Vida Cristã - Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil - OFM

A cada dia uma Pérola

junho/2020

  • Uma página pascal: Jesus prepara uma refeição à beira do lago

    Disse-lhe Jesus: “Vinde comer” (Jo 21, 12)

    Não se deve falar da Páscoa somente no final da Semana Santa.  Páscoa é sempre. É dinamismo. Jesus apareceu aos apóstolos, sempre com certo mistério, também à beira do lago. Convida-os a comer. Há hesitações. Convida os seus para um momento de intimidade. Ali reconhecem o Senhor.

    A Pascoa de Jesus foi passagem pela morte para ressuscitar. Nossa vida é uma sequência de passagens que comportam escolhas e decisões a serem tomadas. Nenhum dos caminhos está traçado de antemão. Responder a um apelo é decisão que demanda confiança. É aceitar riscos e perigos. De passagem em passagem, de pascoa em páscoa, vamos atravessando os caminhos que nos são dados a percorrer.

    Frei Almir Ribeiro Guimarães

  • Ela nos deixou entre rosas

    A mãe colhia singelos buquês de flores e sepultava aos pés de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Imagem de gesso, colada com grude de polvilho – de muito tombar na quina do quarto. Às vezes uma vela permanecia acesa, sem pecado para queimar-se. Comemorava-se uma graça ainda por chegar. Só as rosas não se intrometiam nesta indesvendável promessa. Desconheço o motivo. Se pavor do espinho ou da dor. Agora, com sua ferida cicatrizada, ela nos deixou entre rosas, já sem medo de espinhos, sem respirar o perfume, sem reparar suas cores.

    Vermelho Amargo, p.30-31
    Bartolomeu Campos de Queirós

  • O delicado tema da paz

    Deixo-vos a minha paz, a minha paz vos dou! (Jo 14, 27)

    Paz, palavra mágica, sonho nunca alcançado, desejo sempre protelado.

    Paz não quer dizer pacifismo, cômodo assentimento a tudo para viver bem com todos.

    Paz não é acomodação. Paz não é diplomacia sem ossatura. Não é estratégia.

    Há pequenas e não tão pequenas coisas que nos fazem perder a paz: esperar alguém que não chega e disse que ia chegar; a falta de dinheiro para cobrir as despesas necessárias para sobreviver; o desemprego que perdura e perdura sem terminar; a doença cruel de um ente querido que geme e chora.

    Tais situações fazem com que nosso rosto fique sério e nossa testa franzida. Há inquietação. Falta de paz.

    Frei Almir Ribeiro Guimarães

  • O que anda nos tirando a paz?

    Esse constante, macabro e tétrico girar em torno de nós mesmos, de nossos projetos, de nossos êxitos, de nossas coisas. Esse ensimesmamento venenoso a médio prazo.

    Esse medo do sucesso e do êxito dos outros, esses outros que ganham mais aplausos, que sobem na vida, que são prestigiados. Essa falta de transparência, essa vida meio dupla, meio mentirosa, quase falsa. Essa falta de carinho que deveríamos concedera quem nos amou, esses gestos que machucaram vidas e que não conseguimos reparar, essas páginas da vida rasgadas que não conseguimos colar nem costurar.

    Como a gente pode se salvar? Jogar-se no abismo daquele que nos tirou do nada, nos trouxe à vida e espera que para ele olhemos já que está na soleira da porta da casa do amor a nos aguardar…

    Frei Almir Ribeiro Guimarães

  • Sentir-se bem entre os pequenos

    Francisco – bem depressa seguido por Clara – abdica de todo poder, prestígio, ambições para escolher o caminho que desce socialmente. Sai de Assis e vai para a periferia, em sinal de seu desacordo com o sistema e em resposta ao amor do Filho de Deus que se esvazia de sua divindade para tornar-se pobre, servidor dos humildes e morrendo numa cruz, fora da cidade. Isso faz parte da descoberta de Deus por parte de Francisco: um Deus humilde, espelhado nos humildes da terra. Escolhe para sua fraternidade a designação de Frades Menores; e ensina que os irmãos devem lavar os pés uns dos outros e alegrar-se quando se encontram com pessoas insignificantes e desprezadas, entre pobres, fracos, enfermos, leprosos e os que mendigam pela rua. Aproxima-se das criaturas com um olhar não possessivo, por isso elas se lhe revelam como irmãs e aliadas. Até os lobos se pacificam à sua presença, diz a lenda, certamente os lobos que dormem dentro de nós. Francisco nos faz entender que o que salva o mundo não é o poder, mas o amor que se despoja e se volta para serviço das pessoas, estabelecendo com elas relações pessoais afetivas, não meramente ideológicas. Deve ter entendido essa mensagem de São Francisco aquele político brasileiro e cristãos (Plínio de Arruda Sampaio) e cristãos que asseverou: Diante da conjuntura atual o importante é ser franciscano.

    Documento de Família Franciscana
    Oitocentos anos da Ordem do Frades Menores
    1209- 2009

  • “Deixo-vos a paz!”

    A “cultura da paz” exige que se crie um clima de diálogo social promovendo atitudes de respeito e escuta de uns com os outros. Uma sociedade avança para a paz renunciando aos dogmatismos, buscando a aproximação de posturas e esclarecendo no diálogo as razões em confronto.

    A “cultura da paz” sempre se arraiga na verdade. Deforma-la ou manipulá-la a serviço de interesses partidaristas ou de estratégias obscuras não levará à verdadeira paz. Mentir e enganar o povo sempre geram violência.

    A “cultura da paz” só se assenta na sociedade quando as pessoas estão dispostas ao perdão sincero, renunciando à vingança e á revanche. O perdão liberta a violência do passado e gera novas energias para construir o futuro entre todos.

    No meio desta sociedade, nós cristãos temos que escutar de maneira nova as palavras de Jesus, “deixo-vos a paz, eu vos dou a minha paz”, e temos que perguntar-nos o que fizemos dessa paz que o mundo não pode dar, mas precisa conhecer.

    José Antonio Pagola
    O caminho aberto por Jesus
    João, p. 208-209

  • A videira e os ramos

    Videira, troco da videira e ramos. Comunicação de vida. Comunicação vital. Jesus e os seus. A videira e os ramos. Circulação de vida. Intimidade. Conivência. Cumplicidade. Aquele que vive quer que façamos caminhada com ele. Quer no revigorar, reverdecer.

    Estamos nele e ele está em nós. Jesus e os seus. Intimidade de vida. Vidas que se misturam e se entrelaçam. A minha vida e a vida do Senhor.

    Pode haver uma vida dita cristã sem viço e sem vigor. Uma vida marcada pela rotina e pela repetição sem alma. Um catolicismo de tradição, de ritos, de bênçãos. Pode ser que haja ramos que se dizem de Jesus onde não circula a vida. Onde circula a vida de Jesus há frutos de santidade.

    Como se dá, na verdade, essa circulação de vida?

    Há esse contato, diário com Jesus em sua palavra no Evangelho. A leitura serena dos evangelhos nos coloca em relação com ele. Uma leitura dos evangelhos como se suas páginas fossem uma carta do Senhor.
    De tanto ouvi-lo, lê-lo, suas palavras permanecem em nós. Ganhamos o jeito de Jesus.

    “A vida da Igreja se transformaria se os crentes, os casais cristãos, os presbíteros, as religiosas, os bispos, os educadores tivessem com livro de cabeceiras os evangelhos de Jesus” (Pagola)

    Há esse agir no mundo como ele agiu: uma tentativa de termos em nossos gestos, palavras e posturas o jeito de Jesus viver. Há uma mesma missão dele e nossa: construir mundo segundo o coração de Deus: recolher os jogados à beira do caminho, valorizar os pequenos e humildes, acolher os operários da ultima hora, não atirar pedra.

    Trata-se de unir-nos de modo particular ao dom de Cristo na Eucaristia, dar a vida pelos outros cada dia.

    Frei Almir Ribeiro Guimarães

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