Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

A Pessoa de Jesus

05/06/2012

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Introdução

Procuramos imaginar como seria a pessoa humana de Jesus. Vamos focalizar nossa atenção mais na personalidade que no seu retrato físico, este sim impossível de ser atingido por absoluta falta de informações. Considero esta questão importante para podermos aumentar nossa admiração e encantamento pela pessoa mais importante de nossa vida. Afinal, Jesus não deixa dúvidas. Ele exige que seja o número Um entre todas pessoas por nós amadas.

Por isso, Jesus precisa ser a pessoa mais admirada e mais capaz de nos encantar.

A Fé para Adultos, o Novo Catecismo, já citado em aulas anteriores, nas páginas 173 a 175, fala das tentativas realizadas, fora da tradição católica, de descrever a pessoa humana de Jesus. Os autores eram racionalistas movidos pelo espírito científico do tempo, sobretudo no século 19 e começo do século 20.

Isso pode ser bom por causa da dificuldade de verem Jesus realmente como Deus e homem ao mesmo tempo.

Mas chama nossa atenção para um ponto fraco desses livros: os autores deixam-se levar mais pelo espírito de seu tempo do que pelo espírito de Jesus. Aqui seria o caso de refletir-se sobre pregadores de hoje. Essa tentação continua bem atual. Vamos então nos ater aos Evangelhos.

Primeira observação: traços de sua personalidade misturam-se com o exercício de sua missão.

É mais ou menos o que ocorre com a Didática, que pode ser mais expressão da personalidade do professor do que de técnicas.

1- Um Contador de parábolas original.

“Jesus começa a falar em ‘semelhanças’ ou ‘parábolas’. São as narrações explicativas. Também os doutores contemporâneos seus faziam parábolas. Mas o uso que Jesus faz delas é totalmente diferente. Para os rabinos tratava-se de esclarecer, por meio delas, textos já existentes. Para Jesus, as parábolas são a própria mensagem, nova e original. Em forma amena e simples, narram estórias de vida cotidiana, acessíveis a todos.

De vez em quando, são também acontecimentos tão estranhos que acontecem apenas esporadicamente: um banquete, ao qual ninguém aparece! Mesmo assim são imediatamente compreendidas. ‘Quem de vós …’ eis a forma tão simples, tão direta, tão cativante com que Jesus costuma começar a narrativa. Essa fórmula é típica para o estilo pessoal, de Jesus. Nenhum rabino do seu tempo parece tê-la usado” (O Novo Catecismo p.120).

O Evangelho de Marcos (4,33) afirma que era recurso para fazer se entender, chegar a um público simples, “conforme eram capazes de compreender”. Mas o ouvinte precisa ter um estado de espírito favorável. Muitas vezes Jesus conclui com a expressão que é encontrada em suas pregações: “Quem tiver ouvidos para ouvir, ouça”. Esse ouvido especial que nem todos tem significa certa disposição do coração para a auto-entrega, o encantamento, a conversão de vida.

O ouvinte precisa ter um “feeling” especial para captar o sentido específico mais ou menos oculto. Do contrário, ouve apenas mais uma estória.

Costumo dizer que a estória é a embalagem. O sentido, mais ou menos oculto, é a pérola, o conteúdo preciso e revelador. É aí que deve concentrar-se toda nossa atenção e o coração. Ninguém vai discutir se as virgens prudentes deviam ou não, por caridade, repartir o óleo de suas lâmpadas com as não prudentes.

O tema de Jesus na parábola das virgens (Mt 25,1-13) é a vigilância prudente e planejada.

O Reino de Deus não é fácil de ser identificado, está muito mais para o oculto do que para algo ostentado. Jesus conta, então, a estória do fermento que a mulher coloca na massa do pão. Ela nada sabe o que são bactérias. Não conhece a natureza do processo de fermentação e só percebe que a massa cresceu (Mt 13,33).

Sobre o mesmo assunto, conta também a parábola do grão de mostarda (Mt 13,31-32). O Rei de Deus de quase nada torna-se grande.

Jesus recorre com maestria a fenômenos da natureza que o povo simples percebe e observa. A semente semeada nasce e cresce até chegar ao ouro das espigas maduras, sem que o camponês entenda de fitobiologia. Assim o Reino de Deus, de pequenino e oculto, torna-se uma realidade grande e admirável (Mc 4,26-29).

2- As Oito Bem-aventuranças.

Vamos ler Mateus 5,3-10. Podemos falar em bem-aventurados, ou felizes. É clássico na Bíblia empregar tais expressões para felicitar alguém por dons recebidos (Mt 13,16; 16,17) ou  para garantir que determinados tipos de pessoas alcançaram a felicidade (Mt 11,6; Lc 11;28; Lc 6,20 ss). Aqui Jesus vem dizer quais pessoas estão em melhores condições para receber e aceitar o Reinado de Deus. No fundo são pessoas que tentam viver o tipo de vida, que Ele, Jesus, escolheu para si. Tais pessoas encontram profunda alegria em sua existência terrena, por vezes tão pouco atraente. Deus as consola; Deus as sacia; Deus as declara suas filhas.

Às vezes, trata-se de pessoas pobres. Outras vezes são pessoas virtuosas. Mas pode acontecer que um bem-aventurado (igual a aberto para o Reino) não é pobre, nem virtuoso. Você se lembra daquele cobrador de impostos junto à porta do Templo?

Leia Lucas 18,9-14. Nem pobre, nem virtuoso, mas aceita tomar consciência de sua auto-insuficiência e começa a sentir “fome e sede de justiça”.

Aliás, agora vai bem uma palavra sobre essa justiça aqui colocada. Não se trata de justicialismo socializante que muitas vezes descamba para ajustes de contas e vingança brutal de classes sociais!

Mas ninguém fez isso de forma tão bela, tão apropriada e tão impressionante como fez Jesus.

Jesus fala da justificação que se dá quando Deus toca o ser humano, santifica-o e o declara justificado, perdoado de seus pecados, salvo portanto. José é qualificado de homem justo. Ele não queria acusar Maria (Mt 1,18-19). Ora, pela justiça legal e social, ele deveria levá-la ao tribunal. Mas a bondade de um homem justo (santo!) não permitia tal coisa.

Como dizia no início desse tema, era comum qualificar estes ou aqueles indivíduos de bem-aventurados.

Afinal, quem, como Ele, entende das relações entre todos os tipos de seres humanos e Deus?

3- A Pedagogia de Jesus.

 Ela não é mestrado feito em boas escolas (aliás, não frequentadas por Ele), nem de contato com grandes rabinos. É pura tradução de suas convicções existenciais mais profundas, são expressão de sua pessoa.

Daí vem o encanto e a fascinação que exercia sobre os que o ouviam com os “ouvidos que tinham para ouvir” (novamente, Mt 13,16). Algo desse mesmo encanto percebo nas expressões de vocês quando falamos dele, Jesus.

Por isso Ele ultrapassa fronteiras, mesmo aquelas consideradas tabu-sagrado. Pessoas que deviam ser evitadas por lei (publicanos, pecadores notórios, leprosos, pagãos).

Ele as acolhe e vai para refeições em suas casas; não só não as evita, mas tem até contato físico com leprosos; deixa-se tocar e ser ungido por uma prostituta; convida um cobrador de impostos (Mateus, ou Levi) para integrar o núcleo central de sua confraria.
Olhe que estamos a falar dos fundamentos de sua Igreja.

Arrogância?
Prazer em desafiar a ordem e chocar para marcar sua presença?

Longe disso!
Jesus faz essas coisas com leveza, humildade, elegância e, acima de tudo, com amor.

Ao pecador público Zaqueu diz: “Hoje a salvação entrou nessa casa (Lc 19,9).

A prostituta que chorou aos seus pés, beijou-os repetidamente (hoje se diria, compulsivamente) e os ungiu, foi presenteada com “Os teus pecados estão perdoados” (Lc 7,48).

Outra atitude escandalosa para autoridades e fariseus era sua relação com coisas impuras e suas atitudes frente ao sagrado sábado. Reduziu as abluções rituais (lavagens) a sua real dimensão de higiene e só! (Mt 15,1-20).

Trabalhar aos sábados era tão rigorosamente proibido que os escribas desciam a minúcias absurdas. Segundo eles, Jesus não podia sequer proferir uma palavra de cura no sábado.

Então Jesus faz a provocadora declaração:

“O Filho do Homem é Senhor até do sábado” (Mc 2,28).
Em outra passagem fala “o homem não foi feito para o sábado”. O sábado foi instituído para o bem do ser humano.

No A.T. ocorrem milagres para punir e humilhar inimigos do povo de Deus, como nas pragas do Egito (Ex 7-12).

Até nos milagres sua pedagogia aparece. Para Ele milagres são acontecimentos, onde o povo vê Deus agindo. No A.T. normalmente os milagres são coisas espetaculares, grandiosas e muitas vezes trágicas. Jesus atua com simplicidade e discrição.

Seus milagres em nada tem aspectos pessoais, nunca atendem interesses próprios.
Não visam atrair o povo pelo espetáculo, pelo fantástico (Mt 4,1-11; Lc 4,1-13).
Os milagres são apenas sinais de sua missão divina e de que nos tempos messiânicos Deus atua mais com seu povo.

O profeta Eliseu parece que era careca. Subindo ele de Jericó a Betel, ocorre uma cena na qual um grupo de meninos resolve gozar da calvície do profeta, gritando atrás dele “vai, careca, vai careca”. E o profeta então surta e amaldiçoa os garotos e, eis que, imediatamente, duas ursas saem do bosque e estraçalham quarenta e dois meninos (2Rs 2,23-24).

Jesus realiza suas curas (nem sempre são consideradas milagres) com delicadeza, atenção e desvelo.

Toca o doente asqueroso (o leproso, o que era rigorosamente proibido – Mc 1,41). Um surdo mudo Ele o conduz para fora da multidão. Toca seus ouvidos e a língua (Mc 7,33-34). A um cego Jesus o toma pela mão e o conduz para fora da aldeia. Passa saliva sobre seus olhos e lhe impõe as mãos (Mc 8,32-36).

Na próxima aula continuaremos o assunto, procurando descrever e salientar aspectos afetivos da personalidade de Jesus.

Por exemplo, a tristeza que Dele se apodera diante da total falta de solidariedade dos apóstolos no Horto das Oliveiras e aproximação inevitável de sua prisão e Paixão. “Minha Alma está a ponto de morrer”.

Frei Hipólito Martendal, OFM.

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