Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Creio na Igreja Católica – 7

06/06/2012

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Aula 31

1 – Rumo à unidade (CIC 820-822)

Nós, católicos, em união com o Magistério da Igreja, cremos que a Unidade é dada por Cristo como um dom a Sua Igreja. Faz parte de sua preocupação maior e é objeto de sua oração sacerdotal do capítulo 17 do Evangelho de João. Todos já sabemos de cor Jo 17, 21. Certo? … .

Mas esta unidade tem de fazer parte dos nossos anseios mais profundos, se quisermos ser cristãos católicos autênticos. Tem de ser também tema de nossas orações e objeto dos cuidados contínuos para que nossas atitudes, palavras e práticas não criem ou alimentem antipatias e mal estar na convivência com outros grupos cristãos, mas que elas sejam elementos aproximativos e de desarmamento dos espíritos.

O número 821 do CIC nos aponta sete elementos que precisamos praticar para respondermos ao apelo de Jesus por Unidade (Jo 17, 21).

● Uma constante renovação na fidelidade maior à sua vocação. Trata-se da fidelidade ao próprio Cristo. É Ele que quer a Igreja unida.

● Uma constante conversão do coração de cada um tem de ser objeto de atenção e cuidado de toda hora, sem trégua. Nosso relacionamento com os demais cristãos tem de ser expressão de um coração continuamente movido e orientado pelo Evangelho. A infidelidade dos cristãos ao Evangelho causa e alimenta as divisões.

● A oração em comum é outro fator a promover união. Cita UR 8: “A conversão do coração e a santidade de vida, juntamente com as preces particulares e públicas pela unidade dos cristãos devem ser consideradas como a alma de todo o movimento ecumênico e, com razão, podem ser chamadas de ecumenismo espiritual”.

● O conhecimento fraterno recíproco é de extraordinária importância porque isso permite a percepção e a focalização das semelhanças, o que aproxima as pessoas. Alimenta a amizade e o amor fraterno entre cristãos de igrejas diferentes.

● A Igreja recomenda a formação ecumênica para os fiéis e especialmente para o clero. A prática ecumênica requer alguns conhecimentos específicos.

● Recomenda-se diálogo entre teólogos e encontros entre cristãos de diferentes igrejas e comunidades. Esses encontros precisam ser bem preparados.

● Há muitos serviços que cristãos de todas as igrejas podem prestar em programas comuns entre si. Esta unidade é toda tirada do documento conciliar Reintegração na Unidade (UR 1-12).

A prática do ecumenismo não é um modismo, uma coisinha moderna e politicamente (da Igreja) correta. É formação de coração e mente evangélicos que anseiam para que a oração de Jesus seja posta em prática na convivência entre si.

2 – A Igreja é Santa (823-829)

Este capítulo é extremamente difícil de ser explicado para quem não tem nossa Fé, ou ainda para quem tem a Fé, mas avançou muito pouco na espiritualidade. No imaginário do povo de modo geral a idéia de santidade liga-se à perfeição moral referente à religiosidade. Neste universo, santidade e pecado são coisas opostas. Quem é santo não pode ter pecados, sobretudo certos pecados, como os assim chamados pecados da carne e crueldade. A virtude que o povo mais associa à santidade é a caridade. Tradicionalmente, pessoas de grande bondade, com práticas de socorro aos pobres, o povo as canoniza antes da Igreja. É pelas mesmas razões que pecados de pessoas com funções muito importantes na Igreja costumam chocar tanto o povo.

Mas, esse mesmo povo, de modo geral, também tem ideia de santidade ligada àquilo que é sagrado. Ninguém tem dificuldade de considerar Deus santo. Por um maior contato ou proximidade de uma pessoa com o sobrenatural, pode ser com Deus ou com os santos, ela passa a ser vista como mais santa. Coisas em contato com o sagrado são santas, tais como vasos sagrados e relíquias. No mínimo despertam a piedade.

Por essa via fica mais fácil falar de santidade da Igreja.

É consenso de todos os cristãos que Deus é santo e só Ele é totalmente santo. Então tudo o que Deus faz é bom e santo. Tudo o que tem contato ou está muito próximo de Deus é de alguma forma santificado por Ele. Agora o sagrado e o santo são sinônimos.

Então, a Igreja enquanto obra de Deus, fundação de Jesus, é ao mesmo tempo sagrada e santa. Além do mais, a Igreja é portadora de Deus Trino, como vimos nas primeiras aulas sobre o bloco “Creio na Igreja”. Ao mesmo tempo, a Igreja é depositária dos meios que Deus dispôs para salvação da humanidade. Neste sentido é indefectivelmente, inevitavelmente, santa!

Mas a relação entre o “santo por contato divino”, ou o sagrado com o santo por uma mais perfeita prática das virtudes cristãs não é pequena, ou pouco significativa. A consciência da sacralidade de ritos religiosos, sobretudo dos sacramentos, e a consciência da própria sacralidade do irmão em Cristo (o próximo) e de sua sacralidade pessoal (membro do Corpo de Cristo) pode e deve ser um apelo fortíssimo para uma vida pessoal mais santa.

No entanto, a santidade pessoal como vida cristã é muito mais difícil do que gostaríamos que fosse. É comum pessoas progredirem admiravelmente na prática de algumas virtudes e ao mesmo tempo serem miseravelmente fracas em outras.

No exercício do crescimento evangélico, ou santidade, a prática da caridade tem um lugar especialíssimo. Ela envolve tanto o socorro nas necessidades de irmãos empobrecidos ou fragilizados pela doença, prisão e outras formas de sofrimento, como a troca constante de gentilezas fraternas. Esse é o Amor-Ágape decantado no capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios. Ele vai do mais simples gesto de cortesia, ao mais heroico ato de amor ao oferecer a vida por alguém.

LG diz que a caridade “rege, informa e conduz ao fim todos os meios de santificação (LG 42). Informar aqui significa dar forma a alguma coisa. O CIC diz que é a alma da santidade (826). Essa afirmação fica muito clara quando se lê e medita os capítulos 12 e 13 da Primeira aos Coríntios. A caridade vivida nos aproxima de Deus e nos faz participar da natureza divina de Jesus Cristo.

Para terminar este tema quero lembrar a tradição da Igreja Católica de canonizar santos. Eles são declarados solenemente santos de Deus para mostrar a todos os fiéis que o Espírito de Santidade continua vivo e atuante em todos os tempos. É interessante notar que os santos aparecem na Igreja em qualquer época, nas melhores como nas piores. Além desse testemunho vivo da santidade da Igreja, eles tem mais duas funções importantes: ser nossos intercessores junto de Deus e servir de modelos na prática, às vezes heróica, das virtudes cristãs. Essas são por assim dizer cristalizações da santidade de Deus em nós seus filhos!

3 – A Igreja é Católica (CIC 830-831)

Nossa Igreja é católica no sentido de universal (katholikós, grego, universal). Mas esse elemento universal pode ter dois sentidos.

● Assim “ela é católica porque Cristo nela está presente” (830) e cita Santo Inácio de Antioquia, martirizado no ano 107, que disse: “Onde está Jesus Cristo está a Igreja Católica”. Observe que durante a vida desse santo o cristianismo tinha-se espalhado, geograficamente, bem pouco. Não fazia sentido em falar em universal em termos geográficos. Certamente Inácio conhecia os textos de São Paulo sobre a Igreja como Corpo de Cristo. Então a Igreja era vista como a portadora de Cristo na sua totalidade. Tem a ver com plenitude.

Interessante que na minha terra pessoas ainda dizem que isso ou aquilo não está muito católico. “Este peixe não parece muito católico”, pode afirmar o comprador. Todos entendem que fala do estado de conservação do produto. A Igreja é mais ou menos católica na medida que Ela tem em si e vive a plenitude dessa presença de e comunhão com Cristo.

● Mas, a Igreja é também católica no sentido de que Cristo ordenou que os Apóstolos pregassem a todos os povos e batizassem (Mt 28, 19). Ela destina-se à universalidade (totalidade) do gênero humano. É seu sentido mais literal como vimos.

Hoje, fala-se com certa frequência em igrejas particulares. Normalmente uma igreja particular é a comunidade católica que vive e reúne-se em torno de um bispo. O autor do Apocalipse gosta de falar em “Igreja de Jesus Cristo que está em …”, nomeando esta ou aquela cidade. São as igrejas locais. Elas são católicas no primeiro sentido visto acima. Estão em plena comunhão com Cristo e com a Igreja toda. A união com o Papa é essencial para essa comunhão (CIC 832-835).

Temos também de nos ocupar com a comunhão e a pertença à Igreja dos indivíduos. Quem pertence à Igreja?

Em primeiro lugar cabe falar dos batizados católicos e que de alguma forma vivem dentro dos limites da Igreja Católica. Eles pertencem à IC (Igreja Católica), mas podem formar dois grupos. Um grupo está “com o corpo e o coração” (LG 14) em comunhão plena com ela. O outro grupo é constituído por aqueles que apresentam rupturas por não perseverar na caridade, por pertencer só de corpo. São os ramos sem a seiva vital do Cristo (836-837).

Para terminar esta unidade ainda precisamos lembrar que existem alguns elos entre a IC e todos os batizados de outras igrejas cristãs que querem seguir Jesus Cristo.

“Com as igrejas ortodoxas essa união é tão profunda ‘que falta bem pouco para que ela atinja a plenitude que autoriza uma celebração comum da Eucaristia do Senhor’”, citando Paulo VI (CIC 838).

Frei Hipólito Martendal, OFM.

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