Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

Creio em Deus Pai – 4

05/06/2012

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1- Conceito, Definição.

“Apresentação da atuação salvífica de Deus no mundo sob a imagem de um domínio régio” (Dicionáriop Enciclopédico da Bíblia de A.van den Born, Vozes).

“O termo grego βάσιλέίά (também o hebraico) significam em primeiro lugar a dignidade, e sobretudo o governo ativo de um rei e apenas em segundo lugar o território” (idem).

“Entrar no R” (Mt 5, 20; etc.) e “entrar na vida” (Mt 18, 8; 19, 17) são imagens equivalentes. Significado? “Participar dos bens messiânicos que Deus reservou para o novo mundo” (idem).

Nas teologias do Egito e Oriente Médio, em geral, o deus supremo é criador e reina sobre sua criação e os outros deuses.

Nos textos bíblicos muitas vezes este pensamento parece invadir a mente de autores sagrados que colocam Javé como o maior e acima de todos os deuses.

O já conhecido Catecismo Holandes (CH) afirma que o RD corresponde à própria realeza de Deus, sua dominação soberana (p. 117). Nós, voces que me acompanham e eu, poderíamos dizer que o Reinado de Deus é o mesmo que o exercício da própria onipotência divina.

Voltando ao CH: “O termo, formado no AT, era como a recapitulação da fé judaica: Deus é o Senhor deste mundo; um dia, isto é, no ‘Dia de Javé’, há de aparecer para acabar com qualquer injustiça e miséria na existência humana, tão cheia de amargas interrogações. É este o núcleo puro da esperança antigo-testamentária” (p. 118).

2- Sinais do Reino.

De todos os sinais, o mais importante está no fato de que ele se manifesta na pessoa de Jesus. Como o novo Adão, Jesus é o protótipo acabado que vive sob o RD.

Se nós partirmos da visão realista do mundo nos seus desvarios mais diversos, com todas as formas de males e pensarmos na infinita bondade de um

Deus todo poderoso, então dá para imaginar que Ele, Deus, exercendo sua “dominação soberana” sobre o mundo dos homens, deveria gerar uma humanidade muito melhor. Tudo seria mais de acordo com o coração de Deus.

Mas as iniciativas de Deus são sempre surpreendentes e respeitadoras da liberdade concedida ao parceiro humano.

A iniciativa de Deus parece pequena, pois resume-se na Encarnação do Logos na pessoa de Jesus, sem estardalhaço, sem trombetas tocando  e nenhuma manifestação da glória divina. O Logos se “humaniza” em Jesus tão bem, que ninguém nota. Ninguém pode dizer que isso é pouca coisa. A Encarnação do Logos, como vimos em aulas anteriores, é realmente surpreendente, impensável,

absolutamente grandiosa como manifestação do amor de Deus por nós. Contudo, essa grandeza toda está oculta “aos sábios e entendidos”, mas “revelada aos pequeninos”, àqueles que se fazem como crianças, confiam no Pai, aceitam e crêem em Jesus.

“Mas, em que sentido é que Jesus entende o ‘Reino’? Pois acontece que ninguém pega em armas e estrela alguma cai do céu. Qualquer forma de esperança nacionalista e apocalíptica fica decepcionada. O inesperado em sua pregação é, em primeiro lugar: que não acontece nada” (CH, p. 118-119).

Esta é a segunda forma com que Jesus decepciona muita gente que esperava uma intervenção gloriosa e espetacular de Deus no mundo.

Mas tudo começa de forma tão pequena e despretensiosa que Jesus chega a comparar esse início com a semeadura de um grãozinho de mostarda.

Vamos repetir o conceito de R do início dessa aula. Jesus claramente fala que o poder salvífico de Deus está atuando Nele, Jesus. Os milagres e expulsões de demônios são sinais claros dessa atuação.

“… mas, se é pelo dedo (poder) de Deus que Eu expulso demônios, então o Reinado de Deus já vos alcançou” (Lc 11, 20; Mt 12, 28). Isso é o mesmo que afirmar que o “R chegou a vós de surpresa”!

3- Mas, é só isso?

Há muitas descrições apocalípticas de uma intervenção total e arrasadora de Deus no final dos tempos e a vinda gloriosa do Filho de Homem. Jesus também fala disso. Mas evita as descrições dos autores apocalípticos. Jesus fala claramente de duas intervenções de Deus no mundo e na história dos homens. Na primeira Deus começa a exercer seu poderio, seu reinado, suavemente e através da pessoa e atuação de Jesus.

É compreensível que a caminhada da humanidade sobre o nosso planeta necessariamente terá um fim. A Terra um dia deixará de ser habitável. Mas como e quando será esse fim? O fim virá lentamente ou será por morte súbita da espécie humana num colapso? Jesus fala pouco sobre esse tema.

Afirma que o fim virá, mas que só o Pai sabe quando. “Toda a sua mensagem está concentrada, não em um acontecimento externo, mas no próprio fato de Deus reinar” (CH, p. 119).

Repetindo, Jesus anuncia o R presente na pessoa Dele e que começa atuar. Doentes são curados, demônios são expulsos. Ele, Jesus, portador da realeza de

Deus (pode-se ler poderio) invade os espaços de Satanás e vence seu poder de todas as formas. É “o mais forte” que chegou (Lc 11, 21-22). A sementinha de mostarda está plantada! Jesus vive 100% sob a realeza do Pai. Seu lema preferido é “meu alimento é fazer a vontade de Meu Pai”. Os primeiros discípulos vieram e seu número está crescendo. Os doze apóstolos foram escolhidos, largaram tudo e estão toda hora com Ele. Por sua vez, Jesus garantiu que estará com os seus “até o fim dos tempos”. O R começou para ficar. É definitivo.

4- Algumas características do Reino fundado por Jesus.

4.1- Milagres e ou Sinais.

Em primeiro lugar precisamos ter em mente que os milagres de Jesus tem como finalidade essencial mostrar, sinalizar, ao mundo que o poder de Deus (= Realeza de Deus) está atuando. João no 4º Evangelho não fala em milagres, só fala em sinais.

Mais para frente falaremos em sinais do Reino na Igreja Católica (IgC).

4.2 – Toda a humanidade é convidada.

Não só o povo de Israel é destinatário do R, embora seja o primeiro a receber seu anúncio. Foi também ele quem gerou o fundador do R, Jesus. Contudo, sem privilégios, sem nacionalismos, o R é anunciado para todos os povos (Mt 10, 5-7; 8,11; 28, 19).

4.3- O Reino se firma entre pobres e pequenos, “isto é, aos que o acolheram com um coração humilde. Jesus é enviado para ‘evangelizar os pobres’ (Lc 4, 18). Declara-os bem aventurados pois ‘o Reino dos Céus é deles’ (Mt 5, 3); foi aos ‘pequenos’ que o Pai se dignou revelar o que permanece escondido ‘aos sábios e entendidos’ (Mt 11, 25).

Jesus compartilha a vida dos pobres desde o estábulo até a cruz; conhece a fome, a sede e a indigência (Lc 9, 58). Mais ainda, identifica-se com os pobres e faz do amor ativo para com eles a condição para se entrar no seu R (Mt 25, 31-46)”, conforme CIC n. 544.

4.4- Pecadores são convidados.

Isso choca? Creio que nem todos os católicos sentem-se inteiramente à vontade com esse aspecto. Mas é tão lógico. Jesus fala em justos e pecadores. Os justos em muitos aspectos já fazem a vontade de Deus e estão mais ou menos afinados com as exigências do R. Ora, supõe-se que os pecadores estejam em posição oposta. Ouvida e aceita a palavra de Jesus, a senha mágica agora é “converter-se”.

Ora, é exatamente o pecador que necessita de conversão (Mc 2 ,17; 1Tm 1,15; Lc 15, 7; Lc 15, 11-32; CIC n. 545).

4.5- Parábolas e outras características do Reino.

– O joio (Mt 13, 24-30). É resposta aos impacientes. O R precisa de tempo para crescer e só a Deus compete julgar, sendo sua vontade garantida.

– O grão de mostarda (Mt 13, 31-32; Mc 4, 30-32; Lc 13, 18-19). Acentua o crescimento do R que vai de um início tão pequeno que não é percebido pela maioria das pessoas, e chega a um fim esplendoroso! Subentendida está a força interna própria do R.

– O fermento (Mt 13, 33; Lc 13, 20-21). Mais uma vez a energia transformadora e o poder de atingir todos os povos são acentuados. O fim é grandioso. Toda a massa cresce.

– O tesouro e a pérola. (Mt 13, 44-46). Aqui Mateus acentua o valor único e maior que tudo do R, e sua capacidade de ser o maior sonho de alegria e felicidade de alguém. Isso impõe a quem o descobre a determinação de abrir mão de tudo para chegar ao tesouro.

Aliás, esse abrir mão de tudo é repetido exaustivamente por Jesus em toda a sua pregação. Quando Ele aponta as duras condições de renúncia a quem quer segui-lo (largar todos os bens; colocar sua relação com Ele acima de todas as relações de sangue; tomar a cruz e segui-lo), está falando de coisas que a adesão ao R pode cobrar da gente.

– A rede (Mt 13, 47,50). Em comum com a parábola do joio esta fala que, apesar do R estar implantado, nele conviverão, até o fim dos tempos, bons e maus. A ameaça sobre os que não prestam (no versículo (v) 38 qualificados de “súditos do Maligno”) é pesada.

5- Reino e Igreja.

Apesar da clareza dos elementos aqui descritos, a IgC chegou a acalentar a idéia de que ela e só ela era a concretização do R na Terra. Daí a expressão da crença de que fora da IgC não haveria possibilidade de salvação.

Até impérios e reinos cristãos chegaram a sonhar que seus mandatários poderiam encarnar o poder de Deus para eles regerem toda a cristandade (Sacro Império Romano-Germânico; o Sebastianismo em Portugal).

O Concílio Vaticano II enfrentou esse problema de forma suave e firme. Até seu início (11/10/1962), exatamente há 50 anos, a expressão “extra Ecclesia nulla salus” (fora da Igreja não existe salvação) era quase dogma de fé.

O Vaticano II afirma que a Igreja nasceu da pregação do R feita por Jesus Cristo. “Recebeu a missão de anunciar o Reino de Cristo e de Deus, de estabelecê-lo em todos os povos e deste R constituiu na Terra o germe e o início” (Compêndio Vaticano II, nº 6). Não podia a assembléia mundial dos bispos com o Papa dizer outra coisa.

Mas, pouco adiante, no nº 21, afirma a não exclusividade da IgC em encarnar a única Igreja de Cristo e também diz que elementos do RD podem existir e atuar fora dos limites visíveis de nossa IgC. “Esta Igreja (Ig de Cristo), constituída e organizada neste mundo como uma sociedade, subsiste na IgC … embora fora de sua visível estrutura se encontrem vários elementos de santificação e verdade. Estes elementos, como dons próprios à Igreja de Cristo, impelem à unidade católica” (op. cit. n. 21).

Frei Hipólito Martendal, OFM.

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