Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

A Pessoa de Jesus – 2ª parte.

05/06/2012

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1 – Fé e Milagres.

Nos meios de comunicação e em narrações piedosas de pessoas que acreditam terem sido agraciadas com algum milagre, este, o milagre, sempre aparece como comprovação de uma fé fora de série. São normalmente apresentados como testemunhos de fé e fazem sucesso inquestionável em movimentos das igrejas.

Não quero que essas considerações sobre o tema tornem-se um problema no caminho espiritual de ninguém, mas acontece que supostos milagres podem fazer bem, mas podem também  até fazer mal. Todas as igrejolas que se multiplicam como cogumelos dão forte ênfase em fatos miraculosos e transformações fantásticas que ocorrem na vida de pessoas que frequentam seus cultos. Muita gente já deixou a Igreja Católica e correu para essas “tendas dos milagres”. As motivações subjacentes são muito mais procura de vantagens e bens pessoais do que disposição de fazer-se discípulo e reproduzir em si a imagem de nosso Mestre Jesus (Jo 6, 25-27). Segundo o modelo de Jesus, precisamos procurar  tornar-nos pessoas melhores, e não apenas conseguir favores divinos que nos coloquem acima das misérias humanas que afligem tanta gente.

Nos Evangelhos, a fé, ao menos em grau inicial na pessoa dele, Jesus, precede o milagre. Jesus pode pedir até uma fé bastante forte. Daí a linda expressão do pai daquele menino epiléptico: “Eu creio, vem em auxílio de minha falta de fé” (Mc 9,22-24) que inspirou a tantos orantes.

“Ademais, a exigência da fé, anterior ao milagre, não significa que a fé opere o milagre como o apresentam certos rezadores. A fé, ou seja, a auto-entrega, é exigência primordial, mas é Deus quem cura. Por isso, não é de necessidade que seja o próprio doente que tenha fé. Em Mc 9,24 constatamos que é o Pai. Se o milagre fosse questão de concentração de fé ou obra feita por ela, seria artifício do curado e não sinal do Reino. O milagre é obra de Deus que indica libertação mais profunda: a aceitação do Reino” (O Novo Catecismo, op. cit. p.136).

Os milagres de Jesus são, em primeiro lugar, sinais da aceitação do Reino, prova da atuação especial de Deus na pessoa de Jesus. Não nos esqueçamos que muitas curas e doenças nem eram consideradas milagres (Mc 6,5).

Além disso, nos Evangelhos, curas e expulsão de demônios muitas vezes são sinônimos. Todas as doenças eram consideradas como causadas por espíritos maus (Lc 4,38-39).

2 – Clareza de objetivos.

Voltemos de novo nossa atenção para as características da pessoa humana de Jesus. Não posso deixar de admirar sua clareza de objetivos ligada sempre à consciência da missão de que é portador. Sua compaixão, como vimos, por toda sorte de misérias e sofrimentos, O tocavam profundamente. Curava todos os doentes que lhe traziam. Mas também era capaz de dizer, simplesmente, diante da informação de Simão Pedro de que “toda a gente te procura”, “vamos para aldeias da vizinhança para lá também Eu proclamar a boa nova, pois para isso é que Eu saí …” (Mc 1,3-39; Mt 9,35; Lc 4,42-44). Os milagres na verdade estão a serviço da pregação. Lembremos de quando falava na aula passada sobre as bem-aventuranças. Dizia que uma pessoa, para ser considerada feliz por Jesus, necessita ter uma atitude, um estado de abertura de coração e mente, de entrega para aceitar a ideia de que o Reino de Deus está chegando, “já está no meio de vós”, pois o Reino está encarnado em Jesus. Aí Ele faz curas e milagres como prenúncio desse Reinado de Deus.

Diante de pessoas sem essa disposição de aceitação, como os fariseus, saduceus, autoridades judaicas, Herodes e seus próprios patrícios de Nazaré, nada acontece. Os milagres são início do Reinado de Deus. A base da fé é o conteúdo da pregação de Jesus e sua própria pessoa. O conteúdo básico da pregação é: o Reino de Deus está chegando. Chega a afirmar “Ele já está no meio de vós”; e, “se Eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente  é chegado a vós o Reino de Deus” (Lc 11,20). A necessidade da conversão (“convertei-vos pois está próximo o Reino do Céus” – Mt 4,17), a aceitação e a acolhida do Reino, bem como a conversão são elementos casados, inseparáveis. Sem conversão, nada feito! O perdão dos pecados já é realidade, o que possibilita a Justificação e a Redenção de todo o ser humano (Ele declara perdoados os pecados a muitas pessoas); como o Amor é a própria natureza de Deus, Ele ama toda a humanidade. “Deus amou tanto o mundo que deu o Seu Filho …” (Jo 3,16; Lc 15,11-32); que Ele, Jesus, é aquele que realiza tudo o que foi prometido no A.T. (Lc 24,27); que sua morte sela a Nova Aliança, no seu sangue; e ainda que “Meu Pai é vosso Pai”, através Dele, Jesus Cristo quer estar no meio de nós, inseparavelmente, para sempre (vida fraterna na Igreja).

3 – Os sentimentos de Jesus.

Carl Rogers valorizou extraordinariamente o lado emocional do ser humano, principalmente para conseguir-se bons relacionamentos e resultados positivos no exercício da ajuda entre pessoas em dificuldades. Defendeu a necessidade de uma “compreensão empática” para se chegar a entender alguém.

Está muito perto do que falamos anteriormente sobre a disposição do coração para se chegar à Fé e as duas – disposição e Fé – para se compreender Deus e até outros seres humanos. Mas, temendo um culto exagerado ao elemento emocional, acrescenta Rogers que o ideal é um grande coração, mas com “uma mente poderosa” (a powerfull mind).

Se Jesus é a perfeita encarnação na natureza humana, então imagino-O exatamente assim. Nenhuma emoção, nenhum sentimento Lhe são desconhecidos. Mas seu equilíbrio emocional é perfeito. Nunca perde o foco de sua mente. Sabemos que nosso mundo emocional nos dá beleza, sabor, romance, e muito mais  à vida.

Mas as emoções podem por tudo a perder, pois tendem a desligar nossos mecanismos críticos, analíticos, avaliativos e até mesmo das percepções. Em Jesus o equilíbrio é perfeito.

Por isso é absolutamente seguro em suas afirmações, propostas e atitudes. Nunca aceita discutir com ninguém. Nada negocia, nem dá “explicações”.

Sua segurança pessoal Lhe confere uma autoridade e um poder pessoais nunca encontrados em ninguém. É uma soberania encantadora porque nada tem de presunçoso ou arrogante. Seis vezes no Sermão da Montanha Ele introduz assuntos fundamentais para a convivência dos discípulos com os dizeres:

“Ouvistes o que foi dito aos antigos … Eu porém Vos digo …” (Mt 5,21-22; 27-28; 31-32; 33-37; 38-42; 43-48).

Diante das maiores autoridades, Sinédrio (a corte suprema ou o tribunal superior), Sumo-Sacerdote (maior autoridade judaica) e Pilatos (maior autoridade do Império), Ele cala-se com solenidade, ou responde com ousadia e soberania, sem qualquer traço de cinismo ou ironia.

O Sumo-Sacerdote começou a perguntar sobre conteúdos de suas pregações e a respeito de seus discípulos – e isso, no tribunal – e foi agraciado com essa resposta “Eu falei abertamente ao mundo, Eu sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se reúnem e nada disse em segredo.

Por que Me interrogas? O que Eu disse pergunta-o aos que Me escutaram: eles sabem o que Eu disse” (Jo 18,19-21).

E Pilatos não fica por menos. “Pilatos disse então: ‘É comigo que recusas a falar? Não sabes que eu tenho poder de Te soltar, como tenho o poder de Te crucificar?’”. Mas Jesus Lhe respondeu: “Não terias poder algum sobre mim se não te fosse dado do alto” (Jo 19,10-11).

Aconselho ler também Lucas 20, 1-8.

No entanto, as perguntas sobre identidade pessoal e missão Ele as responde todas (Lc 22,70; Mc 14,60-62; Mt 26, 62-64; Jo 18, 34-38).

Frei Hipólito Martendal, OFM.

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