Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Creio na Igreja Católica – 2

06/06/2012

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Aula 26

1- Definição do nome Igreja (CIC 751-752)

Igreja tem a ver com a palavra latina Ecclesia (ae), que vem do grego Ekklesia (as), do verbo ekkalein, cuja tradução é “chamar fora”. É, então, a assembleia reunida por convocação. Na leitura do AT, principalmente em Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, o povo é, muitas vezes, convocado por Deus, através de Moisés, e cada qual deixa sua tenda e se dirige para o local das reuniões, constituindo assim a assembleia.

Na tradução grega do AT, emprega-se a palavra Ekklesía para essas assembleias. A palavra é traduzida por igreja. De igreja como assembleia, convocação, passa logo para o sentido de todos os moradores cristãos de uma localidade sob a direção de um bispo.

Em pouco tempo, o sentido mais comum de igreja designa toda a comunidade universal dos que creem e aceitam Jesus Cristo como o Redentor e seu Fundador. Igreja agora é também entendida como uma instituição.

2 – Símbolos (CIC 753-757)

As Sagradas Escrituras gostam muito de empregar parábolas, símbolos, figuras e imagens. Muitas dessas imagens, que o AT tinha para o Povo de Israel, estão ligadas a uma ideia-base de Povo de Deus. Como a Igreja assume o papel de “Novo Israel”, Povo da Nova Aliança, a ideia de Povo de Deus para definir a Igreja assume uma força especial.

Entre os muitos documentos do Concílio Vaticano II, aquele que trata da Igreja de forma direta e doutrinária, aparece em primeiro lugar, sob o título “Lumen Gentium” (a Luz dos Povos). Já o segundo documento do Concílio sai com o título “O Povo de Deus”. A partir daqui fica claro que o Vaticano II encontrou na expressão o Povo de Deus sua forma preferida e mais iluminadora para se referir à Igreja de Jesus Cristo. São os traços dessa Igreja idealizada por Cristo que a Igreja Católica tem de procurar reproduzir em si.

Nós somos, então, “O Povo de Deus”. Ou se preferir, “O Povo-Luz” para iluminar os povos. Jesus dissera tão claramente: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5, 14). Agora já temos Igreja Povo de Deus e a Igreja Luz do Mundo.

O NT, especialmente Jesus, gosta de recorrer à vida pastoril, vida dos campos, da construção civil, da família e de casamentos. Desses meios surgem outras imagens para a Igreja que vou apenas apontar.

● Redil das ovelhas. Cristo é a sua única porta de acesso.

● Igreja é a lavoura ou o campo de Deus. Lá você encontra a multissecular oliveira (raiz dos patriarcas e dos profetas). Lá está também a “vinha escolhida” (“Eu sou a videira e vós sois os ramos”).

● Construção de Deus (1Cor 3, 9). O próprio Jesus se considera a pedra rejeitada na construção (Mt 21, 42).

● Casa de Deus, onde habita

● Sua família (Ef 2, 19-22; Ap 21, 3).

● Cidade Santa, ou Nova Jerusalém (Gl 4, 26; Ap 12, 17).

3 – Quem fundou a Igreja?

Aparentemente, essa questão é desnecessária. Mas já apareceram pessoas afirmando que Jesus não teria em seus planos uma formação de igreja ou qualquer movimento que devesse sobreviver a Ele. Queria ser apenas um pregador a proclamar a proximidade do Reino de Deus. Acreditava até que era o Messias.

Argumenta-se, inclusive, que Jesus teria sido surpreendido por uma morte prenunciada e executada de forma rápida demais, deixando pouco tempo para o advento glorioso do Reinado de Deus.

Em vista desse quadro, entender-se-ia mais facilmente o efeito arrasador da prisão e execução de Divino Mestre sobre os apóstolos e discípulos. Sem a ressurreição e a manifestação espetacular, única e avassaladora do ES no Pentecostes, tudo teria terminado naquela sexta-feira fatídica e trágica.

A narração de Pentecostes pelos Atos dos Apóstolos pode até dar a impressão de que foram os apóstolos, liderados por Pedro, que fundaram a Igreja.

Mas, não podemos esquecer as palavras de Jesus em resposta à confiança de Pedro em Cesareia de Felipe. Pedro havia falado em nome de todos que Jesus é o Messias, o Filho de Deus vivo. E Jesus “… Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja…” (Mt 16, 13-19).

Nesta passagem, Jesus não deixa dúvidas de que a Igreja é seu projeto e será fundada por Ele. Os apóstolos são as pedras do fundamento desta construção.

Depois temos a ordem clara de pregar o Evangelho a todos os povos e batizar os que crerem. Essas instruções estão no último tópico de cada Evangelho sinótico (Mt, Mc e Lc). Evidentemente, isso pressupõe que haverá um tempo após a morte de Jesus em que os batizados, ou seja, aqueles que aceitaram fazer-se discípulos Dele, terão que viver de forma organizada.

O mandamento novo e o reconhecimento, por parte de toda a gente, de que as pessoas que aceitam essa forma de amar própria de Jesus, são seus discípulos, esses dois fatos apontam para uma vida organizada em comunhão depois da partida do Divino Mestre (Jo 13, 34-35).

Sem alongar-me, quero ainda lembrar Jesus falando aos apóstolos reunidos no Cenáculo “na tarde do mesmo dia” (isto é, dia da Ressurreição): “Recebei o ES. A quem perdoares os pecados, ser-lhes-ão perdoados. A quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos”. Também aqui aponta-se para a Igreja.

Por fim, Jesus dá instruções para ficarem na mesma casa em Jerusalém, à espera do batismo no ES (At 1, 4-5). No Pentecostes, poder-se-ia ter a impressão de que é Pedro quem inicia a Igreja. Mas ele e seus companheiros são totalmente tomados pelo ES que, sem dúvida, é o grande Ator da cena, executando exatamente o plano de Jesus. Por outro lado, Jesus tinha por missão firmar a Nova Aliança da Salvação do Pai Eterno. Assim fica claro: na verdade, a Igreja é obra da SSma. Trindade (CIC 758).

4 – A Igreja, o Reino de Deus e o fundamento dos Apóstolos (CIC 763-766): Compêndio do Vaticano II, 3)

“Cabe ao Filho realizar, na plenitude dos tempos, o plano de salvação de seu Pai; este é o motivo de sua ‘missão’. ‘O Senhor Jesus iniciou sua Igreja pregando a Boa Nova, isto é, o advento do Reino de Deus prometido nas Escrituras havia séculos’. Para cumprir a vontade do Pai Cristo inaugurou o Reino dos Céus na terra. A Igreja ‘é o Reino de Cristo já misteriosamente presente’” (CIC 763).

“ ‘Este Reino manifesta-se lucidamente aos homens na palavra, nas obras e na presença de Cristo’. Acolher a palavra de Jesus é ‘acolher o próprio Reino’. O germe e o começo do Reino são o ‘pequeno rebanho’ (Lc 12, 32) dos que Jesus veio convocar em torno de si e dos quais Ele mesmo é o pastor. Eles constituem a verdadeira família de Jesus. Aos que assim reuniu em torno de si, ensinou uma ‘maneira de agir’ nova e também uma oração própria” [Mt 5-6] (CIC 763-4).

Chamo a atenção do leitor para as várias citações embutidas dentro desses dois parágrafos reproduzidos aqui do CIC. Eles remetem para o Compêndio Vaticano II, Lumen Gentium, números 3 e 5, além de muitas referências aos Evangelhos.

Os textos citados nos levam a pensar sobre a relação entre Igreja e Reino de Deus. Às vezes a Igreja, ou pessoas da Igreja já chegaram a identificar Reino e Igreja como sendo a mesma coisa. Que maravilha se isso fosse verdade.

Mas elementos do Reino de Deus ou Reino do Cristo sempre estiveram e estão presentes na Igreja. Dá para dizer com propriedade que viver o Reinado de Cristo é o grande objetivo da Igreja. Quanto mais gente vive esse Reinado de Cristo, mais o Reino de Deus está presente e se fortalece na Igreja.

O problema é que elementos do reino do Mal também existem na Igreja. Parece que a Igreja situa-se a meio caminho, ou em algum ponto entre o Reino de Deus e o reino do Mal. A realidade da disputa entre o Bem e o Mal impõe-se a nossa mente. Estamos no dia 21/02/13. Esses dias da renúncia de Bento XVI podem nos levar a um bom exame sobre essa realidade divino-humana da Igreja. A leitura da parábola do joio e do trigo vem aqui na hora certa…

Frei Hipólito Martendal, OFM.

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