Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

A Pessoa de Jesus – 3ª parte

05/06/2012

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1 – Os sentimentos de Jesus (continuação).

1.1 –  Jesus era movido por compaixão.

Compaixão não é uma emoção simples, mas é composta de várias emoções. O amor entra na forma de bondade e solidariedade; a empatia leva muita gente a imaginar: “eu podia estar no lugar dela e como gostaria de receber ajuda!” Muitas emoções sentidas por quem sofre, sobretudo se está em estado consciente, são altamente contagiosas, tais como o medo e a angústia.

Elas podem até levar-me a fugir da situação para proteger-me do sofrimento. Na parábola do Bom Samaritano (Lc 10,29-37), um sacerdote e um levita protegem-se, apesar de verem a cena, “passando a boa distância”. Mas se voce envolve-se na cena pode sentir-se profundamente perturbado.

Então, se for do tipo mais lutador, voce é capaz de engajar-se em uma verdadeira batalha para salvar aquele que sofre.

Jesus aparece repetidamente tomado de compaixão. A multidão que o procura comove-O, ora porque está “exausta, prostrada, como ovelha sem pastor (Mt 9,36)”, ora porque O procura com seus doentes (Mt 14,14).

Outra vez a multidão O comove por sua perseverança em estar com Ele tres dias seguidos e, consequentemente, deve estar com fome (Mt 15,32; Mc 8,2-3).

Em outra oportunidade são dois cegos que O sensibilizam (Mt 20,34).

O mesmo acontece ao encontrar um leproso (Mc 1,41).

Lucas registra sua compaixão quando Ele encontra a viúva e o povo de Naim, levando para sepultura o jovem filho único (Lc 7,13).

A compaixão é talvez a força mais extraordinária a mover o ser humano para ações, por vezes heróicas, de solidariedade e salvação do próximo. Mais do ninguém, Jesus vive isso. Aponta a compaixão como mola propulsora do Bom Samaritano para salvar o ferido que caíra nas mão dos ladrões (Lc 10,33).

Se Jesus não tivesse vivido uma infinita compaixão por toda a raça humana Ele não teria aceitado a cruz. A Redenção não se teria dado.

1.2 – Sua bondade é sem limites

Mesmo pressionado pela urgência de ter que anunciar a boa nova em todas as cidades e aldeias da Palestina num curto prazo – missão que Ele considerava de número um – ainda tendo que evitar lugares perigosos por causa de seus perseguidores, Ele dá um jeito de curar todos os doentes (Mt 12,14-15; Mc 3, 6-12).

Chama a si as pessoas cansadas e aflitas para confortá-las (Mt 17 28-30). A bondade O leva ao limite de servir sempre até a entrega da vida (Mt 20 28). Por isso é tocado profundamente com a certeza das desgraças que se abaterão sobre sua capital, a cidade santa, Jerusalém, pela qual gostaria de fazer algo para protegê-la (Mt 23, 37; Lc 13, 34).

1.3 – Alegria

Vamos parar um pouco e pensar.
Qual seria o estado de humor dominante de Jesus?

Pessoalmente não tenho dificuldade de imaginar que, no seu dia-a-dia com os seus mais próximos, fosse a alegria. Aqui podemos recorrer às qualidades de sua pessoa expostas acima para imaginar a alegria Dele.

Acima de tudo, destacamos sua total segurança no que se refere ao seu projeto e missão.

Quem tem tal confiança e segurança experimenta necessariamente uma linha-base de serenidade e satisfação que irá alimentar a alegria.

Além do mais, a alegria anuncia os tempos messiânicos que falam em vida plena.

Jesus compara a posse do Reino de Deus, várias vezes com festas de casamento. Pelo visto, eram as festas mais expressivas de seu povo (Mt 22, 1-14). As dez virgens estão ansiosas pela chegada do noivo para entrar no salão de festas (Mt 25, 1-13). Em Lucas, os que estão preparados para receber seu Senhor que pode voltar a qualquer hora, são chamados à mesa e o Senhor os servirá (Lc 12, 32-37).

Seus discípulos são cobrados por não fazerem os jejuns como os demais judeus piedosos. Jesus os defende e justifica. Como alguém teria espírito para jejuar estando na companhia de seu amigo noivo, pergunta? Ele, Jesus, é o noivo e Seu casamento inaugura a festa do Reinado de Deus (Mc 9, 19; Mt 17, 17).

Ele próprio sabe o que é exultar de alegria intensa, sob ação do Espírito Santo, por Deus revelar-se aos “pequeninos” e nos presenteia com uma ação de graças de beleza única (Lc 10, 21-22; Mt 11, 25-27).

Em João fala de Sua alegria pessoal como um dom extraordinário, que seria como motivo suficiente para Ele nascer e vir a este mundo, a fim de comunicar tal genero de satisfação aos seus amigos, ou seja, a todos os seus seguidores. “Eu vos disse essas coisas para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja perfeita (Jo 15, 11). Ele garante que a tristeza por sua morte vai converter-se em alegria (Jo 16, 20-24; 17, 13). Aqui Jesus não promete pouco. Quer que a alegria que Ele experimenta na sua glorificação aposse-se de nós.

2 – Outros sentimento de Jesus

Irritação e aborrecimento.

Aparece em diversas ocasiões um Jesus irritado. Normalmente não é muito fácil saber que fatores dispertam sua irritação.

Talvez fosse resultado do conflito existente entre Sua missão de pregar rapidamente a Boa Nova em todas as cidades e aldeias da Palestina e os inevitáveis atrasos que a procura de doentes Lhe causava.

Outra razão poderia ser que sua fama de curador atraísse muita gente que a Ele a ocorressem não pela casua do Reino que pregava, mas apenas pela por interesses e necessidades imediatas. Afinal, um curador infalível é mais facilmente associado a um Messias tipo super-homem do que com o tipo de Messias que Ele quer ser, mais identificado com o Servo Sofredor.

Os seguintes tópicos são os principais.

Marcos:
1, 43; 3, 5; 8, 12-13; 10, 14; 11,15-17.

Vamos ler alguns.

Na história do menino epiléptico, Jesus se depara com uma discussão entre discípulos de um lado e do outro o pai e a multidão. A razão foi os discípulos não terem conseguido expulsar o mau espírito. Jesus então fala: “Oh geração incrédula! Até quando estarei convosco, até quando vos suportarei?” (Mc 9, 19).

Ou Jesus estaria simplesmente aborrecido com o rebu entre discípulos e povo?

Algo semelhante observamos em Mt 17, 17.

Ternura

Em Mc 10, 13-16, Jesus recebe crianças que os discípulos queriam evitar que chegassem até Ele. Jesus ficou indignado e disse: “Deixai as crianças virem a Mim. Não as impeçais, pois delas é o Reino de Deus. Em verdade Vos digo: aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele”. Então, abraçando-as, abençoou-as, impondo sobre elas as mãos.

Há uma passagem mais surpreendente, a do jovem rico, em Mc 10, 17-22.

O jovem queria o que fazer para entrar na vida eterna. Jesus olha para ele e começa a amá-lo. Então, responde: “uma só coisa te falta. Vai, vende o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-me”.

Vamos à relação de Jesus com Marta, Maria e Lázaro. Indubitavelmente, trata-se de uma relação de amizade profunda. Leiam o capítulo 11 de João.

Logo no início quando Lázaro adoece, as irmãs mandam-lhe um recado onde dizem que “aquele que Tu amas está doente”. Foi na casa dos três que Jesus se hospedou nas últimas noites antes de sua morte.

Quando Jesus viu Maria às lágrimas e o povo a chorar, Ele também chorou, provocando comentários de outros mais próximos: “Vede como Ele o amava”.

Tristeza e Angústia

Como já vimos na morte de Lázaro, Jesus foi tomado de grande tristeza.

No Getsêmani, consciente das coisas que estavam por acontecer: traição de Judas, prisão, abono dos discípulos, paixão e morte, desabafa a Pedro e João: “Minha alma está a ponto de morrer” (Mc 14, 34). Antes, Marcos já falara em pavor e angústia.

Talvez o sentimento mais difícil de Jesus tenha sido a angústia que se transforma em sensação de abandono de Deus. Muitos seres humanos já entraram em desespero por imaginar que Deus os tenha abandonado. Jesus os redimiu, vivenciando na cruz tal situação e exclama: “Meu Deus, Meu Deus, por que Me abandonaste?” (Mc 15, 34).

 

Frei Hipólito Martendal, OFM.

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