Concílio, se expressava usando essas palavras:

‘Se o Concílio não trata expressamente da Fé, fala da Fé a cada página’” (Homilia de Bento XVI, dia 11/10/12, na Missa para a abertura do Ano da Fé).

2- Ponto de partida atualíssimo.

Vamos reproduzir um trecho da homilia que acabamos de citar.

O Evangelho de hoje nos fala que Jesus Cristo, consagrado pelo Pai no Espírito Santo, é o verdadeiro e perene sujeito da evangelização. «O Espírito do Senhor está sobre mim, / porque ele me consagrou com a unção / para anunciar a Boa-Nova aos pobres» (Lc 4,18).

Esta missão de Cristo, este movimento, continua no espaço e no tempo, ao longo dos séculos e continentes. É um movimento que parte do Pai e, com a força do Espírito, impele a levar a Boa-Nova aos pobres, tanto no sentido material como espiritual. A Igreja é o instrumento primordial e neces-sário desta obra de Cristo, uma vez que está unida a Ele como o corpo à cabeça. “Como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,21).

Estas foram as palavras do Senhor Ressuscitado aos seus discípulos, que soprando sobre eles disse: «Recebei o Espírito Santo» (v. 22). O sujeito principal da evangelização do mundo é Deus, através de Jesus Cristo; mas o próprio Cristo quis transmitir à Igreja a missão, e o fez e continua a fazê-lo até o fim dos tempos infundindo o Espírito Santo nos discípulos, o mesmo Espírito que repousou sobre Ele, e n’Ele permaneceu durante toda a vida terrena, dando-lhe a força de «proclamar a libertação aos cativos / e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor» (Lc 4,18-19).

Examinemos alguns pontos.

“Jesus Cristo é consagrado pelo Pai no ES”, para ser o “verdadeiro e perene sujeito da Evangelização”. Portanto, Evangelização é a missão número um de Jesus.

Depois Jesus encarrega a Igreja de levar avante o projeto de Evangelização. “Como o Pai Me enviou, Eu também Vos envio” (Jo 20-21). Para isso “recebei o ES” (v. 22).

Como conclusão podemos dizer que na Igreja um papel importante do ES é ser a alma evangelizadora que atua na Igreja e em cada um dos seus membros engajados.
Na verdade, seu papel na evangelização e na vida dos seguidores de Jesus é extraordinário.

Ele nos ilumina e aquece; nos garante o acesso à Verdade de Jesus (= conteúdos revelados por Jesus), dá-nos conhecimento e sabedoria, além de fogo e energia! Certamente voltaremos a esse assunto mais para frente.

3- Como chegamos à idéia do ES?

3.1- “Quando Deus iniciou a criação do Céu e da Terra, a Terra estava deserta e vazia e havia treva na superfície do abismo; o sopro de Deus pairava na superfície das águas” (Gn 1, 1-2).

Logo no segundo versículo da Bíblia aparece a primeira referência de algo divino pairando sobre o caos original, descrito como um abismo tomado pelas grandes águas revoltas. Tudo envolvido na mais completa escuridão. Esta coisa já estava aí desde sempre. É a partir do caos pré-existente que Deus começa a sua obra organizadora e criadora. Na verdade, existiam águas e terra, mas tudo era dominado por esse oceano primitivo (lembrar que esse oceano era entendido como um ser mau. No novo Céu e na nova Terra do Apocalipse, o Mar já não existe). Mas, atenção, por cima disso “pairava o sopro de Deus”. O que significa isso? Em hebraico, a língua dos antigos hebreus, diziam “ruah”. “A palavra hebraica “ruah” significa originariamente, como também o grego “pneuma”, e o latim “spiritus”, ar em movimento, portanto, hálito ou vento” (Dic. Enciclopédico da Bíblia, op. cit. verbete espírito).

Parece que lá pelo século V a.C. foi prevalecendo a idéia de identificar-se “ruah” com hálito divino ou sopro das narinas de Javé. Javé podia ser imaginado como um ser impressionantemente gigantesco.

Quem pode medir as águas do mar na concha da mão? Quem conseguiu medir os céus a palmo, medir o pó da Terra com o alqueire e pesar as montanhas colocando-as no gancho?” (Is 40, 12).

No salmo 107 (108) Javé aparece conversando com o salmista e afirma: “exultarei repartindo Siquém … Efraim é meu capacete e Judá, o meu cetro real. Moab é minha bacia de banho; sobre Edom atirei as minhas sandálias”. As grandes tempestades podiam ser o sopro expelido pelas narinas de Javé.

Em Gn 2, 7, o autor sagrado escreve singelamente.

“O Senhor Deus modelou  o homem com o pó apanhado do solo. Ele insuflou nas suas narinas o hálito da vida e o homem se tornou um ser vivo”.

Então a vida está no ar, envolvida  no processo respiratório. Adão recebe a vida através da respiração de Javé. Que lindo!

Esse “ar de Deus” passa a ser logo identificado com o espírito que só pode vir de Deus.

Ar de Deus, espírito que vem de Deus, vida de todo o ser vivo misturam-se. Podemos dizer que esse espírito que vem de Deus é a força vital. Toda a vida vem de Deus. É fruto do hálito divino.

3.2- Espírito e Carne.

“No AT nunca se diz que Deus seja um espírito ou imaterial. No entanto, as oposições entre homem-carne e Deus-espírito (Is 31, 3) provam que Deus e espírito são duas concepções equivalentes.

Homem ou carne é tudo o que é perecível, fraco (Is 40, 6; Jó 10, 4s; Sal 56, 5; 78, 39); Deus ou espírito é aquilo que é poderoso, imperecível (Jó 10, 4s; Jer 17, 5-8; Os 14, 4).

Esta oposição parece suposta nas palavras escuras de Gn 6, 3 – (“Javé disse: ‘ meu espírito não permanecerá no homem, pois ele é carne; não viverá mais que 120 anos’”.)

Embora não se afirme que Deus seja um espírito, muitas vezes é dito que Ele possui um espírito, que Ele dá o espírito, ou que é pelo seu espírito que Ele opera no homem e na natureza” (Dic. Enciclopédico da Bíblia, coluna 480).

A mesma obra citada também afirma que os israelitas não especulavam sobre a essência do espírito.

Na medida em que angelologia e a demonologia vai progredindo, começam a aparecer espíritos bons e espíritos maus.
Em livros apócrifos, como Henoc, almas de falecidos são chamadas de espíritos dos mortos”.

Uma exceção clara aparece em Sabedoria, 7, 22-8,1.
Vamos ler.

Mas não podemos esquecer duas coisas. Esse livro só entrou na Bíblia de tradução grega. O autor começa falando das qualidades de um “espírito inteligente, santo, único”, etc, que está na Sabedoria. Do v. 24 em diante passa a exaltar a Sabedoria como um ser personificado. Mais tarde é fácil ver na Sabedoria um como super dom do ES.

Frei Hipólito Martendal, OFM.

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